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15.6.23

Crise na habitação pode aumentar casos de violência contra idosos

in RR


Alerta é da APAV que, em 2022, apoiou, em média, quatro idosos por dia.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) avisa que a crise na habitação e a necessidade de mais famílias voltarem a partilhar casa poderá fazer aumentar os casos de violência sobre os mais velhos. Neste Dia de Sensibilização sobre a Prevenção da Violência Contra as Pessoas Idosas, Marta Carmo, gestora do projeto "Portugal mais velho", da APAV, explica que “estas crises têm uma tendência para fazer aumentar os níveis de violência”. “A coabitação é um fator de risco. Nós podemos e devemos estar preparados para para esse fato”, avisa.

Marta Carmo concretiza que “a atual situação económica, em particular a questão das dificuldades de habitação, podem vir, obviamente, a fazer com que as famílias tenham de se reunir novamente. E isso pode, também, trazer alguns conflitos familiares que, em conjunção com outros fatores, podem resultar em violência, porque isso também já foi aquilo que observámos em crises passadas”.

Um fenómeno que ainda não transparece nos últimos dados da APAV. No ano passado diminuiu ligeiramente o número de crimes contra idosos, nomeadamente casos de violência acompanhados pela associação.

“No ano de 2022, a APAV apoiou um total de 1.528 pessoas idosas vítimas de crime ou de violência, o que dá uma média de quatro idosos apoiadas por dia. Em relação ao ano anterior, este número representa um ligeiro decréscimo. Em 2021, o total de vítimas idosas apoiadas pela APAV foi de 1.594. Isto demonstra uma tendência, nos últimos anos, de ligeiros aumentos e decréscimos”

Por sua vez, dados de “um relatório estatístico de 2021” revelam que “a maior parte dos crimes de que as pessoas idosas são vítimas e que procuram a APAV são, efetivamente, crimes de violência doméstica. Em quase 30% das situações são filhos ou filhas que agridem os seus pais. Cerca de 20% das situações é de violência entre cônjuges”, descreve a responsável da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

Números que, admite Marta Carmo, não incluem uma elevada percentagem de casos que nunca são denunciados. “A Organização Mundial da Saúde já chegou a dizer que calculava que cerca de 80% das situações de violência contra pessoas idosas nunca chega a ser reportada. Tratando-se de cifras negras, não temos como saber”, lamenta.

9.6.23

Manuel Tereso, presidente da Fenache: Uma casa comprada numa cooperativa de habitação “fica 30 a 40% mais barata que no mercado”

Maribela Freitas Jornalista, João Luís Amorim Sonoplasta e João Ribeiro Sonoplasta, in Expresso



O presidente da direção da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (Fenache) dá mesmo como exemplo uma cooperativa em Lisboa que acabou há dois anos um empreendimento em que “um T2, com garagem, custou às pessoas que o compraram 120 mil euros, junto ao Parque das Nações”. Quem se entusiasme com este modelo habitacional, saiba que, para aceder a este produto tem de se envolver na gestão e decisões da cooperativa que possa vir a integrar. E é aí que Manuel Tereso considera que existe uma falha, dado o pouco conhecimento e interesse das gerações mais jovens, em se comprometerem com estas organizações que podem ajudar a resolver o problema da habitação


São cerca de 180 mil os fogos já edificados por cooperativas de habitação em Portugal após o 25 de Abril de 1974. E, segundo dados da Fenache, já existiram 500 cooperativas de habitação, um número que hoje não ultrapassa a centena, sendo que nem todas estão ativas. Manuel Tereso explica neste episódio do Expresso Imobiliário que a génese destas entidades está na “necessidade da sociedade civil se organizar” para resolver um problema.

E quem acedia a uma cooperativa de habitação? “Aqueles que não eram suficientemente pobres para que o Estado lhes providenciasse uma casa nem eram suficientemente abastados para o mercado lhes fornecer uma casa. É um limbo de gente significativo que hoje é a chamada classe média, que é quase a população do país”, refere o presidente da Fenache. Na sua opinião é preciso atualmente mobilizar as comunidades para serem elas a resolver o seu problema da habitação, mas com condições mínimas. Acredita que há de haver uma altura em que jovens e outros menos jovens, hão de perceber que têm de colocar nos seus ombros o problema da habitação e deixar de estar à espera que o Estado ou as autarquias o resolvam. E será nesse momento que as cooperativas de habitação podem fazer a diferença.

