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28.2.19

Violência contra idosos acontece tanto nas famílias como nas instituições

in o Açoriano Oriental

Os maus tratos e a violência contra pessoas idosas são fenómenos que vivem do silêncio e existem tanto nas famílias como nas instituições e sobre o quais surge agora um livro para melhor detetar, prevenir e combater estes casos.

O livro “Maus-Tratos a Pessoas Idosas”, que é apresentado na terça-feira, reúne trabalho de vários autores e inclui temas que vão desde a tipologia dos maus tratos, estratégias de prevenção, deteção e intervenção, violência em contexto familiar e institucional, envelhecimento das pessoas com deficiência até ao suicídio nos mais idosos.
Em declarações à agência Lusa, um dos coordenadores do livro apontou que a obra pretende ser não só um manual que consciencialize e sensibilize para este problema, mas também que ajude a sinalizar e a intervir nas mais variadas áreas.

De acordo com Mauro Paulino, os maus tratos contra os idosos são um fenómeno que vive do silêncio, “à semelhança do que acontece com outras manifestações de violência”.

“Há aquilo que nós chamamos de fenómeno icebergue. Muitos dos casos estão no silêncio, seja por receio da vítima, seja pelo silêncio das pessoas que sabem destas situações, mas não as denunciam”, apontou, sublinhando que os maus tratos não são uma realidade exclusiva nas famílias e destacou que “também há maus tratos em contexto institucional”.

“Os maus tratos em contexto institucional é um tema mais recente, porque na consciência social, se colocamos um idoso numa instituição, a ideia é que lá ele seja bem cuidado e bem tratado”, explicou, acrescentando que a sociedade está mais desperta para quando os maus tratos acontecem na família.

Mauro Paulino apontou que a violência institucional contra os idosos pode traduzir-se na precariedade da assistência, medicação excessiva para os idosos estarem menos ativos e darem menos trabalho, desnutrição, desidratação, falta de higiene ou mesmo situações de idosos amarrados a camas.

Por oposição, a violência familiar tem uma expressão mais individualizada, tanto da parte da vítima como do agressor.
Defendeu que a fiscalização é fundamental e sublinhou que há cada vez mais a noção das várias formas de violência e de como podem ser identificadas.

“Ficamos muito presos à ideia de que os maus tratos a pessoas idosas são apenas os maus tratos físicos ou então questões financeiras e de exploração material e nós chamamos a atenção também para os maus tratos psicológicos que muitas vezes são associados à componente física, mas também ao não respeito pela dignidade”, apontou, acrescentando que muitas vezes também há uma relação com situações de negligência e abandono.

Mauro Paulino salientou que os autores do livro sentiam duas grandes lacunas, entre material pouco atualizado e disperso, destacando que a obra traz “duas grandes vantagens”: capítulos devidamente atualizados em termos de referências e toda a matéria devidamente compilada.

Por outro lado, destacou que o livro inclui grelhas que tanto os profissionais como os familiares podem usar de modo a fazerem um diagnóstico e a perceber a diferença entre uma situação acidental ou um caso com dolo.
Dá como exemplo o capítulo referente ao enquadramento jurídico-penal, explicando que serve para ajudar os profissionais a perceber o que é que um tribunal precisa de entender sobre o que se está a passar e assim “conseguir mais condenações ou pelo menos mais elementos de prova para que a investigação criminal avance”.

“Este livro traz grelhas, traz tabelas, ferramentas, traz inventários de instrumentos e de metodologias que podem e devem ser utilizados por quem lida com estas problemáticas, com visão de reação, mas também de prevenção”, adiantou.

Destacou que o livro tem uma “visão completamente pragmática virada para a sensibilização e identificação, mas também para o tratamento deste tipo de violência, com modelos de intervenção, instrumentos de deteção e de avaliação que são fundamentais aos profissionais e cuidadores”.



25.1.19

APAV lança campanha de sensibilização sobre violência contra idosos

in Dnoticias

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) lançou uma nova campanha de sensibilização sobre violência contra idosos, um crime que aumentou mais de 30% nos últimos anos.
A campanha tem como principal mensagem “Olhar para o lado é ser cúmplice deste crime” e visa alertar os portugueses para esta “realidade ainda obscura da violência praticada contra as pessoas idosas”, refere a APAV em comunicado.

“Reconhecendo que a violência contra as pessoas idosas é uma questão social, de segurança e de saúde pública, considera-se que o combate eficaz deste problema contribui para um futuro mais inclusivo, em que todos sejam respeitados em cada ciclo da vida, nomeadamente no contexto de um envelhecimento ativo e saudável”, sublinha a associação.

Os últimos dados divulgados pela APAV referem que, entre 2013 e 2017, a associação apoiou 5.683 pessoas idosas, em que a maioria (4.556) foi vítima de crimes e de violência.

A maioria das vítimas eram mulheres (3.619) e em 37,4% dos casos as vítimas eram mãe ou pai do agressor e em 27,6% das situações era cônjuge.

Estas pessoas sofreram de vitimação continuada (79%) e em 12% dos casos viveram nesta situação entre dois a seis anos, com as agressões a ocorrerem sobretudo (53,3%) na residência comum e em 28,8% na residência da vítima.
A APAV apoia as pessoas idosas e as suas famílias, prestando-lhes apoio jurídico, psicológico e social, e conta com a colaboração de outras instituições, públicas e privadas, com o apoio dos vizinhos e conhecidos das vítimas, cujo papel pode ser “muito importante, sobretudo na denúncia das situações de violência”.

Segundo a associação, “a consciencialização da população conduziu ao incremento do número de pessoas apoiadas”.

Contudo, salienta, “há ainda muitos obstáculos, como as barreiras mentais, a dificuldade de acesso e compreensão da informação, a dependência, a vergonha e a fragilidade persistem aliadas à perceção pouco generalizada do problema”.
Para contornar estes obstáculos, a APAV lançou esta nova campanha, que consiste num vídeo que retrata o julgamento de um filho que coagiu, extorquiu e maltratou a mãe durante cinco anos.

