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27.4.21

“As reuniões virtuais ocuparam o tempo do pensamento inovador”

Victor Ferreira, in Público on-line

Sobreviver às reuniões tornou-se um objectivo em si mesmo, constata o autor de Liderar sem Autoridade, cuja edição portuguesa chegou ao mercado.

O mundo está cheio de oportunidades. E de gente cansada e insatisfeita. “É uma dicotomia dickensiana – o melhor e o pior dos tempos”, escreve Keith Ferrazzi logo no arranque do seu último livro, Liderar sem Autoridade – e fazer a diferença, que co-assina com Noel Weyrich.
Consulte aqui uma lista de mais de 1100 cursos para executivos

Estreada em 2017, esta obra conhece agora uma edição portuguesa, editada em Março, pela chancela Actual.

O digital instalou entre nós a sensação de que o poder e a autoridade estão mais difusos. No mundo do trabalho, isso implica novas competências, defende Ferrazzi. Quando as empresas derrubam silos, as cadeias de comando deixam de ser nítidas e temos de mudar a forma de trabalhar.

Liderar sem Autoridade, o título do livro, é baseado no modelo da co-elevação. Que conceito é esse?
É uma dinâmica de relacionamento em que duas ou mais pessoas formam uma ligação baseada na troca mútua de valor. Cada pessoa compromete-se com o sucesso dos outros, em vez de estar apenas focada no próprio sucesso. Co-elevação significa “ir mais além, juntos”.

É uma dinâmica de grupo muito distinta daquela que se pratica na maior parte das empresas, onde o foco é o trabalho e o sucesso individual. Se um colega está em dificuldade ou um departamento está longe dos objectivos, isso é visto como problema deles.

Com a co-elevação, ninguém ganha até que todos cortem a meta. A equipa não ganha enquanto houver alguém a ficar para trás.

Mas o que significa liderar sem autoridade?
Escrevi um livro inteiro sobre esse tema porque a capacidade de liderar sem autoridade se está a transformar na mais valiosa competência que qualquer pessoa pode ter no local de trabalho. Liderar sem autoridade significa que cada pessoa parte do princípio de que “tudo depende de mim” [“it’s all on me”]. Claro que isso não significa que elas estão sozinhas num projecto. Pelo contrário, significa aderir a uma mudança de mentalidade. Cada pessoa nomeia-se líder. Esta mudança gera resultados mais rapidamente. E fomenta a construção de equipas.

Os empregadores têm de tomar a iniciativa, porque toda a transformação está nas mãos de equipas multifuncionais em que a autoridade está de tal forma dispersa que torna a liderança sem autoridade uma competência indispensável.

Como damos início a esse processo de co-elevação?
Cada um deve conhecer os colegas e fazer um esforço para construir relações que os liguem aos pares de uma forma mais profunda. Isso vai autorizá-los a assumirem a liderança.

Exemplifico com dois mecanismos básicos que podem ser usados nas reuniões: o agridoce – um momento em que partilhamos um detalhe “doce” pelo qual estamos gratos e uma coisa amarga que nos está a causar problemas no plano profissional ou pessoal; e a verificação pessoal profissional – uma partilha mais profunda em que cada membro da equipa fala de forma franca sobre as questões com que tem de lidar em casa ou no trabalho, coisas que os restantes poderão desconhecer. Esta vulnerabilidade ajuda a unir a equipa, seja qual for a distância física que a separe.

O que diria a quem insiste que trabalha melhor sozinho?
Há muitas funções que requerem trabalho isolado, em sossego. Porém, para verdadeiramente ter impacto em grande escala, ou conduzir a mudança, temos de colaborar. Grandes pensadores ou as mentes mais brilhantes nos negócios são co-criadores.

Como se pode vestir o manto de líder quando isso não faz parte das funções ou do cargo?
Quem quiser fazer isto tem de reclamar primeiro a total responsabilidade sobre a sua capacidade de liderar, aceitando que ninguém precisa de autorizar que ela lidere. Todos somos líderes.

