Elisabete Tavares, in DN
Banco de Portugal recebeu quase 20 mil reclamações de clientes no ano passado, mais 8,6% do que no ano anterior, por causa de queixas relacionadas com as moratórias de crédito.
Créditos ao consumo foram responsáveis pela subida dos processos de regularização de incumprimento.
Durante o ano de 2020, os bancos iniciaram 707 mil novos processos de acordo extrajudicial relativos a famílias que deixaram de conseguir pagar os seus créditos, num montante global de contratos de 2990 milhões de euros.
Os dados foram divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal e constam do Relatório de Supervisão Comportamental relativo a 2020.
Segundo o relatório, foram iniciados no ano passado 652.565 processos PERSI (procedimento extrajudicial de regularização de situações de incumprimento) no âmbito do crédito aos consumidores. Trata-se de um aumento de 5,6% face a 2019. No global, estes processos envolvem contratos no montante de 1144 milhões de euros.
"O número de contratos de crédito aos consumidores integrados em PERSI também aumentou em março e em abril de 2020. A partir daí e até agosto, observou-se uma redução do número de contratos integrados em PERSI", aponta o relatório. Explica que esta evolução "estará associada às moratórias privadas, que entraram em vigor a partir de meados de abril". "Porém, esta trajetória foi interrompida a partir de setembro, num contexto em que algumas instituições com peso significativo no mercado deixaram de disponibilizar aos seus clientes a possibilidade de acesso a essas moratórias privadas", frisa.
No crédito à habitação e hipotecário, "foram iniciados 54.970 processos, menos 23,1% do que em 2019", avança o documento. "Esta evolução entende-se associada à implementação da moratória pública, que, desde o seu início abrangeu os contratos de crédito à habitação própria permanente, e que, a partir de junho, passou a abranger outros créditos hipotecários", explica. Neste segmento, os contratos abrangidos são no montante global de 1846 milhões de euros.
As moratórias foram introduzidas em março de 2020 como medida para minimizar o impacto nas famílias e empresas da crise provocadas pelas medidas adotadas pelo governo no âmbito da epidemia. A medida permitiu ainda travar o aumento do nível de crédito malparado nos bancos.
No final de março último, estavam abrangidos por moratórias empréstimos no valor global de 41,9 mil milhões de euros, uma redução mensal de 3,7 mil milhões de euros.
A descida deveu-se sobretudo ao facto de ter terminado no final de março a moratória da Associação Portuguesa de Bancos. No caso da moratória pública, vence no final de setembro deste ano para a maior parte dos créditos hipotecários abrangidos.
Moratórias fazem disparar reclamações
O Banco de Portugal recebeu quase 20 mil reclamações de clientes bancários em 2020, um aumento de 8,6% face ao ano anterior, devido ao volume de queixas "sobre matérias covid-19", nomeadamente as moratórias no crédito.
O supervisor bancário recebeu cerca de 1638 reclamações por mês por parte de clientes bancários em 2020, segundo o relatório do Banco de Portugal.
"Os clientes bancários apresentaram 19.660 reclamações relativas a matérias sujeitas à supervisão do Banco de Portugal, mais 8,6% do que em 2019. Este aumento ficou a dever-se às reclamações sobre medidas adotadas no contexto da pandemia de covid-19", destaca o supervisor num comunicado sobre o relatório.
Excluindo as reclamações relacionadas com os temas sobre a epidemia, "o número de reclamações teria diminuído 0,6%", adianta o Banco de Portugal.
"Na sequência da sua atuação fiscalizadora (sobre moratórias), emitiu 284 determinações específicas a cem instituições e instaurou dez processos de contraordenação a sete instituições", adianta o supervisor.
No caso das comissões bancárias, o Banco de Portugal executou ações de inspeção em 120 instituições financeiras e detetou irregularidades em 120 por falta de "conformidade do extrato de comissões com as regras definidas".
Nas contas à ordem, das 115 entidades inspecionados, 107 não cumpriam com o exigido ao nível do "conteúdo da informação prestada sobre o serviço" de mudança de conta.
As contas de serviços mínimos bancários (SMB) foi outro dos temas que levou à imposição de medidas junto de bancos por parte do Banco de Portugal. Entre as situações que o supervisor detetou, constatou-se que bancos limitavam o acesso a outros produtos e serviços financeiros por parte do titular daquele tipo de conta, "tendo-se exigido a 79 instituições que deixassem de limitar o acesso dos titulares de contas de SMB a produtos e serviços como, por exemplo, o cartão de crédito e o MBway".
Segundo o relatório, "as reclamações sobre matérias associadas a depósitos bancários, crédito aos consumidores e crédito à habitação e hipotecário - as três matérias mais reclamadas pela importância relativa destes contratos para os clientes - aumentaram em relação a 2019, quer em termos absolutos quer quando ponderadas pelo número de contratos".
