26.5.11

Atitude dos médicos vai contar para a avaliação de desempenho

Por João d´Espiney, in Público on-line

A atitude profissional e comunicação dos médicos nomeadamente perante os doentes vai ser um dos parâmetros obrigatórios na avaliação de desempenho da classe, que só terá efeitos práticos em 2012, de acordo com a portaria que procede à adaptação do Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho (SIADAP) aos trabalhadores integrados na carreira especial médica.

O diploma hoje publicado em Diário da República estabelece que no conjunto dos objectivos individuais que vão ser contratualizados anualmente “devem, obrigatoriamente, ser abrangidos” os “assistenciais ou produtividade”, a “atitude profissional e comunicação” e ser “estabelecidos objectivos de qualidade da actividade desenvolvida e de quantificação de actos médicos”.

A definição de “atitude profissional e comunicação” não consta na portaria, que se limita a referir que são as “atitudes desenvolvidas” pelo médico “relativamente aos membros da equipa em que se integre, em relação aos superiores hierárquicos e em relação aos doentes ou utentes”. Em relação ao parâmetro “assistencial ou produtividade”, o diploma aponta para o “conjunto de actividades desenvolvidas pelos trabalhadores médicos nos estabelecimentos ou serviços de saúde e em outros organismos públicos e ajustadas pelos respectivos graus, podendo ser repartidas por um ou mais serviços internos de acordo com o respectivo exercício profissional”.

A “formação”, a “investigação” e “organização” são outros parâmetros que podem contar para a avaliação de desempenho dos médicos. O primeiro abrange as acções de formação, quer as realizadas quer as frequentadas pelos médicos, incluindo as acções de orientação de internos e a formação específica decorrente de projectos dos serviços, bem como actividades na área da garantia da qualidade dos serviços.

O segundo tem que ver com a participação em actividades de investigação realizadas no estabelecimento ou serviço de saúde em que o médico está integrado, “com exclusão das actividades exercidas em contexto exclusivamente académico ou em outro não reconhecidas ou participadas por protocolo celebrado com o estabelecimento ou serviço”.

A fixação dos objectivos individuais, dos seus indicadores de medida e dos respectivos critérios de superação será da competência conjunta da equipa de avaliação e de cada trabalhador médico a avaliar, mediante proposta do superior hierárquico e tendo em consideração as orientações do conselho coordenador de avaliação.

A portaria determina ainda que os objectivos “devem enquadrar-se nos objectivos da respectiva unidade orgânica e da equipa médica onde o avaliado se integre”. A ponderação a atribuir a cada um dos objectivos será fixado pelo conselho coordenador de avaliação. No entanto, a ponderação dos objectivos inseridos no âmbito “assistencial ou produtividade” não “pode ser inferior a 60 por cento nem superior a 80 por cento”.

Por outro lado, “a ponderação a atribuir aos objectivos de quantificação de actos médicos não pode ser inferior a 50 por cento da avaliação final do parâmetro ‘objectivos individuais’”, lê-se na portaria, que refere ainda que por cada objectivo devem ser estabelecidos “no mínimo dois e no máximo cinco indicadores de medida”.

Competência de desempenho vale 40 por cento

Além do parâmetro “objectivos individuais”, que irá contar com uma ponderação mínima de 60 por cento na avaliação final, os médicos vão ser avaliados também pelo parâmetro “competências de desempenho”, que terá uma ponderação máxima de 40 por cento.

As competências de desempenho assentam, segundo a portaria, “em padrões de actividade observáveis, previamente escolhidas para cada médico em número não inferior a cinco” pelo conselho coordenador da avaliação.

Este conselho é presidido pelo director clínico e integra, além do responsável pela gestão de recursos humanos, três a cinco dirigentes por ele designados, “todos integrados na carreira especial médica e detentores de categoria igual ou superior a assistente graduado”.

Já as equipas de avaliação são constituídas por quatro médicos: o superior hierárquico directo do avaliado, que preside; dois médicos com o grau de consultor, designados pelo dirigente ou órgão máximo do estabelecimento ou serviço; e um médico eleito, por votação secreta, de entre e pelos médicos da mesma equipa.A avaliação dos funcionários públicos e também dos médicos está sujeita a quotas de desempenho, que limitam o número de trabalhadores que podem aceder às notas mais elevadas e que lhes permitem progredir na carreira de forma mais rápida. De acordo com a lei do SIADAP, só 25 por cento dos trabalhadores de um serviço podem ter avaliação “relevante” e, entre estes, cinco por cento podem ver o seu desempenho classificado como “excelente”.

Comissão de jovens em risco detecta cinco espancamentos de menores todos os dias

Por José Bento Amaro, in Público on-line

Ameaças de mais espancamentos feitas em blogue. Rapaz que divulgou imagens tem cadastro. PSP já identificou todos os jovens.

Os espancamentos de menores são o quinto caso mais comum entre as 17 situações problemáticas sinalizadas pela Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR). O último relatório deste órgão, relativo a 2009, refere que nesse ano foram identificadas e instaurados processos relativos a 25.335 situações, sendo que 1777 casos (cerca de cinco por dia) se reportavam a maus tratos físicas como o divulgado na Internet, na terça-feira, num vídeo onde se vê uma adolescente ser espancada por duas companheiras perante a complacência de mais três rapazes, que filmaram e difundiram toda a acção.

Menos de 24 horas depois do vídeo ter sido divulgado (a acção ocorre no pátio de um prédio em Benfica), a PSP, que movimentou as divisões de Sintra, Amadora, Loures e Divisão de Investigação Criminal, anunciou ter identificado todos os intervenientes (a vítima de 13 anos, as agressoras, de 15 e 16, e o responsável pela divulgação, de 18, assim como dois outros menores), informando ainda que o caso já está na esfera do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.

