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26.9.23

SNS vai pagar 2,5 euros por vacina dada na farmácia

Inês Schreck, in JN

Remuneração será igual paragripe e covid-19. Para o utente, não haverá qualquer custos.


As farmácias vão receber 2,5 euros por cada vacina contra a gripe e contra a covid-19 que administrarem a pessoas com mais de 60 anos no âmbito da campanha de vacinação sazonal Outono-Inverno, que arranca na sexta-feira.


A portaria que define os termos e as condições da prestação de serviços de intervenção em saúde pública por parte das farmácias na campanha de imunização sazonal 2023-2024 e a respetiva remuneração deverá ser publicada hoje em “Diário da República”.


De acordo com o diploma, a que o JN teve acesso, pelo serviço de administração de cada vacina - com registo na Plataforma Nacional de Registo e Gestão da Vacinação - VACINAS e indicação do lote da vacina administrada -, a farmácia é remunerada em 2,5 euros, valor isento de IVA. Para o utente não há qualquer custo.


Deduzir encargos


Ao que o JN apurou, do valor as farmácias terão de deduzir os custos com fornecedores, que podem variar em função da capacidade negocial, com os consumíveis (seringas, pensos, máscaras e luvas para os profissionais de saúde) e com a rede de frio, entre outros.

Com exceção do período pandémico, em que participaram na testagem à covid-19 e foram pagas por esse serviço, é a primeira vez que, numa situação normal, as farmácias são remuneradas pela prestação de serviços de intervenção em saúde pública.


Segundo a portaria, o apuramento do valor em dívida será feito pelas farmácias mensalmente e conferido pela SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, através do Centro de Controlo e Monitorização do SNS.


A despesa relativa à remuneração das farmácias será suportada por verbas inscritas no orçamento da Administração Central do Serviço de Saúde (ACSS), que assegura as transferências para as administrações regionais de Saúde efetuarem os pagamentos, num processo semelhante ao das comparticipações dos medicamentos.


A campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a covid-19, que este ano decorre nas farmácias para os maiores de 60 anos, começa no dia 29, sendo que nos primeiros dias haverá alguma escassez de vacinas.


Como o JN noticiou no final da semana passada, as farmácias foram informadas que, entre os dias 29 de setembro e 10 de outubro, receberiam apenas 175 mil doses de vacinas contra a gripe e 205 mil contra a covid-19. A limitação, que resulta de um atraso na distribuição da vacina da gripe, obrigou várias farmácias a adiarem as marcações de utentes. As reservas podem ser feitas presencialmente ou na plataforma “farmaciasportuguesas.pt”.


Portugueses têm mais alternativas para imunização


O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, apela à imunização e lembra que há 2300 farmácias a aderir à vacinação contra a gripe e a covid-19, que se inicia na sexta-feira para maiores de 60 anos. “Se acrescentarmos mais de mil locais de vacinação nos cuidados de saúde primários, vemos que os portugueses têm muitas alternativas para a vacinação”.

7.6.23

"Falta de medicamentos vai agravar-se e o país tem de se preparar antes de um problema de saúde pública"

Ana Mafalda Inácio, in DN


Nas farmácias comunitárias faltam desde analgésicos a anti-inflamatórios e antibióticos. Nos hospitais, é cada vez mais difícil repor stocks. E o Infarmed já proibiu a exportação de mais de uma centena de medicamentos. O bastonário dos farmacêuticos diz ao DN que a situação é preocupante e que o país tem de "trabalhar urgentemente numa verdadeira estratégia de reserva de medicamentos".


a última semana, o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) suspendeu a exportação de 110 medicamentos, entre eles o antibiótico amoxicilina, o anti-inflamatório ibuprofeno e outros mais, como o paracetamol. Tudo porque estes estão a faltar nas farmácias comunitárias e, nalguns casos, as reposições só estão previstas para daqui a meses. As razões para que tal aconteça são várias e vão desde problemas na produção à distribuição. O bastonário dos farmacêuticos, Helder Mota Filipe, diz que "a situação tem vindo a agravar-se e, muito provavelmente, vai agravar ainda mais, porque todas as causas que estão na sua base se vão manter".


A sua grande preocupação é que "o país deveria estar melhor preparado para gerir crises como esta". "Não podemos achar que a nós nada nos vai acontecer. Outros países europeus têm-se preparado com mecanismos legais. Não podemos achar que a nós nada nos vai acontecer", comentou ao DN.


