8.3.23

Funcionamento da reserva estratégica de medicamentos “é dramaticamente mau”

Por Lusa, in Público

Ouvido no parlamento, João Almeida Lopes sugeriu que se seguisse o modelo americano de gestão de reserva de medicamentos.

O presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) considerou esta quarta-feira "dramaticamente má" a forma como funciona a reserva estratégica do medicamento, sugerindo que passem a ser as empresas a ter de garantir os stocks de fármacos.

Em declarações aos deputados da comissão parlamentar de Saúde, onde hoje foi ouvido, a pedido da Iniciativa Liberal, sobre a ruptura de medicamentos, João Almeida Lopes sugeriu que, a este nível, se optasse pelo "sistema à americana".

"O governo americano define a reserva estratégica e contrata com os produtores de cada produto, faz um contrato tipo de 10 anos, e diz, por exemplo, que quer para o país 500.000 unidades de paracetamol. Essa empresa tem de ter sempre essa disponibilidade, mas esse stock vai rodando", exemplificou, sublinhando que "neste caso, a empresa está sempre a vender, mas tem de ter sempre em stock aquela quantidade".

"Isto era um mecanismo muito mais simples, que as empresas agradeceriam, quando muito subiam um pouco os seus stocks de segurança, saía um bocadinho mais caro, mas era um sistema muito mais inteligente, muito mais prático e eficaz e as empresas eram obrigadas a gerir a reserva estratégica", afirmou.

João Almeida Lopes criticou a forma como em Portugal se gere esta questão, colocando os medicamentos da reserva estratégica em armazém: "Fica lá à espera de uma guerra nuclear, que esperemos nunca venha, e entretanto passa o prazo de validade, vai para o lixo e depois tem de se comprar mais."

Questionado sobre os motivos da falta de medicamentos, o presidente da Apifarma apontou vários factores, sublinhando que o preço é apenas um deles e destacando a perda de capacidade produtiva da Europa, e de Portugal, nos últimos 20 anos.

A este propósito, considerou que, no que se refere ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), "teria feito sentido pensar-se em fazer qualquer coisa em Portugal em termos de princípios activos, desafiando empresas de base nacional, ou não" a fazer uma unidade industrial para a produção de princípios activos.

"Como os franceses se atiraram agora para fazer uma fábrica para o paracetamol", exemplificou, lamentando que "às vezes perdem-se oportunidades".