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17.2.21

Violência no namoro de jovens motivou mais de 2000 queixas à PSP em 2020

in Público on-line

Cerca de 85% dos relatos de violência no namoro apresentados à PSP em 2020 envolvem violência psicológica.

A PSP recebeu mais de 2000 queixas no ano passado sobre violência no namoro, a maioria denúncias de ex-namorados, o que representou uma diminuição de 5% face às queixas recebidas em 2019, divulgou aquela força policial.

Em 2020 foram registadas 2006 denúncias pela PSP, das quais 1116 relativas a violência no namoro entre ex-namorados e 890 a relações de namoro ainda em curso, “transversais a todas as faixas etárias”, anunciou neste domingo, Dia dos Namorados, a PSP em comunicado, ressalvando que os dados não são ainda definitivos pois estão “em consolidação”.

Face aos números, a PSP diz constatar ter havido um decréscimo de cerca de 5% das denúncias, em comparação com o ano de 2019, anos em que registaram 2100 denúncias.

“Estamos em crer que para este decréscimo contribui também o trabalho de proactividade da PSP, nomeadamente através das acções de sensibilização junto da comunidade escolar”, afirma no documento, concluindo que, apesar da diminuição no número de acções no último ano lectivo, devido à pandemia e ao ensino online, “a PSP conseguiu passar a mensagem” sobre esta problemática.

A intervenção precoce, explica a PSP, é um dos princípios de actuação consagrado na legislação de menores em Portugal, reconhecendo os efeitos negativos na formação da personalidade das crianças quando expostas à violência em ambiente familiar.

“A replicação desse comportamento em qualquer vínculo afectivo e, em concreto, nas relações de namoro, são um indício da necessidade de intervenção especializada”, afirma, lembrando que a violência não é tolerável, nem desculpável, mas “quem agride precisa de ser ajudado”.
67%dos jovens consideram legítima a violência no namoro, dos quais 26% acham legítimo o controlo, 23% a perseguição, 19% a violência sexual

A violência nas relações de namoro pode ser física, psicológica ou emocional, social, sexual e económica, e injuriar, ameaçar, ofender, agredir, humilhar, perseguir ou devassar a intimidade são formas dessa violência.

“Cerca de 85% dos relatos de violência no namoro apresentados à PSP em 2020 envolvem violência psicológica”, adianta, concluindo que a violência física está presente em 70% das denúncias e que, aproximadamente 50% desses casos, ocorrem no interior das residências, e apenas 27% na via pública.

Durante o ano lectivo de 2019/2020, no âmbito do Programa Escola Segura, a PSP diz ter feito 1346 acções de sensibilização sobre o tema, envolvendo 28.573 alunos a nível nacional.

“Este trabalho de proactividade junto da comunidade escolar contribuiu para que, anualmente, 40% das denúncias de violência no namoro cheguem à PSP através do Programa Escola Segura”, diz ainda, apelando à denúncia da violência, seja ou não no no namoro.

Um estudo da UMAR — União de Mulheres Alternativa e Resposta a quase cinco mil jovens, apresentado na sexta-feira, conclui que quase sete em cada dez jovens, inquiridos, acha legítimo o controlo ou a perseguição na relação de namoro e quase 60% admitiu já ter sido vítima de comportamentos violentos.

Os dados do estudo, de 2020, concluem que 67% dos jovens consideram legítima a violência no namoro, dos quais 26% acham legítimo o controlo, 23% a perseguição, 19% a violência sexual, 15% a violência psicológica, 14% a violência através das redes sociais e 5% a violência física.

Entre estes quase cinco mil jovens, cuja média de idades é de 15 anos, 25% acham aceitável insultar durante uma discussão, outros 35% consideram aceitável entrar nas redes sociais sem autorização, 29% que se pode pressionar para beijar e 6% entendem mesmo que podem empurrar/esbofetear sem deixar marcas.

No que diz respeito às diferenças por género, é sempre por parte dos rapazes que a legitimação é maior, com destaque para o comportamento “pressionar para ter relações sexuais”, em que a legitimação entre os rapazes (16%) é quatro vezes superior à das raparigas (4%).

19.2.20

Divulgados dados do Estudo Nacional sobre a Violência no Namoro 2020

in CIG

No âmbito do Projeto nacional ART’THEMIS+ Jovens Protagonistas na Prevenção e na Igualdade de Género da UMAR, foi apresentado o Estudo Nacional sobre Violência no Namoro 2020.

Nesta conferência de imprensa, que contou com a presença da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, foram divulgados dados sobre a vitimação e as conceções dos/as jovens sobre a violência no namoro.

Os dados mostram que 58% de jovens que namoram ou já namoraram reportam já ter sofrido pelo menos uma forma de violência por parte de atual ou ex-companheiro/a; e 67% de jovens consideram como natural algum dos comportamentos de violência. O estudo aponta para a elevada prevalência e legitimação de formas específicas de violência como a violência psicológica, aquela exercida através das redes sociais ou as atitudes de controlo (sobre vestuário e hábitos de convívio, entre outros).

Neste Estudo, realizado anualmente desde 2017, participam jovens do 7º ano ao 12º ano de escolaridade, do ensino regular ou profissional e de várias escolas distribuídas a nível nacional. O Projeto de prevenção primária da violência de género tem sido implementado em contexto escolar, de forma sistemática e continuada, com crianças e jovens do Jardim-de-Infância ao Ensino Secundário nos distritos de Porto, Braga, Coimbra, Lisboa e Região Autónoma da Madeira.
Consulte o Estudo aqui.

20.2.18

Elza Pais: "Os jovens não podem confundir violência com amor"

por Carla Bernardino, in Delas

A intenção é revelada por Elza Pais, deputada socialista e presidente da subcomissão parlamentar para a Igualdade e Não Discriminação, ao Delas.pt. A deputada quer que haja "tolerância zero" para a violência no namoro e revela que o partido quer saber detalhes da implementação do "projeto-piloto da Educação para a Cidadania que está a ter lugar nos 230 agrupamentos de escolas (que adotaram horários e currículos flexíveis)".

"Vamos tentar saber como está a monitorização desse trabalho", completa Elza Pais, antecipando o encontro com a ministra da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, no âmbito da Comissão Parlamentar marcada para terça-feira, 20 de fevereiro.

"A melhor maneira de combater a violência doméstica e é preveni-la em idade precoce. Os jovens precisam de ver os seus valores alterados, têm de ser eliminados e não podem confundir violência com amor. Se o fazem agora, temos mesmo de ter tolerância zero", pede a deputada socialista, que acrescenta: "É preciso ver como está a funcionar a aplicação da lei, perceber que as magistraturas têm sensibilidade e formação para trabalhar esta matéria."

Afinal, considera a responsável política, "esta é a batalha das mentalidades, que demoram muito tempo a mudar e, no que diz respeito à violência doméstica e de género - o tráfico de seres humanos, o assédio, a mutilação genital feminina -, é uma luta que se ganha pela educação para a cidadania".