Este décimo segundo episódio do Expresso Imobiliário foi conduzido por Maribela Freitas e teve sonoplastia de João Luís Amorim e João Ribeiro.

7.6.23

Subida dos custos de construção de habitação nova abranda para 3,2% em abril - INE

Patricia Dinis, in Lusa


Lisboa, 07 jun 2023 (Lusa) - Os custos de construção de habitação nova aumentaram 3,2% em abril em termos homólogos, abrandando 3,0 pontos percentuais face à evolução de março, segundo uma estimativa do Instituto Nacional de Estatística (INE) hoje divulgada.

Em comunicado, o INE adianta que o preço dos materiais apresentou uma variação homóloga nula, desacelerando 4,6 pontos percentuais face ao mês anterior, e o custo da mão de obra aumentou 7,8% (8,5% em março).

O custo da mão de obra contribuiu com 3,2 pontos percentuais (3,5 pontos percentuais no mês anterior) para a formação da taxa de variação homóloga do Índice de Custos de Construção de Habitação Nova (ICCHN) e a componente materiais com 0,0 pontos percentuais (2,7 pontos percentuais no mês anterior).

Entre os materiais que mais influenciaram positivamente o preço estão o cimento e o betão pronto, com crescimentos homólogos superiores a 20% e 15%, respetivamente, e as madeiras e derivados de madeira, com variações superiores a 15%, detalha o INE.

Em sentido oposto, o aço para betão e perfilados pesados e ligeiros e a chapa de aço macio e galvanizada apresentaram decréscimos de cerca de 30% em termos homólogos.

Em cadeia, a variação dos custos de construção de habitação nova foi de -0,2% em abril, tendo o custo dos materiais e mão-de-obra descido 0,3% e 0,1% respetivamente.

As componentes materiais e a mão de obra contribuíram ambas com -0,1 pontos percentuais para a formação da taxa de variação mensal do ICCHN (0,0 pontos percentuais e 0,1 pontos percentuais em março, pela mesma ordem).

PD // EA

Lusa/Fim

Casal e três filhos sem casa em Lisboa: “Ainda nos queriam tirar os nossos meninos”

Maria José Coelho (Texto) e Maria Abranches (Fotografia), in Público

O caso foi esta terça-feira denunciado pela mãe, Lívia Camargo, em reunião da Assembleia Municipal de Lisboa. A família está desde Novembro sem habitação e vive na rua há seis dias.

Lívia Camargo e Paulo Faria vivem na rua desde o início de Junho, juntamente com os três filhos menores. Depois de um incêndio em Novembro, que destruiu a casa onde moravam em Arroios, na Vila de Queirós, a família foi apoiada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), dormindo em vários hostels. Com a chegada do mês de Junho, e tendo recusado as alternativas propostas, perderam o apoio e foram viver para a rua. As noites são passadas numa carrinha, uma situação denunciada esta terça-feira na Assembleia Municipal de Lisboa.

O dia 28 de Novembro de 2022 ficará para sempre na memória de Lívia Camargo e Paulo Faria. O casal, que vive em Lisboa há 16 anos, viu o fogo tomar conta da casa onde morava com mais três filhos e mudar a vida da família para sempre. A causa do incêndio foi atribuída a uma máquina de secar roupa, mas a habitação de Arroios já se encontrava em elevado nível de degradação, havendo até ratos e baratas, descreveram ao PÚBLICO. O prédio não tinha luz e o prédio necessitava de obras, que o senhorio tardava em fazer.

Desde então, os pais das três crianças – Vitória Isabel, João Paulo e Paulo Henrique, de 1, 10 e 13 anos, respectivamente – têm vivido em diversos hostels, a cargo da SCML ou por conta da própria família, que chegou a dormir em espaços clandestinos. Paulo Faria retira o telemóvel do bolso e mostra uma fotografia de um dos miúdos cheio de picadas de pulgas no pescoço. “Demorou uma semana para a assistente social nos tirar de lá”, diz a mãe. Sem sítio onde ficar, o casal chegou a pagar 400 euros para dormir cinco noites num alojamento em Lisboa.

[Artigo exclusivo para assinantes]

29.5.23

Residências universitárias privadas funcionam como hotéis e podem fazer aumentos sem limite

Cristiana Faria Moreira (texto) e Carolina Pescada (fotografia), in Público



Não há legislação que enquadre o tipo de contratos que as residências universitárias privadas podem fazercom os estudantes. Não é um arrendamento. Por isso, não há limites aos preços que cobram.

