in Notícias ao Minuto
Nos últimos nove anos, os Prémios BPI já atribuíram nove milhões de euros para a implementação de 311 projetos sociais.
No âmbito da 3.ª edição do Prémio BPI Solidário, o BPI e a Fundação "la Caixa" entregaram 750 mil euros a 21 instituições para apoiar projetos que visam promover a melhoria da qualidade de vida de pessoas que se encontrem em situação de pobreza e exclusão social.
No total foram recebidas 243 candidaturas, de acordo com um comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso.
Os projetos distinguidos promovem diferentes respostas sociais, onde se incluem: a recuperação de habitações degradadas, o apoio a famílias em situação de pobreza, a capacitação de reclusos e ex-reclusos, a criação de negócios sociais para a geração de emprego, projetos inclusivos dirigidos a crianças e jovens em situação ou em risco de exclusão, entre outros.
O Prémio BPI Solidário insere-se na política de responsabilidade social do banco e conta, a partir desta edição, com o apoio da Fundação "la Caixa". As duas entidades estabeleceram um acordo de colaboração para o desenvolvimento de projetos de carácter social e cultural em Portugal após a entrada do BPI no grupo CaixaBank.
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29.6.18
6.3.15
Governo reconhece: papel das IPSS amorteceu o impacto da crise
in RR
Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social prevê que a economia social e o sector social e solidário continuem a crescer, devendo ser, este ano, os grandes impulsionadores do emprego.
O Governo reconhece que o papel das instituições de solidariedade foi fundamental na redução da dimensão da crise social provocada pela crise económica e financeira.
“Todos nós, portugueses, fomos chamados a dar um contributo para resolver os problemas, mas não vivemos no nosso país uma crise social com a dimensão, por exemplo, que outros países que tiveram. E isso só foi possível, em boa parte, devido à actuação no terreno dessas milhares de instituições do sector social, que serviram de amortecedor à crise”, admite o secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Agostinho Branquinho, em declarações à Renascença.
Em 2013, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que a economia social e o sector social e solidário eram compostos por cerca de 55 mil instituições, com mais de 250 mil trabalhadores.
Na nova actualização de dados – a nova conta satélite para a economia social, que deve estar concluída em 2016 – o secretário de Estado prevê que o sector continue a crescer e a criar emprego.
“Aquilo que nós sabemos e é facilmente observável por todos é que o sector da economia social está em crescendo. Em todo o mundo e também em Portugal. Não sendo um sector privado – portanto, não visando o lucro – nem sendo um sector público, mas prestando serviços de interesse público, acaba por colmatar de uma forma mais eficiente e eficaz aquilo que o Estado não consegue fazer”, argumenta.
Agostinho Branquinho diz mesmo que, de acordo com os dados disponíveis, o sector da economia social deve ser o mais dinâmico na criação de emprego.
Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social prevê que a economia social e o sector social e solidário continuem a crescer, devendo ser, este ano, os grandes impulsionadores do emprego.
O Governo reconhece que o papel das instituições de solidariedade foi fundamental na redução da dimensão da crise social provocada pela crise económica e financeira.
“Todos nós, portugueses, fomos chamados a dar um contributo para resolver os problemas, mas não vivemos no nosso país uma crise social com a dimensão, por exemplo, que outros países que tiveram. E isso só foi possível, em boa parte, devido à actuação no terreno dessas milhares de instituições do sector social, que serviram de amortecedor à crise”, admite o secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Agostinho Branquinho, em declarações à Renascença.
Em 2013, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que a economia social e o sector social e solidário eram compostos por cerca de 55 mil instituições, com mais de 250 mil trabalhadores.
Na nova actualização de dados – a nova conta satélite para a economia social, que deve estar concluída em 2016 – o secretário de Estado prevê que o sector continue a crescer e a criar emprego.
“Aquilo que nós sabemos e é facilmente observável por todos é que o sector da economia social está em crescendo. Em todo o mundo e também em Portugal. Não sendo um sector privado – portanto, não visando o lucro – nem sendo um sector público, mas prestando serviços de interesse público, acaba por colmatar de uma forma mais eficiente e eficaz aquilo que o Estado não consegue fazer”, argumenta.
Agostinho Branquinho diz mesmo que, de acordo com os dados disponíveis, o sector da economia social deve ser o mais dinâmico na criação de emprego.
1.4.14
25 de Abril. Instituições de solidariedade impedem revolta em épocas de crise
in iOnline
“Isso cria um sentimento de solidariedade entre as pessoas e isso é uma marca civilizacional que está ligada a estas instituições”, frisou
As instituições de solidariedade social são um “elemento pacificador” da sociedade em épocas de “maior fragilidade” do Estado e impedem a revolta da população em situações de crise, segundo o especialista Licínio Lopes.
A sua capacidade de “acudir a situações problemáticas” torna-as um “elemento claramente pacificador, no sentido de haver paz social, e de não haver revolta motivada pela própria condição de existência humana, que poderia custar muito mais do que a própria dificuldade das pessoas e isso é algo que não pode ser negligenciado”, disse.
Em entrevista à agência Lusa, o autor do livro “As Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS)” salientou o papel “insubstituível” destas instituições em “situações mais críticas”, como as que se vivem atualmente.
A função das IPSS “emerge, sobretudo, em épocas de maior fragilidade do Estado relativamente às necessidades das pessoas”, reforçando o seu papel social, institucional e económico, disse.
Sem a sua intervenção, a situação seria “muito problemática, porque haveria outros fenómenos perturbadores”, disse Licínio Lopes, que falava à Lusa a propósito do papel das IPSS antes e depois do 25 de Abril de 1974.