Quem não está numa posição de liderança, mas quer estar, pode suscitar a mudança numa equipa ou numa organização estabelecendo relações de co-elevação.

Faça a pergunta: “Quem está na minha equipa?”, para identificar as relações-chave que têm de ser criadas para impulsionar os planos de trabalho que tem. Depois, foque-se em construir ligações com valor de troca mútuo. Comprometa-se em ter um impacto positivo no trabalho de outras pessoas sem a necessidade de exigir algo em troca.

Quando estas ligações se formam onde há confiança e respeito, então qualquer pessoa, independentemente do seu título, ganha permissão para liderar.

Liderar sem Autoridade e fazer a diferença

Autoria: Keith Ferrazzi
Editora: Actual
216 págs., 17,90€
Nas livrarias desde Março


Como podemos aplicar a co-elevação quando se trabalha remotamente?
O ano de 2020 ensinou-nos muito sobre colaboração virtual em equipas. As nossas pesquisas mostram que demasiadas equipas tiveram desempenhos muito pobres em termos de colaboração remota e, por isso, agora estão a pensar em regressar às soluções antigas, que já não funcionavam antes.

Porém, a pandemia foi um ponto de inflexão em que muitas empresas finalmente decidiram rever sistemas de gestão antigos. Infelizmente, a maioria apenas transferiu as práticas habituais das reuniões físicas para as reuniões virtuais.


No treino de executivos que fazemos na Ferrazzi Greenlight concluímos que as reuniões simplesmente ocuparam o tempo e o espaço que deveria ser do pensamento inovador. “Sobreviver às reuniões” é um objectivo em si mesmo.

A comunicação virtual é diferente, e quando usada de forma eficiente, pode formar laços mais profundos.

Em equipa, o recurso à colaboração assíncrona usando email, Google, Slack, Teamwork e outros, deve ser o primeiro método de colaboração. Agendar reuniões só quando for impossível a comunicação assíncrona, que é uma comunicação aberta; todos contribuem, podem ver o feedback e questionar com franqueza. As decisões ficam gravadas e arquivadas. Com um vasto leque de aplicações, como painéis de discussão, voto sim/não ou ferramentas de recolha de feedback, este tipo de trabalho remoto pode decorrer de forma veloz e em grande escala em toda a organização.
As nossas pesquisas, ao longo de 20 anos, mostram que 74% dos membros de uma equipa não dão a sua opinião com coragem e franqueza nas reuniões presenciais. Isso não promove o pensamento audaz que gera inovação.

Seremos capazes de construir relações duradouras em teletrabalho?
A maioria das pessoas pensa que as reuniões físicas têm uma química social que desaparecerá com a colaboração assíncrona e a comunicação virtual.

Mas as nossas pesquisas, ao longo de 20 anos, mostram que 74% dos membros de uma equipa não dão a sua opinião com coragem e franqueza nas reuniões presenciais. Fazem isso para evitar conflitos. Mas isso também não promove o pensamento audaz que gera inovação.

Recorrer a estratégias como o agridoce, ou mesmo à função Zoom breakout, é básico mas eficiente para qualquer líder que procure comunicação com autenticidade. As pessoas tendem a falar de forma mais corajosa em pequenos grupos, porque a segurança psicológica aumenta.

Também vimos, demasiadas vezes, que grandes debates sobre inovação de processos ou na identificação de novos mercados se transformam num monólogo, em que os líderes perguntam e respondem a todas as questões. O papel do líder é fazer perguntas inteligentes e partir a equipa em grupos mais pequenos para assim poder ouvir todas as vozes.
O papel do líder é fazer perguntas inteligentes e partir a equipa em grupos mais pequenos para assim poder ouvir todas as vozes

O espaço de trabalho está em transformação? Como vê o futuro?
Estou optimista. A pandemia foi um ponto de inflexão. Tantas empresas estavam desesperadas por uma oportunidade para rever a gestão. A covid-19 acelerou esse processo.

Com as câmaras ligadas, o novo ambiente virtual de trabalho tem o potencial de unir ainda mais as pessoas, muito mais do que qualquer sala de reuniões alguma vez poderia. Podemos ver o interior da casa de cada um, e somos capazes de trazer o nosso eu autêntico para o trabalho.