À pergunta da juíza, protagonizada por uma atriz, se “agiu sempre sozinho”, o agressor, também ator, disse que não, explicando que contou com o silêncio dos vizinhos da mãe, do irmão e até da cabeleireira da mãe.

“A violência sobre as pessoas idosas aumentou mais de 30% nos últimos anos, olhar para o lado é ser cúmplice desde crime, não desvalorize. Ligue 116 006”, apela a APAV na campanha.

Segundo dados do Eurostat, Portugal será um dos Estados-Membros da União Europeia com maior percentagem de pessoas idosas e menor percentagem de população ativa em 2050.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) receia que este aumento, associado a uma certa quebra de laços entre as gerações e ao enfraquecimento dos sistemas de proteção social, venha a agravar as situações de violência.

15.1.19

Abuso psicológico pode afectar um quinto dos idosos. Os mais pobres, sós, doentes

Margarida David Cardoso, in Público on-line

Idosos que têm dificuldades em pôr comida na mesa, os mais pobres, os que têm sintomas depressivos e os que vivem sozinhos revelam-se mais vulneráveis. As mulheres são as principais vítimas, identificou um estudo da Universidade do Porto.

Na velhice, a violência tende a coexistir com a debilidade socioeconómica e de saúde das vítimas. Como em qualquer idade, a afectar os mais dependentes. Um estudo da Universidade do Porto aponta para uma prevalência de 20% de abuso psicológico entre os mais velhos. Aqueles que têm dificuldades em pôr comida na mesa, os mais pobres, os que têm sintomas depressivos e os que vivem sós relevam-se mais vulneráveis. E as mulheres são as principais vítimas.

Estas conclusões têm por base as respostas de 677 pessoas com 60 ou mais anos residentes no Porto a um extenso questionário e as entrevistas mais aprofundadas feitas a 45 delas por uma equipa de investigadores do Instituto de Sociologia (ISUP) e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), no âmbito do projecto HARMED: o abuso de idosos: determinantes sociais, económicas e de saúde. Estas são as primeiras conclusões.

O abuso psicológico é o mais prevalente – um quinto (19,9%) dos inquiridos declarou ser alvo – e é o motivo por que a socióloga Isabel Dias, investigadora responsável, fala na necessidade de melhorar a detecção destes abusos, mais vísiveis mas quase sempre silenciosos, mas “tão incapacitantes como a violência física”. São insultos, maus tratos verbais, humilhações, situações de isolamento forçado e privação de direitos de gestão da própria vida.

As vítimas são principalmente as mulheres (22,7% das entrevistadas). A ausência de redes familiares e de conforto financeiro tende a agravar a exposição a abusos psicológicos: reconhecem-se como vítimas 23,8% dos inquiridos na casa dos 70 anos, 20,8% dos que vivem sozinhos, 23,8% dos que consideram o seu rendimento insuficiente ou muito insuficiente.
“Considerando a experiência de abuso, de qualquer tipo, são as vítimas de abuso psicológico que apresentam os menores níveis de suporte social (62,7%) e maior ocorrência de sintomas depressivos”, aponta a socióloga Isabel Dias. Também são mais negativas na avaliação do seu estado de saúde geral e tendem a manter-se longe dos serviços de saúde, mesmo quando precisam deles. Genericamente têm uma menor expectativa de vir a ser felizes.

Para António Fonseca, professor na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, a principal questão é a dependência. “A pessoa idosa só por si não é necessariamente mais vulnerável. Estar dependente de outros, em qualquer idade, limita a reacção, a queixa, fragiliza-a imediatamente.”

Compreende-se, por isso, o peso que assume a segurança alimentar (determinada neste estudo, por exemplo, pelo número de refeições que a pessoa faz e o motivo por que deixa de comer). Uma percentagem esmagadora – 72,7% – dos que declararam ter muitas dificuldades em colocar comida na mesa viam-se também vítimas de violência psicológica.

Os mais escolarizados estão igualmente expostos: 22,8% das vítimas de abuso psicológico inquiridas completou o ensino secundário. Este dado deve ser lido com cautela, frisa Isabel Dias. Pode ser produto das escolhas metodológicas ou da capacidade de se reconhecer como vítima. “Percebemos que o abuso psicológico é transversal. Mas idosos mais escolarizados têm condições para melhor reconhecer o que é ou não abuso psicológico”, acautela a socióloga.

“Temos muita dificuldade que as pessoas falem”, torna António Fonseca. “O berrar, o dar ordens, o não retirar de casa: há uma série de comportamentos que uma pessoa com algum grau de incapacidade, fragilizada encara como natural. O que não se distancia muito das situações de abuso ou mau trato no namoro ou [relações] conjugais.”
À violência psicológica segue-se o abuso financeiro (5,8%) – apropriação indevida de bens e propriedades, por exemplo –, o abuso físico (2,5%) e sexual (1,9 %). Em geral, o perfil dos mais vulneráveis repete-se. À excepção do abuso físico, que o estudo mostrou ser mais prevalente entre os idosos pouco escolarizados.

As redes sociofamiliares e a inserção na comunidade são vistas como factores protectores do abuso. Quem vive sozinho – cerca de 407 mil pessoas com mais de 65 anos em 2011; hoje serão muito mais – tende a estar mais exposto nos vários contextos. É comum que a vítima identifique alguém próximo como agressor – um cônjuge ou companheiro (32,6%), filhos (22,9%), irmãos (14,1%), vizinhos (14,1%) –, mas os abusos e situações de neglicência acontecem também em contexto de cuidados informais e em instituições.

“A vigilância, o controlo, a repressão sobre os idosos, frequentemente em contexto institucional, poderá também ser considerado mau trato”, aponta António Fonseca. A ausência de estímulo, de cuidado, de contacto pode deprimir as vítimas. “O contexto que não as ajuda a expressar-se, dificulta a própria reclamação do que está a acontecer.” Há o medo de que a queixa piore a situação. Muitas vezes também não há outra alternativa de cuidados.