O jovem que terá difundido as imagens, diz a PSP, já possui antecedentes criminais e, na segunda-feira, até foi detido por causa do roubo de um telemóvel (em Benfica, junto ao Centro Comercial Colombo), pelo que estava agora obrigado a apresentar-se periodicamente na esquadra mais próxima da sua residência. Com os crimes que agora lhe podem ser assacados (não prestou auxílio a uma vítima e ainda divulgou as imagens da agressão), o jovem corre o risco de ser confrontado com uma pena de prisão efectiva. O mesmo pode acontecer com uma das agressoras (16 anos de idade), que, por já ser responsável criminalmente, incorre num crime de ofensas corporais.

Apesar das eventuais implicações judiciais, o rapaz que terá divulgado as imagens e que será o responsável por um blogue (http://borsorterodolfo.blogspot.com), colocou ontem dois posts de uma das supostas agressoras (B.A.). No primeiro, referindo-se à vítima, diz: "Só para dizer que fazia tudo outra vez e ela levou poucas. E podem guardar as ameaças... até a televisão disse que não nos ia acontecer nada".

A segunda comunicação, ainda acompanhada de uma fotografia da suposta autora, mantém o mesmo tom agressivo. "Eu só queria dizer que ela mereceu, e amanhã leva mais. Aquilo foi só um aquecimento para nós".

Os dados estatísticos da CNPCJR referem que a problemática sinalizada em maior número é a negligência, com 9.168 casos (36,2 por cento do total). Seguem-se a exposição a modelos de comportamento desviante (4.397 registos) e, em terceiro lugar, os maus tratos psicológicos e o abandono escolar (ambos com 3.554 registos).

Os maus tratos físicos (como os ocorridos em Benfica) são mais frequentes na faixa etária entre os seis e os dez anos (516 ocorrências). Este tipo de problemática corresponde, de resto, a sete por cento do total nacional sinalizado. Em 2009, os maus tratos físicos registados pela comissão foram quase idênticos entre os rapazes (881) e as raparigas (896).

"As famílias, os jovens, as instituições e os tribunais devem ter em conta situações como as de Benfica, porque todos são responsáveis pela prevenção primária", disse ontem ao PÚBLICO o presidente da CNPCJR, Armando Leandro. Segundo este responsável, tão importante como castigar os autores das agressões e acudir às vítimas é "dar atenção aos que presenciam os casos e nada fazem".

No final da lista da CNPCJR surge o crime de prostituição infantil. Nos dados recolhidos em 2009, havia registo de um caso verificado na faixa etária entre os zero e os cinco anos, quatro entre os 11 e os 14 anos e sete no grupo que compreende pessoas com mais de 15 anos de idade. O total dos 12 casos inclui quatro rapazes (um na faixa etária entre os 11 e os 14 anos e os restantes no grupo acima dos 15 anos).

Economista que previu a crise mundial defende reestruturação da dívida grega

Por Lusa, Ana Rute Silva, in Público on-line

O norte-americano Nouriel Roubini diz que a estratégia da zona euro está condenada ao fracasso. Ministro das finanças alemão é contra a reestruturação da dívida da Grécia e pede mais criatividade para enfrentar a recessão.

Nouriel Roubini, um dos economistas que previu a crise financeira mundial, defendeu hoje que a estratégia da zona Euro está condenada ao fracasso e, por isso, a Grécia deve fazer uma “reestruturação ordenada” da sua dívida.

Numa entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, o economista norte-americano diz que para sair da profunda crise em que se encontra, a Grécia deve prorrogar o prazo de amortização da dívida e tentar reduzir os juros das novas obrigações. Roubine, que é consultor e professor na Universidade de Nova Iorque, acredita que a reestruturação da dívida da Grécia reduz o risco de contágio a outros países europeus e atenua as perdas que as instituições financeiras poderão sofrer caso apenas uma parte das dívidas seja paga.

Na Europa dividem-se as opiniões sobre a melhor forma de lidar com a recessão na Grécia. Wolfgang Schäuble, ministro alemão das Finanças, manifestou-se contra uma eventual reestruturação da dívida da Grécia e pediu mais paciência e criatividade para enfrentar a crise. Numa entrevista também publicada no Handelsblatt, Wolfgang Schäuble afirma que “um cenário de reestruturação é considerado arriscado por muitos que percebem da matéria”.

“Poderia fazer com que vençam imediatamente todos os créditos concedidos, com as consequências derivadas para a capacidade de pagamento da Grécia”, sublinha, acrescentando que os impactos seriam mais catastróficos do que os da falência da Lehman Brothers.

“Para já, parece-me que os gregos precisam de mais tempo”, disse o ministro alemão. Schäuble acredita que uma das soluções é o estímulo ao investimento na Grécia, nomeadamente no sector das energias renováveis e defende que Bruxelas deve ser mais criativa para enfrentar a recessão económica e financeira.

O responsável do Tesouro alemão recusa o envolvimento da banca privada na solução do problema. “Todos temos interesse num sistema financeiro que funcione na perfeição”, disse, concluindo que “uma economia que não funcione na hora de conseguir dinheiro é semelhante a uma sociedade sem água ou electricidade”.

O governo grego, liderado pelo socialista George Papandreou, quer avançar com novas medidas de austeridade e privatizações para continuar a receber o empréstimo concedido pela troika - no valor global de 120 mil milhões de euros. Contudo, ainda não há consenso político sobre as reformas a aplicar as reformas, indispensáveis para que a Grécia consiga financiar-se.