15.2.18

Uma em cada dez vítimas de violência no namoro sofreu ameaças de morte

Aline Flor, in Público on-line

Observatório recebeu 128 denúncias de vítimas e de testemunhas de violência no namoro em dez meses. Mais de metade dos casos reportam violência física, e apenas um número residual reconhece precisar de apoio especializado.

“Começou a esperar-me à porta de casa quando chegava do trabalho. Ele dizia que era para fazer uma surpresa, mas hoje sei que era só para me controlar.” No Dia dos Namorados é também altura de falar sobre a realidade menos romântica da violência nestas relações. Um estudo sobre violência no namoro em contexto universitário mostra que mais de metade dos inquiridos foi vítima de violência no namoro e 37% admitem já tê-la praticado. Dos mais de 1800 jovens universitários que responderam, um quinto das raparigas já foi controlada em aspectos que têm dever com a sua imagem física ou com os lugares que frequentam, e 8% já foram obrigadas a ter comportamentos sexuais não desejados.

Estes são alguns dos resultados do Estudo Nacional sobre a Violência no Namoro, que serão apresentados nesta quarta-feira, Dia dos Namorados, no seminário final da primeira edição do Programa UNi+ — Prevenção da Violência no Namoro em Contexto Universitário, promovido pela Associação Plano i e financiado pela Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade. A apresentação das conclusões contará com a presença da secretária de Estado Rosa Monteiro e da presidente da comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, Teresa Fragoso.

Para a investigadora Sofia Neves, presidente da Associação Plano i e coordenadora científica do Programa Uni+, estes dados “são muito preocupantes, e acima daquilo que têm vindo a ser as estatísticas dos estudos científicos desenvolvidos até ao momento”. “Estamos a falar de 56,5% destes e destas jovens que foram expostos a pelo menos uma forma de violência”, alerta a docente do Instituto Universitário da Maia (ISMAI).
“Ele agarrou num vidro, aproximou-o no meu pescoço e disse: só me apetece matar-te”, relatou uma das vítimas às técnicas do Uni+.

O estudo mostra ainda que os jovens — a média de idades dos inquiridos situou-se nos 23 anos — não compreendem a complexidade da violência nas relações de intimidade: 13,5% dos rapazes e 6,5% das raparigas entendem que “as mulheres que se mantêm nas relações violentas são masoquistas”, e um quarto dos rapazes considera que algumas situações de violência doméstica são provocadas pelas mulheres — apenas 12,6% das raparigas consideram o mesmo. “Há aqui um desconhecimento muito grande do que leva a que as vítimas permaneçam nas relações”, lamenta Sofia Neves.

A Associação Plano i é também responsável pelo Observatório da Violência no Namoro, que recebeu 128 denúncias — 77 vítimas e 51 testemunhas (colegas, amigos, psicólogos) — desde Abril do ano passado até Janeiro deste ano. O testemunho citado no início desta notícia foi dado por uma destas pessoas. Em 92% dos casos as vítimas são do sexo feminino, e em 94% das denúncias os agressores são do sexo masculino.

Mais de metade dos casos reportam violência física, um terço são de violência social, 27,3% de stalking e 17,2% de violência sexual. Em 10,9% das situações, as vítimas foram ameaçadas de morte por namorados ou ex-namorados. “Ele agarrou num vidro, aproximou-o no meu pescoço e disse: só me apetece matar-te”, relatou uma das vítimas às técnicas do Uni+.

Mas a forma mais frequente de violência no namoro é a violência psicológica — presente em 90,6% dos casos reportados ao Observatório. Isto acontece porque, explica Sofia Neves, quase todas as outras formas de violência costumam ser acompanhadas também pela violência psicológica.

A maioria das denúncias (60,9%) falam de agressões que ocorreram mais do que uma vez, e em um terço dos casos a violência é perpetrada frequentemente. O motivo mais citado pelas vítimas? Ciúmes, em dois terços das situações, mas também problemas mentais dos agressores (35,1%) e consumo de álcool (29,6%).

Destas 128 denúncias, contudo, apenas sete foram feitas por vítimas actuais, ou seja, pessoas que ainda sofriam violência no namoro no momento do contacto. E nem todas estavam dispostas a ser acompanhadas ou a apresentar queixa. O Programa Uni+ abrange também um gabinete de apoio, que acompanhou apenas oito pessoas durante os últimos meses de funcionamento no ISMAI e na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Os números, no entanto, não espantam Sofia Neves: “Há uma resistência muito grande em pedir ajuda, o que faz com que elas lidem sozinhas com a sua própria situação.” Por um lado, existe um receio de uma escalada de violência. Por outro lado, relembra a investigadora, outros estudos apontam uma descrença no sistema e na sua eficácia. Nos casos reportados ao Observatório, em 11,7% foi apresentada queixa às autoridades e em apenas 5,5% das situações foi aplicada uma medida ao agressor.

Mas há também dificuldades em reconhecer que se é vítima. “Tem de ver com uma certa relativização de alguns comportamentos que, sendo violentos, não são assim considerados.” No caso da violência física, por exemplo, Sofia Neves aponta que “uma bofetada, um empurrão, um puxão de cabelos nem sempre são vistos pelas vítimas como comportamentos de violência.” Mesmo no contexto de intimidade, usar da agressividade física durante o acto sexual nem sempre é considerado uma forma de violência.

Há um gabinete no Porto a ajudar universitários vítimas de violência no namoro
E como se mostra aos jovens como identificar a violência e rejeitar formas pouco saudáveis de estar numa relação? “Aumentar a consciencialização passa forçosamente pela educação, e pela educação o mais precoce possível”, sublinha Sofia Neves. “Se nos situarmos nesta fase, estaremos a prevenir que depois, no ensino universitário, estes discursos estejam tão cristalizados.”

14.2.18

Um em cada dez estudantes universitários é agredido pelo namorado(a)

in Antena 1

O observatório da violência no namoro em contexto universitário recebeu mais de 120 denúncias, em menos de um ano. É uma realidade nada romântica, na véspera do Dia de São Valentim.

Mais de metade dos casos registados reportam violência física.

Com 10 por cento das vítimas a sofrerem ameaças de morte dos companheiros, como relata à Antena 1, Sofia Neves, investigadora do Instituto Universitário da Maia.

30.3.17

Aberto concurso de curtas metragens sobre a violência no namoro (Vídeo)

Luciano Barcelos, in Jornal da Tarde RTP Açores

Sociedade"LOVEmeLOVEmeNOT" é o tema escolhido para o concurso de curtas metragens com vista a sensibilizar os jovens para esta problemática.

A Secretaria Regional da Solidariedade Social acaba de abrir um concurso de curtas metragens, organizado pela Associação Cultural Burra de Milho, sobre a "Prevenção da Violencia no Namoro".

As escolas serão os parceiros principais para sensibilizar os alunos para esta problemática que tem vindo ter uma expressão cada vez maior no nosso país.

Um estudo realizado pela Associação União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), revelou que só no ano passado 16% dos jovens considera normal forçar o companheiro ou companheira a ter relações sexuais e que cerca de 22% não reconhece que está a ser vítima de violência no namoro

O concurso de curtas metragens ''LOVEmeLOVEmeNOT'' é destinado a jovens entre os 14 e os 21 anos e as inscrições estão abertas até 30 de setembro.