"Conseguir dar o salto é um passo extremamente doloroso, para além da dificuldade em chegar às instâncias oficiais", nota Teresa Morais, procuradora do Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto, que coordena uma secção dedicada à investigação dos crimes de violência doméstica e maus tratos. Quando o faz, "depois dos obstáculos interiores que teve que ultrapassar, depara-se com um muro", aponta. "Afasta-se o cuidador agressor e a alternativa é a institucionalização, a desenraização do idoso? O sistema não lhe responde."

Há um novo indicador de violência contra as mulheres e Portugal não está tão mal
“Temos que ser muito mais vigilantes no modo como as institucionais e as famílias cuidam das pessoas”, alerta António Fonseca.
Os abusos, principalmente psicológicos, tendem a ser contínuos.

Podem, por isso, agravar os factores considerados de risco e gerar novos, nota Isabel Dias. “Estes dados evidenciam a necessidade de colocar no centro das agendas das políticas sociais e de saúde a problemática dos abusos a idosos, tendo em conta a acumulação de vantagens de natureza socioeconómica, ligadas à condição de saúde e à vulnerabilidade de género [ver texto ao lado].”

Os investigadores estão agora a aprofundar estas questões. Procuram compreender o impacto do contexto de crise socioeconómica dos últimos anos, 2008 a 2014 sobretudo, no agravamento dos factores de exposição e vulnerabilidade de pessoas idosas a abusos. E estabelecer relações de casualidade entre eles.

Os centros de dia atraem cada vez menos idosos, mas os lares estão cheios
O projecto de três anos, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, termina no final do ano. Participam as investigadoras Alexandra Lopes e Rute Lemos, do ISUP, e Diogo Costa e Sílvia Fraga, do ISPUP.
A amostra com que trabalham tem origem na base EPIPorto, uma coorte populacional do ISPUP, que acompanha 2485 maiores de idade residentes no Porto, desde 1999. Desde então esta tem sido avaliada. O projecto integra a terceira reavaliação desta população, feita em 2017 e 2018.

30.3.17

Há 14 mulheres, três idosos, duas crianças e dois homens a queixar-se de agressão todos os dias

in RR

Oito em cada dez vítimas que recorrem à APAV são mulheres, com uma média de idades de 50 anos, casadas, de uma família nuclear com filhos.

O número de atendimentos na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), entre 2014 e 2016, aumentou 8,1%. Todos os dias, em média, 14 mulheres, três idosos, duas crianças e dois homens são atendidos na APAV.

Estes dados fazem parte do Relatório Anual da APAV relativo a 2016. Segundo as estatísticas, no ano passado, foram apoiadas 5.226 mulheres, 1.009 pessoas idosas, 826 crianças e jovens e 826 homens.

Em 2016, a APAV realizou 35.411 atendimentos (32.770 em 2014 e 34.327 em 2015). Destes atendimentos, resultaram 12.450 processos de apoio à vítima, nos quais se identificaram 9.347 vítimas directas de 21.315 crimes e outras formas de violência.

Perante estes dados, a responsável pela Unidade de Estatística da APAV, Elsa Beja, explica, à Renascença que “este aumento de 8,1% significa que as situações são mais complexas, e, nesse sentido, os utentes que procuram a APAV têm um atendimento mais continuado no tempo, pelo que acabam por usufruir de um maior número de atendimentos, daí este acréscimo nestes três anos”.

As mulheres continuam a ser as vítimas de crimes que mais recorrem à APAV. Dos 12.450 utentes assinalados pela associação em 2016, 9.347 foram vítimas de crime, das quais 7.654 eram mulheres (81,9%), com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (40,6%) e viviam numa família nuclear com filhos (35%).

“Mais de 80% das nossas vítimas são mulheres, com uma média de idades de 50 anos, casadas, de uma família nuclear com filhos. Em termos de grau de ensino, distribuem-se pelo Ensino Superior, Secundário e terceiro ciclo. Cerca de 30% destas mulheres estão desempregadas. No maior parte dos casos, mantêm com o autor do crime uma relação de conjugalidade”, explica Elsa Beja.

No entanto, “estão a aumentar os casos de idosos vítimas de crime e também e homens maiores de 18 anos”.

Relativamente aos crimes e outras formas de violência registados, destacam-se os crimes contra as pessoas, que representam 93,3% do total. Destes, o destaque vai para os crimes de maus-tratos físicos e psíquicos (77%).

Mas “estão a aumentar outros tipos de crimes, como o ´stalking’, ou de assédio permanente, que representa 1.9%. Os casos de bullying estão, também, a ter uma prevalência cada vez maior”.

15.6.16

Há cada vez mais idosos vítimas de violência financeira

In "Rádio Renascença"

Mais de 18 idosos por semana pedem ajuda à APAV. Na maior parte dos casos, os agressores "são pessoas muito próximas", nomeadamente filhos e netos, que "conhecem muito bem as suas vulnerabilidades e fraquezas".

Mais de dois idosos recorrem diariamente à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, muitos vítimas dos filhos e dos netos que se apropriam dos seus bens e das suas economias.

Em 2015, a APAV apoiou 977 idosos vítimas de crime, mais 125 face ao ano anterior, representando uma média de 2,7 por dia e 18,7 por semana.

Muitos destes idosos foram vítimas de violência financeira, um crime que "tem aumentado nos últimos anos, especialmente devido à situação da crise financeira", disse Daniel Cotrim, da APAV, que falava à agência Lusa a propósito do Dia Internacional de Sensibilização sobre a Prevenção da Violência Contra as Pessoas Idosa, que se assinala esta quarta-feira.