“O Estado, politicamente, também não deixa de aproveitar [a ação destas instituições], dizendo que a paz social está garantida, mas ela garante-se com o socorro que as pessoas necessitam e isso devemo-la a estas entidades”, sublinhou o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Licínio Lopes realçou também “a capacidade e a maleabilidade extraordinárias” destas instituições, “às vezes quase miraculosas”, para se superarem a si mesmas e conseguirem acudir às situações, “mesmo nos momentos mais críticos”
“Isso cria um sentimento de solidariedade entre as pessoas e isso é uma marca civilizacional que está ligada a estas instituições”, frisou.
Contudo, a ”aflição das instituições” em acudirem a todas as necessidades da população, “não é nenhuma originalidade histórica”.
“A originalidade está no facto de continuarmos a chamar ao Estado, um estado de direito social, o que é contraditório nos termos”, disse.
E justificou: “Há aqui uma inflexão do Estado no cumprimento das suas finalidades ao nível da assistência social aos mais carenciados”.
Sobre a evolução destas entidades nas últimas quatro décadas, o especialista em Direito Administrativo destacou a importância da Constituição de 1976, que impôs a reformulação do seu estatuto, criando as Instituições Particulares de Assistência Social (IPSS).
“A Constituição veio fazer um corte com o passado, com o estatuto herdado do Estado Novo e com a sua forma de organização corporativa”, disse Licínio Lopes.
A partir de 1976, a Constituição “reposicionou estas entidades com o seu estatuto civil, enquanto expressão genuína da sociedade civil, governadas por membros da sociedade civil sem intromissões do Estado.
Mas, “independentemente de o Estado intervir mais ou menos”, estas instituições sempre tiveram “um papel muito importante”.
“O Estado sempre foi amigo do cidadão através delas”, concluiu Licínio Lopes.
“Isso cria um sentimento de solidariedade entre as pessoas e isso é uma marca civilizacional que está ligada a estas instituições”, frisou
As instituições de solidariedade social são um “elemento pacificador” da sociedade em épocas de “maior fragilidade” do Estado e impedem a revolta da população em situações de crise, segundo o especialista Licínio Lopes.
A sua capacidade de “acudir a situações problemáticas” torna-as um “elemento claramente pacificador, no sentido de haver paz social, e de não haver revolta motivada pela própria condição de existência humana, que poderia custar muito mais do que a própria dificuldade das pessoas e isso é algo que não pode ser negligenciado”, disse.
Em entrevista à agência Lusa, o autor do livro “As Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS)” salientou o papel “insubstituível” destas instituições em “situações mais críticas”, como as que se vivem atualmente.
A função das IPSS “emerge, sobretudo, em épocas de maior fragilidade do Estado relativamente às necessidades das pessoas”, reforçando o seu papel social, institucional e económico, disse.
Sem a sua intervenção, a situação seria “muito problemática, porque haveria outros fenómenos perturbadores”, disse Licínio Lopes, que falava à Lusa a propósito do papel das IPSS antes e depois do 25 de Abril de 1974.
“O Estado, politicamente, também não deixa de aproveitar [a ação destas instituições], dizendo que a paz social está garantida, mas ela garante-se com o socorro que as pessoas necessitam e isso devemo-la a estas entidades”, sublinhou o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Licínio Lopes realçou também “a capacidade e a maleabilidade extraordinárias” destas instituições, “às vezes quase miraculosas”, para se superarem a si mesmas e conseguirem acudir às situações, “mesmo nos momentos mais críticos”
“Isso cria um sentimento de solidariedade entre as pessoas e isso é uma marca civilizacional que está ligada a estas instituições”, frisou.
Contudo, a ”aflição das instituições” em acudirem a todas as necessidades da população, “não é nenhuma originalidade histórica”.
“A originalidade está no facto de continuarmos a chamar ao Estado, um estado de direito social, o que é contraditório nos termos”, disse.
E justificou: “Há aqui uma inflexão do Estado no cumprimento das suas finalidades ao nível da assistência social aos mais carenciados”.
Sobre a evolução destas entidades nas últimas quatro décadas, o especialista em Direito Administrativo destacou a importância da Constituição de 1976, que impôs a reformulação do seu estatuto, criando as Instituições Particulares de Assistência Social (IPSS).
“A Constituição veio fazer um corte com o passado, com o estatuto herdado do Estado Novo e com a sua forma de organização corporativa”, disse Licínio Lopes.
A partir de 1976, a Constituição “reposicionou estas entidades com o seu estatuto civil, enquanto expressão genuína da sociedade civil, governadas por membros da sociedade civil sem intromissões do Estado.
Mas, “independentemente de o Estado intervir mais ou menos”, estas instituições sempre tiveram “um papel muito importante”.
“O Estado sempre foi amigo do cidadão através delas”, concluiu Licínio Lopes.
15.1.14
“Se as instituições colapsarem é porque já tudo acabou”
in RR
Muitas instituições de solidariedade social enfrentam sérias dificuldades para continuarem activas. Presidente da CNIS sugere a reactivação das casas do povo, sobretudo no interior, “onde muitos equipamentos foram desactivados”.
A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) apela ao Governo que faça um esforço redobrado no apoio aos mais necessitados e reafirma que muitas instituições estão em risco de colapso face às dificuldades financeiras.
“Algumas estão perante esse risco sério. Estamos a tomar providências em apoio com o Estado para que isso seja evitado, porque estas instituições são a grande almofada social. Se elas colapsarem, é porque já tudo acabou”, afirma à Renascença o presidente da CNIS, padre Lino Maia.