16.2.17

A violência no namoro ​é normal. Um em cada quatro jovens acha isto

in RR

Controlo? Qual controlo? Violência? Qual violência? Estudo da UMAR revela dados que mostram uma “naturalização” da violência no namoro.

Um em cada quatro jovens legitima a violência no namoro, considerando normais ou aceitáveis actos de violência física, psicológica e sexual, entre outros tipos, indica um estudo nacional apresentado esta terça-feira pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).

O estudo – que tem como amostra 5.500 jovens com uma média de idades de 15 anos provenientes de todo o território nacional – revela também dados sobre vitimização. Cerca de um quinto dos inquiridos (19%), com maior incidência nas raparigas, disseram que tinham sido vítimas de algum comportamento de violência psicológica.

Em conferência de imprensa, a presidente da UMAR, Maria José Magalhães, vincou a importância da realização de estudos e de campanhas sobre violência no namoro. "Sabendo o que elas e eles pensam, podemos trabalhar a legitimação que é um indicador de uma eventual violência doméstica no futuro", disse.

O estudo desenvolvido pela UMAR inclui também, e pela primeira vez, análises sobre violência através das redes sociais e sobre actos de perseguição.

O estudo revela que 28% dos inquiridos não reconhece como violência situações de controlo como proibir de sair sem o companheiro ou de falar e estar com um amigo, bem como obrigar a trocar determinada peça de roupa.

No que se refere à violência sexual, 24% legitimam este tipo de violência e 13% consideram normal a pressão para ter relações sexuais, sendo a maioria rapazes (22%) face às raparigas (5%).

Quanto à vitimização, 19% dos inquiridos admitiram terem sido vítimas de violência psicológica, 15% de perseguição, 11% de violência via redes sociais, 10% de controlo e 6% de violência sexual.

Focando-se na violência através das redes sociais, o estudo revela que há uma maior prevalência de rapazes a afirmar sofrer estas formas de violência (12%), ainda que também as raparigas (11%) digam ser vítimas.

Sobre o insulto e humilhação “online”, 11% dos inquiridos, sem grandes diferenças entre rapazes e raparigas, dizem ter sido vítimas.
"Estes comportamentos de abuso 'online' são inquietantes" na medida em que cruzam aspectos de actos de insulto que se tornam públicos e podem tornar-se virais e ter persistência no tempo, tendo um "potencial de dano muito alto e indicam um uso das redes sociais como canais de abuso e opressão", refere o relatório.

“Naturalização da violência”
A UMAR também apresentou uma comparação com os números do ano passado - mas frisando sempre que a amostra de 2017 abrange inquiridos de um território mais alargado, uma vez que inclui Portugal Continental e ilhas – registando-se um aumento de 10 pontos percentuais na vitimização psicológica (de 9% em 2016 para 19% este ano) e de três pontos percentuais no controlo (de 7% para 10%).

Em jeito de análise aos dados, Maria José Magalhães, lamentou que "a naturalização da violência esteja presente na sociedade em geral" e lançou alertas aos pais, educadores, docentes e instituições.

"A sociedade adulta é responsável pelas mensagens que são passadas à geração seguinte", disse a presidente da UMAR.

A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, frisou, por sua vez, que "há uma cultura de violência que tem de ser combatida", sendo a "grande aposta a prevenção e a consciencialização".

Insultar a namorada é violência? Não, respondem 30% dos rapazes

in Público on-line

Proibir uma namorada de sair sozinha é violência? E impedir o outro de estar com um amigo de que não se gosta? E vetar uma determinada peça de roupa que o parceiro quer usar, pode ser considerado um comportamento violento? Não, não e não, responderam 32%, 31% e 41% dos 5500 jovens inquiridos num estudo sobre violência no namoro, divulgado nesta terça-feira pela organização não-governamental UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta.

Com uma média etária de 15 anos, os jovens inquiridos neste estudo deixaram claro, para a secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, que "há uma cultura de violência na sociedade que tem de ser combatida".

Porque "ninguém acorda um dia transformado em agressor ou vítima", a secretária de Estado insistiu na ideia de que a chave está na prevenção. "Só assim conseguiremos mais tarde não ter números tão assustadores em termos de homicídios conjugais e não andarmos sempre a correr atrás do prejuízo em termos de violência doméstica", enunciou.

As elevadas percentagens de jovens que encaixam como "normais" comportamentos violentos entre namorados são, ainda na óptica de Catarina Marcelino, "assustadoras". Na pormenorização dos dados sobre a legitimação da violência, conclui-se que 14% dos jovens não reconhecem como actos de violência num contexto de namoro várias atitudes que são na verdade violência psicológica (o insulto numa discussão, a ameaça, a humilhação, o rebaixar do outro). O acto mais legitimado é mesmo o insulto, com 30% dos rapazes inquiridos a classificarem este comportamento como normal, contra 18% das raparigas que consideraram o mesmo. Já as ameaças são legitimadas por 12% dos rapazes e apenas 6% das raparigas.

Igualmente preocupante é que o controlo do outro numa relação também é tido como manifestação de amor numa relação entre dois jovens, na opinião de 28% dos inquiridos (2558 rapazes e 2965 raparigas). Dentro desta categoria, 32% dos inquiridos classificaram como normal que um rapaz ou uma rapariga proíbam o namorado ou namorada de sair sem eles. Quanto à proibição do outro vestir determinada peça de roupa, 41% sustentaram que tal não configura um comportamento violento.

Pornografia de vingança

Combate à violência de género e estereótipos vai chegar às salas de aula

A violência nas redes sociais foi pela primeira vez estudada neste inquérito da UMAR e as conclusões também não são muito animadoras. É que 24% dos jovens não consideram as situações e controlo e abuso nas redes sociais como violência. Exemplos? Partilhar mensagens ou fotos do namorado sem o respectivo consentimento é tido como normal por 15% dos inquiridos. Isto mostra, por si só, "uma grande vulnerabilidade à violência no namoro online e a uma possível exposição a comportamentos de pornografia de vingança", alertam as autoras do estudo, depois de terem sublinhado que a informação colocada nas redes é "persistente" e pode ser replicada sem qualquer tipo de controlo.

Nas diferenças entre os géneros, o estudo especifica que os rapazes são mais propensos a considerar que partilhar conteúdos íntimos sem autorização não constitui violência: 20% dos rapazes responderam assim, contra apenas 10% das raparigas. Do mesmo modo, o insulto verbal online não é percepcionado como violência para 16% dos jovens.

Quanto à violência sexual nas relações de namoro, o retrato tra a-se em poucas linhas: 36% dos jovens consideram legítima a pressão para beijar à frente dos amigos (47% dos que o defendem são rapazes e 27% raparigas) e 13% vão ainda mais longe ao apontar como legitima a pressão sobre o outro para ter relações sexuais.