Por cada cem mil contratos, o número de reclamações cresceu de 32 para 34, no caso das contas de depósito, de 36 para 40, no crédito aos consumidores e de cem para 119, no crédito à habitação e hipotecário.
Contas low cost aumentam
O relatório Banco de Portugal revela ainda que a adesão a contas bancárias de custo reduzido disparou 25% em 2020, contabilizando-se a existência de mais de 129 mil destas contas em Portugal no final de dezembro passado. Trata-se de um aumento de 25.958 contas de serviços mínimos bancários face ao final de 2019. "Foram constituídas 30.073 contas de SMB, das quais 22.479 resultaram da conversão de uma conta de depósito à ordem já existente na instituição numa conta de SMB e 7.594 da abertura de nova conta de SMB", refere o documento.
O supervisor avança ainda que em 2020 foram encerradas 4115 contas de SMB, sendo que destas, 79,3% foram fechadas por iniciativa do cliente e 852 por iniciativa do banco. "Os motivos que levaram ao encerramento da conta de SMB pela instituição deveram-se, sobretudo, à detenção pelo titular de outras contas de depósito à ordem, à inexistência de movimentos na conta nos últimos 24 meses ou ao facto de o titular ter deixado de ser residente legal na União Europeia", explica o relatório.
O Banco de Portugal detetou, em ações de inspeção a 80 instituições financeiras, que todas falhavam o cumprimento de regras, incluindo no respeito pelo limite máximo de cobrança de comissões e encargos.
"Foram detetadas nas 80 instituições situações em que a abertura de conta de SMB ou a conversão de conta de depósito à ordem em conta de SMB foi recusada com fundamento em motivos não previstos na lei e em que não foi assegurada a comunicação formal aos clientes sobre o motivo para a recusa de acesso à conta de SMB", aponta o relatório.
O supervisor detetou ainda "nas 80 instituições situações de cobrança indevida de comissões pela utilização de serviços incluídos na conta de SMB, como sejam a disponibilização de cartão de débito, levantamentos de numerário ao balcão ou depósitos de moeda metálica".
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9.7.14
Crédito malparado das famílias atinge valor mais elevado de sempre
in Jornal de Notícias
O crédito malparado das famílias portuguesas atingiu em maio deste ano o valor mais elevado desde o início de 1998, o início da série, segundo dados publicados pelo Banco de Portugal, esta terça-feira.
De acordo com o Boletim Estatístico do Banco de Portugal, em maio, o crédito de cobrança duvidosa concedido às famílias era de 5262 milhões de euros, valor que compara com os 5179 milhões registados no mesmo mês de 2013 e com os 5223 milhões verificados em abril deste ano.
O crédito à habitação foi o que mais pesou neste desempenho: em maio, o crédito malparado nesta categoria subiu para os 2455 milhões de euros, acima dos 2448 registados no mês anterior e dos 2322 milhões de euros verificados em maio de 2013.
Também o valor do crédito ao consumo aumentou ligeiramente dos 1410 milhões de euros em abril para os 1414 milhões de euros em maio, bem com o valor do crédito concedido para outros fins, que passou dos 1365 milhões de euros em abril para os 1393 milhões de euros em maio.
Quanto às empresas, o crédito de cobrança duvidosa subiu em maio: no total, atingiu os 12611 milhões de euros no quinto mês deste ano, depois de se ter cifrado nos 12497 milhões de euros no mês anterior.
O setor da construção contribuiu com 4348 milhões de euros para este resultado, embora se tenha verificado uma queda do valor do crédito malparado neste setor, uma vez que em abril se fixou nos 4377 milhões de euros.
Já o valor dos créditos de cobrança duvidosa concedido a atividades imobiliárias aumentou dos 2495 milhões de euros em abril para os 2533 milhões de euros em maio.
O crédito malparado das famílias portuguesas atingiu em maio deste ano o valor mais elevado desde o início de 1998, o início da série, segundo dados publicados pelo Banco de Portugal, esta terça-feira.
De acordo com o Boletim Estatístico do Banco de Portugal, em maio, o crédito de cobrança duvidosa concedido às famílias era de 5262 milhões de euros, valor que compara com os 5179 milhões registados no mesmo mês de 2013 e com os 5223 milhões verificados em abril deste ano.
O crédito à habitação foi o que mais pesou neste desempenho: em maio, o crédito malparado nesta categoria subiu para os 2455 milhões de euros, acima dos 2448 registados no mês anterior e dos 2322 milhões de euros verificados em maio de 2013.