O psicólogo explicou que os idosos são "vítimas relativamente fáceis", sendo que na maior parte dos casos os agressores "são pessoas muito próximas", nomeadamente filhos e netos, que "conhecem muito bem as suas vulnerabilidades e fraquezas".

"São muito mais fáceis de manipular e de exercer poder e controlo sobre eles, o que faz com que sejam vítimas de "muita violência financeira", além de violência física e psicológica.

Daniel Cotrim contou que os agressores ficam com o rendimento dos idosos, chegando mesmo a retirá-los dos lares onde residem para ficar com o valor da mensalidade para apoiar o rendimento mensal da família.

Segundo o responsável, "a apropriação indevida de bens materiais e económicos dos idosos por parte dos seus familiares" é um dos motivos que leva muitas vezes as vítimas a pedirem ajuda à associação.

Mais de 80% das vítimas são mulheres

Mas geralmente fazem-no "já muito tempo após as situações terem começado", lamentou. Por isso, "é importante prevenir", sensibilizando as pessoas mais velhas para estas questões, explicando-lhes os perigos que correm.

Sobre o aumento do número de idosos apoiados pela APAV, o psicólogo disse que pode dever-se ao facto de as pessoas estarem mais sensibilizadas e mais informadas para este tipo de questões e denunciarem mais, mas também pode demonstrar que o problema ter aumentado.

Segundo dados da APAV relativos a 2015, 80,5% destas vítimas são mulheres, com uma média de idade de 75 anos.

Quase 40% das vítimas (39%) viviam numa família nuclear com filhos, 58,4% eram casados e 29,5% eram viúvos. A grande maioria (90,1%) era reformada.

Quanto à escolaridade das vítimas, os dados indicam que 33,3% das vítimas tinham o primeiro ciclo do ensino básico, 19,2%, o ensino superior e 13,3% não sabia ler nem escrever.

No Dia Internacional de Sensibilização sobre a Prevenção da Violência Contra as Pessoas Idosa, Daniel Cotrim apela às pessoas e aos idosos vítimas para denunciarem este crime.

"A APAV tem um número gratuito (116006)" para pedir apoio, "porque falar ajuda", frisou.

SOS Pessoa Idosa

João Fernando Ramos, in "RTP"

A vítima é sobretudo a mulher idosa. O agressor é o companheiro em primeiro lugar, os filhos homens logo depois, as filhas em terceiro lugar. É assim que Cristina Cunha, da Fundação Bissaya Barreto, caracteriza o problema da violência sobre os idosos. "Uma realidade que é pouco denunciada fruto dos estereótipos sobre o envelhecimento", salienta.

A Fundação Bissaya Barreto lançou há dois anos a linha SOS Pessoa Idosa.

Inicialmente pensado como atendimento telefónico, presencial e mediação familiar, acabou por se tornar um serviço de proximidade da vítima, com uma resposta coordenada e em tempo útil.

Foram abertos cerca de 120 processos gerados a partir de 300 contactos recebidos.

A fundação lança agora o debate público sobre esta realidade e o papel do idoso na sociedade. A 16 e 17 de junho organiza em Coimbra um congresso para o fazer.

Mais de dois idosos pedem ajuda por dia à APAV, muitos por violência financeira

Mais de dois idosos recorrem diariamente à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, muitos deles vítimas dos filhos e dos netos que se apropriam dos seus bens e das suas economias, disse à Lusa fonte da APAV.

Em 2015, a APAV apoiou 977 idosos vítimas de crime, mais 125 face ao ano anterior, representando uma média de 2,7 por dia e 18,7 por semana.

Muitos destes idosos foram vítimas de violência financeira, um crime que "tem aumentado nos últimos anos, especialmente devido à situação da crise financeira", disse Daniel Cotrim, da APAV, que falava à agência Lusa a propósito do Dia Internacional de Sensibilização sobre a Prevenção da Violência Contra as Pessoas Idosa, que hoje se assinala.

31.5.16

Quem maltrata idosos deve ficar sem herança, defende o CDS

Eunice Lourenço, in "Rádio Renascença"

Partido entregou 19 projectos para promover o envelhecimento activo e a protecção de idosos

São quase duas dezenas de projectos para promover o envelhecimento activo e proteger os idosos e vão ser discutidos no Parlamento na quinta-feira. O CDS entregou esta segunda-feira cinco projectos de lei e 14 projectos de resolução (recomendações ao Governo) entre os quais estão várias propostas que penalizam quem coloque idosos em risco.

Um dos projectos de lei altera o Código Penal de forma a tornar crime público (sem necessidade de apresentação de queixa) a violação de obrigação de alimentos. O mesmo projecto propõe a criminalização de quem coloque idosos em instituições não licenciadas.

Por outro lado, o CDS pretende alterar o Código Civil para que quem tenha sido condenado por submeter por abandonar idosos ou por não cumprir a obrigação de alimentos fique privado da herança desses mesmos idosos ou dos seus cônjuges.

O terceiro projecto de lei do CDS relativo à protecção dos idosos tem como objectivo alargar a dimensão do testamento vital para planeamento da velhice. Ou seja, os democratas-cristãos pretendem que, além da situação de doença, seja possível no Testamento Vital consagrar decisões sobre os serviços e cuidados a serem prestados na velhice.

Além disso, o CDS recomenda ao Governo que promova uma campanha informativa de divulgação e incentivo ao registo do Testamento Vital. Recomenda também a melhoria e qualificação dos serviços de apoio domiciliário, assim como o reforço da formação de profissionais na área da geriatria e o reforço das redes de cuidados continuados e de cuidados paliativos. Este partido pretende ainda a reactivação da Linha Saúde 24 Sénior.

Trabalhar menos por mais tempo

Já no campo do envelhecimento activo, o CDS propõe que os trabalhadores que estejam a um ano da reforma possam, se quiserem, trabalhar a tempo parcial. Na prática, um trabalhador a um ano da reforma, passa a trabalhar metade do tempo, mas trabalha dois anos até à reforma.