Por outro lado, a perseguição, durante ou logo após o namoro, também é tida como demonstração de amor, sobretudo entre os rapazes (33%). Já esbofetear e empurrar o outro sem deixar marca é normal para uma imensa minoria dos inquiridos: 9% dos rapazes e 4% das raparigas não reconhecem tais comportamentos como actos de violência.

Nas perguntas sobre vitimação, cuja amostra se reduziu para os 3471 inquiridos (ou seja, aqueles que estavam ou já tinham estado numa relação de namoro), 19% responderam que já tinham vivenciado situações de violência psicológica, 15% tinham sido alvo de perseguição e 11% disseram-se vítimas de violência nas redes sociais. Este último é um número "alarmante" para as autoras do estudo. Que sublinha ainda um dado curioso: há mais rapazes a dizerem-se vítimas deste tipo de violência (12%) do que raparigas (11%). Quanto à proibição de estar ou de falar com alguém, 24% das raparigas afirmaram já terem sido controladas a esse nível.

As percentagens dos jovens que se disseram vítimas de algum tipo de violência aumentaram comparativamente com o ano anterior, no que aos diferentes tipos de violência diz respeito. Mas não é certo que a violência entre os jovens tenha aumentado. A amostra foi maior e, por outro lado, pode ter-se apurado entre os jovens a percepção do que é violento numa relação a dois.





14.2.17

Violência sem classe

Paula Ferreira, in Jornal de Notícias

Uma vida marcada na primeira chantagem, na primeira agressão. E que se repete, sempre. Até ao dia em que ela ou ele furam o bloqueio do silêncio imposto pelo medo, pela vergonha. Têm a coragem de se assumir como vítimas. Hoje celebra-se o Dia dos Namorados, tempos de corações vermelhos trespassados por setas de Cupido, dia de troca de rosas. Ou mensagens lamechas. E, enfim, do comércio faturar mais do que o normal.

O Dia de S. Valentim - o santo que desafiou Cláudio, o imperador adverso ao casamento dos jovens antes de entrar no seu exército - transformou-se, também, num dia de denúncia. Nunca é de mais lembrar: chantagem e posse são palavras interditas numa relação a dois. Mas a realidade amorosa, em certos casos, é dura, e os sinais surgem muito mais cedo do que seria expectável. Como o JN revela na edição de hoje, há crianças de 13 anos vítimas de violência no namoro. Os resultados de um inquérito desenvolvido pela UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) deixam a nu uma realidade preocupante. Por exemplo, 24 por cento dos jovens ouvidos consideram normal partilhar, nas redes sociais, fotos íntimas ou insultar. Normal, a posse; normal, o insulto. E uma percentagem menor - mas ainda muito mais jovens do que seria razoável - legitima a violência psicológica.

Um longo caminho foi, no entanto, feito. A perceção de que a violência existe é a grande conquista, embora jovens e também adultos considerem apenas como ato violento a agressão física. Nada mais perigoso. Estudos recentes, em que a UMAR e a Associação de Apoio à Vítima assumem papel fundamental na denúncia e na pedagogia, revelam algo escondido durante muitos anos. Na violência não existe classe social, e nem diminui à medida que as habilitações académicas aumentam. Não deixa de ser surpreendente alguém, formado e informado, independente e autónomo, permitir que o outro controle os seus passos, as suas amizades, o comprimento da saia ou a parte do corpo que fica a descoberto. Não deixa de ser surpreendente que alguém formado e informado, independente e autónomo, seja maltratado, hospitalizado, uma, duas, três vezes... perca a conta das agressões e continue a sofrer em silêncio. O Dia de S. Valentim é ridículo, soa a falso. Mas continuaremos a celebrá-lo para que as vítimas daqueles que lhes deveriam dar afeto possam acordar e inverter a velha máxima: o silêncio é de ouro. O silêncio é o inimigo, o principal aliado de quem agride e humilha. Assim, além de fomentar o negócio, o santo casamenteiro, nos novos tempos, desperta também as consciências.


Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade em Aveiro para apresentação do projeto UNLOVE

in Notícias de Aveiro on-line

A Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, participa, amanhã, na Universidade de Aveiro, na assinatura da Carta de Compromisso com Movimento Democrático de Mulheres (MDM).

Após a assinatura da Carta de Compromisso, segue-se a apresentação pública do Projeto "UNLOVE/UNPOP", pelas 11:30, O UNLOVE é um jogo de prevenção e sensibilização que permite experimentar e testemunhar diferentes situações de Violência no Namoro.

Pelas 12:00, A Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, irá participar na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto na apresentação do Estudo Nacional de Violência no Namoro, uma iniciativa da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).

Um em cada cinco jovens já foi vítima de violência psicológica no namoro

in publico.pt

A UMAR vai divulgar um novo estudo sobre violência no namoro em Portugal.

O Dia dos Namorados aproxima-se e nem tudo é um mar de rosas. Numa altura do ano em que a discussão sobre os perigos do envio de “nudes” se intensifica, a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) prepara-se para divulgar um estudo que alerta para a violência no namoro.

Na terça-feira, às 12h, a sala 119 da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto vai ser o palco de uma conferência de imprensa sobre os dados mais recentes de violência no namoro da UMAR.

O estudo nacional "apresenta dados preocupantes", segundo um comunicado da UMAR. Com uma amostra de 5500 jovens, a associação adianta que, aproximadamente, um em cada quatro jovens considera normal partilhar fotografias íntimas ou insultar o companheiro(a) através das redes sociais; e aproximadamente um em cada sete legitima a violência psicológica, sendo que 19% dos jovens que participaram admitiram já ter sido vítima deste último tipo de violência.

Enfatizar “a necessidade de um trabalho concertado no âmbito da prevenção” é um dos principais objectivos da conferência, que contará com a presença da secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino.

No final do ano passado, Catarina Marcelino ajudou a desenvolver uma campanha nacional de prevenção à violência no namoro, em parceria com as federações académicas. A origem da campanha foi precisamente um estudo da UMAR lançado nos primeiros meses de 2016, que, relativamente a uma amostra de 2500 jovens, indicava que um em cada seis jovens considerava normal forçar relações sexuais.

16.1.17

Queixas por violência no namoro voltam a aumentar

Ana Dias Cordeiro, in Público on-line

Queixas por violência no namoro aumentaram em 2014 após uma alteração ao Código Penal

A queixa de uma adolescente de 15 anos que terminou a relação com o namorado e este, por vingança, colocou na Internet filmes em que ela aparecia em poses explicitamente sexuais, foi uma das que chegaram à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) nos últimos anos. O caso foi de tal forma grave que Margarida (nome fictício) e a família saíram do sítio onde moravam e noutro local "começaram quase do zero", diz o psicólogo Daniel Cotrim, assessor técnico da direcção da APAV para a área da violência doméstica e de género.

"Este caso não é tão atípico como se possa pensar", afirma Cotrim. Este tipo de violência - que culmina em ofensas que atentam à dignidade da pessoa através da exposição de imagens ou vídeos nas redes sociais ou sites - é muito comum, reforça o especialista. E esta, em particular, é uma das situações que permanecem mais vívidas na memória deste responsável desde que em 2013 passou a haver monitorização da violência no namoro pelas polícias e a registar-se um aumento todos os anos das participações à PSP e à GNR.