Também o valor do crédito ao consumo aumentou ligeiramente dos 1410 milhões de euros em abril para os 1414 milhões de euros em maio, bem com o valor do crédito concedido para outros fins, que passou dos 1365 milhões de euros em abril para os 1393 milhões de euros em maio.
Quanto às empresas, o crédito de cobrança duvidosa subiu em maio: no total, atingiu os 12611 milhões de euros no quinto mês deste ano, depois de se ter cifrado nos 12497 milhões de euros no mês anterior.
O setor da construção contribuiu com 4348 milhões de euros para este resultado, embora se tenha verificado uma queda do valor do crédito malparado neste setor, uma vez que em abril se fixou nos 4377 milhões de euros.
Já o valor dos créditos de cobrança duvidosa concedido a atividades imobiliárias aumentou dos 2495 milhões de euros em abril para os 2533 milhões de euros em maio.
7.8.13
Crédito malparado das empresas recua, mas ainda está acima de 11%
Pedro Crisóstomo, in Público on-line
Queda nos empréstimos manteve-se em Junho. Cobrança duvidosa face ao crédito concedido a particulares estagnou.
O crédito malparado de empresas recuou ligeiramente em Junho, mas a percentagem de crédito vencido face aos empréstimos concedidos continua acima de 11%. A barreira foi quebrada pela primeira vez em Maio (desde que o Banco de Portugal regista estes dados, 1997) e baixou no mês seguinte, mas não o suficiente para o volume de crédito de cobrança duvidosa recuar daquele patamar histórico.
De acordo com dados publicados nesta terça-feira pelo banco central, o malparado de empresas junto da banca ascendia em Junho a 11.670 milhões de euros, contra 11.825 milhões em Maio. Ao todo, os empréstimos concedidos por instituições financeiras a empresas totalizavam 104.356 milhões de euros, um valor mais baixo – mas próximo – do registado no mês anterior (104.506 milhões).
A quebra ligeira registada na percentagem de malparado nas empresas contrasta com a evolução da cobrança duvidosa de particulares. Tanto no caso dos empréstimos destinados à habitação como nos créditos ao consumo, o malparado manteve-se nos mesmos níveis de Maio.
Com raras excepções desde finais de 2011, tem diminuído de mês para mês o montante dos empréstimos de empresas (o que se repetiu em Junho), mas aumentado o crédito malparado em volume e em percentagem (o que já não aconteceu em Junho).
Já o malparado nos empréstimos a particulares manteve-se em 3,9%, o equivalente a 5164 milhões de euros de um total de 130.927 milhões. Apesar das pequenas variações no valor absoluto de crédito considerado pelas instituições financeiras como cobrança duvidosa, o rácio face ao total de crédito concedido estagnou desde Janeiro, depois de nesse mês ter atingido uma percentagem recorde.
Onde este indicador também não se alterou foi nos empréstimos ao consumo (12,03%) e à habitação (2,15%). A diferença é abissal; e a tendência a mesma de sempre: confrontados com dificuldades financeiras, os particulares deixam primeiro de pagar os empréstimos ao consumo e só mais tarde os créditos para a compra de casa.
Quanto aos depósitos, registou-se um aumento de 338 milhões (0,26%) entre Maio e Junho, altura em que o montante dos depósitos de particulares passou para 132.137 milhões de euros, o valor mais alto desde Agosto de 2012. Já os depósitos de empresas baixaram, passando para 27.439 milhões de euros (menos 0,84% do que em Maio e menos 8,16% do que no mesmo mês do ano passado).
Queda nos empréstimos manteve-se em Junho. Cobrança duvidosa face ao crédito concedido a particulares estagnou.
O crédito malparado de empresas recuou ligeiramente em Junho, mas a percentagem de crédito vencido face aos empréstimos concedidos continua acima de 11%. A barreira foi quebrada pela primeira vez em Maio (desde que o Banco de Portugal regista estes dados, 1997) e baixou no mês seguinte, mas não o suficiente para o volume de crédito de cobrança duvidosa recuar daquele patamar histórico.
De acordo com dados publicados nesta terça-feira pelo banco central, o malparado de empresas junto da banca ascendia em Junho a 11.670 milhões de euros, contra 11.825 milhões em Maio. Ao todo, os empréstimos concedidos por instituições financeiras a empresas totalizavam 104.356 milhões de euros, um valor mais baixo – mas próximo – do registado no mês anterior (104.506 milhões).
A quebra ligeira registada na percentagem de malparado nas empresas contrasta com a evolução da cobrança duvidosa de particulares. Tanto no caso dos empréstimos destinados à habitação como nos créditos ao consumo, o malparado manteve-se nos mesmos níveis de Maio.
Com raras excepções desde finais de 2011, tem diminuído de mês para mês o montante dos empréstimos de empresas (o que se repetiu em Junho), mas aumentado o crédito malparado em volume e em percentagem (o que já não aconteceu em Junho).