Francisco Lisboa fez-nos chegar a sua história respondendo ao formulário “Como está a enfrentar a subida dos preços?” Desde Novembro, tal como o Francisco, mais de 340 pessoas já enviaram o seu testemunho. Pode encontrar outros relatos sobre o aumento do custo de vida na página especial Contas à Vida.

Conseguir um lugar numa residência universitária pública nas grandes cidades universitárias é uma tarefa quase impossível, e, por isso, nos últimos anos, têm surgido, sobretudo em Lisboa e no Porto, mais residências privadas. Pensadas para estudantes estrangeiros, ou mesmo jovens trabalhadores, com maior poder de compra, afiguram-se agora como alternativa aos alunos portugueses que não conseguem casas ou quartos a preços que consigam pagar. No entanto, estas residências operam como se fossem unidades hoteleiras, celebrando “contratos de prestação de serviços de alojamento a estudantes”. Como resultado, não há limites aos preços que cobram, nem quaisquer protecções semelhantes à de um arrendamento.

[Artigo exclusivo para assinantes]


11.5.23

Leilões de casas penhoradas disparam e DECO alerta: o pior ainda está para vir

in SIC


Foram a leilão 7.945 imóveis no âmbito de processos de execução de dívidas em 2022. Depois das restrições impostas pelo Governo durante a pandemia, as ações executivas voltaram a subir e as vendas
deste ano podem vir a ultrapassar as do ano passado.


Quase oito mil casas penhoradas foram vendidas em leilão no ano passado. O número é revelado pela ordem dos agentes de execução e não inclui nem as penhoras das finanças, nem as da segurança social.

O empréstimo à habitação é por norma o último dos vários créditos. As famílias em dificuldades deixam de pagar e entre o momento do incumprimento e a execução fiscal ainda leva algum tempo.


“Eventualmente no fim do ano, início do próximo é que teremos a consequência do momento difícil que as famílias estão a viver em 2022 e 2023. Estes números são claramente um reflexo das dificuldades do passado e não do agora”, explicou Natália Nunes da DECO.

Desde que foi criado em 2016, o E-leilões nunca tinha tantos imóveis para leiloar como no ano passado. Em 2022 foram colocados em licitação 7.945 casas e terrenos penhorados por dívidas.


“Talvez seja o boom das vendas judiciais”, referiu Duarte Pinto, da Ordem dos Solicitadores e Agentes de Execução.

Isto, não é de estranhar depois das restrições impostas pelo Governo durante a pandemia. Na altura, o Estado limitou os processos e as penhoras e entre 2020 e 2021 houve poucos negócios para os agentes de execução.

Não é difícil de perceber que o pior está para vir e os números de penhoras vão seguramente aumentar. A não ser que novas medidas de apoio às famílias surjam.

9.5.23

Como resolver a crise na habitação? Há um estudo a apontar novas soluções

in SIC



8.5.23

Por que é que os jovens não conseguem comprar casa?

Leonor Santos, in Idealista


Ter autonomia e mais independência: a aspiração de qualquer jovem que se prepara para fazer a transição para a vida adulta. Mas em Portugal, esse caminho está cada vez mais difícil. Desde os empregos e salários precários, às dificuldades no acesso à habitação. Comprar casa é, para muitos jovens, um sonho distante – e nem o arrendamento é viável em alguns casos. Os números do Eurostat não deixam margem para dúvidas: Portugal é o país da União Europeia (UE) em que os jovens saem mais tarde de casa dos pais - 33,6 anos, em média. E não é por apatia ou falta de vontade. A maioria não consegue mesmo pagar por uma casa.


Em 2021, a idade média em que os jovens deixaram a casa dos pais na UE era de 26,5 anos. Os valores variam entre os Estados-membros, mas a disparidade é evidente, segundo a autoridade estatística da UE. Portugal, Croácia, Eslováquia, Grécia ou Bulgária estão entre os países que registaram as idades médias mais elevadas de abandono do agregado familiar, com 30 anos ou mais. Em contraste, Estónia, Dinamarca, Finlândia e Suécia registaram as idades médias mais jovens, 23 anos ou menos. E a Suécia é mesmo o país onde os jovens adquirem a sua independência mais cedo, deixando a casa de família, em média, aos 19 anos.
Os sentimentos de insegurança perante o futuro e incapacidade de planeamento da vida fazem parte, por isso, do dia a dia dos jovens portugueses. Mas será que “Este país não é para jovens?”. Este foi o mote da conferência organizada pela ERA no Salão Imobiliário de Portugal (SIL), e que reuniu vários especialistas do setor para debater os desafios da habitação para as novas gerações. Por que é que em Portugal é tão difícil sair de casa dos pais? E por que é que os jovens não conseguem comprar casa?