Outra proposta do CDS é uma recomendação ao Governo para que equipare o sector público ao privado, permitindo que quem queira possa trabalhar depois dos 70 anos.

Por outro lado, o partido liderado por Assunção Cristas também recomenda ao Governo incentivos adicionais às empresas para que contratem desempregados com mais de 55 anos. Entre esses incentivos pode estar a dispensa de pagamentos à Segurança Social por 36 meses.

O CDS também quer que o Conselho Económico e Social passe a integrar dois representantes de organizações de reformados, aposentados e pensionistas.

Estes projectos do CDS vão ser discutidos no Parlamento na quinta-feira, dia 2, num agendamento potestativo marcado por este partido. Por enquanto, só constam propostas do CDS na agenda desse dia e só podem ser agendados projectos de outros partidos se o CDS autorizar.

12.4.16

“39 por cento dos idosos são vítimas de violência”

In "Diário de Aveiro"

Só sei falar de idosos”, começou por atirar Rosário Gama, presidente da APRe (Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados), ontem, numa palestra promovida pela Inclu-Ria - Associação Humanitária de Esgueira, subordinada ao tema “Desigualdade, pobreza e políticas públicas”. E foi neste contexto - de pobreza - que falou desta população específica, a que a dirigente designa de “geração grisalha” e à temática a que foi convidada a abordar acrescentou a “exclusão social”. E os números que colocou em cima da mesa - ou visivelmente na tela - eram tudo menos simpáticos. Poderíamos dizer que são assustadores, reveladores da “urgência em abordar estas temáticas”, defendeu ao Diário de Aveiro Romana Fragateiro, presidente da Inclu-Ria. População envelhecida “Portugal é um país de velhos” arrancou Rosário Gama na sua apresentação, descrevendo que 19 por cento da população portuguesa tem mais de 65 anos. Admirado? Talvez não. E a presidente da APRe acredita que este número tenderá a aumentar, com um aspecto mais negativo, que se prende com o facto de estarem a nascer cada vez menos crianças, o que valida a sua afirmação inicial: Portugal está a ficar envelhecido.

18.3.16

Violência contra idosos é cada vez mais visível

Ana Cristina Pereira, in "Público"

Primeiro estudo sobre a prevalência de violência contra idosos na população portuguesa estima uma prevalência de 12,3% ao longo de um ano.

Portugal tardou a reconhecer que os idosos podem ser vítimas de maus tratos no seio da família. E as estatísticas sobre isso “ainda são menos abundantes do que as relativas a outras formas de violência doméstica”, nota a socióloga Isabel Dias, professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A visibilidade do fenómeno está, por fim, a crescer.

A sociedade está cada vez mais envelhecida. O Relatório Anual de Segurança Interna não permite perceber quantos idosos se queixam de violência, mas o número de casos que vão chegando à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima vai mostrado a tendência de crescimento de denúncias: passou de 774 em 2013 para 852 em 2014 – os dados de 2015 só serão revelados no final de Março.

“Haverá grandes cifras negras”, lembra Teresa Morais, procuradora do Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto (DIAP) que coordena uma secção dedicada em exclusivo aos crimes de violência doméstica e maus tratos. “É mais complicado para um idoso chegar às instâncias formais e fazer uma denúncia.”

O primeiro estudo sobre a prevalência de violência contra idosos na população portuguesa, apresentado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) em 2014, admitiu uma prevalência para os vários tipos de agressões de 12,3% ao longo de um ano (314 mil casos). O estudo, conduzido pela socióloga Ana Gil, conclui que o cônjuge/companheiro é o grande protagonista de violência física (49,5%). Seguem-se os filhos (30%) e as filhas (8,9%). A agressão também pode ser perpetrada por noras/genros (3%) ou outros familiares (5%), nomeadamente netos (2,3%) ou netas (0,2%). Quando se fala de negligência, o peso de filhos (27,3%) e filhas (21,3%) aumenta. Em qualquer caso, impera o silêncio: 64,9% não falam sobre a situação nem apresentam queixa.

“É algo muito difícil de aceitar”, torna Teresa Morais. A violência, sobretudo quando perpetrada por descentes, “repercute-se muitas vezes na vítima como uma assunção de que ela própria falhou e que toda a sua actual vivência é, no fundo, resultado de um prévio fracasso educativo ou inter-relacional”, explica a procuradora. Ao medo, à tristeza e à vergonha junta-se um enorme sentimento de culpa.

Entre os factores de risco, muitos investigadores colocam a elevada dependência dos idosos, a nível de prestação de cuidados, mas consideram também a dependência financeira dos membros da família, sobretudo cônjuges ou filhos. Há mesmo quem entenda, sublinha Isabel Dias, que “os perpetradores de abusos sobre os idosos são mais dependentes do que o contrário”. A dependência de que fala nota-se, sobretudo, no domínio da habitação ou do sustento.

Há outros factores. Admite-se a possibilidade de transmissão geracional (as pessoas que maltratam idosos teriam crescido em ambientes violentos) e do stress potenciar comportamentos violentos (aspectos como o desemprego, a falta de dinheiro, o divórcio). Isabel Dias acha importante ponderar também a qualidade da relação dos idosos com os cônjuges ou filhos.

Na opinião de Teresa Morais, há que pensar nas respostas que existem. O sistema penal está longe de fornecer todas as respostas necessárias a estes casos. O que acontece quando o cuidador é o agressor?, questiona. “Ou tiramos o cuidador da casa e o idoso fica sozinho, apenas com instâncias sociais que tratam da higiene, da alimentação, da casa, e falta aí muita coisa, a pessoa também vive de afectos, de interacção. Ou o institucionalizamos e desenraizamos.”

23.6.15

Todas as semanas 16 idosos são vítimas de violência

in iOnline

Portugal tem uma taxa de crimes contra Idosos superior à UE Todas as semanas 16 idosos são vítimas de violência
Agressões contra os mais velhos cresce desde o ano 2000.