Cavaco Silva: é preciso conquistar a confiança para que queiram no futuro refinanciar dívida portuguesa

in Diário de Notícias

O Presidente da República alertou hoje que é preciso conquistar a confiança das instituições internacionais para que no futuro estejam dispostas a refinanciar a dívida portuguesa e renovou os apelos para que a campanha seja esclarecedora.

"Teremos que, não posso deixar de repetir porque sem isso não teremos sucesso, trabalhar melhor, poupar mais e temos que conquistar a confiança das instituições internacionais por forma a que elas no futuro estejam dispostas a refinanciar a dívida portuguesa", afirmou.

O Presidente da República falava aos jornalistas no final da cerimónia comemorativa dos 100 anos do Instituto dos Pupilos do Exército, em Lisboa.

Questionado sobre a forma como tem decorrido a campanha eleitoral, que começou oficialmente domingo, Cavaco Silva afirmou que não deve fazer comentários e remeteu a sua avaliação para a mensagem que dirigirá aos portugueses no dia anterior à eleição, 4 de Junho.

"Eu irei falar aos portugueses como é tradição no dia 4. Até lá manter-me-ei em silêncio em relação ao que está a ocorrer na nossa campanha eleitoral. Eu espero é que ela seja esclarecedora em relação à gravidade da situação do país", afirmou.

Cavaco Silva considerou que "é bom que os portugueses tenham consciência que o país se encontra numa situação muito séria e por isso que possam pedir aos diferentes partidos que apresentem as suas propostas para ultrapassar uma situação que é muito grave. Eu já disse isso várias vezes e não me canso de repetir", sublinhou.

Sindicato: Trabalhadores pressionados a despedirem-se

in Diário de Notícias

Algumas dezenas de trabalhadores do grupo CRH, que trabalham no call center da PT de Coimbra, foram coagidos a despedir-se, disse à agência Lusa fonte sindical, embora a empresa assegure que os pedidos de rescisão foram apresentados livremente.

"Temos vindo a acompanhar o processo de insolvência da CRH e tivemos conhecimento de que a empresa está a pressionar os trabalhadores para que se despeçam ameaçando-os com processos disciplinares por algo de errado que alegadamente fizeram, o que é ilegal", afirmou António Caetano, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audovisual (SINTTAV). De acordo com o sindicalista, o SINTTAV elaborou uma informação para distribuir aos trabalhadores para lhes servir de orientação caso sejam "convidados a despedir-se, abdicando dos seus direitos".

"Desde o início que temos aconselhado os trabalhadores a não se despedirem, que o sindicato dar-lhes-á o apoio jurídico necessário, mas muitos não resistem à pressão", disse António Caetano. A CRH declarou, por escrito, à agência Lusa que, desde Março, 39 trabalhadores, de um universo de 420, "apresentaram livremente e sem qualquer coação as suas cartas de rescisão". Dos 39 trabalhadores que se despediram, 12 fizeram-no, segundo a empresa, "por terem assumido que violaram gravemente os seus deveres laborais e de conduta profissional". Os restantes despediram-se alegando inadaptação às funções, incompatibilidade com os horários, motivos de saúde e terem tido melhores propostas de emprego, informou a CRH.

O SINTTAV (filiado na CGTP) vai aproveitar a reunião que tem marcada para a próxima semana com a empresa, com o objectivo de discutir a situação de insolvência, para levantar a questão das alegadas demissões por coação. Uma trabalhadora do call center de Coimbra, que pertence aos quadros da CRH, disse à agência Lusa que esta situação ocorre desde que a empresa entrou em processo de insolvência, em Novembro do ano passado, altura em que a CRH assumiu que não iria fazer qualquer despedimento. Segundo a mesma fonte, a Autoridade para as Condições do Trabalho foi chamada e visitou o call center algumas vezes mas sem nenhum efeito prático.

Países emergentes defendem abandono de convenção para atribuir direcção a europeu

in Diário de Notícias

Os cinco grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) defenderam o abandono da convenção que prevê a atribuição do cargo de director-geral do Fundo Monetário Internacional a um europeu.

A declaração comum dos BRICS foi divulgada na terça-feira à noite, antes de a ministra da Economia, Finanças e Indústria francesa, Christine Lagarde, ter anunciado, em conferência de imprensa, a candidatura oficial ao cargo de directora-geral do Fundo Monetário Internacional.

De acordo com a agência noticiosa francesa AFP, estes cinco países uniram-se em redor de um tema comum: pedem o abandono da «convenção não escrita e obsoleta que prevê que o dirigente do FMI seja forçosamente europeu».

Esta convenção mantém-se desde 1946, graças ao apoio dos Estados Unidos, que monopolizam a presidência do Banco Mundial.

Até aqui, os Estados Unidos e o Japão não manifestaram apoio a Lagarde, ao contrário de vários países europeus que concordaram já, ao mais alto nível, com a candidatura da ministra francesa.

O antigo director-geral do FMI Dominique Strauss-Kahn anunciou a demissão na quinta-feira, depois de ter sido detido em Nova Iorque por tentativa de violação e agressão sexual.

No comunicado, enviado à imprensa, os membros do conselho de administração do FMI em representação dos BRICS afirmaram estar preocupados com «as declarações públicas recentemente feitas por responsáveis europeus de alto nível em defesa da manutenção de um europeu no cargo de director-geral» do FMI.