Por enquanto, salvaguarda, "não foi identificada qualquer situação que constitua um problema grave de saúde pública - isto é, doentes que precisam de um medicamento em falta e para o qual não haja alternativa. A minha preocupação é que o país consiga garantir que tal não vai acontecer", mas, reforça, "para isso é mesmo necessário que o país esteja mais preparado".

E, nesse sentido, defende que se deve "trabalhar urgentemente numa verdadeira, robusta e moderna estratégia de reserva de medicamentos". "Deveríamos ter uma reserva que permitisse ao Estado recorrer a ela nestas situações, exatamente para se diminuir o risco de um problema de saúde pública", frisa.

Além de uma estratégia mais robusta, Helder Mota Filipe considera haver "um outro aspeto muito importante". "Há países que já têm uma lista de equivalentes terapêuticos para alguns medicamentos, no caso de situações mais complicadas". E dá um exemplo: "Recentemente houve dificuldade no acesso à amoxicilina pediátrica devido ao aumento das infeções respiratórias nas crianças, mas nos países em que já há uma lista de equivalentes terapêuticos o utente vai à farmácia e não sai de lá sem tratamento. Não há aquele, mas há outro. Em Portugal, o utente vai à farmácia, o farmacêutico diz que não tem o medicamento e não pode dispensar um alternativo. A solução é o utente ir de novo ao centro de saúde, pedir nova consulta e nova receita, e este vaivém não é compatível com uma infeção respiratória numa criança", diz, sublinhando que estas situações, dada a realidade atual, poder-se-ão "tornar cada vez mais frequentes".

O bastonário argumenta que tal poderia ser feito rapidamente, pois até há "uma instituição, sediada no Infarmed, que é a Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica, que poderia servir para criar rapidamente uma listagem oficial e até para criar outras soluções para este tipo de problema", porque "quem sofre com isto são os doentes, as suas famílias e os profissionais, que veem os doentes a não serem tratados adequadamente".

Para o representante dos farmacêuticos "o importante é identificar-se os problemas e agir, criando-se condições do ponto de vista legal que permitam responder rapidamente a estas situações". Até porque, a situação não afeta só as farmácias comunitárias, mas também os hospitais. "O feedback que temos através do Colégio da Farmácia Hospitalar é o de que há mais dificuldade na gestão dos stocks. Isto é, a reposição dos stocks está a ser mais lenta o que tem exigido um maior esforço na garantia de que os medicamentos não faltam mesmo. Mas até agora não se detetou problemas graves".
Europa deixou a produção e agora depende de mercados como os da Índia e China

Helder Mota Filipe explica que "falhas no mercado sempre houve e sempre haverá, porque é impossível ter um mercado tão perfeito que, em dezenas de milhares de fórmulas farmacêuticas, não haja um problema de fabrico, de distribuição ou de gestão de stocks, mas o que nos preocupa é o aumento do número de falhas". E tudo começa, precisamente, porque nas últimas décadas a Europa "deixou de apostar na produção, preferindo outros mercados que asseguravam qualidade e produção mais barata, como a Índia, em primeiro lugar, e depois a China. E agora está mais dependente de fenómenos como a pandemia, que fechou vários laboratórios durante muito tempo, devido aos confinamentos, na China, por exemplo, o que atrasava a produção".

A esta situação, poucos laboratórios a produzirem na Europa, veio juntar-se a guerra na Ucrânia e a inflação. "Há matérias-primas que eram produzidas no Leste e que deixaram de o ser, retardando a produção de medicamentos", diz o bastonário. "Por exemplo, o alumínio, que é fundamental para a indústria farmacêutica, porque se não houver alumínio não é possível fabricar os blisters para as embalagens, e só isto já não permite cumprir prazos de fabrico, o que está a resultar numa maior dificuldade em se ter acesso a medicamentos", regista.

Por outro lado, a inflação e o aumento do custo das matérias-primas também torna a produção dos medicamentos mais cara e coloca em risco alguns, que os laboratórios consideram "inviáveis economicamente". É o que está a acontecer nalguns mercados, nomeadamente no português. "Temos um sistema de controlo de preços de medicamentos que está construído para não os deixar aumentar, por princípio. Mas, no momento em que estamos, em que o aumento do custo na produção é significativo, pode haver medicamentos em que o preço em Portugal não compense e que a indústria possa retirar do mercado nacional".

Por isso mesmo, defende, que também para esta situação o Estado já deveria ter criado "um mecanismo legal que obrigasse as empresas a manter o medicamento no mercado, mesmo contra a sua vontade". Esta questão, diz Helder Mota Filipe, também se tem vindo a agravar, porque os laboratórios e os distribuidores acabam por vender estes medicamentos nos mercados em que são mais caros. "O facto de Portugal ser um país em que os medicamentos são mais baratos torna convidativo a que estes sejam vendidos para outros países, deixando o mercado nacional desabastecido, o que é um risco para a saúde pública", explica.