Maioria das 49 queixas diárias de violência doméstica é feita por mulheres jovens

Entre 2015 e 2016, houve um aumento de 6% do número de queixas por violência no namoro feitas a estas duas polícias. No ano passado foram 1975 as participações recebidas pelas autoridades, mais 123 do que em 2015. Já em 2014, tinha chegado a 1691 o número global de queixas registado.

Alteração ao Código Penal

Porém, o salto maior acontecera em 2014, depois de em 2013 ter sido aprovada a alteração ao Código Penal que veio acrescentar ao artigo 152.º - relativo ao crime de violência doméstica - uma alínea específica da violência no namoro. Para estes anos, contudo, apenas a PSP - a polícia que recebe mais participações deste tipo face à área geográfica mais urbana que tutela no país - enviou dados que possibilitem uma análise. Assim, em 2014 as queixas por este crime, apresentadas à PSP, aumentaram em 48% relativamente a 2013, passando de 1049 para 1550 em 2014 (foram mais 501 participações).

Nas áreas da competência da GNR, os números são mais baixos, mas não deixam de demonstrar um aumento noutro período temporal: as ocorrências passaram de 141 em 2014 para 172 em 2015 e 188 em 2016.

Opinião: a face menos visível da violência de género na intimidade

As participações de jovens mais novos, como Margarida, representam uma minoria, mas mesmo assim houve dezenas de casos envolvendo adolescentes até aos 16 anos, de acordo com os dados disponibilizados pela PSP. Em 2013, houve 51 ocorrências com rapazes e raparigas até aos 16 anos. Um ano depois foram registadas 90 queixas e em 2015 foram 98. Já em 2016, 103 participações foram feitas por jovens até aos 16 anos.

As participações feitas nestas idades representam números residuais - três em 2013 e 2015 e dois em 2014 e 2016 - o que contrasta com os números de participações feitas por raparigas da mesma idade: 48 em 2013; 88 em 2014; 95 em 2015 e 101 em 2016.

Divulgou vídeos da namorada nua

A Margarida tinha um namorado, em quem confiava. Depois da escola, iam para casa dele, naquilo a que Daniel Cotrim chama de "uniões de facto do horário de expediente", ou seja, apenas até às 20h, quando os pais dele chegavam a casa.

"Até lá, e enquanto estava só com ele, os dois tinham relações sexuais e ela sofria maus tratos", relata Daniel Cotrim. À hora do jantar, Margarida ia para casa. "Chegava e os pais não a chateavam", realça Daniel Cotrim antes de dizer que essa é a opção de muitos pais que "nem sabem o que se passa com os filhos".

No tempo que restava do serão, a rapariga fechava-se no quarto e longe dos pais, ligava-se à Internet. Despia-se, insinuava-se, tinha comportamentos sexualizados e "ele gravava sem ela saber." Os maus tratos tornaram-se mais frequentes e Margarida pôs fim ao namoro.

"[Quando isso aconteceu] Ele tinha a noção clara de que ela não tinha contado a ninguém que namorava com ele. Decide então colocar as imagens dela nua no YouTube", lembra Daniel Cotrim.

Pena suspensa em mais de 90% dos casos

"Os vídeos publicados eram explícitos. A rapariga foi confrontada com isto na escola e o pai descobriu. Muitos sites de pornografia alimentam-se destes vídeos e referem-se a eles como sendo imagens [consentidas] de pessoas de mais de 18 anos. Não o são", continua o responsável da APAV.

Quando os vídeos foram divulgados e os pais tiveram conhecimento da situação, foi apresentada uma queixa.

Margarida recebeu acompanhamento psicológico e "a família mudou-se para outra zona do país", diz. Não houve qualquer medida punitiva para o agressor que, abaixo dos 16 anos, não seria responsabilizado criminalmente mas poderia ter de cumprir uma medida tutelar educativa. Mas neste caso, "como em quase todos", acrescenta Daniel Cotrim, a queixa não resultou em nada.

Em Portugal, continua a ser difícil definir "violência no namoro". "Uma pessoa pode ser adulta, ter mais de 40 anos, namorar e agredir. Esta ambiguidade no contexto jurídico ainda existe", sustenta o responsável da APAV.

E dá o exemplo da França onde esta ambiguidade foi resolvida classificando apenas de namoro os relacionamentos com mais de seis meses. Quando a relação tem menos de seis meses, a ocorrência é classificada como ofensa à integridade física.

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"Em Portugal, ainda é muito ambíguo. Há realmente um aumento dos casos de violência no namoro. Aparece de uma forma mais clara mas as condenações acabam por não acontecer a não ser quando há outros crimes como homicídio ou tentativa de homicídio", acrescenta Daniel Cotrim.

A violência no namoro é, em muitos casos, confundida na sociedade com bullying e assim "desvalorizada", realça Hugo Guinote, subintendente responsável pela Divisão de Prevenção Pública e Proximidade da PSP. Essa é também a leitura de Daniel Cotrim.

Muitas vezes, nos casos que acompanha, de raparigas ou rapazes que são vítimas, ouve dizer de uns e de outros: "Eu confio nela" ou "eu confio nele". E quando essa confiança abre espaço a que ela (ou ele) lhe dê acesso à sua conta do Facebook, sem esse gesto de confiança ser recíproco, está-se perante uma relação que pode vir a ser de violência no namoro porque "a violência não é mais do que controlo e poder sobre a outra". Como aconteceu com Margarida.








16.2.16

Crescem as queixas relacionadas com violência no namoro

in RR

PSP indica ainda que 85% dos casos estão relacionados com violência psicológica e emocional e 74% com violência física.

As queixas na PSP relacionadas com violência no namoro aumentaram quase 8% em 2015, ano em que esta força de segurança recebeu um total de 1.680 participações.

Numa resposta enviada à agência Lusa, a Polícia de Segurança Pública refere que recebeu 1.680 queixas por violência no namoro em 2015, mais 130 do que em 2014, quando chegaram a esta força de segurança 1.550 participações.

Das 1.680 queixas, 963 foram feitas por ex-namorados e 717 por namorados, adianta a PSP, sublinhando que a maioria das participações (76,9%) foi apresentada pelas próprias vítimas.

Cerca de 23% das queixas foram feitas por estudantes.

A PSP destaca que as queixas relacionados com a violência no namoro têm vindo a aumentar, tendo já registado uma subida de 32% em 2014 face a 2013.

Segundo a PSP, o aumento das participações deve-se à exposição do fenómeno, sendo expectável que esta subida se prolongue nos próximos anos, embora com tendência para diminuir gradualmente.

A PSP indica ainda que 85% dos casos estão relacionados com violência psicológica e emocional e 74% com violência física.

Um estudo sobre violência no namoro realizado junto de 2.500 jovens revela que quase um terço dos rapazes (32,5%) acha legítimo exercer violência sexual sobre a sua namorada e que 14,5% das raparigas não considera violência forçar um beijo ou relações sexuais.

