25.5.11

Eleições: Rede Europeia Anti-Pobreza pede inclusão da erradicação da pobreza nas agendas políticas

in SICnotícias

Lisboa, 24 mai (Lusa) -- A Rede Europeia Anti-Pobreza-Portugal apelou hoje aos partidos políticos, a propósito das próximas eleições legislativas, que defendam a pessoa humana como primeiro capital, pedindo a inclusão da erradicação da pobreza nas agendas políticas, entre outras medidas.Lisboa, 24 mai (Lusa) -- A Rede Europeia Anti-Pobreza-Portugal apelou hoje aos partidos políticos, a propósito das próximas eleições legislativas, que defendam a pessoa humana como primeiro capital, pedindo a inclusão da erradicação da pobreza nas agendas políticas, entre outras medidas.

Em comunicado, a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN, na sigla em inglês) defende que "o modelo económico que vigorou até aqui revelou uma completa ineficácia na construção de uma economia sólida que gere riqueza e que favoreça a inclusão e a coesão social".

Nesse sentido, diz a EAPN, o próximo modelo económico tem de ser "fatalmente" diferente, dando prioridade ao bem-estar coletivo e à criação de condições que diminuam progressivamente as desigualdades existentes.

"Face às dificuldades e desafios que temos pela frente, a EAPN Portugal apela a todos os partidos políticos e ao futuro Governo que, a bem de uma governação assente numa democracia mais participada e responsabilizante, incluam na agenda política de governação do país o objetivo de erradicação da pobreza", lê-se no documento.

Por outro lado, pede que os responsáveis políticos "se empenhem em garantir uma redistribuição mais equitativa dos recursos e da riqueza", tendo isso em conta tanto na conceção das políticas económicas como das sociais.

O terceiro pedido diz respeito a reformas estruturais, salientando que "são muito limitados os resultados de medidas pontuais" e pedindo que "seja definido um rendimento adequado às necessidades fundamentais das famílias".

"Um rendimento que não seja calculado apenas na satisfação das necessidades básicas de sobrevivência, mas, também, de proporcionar o acesso à educação, saúde, habitação, justiça e cultura. Um rendimento que permita aos agregados familiares viver de forma digna e garantir uma vida minimamente justa e inclusiva", explica a EAPN.

Pede também uma alteração ao nível dos modelos de funcionamento das instituições, sugerindo um "novo espírito empresarial com um significado mais polivalente", em que a gestão da empresa não tenha apenas em vista os interesses dos empresários, mas que se preocupe também "com todos aqueles que contribuem para a vida da empresa: trabalhadores, clientes, fornecedores e a comunidade onde está implementada e onde opera".

Por último, a EAPN pede "uma clara inversão dos valores que estão subjacentes ao domínio político", defendendo que o poder seja devolvido aos cidadãos, com "formas de democracia mais participativas".

A EAPN lembra que se registou um agravamento das situações de desemprego e um aumento do desemprego de longa duração e que, "embora os últimos dados apontem uma redução da taxa de pobreza, é de esperar que esta tenha aumentado".

Aponta também que a desigualdade na distribuição do rendimento é das mais altas da Europa, que 12 por cento da população empregada encontra-se em risco de pobreza, prevendo-se o aumento da precariedade no mercado de trabalho.

Da parte da EAPN, o compromisso é de sensibilizar a sociedade civil na viabilização de empreendimentos de economia social e de contribuir para a elaboração de uma proposta política de construção de uma Estratégia Nacional de combate à pobreza e à exclusão social.

A EAPN é uma associação sem fins lucrativos, sediada em Bruxelas, estando representada em cada um dos Estados-Membros da União Europeia por Redes Nacionais.

SV.

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