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25.9.23

Projeto experimental encaminhou mais de 8.500 utentes para centros de saúde e aliviou urgências

Anabela Góis, in RR

A iniciativa "Ligue SNS24, Salve Vidas" arrancou em maio, para reduzir a afluência às urgências hospitalares. Agrupamento de Centros de Saúde Póvoa de Varzim/Vila do Conde faz balanço muito positivo.

Um projeto experimental na zona de Póvoa de Varzim e Vila do Conde já encaminhou mais de 8.500 utentes para consultas nos centros de saúde.


A iniciativa "Ligue SNS24, Salve Vidas" arrancou em maio, para reduzir a afluência às urgências hospitalares, e o balanço feito pela diretora do Agrupamento de Centros de Saúde (Aces) Póvoa de Varzim/Vila do Conde é muito positivo.

No âmbito deste projeto, o acesso aos cuidados de saúde é feito pela linha de saúde. É ao telefone que os utentes são triados e encaminhados para o tipo de cuidados que necessitam, e não desligam até ter consulta marcada no médico de família, se for caso disso.

“Desde 24 de maio até 18 de setembro, o SNS24 fez 23.968 triagens: 26% dos utentes foram encaminhados para o serviço de urgência. Dos restantes, 12.151 foram considerados elegíveis para este projeto: 8.555 tiveram consultas marcada para o médico de família para próprio dia ou para o dia seguinte, em função da necessidade” diz à Renascença a diretora-executiva do Aces Póvoa de Varzim/Vila do Conde.

“É uma taxa de sucesso de 70%”, sublinha Judite Neves, que adianta que os restantes foram posteriormente contactados para agendar consulta.

Durante a noite, por exemplo, não há serviços administrativos, mas o utente fica referenciado e no dia seguinte é contactado pela Unidade de Saúde Familiar (USF).

Para a responsável, há claras vantagens para doentes e profissionais: “Os utentes podem ficar em casa e chegar só à hora marcada e os profissionais veem a sua agenda muito mais bem organizada com as consultas previamente agendadas e distribuídas ao longo do dia”.

“Na prática não temos mais consultas diárias abertas do que tínhamos antes. Tivemos, foi, que alocar essas vagas a sistemas diferentes para maior conforto dos doentes”, explica Judite Neves.

O resultado, garante, é que as marcações presenciais foram caindo e não há tanta afluência em simultâneo.

tro dado positivo deste sistema, diz Judite Neves, é que as pessoas não faltam. “Dos utentes que foram agendados pela linha Saúde 24, menos de 10% faltaram à consulta” e esse, admite, era um receio que existia à partida, “que as pessoas agendassem a partir de casa e depois, por algum motivo, não comparecessem”. Não aconteceu.

No âmbito deste projeto, quase três mil pessoas – o equivalente a 11,8% - ficaram em autocuidados e, segundo a responsável, “não recorreram aos serviços de saúde num espaço de 72 horas, o que é bastante significativo”.
Médicos de família referenciaram mais de 150 doentes para consultas hospitalares

A nível hospitalar foram criadas consultas abertas para várias especialidades, para os doentes crónicos complexos, que precisam de observação a curto prazo, nomeadamente, em psiquiatria, ortopedia, medicina interna, imunohemoterapia, ginecologia e pé diabético.

Também aqui a diretora-executiva do Aces Póvoa de Varzim/Vila do Conde fala em resultados positivos. “Neste período, 152 doentes foram referenciados para estas especialidades pelo médico de família, ou seja, tiveram consulta agendada num espaço até 72 horas”. A alternativa, sublinha Judite Neves, “era encaminhá-los para o serviço de urgência”.

A ideia da Direção Executiva do SNS é estender este projeto progressivamente a todo o país. Mas no caso do Aces Póvoa de Varzim/Vila do Conde há uma condição que está longe de acontecer no resto do território, é que “toda a gente tem médico de família”, conclui Judite Neves, em declarações à Renascença.

26.5.23

Três maiores grupos privados de saúde avançam com candidaturas para receber grávidas vindas do SNS

Ana Maia, in Público


As obras de requalificação do Hospital de Santa Maria vão custar seis milhões de euros e incluem a remodelação de toda a neonatologia. Durarão pelo menos sete meses.


As obras de requalificação do departamento de ginecologia/obstetrícia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vão custar 6 milhões de euros. Iniciam-se em Agosto e deverão estar concluídas em Março do próximo ano. Durante esse período, o bloco de partos do Santa Maria encerra e a resposta é concentrada no Hospital São Francisco Xavier. Para colmatar a resposta, o Ministério da Saúde abriu uma convenção, com a duração de quatro meses, ao sector privado. Os três maiores grupos afirmam que estão disponíveis e dois já submeteram a candidatura. Outro afirma que vai fazê-lo em breve.