As mais necessitadas são as que ajudam as populações “do interior, com envelhecimento mais acentuado e menos actividade económica”.
Apesar de aprovado pelo Governo um fundo de 30 milhões de euros para as instituições, o padre Lino Maia recorda que faltam pormenores para que a verba seja activada, como “fazer um diagnóstico de cada instituição em que ele vai intervir”.
“Para já, está só a CNIS a intervir numa ou noutra instituição”, refere.
Reactivar as Casas do Povo
Neste dia nacional da CNIS, a confederação lança um conjunto de propostas ao Governo, em especial para o interior do país. O presidente da CNIS sugere, por exemplo, o restabelecimento das Casas do Povo.
“Queremos, sobretudo, intervir na dinamização local, na coesão territorial e nesse sentido apontados para a criação de uma espécie de Casa do Povo pelas aldeias, onde muitos equipamentos foram desactivados e as instituições podem ser o grande factor de reactivação da economia”, explica o padre Lino Maia.
As Casa do Povo assumiam a função de realizar a previdência social. A Renascença foi perceber como funciona uma das poucas ainda existentes e que está localizada no distrito de Viseu, em Abravezes.
Criada a 21 de Março de 1935, apoia 250 famílias beneficiárias do rendimento social de inserção e tem valência de creche, atendimento e acolhimento à vítima de violência doméstica.
Ouça a reportagem (topo da página).
NOTA: SE ESTIVER A CONSULTAR ESTE ARTIGO NA APLICAÇÃO DA RENASCENÇA PARA ANDROID, IPHONE OU MOBILE, O ÁUDIO NÃO ESTÁ DISPONÍVEL.
Conforto, tranquilidade e dignidade na última fase da vida
Os lares de terceira idade são a resposta para muitos idosos em situação de risco ou de perda de independência e/ou autonomia. É nestas instituições de solidariedade social, espalhadas por todo o país, que os seniores encontram uma morada, apoio social e cuidados de saúde e afecto.
A Renascença visitou o Lar S. Tiago, propriedade do Centro Social Paroquial de Mairos, no concelho de Chaves, onde residem 35 idosos.
Muitas instituições de solidariedade social enfrentam sérias dificuldades para continuarem activas. Presidente da CNIS sugere a reactivação das casas do povo, sobretudo no interior, “onde muitos equipamentos foram desactivados”.
A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) apela ao Governo que faça um esforço redobrado no apoio aos mais necessitados e reafirma que muitas instituições estão em risco de colapso face às dificuldades financeiras.
“Algumas estão perante esse risco sério. Estamos a tomar providências em apoio com o Estado para que isso seja evitado, porque estas instituições são a grande almofada social. Se elas colapsarem, é porque já tudo acabou”, afirma à Renascença o presidente da CNIS, padre Lino Maia.
As mais necessitadas são as que ajudam as populações “do interior, com envelhecimento mais acentuado e menos actividade económica”.
Apesar de aprovado pelo Governo um fundo de 30 milhões de euros para as instituições, o padre Lino Maia recorda que faltam pormenores para que a verba seja activada, como “fazer um diagnóstico de cada instituição em que ele vai intervir”.
“Para já, está só a CNIS a intervir numa ou noutra instituição”, refere.
Reactivar as Casas do Povo
Neste dia nacional da CNIS, a confederação lança um conjunto de propostas ao Governo, em especial para o interior do país. O presidente da CNIS sugere, por exemplo, o restabelecimento das Casas do Povo.
“Queremos, sobretudo, intervir na dinamização local, na coesão territorial e nesse sentido apontados para a criação de uma espécie de Casa do Povo pelas aldeias, onde muitos equipamentos foram desactivados e as instituições podem ser o grande factor de reactivação da economia”, explica o padre Lino Maia.
As Casa do Povo assumiam a função de realizar a previdência social. A Renascença foi perceber como funciona uma das poucas ainda existentes e que está localizada no distrito de Viseu, em Abravezes.
Criada a 21 de Março de 1935, apoia 250 famílias beneficiárias do rendimento social de inserção e tem valência de creche, atendimento e acolhimento à vítima de violência doméstica.
Ouça a reportagem (topo da página).
NOTA: SE ESTIVER A CONSULTAR ESTE ARTIGO NA APLICAÇÃO DA RENASCENÇA PARA ANDROID, IPHONE OU MOBILE, O ÁUDIO NÃO ESTÁ DISPONÍVEL.
Conforto, tranquilidade e dignidade na última fase da vida
Os lares de terceira idade são a resposta para muitos idosos em situação de risco ou de perda de independência e/ou autonomia. É nestas instituições de solidariedade social, espalhadas por todo o país, que os seniores encontram uma morada, apoio social e cuidados de saúde e afecto.
A Renascença visitou o Lar S. Tiago, propriedade do Centro Social Paroquial de Mairos, no concelho de Chaves, onde residem 35 idosos.
25.10.13
Instituições alertam que há cada vez mais pessoas em pobreza extrema
in Público on-line
Cáritas considera que a erradicação da pobreza extrema até 2015 é "uma miragem". AMI diz que há pessoas da classe média alta a pedirem ajuda.
O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, diz que há cada vez mais pessoas em situação de “pobreza extrema” em Portugal, porque lhes foi retirada a “principal fonte de rendimento”, o trabalho. Também o presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), Fernando Nobre, diz que o número de pessoas a pedirem ajuda não pára de aumentar e que duplicou desde 2008.