Todas as semanas, em média, 16 Idosos são vitimas de violência em Portugal cometida sobretudo por familiares. Os números fr,ram ontem revelados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) para assinalar o Dia Internacional de Sensibilização sobre a Prevenção da Violénda Contra as Pessoas Idosas. As estatísticas da associação mostram ainda que este fenómeno n aumentado consecutivamente. desde o ano 2000.
Os casos de violência contra idosos que chegam à associação cresceram de 774 em 2013 para 852 no ano passado, mas a APAV tem a noção que estes dados podem não espelhar a realidade. “Tivemos, em 2014, um aumento de cei de 10% em relação ao ano anterior. A média de pessoas idosas vítimas de crime e violência que recorreram aos nossos serviços é de 16 por sananae de 2,3 pordia, contou à Lusa Maria dc Oliveira, técnica da associação.

Para apurar esta realidade, a APAV colaborou num estudo realizado entre 2011 e 2014 que demonstra que há uma prevalência de pessoas idosas vítimas de crime multo elevada em Portugal em comparação aos outros poises eumpeu um em cada mil pceses com 60 ou mais anos podem ser alvo de algum tipo dc violência por parte de familiares, amigo, vizinho ou profissional
remunerado, quando a média nos outros países da União Europeia é de 21 a 22 em cada mil pessoas. Os idosos são vítimas de vários tipos de crime, desde burlas até violência doméstica, e tudo Isto acarreta a necessidade de sensibilizar os jovens para esta temática, cada vez mais cedo”, alertou.

Já os Idosos vivem multas vezes este crime em silêncio porque “têm medo dc represálias”, receio de que “ninguém vá acreditar neles”, das consequências legais e ainda de pensarem que são “um estorvo”, explica Maria de 011- veira. Há ainda situações em que os idosos têm possibilidades financeiras, uma boa residência, mas dependem emocionalmente” do prestador de cuidados que muitas vezes é um familiar, conclui a técnica da APAV.

27.3.15

Violência contra idosos e crianças aumentou em 2014

in SÁBADO/Lusa

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou 852 casos de violência contra idosos em 2014, mais 10,1% face ao ano anterior, e 992 situações de agressões a crianças e jovens.

Em média, todas as semanas, 16 idosos e 19 crianças são vítimas de crime em Portugal, segundo o relatório anual da APAV 2014, a que a agência Lusa teve acesso.

Comparativamente com os dados de 2013, a APAV registou um aumento de casos de violência contra as pessoas idosas, passando de 774 situações em 2013 para 852 no ano passado, um aumento de 10,1%,

Também registou um aumento de casos nas crianças e jovens, que subiram de 974 para 992, o que representou um aumento de dois por cento.

"Entre mulheres e homens, no seu conjunto, o aumento percentual foi o mais significativo com 12,4% (de 6.985, em 2013, para 7.848 em 2014), sublinha a APAV no relatório.

De acordo com os dados, todas as semanas, em média, 130 mulheres e 21 homens recorrem aos serviços da associação.

No cômputo geral, a APAV registou, em 2014, 12.379 processos de apoio com atendimentos, a maioria de violência doméstica.

Em termos comparativos, de 2013 para 2014 existe um aumento do número de processos com atendimentos (quase 5%) e do número de crimes (4,4%).

A APAV acompanhou 8.889 vítimas directas que foram alvo de 21.541 crimes e ou de outros atos violentos.

Dos 12.379 processos, 91,9% tiveram o seu primeiro atendimento em 2014, existindo 8% de casos que transitaram de anos anteriores devido à complexidade das situações apresentadas.

Do total dos crimes registados pela APAV, "claramente que os crimes contra as pessoas, particularmente no que diz respeito à violência doméstica (maus tratos físicos e psíquicos) sobressaem face aos restantes com 78,4% do total de crimes".

Dos utentes que reportaram crimes à APAV, em 2014, 82,3% eram mulheres com idades entre os 25 e os 54 anos (37,1%). Relativamente à escolaridade, os níveis de ensino superior (7,6%) e o nível de ensino básico do 3º ciclo (4,8%) destacaram-se face aos restantes.

Já no que diz respeito à principal actividade económica, 29,6% dos utentes encontravam-se empregados e 19,4% desempregados.

As vítimas de crime que usufruíram dos serviços da APAV eram maioritariamente casadas (32,8%) ou solteiras (22,7%) e pertenciam sobretudo, a um tipo de família nuclear com filhos em 39,4% dos casos.

As grandes zonas urbanas concentram o maior número de vítimas que recorrem aos serviços da APAV, sendo a maioria destas, como em anos anteriores de nacionalidade europeia (91,2%).

Em mais de 70% dos casos assinalados a vitimação ocorrida foi de tipo continuado. A duração deste tipo de vitimação continuada acontece, sobretudo, num espaço temporal entre os dois e os seis anos (19%).

Segundo a APAV, o principal local do crime assinalado foi a residência comum (entre vítima e autor do crime) com 52,6% das sinalizações.

A associação registou 9.152 autores de crime em 2014, mais de 80% eram homens, com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (30%), 35,6% eram casados e em 31,7% dos casos tinham uma actividade profissional regular.

26.3.15

Violência contra idosos e crianças aumentou em 2014, alerta a APAV

in SicNotícias

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou 852 casos de violência contra idosos em 2014, mais 10,1% face ao ano anterior, e 992 situações de agressões a crianças e jovens.

Em média, todas as semanas, 16 idosos e 19 crianças são vítimas de crime em Portugal, segundo o relatório anual da APAV 2014, a que a agência Lusa teve acesso.

Comparativamente com os dados de 2013, a APAV registou um aumento de casos de violência contra as pessoas idosas, passando de 774 situações em 2013 para 852 no ano passado, um aumento de 10,1%,

Também registou um aumento de casos nas crianças e jovens, que subiram de 974 para 992, o que representou um aumento de dois por cento.