Temos de usar esta oportunidade para criar novas normas sociais no trabalho, mais produtivas. Este é o momento para os líderes terem reuniões virtuais com as equipas confinadas em casa e perguntar-lhes: “Que comportamentos e práticas recentes devemos reconfigurar?”

Em Março do ano passado, estabelecemos uma parceria com a escola de negócios de Harvard para lançar o instituto de pesquisa Go Forward to Work, dedicado a desenvolver pesquisa sobre o futuro do trabalho. As conclusões estarão no meu próximo livro (Competing in a New World of Work: How Radical Adaptability Separates the Best from the Rest), que será publicado pela Harvard Press no Outono.

Reúne as conclusões do que temos recolhido em empresas como a Delta, a GM e a Uber, a par das lições e das ideias de respeitados especialistas em gestão de negócios ou de gestores de topo. Tem também histórias que mostram equipas de alto rendimento e as suas boas práticas. Explora ainda as prioridades actuais dos líderes empresariais que são: 1) Prever; 2) Incluir; 3) Agilidade; 4) Resiliência.

20.4.21

Projeto recorre a um "tablet" e ajuda a combater a solidão de idosos em Coimbra

in o Observador

"Há muitos idosos a morar sozinhos na baixa e que precisavam de um acompanhamento de proximidade. Este projeto surge para dinamizar o dia-a-dia deles e criar alguma atividade", explica a responsável.

▲O projeto está a ser implementado no terreno pela Associação Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel (ACERSI), com a distribuição de "tablets" junto de 20 idosos, a maioria a morar na baixa de Coimbra

O projeto ACERSI Cuida+ começou há cerca de um mês a distribuir “tablets” por idosos de Coimbra, com o dispositivo eletrónico a transformar-se numa espécie de companhia e numa forma de minimizar a solidão vincada pela pandemia.


Rosalina Bernardo, de 81 anos, a morar na baixa de Coimbra, esquece a conversa que estava a ter e concentra-se no jogo de memória que tem à sua frente, num “tablet”. “Eu adoro isto. Isto é tão bom, tão bom”, disse à agência Lusa a mulher que mora sozinha e que foi a primeira a receber o equipamento.

O projeto, financiado pelo BPI e Fundação La Caixa a partir da Iniciativa Social Descentralizada, está a ser implementado no terreno pela Associação Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel (ACERSI), com a distribuição de “tablets” junto de 20 idosos, a maioria a morar na baixa de Coimbra.

Na aplicação, é possível ouvir músicas, ver filmes, jogar jogos, fazer videochamadas com familiares, ver o terço ou acompanhar a missa em Fátima e no Vaticano ou ainda acionar um botão de emergência associado à equipa da ACERSI.

13.1.21

A importância das novas tecnologias no envelhecimento ativo em pessoas com demência

in Sapo Lifestyle

A promoção de um envelhecimento ativo e saudável tem sido um caminho apontado como resposta aos desafios relacionados com o aumento da esperança média de vida da população.

A velhice é equivocadamente considerada um período de estagnação, de declínio e de perdas e dificuldades ao nível da participação e envolvimento nos mais variados contextos.

Para que a população mais velha possa desfrutar, nas melhores condições, é necessário levar a cabo um conjunto de iniciativas que promovam o envelhecimento ativo, tendo sempre em conta as necessidades bio-psico-sociais, recursos humanos e materiais disponíveis.

A promoção de um envelhecimento ativo e saudável tem sido um caminho apontado como resposta aos desafios relacionados com o aumento da esperança média de vida da população, que se espera que seja com qualidade de vida e sobre o qual a Fundação AFID Diferença tem refletido e investido.

Atendendo ao aumento do número de casos de demência, a par com o crescente envelhecimento da população, têm surgido nos últimos anos algumas intervenções que promovem o envelhecimento ativo e uma eventual desaceleração dos processos degenerativos, como as demências.