Tal como o PÚBLICO noticiou, a concretização deste plano vai obrigar ao encerramento do bloco de partos. A resposta vai ser concentrada no Hospital de São Francisco Xavier, que “irá ser reforçado ao nível dos recursos humanos e equipamentos, para acomodar o aumento da procura e providenciar uma resposta em prontidão às necessidades, durante este período”.



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25.5.23

Dois blocos de partos públicos fecham para obras no Verão. Privados darão ajuda

Alexandra Campos, in Público


Grávidas da área do Hospital de Santa Maria vão para o São Francisco Xavier a partir de Agosto. Três hospitais privados de Lisboa deverão apoiar os públicos na capital, entre Junho e Setembro.


Já está fechado o plano de funcionamento dos blocos de partos dos hospitais públicos para o difícil período de Verão que se aproxima. Dois blocos de partos dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde na região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) – o do Santa Maria (Lisboa) e o das Caldas da Rainha - vão encerrar em breve para beneficiarem de grandes obras de remodelação, passando as grávidas das respectivas áreas a ser atendidas nos dois hospitais públicos mais próximos.

A maternidade do Hospital de Santa Maria fecha em Agosto para obras que se prevê demorem um ano, e as grávidas serão encaminhadas neste período para o São Francisco Xavier (Lisboa), que será reforçado com profissionais de saúde e equipamentos do primeiro. Na área das Caldas da Rainha – cujo bloco de partos encerra para obras já em 1 de Junho, previsivelmente até Novembro -, o atendimento passa a ser assegurado pelo Hospital de Leiria.

Para garantir um apoio extra em Lisboa - e apenas nos casos de grávidas com mais de 36 semanas e sem factores de risco -, os três grandes hospitais privados da capital (Cuf, Lusíadas e Luz) foram convidados a dar uma ajuda temporária no Verão, mas apenas se tal se revelar necessário, ou seja, caso haja picos de procura no SNS. E receberão pela tabela da ADSE lhes paga.


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18.1.23

Governo quer criar equipas próprias dedicadas às Urgências

 Por Lusa, in TVI

O Governo vai criar equipas próprias dedicadas às urgências “pelo menos” nos hospitais de maior dimensão, disse hoje o ministro da Saúde, apontando esta como uma das “soluções” para colmatar as dificuldades estruturais nestes serviços.

Em declarações aos jornalistas, no Porto, e quando abordado sobre os problemas nas urgências dos hospitais, Manuel Pizarro avançou que está a ser criado um Modelo de Equipas Próprias dedicadas à Urgência “com condições técnicas e remuneratórias mais bem estruturadas”.

“A criação de equipas dedicadas na urgência, pelo menos nas urgências de maior dimensão, pode ser uma solução [para os problemas nestes serviços]. E, não havendo especialidade de Medicina de Urgência, podemos criar estas equipas com condições técnicas e remuneratórias mais bem estruturadas”, disse Manuel Pizarro.

O ministro da Saúde disse que “será criado um modelo que será adaptado conforme as necessidades e as possibilidades de cada local” e usou o exemplo do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto, para explicar a medida, mas salvaguardando que até neste hospital a equipa tem de ser “aditivada”.

“O Hospital de São João é um dos hospitais do país que tem uma equipa dedicada à urgência, mas essa equipa precisa de ser aditivada. Precisamos de melhorar as condições para que ela continue a funcionar”, disse o governante.

Manuel Pizarro recordou o chumbo, por parte da Ordem dos Médicos, à criação de uma nova especialidade de Medicina de Urgência, mas não teceu comentários sobre a pertinência ou não da criação desta nova especialidade, preferindo apontar quais as medidas a levar a cabo para melhorar os serviços de urgência dos hospitais portugueses.

18.2.16

Foco na produtividade "prejudica doentes" e "torna cuidados mais impessoais"

Romana Borja-Santos, in Público on-line

Obra reúne ensaios de 21 investigadores e alerta para os "efeitos perversos" de algumas reformas no Serviço Nacional de Saúde, demasiado focadas na produtividade.

As métricas, indicadores e protocolos impostos aos profissionais de saúde nas reformas feitas nos últimos anos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente nos centros de saúde, estão a “tornar os cuidados de saúde mais impessoais e padronizados”, afastando-os das reais necessidades dos doentes. Esta é uma das principais mensagens deixadas no livro Novos Temas de Saúde, Novas Questões Sociais, que será apresentado nesta quinta-feira, em Lisboa, num lançamento que, segundo o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, é “apadrinhado” pelo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

“Continuamos a ver a formulação de políticas de saúde muito centradas em questões técnicas que não reflectem toda a complexidade do sistema. O livro procura, por isso, dar visibilidade a efeitos que são muitas vezes invisíveis na opinião pública e mesmo perante os decisores políticos”, adiantou ao PÚBLICO Tiago Correia, investigador do ISCTE e, juntamente com Graça Carapinheiro, coordenador da obra que reúne ensaios sobre vários temas de saúde de 21 investigadores da área da sociologia e ciências sociais.