Compra da primeira casa cada vez mais tardia

A compra da primeira casa é cada vez mais tardia e a realidade tende a agravar-se. A raiz do problema é, segundo os especialistas, multifatorial, mas está a atingir grandes proporções. A falta de oferta, aliada ao fosso entre os preços das casas e salários é um entrave, assim como a dificuldade de acesso ao crédito habitação, que hoje se rege por critérios mais apertados e que, por isso, deixa de fora muitos jovens à procura de concretizar o sonho de ter casa.

Além de um direito constitucionalmente consagrado, Romana Xerez, professora no ISCSP-ULisboa e investigadora no CAPP, autora do estudo “Acesso à habitação própria em Portugal”, lembra que a “casa é uma narrativa positiva que dá segurança às pessoas”, daí que desempenhe um papel tão importante nas suas vidas. A académica salienta que “o acesso dos jovens a habitação agravou-se de uma forma acentuada”, uma situação “complexa” que representa um “risco social muito grande”. E não só pelo facto de não se conseguir comprar casa, mas aquilo que ela representa: capacidade de constituir família, bem-estar, alcance de autonomia.

“Chegámos aqui devido a vários fatores: o preço da habitação que subiu de forma impressionante; a crise de 2008; a crise da pandemia; a guerra na Ucrânia e aumento do custo de vida, que não sabemos onde vai parar. Esta geração tem de enfrentar multicrises”, frisa a investigadora.

A dificuldade de acesso ao crédito habitação

A maioria dos jovens precisa de recorrer a financiamento bancário para comprar casa. E o sonho começa por “esbarrar” aqui, desde logo porque a banca apenas empresta uma parte do valor do imóvel – no máximo 90% –, sendo necessário ter capitais próprios para comportar os restantes encargos: não só o valor da entrada (pelo menos 10%), mas também impostos e outros custos inerentes.


O problema? A maioria dos jovens não tem liquidez ou poupanças suficientes para pagar a entrada de uma casa, que hoje em dia pode representar montantes avultados, face à subida dos preços dos imóveis. E depois, a estes obstáculos, juntam-se outros: há estabilidade financeira para a assumir a prestação de uma casa? Os rendimentos são suficientes? No caso de um aumento das taxas de juro (como se verifica atualmente), como fica a taxa de esforço?

António Ribeiro, representante do Santander, relembra que atualmente os critérios estão apertados para a generalidade das pessoas. Comprou a primeira casa aos 26 anos, mas admite que se fosse hoje, muito provavelmente, e perante as novas regras, ele próprio não conseguiria cumprir os critérios para pedir dinheiro ao banco e comprar casa.

“As dificuldades em aceder ao crédito habitação resultam de um conjunto de normativos que a banca tem de respeitar e que limita muito a própria imaginação do setor financeiro para encontrar soluções”, uma vez que é um “modelo intelectualmente cinzento”, diz. Apesar disso, o responsável acredita que o setor pode fazer parte da solução, mas para isso será necessário um esforço de equipa entre o setor bancário, o poder político e autárquico. “Eu acredito muito nos jovens. Acredito que vamos encontrar soluções e acredito que o setor financeiro pode ajudar a encontrar soluções”, salienta.

Também para Alexandre Poço, líder nacional da JSD, que faz parte do Grupo de Trabalho da Habitação do PSD, a “não ser que tenha pais ricos, um jovem não consegue ter dinheiro suficiente para dar entrada numa casa, tendo em conta o valor percentagem, os impostos, etc..” e, por isso, considera que devia pensar-se num instrumento estatal capaz de funcionar como garantia para a compra da primeira casa, e destaca a proposta avançada pelo seu partido que pretende ajudar os jovens na aquisição de habitação.