Já o malparado nos empréstimos a particulares manteve-se em 3,9%, o equivalente a 5164 milhões de euros de um total de 130.927 milhões. Apesar das pequenas variações no valor absoluto de crédito considerado pelas instituições financeiras como cobrança duvidosa, o rácio face ao total de crédito concedido estagnou desde Janeiro, depois de nesse mês ter atingido uma percentagem recorde.
Onde este indicador também não se alterou foi nos empréstimos ao consumo (12,03%) e à habitação (2,15%). A diferença é abissal; e a tendência a mesma de sempre: confrontados com dificuldades financeiras, os particulares deixam primeiro de pagar os empréstimos ao consumo e só mais tarde os créditos para a compra de casa.
Quanto aos depósitos, registou-se um aumento de 338 milhões (0,26%) entre Maio e Junho, altura em que o montante dos depósitos de particulares passou para 132.137 milhões de euros, o valor mais alto desde Agosto de 2012. Já os depósitos de empresas baixaram, passando para 27.439 milhões de euros (menos 0,84% do que em Maio e menos 8,16% do que no mesmo mês do ano passado).
8.5.13
7774 portugueses por dia deixaram de pagar dívidas ao banco
Ana Margarida Pinheiro, in Jornal de Notícias
Em março, todos os dias houve mais 7774 portugueses a deixarem de pagar o empréstimo ao banco. O consumo continua a ter o maior peso no malparado das famílias, segundo o Banco de Portugal.
As dificuldades das famílias são evidentes e, segundo o Banco de Portugal, voltaram a aumentar no primeiro trimestre deste ano: +1,97%.
De acordo com os dados da Central de Responsabilidades de Crédito, divulgados ontem, no final de março existiam 691,9 mil famílias com dívidas por pagar há mais de 90 dias, mais 25 mil do que no primeiro trimestre do ano passado.
Em março, todos os dias houve mais 7774 portugueses a deixarem de pagar o empréstimo ao banco. O consumo continua a ter o maior peso no malparado das famílias, segundo o Banco de Portugal.
As dificuldades das famílias são evidentes e, segundo o Banco de Portugal, voltaram a aumentar no primeiro trimestre deste ano: +1,97%.
De acordo com os dados da Central de Responsabilidades de Crédito, divulgados ontem, no final de março existiam 691,9 mil famílias com dívidas por pagar há mais de 90 dias, mais 25 mil do que no primeiro trimestre do ano passado.
9.1.13
Malparado nas famílias e empresas nos 15,9 mil milhões
por Lucília Tiago, in Dinheiro Vivo
O valor do crédito em incumprimento das famílias e empresas junto da banca somava em novembro a 15,9 mil milhões de euros. Os particulares são responsáveis por cerca de um terço deste montante.
No penúltimo mês de 2012, o volume de crédito considerado de cobrança duvidosa das famílias portugueses conheceu um novo agravamento, tendo aumentado 53 milhões de euros face a outubro. Esta tendência fez com que o malparado tenha atingido um valor total de 5,08 mil milhões de euros, o que traduz um novo máximo histórico.
A malparado dos empréstimos contraídos para a compra de casa representa cerca de metade deste valor, ainda que o rácio de incumprimento do crédito hipotecário mantenha um nível baixo.
À situação dos particulares, juntam-se os 10,8 mil milhões de incumprimento do lado das empresas.
Esta tendência reflete o acentuar da crise e a cada vez maior dificuldade que famílias e agentes económicos têm em pagar os empréstimos contraídos junto da banca.
Ao mesmo tempo, os bancos continuam a restringir o acesso a novos crédito, sendo a conjugação deste apertar de critérios com as amortizações dos créditos antigos que vão sendo feitas, que justifica que o valor total dos empréstimos era em novembro de 134,4 mil milhões de euros, o que representa uma descida de cerca de 500 milhões de euros em apenas um mês.
O valor do crédito em incumprimento das famílias e empresas junto da banca somava em novembro a 15,9 mil milhões de euros. Os particulares são responsáveis por cerca de um terço deste montante.
No penúltimo mês de 2012, o volume de crédito considerado de cobrança duvidosa das famílias portugueses conheceu um novo agravamento, tendo aumentado 53 milhões de euros face a outubro. Esta tendência fez com que o malparado tenha atingido um valor total de 5,08 mil milhões de euros, o que traduz um novo máximo histórico.
A malparado dos empréstimos contraídos para a compra de casa representa cerca de metade deste valor, ainda que o rácio de incumprimento do crédito hipotecário mantenha um nível baixo.
À situação dos particulares, juntam-se os 10,8 mil milhões de incumprimento do lado das empresas.