“Temos cada vez mais pessoas a cair na pobreza extrema, na pobreza mais severa. Não só há mais gente pobre, como mais gente muito, muito pobre”, lamenta Eugénio Fonseca, nesta quinta-feira em que se assinala o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.
O presidente da Cáritas diz que as medidas de austeridade dos últimos anos têm contribuído para esta situação e defende que, enquanto estas pessoas não conseguirem trabalho, é preciso aplicar medidas compensatórias de protecção social. Mesmo assim, Eugénio Fonseca admite “ter muito receio” de que “se não houver uma estratégia bem objectiva que tenha como fim as pessoas e não o capital, muitas pessoas não voltem a encontrar o posto de trabalho que perderam”.
“Não sei o que é que poderemos ganhar com isso, porque depois de superada a crise não sei se teremos as pessoas animicamente preparadas e motivadas para contribuírem para o desenvolvimento do país como todos desejamos”, acrescenta.
Para este responsável, a erradicação da pobreza extrema — um dos oito objectivos do Milénio fixados em 2000 pelas Nações Unidos, a cumprir até 2015 — será “uma miragem” caso se mantenham as actuais políticas. “Estamos a falar daquilo que são as necessidades das pessoas que comprometem a sua subsistência e que são atentatórias do respeito pela sua dignidade enquanto seres humanos”, afirma.
Pedidos de ajuda duplicaram
Também o presidente da AMI não está optimista. “Erradicar a pobreza, nas próximas gerações, é um mito”, afirma, acrescentando que “o fenómeno que está em curso não tem solução à vista para os próximos cinco a dez anos”, diz Fernando Nobre.
“É uma situação de mudança da sociedade e o modelo que tínhamos conhecido após a segunda guerra mundial está esgotado”, observa Fernando Nobre, considerando que “vai ser preciso reinventar novas formas de trabalho, porque as novas tecnologias vão excluir muitos postos de trabalho”.
O presidente da AMI adianta que, desde 2008, os 15 equipamentos de respostas sociais da organização espalhados pelo país duplicaram o número de atendimentos. “Isto quer dizer que há muito mais pessoas a tentar obter recursos básicos, nomeadamente alimentares, mas também para tentarem fazer face a outros encargos como a água, a luz e o telefone”, sublinhou.
Só nos primeiros seis meses deste ano foram apoiadas mais de 11.200 pessoas, mais 13% do que em igual período de 2012. E no primeiro semestre de 2013, os serviços sociais da AMI ajudaram 11.263 pessoas (das quais 1142 pessoas eram sem-abrigo), sendo que 24% destas procuravam ajuda pela primeira vez. O número de novos casos tem vindo a aumentar de ano para ano, registando-se 5581 só em 2012.
Por outro lado, comparando o primeiro semestre de 2013 com igual período de 2008 — ano em que começou a crise económica em Portugal —, há mais 6568 pessoas a pedir ajuda, o que representa, em termos percentuais, um aumento de 139%.
Os centros sociais da AMI estão a socorrer pessoas que “era impensável” que viessem bater às suas portas: “Temos casais que pertenceram a uma classe média e a uma classe média alta que estão hoje a beneficiar dos nossos serviços”.
Estas pessoas, devido ao “desvario e incompetência de governos que foram sucedendo na governação do país, são forçadas, com muita vergonha, a virem bater à nossa porta”, lamenta.
“Não foi este tipo de sociedade que eu defendi ao longo da minha vida e que me levou a intervir e até entrar em alguns combates políticos”, sublinha Fernando Nobre, que foi candidato à Presidência da República nas últimas eleições, em Janeiro de 2011.
Objectivo longe de ser atingido
Quase metade da população portuguesa estava em risco de pobreza em 2011, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, que mostram que, mesmo depois das transferências sociais, quase 1,8 milhões de pessoas continuavam em risco.
O objectivo traçado até 2015 é reduzir para metade o número de pobres no mundo mas, tendo em conta a crise financeira global, “estamos longe de poder atingir esse objectivo e, possivelmente, a situação de pobreza irá ainda agravar-se”, diz à Lusa Fernando Nobre.
No entanto, salienta, “há zonas do mundo em que esse objectivo está em vias de ser atingido”, nomeadamente na América Latina e na Ásia Meridional. Por exemplo, na Índia, onde a AMI trabalha há mais de 20 anos, já não se vêem situações de miséria com a dimensão de há uns anos. Já na África Subsaariana, “a situação, em vez de estar a melhorar, está a agravar-se”, lamenta.
Dados divulgados pela Cáritas referem que cerca de 1,2 mil milhões de pessoas (20% da população mundial) “vivem penosamente muito abaixo do limiar mínimo da pobreza [com menos de um dólar por dia]”.
Os mesmos dados indicam que 850 milhões de pessoas passam fome e 30 mil morrem todos os dias de causas directamente relacionadas com a pobreza.
Cáritas considera que a erradicação da pobreza extrema até 2015 é "uma miragem". AMI diz que há pessoas da classe média alta a pedirem ajuda.
O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, diz que há cada vez mais pessoas em situação de “pobreza extrema” em Portugal, porque lhes foi retirada a “principal fonte de rendimento”, o trabalho. Também o presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), Fernando Nobre, diz que o número de pessoas a pedirem ajuda não pára de aumentar e que duplicou desde 2008.
“Temos cada vez mais pessoas a cair na pobreza extrema, na pobreza mais severa. Não só há mais gente pobre, como mais gente muito, muito pobre”, lamenta Eugénio Fonseca, nesta quinta-feira em que se assinala o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.