"Vários acordos internacionais apelam para um procedimento verdadeiramente transparente, fundado no mérito e concorrencial para a seleção do diretor-geral do FMI e para outros altos cargos do organigrama das instituições de Bretton Woods", lembraram Paulo Nogueira Batista (Brasil), Alexei Mojine (Rússia), Arvind Virmani (Índia), Jianxiong He (China) e Moeketsi Majoro (Lesoto, pequeno país vizinho da África do Sul).

O ministro das Finanças brasileiro, Guido Mantega, afirmou na sexta-feira apoiar, sob determinadas condições, um candidato europeu. Posteriormente lamentou a falta de tempo para decidir.

A Rússia pertence à Comunidade de Estados Independentes (CEI), que apoia oficialmente o cazaque Grigori Martchenko. A Índia manteve o silêncio e a China tem evidenciado sinais tímidos a favor de aumentar a representação dos países emergentes, através do órgão oficial do Partido Comunista, o Diário do Povo.

A África do Sul hesita em apresentar a candidatura do seu antigo ministro das Finanças Trevor Manuel, comentada na imprensa. Por outro lado, a candidatura do mexicano Agustin Carstens não parece reunir apoios de todos estes países.

O prazo para apresentação das candidaturas termina a 10 de Junho e uma decisão deve ser tomada até 30 de Junho.

Escolas obrigadas a cortar até 30% nos orçamentos

in Diário de Notícias

Visitas de estudo e compra de material pedagógico serão as principais 'vítimas' da redução na verba para funcionamento.

As escolas vão ter até menos 30% de verbas para funcionar no próximo ano lectivo. Como não podem poupar muito mais nos gastos com água e luz, os directores assumem que vão cortar na compra de livros e materiais pedagógicos, assim como nas actividades e visitas de estudo.

Escalada dos juros aumenta prestação da casa em 35 euros

Alexandra Figueira, in Jornal de Notícias

O ano começou suave, mas nos últimos meses a taxa disparou, prejudicando quem tem crédito

Nos últimos meses, as taxas de juro do crédito à habitação retomaram a escalada de 2010, depois de um abrandamento, no início do ano. Em consequência, as prestações mensais estão a subir mais depressa e tudo indica que assim continuarão.

A prestação de um crédito de 150 mil euros indexado à Euribor a seis meses pode aumentar em 35 euros, quando a taxa a pagar for revista, tendo como referência o mês de Maio. Tudo porque a Euribor, a taxa à qual está vinculada a maioria dos créditos, voltou a disparar nos últimos meses

Todos os dias morrem 13 crianças e jovens em Portugal

in Jornal de Notícias

Todos os dias morrem, em Portugal, 13 crianças e jovens. E todos os dias chegam à associação "A Nossa Âncora" novos casos de pais incapazes de lidar sozinhos com a dor de perder um filho.

Esta quarta-feira, Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, 13 moderadoras da instituição "A Nossa Âncora" estiveram no Palácio de Belém, num almoço com Maria Cavaco Silva, para falar na experiência pessoal que é perder um filho.

"Todos os dias chegam novos casos à associação", contou à Agência Lusa a presidente da associação, Emília Maria, mostrando-se preocupada com o aumento de casos mortais provocados por acidentes de viação e suicídios entre os 18 e os 40 anos.

A base de dados da instituição tem já três mil pessoas registadas. As moderadoras, espalhadas um pouco por todo o país, dão neste momento apoio a 500 famílias. Mas a maioria dos pais em luto continua a sofrer em silêncio.

Segundo a associação, criada em 1996, por ano morrem em Portugal cerca de cinco mil crianças e jovens até aos 30 anos. Estatísticas recentes indicam que diariamente em Portugal perdem a vida 13 crianças ou jovens entre os zero e os 30 anos.

Na instituição, os pais podem partilhar o sofrimento. "Lembro-me de ter vindo à associação e sentir que falávamos todos a mesma linguagem e sentir que não estava sozinha", recorda Dulce Silva, que há três anos perdeu o filho mais novo, de 22 anos.

Dulce começou por recorrer à "Nossa Âncora" num momento em que precisava de ajuda, agora é moderadora em Sintra, desenvolvendo um trabalho de acompanhamento e apoio a outros pais.

Maria recordou luto da avó pelos filhos

No Palácio de Belém, Maria Cavaco Silva contou a sua história. "A minha avó perdeu dois filhos vítimas da praga da época, a tuberculose. Hoje a praga é outra: são os acidentes rodoviários. E ainda me lembro bem da força da minha avó", recordou a anfitriã.

A avó de Maria Cavaco Silva "ultrapassou a dor conversando e partilhando experiências. Não havia associações como há agora, mas na aldeia onde vivia havia muitas mulheres que se juntavam para conversar e partilhar", lembrou.

Nos dias que correm, as associações fazem as vezes dos espaços de encontro das aldeias. E as 13 mulheres que estiveram em Belém, que Maria Cavaco Silva apelidou de "pequenas grandes heroínas do quotidiano", são as "âncoras de outras mulheres".

"Estamos aqui para um almoço de amigas para falarmos do que quisermos e calarmos aquilo que quisermos. Até porque às vezes se comunica mais com o silêncio", disse Maria Cavaco Silva.

Medidas da 'troika' tornam mercado mais flexível e conflituoso, diz social-democrata Pais Antunes

in Jornal de Notícias

As medidas previstas no acordo entre a 'troika' e o Governo vão tornar o mercado de trabalho mais flexível e dinâmico, mas também mais conflituoso, disse à Lusa o ex-secretário de Estado do Emprego Pais Antunes.

Luís Pais Antunes, que durante o governo PSD/CDS e sob a liderança ministerial de Bagão Félix produziu a primeira revisão ao Código do Trabalho em 2003, considera que só daqui a dois ou três anos "será possível fazer um balanço do impacto destas medidas".