Esta tendência reflete o acentuar da crise e a cada vez maior dificuldade que famílias e agentes económicos têm em pagar os empréstimos contraídos junto da banca.
Ao mesmo tempo, os bancos continuam a restringir o acesso a novos crédito, sendo a conjugação deste apertar de critérios com as amortizações dos créditos antigos que vão sendo feitas, que justifica que o valor total dos empréstimos era em novembro de 134,4 mil milhões de euros, o que representa uma descida de cerca de 500 milhões de euros em apenas um mês.
29.11.12
Crédito malparado vai continuar a crescer, avisa Banco de Portugal
Sérgio Aníbal, in Público on-line
Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal diz que os bancos têm mais capital e colateral, mas a sua rendibilidade está a descer.
O crédito malparado dos particulares e das empresas deverá manter, durante os próximos meses, uma tendência de subida, prevê o Banco de Portugal, algo que deverá continuar a pesar na rendibilidade do sector bancário.
"O incumprimento dos particulares e, principalmente, das empresas deverá continuar a aumentar nos próximos trimestres", afirmam os responsáveis do banco central. No relatório, dá-se conta de uma subida do rácio de crédito malparado desde o início de 2008, quer nos particulares quer nas empresas.
No caso das famílias, a subida do incumprimento tem vindo a acontecer de forma marcada no crédito ao consumo, com taxas já acima dos 11%. O problema é bastante mais reduzido no crédito à habitação, com taxas pouco acima de 1%.
Nas empresas, a situação é mais grave, estando os rácios de incumprimento a subir de forma muito rápida nos últimos dois anos, superando já os 12%. De acordo com os dados do Banco de Portugal (BdP), os sectores da construção, imobiliário e comércio são aqueles que revelam maiores dificuldades em amortizar os seus empréstimos junto da banca.
Este é um dos factores negativos a afectar a situação do sector bancário português no actual cenário de crise. No relatório divulgado esta quinta-feira, o Banco de Portugal faz questão de assinalar as melhorias registadas ao nível dos rácios de capital dos bancos, salientando também que, ao nível da liquidez, a banca portuguesa dispõe actualmente de mais colaterais disponíveis para poder aceder aos fundos do Banco Central Europeu, o que lhes dá uma tranquilidade acrescida. Esse aumento de colaterais acontece devido à mudança de regras feita pelo BCE e permite ao sector bancário nacional algum espaço de manobra, numa altura em que continua muito dependente dos empréstimos provenientes de Frankfurt.
Como factor mais negativo, o Banco de Portugal identifica uma quebra da rendibilidade. Isto deve-se à necessidade de aumentar as provisões e as imparidades (devido à subida do crédito malparado) e a uma descida da margem financeira. Segundo o BdP, apesar de os bancos estarem a conseguir obter financiamento barato junto do BCE e de estarem a exigir spreads elevados no novo crédito que concedem, a margem global que praticam no seu negócio está a cair porque a maior parte do crédito que têm em stock continua a ter spreads muito baixos e porque se verifica uma diminuição muito acentuada do crédito que é concedido.
Os portugueses – particulares e empresas – estão a recorrer e a obter menos crédito para investirem e a pouparem relativamente mais. "Os particulares e empresas continuaram a ajustar os respectivos balanços, tendo estes dois sectores, em conjunto, apresentado uma situação em que a poupança é superior ao investimento, o que acontece pela primeira vez desde o início da área do euro", afirma o Banco de Portugal.
Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal diz que os bancos têm mais capital e colateral, mas a sua rendibilidade está a descer.
O crédito malparado dos particulares e das empresas deverá manter, durante os próximos meses, uma tendência de subida, prevê o Banco de Portugal, algo que deverá continuar a pesar na rendibilidade do sector bancário.
"O incumprimento dos particulares e, principalmente, das empresas deverá continuar a aumentar nos próximos trimestres", afirmam os responsáveis do banco central. No relatório, dá-se conta de uma subida do rácio de crédito malparado desde o início de 2008, quer nos particulares quer nas empresas.
No caso das famílias, a subida do incumprimento tem vindo a acontecer de forma marcada no crédito ao consumo, com taxas já acima dos 11%. O problema é bastante mais reduzido no crédito à habitação, com taxas pouco acima de 1%.
Nas empresas, a situação é mais grave, estando os rácios de incumprimento a subir de forma muito rápida nos últimos dois anos, superando já os 12%. De acordo com os dados do Banco de Portugal (BdP), os sectores da construção, imobiliário e comércio são aqueles que revelam maiores dificuldades em amortizar os seus empréstimos junto da banca.