"Entre mulheres e homens, no seu conjunto, o aumento percentual foi o mais significativo com 12,4% (de 6.985, em 2013, para 7.848 em 2014), sublinha a APAV no relatório.

De acordo com os dados, todas as semanas, em média, 130 mulheres e 21 homens recorrem aos serviços da associação.

No cômputo geral, a APAV registou, em 2014, 12.379 processos de apoio com atendimentos, a maioria de violência doméstica.

Em termos comparativos, de 2013 para 2014 existe um aumento do número de processos com atendimentos (quase 5%) e do número de crimes (4,4%).

A APAV acompanhou 8.889 vítimas diretas que foram alvo de 21.541 crimes e ou de outros atos violentos.

Dos 12.379 processos, 91,9% tiveram o seu primeiro atendimento em 2014, existindo 8% de casos que transitaram de anos anteriores devido à complexidade das situações apresentadas.

Do total dos crimes registados pela APAV, "claramente que os crimes contra as pessoas, particularmente no que diz respeito à violência doméstica (maus tratos físicos e psíquicos) sobressaem face aos restantes com 78,4% do total de crimes".

Dos utentes que reportaram crimes à APAV, em 2014, 82,3% eram mulheres com idades entre os 25 e os 54 anos (37,1%). Relativamente à escolaridade, os níveis de ensino superior (7,6%) e o nível de ensino básico do 3º ciclo (4,8%) destacaram-se face aos restantes.

Já no que diz respeito à principal atividade económica, 29,6% dos utentes encontravam-se empregados e 19,4% desempregados.

As vítimas de crime que usufruíram dos serviços da APAV eram maioritariamente casadas (32,8%) ou solteiras (22,7%) e pertenciam sobretudo, a um tipo de família nuclear com filhos em 39,4% dos casos.

As grandes zonas urbanas concentram o maior número de vítimas que recorrem aos serviços da APAV, sendo a maioria destas, como em anos anteriores de nacionalidade europeia (91,2%).

Em mais de 70% dos casos assinalados a vitimação ocorrida foi de tipo continuado. A duração deste tipo de vitimação continuada acontece, sobretudo, num espaço temporal entre os dois e os seis anos (19%).

Segundo a APAV, o principal local do crime assinalado foi a residência comum (entre vítima e autor do crime) com 52,6% das sinalizações.

A associação registou 9.152 autores de crime em 2014, mais de 80% eram homens, com idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (30%), 35,6% eram casados e em 31,7% dos casos tinham uma atividade profissional regular.



21.2.13

Pelo menos dois idosos por dia são vítimas de violência em Portugal

in Jornal de Notícias

Pelo menos dois idosos por dia são vítimas de crime, muitos deles agredidos pelos filhos, segundo o relatório anual da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, que no ano passado registou 20311 crimes.

As estatísticas da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), divulgadas esta quarta-feira, referem que 809 idosos foram vítimas de crime, representando 9% do total das vítimas diretas registadas pela associação em 2012 (8945).

Em 39% das situações reportadas à APAV, "a relação entre autor do crime e a vítima era a de pai/mãe", enquanto em 26,9% dos casos era de marido e mulher e em 3,1% das situações eram netos.

A maioria das vítimas (80,6%) é mulher, 32,9% tinham entre os 65 e os 70 anos e 27% entre os 75 e os 80 anos.

Mais de um terço (34,4%) das vítimas tinham uma família nuclear com filhos e quase 18% viviam sós, refere o documento publicado no "site" da associação.

Os dados indicam também que 7% das vítimas não tinham escolaridade, 3,7% tinham o primeiro ciclo do ensino básico e o mesmo número o ensino superior.

A maioria (78%) estava reformada, tendo como principal meio de vida os rendimentos da sua pensão (71,7%). Quase 10% por cento das vítimas residia no distrito de Lisboa, 3,7% no distrito do Porto e 2,5% nos Açores.

Por oposição à vítima, a maioria dos agressores (67%) são homens e 39% casados. Quase 18% tinham mais de 65 anos de idade e 7,8% entre os 45 e os 50 anos.

Relativamente à escolaridade, 8,1% dos autores do crime apenas sabiam ler e escrever. Quanto à atividade económica, 21,4% estavam empregados, 20,7% reformados e 18,4% desempregados.

Perto de 17% eram dependentes do álcool e 8,1% não tinham antecedentes criminais.

De acordo com a tendência que se tem verificado em anos anteriores, a residência comum do agressor e da vítima foi onde ocorreu a maioria das situações (54,4%), seguindo a casa do idoso (24,9%).

As situações de vitimação apresentadas à APAV eram, na sua maioria, de caráter continuado (68,9%), com duração entre os dois e os seis anos (7,8%).

"No total de crimes assinalados, os registos encontrados sobre o recurso a armas durante a prática dos crimes não foram muito significativos" refere a APAV.

Apenas em 23% dos casos foram apresentadas queixas às autoridades. Destas, 47,1% foram feitas à PSP e 24,6% à GNR, encontrando-se 40,6% dos processos em fase de inquérito.

A APAV presta quatro tipos de apoio: genérico/prático, jurídico, psicológico e social.

Como tem acontecido em anos anteriores, o apoio jurídico foi o mais utilizado em 2012 (45,1%), seguindo-se o psicológico 32,9%, o genérico 15,4% e o apoio social 6,6%.

Os casos são encaminhados para a associação pelas entidades policiais (27%), pelos Gabinetes de Apoio à Vítima (18%) e Segurança Social (15%).

Em cerca de 60% dos casos, é a vítima que estabelece o contacto, seguindo-se os familiares, em cerca de 18 das situações. A rede de amigos (9,7%) e as instituições (6%) demonstram também alguma relevância nestas situações.

As principais fontes de referenciação dos utentes para a APAV em 2012 foram a publicidade (10,2%), a PSP (5,8%), os amigos/conhecidos (6,3%), familiares (4%), a comunicação social (2,7%) e os estabelecimentos de saúde.