Impõe-se uma intervenção neuropsicológica, através de programas de estimulação cognitiva e/ou sensorial. A AFID, dando continuidade às Unidades de Neuro-estimulação (UNE, UNE+) destinadas à população idosa com demência institucionalizada (resposta social Estrutura Residencial para Pessoas Idosas - ERPI) ou no domicílio (resposta social Serviço de Apoio domiciliário - SAD), tem vindo a implementar um novo projeto na área sénior, que se designa de UNE TEC.

Com este projeto pretende-se promover a utilização das novas tecnologias na área da estimulação cognitiva junto de pessoas idosas (com demência ou défice cognitivo ligeiro), que estejam em contexto domiciliário ou em contexto institucional.

O projeto pressupõe a utilização de uma ferramenta informática que permita a implementação de programas personalizados de treino cognitivo, disponibilizando um conjunto de exercícios dirigidos aos diferentes domínios cognitivos, orientados por profissionais ou por cuidadores das pessoas idosas.

Trata-se de um apoio especializado ao nível da estimulação cognitiva e da reabilitação cognitiva com recurso às novas tecnologias, cujos objetivos principais são: aumentar a qualidade e a capacidade das respostas às pessoas com demência ou com défice cognitivo ligeiro; promover o envelhecimento ativo saudável; e potenciar a formação aos cuidadores formais e informais no âmbito da estimulação e reabilitação.

Estudos demonstram que a estimulação cognitiva e a reabilitação cognitiva têm efeitos positivos na memória e raciocínio, diminuição dos sintomas de depressão e melhoria ao nível da comunicação. A utilização das novas tecnologias deve ter por base os resultados das avaliações diagnósticas e pressupõem a definição de um plano de desenvolvimento individual.

Um dos objetivos passará pela estimulação cognitiva, que consiste num conjunto de atividades que estimulam a cognição em geral, o que acontecerá com uma periodicidade adequada para cada beneficiário.

A utilização de um treino cognitivo, através de exercícios de computador dirigidos às várias funções mentais, é sempre centrada num profissional com experiência em psicologia e/ou reabilitação cognitiva, que prescreve sessões de treino de acordo com a avaliação neuropsicológica da pessoa idosa.

O profissional também monitoriza todo o processo pela assiduidade, taxa de utilização, evolução e dificuldade do processo de treino. O projeto será implementado na UNE e UNE +, já existentes, e possibilitará uma intervenção mais especializada junto dos idosos e aumentar o número de intervenções em ERPI e SAD.

Em resumo, o uso de recursos de computação desenvolvidos para estimulação cognitiva, quando comparado com técnicas tradicionais, parecem ser uma boa alternativa face ao custo benefício.

Deste modo, o desenvolvimento de novas tecnologias, o uso de recursos de computação na reabilitação dos problemas neurocognitivos tem sido uma área em franca expansão e de mais valia na melhoria na qualidade da intervenção junto da população idosa.

Texto escrito por Teresa Reis, Psicóloga Clínica na Fundação AFID Diferença

27.10.20

Nestore, o amigo digital dos seniores

De Jeremy Wilks, in Euronews

Todos queremos permanecer em forma e bem à medida que envelhecemos. Engenheiros e designers em Milão estão a trabalhar num novo sistema de coaching personalizado que visa manter-nos saudáveis na mente, corpo e alma - pelo menos, é essa a teoria. Vamos até aos Países Baixos, para nos encontrarmos com um homem que a está a testar este sistema pela primeira vez.

Cor tem sessenta e sete anos de idade e é um dos 30 holandeses que vão testar o novo sistema personalizado, chamado Nestore.

Hoje a cientista Canan Ziylan, da Universidade de Roterdão, está a mostrar-lhe os dispositivos que irão monitorizar tudo, desde a nutrição ao contacto social, capacidade cognitiva, sono e aptidão física. A ideia do projeto Nestore, financiado pela União Europeia, é promover o envelhecimento ativo.

O ensaio vai testar se os utilizadores gostam: "Pensamos que agora temos todos os elementos para chegar a uma abordagem holística. Mas resta saber se também é aceitável para os próprios seniores. Vamos ver se eles também gostam ou não", explica Ziylan.