"O mercado de trabalho vai tornar-se mais flexível e dinâmico, mas provavelmente também mais conflituoso. Diminuem alguns entraves aos despedimentos, mas também às contratações e a uma maior capacidade de adaptação das empresas às alterações dos ciclos económicos", disse.

Por outro lado, Pais Antunes considera também que as alterações previstas vão claramente além do que estava previsto no PEC 4 e no acordo tripartido celebrado no âmbito da Concertação Social e que "exigirão um esforço particular, tendo em conta não apenas as matérias em causa, mas também o calendário apertado e a necessidade de discussão com os parceiros sociais".

Uma das medidas do memorando para o mercado laboral prende-se com o regime de despedimento individual que, na opinião de Pais Antunes, vai sofrer alterações importantes.

Assim, explicou à Lusa, o despedimento por inadaptação passa a ser possível mesmo que não haja lugar à introdução de novas tecnologias ou outras modificações no posto de trabalho e abrange incumprimento de objectivos específicos da exclusiva responsabilidade do trabalhador.

O acordo de entendimento prevê ainda alterações ao nível da compensação por despedimento com a redução significativa para os novos contratos e a uniformização progressiva do regime para os actuais e para os novos contratos de trabalho.

Também em matéria de tempo de trabalho, frisou Pais Antunes, estão previstas modificações significativas, nomeadamente ao nível da retribuição do trabalho suplementar (reduções importantes) e da introdução de maior flexibilidade (banco de horas por acordo individual).

Já no que se refere ao impacto no que respeita ao subsídio de desemprego, Pais Antunes referiu que é previsível que as reduções programadas venham a produzir efeitos importantes no mercado de trabalho.

A Lusa questionou também o ministro da Justiça sobre um eventual aumento de litígios em sede laboral como consequência das alterações previstas no âmbito do acordo com a "troika".

Alberto Martins defende que embora não exista uma previsão nesse sentido, o sistema está a ser dotado de meios.

"Há uma adequação que se está a trabalhar no sentido dos tribunais administrativos, fiscais e laborais terem maior eficácia. Há uma reorganização da gestão dos tribunais que é imprescindível que seja feita", explicou.

Segundo dados oficiais do Ministério da Justiça, no final de 2010 estavam pendentes no tribunais do Trabalho 54.743 processos, menos 1.279 relativamente ao ano anterior.

A juntar a estes processos, na área da Justiça Laboral Penal existem 633 processos por resolver.

Ricoh vai despedir 10 mil pessoas para aumentar lucros em 210%

in Jornal de Notícias

O fabricante japonês de equipamentos de escritório e câmaras digitais Ricoh anunciou, quinta-feira, que vai eliminar 10 mil postos de trabalho, cerca de 10% da sua mão-de-obra, nos próximos três anos para reduzir custos.

A empresa salientou que o objectivo é alcançar lucros operacionais de mais de 1800 milhões de euros em 2013, mais 210% do que o verificado em 2010, informou a agência Kyodo.

Para o efeito, o grupo Ricoh planeia desenvolver novas linhas de negócio e potenciar os seus serviços de tecnologias da informação para aumentar as vendas para 20790 milhões de euros em 2013, mais 23% do que em 2010.

O grupo Ricoh tem actualmente cerca de 109.000 funcionários e operações em 180 países e regiões. A empresa, criada em 1936, é especializada na produção de equipamento electrónico de escritório, como fotocopiadoras e impressoras, bem como de câmaras digitais.

Em 2010, os lucros operacionais da Ricoh caíram 8,8% face a 2009 para 520 milhões de euros e as vendas registaram um decréscimo de 3,7% para 16800 milhões de euros.

A empresa enfrentou em 2010 os efeitos da forte apreciação do iene, o que prejudicou as suas exportações, e o sismo e tsunami de 11 de Março que devastou o nordeste do Japão deverá surtir efeitos nos resultados de 2011 da Ricoh.

25.5.11

61 mil desempregados perderam protecção social, alerta CGTP

Por Raquel Martins, in Público on-line

Entre Junho de 2010 e Março de 2011, 61 mil desempregado perderam o direito ao subsídio de desemprego ou deixaram de receber o subsídio social.

A CGTP alertou esta manhã que, desde a entrada em vigor das novas regras da condição de recursos, mais de 52 mil desempregados perderam o subsídio social de desemprego. Num comunicado, a central sindical realça que “a subida artificial dos rendimentos familiares por via da nova capitação” levou a que muitos “deixassem de ter acesso a esta prestação”.

A estes desempregados, a CGTP soma cerca de nove mil que entretanto perderam o subsídio de desemprego. Segundo o comunicado hoje divulgado esta descida dos beneficiários deve-se “em grande parte ao desemprego de longa duração que representa 54 por cento dos desempregados”.

O problema, realça a central, é que muitos destes trabalhadores “esgotam o subsídio de desemprego e deixam de ter acesso ao subsídio social, ficando excluídos de qualquer protecção”.

A CGTP destaca ainda que, desde o início do ano, as despesas com a protecção dos desempregados tem vindo a cair, em contradição com o aumento da taxa de desemprego, que no primeiro trimestre de 2011 chegou aos 12,4 por cento.

A CGTP considera “urgente” que a Assembleia da República que sair da eleições de 5 de Junho recupere o prolongamento do subsidio social de desemprego “enquanto se mantiver o nível elevado de desemprego”, que a prestação passe a ter como referência o salário mínimo (485 euros) e não o indexante dos apoio sociais (419,22 euros) e, finalmente, que corrija a condição de recursos.