Também 32,5% dos rapazes inquiridos diz não considerar forçar o beijo ou a relação sexual como uma forma de violência, indica a criminóloga Cátia Pontedeira, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), que divulgou no Porto o resultado do estudo sobre a prevalência e legitimação da violência no namoro.


20.10.15

Há mais queixas de violência física no namoro do que no casamento

Ana Henriques, in Público on-line

Ministério da Administração Interna divulga relatório anual sobre violência doméstica que estava pronto desde Agosto. Estatísticas mantêm-se semelhantes às dos anos anteriores.

As queixas apresentadas às autoridades em 2014 por violência física nas relações de namoro superam as das pessoas casadas. A informação consta do mais recente relatório de monitorização de violência doméstica do Ministério da Administração Interna, um documento que, apesar de estar pronto desde Agosto passado, só agora foi divulgado.

“Constata-se que a proporção mais elevada de casos em que foi assinalada violência física se registou nas situações de violência doméstica entre namorados”, pode ler-se no relatório. Trata-se de um conceito alargado de namoro, que engloba não apenas adolescentes mas também parceiros com mais idade: a média etária dos casos analisados situa-se nos 28 anos. O surgimento, nas estatísticas, da violência no namoro poderá ser, porém, apenas a revelação pública de um fenómeno que, segundo uma responsável da associação União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), Elisabete Brasil, sempre ocorreu: “A violência no namoro não é uma novidade. O que acontece é que dantes estas agressões não eram contabilizadas como violência doméstica”.

Só em Fevereiro de 2013 o Código Penal passou a considerar crime de violência doméstica as agressões entre namorados e também entre ex-namorados. E se as mais recentes estatísticas dão conta de uma elevada proporção de participações apresentadas às autoridades por violência física no namoro – 89% de todas as queixas relativas a agressões no namoro referem-se a agressões físicas -, as queixas por violência psicológica não ficam muito atrás: somam 73%. Já na violência entre cônjuges as agressões psicológicas reportadas à PSP e à GNR têm primado, ainda que não muito significativo, sobre as físicas. No caso do namoro, a explicação para as queixas pode ser simples: ainda não passou tempo suficiente para as vítimas se acomodarem à agressão. “Há situações de violência doméstica que começam logo no namoro e continuam no casamento”, descreve Elisabete Brasil, a quem já algumas mulheres disseram que sentem como mais devastador o impacto das agressões psicológicas do que o das físicas. E se a violência física foi uma constante de 70% dos casos reportados em 2014, a psicológica motivou ainda mais queixas.

Quer numa situação quer noutra, o problema é prová-las: 77% dos inquéritos abertos pelo Ministério Público por este tipo de crime são arquivados, na maioria das vezes por falta de provas. O relatório anual do Ministério da Administração Interna descreve o destino dos poucos casos que conseguem chegar às salas de audiências dos tribunais, para serem julgados: “De um total de 2954 sentenças transitadas em julgado entre 2012 e 2014, cerca de 58% resultou em condenação e cerca de 42% em absolvição. Na maioria das condenações (96%) a pena de prisão foi suspensa”.

A especialista da UMAR pensa que nesta matéria há ainda muito a fazer, mesmo sendo impossível, pelo sistema jurídico penal português, inverter o ónus da prova – isto é, ser o suspeito a ter de provar em tribunal que não praticou as agressões de que é acusado. Elisabete Brasil aponta sobretudo para as perícias forenses que podiam ser feitas às vítimas, quer para indiciar os maus tratos psicológicos de que tenham sido alvo quer para validar os seus testemunhos no tribunal.

Além da violência física e psicológica, o trabalho do Ministério da Administração Interna identifica ainda a violência doméstica do tipo económico – muitas vezes praticada contra ascendentes, por filhos e netos que se apropriam das suas pensões, por exemplo – e do tipo social. É o caso do marido que tenta limitar ao máximo os contactos sociais da companheira, as suas saídas à rua, promovendo o seu isolamento para melhor a controlar.

No que a estes tipos de crimes concerne, as mulheres são as vítimas mais típicas, mas não as únicas: nos escalões etários abaixo dos 18 anos a taxa de feminização da violência doméstica é de apenas 63%, contra 91% no escalão etário imediatamente seguinte, dos 18 aos 24 anos. Os homens são sobretudo vítimas de violência doméstica em crianças, constituindo muitas vezes danos colaterais das agressões do pai contra a mãe, e depois mais tarde, quando chegam a velhos e os filhos os maltratam.

Em termos globais, a violência doméstica manteve-se estável entre 2014 e 2015, mostra o relatório, que apresenta já estatísticas do primeiro semestre deste ano. Assim, neste último período foram apresentadas às forças de segurança 12.998 participações. “Comparativamente ao período homólogo de 2014 verificaram-se menos 73 participações, o que corresponde a uma taxa de variação negativa de -0,6%”, indica o estudo. Uma tendência contrariada, porém, nalguns distritos do país: Portalegre, que registou um aumento de queixas superior a 40%, Santarém e Évora. Beja destacou-se pela positiva nos primeiros seis meses de 2015, com menos violência reportada que no período homólogo anterior. Já no que à taxa de incidência por mil habitantes diz respeito, a região autónoma dos Açores destacou-se no ano passado a nível nacional por bater recordes de queixas de agressões.

Seja como for, as ocorrências participadas no distrito de Lisboa representaram em 2014 mais de um quinto do total nacional, que se cifrou em 27.317 participações às autoridades. Seguem-se o Porto, Setúbal, Aveiro e Braga. O relatório destaca o contraste de um país dividido, também nesta questão, entre o litoral e o interior: “Nos primeiros são registadas mais participações”.

Os meses de Verão são os mais propícios à violência doméstica, tal como os fins-de-semana. “Quase metade das situações tiveram como consequência para a vítima ferimentos ligeiros e em 56% dos casos foi registada a ausência de lesões”, refere o mesmo documento, que não contabiliza, porém, os casos de homicídio, uma vez que já não são da competência do Ministério da Administração Interna, que tutela a PSP e a GNR, e sim da Polícia Judiciária, que depende do Ministério da Justiça. Em 38% dos casos os episódios de violência foram presenciados por menores.

A violência doméstica parece ser mais praticada por pessoas empregadas do que por desempregadas, apresentando-se como menos comum entre aqueles que frequentaram o ensino superior e também entre quem vive em união de facto.

24.4.15

Um em cada quatro jovens do Centro do país foi vítima de violência no namoro

in SicNotícias

Um em cada quatro alunos do 11º e 12º ano de duas escolas secundárias da região Centro alega ter sido vítima de violência no namoro, revela um estudo hoje divulgado e que envolveu cerca de 700 jovens.

O estudo, realizado no âmbito de uma tese de doutoramento, concluiu que "a frequência dos comportamentos violentos nas relações de namoro é elevada, assim como a desculpabilização dos fatores que a motivam", afirma a autora, Maria Clara Ventura, investigadora da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

De acordo com os resultados do trabalho, 23% de uma amostra constituída por 688 estudantes de duas escolas da região Centro, com uma média de idades de 17 anos, "percecionaram terem sido vítimas de violência nas relações de namoro", sustenta a autora.