Este é um dos factores negativos a afectar a situação do sector bancário português no actual cenário de crise. No relatório divulgado esta quinta-feira, o Banco de Portugal faz questão de assinalar as melhorias registadas ao nível dos rácios de capital dos bancos, salientando também que, ao nível da liquidez, a banca portuguesa dispõe actualmente de mais colaterais disponíveis para poder aceder aos fundos do Banco Central Europeu, o que lhes dá uma tranquilidade acrescida. Esse aumento de colaterais acontece devido à mudança de regras feita pelo BCE e permite ao sector bancário nacional algum espaço de manobra, numa altura em que continua muito dependente dos empréstimos provenientes de Frankfurt.
Como factor mais negativo, o Banco de Portugal identifica uma quebra da rendibilidade. Isto deve-se à necessidade de aumentar as provisões e as imparidades (devido à subida do crédito malparado) e a uma descida da margem financeira. Segundo o BdP, apesar de os bancos estarem a conseguir obter financiamento barato junto do BCE e de estarem a exigir spreads elevados no novo crédito que concedem, a margem global que praticam no seu negócio está a cair porque a maior parte do crédito que têm em stock continua a ter spreads muito baixos e porque se verifica uma diminuição muito acentuada do crédito que é concedido.
Os portugueses – particulares e empresas – estão a recorrer e a obter menos crédito para investirem e a pouparem relativamente mais. "Os particulares e empresas continuaram a ajustar os respectivos balanços, tendo estes dois sectores, em conjunto, apresentado uma situação em que a poupança é superior ao investimento, o que acontece pela primeira vez desde o início da área do euro", afirma o Banco de Portugal.
8.10.12
Crédito malparado atingiu novos máximos em agosto
in Jornal de Notícias
O crédito malparado atingiu, em agosto, 15,6 mil milhões de euros, batendo máximos tanto nos empréstimos às famílias como às empresas, de acordo com dados divulgados, esta segunda-feira, pelo Banco de Portugal.
O principal problema no crédito malparado está nas empresas, ao ascender a 10.546 milhões de euros em agosto, o valor mais elevado desde que o BdP disponibiliza dados (1997).
Face ao total de crédito concedido às empresas em agosto (108.515 milhões de euros), o malparado representa 9,81% do total.
O valor do malparado nas empresas significa mais 55% do que os 6.879 milhões registados no final do ano e mais 64% do que no mesmo mês de 2011.
Nos empréstimos aos particulares a cobrança duvidosa fixou-se nos 4.977 milhões de euros, mais 6,48% do que o registado no início do ano e mais 10,18% face ao mesmo mês do ano passado.
O malparado nos particulares representa 3,66% dos 136.017 milhões de 'stock' de crédito em agosto.
Por destinos de crédito, na Habitação o malparado subiu para 2.186 milhões em agosto, no Consumo para 1.567 milhões e nos empréstimos para Outros Fins 1.224 milhões.
Apesar de a cobrança duvidosa ser maior, em valores absolutos, nos empréstimos à habitação, este representa apenas 1,96% do total concedido para este fim.
Os empréstimos destinados ao consumo são os mais penalizados no malparado, com 11,40 por cento, seguido de Outros Fins com 10,88%.
No total, o crédito malparado ascendeu em agosto a 15,6 mil milhões de euros.
O crédito malparado atingiu, em agosto, 15,6 mil milhões de euros, batendo máximos tanto nos empréstimos às famílias como às empresas, de acordo com dados divulgados, esta segunda-feira, pelo Banco de Portugal.
O principal problema no crédito malparado está nas empresas, ao ascender a 10.546 milhões de euros em agosto, o valor mais elevado desde que o BdP disponibiliza dados (1997).
Face ao total de crédito concedido às empresas em agosto (108.515 milhões de euros), o malparado representa 9,81% do total.
O valor do malparado nas empresas significa mais 55% do que os 6.879 milhões registados no final do ano e mais 64% do que no mesmo mês de 2011.
Nos empréstimos aos particulares a cobrança duvidosa fixou-se nos 4.977 milhões de euros, mais 6,48% do que o registado no início do ano e mais 10,18% face ao mesmo mês do ano passado.
O malparado nos particulares representa 3,66% dos 136.017 milhões de 'stock' de crédito em agosto.
Por destinos de crédito, na Habitação o malparado subiu para 2.186 milhões em agosto, no Consumo para 1.567 milhões e nos empréstimos para Outros Fins 1.224 milhões.
Apesar de a cobrança duvidosa ser maior, em valores absolutos, nos empréstimos à habitação, este representa apenas 1,96% do total concedido para este fim.
Os empréstimos destinados ao consumo são os mais penalizados no malparado, com 11,40 por cento, seguido de Outros Fins com 10,88%.
No total, o crédito malparado ascendeu em agosto a 15,6 mil milhões de euros.