O farmacêutico, que já foi também presidente do Infarmed, assume ser contra "o aumento generalizado do preço dos medicamentos", mas considera que se deve olhar para os que se possam tornar inviáveis economicamente no mercado português. "Temos de ter mecanismos para que, nestes casos, se identifiquem as situações fundamentais e resolvê-las". Por fim, o bastonário diz que a Ordem que dirige tem vindo a alertar publicamente para esta situação e para a realidade das faltas que hoje se vive, assumindo que esta "é uma preocupação" e que ainda não viu que "esteja a ser feito algo para que depois não andemos a correr atrás do prejuízo".

8.3.23

Funcionamento da reserva estratégica de medicamentos “é dramaticamente mau”

Por Lusa, in Público

Ouvido no parlamento, João Almeida Lopes sugeriu que se seguisse o modelo americano de gestão de reserva de medicamentos.

O presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) considerou esta quarta-feira "dramaticamente má" a forma como funciona a reserva estratégica do medicamento, sugerindo que passem a ser as empresas a ter de garantir os stocks de fármacos.

Em declarações aos deputados da comissão parlamentar de Saúde, onde hoje foi ouvido, a pedido da Iniciativa Liberal, sobre a ruptura de medicamentos, João Almeida Lopes sugeriu que, a este nível, se optasse pelo "sistema à americana".

"O governo americano define a reserva estratégica e contrata com os produtores de cada produto, faz um contrato tipo de 10 anos, e diz, por exemplo, que quer para o país 500.000 unidades de paracetamol. Essa empresa tem de ter sempre essa disponibilidade, mas esse stock vai rodando", exemplificou, sublinhando que "neste caso, a empresa está sempre a vender, mas tem de ter sempre em stock aquela quantidade".

"Isto era um mecanismo muito mais simples, que as empresas agradeceriam, quando muito subiam um pouco os seus stocks de segurança, saía um bocadinho mais caro, mas era um sistema muito mais inteligente, muito mais prático e eficaz e as empresas eram obrigadas a gerir a reserva estratégica", afirmou.

João Almeida Lopes criticou a forma como em Portugal se gere esta questão, colocando os medicamentos da reserva estratégica em armazém: "Fica lá à espera de uma guerra nuclear, que esperemos nunca venha, e entretanto passa o prazo de validade, vai para o lixo e depois tem de se comprar mais."

Questionado sobre os motivos da falta de medicamentos, o presidente da Apifarma apontou vários factores, sublinhando que o preço é apenas um deles e destacando a perda de capacidade produtiva da Europa, e de Portugal, nos últimos 20 anos.

A este propósito, considerou que, no que se refere ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), "teria feito sentido pensar-se em fazer qualquer coisa em Portugal em termos de princípios activos, desafiando empresas de base nacional, ou não" a fazer uma unidade industrial para a produção de princípios activos.

"Como os franceses se atiraram agora para fazer uma fábrica para o paracetamol", exemplificou, lamentando que "às vezes perdem-se oportunidades".

19.12.22

Associação pede que se deixe o troco na farmácia para ajudar carenciados

Maria Dinis, in JN

A associação Dignitude, promotora do programa abem, convida os portugueses a doarem o troco das suas compras realizadas na farmácia ao Fundo Solidário abem, que usará o montante angariado para a aquisição de medicamentos prescritos para pessoas carenciadas apoiadas pelo programa abem: Rede Solidária do Medicamento. A campanha solidária "Dê Troco a Quem Precisa" arranca esta segunda-feira, dia 12 de dezembro, nas farmácias portuguesas aderentes, até do 21 de dezembro.

O Programa abem: Rede Solidária do Medicamento permite o acesso aos medicamentos prescritos a quem não tem capacidade financeira para os adquirir, tendo já ajudado 30 490 pessoas. Os beneficiários são referenciados por entidades parceiras locais, como câmaras municipais, juntas de freguesia, instituições particulares de solidariedade social, Cáritas e misericórdias.

"Sabemos que os tempos atuais são difíceis. Vivemos dois anos de pandemia, em que muitos portugueses viram a sua situação económica deteriorar-se, com perdas significativas de rendimentos. Entretanto, teve início uma guerra na Europa, com forte impacto ao nível do aumento do custo de vida e da inflação. Nos dois anos de pandemia, registámos um elevado acréscimo do número de famílias que ajudamos e a tendência mantém-se", explica Maria João Toscano, diretora executiva da associação Dignitude, apelando ao contributo de todos para que seja possível ajudar mais pessoas a acederem aos medicamentos de que necessitam.