30.12.12

APAV apela à denúncia de casos de violência sobre idosos

Graça Barbosa Ribeiro, in Público on-line

Associação Portuguesa de Apoio à Vítima diz que há idosos internados em lares contra a sua vontade.

A direcção da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) concluiu, com base num estudo de opinião realizado em Novembro, que as pessoas estão sensibilizadas para os crimes cometidos contra os idosos, mas não os denunciam junto das autoridades ou de instituições de apoio, uma situação que a APAV quer ver alterada.

“Tal como aconteceu no caso dos maus-tratos a crianças e à violência sobre as mulheres, cada um terá de assumir o seu papel na protecção dos mais velhos, denunciando os casos em que estes são vítimas”, diz Maria Oliveira, assessora técnica da associação.

Os resultados do Barómetro APAV/Intercampus sobre a percepção da criminalidade e insegurança, que são apresentados nesta quarta-feira em Lisboa, indicam que dos 373 inquiridos que declararam ter conhecimento de violência ou crime exercidos contra pessoas idosas, apenas cerca de 6,7% disseram ter denunciado a situação.

No total foram ouvidas 804 pessoas acerca de vários tipos de violência sobre idosos. Destes, 10,4% afirmaram ter conhecimento de pelo menos um caso em que um idoso foi alvo de insultos, ameaças ou agressões no interior da sua própria residência; 24 % disseram conhecer situações de burla ou extorsão; 1,7% declararam saber de pessoas sujeitas a uma intervenção ou tratamento médico sem consentimento; e 12% que conheciam casos de internamento de idosos em instituições contra a sua vontade.

No inquérito, e ainda no mesmo capítulo, estavam questões sobre casos de assalto ou agressão de idosos e situações de furtos ou danos em veículos de que aqueles fossem proprietários. Reponderam ter conhecimento deles 29,7% e 11% dos inquiridos, respectivamente.

Maria Oliveira frisa que os telefonemas feitos para a linha de apoio da APAV (707 20 00 77) são gratuitos e confidenciais.

13.6.12

Violência contra idosos aumentou 158% em 11 anos

in Diário de Notícias

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e a Direção-Geral da Saúde lançam na sexta-feira uma campanha de sensibilização para prevenir e combater a violência contra idosos, um crime que aumentou 158 por cento entre 2000 e 2011.

A campanha é lançada no dia em que se assinala o 7.º Dia Internacional de Sensibilização sobre a Prevenção da Violência Contra as Pessoas Idosas, que visa "alertar a sociedade para a necessidade de prevenir e combater este fenómeno", refere a APAV.

Esta iniciativa faz parte do projeto Títono - Apoio a Pessoas Idosas Vítimas de Crime e de Violência, financiado pela DGS e desenvolvido pela APAV que tem vindo a alertar a sociedade para a "realidade ainda obscura" da violência contra os idosos.

Com o aumento da esperança de vida prevê-se que o número de pessoas com mais de 60 anos duplique até 2025, atingindo os 1,2 milhões. A Organização Mundial da Saúde receia que este aumento, associado a uma certa quebra de laços entre as gerações e o enfraquecimento dos sistemas de proteção social venha a agravar as situações de violência.

Em declarações à Lusa, Maria de Oliveira, técnica da APAV, afirmou que este crime representa "uma situação grave, não só socialmente, como também é um problema de saúde pública".

"Mais tarde ou mais cedo, as pessoas recorrem a unidade de saúde porque têm algum problema de saúde ou porque sofreram alguma forma de violência física", comentou.

"Mas nós sabemos que os nossos dados são só a pontinha do iceberg", comentou, alertando para um possível aumento destes casos: "O país encontra-se numa situação financeira difícil e temos famílias nucleares a regressarem a casa dos pais e isto pode potenciar situações de tensão e de conflitos".

"Muitas vezes até são os idosos que sustentam o agregado familiar com a sua reforma", observou.

Por outro lado, há cada vez mais casos de idosos a tomarem conta de outros idosos, uma situação que "acarreta uma grande carga emocional e que pode potenciar a ocorrência destas situações".

Também há relatos de furtos, de burlas e 'homejacking', em que as pessoas estão em casa e são brutalmente agredidas. "É uma realidade que vai desde a violência doméstica a todos os outros crimes de que os idosos são alvos na rua, em casa, em estabelecimentos, instituições", frisou.

Maria de Oliveira adiantou que o número de processos de apoio a idosos vítimas de violência subiu de cerca de 200 em 2000 para 749 em 2011, um aumento de 158%.

"Estes dados referem-se a pessoas com 65 ou mais anos. Se alargámos estes números às pessoas com 50 anos ou mais anos teremos cerca de 950 processos de apoio", elucidou.

Apesar das pessoas estarem mais sensibilizadas para este tipo de crime, "ainda há um longo caminho a percorrer".

"Muitas vezes as pessoas pensam que determinados comportamentos são normais e não assumem que estão a ser vítima de certo tipo de violência". Por outro lado, também têm vergonha se assumir que caíram numa armadilha, no caso das burlas, e "ficam com a autoestima em baixo".

A APAV está a desenvolver cursos de formação para profissionais e forças de segurança sobre os idosos vítimas de crime e a desenvolver ações de sensibilização em meio escolar.

Dados da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa referentes ao Distrito Judicial de Lisboa referem que, entre 01 de janeiro e 30 de março deste ano, foram reportados 27 casos de violência contra idosos.

Nas comarcas de Almada e Lisboa foram registados cinco casos em cada um,em Loures quatro casos, no Barreiro três e no Funchal dois.

Em 2011, foram assinalados 127 casos, a maioria em Ponta Delgada (54), seguindo-se Almada (17), Vila Franca de Xira (19), Torres Vedras (10), Funchal (9), Barreiro (8), Lisboa (5) e Loures (4).