6.8.12
Há quase 709 mil famílias que não conseguem pagar empréstimos à banca
Por Ana Rita Faria, in Público on-line
No segundo trimestre, a crise arrastou mais 10 mil famílias para uma situação de incumprimento. Há também mais 974 empresas que não conseguem pagar os empréstimos à banca.
De acordo com os dados da Central de Responsabilidade de Crédito, divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal, no final do segundo trimestre havia 708.515 famílias com crédito vencido, o que corresponde a 15,6% do total. É o número mais alto desde que a instituição tem registo dos dados, ou seja, desde o início de 2009.
Depois do aumento recorde de 4,1% no primeiro trimestre do ano, o incumprimento entre particulares voltou a subir no segundo trimestre, mas bem menos – 1,4%. Ou seja, mais 10.093 famílias deixaram de conseguir pagar os seus créditos.
O incumprimento está a aumentar, sobretudo, no crédito ao consumo, onde havia, no final do segundo trimestre, mais 13.525 famílias com crédito vencido do que nos três primeiros meses do ano (um aumento de 2,1%). No total, há mais de 649 mil famílias com este tipo de crédito em atraso, o que corresponde a 17,5% do universo total.
No crédito à habitação, o número de devedores em incumprimento superou os 150 mil, mais 1,1% do que no primeiro trimestre. Cerca de 6% dos devedores com empréstimos para compra de casa apresentam crédito vencido.
Nas empresas, o cenário também tem vindo a degradar-se. Segundo os dados do Banco de Portugal, no final de Junho, 27,4% das empresas tinham crédito em atraso, o que corresponde a um universo de 30.587 entidades. É, também, o valor mais alto de sempre. Face ao trimestre anterior, o número de empresas com crédito vencido registou um aumento de 3,3%, o que significa que mais 974 entidades entraram em incumprimento entre Abril e Junho.
No segundo trimestre, a crise arrastou mais 10 mil famílias para uma situação de incumprimento. Há também mais 974 empresas que não conseguem pagar os empréstimos à banca.
De acordo com os dados da Central de Responsabilidade de Crédito, divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal, no final do segundo trimestre havia 708.515 famílias com crédito vencido, o que corresponde a 15,6% do total. É o número mais alto desde que a instituição tem registo dos dados, ou seja, desde o início de 2009.
Depois do aumento recorde de 4,1% no primeiro trimestre do ano, o incumprimento entre particulares voltou a subir no segundo trimestre, mas bem menos – 1,4%. Ou seja, mais 10.093 famílias deixaram de conseguir pagar os seus créditos.
O incumprimento está a aumentar, sobretudo, no crédito ao consumo, onde havia, no final do segundo trimestre, mais 13.525 famílias com crédito vencido do que nos três primeiros meses do ano (um aumento de 2,1%). No total, há mais de 649 mil famílias com este tipo de crédito em atraso, o que corresponde a 17,5% do universo total.
No crédito à habitação, o número de devedores em incumprimento superou os 150 mil, mais 1,1% do que no primeiro trimestre. Cerca de 6% dos devedores com empréstimos para compra de casa apresentam crédito vencido.
Nas empresas, o cenário também tem vindo a degradar-se. Segundo os dados do Banco de Portugal, no final de Junho, 27,4% das empresas tinham crédito em atraso, o que corresponde a um universo de 30.587 entidades. É, também, o valor mais alto de sempre. Face ao trimestre anterior, o número de empresas com crédito vencido registou um aumento de 3,3%, o que significa que mais 974 entidades entraram em incumprimento entre Abril e Junho.
19.7.12
Crédito malparado das empresas bate novo recorde
in Jornal de Notícias
O crédito concedido pela banca portuguesa às empresas reduziu-se em maio para o valor mais baixo desde outubro de 2008, mas mesmo assim o crédito malparado bateu um novo recorde.
O boletim estatístico do Banco de Portugal (BdP) regista que o volume total dos créditos concedidos pela banca às empresas não financeiras atingiu 110.728 milhões de euros no final de maio. É preciso recuar quase quatro anos para encontrar um mês em que o 'stock' de crédito concedido às empresas fosse tão reduzido.
O governo e a 'troika' têm defendido que não há por enquanto uma escassez de crédito na economia portuguesa. No entanto, maio foi o oitavo mês consecutivo em que o crédito concedido às empresas se reduziu.
Mas, embora o crédito total se reduza, o de cobrança duvidosa continua a crescer. Pelo sexto mês consecutivo, as dívidas malparadas das empresas à banca aumentaram, atingindo um novo máximo histórico: 9.417 milhões de euros.
Este é um máximo em termos absolutos e relativos. O crédito de cobrança duvidosa já representa 8,5% do crédito total concedido às empresas - o nível mais alto desde que o BdP compila este tipo de estatísticas (a série começa em 1997).