Outros resultados do estudo apontam para o facto de as raparigas serem "tão violentas como os rapazes", não existindo uma relação entre a ocorrência de violência e o género dos inquiridos.

"Nesta amostra, as raparigas apresentaram comportamentos violentos nas suas relações de namoro com a mesma frequência que os rapazes, o que coloca a questão de saber se as raparigas ficaram mais violentas, ou se esta violência surge apenas como resposta à violência masculina", interroga-se Maria Clara Ventura.

Adianta que embora 68,9% dos inquiridos discordem das "crenças legitimadoras da violência", já 11,8% de estudantes "disseram aceitar algumas atitudes que justificam os atos agressivos".

"Os valores mais elevados, relacionados com justificação da violência pelas causas externas como o álcool, as drogas, o desemprego e a preservação da privacidade familiar, indicam que, na opinião dos participantes, se explicam e se justificam, em alguns contextos, comportamentos violentos nas relações de intimidade", frisa a investigadora da Escola Superior de Enfermagem.

Uma perspetiva, argumenta, que "pode sugerir, não só alguma desculpabilização do agressor, mas também a indicação de alguma culpa por parte da vítima, aspeto pouco promissor na construção de relações de intimidade que devem ser baseadas na igualdade e no respeito mútuo".

Embora admitindo que os resultados do estudo "não podem ser generalizados ao todo nacional", Maria Clara Ventura diz que "comprovam que a frequência dos comportamentos violentos nas relações de namoro é elevada".

Por outro lado, sublinha a autora, "minimizar a pequena violência e concordar com algumas atitudes abusivas dificulta a consciencialização da gravidade deste tipo de comportamentos".

Ainda no âmbito do doutoramento da investigadora, foi criado um programa de intervenção, denominado "Não à violência. (Re)aprender competências", que abrangeu um grupo experimental de 310 estudantes e utilizou estratégias para "produzir mudanças nos conhecimentos, atitudes e crenças dos jovens e promoção da autoestima", entre outros objetivos, "de forma a capacitá-los para iniciarem, desenvolverem e interromperem as suas relações, mobilizando-os pelo fim da violência no namoro e promoção de estilos de vida saudáveis".

A esse propósito, Maria Clara Ventura classifica como "fundamental" o trabalho desenvolvido nas escolas para desconstruir crenças de legitimação de violência relacionadas com as relações amorosas "em que normalização e desculpabilização de algumas condutas são apontadas de forma relevante".

13.4.15

Namoros de escola estão mais violentos

in RR

Queixas aumentaram 50% num ano, revela o Relatório Anual de Segurança Interna.

Aumentaram 50% em apenas um ano as queixas por violência no namoro em meio escolar. Em 2014, chegaram à PSP mais de quatro participações por dia.

Os números, avançados esta segunda-feira pelo jornal “Público”, constam do Relatório Anual de Segurança Interna e indicam que dois terços das participações surgem do interior das escolas.

A recolha da PSP e da GNR junta, sem distinguir, os casos ocorridos nos estabelecimentos de ensino públicos e privados – casos cujo número tem vindo a crescer consistentemente. Chegam às autoridades quando a escola já não consegue resolver.

16.2.15

Quem te ama não te agride! diz campanha contra a violência no namoro

in Público on-line

Estudos indicam que um em quatro jovens inquiridos admitiu ter sido agressor nas suas relações amorosas. Níveis de aceitação são "preocupantes".

O futebolista William Carvalho, o surfista Vasco Ribeiro e a apresentadora Sílvia Alberto são alguns dos rostos de uma nova campanha do Governo contra a violência no namoro, que foi lançada esta quinta-feira com o tema Quem te ama, não te agride!. Esta acção tem a preocupação de apontar diversas formas de violência e “chamá-las pelos nomes”, deixando a mensagem: “Se alguém te agride, se alguém te humilha, se alguém te controla, se alguém te isola dos amigos, isso não é amor, é violência”.

A campanha foi apresentada pela secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, e pelo secretário de Estado do Desporto e da Juventude, Emídio Guerreiro, na sessão de lançamento da acção de voluntariado jovem "Namorar com Fair Play", na Escola Secundária Eça de Queirós, em Lisboa. Em declarações à agência Lusa, Teresa Morais explicou que a campanha nasceu da “necessidade de passar uma mensagem forte aos rapazes e raparigas que aceitam a violência e que são agressores e agressoras no namoro no sentido de que esse não é um caminho saudável nos seus relacionamentos e que não devem aceitar como normais determinados comportamentos”.

“Nós sabemos, e não é de hoje, que a violência no namoro é uma realidade preocupante pelo mundo inteiro e em Portugal também”, disse Teresa Morais, lembrando os estudos realizados na última década, que mostram que “os rapazes e as raparigas têm níveis de aceitação de comportamentos violentos que são muito preocupantes”.

Os estudos apontam para uma “percentagem muito significativa” de rapazes e raparigas que admitem já ter sido vítimas (22,5%) ou agressores (25%) nas suas relações de namoro. Muitos destes jovens não mostram ter consciência de que alguns comportamentos que praticam, como controlar as mensagens de telemóvel, impedir contactos com os amigos ou fazer cenas obsessivas de ciúmes, sejam formas de violência.

Para muitos jovens, “estas formas de violência são frequentemente confundidas como manifestações de interesse e de amor”, disse Teresa Morais. Outra situação preocupante é o facto de a violência nas relações de namoro ser “um factor preditor da violência conjugal”, que tende a agravar-se com o passar do tempo.

Um estudo recente “deixa claro” que muitos destes rapazes e raparigas reconheceram ter vivenciado na própria família situações de violência, disse Teresa Morais. Para a governante, este circuito tem que ser interrompido “o mais cedo possível”, através do aprofundamento da prevenção e de um maior investimento na educação, o que, na sua opinião, “sempre foi o ponto mais frágil das políticas públicas das últimas décadas”.

O tenista Diogo Chen, o ciclista Ivo Oliveira, as actrizes e apresentadores Cláudia Semedo, Lucília Raimundo, Raquel Oliveira, Maria Leite, Teresa Tavares e João Paulo Sousa e a jornalista Joana Latino são os restantes protagonistas da campanha. Além do filme da campanha, decorrerá uma acção nos jogos de andebol, basquetebol, futebol, hóquei em patins e voleibol que se realizam no fim-de-semana.

“Quem te ama não te agride!” diz campanha contra a violência no namoro

in Público on-line (P3)

Estudos indicam que um em quatro jovens inquiridos admitiu ter sido agressor nas suas relações amorosas


O futebolista William Carvalho, o surfista Vasco Ribeiro e a apresentadora Sílvia Alberto são alguns dos rostos de uma nova campanha do Governo contra a violência no namoro, que foi lançada esta quinta-feira com o tema "Quem te ama, não te agride!". Esta acção tem a preocupação de apontar diversas formas de violência e “chamá-las pelos nomes”, deixando a mensagem: “Se alguém te agride, se alguém te humilha, se alguém te controla, se alguém te isola dos amigos, isso não é amor, é violência”.