O presidente da Cáritas diz que as medidas de austeridade dos últimos anos têm contribuído para esta situação e defende que, enquanto estas pessoas não conseguirem trabalho, é preciso aplicar medidas compensatórias de protecção social. Mesmo assim, Eugénio Fonseca admite “ter muito receio” de que “se não houver uma estratégia bem objectiva que tenha como fim as pessoas e não o capital, muitas pessoas não voltem a encontrar o posto de trabalho que perderam”.
“Não sei o que é que poderemos ganhar com isso, porque depois de superada a crise não sei se teremos as pessoas animicamente preparadas e motivadas para contribuírem para o desenvolvimento do país como todos desejamos”, acrescenta.
Para este responsável, a erradicação da pobreza extrema — um dos oito objectivos do Milénio fixados em 2000 pelas Nações Unidos, a cumprir até 2015 — será “uma miragem” caso se mantenham as actuais políticas. “Estamos a falar daquilo que são as necessidades das pessoas que comprometem a sua subsistência e que são atentatórias do respeito pela sua dignidade enquanto seres humanos”, afirma.
Pedidos de ajuda duplicaram
Também o presidente da AMI não está optimista. “Erradicar a pobreza, nas próximas gerações, é um mito”, afirma, acrescentando que “o fenómeno que está em curso não tem solução à vista para os próximos cinco a dez anos”, diz Fernando Nobre.
“É uma situação de mudança da sociedade e o modelo que tínhamos conhecido após a segunda guerra mundial está esgotado”, observa Fernando Nobre, considerando que “vai ser preciso reinventar novas formas de trabalho, porque as novas tecnologias vão excluir muitos postos de trabalho”.
O presidente da AMI adianta que, desde 2008, os 15 equipamentos de respostas sociais da organização espalhados pelo país duplicaram o número de atendimentos. “Isto quer dizer que há muito mais pessoas a tentar obter recursos básicos, nomeadamente alimentares, mas também para tentarem fazer face a outros encargos como a água, a luz e o telefone”, sublinhou.
Só nos primeiros seis meses deste ano foram apoiadas mais de 11.200 pessoas, mais 13% do que em igual período de 2012. E no primeiro semestre de 2013, os serviços sociais da AMI ajudaram 11.263 pessoas (das quais 1142 pessoas eram sem-abrigo), sendo que 24% destas procuravam ajuda pela primeira vez. O número de novos casos tem vindo a aumentar de ano para ano, registando-se 5581 só em 2012.
Por outro lado, comparando o primeiro semestre de 2013 com igual período de 2008 — ano em que começou a crise económica em Portugal —, há mais 6568 pessoas a pedir ajuda, o que representa, em termos percentuais, um aumento de 139%.
Os centros sociais da AMI estão a socorrer pessoas que “era impensável” que viessem bater às suas portas: “Temos casais que pertenceram a uma classe média e a uma classe média alta que estão hoje a beneficiar dos nossos serviços”.
Estas pessoas, devido ao “desvario e incompetência de governos que foram sucedendo na governação do país, são forçadas, com muita vergonha, a virem bater à nossa porta”, lamenta.
“Não foi este tipo de sociedade que eu defendi ao longo da minha vida e que me levou a intervir e até entrar em alguns combates políticos”, sublinha Fernando Nobre, que foi candidato à Presidência da República nas últimas eleições, em Janeiro de 2011.
Objectivo longe de ser atingido
Quase metade da população portuguesa estava em risco de pobreza em 2011, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, que mostram que, mesmo depois das transferências sociais, quase 1,8 milhões de pessoas continuavam em risco.
O objectivo traçado até 2015 é reduzir para metade o número de pobres no mundo mas, tendo em conta a crise financeira global, “estamos longe de poder atingir esse objectivo e, possivelmente, a situação de pobreza irá ainda agravar-se”, diz à Lusa Fernando Nobre.
No entanto, salienta, “há zonas do mundo em que esse objectivo está em vias de ser atingido”, nomeadamente na América Latina e na Ásia Meridional. Por exemplo, na Índia, onde a AMI trabalha há mais de 20 anos, já não se vêem situações de miséria com a dimensão de há uns anos. Já na África Subsaariana, “a situação, em vez de estar a melhorar, está a agravar-se”, lamenta.
Dados divulgados pela Cáritas referem que cerca de 1,2 mil milhões de pessoas (20% da população mundial) “vivem penosamente muito abaixo do limiar mínimo da pobreza [com menos de um dólar por dia]”.
Os mesmos dados indicam que 850 milhões de pessoas passam fome e 30 mil morrem todos os dias de causas directamente relacionadas com a pobreza.
5.8.13
Programa de Emergência Social fundamental para combater a fome
in Notícias ao Minuto
As misericórdias e as instituições particulares de solidariedade social consideram que o Programa de Emergência Social (PES), apresentado há dois anos, foi fundamental para combater a fome e evitar uma “situação explosiva” em Portugal
Orçado em 851 milhões de euros, o PES foi apresentado a 05 de agosto de 2011 com o objetivo de combater a pobreza e a exclusão social, atuando em cinco áreas: famílias, idosos, deficientes, voluntariado e instituições sociais.
Dois anos depois, o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), padre Lino Maia, afirmou que há medidas implementados ”francamente positivas”.
Entre elas, destacou as cantinas sociais, um programa de emergência alimentar que “está a funcionar em pleno por todo a país”, sendo “a satisfação por parte das instituições e dos utentes francamente boa”.
Segundo o padre Lino Maia, existem perto de 700 cantinas que servem mais de 30 mil refeições por dia a pessoas carenciadas.