Quase 40% dos portugueses dispostos a procurar emprego noutro país

Por Ana Rute Silva, in Público on-line

Os trabalhadores portugueses são os que menos conseguem equilibrar a vida familiar e profissional, têm níveis de stress elevado, e 22 por cento são pressionados pelas empresas a trabalhar longas horas.

A conclusão é de um estudo de mercado da GfK, feito com base nas respostas de 30.556 trabalhadores de 29 países, 547 dos quais portugueses.

Segundo o GfK International Employee PR 36 por cento dos inquiridos em Portugal admitem que foram obrigados a aceitar um emprego de que não gostam devido à crise, e 35 por cento alteraram planos como ter um filho ou comprar uma casa. Mais de 40 por cento queixam-se que “raramente” conseguem equilibrar a vida pessoal e profissional. A média de respostas dos restantes países é de 31 por cento.

Cerca de 39 por cento dos portugueses estão dispostos a mudar de país para conseguirem um emprego melhor (a média global é 37 por cento) e 38 por cento dos trabalhadores referem que o seu empregador está a utilizar o argumento da recessão para exigir mais esforço, com os mesmos recursos.

Com a contracção da economia, 14 por cento dos portugueses sofreram cortes nos salários ou nos benefícios. E destes, 10 por cento viram encolher os subsídios de férias e de Natal. A grande maioria dos inquiridos espera manter o emprego nos próximos dois anos.

Eleições: Rede Europeia Anti-Pobreza pede inclusão da erradicação da pobreza nas agendas políticas

in SICnotícias

Lisboa, 24 mai (Lusa) -- A Rede Europeia Anti-Pobreza-Portugal apelou hoje aos partidos políticos, a propósito das próximas eleições legislativas, que defendam a pessoa humana como primeiro capital, pedindo a inclusão da erradicação da pobreza nas agendas políticas, entre outras medidas.Lisboa, 24 mai (Lusa) -- A Rede Europeia Anti-Pobreza-Portugal apelou hoje aos partidos políticos, a propósito das próximas eleições legislativas, que defendam a pessoa humana como primeiro capital, pedindo a inclusão da erradicação da pobreza nas agendas políticas, entre outras medidas.

Em comunicado, a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN, na sigla em inglês) defende que "o modelo económico que vigorou até aqui revelou uma completa ineficácia na construção de uma economia sólida que gere riqueza e que favoreça a inclusão e a coesão social".

Nesse sentido, diz a EAPN, o próximo modelo económico tem de ser "fatalmente" diferente, dando prioridade ao bem-estar coletivo e à criação de condições que diminuam progressivamente as desigualdades existentes.

"Face às dificuldades e desafios que temos pela frente, a EAPN Portugal apela a todos os partidos políticos e ao futuro Governo que, a bem de uma governação assente numa democracia mais participada e responsabilizante, incluam na agenda política de governação do país o objetivo de erradicação da pobreza", lê-se no documento.

Por outro lado, pede que os responsáveis políticos "se empenhem em garantir uma redistribuição mais equitativa dos recursos e da riqueza", tendo isso em conta tanto na conceção das políticas económicas como das sociais.

O terceiro pedido diz respeito a reformas estruturais, salientando que "são muito limitados os resultados de medidas pontuais" e pedindo que "seja definido um rendimento adequado às necessidades fundamentais das famílias".

"Um rendimento que não seja calculado apenas na satisfação das necessidades básicas de sobrevivência, mas, também, de proporcionar o acesso à educação, saúde, habitação, justiça e cultura. Um rendimento que permita aos agregados familiares viver de forma digna e garantir uma vida minimamente justa e inclusiva", explica a EAPN.

Pede também uma alteração ao nível dos modelos de funcionamento das instituições, sugerindo um "novo espírito empresarial com um significado mais polivalente", em que a gestão da empresa não tenha apenas em vista os interesses dos empresários, mas que se preocupe também "com todos aqueles que contribuem para a vida da empresa: trabalhadores, clientes, fornecedores e a comunidade onde está implementada e onde opera".

Por último, a EAPN pede "uma clara inversão dos valores que estão subjacentes ao domínio político", defendendo que o poder seja devolvido aos cidadãos, com "formas de democracia mais participativas".

A EAPN lembra que se registou um agravamento das situações de desemprego e um aumento do desemprego de longa duração e que, "embora os últimos dados apontem uma redução da taxa de pobreza, é de esperar que esta tenha aumentado".

Aponta também que a desigualdade na distribuição do rendimento é das mais altas da Europa, que 12 por cento da população empregada encontra-se em risco de pobreza, prevendo-se o aumento da precariedade no mercado de trabalho.

Da parte da EAPN, o compromisso é de sensibilizar a sociedade civil na viabilização de empreendimentos de economia social e de contribuir para a elaboração de uma proposta política de construção de uma Estratégia Nacional de combate à pobreza e à exclusão social.

A EAPN é uma associação sem fins lucrativos, sediada em Bruxelas, estando representada em cada um dos Estados-Membros da União Europeia por Redes Nacionais.

SV.

Lusa/Fim

Entrevista a Patrícia Grilo

in Região de Leiria - Emprego e Formação , 20-05-2011


Isabel Jonet: “Mesmo em crise, somos generosos”

Por André Pipa, in Correio da Manhã

A generosidade é a característica portuguesa que a presidente do banco alimentar contra a fome mais aprecia. Jonet sonha com o dia em que os políticos que mentem sejam responsabilizados criminalmente

Activista contra a pobreza, Isabel Jonet preside ao Banco Alimentar Contra a Fome, uma instituição que angaria alimentos para distribuir pelos mais necessitados. No próximo fim-de-semana, o banco conta, mais uma vez, com a solidariedade dos que têm mais um pouco – e realiza uma recolha de alimentos.