A campanha foi apresentada pela secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, e pelo secretário de Estado do Desporto e da Juventude, Emídio Guerreiro, na sessão de lançamento da acção de voluntariado jovem "Namorar com Fair Play", na Escola Secundária Eça de Queirós, em Lisboa. Em declarações à agência Lusa, Teresa Morais explicou que a campanha nasceu da “necessidade de passar uma mensagem forte aos rapazes e raparigas que aceitam a violência e que são agressores e agressoras no namoro no sentido de que esse não é um caminho saudável nos seus relacionamentos e que não devem aceitar como normais determinados comportamentos”.

“Nós sabemos, e não é de hoje, que a violência no namoro é uma realidade preocupante pelo mundo inteiro e em Portugal também”, disse Teresa Morais, lembrando os estudos realizados na última década, que mostram que “os rapazes e as raparigas têm níveis de aceitação de comportamentos violentos que são muito preocupantes”.

Violência confundida com amor

Os estudos apontam para uma “percentagem muito significativa” de rapazes e raparigas que admitem já ter sido vítimas (22,5%) ou agressores (25%) nas suas relações de namoro. Muitos destes jovens não mostram ter consciência de que alguns comportamentos que praticam, como controlar as mensagens de telemóvel, impedir contactos com os amigos ou fazer cenas obsessivas de ciúmes, sejam formas de violência.

Para muitos jovens, “estas formas de violência são frequentemente confundidas como manifestações de interesse e de amor”, disse Teresa Morais. Outra situação preocupante é o facto de a violência nas relações de namoro ser “um factor preditor da violência conjugal”, que tende a agravar-se com o passar do tempo.

Um estudo recente “deixa claro” que muitos destes rapazes e raparigas reconheceram ter vivenciado na própria família situações de violência, disse Teresa Morais. Para a governante, este circuito tem que ser interrompido “o mais cedo possível”, através do aprofundamento da prevenção e de um maior investimento na educação, o que, na sua opinião, “sempre foi o ponto mais frágil das políticas públicas das últimas décadas”.

O tenista Diogo Chen, o ciclista Ivo Oliveira, as actrizes e apresentadores Cláudia Semedo, Lucília Raimundo, Raquel Oliveira, Maria Leite, Teresa Tavares e João Paulo Sousa e a jornalista Joana Latino são os restantes protagonistas da campanha. Além do filme da campanha, decorrerá uma acção nos jogos de andebol, basquetebol, futebol, hóquei em patins e voleibol que se realizam no fim-de-semana.

21.5.13

Maioria dos jovens acha normal a violência no namoro

por Rute Coelho, in Diário de Notícias

885 alunos, com idades dos 11 aos 18 anos, consideram legítimos comportamentos abusivos com as namoradas ou namorados, segundo inquérito feito pela UMAR.

Mais de metade dos rapazes e das raparigas acham que é normal proibir a namorada/o de vestir certas roupas e de sair com determinados amigos/as.

Entre os rapazes, 5% considera que agredir a namorada ao ponto de deixar marcas não é ser violento. 25% dos rapazes e 13,3% das raparigas entendem que humilhar a namorada/o é legítimo e que ameaçar a namorada ou o namorado é normal (15,65% dos rapazes acha que sim e 5% das raparigas também).

Estas respostas foram obtida nas respostas a um questionário feito a uma amostra de 885 alunos de escolas de Porto e de Braga no âmbito do Projeto Mudanças com Arte da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta).

13.2.13

Apenas 9% dos jovens apresentam queixa por violência no namoro

in Jornal de Notícias

Os jovens estão mais sensibilizados para a violência no namoro, mas ainda são poucos os que procuram ajuda e apenas 9% das vítimas apresentam queixa às autoridades.

"Constituindo a violência no namoro uma experiência pessoal caracterizada por sentimentos de vergonha, embaraço, a grande maioria dos jovens não procura ajuda", adiantou a investigadora Sónia Caridade, autora de um estudo sobre este tema.

O medo de serem culpabilizados, de que o segredo não seja preservado, que os adultos os pressionem para terminar a relação, acharem que não vão ser ajudados, temerem punições parentais (muitas relações são proibidas pelos pais), faz com que os jovens não contem o que estão a passar.

Os seus "principais confidentes" costumam ser os amigos, mas, na grande maioria, "não reúnem condições" para dar o "devido apoio", ou porque também estão envolvidos em relações abusivas ou porque "legitimam um conjunto de crenças perpetuadoras do fenómeno", explicou a investigadora da Universidade do Minho, que falava à Lusa a propósito do Dia dos Namorados, que se assinala quinta-feira.

30% admitiu ter sido agressor

O estudo nacional sobre a prevalência da violência do namoro envolveu 4667 jovens com idades entre os 13 e os 29 anos, dos quais 25,4% relataram ter sido vítimas de, pelo menos, um ato abusivo no último ano e 30,6% admitiu ter sido agressor.

Em termos de vitimação, os comportamentos emocionalmente abusivos lideram (19,5%), seguindo-se os fisicamente abusivos (13,4%) e a violência física severa (7,6%).

A legitimação da violência surge "mais elevada" entre os participantes mais novos, com menor formação e rapazes, que são educados para "serem mais fortes, emocionalmente pouco expressivos, competitivos e dominadores face às suas parceiras".

Uma "cultura de prevenção", que envolva a promoção de relacionamentos saudáveis, a consciencialização dos jovens e modificação de comportamentos violentos é, para Sónia Caridade, a melhor forma de combater este fenómeno.

Para isso, defendeu, terá de haver uma "articulação concertada" entre os jovens, entidades e agentes educativos (pais, professores, funcionários), os pares e a comunidade.

Maus-tratos começam por volta dos 13 anos

Para despertar os jovens para esta problemática, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) tem realizado campanhas que alertam para a importância de valorizar todos os atos de violência, comportamentos puníveis criminalmente.

"É fundamental investir na aproximação a estes jovens para os sensibilizar e promover neles uma postura de maior pró ação quando estas situações lhe chegam", disse Manuela Santos, da APAV.

A decisão de um jovem apresentar queixa ou expor esta experiência a um agente de autoridade "não é fácil de tomar", preferindo dirigir-se a uma instituição de apoio.

"A APAV recebe alguns pedidos de ajuda de jovens que partilham connosco as suas experiências de vitimação e nos pedem apoio e encaminhamento sobre o que podem fazer do ponto de vista legal", contou Manuela Santos, adiantando que essas solicitações têm vindo a crescer.

Para a investigadora Susana Lucas, do Instituto Piaget, as campanhas de prevenção têm contribuído para "mudar o paradigma" da violência no namoro ser "uma coisa encoberta e mostrar às pessoas que não estão sozinhas".

"Felizmente já começa a existir alguma procura [por parte dos jovens] das autoridades e das associações de apoio à vítima que depois os encaminha para os trâmites legais", disse Susana Lucas, adiantando que os maus-tratos começam por volta dos 13 anos.