“Se não fosse esta ajuda a situação seria particularmente pior”, disse, sustentando: “Neste momento, temos uma certa garantia de que todas as pessoas têm possibilidade de acesso a, pelo menos, uma refeição diária em condições”.
Fora desta rede poderão ficar as situações de “pobreza envergonhada”, em que as pessoas por “dificuldade pessoal” não recorrem às instituições”, mas as instituições estão atentas a estas situações e procuram cobrir todos os casos.
O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) também faz um balanço “muito positivo” do PES, considerando que “correspondeu completamente aos objetivos para que foi criado”.
“O ótimo é o inimigo do bom e aqui e ali as coisas não funcionaram tão bem, mas, em boa hora o Governo e as instituições colaboraram no PES, afirmou Manuel Lemos, considerando que “o combate à fome foi um êxito”.
Para Manuel Lemos, “se não houvesse a articulação entre as instituições e o Estado a situação seria explosiva”: “Teria havido muitíssimos casos e situações muitíssimo dramáticas que nos teriam envergonhado enquanto país da União Europeia”.
“Quando o Estado recorre à sociedade civil para obter determinados resultados consegue-o sempre com satisfação das comunidades e a baixo custo”, sublinhou.
O presidente da Cáritas escusou-se a fazer um balanço do PES, afirmando que não domina todas as medidas, comentando apenas o programa alimentar.
“É uma medida que tem de ser mesmo entendida no contexto de emergência, não é para resolver os problemas que levam as pessoas a ter necessidade deste tipo de resposta, mas para resolver uma necessidade básica para a subsistência destas pessoas”, disse.
Eugénio Fonseca lamentou o facto desta medida estar “muito confinada às IPSS”, porque têm um estatuto jurídico que lhes permite protocolar com o Estado.
“Há grupos de proximidade, como os grupos paroquiais, que não puderam beneficiar deste tipo de resposta para as pessoas que atendem por não terem esse estatuto”, explicou, considerando que devia ter sido encontrada uma alternativa para resolver esta questão.
A resposta dada a estes grupos é de que devem encaminhar os utentes para as IPSS, mas “muitas vezes as pessoas não se querem sujeitar a isso porque têm vergonha”, disse Eugénio Fonseca.
“Uma das preocupações que esteve na origem das cantinas sociais foi preservar a pobreza envergonhada, mas deslocar as pessoas para outras instituições não é a melhor forma de combater essas situações”, lamentou.
Contactada pela Lusa, fonte do Ministério da Solidariedade disse que não faria, neste momento, qualquer balanço do programa, acrescentando que apenas estão previstas análises semestrais.
Aplicado em outubro de 2011, o PES deverá vigorar, pelo menos, até ao final de 2014, e envolver cerca de três milhões de pessoas.
As misericórdias e as instituições particulares de solidariedade social consideram que o Programa de Emergência Social (PES), apresentado há dois anos, foi fundamental para combater a fome e evitar uma “situação explosiva” em Portugal
Orçado em 851 milhões de euros, o PES foi apresentado a 05 de agosto de 2011 com o objetivo de combater a pobreza e a exclusão social, atuando em cinco áreas: famílias, idosos, deficientes, voluntariado e instituições sociais.
Dois anos depois, o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), padre Lino Maia, afirmou que há medidas implementados ”francamente positivas”.
Entre elas, destacou as cantinas sociais, um programa de emergência alimentar que “está a funcionar em pleno por todo a país”, sendo “a satisfação por parte das instituições e dos utentes francamente boa”.
Segundo o padre Lino Maia, existem perto de 700 cantinas que servem mais de 30 mil refeições por dia a pessoas carenciadas.
“Se não fosse esta ajuda a situação seria particularmente pior”, disse, sustentando: “Neste momento, temos uma certa garantia de que todas as pessoas têm possibilidade de acesso a, pelo menos, uma refeição diária em condições”.
Fora desta rede poderão ficar as situações de “pobreza envergonhada”, em que as pessoas por “dificuldade pessoal” não recorrem às instituições”, mas as instituições estão atentas a estas situações e procuram cobrir todos os casos.
O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) também faz um balanço “muito positivo” do PES, considerando que “correspondeu completamente aos objetivos para que foi criado”.
“O ótimo é o inimigo do bom e aqui e ali as coisas não funcionaram tão bem, mas, em boa hora o Governo e as instituições colaboraram no PES, afirmou Manuel Lemos, considerando que “o combate à fome foi um êxito”.
Para Manuel Lemos, “se não houvesse a articulação entre as instituições e o Estado a situação seria explosiva”: “Teria havido muitíssimos casos e situações muitíssimo dramáticas que nos teriam envergonhado enquanto país da União Europeia”.
“Quando o Estado recorre à sociedade civil para obter determinados resultados consegue-o sempre com satisfação das comunidades e a baixo custo”, sublinhou.
O presidente da Cáritas escusou-se a fazer um balanço do PES, afirmando que não domina todas as medidas, comentando apenas o programa alimentar.
“É uma medida que tem de ser mesmo entendida no contexto de emergência, não é para resolver os problemas que levam as pessoas a ter necessidade deste tipo de resposta, mas para resolver uma necessidade básica para a subsistência destas pessoas”, disse.
Eugénio Fonseca lamentou o facto desta medida estar “muito confinada às IPSS”, porque têm um estatuto jurídico que lhes permite protocolar com o Estado.
“Há grupos de proximidade, como os grupos paroquiais, que não puderam beneficiar deste tipo de resposta para as pessoas que atendem por não terem esse estatuto”, explicou, considerando que devia ter sido encontrada uma alternativa para resolver esta questão.