O sistema irá recolher vários tipos de dados - um exemplo: Cor diz a Nestore o que come, enquanto um sensor no frigorífico monitoriza a atividade.

Segredo do Nestore está na facilidade de uso, dizem os cientistas

Cor está de boa saúde, e mantém uma mente aberta à medida que o teste se aproxima: "Não pretendo mudar todo um estilo de vida, mas tenho de ouvir atentamente o que está a ser dito pelo equipamento e ter isso em conta. Mas isso não significa que eu vá mudar a minha rotina o dia todo. Isso não me parece uma boa ideia", diz o sexagenário.

É no Politécnico de Milão, em Itália, que as equipas de design e engenharia estão a desenvolver o Nestore.

Os sensores ligados irão monitorizar Cor e os seus contactos sociais e oferecer um feedback sobre como melhorar o estilo de vida.

A equipa está particularmente concentrada na adaptação ao público-alvo com mais de 65 anos: "Tentámos compreender como a pessoa sénior agia e interagia com este objeto para compreender quais eram os seus movimentos para o fechar e adaptá-lo ao pulso", diz Martina Scagnoli, investigadora desta universidade que participa no projeto.

Desenvolver um sistema que adota uma abordagem holística - cuidar da mente, corpo e alma de uma pessoa, sem ser invasivo - é um enorme desafio.

Parte disso é garantir que é fácil de usar, como diz Giuseppe Andreoni: "A simplicidade de utilização é, na realidade, um conceito tão simples como complexo. Não está na redução do número de botões, mas sim no tipo de interação, na intuitividade, no objeto que responde exactamente como se espera que responda, pelo que esta intuitividade de interação é fundamental".

De volta aos Países Baixos, e encontramo-nos com Cor no clube local.

A equipa do projeto Nestore está empenhada em que os voluntários sejam os verdadeiros juízes de saber se este sistema de envelhecimento ativo e saudável realmente funciona.

"Claro que nós, como profissionais ou investigadores, pensamos que a abordagem holística é a melhor, mas será que o é para os próprios participantes? As nossas conclusões vão depender das experiências que cada um vai ter", conclui Canan Ziylan.

11.3.20

A importância das novas teconologias na comunicação das ONG

in TSF

O Cidadãos Ativos desta semana alerta para a necessidade de as ONG começarem a usar a comunicação para chegar ao público-alvo.

s tecnologias imersivas e o storytelling podem ajudar as organizações a conseguirem mudanças sociais. Para que tal aconteça, a Fundação Fé e Cooperação (FEC) vai abrir um concurso para formar entidades que queiram influenciar políticas públicas.
Com a forma de comunicar com o público a mudar, Maria Marques, da FEC explica que "as ONG têm uma imensa dificuldade em acompanhar estas mudanças vertiginosas" e, por outro lado, está a assistir-se a uma "crescente digitalização" que pode ser utilizada de diversas formas.

"As ONG portuguesas ainda usam muito a questão da comunicação e reduzem a comunicação a uma questão de quase relações públicas, de identidade, de reputação e não utilizam as ferramentas de comunicação para mobilizar e influenciar os seus públicos para a transformação social, daí a importância de dominarem essas novas ferramentas e de conseguirem navegar neste ecossistema para conseguirem levar os seus públicos-alvo a se interessarem para o bem comum e o interesse público", explica a responsável.

Maria Marques refere ainda que é preciso que quem trabalha no setor das ONG tenha um olhar atento para as notícias falsas, frisando que "se queremos que os colaboradores estejam informados para conseguirem mobilizar os seus grupos-alvo para uma transformação pessoal, suportar propostas de alteração de políticas, têm de estar informados e identificar o que é verdadeiro e falso".

Assim, através de um laboratório de aprendizagem em comunicação, a FEC vai ajudar cerca de 20 organizações escolhidas através de concurso, que vai ser lançado no final de março, e onde se pretende que os formandos aprendam a comunicar, por exemplo, através de storytelling.