É também possível contribuir para a campanha "Dê Troco a Quem Precisa" através de transferência bancária ou MB WAY, estando os dados disponíveis no site da associação.

18.1.22

Campanha "Dê troco a quem precisa" rendeu 15 mil euros para medicamentos

in JN

As 635 farmácias que aderiram à campanha "Dê troco a quem precisa" receberam 24.505 donativos para apoiar pessoas carenciadas, num total de 15.853 euros.

A campanha foi promovida pela Associação Dignitude, uma instituição particular de solidariedade social dedicada ao desenvolvimento de programas solidários que promovam a qualidade de vida e o bem-estar dos portugueses.

A Associação lançou o Programa abem: Rede Solidária do Medicamento, que vai receber os apoios na totalidade. O Programa tem como objetivo permitir o acesso, de forma digna, aos medicamentos prescritos a quem não tem capacidade financeira para os adquirir, cobrindo na receita o valor não comparticipado pelo Estado. Já apoiou a nível nacional mais de 25 mil pessoas.

QUANDO FOR À FARMÁCIA, PODE DOAR O "TROCO A QUEM PRECISA"

A campanha "Dê troco a quem precisa" decorreu entre 13 e 21 de dezembro. Na altura os portugueses foram convidados a doar o troco das suas compras nas 635 farmácias aderentes. O valor angariado permite que mais 158 pessoas carenciadas sejam apoiadas no acesso a medicamentos durante um ano.

"Este projeto é conduzido pela nobre missão de apoiar quem não tem capacidade financeira para pagar os seus próprios medicamentos e temos a certeza de que esta é uma realidade persistente contra a qual devemos continuar a lutar", disse, citada no comunicado, Maria de Belém Roseira, associada fundadora da Associação Dignitude.

A iniciativa de ajudar pessoas carenciadas no apoio à compra de medicamentos não se esgotou na campanha e pode ser apoiada a qualquer momento, refere o comunicado.

3.7.15

Há uma farmácia de um hospital que está a ser "um exemplo de sucesso"

Alexandra Campos, in Público on-line

Farmácia do hospital de Loures abriu em 2014 com rendas fixas e variáveis muito mais baixas do que as seis que começaram a funcionar no tempo do Governo anterior

Afinal, há uma farmácia junto à urgência de um hospital que está aberta e a funcionar com bons resultados, ao contrário do que aconteceu com as seis farmácias semelhantes que arrancaram no tempo do anterior Governo e foram à falência, como o PÚBLICO noticiou na semana passada. É a farmácia do hospital Beatriz Ângelo (Loures) , que abriu ao público em Abril de 2014, funciona todos os dias do ano e é “um exemplo de sucesso”, segundo a sua responsável, Eunice Barata.

Esta farmácia, ao contrário das outras seis, que estipularam rendas fixas e percentagens sobre a facturação elevadíssimas (a do hospital de Santa Maria, em Lisboa, por exemplo, tinha uma renda fixa de 600 mil euros/ano) e por isso não conseguiram sobreviver, “tem cumprido sempre as suas obrigações” e “a sua exploração está equilibrada”, sublinha Eunice Barata, sem revelar, porém, quanto é que esta paga de renda fixa e variável ao hospital.

A comparação com as outras seis tem que ser feita com cuidado. Além de ter começado a funcionar numa época completamente diferente das outras, já em clima de austeridade e contenção de custos, esta farmácia abriu ao público em circunstâncias muito diversas. No concurso público para a concessão da sua exploração, era proposto "um tecto máximo" sobre as rendas a pagar e “os concorrentes colaram-se ao mínimo”, admitiu ao PÚBLICO uma fonte ligada ao processo.

Por exemplo, a percentagem sobre a facturação proposta começava nos "3,5%", um valor substancialmente inferior ao negociado pelas outras farmácias, admitiu, sem querer também adiantar qual é o montante da renda fixa anual que é pago ao hospital, mas reconhecendo que fica "significativamente abaixo das outras". "É o valor que paga qualquer loja comercial", afirma.

Para Eunice Barata, o importante é salientar que esta é uma farmácia com “vantagens económicas para o Estado, que recebe uma parcela da sua facturação, e para o utente, que beneficia da comodidade” de ter um estabelecimento destes no hospital. “Provamos assim que o modelo de farmácia de atendimento ao público, dentro de um hospital, é um modelo economicamente viável”, conclui.