A resposta dada a estes grupos é de que devem encaminhar os utentes para as IPSS, mas “muitas vezes as pessoas não se querem sujeitar a isso porque têm vergonha”, disse Eugénio Fonseca.
“Uma das preocupações que esteve na origem das cantinas sociais foi preservar a pobreza envergonhada, mas deslocar as pessoas para outras instituições não é a melhor forma de combater essas situações”, lamentou.
Contactada pela Lusa, fonte do Ministério da Solidariedade disse que não faria, neste momento, qualquer balanço do programa, acrescentando que apenas estão previstas análises semestrais.
Aplicado em outubro de 2011, o PES deverá vigorar, pelo menos, até ao final de 2014, e envolver cerca de três milhões de pessoas.
11.6.13
Pobres estão cada vez mais pobres
Rosa Pedroso Lima, in Expresso
Um inquérito junto dos utentes de instituições de solidariedade social mostra que os níveis de pobreza aumentaram nos dois últimos anos.
É um estudo promovido pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome em parceria com a Universidade Católica. Divulgado hoje, mostra o que já é notório no dia-a-dia das instituições de solidariedade social: que os mais pobres vivem cada vez pior e que a crise os atinge na satisfação das suas mais básicas necessidades.
Num inquérito dirigido a 3880 pessoas carenciadas e realizado entre Setembro de 2012 e Janeiro de 2013, os investigadores tentaram fazer uma comparação das condições de vida da população pobre apoiada por instituições sociais, em comparação com idêntico estudo realizado em 2010.
Os níveis de pobreza aumentaram nos últimos dois anos. Isto, apesar de os baixos rendimentos auferidos pelos agregados mais pobres se terem mantido mais ou menos estáveis. 52% dos agregados familiares inquiridos auferem, por mês, menos do que um salário mínimo nacional, sendo que perto de um quarto dos agregados receberem menos de 250 euros mensalmente. Rendimentos, porém, que resultam em 32% dos casos de rendimentos de trabalho, isto é, são famílias que, apesar da crise, conseguem ter um emprego.
82% acham que, hoje, estão mais pobres do que eram
Um dado perturbador diz respeito ao facto de mais de um quarto dos inquiridos (26%) afirmar ter tido falta de alimentos ou sentido fome alguns dias por semana, nos seis meses prévios ao inquérito, 14% dos quais pelo menos um dia por semana. No inquérito feito dois anos antes, 'apenas' tinham sido 16% a responder afirmativamente a esta questão. Mais ainda: 39% dos inquiridos afirmou ter passado um dia sem comer expressamente por "falta de dinheiro".
As dificuldades económicas surgem a par com problemas de isolamento. Se é verdade que 82% dos inquiridos afirma sentir-se hoje como pobre (mais 10% do que no último inquérito), 72% afirma ainda sentir-se só "muitas vezes ou às vezes" e é na família que se encontra a principal - ou quase única -fonte de apoio.
E, quanto à percepção das causas que levam os inquiridos a considerar-se - ou a viver em situação de pobreza - desenganem-se os que pensam que tal se deve ao facto de o desemprego ter atingido aquele agregado familiar. De facto, esta é apenas a segunda razao apontada por 20% dos inquiridos. Já 21% consideram viver mal "porque a família sempre foi pobre", uma espécie de fatalismo do destino que torna a miséria uma inevitabilidade. Em terceiro lugar, com 19% vem outra razão bem mais plausível: o facto de se ganhar pouco ou de auferir uma pensão de valor bem abaixo das necessidades.
Um inquérito junto dos utentes de instituições de solidariedade social mostra que os níveis de pobreza aumentaram nos dois últimos anos.
É um estudo promovido pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome em parceria com a Universidade Católica. Divulgado hoje, mostra o que já é notório no dia-a-dia das instituições de solidariedade social: que os mais pobres vivem cada vez pior e que a crise os atinge na satisfação das suas mais básicas necessidades.
Num inquérito dirigido a 3880 pessoas carenciadas e realizado entre Setembro de 2012 e Janeiro de 2013, os investigadores tentaram fazer uma comparação das condições de vida da população pobre apoiada por instituições sociais, em comparação com idêntico estudo realizado em 2010.
Os níveis de pobreza aumentaram nos últimos dois anos. Isto, apesar de os baixos rendimentos auferidos pelos agregados mais pobres se terem mantido mais ou menos estáveis. 52% dos agregados familiares inquiridos auferem, por mês, menos do que um salário mínimo nacional, sendo que perto de um quarto dos agregados receberem menos de 250 euros mensalmente. Rendimentos, porém, que resultam em 32% dos casos de rendimentos de trabalho, isto é, são famílias que, apesar da crise, conseguem ter um emprego.
82% acham que, hoje, estão mais pobres do que eram
Um dado perturbador diz respeito ao facto de mais de um quarto dos inquiridos (26%) afirmar ter tido falta de alimentos ou sentido fome alguns dias por semana, nos seis meses prévios ao inquérito, 14% dos quais pelo menos um dia por semana. No inquérito feito dois anos antes, 'apenas' tinham sido 16% a responder afirmativamente a esta questão. Mais ainda: 39% dos inquiridos afirmou ter passado um dia sem comer expressamente por "falta de dinheiro".
As dificuldades económicas surgem a par com problemas de isolamento. Se é verdade que 82% dos inquiridos afirma sentir-se hoje como pobre (mais 10% do que no último inquérito), 72% afirma ainda sentir-se só "muitas vezes ou às vezes" e é na família que se encontra a principal - ou quase única -fonte de apoio.