"Quando ouvimos uma história e nos conseguimos identificar e gerar ali alguma relação emocional, quando nos importamos conseguimos passar à ação e o storytelling tem esse potencial, não se trata apenas de uma narrativa, trata-se de utilizar técnicas específicas para conseguirmos transmitir uma mensagem de forma mais eficaz", justifica Maria Marques.

Neste sentido, a coordenadora do projeto explica que as tecnologias imersivas também fazem parte da formação: "Estamos a falar de questões como realidade virtual, vídeos de 360 graus, mixed reality, realidade aumentada."
Este projeto inclui também um bootcamp, uma viagem à Noruega para conhecer bons exemplos e noites 'pop up' de storytelling que vão juntar organizações, com humoristas e jornalistas.

4.10.17

Inovar para envelhecer de forma ativa e saudável

Cátia Vicente, in Diário das Beiras on-line

Superar o fosso entre tecnologia e envelhecimento ativo é o desafio do Active and Assisted Living (AAL) Forum 2017 que começou ontem, no Convento São Francisco, em Coimbra e que, até amanhã, conta com a participação de 750 pessoas.

Sublinhando que Portugal é o quarto país mais envelhecido da Europa, a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, que discursou na cerimónia de abertura, defendeu uma abordagem transversal ao problema.

“A pergunta que se coloca é: como melhorar a qualidade de vida das pessoas mais velhas? As respostas tradicionais já não são suficientes”, referiu. “Temos de ser mais inovadores, encontrar novas respostas que dependem da inovação não só tecnológica, mas também social”, sustentou.

10.2.16

O lugar do telemóvel na sala de aula é em cima da mesa dos alunos

Samuel Silva, in Público on-line


Agrupamento de escolas de Ponte de Lima é considerado exemplar pela Microsoft graças ao uso da tecnologia na aprendizagem. Nove dos professores destacados pela multinacional estão aqui.

Os telemóveis nas mãos dos alunos do 6ºA estão apontados às folhas que têm à sua frente. Olham para o ecrã, conferem a informação, e regressam à ficha de trabalho a que estão a responder com o à-vontade de quem sabe que não está a fazer nada errado. A professora Maria João Passos segue-os atentamente e presta assistência quando a tecnologia não responde à velocidade desejada. Nas salas do agrupamento de escolas de Freixo, em Ponte de Lima, o lugar dos telefones e outros dispositivos móveis é em cima das mesas, resultado de um conjunto de projectos de integração das tecnologias na aprendizagem que a Microsoft considera exemplar, pelo quarto ano consecutivo.

Esta é a aula de Matemática. Os alunos estão dispostos em grupos de quatro, em mesas redondas, onde também há computadores portáteis. Nos ecrãs tácteis está aberta a ficha de trabalho que a professora preparou para esta manhã. Os exercícios podem ser resolvidos directamente no computador, com o auxílio de uma caneta apropriada. É então que se percebe o motivo para os telemóveis estarem também por perto: a solução para a ficha está inscrita em códigos QR (uma espécie de código de barras). Os alunos têm que usar uma aplicação nos seus telefones para ler os códigos, fazendo corresponder cada um aos resultados a que chegaram.

“Normalmente os manuais têm a resolução no final e os alunos têm, muitas vezes a tentação de ir procurá-las”, lembra Maria João Passos. Com este recurso a chave também lá está, mas obriga a que o exercício seja realmente resolvido para que os estudantes consigam descobrir qual das respostas corresponde a cada um dos códigos. Por outro lado, habituam-se a utilizar a tecnologia em contexto de sala de aula.

Os códigos QR e as fichas de trabalho resolvidas em ecrãs tácteis não são os únicos recursos tecnológicos da professora de Matemática. A docente da escola de Freixo disponibiliza frequentemente tutoriais sobre os conteúdos das aulas na Internet. “Muitas vezes, os próprios pais também vêem os vídeos, para os poderem ajudar a tirar dúvidas”, conta. Além disso, criou um grupo na rede social Yammer com todos os alunos das suas três turmas do 6º ano. Chama-lhe sala de estudo virtual e serve para os estudantes colocarem questões, comentarem a matéria e trabalharem os conteúdos disponibilizados online. A professora é “um último recurso”, já que a ideia é que os estudantes sejam capazes de tirar dúvidas uns aos outros, num trabalho colaborativo feito a partir de casa.