Recorde-se que o PSD apresentou um conjunto de medidas para responder à crise na habitação. E entre elas há duas medidas focadas em facilitar a compra de casa por parte dos jovens portugueses: a isenção de IMT e de imposto do selo na compra de habitação própria; e a atribuição de uma garantia pública do valor de entrada que os jovens têm de pagar ao banco no momento de pedir um crédito habitação para adquirir casa, sendo assim assegurado um financiamento a 100%. Esta garantia, tal como explica Alexandre Poço, seria atribuída aos jovens até aos 35 anos que pretendam adquirir uma habitação até 250 mil euros.
Como fazer de Portugal um país para jovens?

Filipa Roseta, vereadora Câmara Municipal de Lisboa, com o Pelouro da Habitação e Desenvolvimento local, recorda que "quem trata o problema da habitação quer resolvê-lo” e a única coisa que pede, enquanto representante do poder local, é que “não lhes mandem para cima mais problemas”. “Queremos é soluções”, diz a responsável, numa referência ao programa Mais Habitação do Governo que, segundo Filipa Roseta, vem colocar mais obstáculos aos municípios.

Lamenta que o título da conferência seja “Este país não é para jovens?”. “É necessário, pelo debate importante de ideias, mas triste”, diz, sublinhando que “não pode haver a ideia de que há gerações que tem menos que outras”. “Não pode acontecer uma geração que teve tudo e outra que não tem nada. Tem de haver um contrato intergeracional (...) Este é um país para a toda a gente”, defende.

Romana Xerez também lamenta que “tenhamos perdido oportunidades”. Para a investigadora, o programa Mais Habitação “tem poucochinho para a juventude”. “Este programa não contempla os jovens. Tem o Porta 65 que foi criado nos anos 90 perante uma situação completamente diferente da que vivemos. É muito pouco, precisamos de muito mais”, defende.

O problema do acesso à habitação também está na falta de oferta e, por isso, é fundamental aumentar o número de casas disponíveis, segundo o líder da JSD. Relembra que uma grande força motriz para a construção de mais casas é, precisamente, o setor privado. “Temos de um aumento de oferta nos segmentos médios”, frisa Alexandre Poço.

O CEO da ERA, Rui Torgal, não tem dúvidas que o Portugal deverá ser um país para jovens, até “porque um país que não tenha jovens é um país que não existe”, na opinião do mediador. Para o responsável, “não faz absolutamente sentido nenhum nós estarmos a criar talento que é constantemente exportado”. “Tornámo-nos um país de reformados, um país em que aquilo que temos como estratégia é criar benefícios fiscais para pessoas que queiram vir para cá “acabar” a sua vida ou pessoas que queiram começar a sua vida. E, portanto, eu diria que há muito para fazer. Tem que ser feito muito. Mas eu acredito de uma forma absolutamente convicta que este país tem que ser um país de jovens. Não temos outra alternativa”, refere em declarações ao idealista/news, à margem do debate.

4.5.23

"Mais habitação". Governo quer suspender prazo para investir

in RTP


O Governo quer suspender a contagem do prazo que permite a quem vendeu a casa, reinvestir noutra e não pagar IRS pelas mais-valias. A proposta consta do pacote "Mais Habitação" que vai ser discutido no parlamento no dia 19.
A ideia é minimizar os problemas que surgiram no período da pandemia... quando muitos contribuintes tiveram dificuldade em comprar novo imóvel e assim reinvestir as mais-valias.

A proposta do Governo é suspender durante dois anos, o prazo de 36 meses previsto na lei. Assim, quem vendeu antes ou durante 2020 e 2022 ganha mais tempo para abater as mais-valias sem ser tributado em sede de IRS.

3.5.23

Comprar casa em Portugal: estes são os 10 municípios mais baratos

 in Idealista



Investir no conforto de uma casa, com espaços exteriores e em pleno contacto com a natureza, é investir em qualidade de vida. É com esta perspetiva em mente que cada vez mais famílias procuram uma casa para comprar em Portugal, até porque fora dos grandes centros urbanos os preços das casas são, geralmente, mais económicos. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam precisamente que é no interior do país onde se encontram os 10 municípios mais baratos para comprar casa. Vem daí descobrir onde é que é possível adquirir uma habitação de 100 metros quadrados (m2) por menos de 30 mil euros.