Por comparação, em dezembro de 2004 a percentagem de créditos de cobrança duvidosa era apenas 1,7% do total.
O crédito concedido pela banca portuguesa às empresas reduziu-se em maio para o valor mais baixo desde outubro de 2008, mas mesmo assim o crédito malparado bateu um novo recorde.
O boletim estatístico do Banco de Portugal (BdP) regista que o volume total dos créditos concedidos pela banca às empresas não financeiras atingiu 110.728 milhões de euros no final de maio. É preciso recuar quase quatro anos para encontrar um mês em que o 'stock' de crédito concedido às empresas fosse tão reduzido.
O governo e a 'troika' têm defendido que não há por enquanto uma escassez de crédito na economia portuguesa. No entanto, maio foi o oitavo mês consecutivo em que o crédito concedido às empresas se reduziu.
Mas, embora o crédito total se reduza, o de cobrança duvidosa continua a crescer. Pelo sexto mês consecutivo, as dívidas malparadas das empresas à banca aumentaram, atingindo um novo máximo histórico: 9.417 milhões de euros.
Este é um máximo em termos absolutos e relativos. O crédito de cobrança duvidosa já representa 8,5% do crédito total concedido às empresas - o nível mais alto desde que o BdP compila este tipo de estatísticas (a série começa em 1997).
Por comparação, em dezembro de 2004 a percentagem de créditos de cobrança duvidosa era apenas 1,7% do total.
9.7.12
Incumprimento das empresas leva crédito malparado a bater novo recorde
Por Ana Rita Faria, in Público on-line
Quase 6% dos empréstimos concedidos à economia estão em risco de incumprimento. Crédito malparado das famílias diminuiu em Maio, mas voltou a aumentar nas empresas.
De acordo com os dados do Banco de Portugal, hoje divulgados, o crédito malparado atingiu os 14.255 milhões de euros em Maio, mais 319 milhões do que no mês anterior. Isto significa que 5,7% dos empréstimos concedidos a famílias e empresas revelam-se de cobrança duvidosa – o valor mais alto desde que a instituição tem registo dos dados.
A contribuir para este aumento está o incumprimento das empresas. Aqui, havia no final de Maio 9.417 milhões de euros de crédito malparado, o equivalente a 8,5% do total de empréstimos concedidos. Também aqui o crédito de cobrança duvidosa está ao nível mais alto de sempre.
Já no caso das famílias, embora o malparado estivesse em níveis historicamente altos, diminuiu ligeiramente em Maio. Do total de 137.521 milhões concedidos a particulares, 4.838 milhões são de cobrança duvidosa, o correspondente a 3,5% do total. No mês anterior, o peso era de 3,6%.
O crédito ao consumo continua a ser aquele com maior peso dos empréstimos malparados (10,9% do total), enquanto no crédito à habitação 1,9% dos empréstimos estão em incumprimento.
Os dados do Banco de Portugal mostram também que o financiamento da banca à economia continua a reduzir-se, com particular impacto sobre as famílias. Em Maio, os bancos nacionais emprestaram 4.052 milhões de euros a famílias e empresas em Maio, menos 17% do que no período homólogo.
Quase 6% dos empréstimos concedidos à economia estão em risco de incumprimento. Crédito malparado das famílias diminuiu em Maio, mas voltou a aumentar nas empresas.
De acordo com os dados do Banco de Portugal, hoje divulgados, o crédito malparado atingiu os 14.255 milhões de euros em Maio, mais 319 milhões do que no mês anterior. Isto significa que 5,7% dos empréstimos concedidos a famílias e empresas revelam-se de cobrança duvidosa – o valor mais alto desde que a instituição tem registo dos dados.
A contribuir para este aumento está o incumprimento das empresas. Aqui, havia no final de Maio 9.417 milhões de euros de crédito malparado, o equivalente a 8,5% do total de empréstimos concedidos. Também aqui o crédito de cobrança duvidosa está ao nível mais alto de sempre.
Já no caso das famílias, embora o malparado estivesse em níveis historicamente altos, diminuiu ligeiramente em Maio. Do total de 137.521 milhões concedidos a particulares, 4.838 milhões são de cobrança duvidosa, o correspondente a 3,5% do total. No mês anterior, o peso era de 3,6%.
O crédito ao consumo continua a ser aquele com maior peso dos empréstimos malparados (10,9% do total), enquanto no crédito à habitação 1,9% dos empréstimos estão em incumprimento.
Os dados do Banco de Portugal mostram também que o financiamento da banca à economia continua a reduzir-se, com particular impacto sobre as famílias. Em Maio, os bancos nacionais emprestaram 4.052 milhões de euros a famílias e empresas em Maio, menos 17% do que no período homólogo.
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