A luta contra o desperdício é uma das prioridades de Isabel Jonet: "A pobreza que se vive hoje em dia muitas vezes decorre de uma má distribuição e de um desperdício de bens que já de si são escassos", diz. "Sou muito realista e olho paras as coisas como elas são. Se não são boas, digo que não são boas e tento mudá-las".

À beira de mais uma campanha, a pergunta impõe-se: somos generosos com os mais desfavorecidos? "Os portugueses são extraordinariamente solidários. Só gostam de conhecer os projectos para os quais estão a contribuir. As pessoas estão fartas de ser enganadas".

A resposta escolhida surge a sublinhado

- Se lhe pedissem para definir numa frase como está Portugal neste momento, escolhia...

a) Chamem a polícia, hau-hau-hau

b) Cristo, anda cá abaixo ver isto

c) Quem não tem dinheiro não tem vícios

- Imagine que ganha 100 milhões de euros no Euromilhões. Até ao dia 31 de Dezembro deste ano...

a) Criei uma fundação virada para a educação e beneficência

b) Passei 15 dias na Polinésia Francesa com o marido e os filhos

c) Doei 20 milhões a instituições de apoio e beneficência social

- Desliga o som da televisão só para não ter de ouvir…

a) As notícias sobre o FMI

b) A troca de imbecilidades entre Benfica e Porto

c) As declarações de José Sócrates ao País

d) Outra hipótese: a permanente estupidificação do público

- Qual é a característica que aprecia mais nos portugueses?

a) A generosidade, mesmo em tempo de crise aguda

b) A capacidade de perdoar a quem o engana e lhe faz mal

c) A capacidade de vencer as crises

- Qual destes tipos de voluntariado considera mais exigente em termos emocionais?

a) Visitar doentes nos hospitais

b) Visitar reclusos nas prisões

c) Acompanhar os sem-abrigo na rua

d) Outra hipótese: dentro de casa com um sorriso

- Sonha com o dia em que…

a) Este país passe a viver dentro das suas possibilidades

b) O Estado deixe de ser um dos maiores devedores do sector privado

c) Os políticos que mentem possam ser responsabilizados criminalmente

- Além do Banco Alimentar contra a Fome, de que é que Portugal mais precisa nos próximos anos?

a) Valores e códigos de ética

b) Educação, empreendedorismo e brio colectivo

c) De ganhar juízo e ter vergonha na cara

- O que era capaz de fazer pela sua família? Tem de escolher uma hipótese.

a) Aceitar um convite do PSD e candidatar-se à presidência da AR

b) Concorrer ao Festival da Canção em dueto com Serenella Andrade

c) Apresentar um programa de bisbilhotice cor-de-rosa a meias com Manuel Luís Goucha

d) Outra hipótese: ir ao futebol no estádio

- O que é que não perdoa mesmo à classe governante?

a) Mentir ao país sobre a situação económica do país sabendo que está a mentir

b) A impunidade com que distribui prebendas e tachos milionários aos ‘boys’

c) A cobardia de atacar e penalizar sempre os mais desfavorecidos

d) Outra hipótese: não ter visão e a coragem necessária para assegurar a sustentabilidade de Portugal

- Se pudesse passar um fim-de-semana com duas figuras portuguesas do passado, qual destas duplas escolhia?

a) Amália Rodrigues e rainha D. Amélia

b) Eça de Queiroz e Fernando Pessoa

c) Florbela Espanca e Francisco Sá Carneiro

- Qual destas três figuras históricas se aproxima mais do conceito ‘servir a Deus e os homens’?

a) Cônsul português Aristides de Sousa Mendes

b) Presidente Nelson Mandela

c) Madre Teresa de Calcutá

Coeficiente de Gini: Portugal entre os países da UE mais desiguais na distribuição do rendimento

in Observatório das Desigualdades

Apenas a Letónia e a Lituânia apresentam um registo mais negativo do que o português.

Entre os países da União Europeia a Letónia era aquele que, em 2008, registava a distribuição de rendimentos mais desigual, com um coeficiente de Gini de 37%, seguido de perto pela Lituânia com 36%. Em Portugal este indicador atinge o terceiro valor mais alto registado na UE-27, a par da Roménia: 35%.

Enquanto os Novos Estados Membros apresentaram um coeficiente de Gini de 31%, o valor deste indicador para para a EU-27 foi de 30%. Por seu lado, foi na Eslovénia que se verificou o resultado mais favorável neste conjunto de países (CG=23%). Assim, de acordo com este indicador, a Eslovénia era, em 2008, o país mais igualitário na distribuição do rendimento.


A Figura 2 ilustra a evolução do coeficiente de Gini em Portugal e na União Europeia (UE-15 e UE-27). O valor deste indicador manteve-se relativamente estável no período analisado, quer em Portugal, quer na UE -15. Importa, contudo, realçar que em 2006 e 2007 o coeficiente de Gini diminuiu em Portugal face aos anos anteriores, enquanto na EU 15 aumentou ligeiramente.

Empresas portuguesas tentam fazer negócio na Grécia

in Público on-line

Crise pode ser uma oportunidade para as PME nacionais no sector das energias renováveis e tecnologia

As empresas portuguesas, nomeadamente dos sectores das energias renováveis e das tecnologias de informação e comunicação, continuam a tentar fazer negócios na Grécia, disse à Lusa o representante da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

Laurent Armaos explicou que, apesar da crise, as empresas portuguesas, nomeadamente as Pequenas e Médias Empresas (PME), continuam a “tentar fazer negócios” na Grécia. De acordo com o responsável, “não houve um investimento na área das novas tecnologias” e “com os cortes, o país não tem avançado na investigação”. Por isso, pode haver uma janela de oportunidade para as empresas portuguesas.