A nível nacional, comprar uma habitação de 100 m2 custou, em termos medianos, 148.400 euros em 2022, apontam os dados do INE divulgados no passado dia 21 de abril. Mas a verdade é que em maior parte dos 308 municípios portugueses é possível adquirir casa por um valor bem menor: em 199 concelhos o preço mediano das casas vendidas em 2022 foi inferior a 1.000 euros/m2 e, destes, 66 apresentam valor medianos inferiores a 500 euros/m2.

Saber onde se encontram os preços das casas mais baixos é especialmente importante num momento em que os custos do crédito habitação estão em alta, por via da subida dos juros, e a inflação em Portugal continua a impactar os bolsos das famílias, embora esteja a descer e haja novas medidas do Governo para atenuar ao seu impacto.


Estes são os 10 municípios mais baratos para comprar casa


Para conhecer os municípios onde é mais barato comprar casa é preciso viajar até ao interior de Portugal. Isto porque é nos distritos da Guarda, Viseu e Castelo Branco que se localizam 9 dos 10 concelhos mais económicos para adquirir uma habitação.


É precisamente em Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, que se encontram as casas mais baratas de todas. Aqui, o custo mediano das vendas realizadas ao longo de 2022 fixou-se em 192 euros/m2, o que significa que uma habitação de 100 m2 custa menos de 20 mil euros.

Em segundo e terceiro lugares estão dois concelhos de Viseu, Armamar e Sernancelhe, onde comprar casa custou, em termos medianos, 203 euros/m2 e 208 euros/m2, respetivamente. Nestes municípios, o preço mediano de uma casa de 100 m2 ficou, portanto, entre os 20 mil e os 30 mil euros.


O único concelho das ilhas portuguesas que está entre os municípios mais baratos para comprar casa é Santa Cruz da Graciosa, na ilha da Graciosa (Açores), onde adquirir uma habitação custou 264 euros/m2 em 2022, apontam os dados do INE.

Quais são os 10 municípios onde comprar casa é mais caro?

Grande Lisboa, Algarve e Porto. É pelos grandes centros urbanos do país que se encontram os municípios mais caros para adquirir uma habitação. Lisboa ficou em primeiro lugar, registando o preço de 3.872 euros/m2 nos últimos 12 meses terminados em dezembro do ano passado. Ou seja, na capital portuguesa o preço mediano das casas fixou-se em 387 mil euros, mais do dobro da média nacional.

Logo a seguir está Cascais, com o preço mediano de 3.473 euros/m2. E Oeiras, onde comprar casa custou 3.001 euros/m2 nesse período, revelam ainda os dados do gabinete de estatística português. Já no Porto o valor mediano das casas vendidas ao longo de 2022 foi de 2.568 euros/m2.

No fundo da lista dos 10 municípios onde comprar casa é mais caro está Tavira (2.386 euros/m2) e Vila do Bispo (2.404 euros/m2), no Algarve.

21.4.23

Preços das casas desaceleram no final de 2022, mas nas áreas metropolitanas continuam acima da mediana

Rita Robalo Rosa, in Público



O preço mediano de alojamentos familiares em Portugal foi 1500 euros por metro quadrado (m2). Em Lisboa, Cascais e Oeiras passou os 3000 euros por m2


No último trimestre do ano, 14 dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes registaram uma desaceleração nos preços por metro quadrado (m2) das casas. Ainda assim, nas áreas metropolitanas (que concentram 17 destes 24 destes concelhos), os preços do m2 eram superiores aos da média nacional em quase todos estes municípios, mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo o gabinete estatístico, entre outubro e dezembro o preço mediano de alojamentos familiares em Portugal foi 1500 euros por m2, correspondendo a um crescimento de 10,7%. Ou seja, houve uma desaceleração face ao terceiro trimestre, uma vez que nesse período a variação foi de 13,5%.

No período em análise, “o preço mediano da habitação aumentou, face ao período homólogo, em 22 sub-regiões NUTS III, destacando-se os crescimentos no Alentejo Litoral (22,6%), Região Autónoma da Madeira (18,9%), Aveiro (18,3%) e Médio Tejo (17,2%)”.

Entre as quatro sub-regiões com preços medianos da habitação mais elevados - Algarve, Área Metropolitana de Lisboa, Madeira e Área Metropolitana do Porto - “apresentaram também os valores mais elevados em ambas as categorias de domicílio fiscal do comprador”. E nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa, o preço mediano por m2 das “transações efetuadas por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro superou, respetivamente em 75,6% e 64,3%, o preço das transações por compradores com domicílio fiscal em território nacional”.