E, quanto à percepção das causas que levam os inquiridos a considerar-se - ou a viver em situação de pobreza - desenganem-se os que pensam que tal se deve ao facto de o desemprego ter atingido aquele agregado familiar. De facto, esta é apenas a segunda razao apontada por 20% dos inquiridos. Já 21% consideram viver mal "porque a família sempre foi pobre", uma espécie de fatalismo do destino que torna a miséria uma inevitabilidade. Em terceiro lugar, com 19% vem outra razão bem mais plausível: o facto de se ganhar pouco ou de auferir uma pensão de valor bem abaixo das necessidades.
Ajuda das instituições já não chega. Quatro em cada dez carenciados passam fome
in iOnline
Mais de metade das famílias recebem menos de um ordenado mínimo e 23% têm de viver com menos de 250 euros
[leia aqui o artigo na integra]
Mais de metade das famílias recebem menos de um ordenado mínimo e 23% têm de viver com menos de 250 euros
[leia aqui o artigo na integra]
15.2.13
Instituições sociais estão a "abarrotar". Estado "pode fazer mais"
por Domingos Pinto, in RR
Responsável da pastoral social do Patriarcado de Lisboa alerta para situação de ruptura. “Nós já não sabemos o que havemos de fazer", afirma o cónego Francisco Crespo.
As instituições particulares de solidariedade social (IPSS) estão à beira da ruptura e, em alguns casos, já falta dinheiro para pagar aos funcionários, alerta o responsável da pastoral social do Patriarcado de Lisboa.
“Não vale a pena o Estado dizer-nos: ‘mais cantinas sociais, mais instituições’… Não. Estamos a abarrotar de gente a bater às nossas portas, com fome e com necessidades básicas”, afirma o cónego Francisco Crespo, em entrevista à Renascença.
O sacerdote dá o exemplo da cidade de Lisboa, que “está completamente abandonada e entregue a si mesma”, com “tantos idosos sozinhos” e “abandonados nos hospitais”.
“Nós já não sabemos o que havemos de fazer, já não contamos quantos almoços e jantares damos a mais. Chega-se a uma altura em que nós próprios entramos em ruptura.”
“Não sei se vamos conseguir aguentar com tudo isto, porque nós, em consciência, não deveríamos abandonar e deixar ninguém ao menos com um prato de sopa, mas isto sai do nosso bolso e chegamos a uma altura em que não temos para pagar aos funcionários”, refere o cónego Francisco Crespo.
Neste entrevista à Renascença, o responsável da pastoral social do Patriarcado de Lisboa considera que o Governo “pode fazer mais” pelos portugueses carenciados e que o plano de emergência social tem tido um impacto pouco significativo no combate à crise.
“Estou pessimista. Até que ponto é que o Estado vai conseguir corresponder, pelo menos, àquele pouquinho que nos está a dar. O plano de emergência social é uma gota no oceano, tudo isso são pequenas coisas que apareceram: as cantinas sociais, o plano de emergência. O plano de emergência foi uma coisa que apareceu e desapareceu, nós não recebemos nem mais um cêntimo a mais do Estado e temos de sobreviver.”
O sacerdote aponta também o envelhecimento da população como uma das causas do aumento da pobreza nas famílias.
Responsável da pastoral social do Patriarcado de Lisboa alerta para situação de ruptura. “Nós já não sabemos o que havemos de fazer", afirma o cónego Francisco Crespo.
As instituições particulares de solidariedade social (IPSS) estão à beira da ruptura e, em alguns casos, já falta dinheiro para pagar aos funcionários, alerta o responsável da pastoral social do Patriarcado de Lisboa.
“Não vale a pena o Estado dizer-nos: ‘mais cantinas sociais, mais instituições’… Não. Estamos a abarrotar de gente a bater às nossas portas, com fome e com necessidades básicas”, afirma o cónego Francisco Crespo, em entrevista à Renascença.
O sacerdote dá o exemplo da cidade de Lisboa, que “está completamente abandonada e entregue a si mesma”, com “tantos idosos sozinhos” e “abandonados nos hospitais”.
“Nós já não sabemos o que havemos de fazer, já não contamos quantos almoços e jantares damos a mais. Chega-se a uma altura em que nós próprios entramos em ruptura.”
“Não sei se vamos conseguir aguentar com tudo isto, porque nós, em consciência, não deveríamos abandonar e deixar ninguém ao menos com um prato de sopa, mas isto sai do nosso bolso e chegamos a uma altura em que não temos para pagar aos funcionários”, refere o cónego Francisco Crespo.
Neste entrevista à Renascença, o responsável da pastoral social do Patriarcado de Lisboa considera que o Governo “pode fazer mais” pelos portugueses carenciados e que o plano de emergência social tem tido um impacto pouco significativo no combate à crise.
“Estou pessimista. Até que ponto é que o Estado vai conseguir corresponder, pelo menos, àquele pouquinho que nos está a dar. O plano de emergência social é uma gota no oceano, tudo isso são pequenas coisas que apareceram: as cantinas sociais, o plano de emergência. O plano de emergência foi uma coisa que apareceu e desapareceu, nós não recebemos nem mais um cêntimo a mais do Estado e temos de sobreviver.”
O sacerdote aponta também o envelhecimento da população como uma das causas do aumento da pobreza nas famílias.
30.10.12
7,1 milhões de euros vão chegar às IPSS até março
Lucília Tiago, in Diário de Notícias
Mudança. Pela primeira vez vai ser fixada uma data-limite para as instituições de solidariedade receberem o IRS doado. Este ano são beneficiadas 977 entidades
[Leia aqui o artigo na íntegra]
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