25.2.15

"Um café e um antipirético, por favor". Farmácias querem alargar locais de venda de medicamentos

por André Rodrigues, in RR

Já os hipermercados concordam em alargar a lista de medicamentos de venda livre nas parafarmácias.

A Associação Nacional de Farmácias (ANF) defende o alargamento da venda de medicamentos sem receita médica, por exemplo, a estabelecimentos comerciais como cafés, quiosques ou postos de abastecimento de gasolina.

“Todos os medicamentos cujo perfil de segurança seja adequado, que sirvam para o tratamento de situações passageiras, sem gravidade, devem estar com muito maior acesso do que têm actualmente, nomeadamente nos hipermercados”, afirma o director da área profissional da ANF, Humberto Martins.

“Achamos que deve haver uma maior disseminação e que deve ser colocado por todos locais como cafés, postos de correios, estações de serviço, onde uma pessoa que tenha uma afecção menor possa ter um alívio rápido dos seus sintomas”, sublinha.

Já os hipermercados querem alargar a lista de medicamentos de venda livre nas parafarmácias. A proposta vai ser discutida num seminário sobre liberdade de acesso ao medicamento, esta quarta-feira, em Lisboa.

Em causa estão produtos como aspirinas, anti-inflamatório e protectores gástricos, medicamentos de venda livre que poderiam ser acrescentados aos que já são vendidos nas parafarmácias.

A directora-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), Ana Trigo Morais, defende que o acesso generalizado a estes medicamentos não sujeitos a receita médica facilita a resolução dos chamados episódios curtos de doença.

“Estamos a falar de um tipo de medicação cujo risco para a saúde não é elevado, como noutros medicamentos, e que, portanto, é uma questão de acessibilidade, consciencialização e também de preço.”

O alargamento da oferta nas parafarmácias traria uma poupança directa no bolso do consumidor. Os medicamentos de venda livre comercializados nas parafarmácias podem ser até 18% mais baratos do que nos espaços convencionais, sublinha Ana Trigo Morais.

A Associação de Empresas de Distribuição rejeita a ideia de que esta proposta possa aumentar o risco de automedicação irresponsável e lembra que. dos cerca de 1.000 locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica, os associados da APED representam apenas 20% da quota de mercado deste tipo de fármacos. Conclui, por isso, que há espaço para todos e quem ganha é o consumidor.

Esta é uma proposta bem acolhida também pelo director da área profissional da Associação Nacional de Farmácias (ANF), Humberto Martins.

2.5.12

O desemprego chegou às farmácias e os stocks são cada vez menos

Por Catarina Gomes, in Público on-line

A crise no sector das farmácias está a levar à diminuição dos stocks de medicamentos disponíveis, avisou hoje em conferência de imprensa o presidente da direcção da Associação Nacional de Farmácias (ANF), João Cordeiro. De acordo com o responsável, o utente já sente o impacto: “É muito difícil que uma receita seja aviada numa só farmácia e de uma vez só vez”.

O estudo Avaliação Económica e Financeira do Sector das Farmácias, encomendado pela ANF a um investigador da Universidade de Aveiro, dá conta do agravamento da crise no sector. Se, em 2010, a rendibilidade das farmácias era ainda positiva e situava-se nos 3,1%, em 2012 estima-se que atinja um valor negativo de -3,7%.

O estudo, que incluiu 2699 farmácias (deixando de fora 208), atribui a crise no sector às múltiplas mudanças de redução da despesa pública introduzidas nos últimos anos no sector pelo Ministério da Saúde (MS). O estudo foi coordenado pelo professor de Fiscalidade na Universidade de Aveiro, Avelino Azevedo Antão, com Carlos Manuel Grenha, da sociedade de revisores oficiais de contas Oliveira, Reis & Associados.

100 pediram insolvência

No final do estudo, João Cordeiro notou que poucas farmácias fecharam já, mas que mais de 100 pediram insolvência. De acordo com o responsável, “as farmácias vêm-se defendendo reduzindo os stocks”.

Para tentar contrariar a degradação do sector, Cordeiro refere que já propôs ao MS a redução do horário de funcionamento das farmácias, para que deixe de ser exigida a abertura obrigatória durante 50 horas e possam estar apenas de portas abertas 40 horas. A ANF propôs igualmente a redução de exigências técnicas no número de pessoal.

João Cordeiro admite que estas medidas “vão criar desemprego num sector onde havia pleno emprego”, notando que há contratos a prazo que já não estão a ser renovados e que estão a ser reduzidas as horas extraordinárias. E deixa um aviso: todos os anos saem das faculdades cerca de mil licenciados em farmácia que “não vão conseguir arranjar emprego” e “também terão que emigrar”.