Por causa deste projecto usado para o ensino de Matemática, Maria João Passos foi considerada “especialista inovador em educação” pela Microsoft este ano. Na lista há 3700 professores em todo o mundo, 57 dos quais são portugueses. Entre eles, há outros oito colegas no agrupamento de escolas de Freixo. O estabelecimento de ensino também está em destaque nas escolhas da multinacional de software, sendo considerada uma escola-modelo. É a quarta vez consecutiva que é distinguido. Este ano há outros seis representantes nacionais, dos quais apenas mais um pertence à rede pública, o agrupamento de escolas de Vila Nova de Cerveira.

A escolha da Microsoft é um reconhecimento da aposta que a escola tem feito no uso das tecnologias, valoriza o director do agrupamento, Luís Fernandes, que, desde o Verão passado, também passou a integrar o conselho consultivo da multinacional para o sector educativo. É uma das dez pessoas a quem a gigante norte-americana recorre para pedir opiniões sobre a área da educação. “Por que motivo uma empresa que pode contratar os consultores que quiser vem a Portugal convidar o director de uma escola pública?”, atira em jeito de pergunta retórica, para rapidamente dar a resposta “Devemos ter feito alguma coisa bem”.

No agrupamento, os alunos do 3º e 4º ano têm, desde há dois anos, aulas de programação, onde aprendem linguagem como Scratch e Kodu. No 3º ciclo podem também escolher uma disciplina de mecanismos e robótica, na qual trabalham com mecânica, eletrónica e eletrotecnia. E depois há projectos específicos de cada professor, como o de Maria João Passos na Matemática do 6º ano. Há muitos docentes que ainda seguem o método de ensino tradicional, até porque nesta escola “ninguém impõe nada a ninguém”, sublinha o director. Mas já há mais de uma dezena de professores a integrar as tecnologias nas suas aulas, num processo “crescente”.

Existe um efeito de contágio, aponta Luís Fernandes. Os docentes acabam por aderir ao uso de computadores ou dispositivos móveis à medida que vão conhecendo as boas experiências dos colegas e há também pressão dos alunos nesse sentido, à medida que vão sabendo o que se passa nas aulas das outras turmas. A escola também promove encontros, acções de formação e outras ferramentas de apoio para incentivar os docentes usarem a tecnologia.

A velocidade da Internet fornecida pela rede de banda larga instalada pelo Ministério da Educação não tem rapidez suficiente. Foi preciso comprar um dispositivo de Internet móvel 4G que roda de sala em sala

A aproximação da escola de Freixo à tecnologia começou há oito anos, quando foram comprados dois kits para um clube de robótica. A reacção dos alunos foi “imediata e entusiástica”, lembra o director, ao ponto de aquele ter passado a ser o único clube escolar com lista de espera. Hoje, a robótica continua a ser uma das principais formas de contacto dos alunos com as inovações. Um antigo balneário, junto ao pavilhão desportivo, foi transformado num Fab Lab, um laboratório equipado com duas impressoras 3D, uma máquina de corte a laser e outros dispositivos para montagem de robôs como aquele que Luís Henrique, de 15 anos, apresenta: “É um robô de busca e salvamento. Nas provas, deve ir buscar a vítima (normalmente uma bola) e levá-la a um ponto determinado”.

Foi este aluno do 9º ano quem projectou o dispositivo para levar às competições nacionais de robótica, onde outros estudantes da escola já ganharam o título de campeões nacionais em anos anteriores. Luís Henrique começou a frequentar o laboratório há dois anos. Um professor falou-lhe da possibilidade e decidiu experimentar durante um par de semanas. Gostou tanto que agora passa ali “muitos dos tempos livres”, conseguiu uma autorização para levar algum do material para trabalhar em casa e descobriu o que quer fazer no futuro: “Seguir engenharia electrotécnica”.