Olhando para os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, em 14 houve uma desaceleração dos preços, “destacando-se com decréscimos superiores a 10 pontos percentuais (p.p.), Barcelos (-19,2 p.p.), Maia (-16,5 p.p.) e Matosinhos (-11,6 p.p.)”.

Apesar da desaceleração, em quase todos os concelhos com mais de 100 mil habitantes das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, com exceção de Santa Maria da Feira, os preços medianos eram superiores ao valor nacional, destacando-se Lisboa (4022 euros por m2), Cascais (3631) e Oeiras (3184).

19.4.23

Juros no crédito à habitação sobem para o valor mais alto em quase 14 anos

Rita Robalo Rosa,  in Expresso



Os juros no crédito à habitação em Portugal subiram para 2,829% em março. A prestação média subiu para 331 euros e o capital médio em dívida subiu para 62.699 euros


A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação em Portugal subiu para 2,829% em março, uma subida de quase 30 pontos-base face a fevereiro (2,532%), e assim atingiu o valor mais elevado desde junho de 2009, segundo mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta quarta-feira. Desde abril do ano passado que esta taxa sobe todos os meses.

Se olharmos apenas para os contratos celebrados nos últimos três meses o aumento é ligeiramente menos expressivo. Neste caso, a taxa de juro subiu de 3,409% em fevereiro para 3,507% em março, indica ainda o gabinete estatístico.

A taxa de juro média inclui, além da aquisição de habitação, os juros para construção e reabilitação. Assim, se analisarmos apenas o financiamento de aquisição de habitação, “o mais relevante no conjunto do crédito à habitação”, segundo o INE, a taxa de juro implícita para o total dos contratos subiu para 2,823% (mais 29,5 pontos base). Nos contratos celebrados nos últimos 3 meses para aquisição, a taxa de juro subiu para 3,501% (mais 10,5 pontos).

A prestação média subiu para 331 euros, mais nove euros que em fevereiro. Do total da prestação, 148 euros (45%) correspondem a pagamento de juros e 183 euros (55%) a capital amortizado.

Nos contratos celebrados no primeiro trimestre, o valor médio da prestação subiu para 576 euros (mais sete euros).

O INE indica ainda que, no mês em análise, o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos subiu 166 euros, fixando-se em 62.699 euros. E nos contratos celebrados nos últimos três meses, o montante médio do capital em dívida foi 125.170 euros, menos 45 que em fevereiro.

13.4.23

Lisboa é a segunda cidade mais cara do sul da Europa para vender e arrendar casa

Ana Rute Carvalhoin SIC 



Embora Paris continue a ser a cidade mais cara para comprar e arrendar casa, é na capital portuguesa que se regista a maior subida de preços para venda.


Lisboa é a segunda cidade mais cara do sul da Europa para vender e arrendar casa, segundo a conclusão de um estudo publicado esta quarta-feira.

O estudo da plataforma imobiliária CASAFARI compara os valores de mercado praticados em cinco cidades nos primeiros três meses de 2023 não só ao período homólogo de 2022, mas também ao quarto trimestre do ano passado.

Embora Paris continue a ser a cidade mais cara para comprar e arrendar casa, é na capital portuguesa que se regista a maior subida de preços para venda. Ou seja, há um aumento de 9,8% face ao primeiro trimestre de 2022 e mais 3,4% em relação a outubro, novembro e dezembro do ano passado.

Em Lisboa, o preço médio por metro quadrado está neste momento acima dos 5.000 euros, mais caro do que em Milão, Barcelona e Madrid.

Os preços por m2 para vender:Paris – 12.707 euros;

Lisboa – 5.149 euros;
Milão - 4.969 euros;
Barcelona – 4.120 euros;
Madrid - 4.062 euros.

No arrendamento, o preço médio por metro quadrado cresce em todas as cidades, mas Lisboa volta a destacar-se com o maior aumento: 5,4% face ao último trimestre de 2022 e mais 40,2% em relação aos primeiros três meses desse ano.

Cada metro quadrado no arrendamento custa em média 23 euros, o que torna Lisboa também a segunda cidade mais cara do sul da Europa para arrendar casa.

Os preços por m2 para arrendar:Paris – 42 euros;

Lisboa – 23 euros;
Milão - 23 euros;
Barcelona – 22 euros;
Madrid – 17 euros.