“A formulação de políticas vai muito no sentido de tornar o doente no ponto central [do SNS] e aquilo que nós percebemos é que as políticas efectivamente tomadas não colocam o doente como central”, acrescenta Tiago Correia. O professor destaca em especial a reforma dos cuidados de saúde primários, com a criação em 2006 das chamadas unidades de saúde familiar (USF) e que teoricamente representam uma nova geração de centros de saúde onde o grupo que forma a unidade tem de cumprir mais indicadores e assegurar uma resposta mais rápida ao utente.

No entanto, o investigador frisa que alguns dos ensaios mostram que, na realidade, a relação entre médico e doente nos cuidados primários ficou mais “impessoal e padronizada”, com os profissionais a construírem a relação com o doente com demasiado foco no computador. É o caso do texto de Lurdes Teixeira, do Instituto Politécnico de Saúde do Norte (Cespu) e do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE, que questiona “como compatibilizar a rígida definição de tempos e actos com as particularidades do real contexto de vida de cada doente? As pessoas precisam de mais consultas ou de mais tempo de consultas?”. A autora critica, ainda, “a relação médico e enfermeiro/doente cada vez mais mediada pelo computador”.

Também o trabalho de Hélder Raposo, da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa – Instituto Politécnico de Lisboa e do ISCTE, alerta para os “efeitos perversos” da sobrecarga dos profissionais, que está a afastar os médicos de família dos doentes. “A sociologia tem discutido muito todos os efeitos perversos da padronização e da introdução de protocolos e a própria medicina também o faz. Os médicos, no dia-a-dia, não conseguem encaixar o doente com o cumprimento de indicadores e muitas vezes deparam-se com uma escolha”, corrobora Tiago Correia. “Existe a percepção de que estamos a tornar o sistema mais eficiente e a prestar melhores cuidados, mas não temos a certeza disso pois estamos a colocar em causa os princípios de humanização e de personalização de cuidados”, acrescenta.

Ainda sobre os cuidados primários, o coordenador da obra destaca que os problemas criados não são apenas para os utentes, lembrando que os próprios profissionais de saúde que não trabalham nas novas USF e que ainda estão nos antigos centros de saúde têm “condições laborais e salariais diferentes” que geram uma “grande disparidade interna”.

Quanto à forma como os utentes circulam, com um excessivo recurso às urgências, adianta que os ensaios sobre este tema mostram que “o que as pessoas fazem reflecte uma lógica muito racional: o cidadão quer uma resposta o mais curta possível para o seu problema, mobilizando os recursos que tiver de mobilizar”. O ensaio de Rosemarie Andreazza, do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina fala precisamente deste problema no SNS e na relação entre público e privado em Portugal.

Para Tiago Correia, a junção dos vários ensaios comprova que agora “o desafio é tornar as políticas de saúde numa resposta às pessoas”, depois do caminho percorrido no século XX, em que o foco foi a expansão dos serviços. “No século XXI temos uma população altamente escolarizada, altamente crítica e que vai reivindicar mais espaços para a decisão sobre a sua vida, a gestão da sua doença e a sua morte.” Uma reivindicação que o investigador acredita que conduzirá a mais “autonomia, liberdade” e, consequentemente, a “resultados de saúde diferentes”.

8.10.14

Portugueses estão a ir menos vezes às urgências

por Ana Bela Ferreira, in Diário de Notícias

Nos primeiros sete meses do ano registaram-se menos 31 470 idas às urgências dos hospitais. No sentido contrário, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) viu aumentar o número de cirurgias programadas e de consultas.

As idas às urgências entre janeiro e julho deste ano ainda estão acima das 3,5 milhões, mas ainda assim caíram 0,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados relativos à produção assistencial revelados pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) mostram um aumento das consultas hospitalares, tanto nas primeiras consultas (onde se realizaram 2 034 359, mais 1,5% do que em 2013) como nas subsequentes (5 073 565, mais 2,6%).

As cirurgias programadas aumentaram de 323 mil para 335 mil. Um crescimento que se ficou a dever ao aumento de 8,4% de cirurgias em ambulatório (193 mil realizadas), apesar de terem sido realizadas menos 3065 intervenções convencionais. Uma variação que para a ACSS tem "vantagens óbvias para o utente e para a eficiência das instituições" do SNS.

Os cuidados primários aumentaram também a sua atividade, realizando mais de 17 milhões de consultas médicas, 4,7 milhões das quais não presenciais e 121 mil ao domicilio.