Referindo-se à área das energias renováveis, Laurent Armaos deu como exemplo a Martifer, “que está a tentar aproveitar os parques eólicos e fotovoltaicos”, tendo os primeiros “como prioridade”.

No entanto, as empresas portuguesas têm de enfrentar a “burocracia grega”. O representante da AICEP disse que “os procedimentos são lentos e os processos de licenciamento burocráticos”. Também existem “casos de sobreposição de leis”.

Martifer, Millenium bcp e Sonae Sierra são algumas das empresas portuguesas que já marcam presença no mercado grego.

Empresas e particulares estão a demorar mais tempo a saldar dívidas

Por Pedro Crisóstomo, in Público On-line

Os consumidores e as empresas portuguesas estão a demorar mais dias a pagar facturas em atraso, e a perspectiva das empresas é de que os riscos de adiamento dos pagamentos vão continuar a agravar-se, mostra o Índice de Pagamentos Europeu deste ano, hoje revelado. Portugal tem mais de 5 mil milhões de euros em dívida incobráveis.

Na contagem da empresa de gestão de crédito e cobranças Intrum Justitia, que realiza o barómetro europeu há 11 anos, os particulares demoraram, ainda assim, menos tempo do que as empresas a resolver os compromissos em atraso: 34 dias, contra 41 das empresas.

De acordo com o estudo, realizado em 25 países da União Europeia nos primeiros três meses do ano, Portugal agravou em 48 por cento a taxa de pagamentos recebidos a mais de 90 dias, para 31 por cento.

Embora o Estado tenha reduzido, em média, a duração do atraso nos pagamentos para 82 dias (quando, no índice do ano passado, estava em 84 dias), continua a ser quem mais demora a pagar as suas dívidas.

Em termos globais, a percentagem de facturas incobráveis aumentou, face ao barómetro de 2010, para os 2,8 por cento para 3,2 por cento do volume de negócios das empresas – para mais de 5 mil milhões de euros. A percentagem fica, como nos anos anteriores, acima da média europeia (de 2,7 por cento, correspondente a mais de 312 mil milhões de euros) e coloca Portugal no penúltimo lugar (antes da Grécia) no índice de risco de pagamentos europeu.

Das 5777 empresas inquiridas, 95 por cento acreditam que os seus clientes pagaram em atraso “porque estavam a enfrentar dificuldades financeiras”. A grande maioria (64 por cento) estima que haverá mais riscos de atrasos nos pagamentos, enquanto 27 por cento aponta para uma manutenção do nível de risco. E também próximo deste valor percentual (63 por cento) está o número dos que dizem que o atraso está a prejudicar o crescimento das empresas em causa.

Um quadro “preocupante”, segundo a leitura do director-geral da Intrum Justitia Portugal, Luis Salvaterra, que em comunicado explica que grande parte dos inquiridos “afirma que as suas empresas investiram menos em inovação e investigação devido à desaceleração económica”.

Um dos efeitos negativos da depressão económica de Portugal, diz, é o aumento de dias que os consumidores e as empresas demoram a pagar as facturas em atraso. “Consideramos que esta situação vai piorar, uma vez que vão ser implementadas várias medidas de austeridade, incluindo cortes nos salários do sector público e aumento do IVA, entre outros”, antecipa Salvaterra.

OCDE prevê recessão de 2,1% e desemprego nos 11,7%

in Diário de Notícias

A economia portuguesa deverá contrair-se 2,1 por cento este ano e 1,5 por cento no próximo, estima a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que está mais otimista que Bruxelas também quanto à taxa de desemprego.

A organização, que divulgou hoje as suas mais recentes previsões macroeconómicas para os países membros, apresenta previsões menos pessimistas que as recentemente divulgadas pela Comissão Europeia, que apontavam para uma queda do PIB na ordem dos 2,2 por cento em 2011 e 1,8 por cento em 2012.

Também nas expetativas para o crescimento da taxa de desemprego a OCDE apresenta uma visão menos pessimista, apontando para uma taxa na ordem dos 11,7 por cento este ano e 12,7 por cento no próximo, quando a Comissão Europeia espera que a taxa atinja uns históricos 13 por cento já este ano.

A OCDE assume ainda que os objetivos do défice estipulados pela 'troika' no acordo entre Portugal e Bruxelas e o Fundo Monetário Internacional (FMI) serão atingidos (défice orçamental de 5,9 por cento este ano e 4,5 por cento no próximo).

A instituição espera ainda que a inflação acelere para 3,3 por cento ainda este ano, estabilizando no próximo nos 1,3 por cento à medida que a procura interna diminui e que os efeitos do aumento do preço do petróleo e dos impostos indiretos se dissipem.

"A redução do défice está a ser prosseguida e irá continuar no contexto do programa de apoio financeiro acordado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Apear dos custos no curto prazo, a implementação estrita das medidas de consolidação é essencial para reequilibrar a economia", diz a organização.

A OCDE lembra ainda que o consumo privado em 2010 foi impulsionado pela compra de bens duradouros, num comportamento de antecipação de compras devido ao anúncio de aumento dos impostos indiretos.

A organização sublinha o crescimento das exportações portuguesas em 2010 mas relembra que o consumo privado e a compra de material militar (submarinos) levaram a que o défice externo se reduzisse apenas de forma ligeira.