A aposta na tecnologia embate, porém, num problema também tecnológico. A velocidade da Internet fornecida pela rede de banda larga instalada pelo Ministério da Educação na escola não é suficientemente rápida para permitir um acesso eficaz aos conteúdos colocados na nuvem – ou seja, em servidores externos. Por isso, a escola de Freixo teve com comprar um dispositivo de Internet móvel 4G que, quando é necessário, roda de sala em sala para resolver os problemas dos professores. “A velocidade que nos chega não nos permite fazer um trabalho do século XXI”, lamenta o director.

Além disso, não faltam os problemas “que as outras escolas têm”, aponta Luís Fernandes. Há infiltrações nas paredes e nos tectos, piso com sinais de desgaste e um pavilhão desportivo a precisar de reforma – além de um contexto sócio-económico considerado difícil.

O agrupamento tem 700 alunos, do pré-escolar ao 9º ano, quando há cinco anos eram 1100 os estudantes inscritos. Esta redução não é apenas efeito da crise de natalidade que afecta quase todo o país, mas também dos problemas específicos desta população, particularmente afectada pela emigração. A escola situa-se numa zona rural, no sul do concelho de Ponte de Lima, praticamente à mesma distância da sede de concelho e de Braga – cerca de 15 quilómetros. Nas imediações não existem empresas capazes de criar postos de trabalho para muita gente, apenas indústrias de pequena dimensão e alguma agricultura, produção de vinho e pecuária. A escola é mesmo o maior empregador das freguesias que abarca.

Isto coloca outros problemas: 70% dos alunos recebem apoios sociais e tornou-se necessário entregar um suplemento alimentar ao longo do dia a “boa parte” deles. Ainda assim, a “esmagadora maioria” tem acesso à Internet fora da escola. Quase todos têm pelo menos um computador, tablet ou telemóvel com acesso à rede, o que permite acederem aos conteúdos disponibilizados pelos professores a partir de casa.

Tudo isto se conjuga nos resultados da escola nos exames do 9º ano. No ranking de 2015, a escola estava em 265º lugar, tendo subido 436 posições face ao ano anterior, mercê de uma média de 3,04 valores. O director tem consciência de que os resultados são “medianos” e é preciso “trabalhar mais” para os exames do fim de ciclo, mas sublinha o “longo caminho” percorrido: “No primeiro ano em que houve exames no 9º ano tivemos apenas 17% de positivas”.

Existem ainda outros obstáculos. As escolas secundárias ou profissionais mais próximas estão a 15 a 20 quilómetros de distância (em Ponte de Lima ou Braga, mas também Barcelos ou Viana do Castelo em alguns casos). A maioria dos alunos segue para cursos profissionais e são ainda poucos os que chegam ao ensino superior. “É algo que demora tempo”, argumenta Luís Fernandes. “Uma certeza tenho: quando saem daqui tiveram experiências que noutras situações não teriam e sabem que podem escolher”.

29.5.14

Mais de metade dos portugueses não tem capacidade para lidar com tecnologias digitais

Cláudia Bancaleiro, in Público on-line

Iliteracia digital impede acesso a áreas de emprego em crescimento contínuo.

Pelo menos 47% dos europeus não tem capacidades para lidar com tecnologias digitais num ambiente de trabalho. Em alguns países da União Europeia (UE), como é o caso de Portugal, mais de metade da população não tem habilidades satisfatórias, mas há outros Estados onde essa média chega aos 85%. Segundo dados avançados pela Comissão Europeia, a iliteracia digital está a impedir o acesso a áreas de emprego de crescimento rápido, com as tecnologias de informação e comunicação (TIC).

Os números agora avançados pela Comissão Europeia mostram que 40% ou mais da população em países como Itália, Grécia, Bulgária e Roménia não tem capacidade para interagir com o mundo online. A percentagem aumenta para mais do dobro em alguns Estados-membros da UE quando se fala em falta de literacia digital no total da população (85%) e na força de trabalho (83%).

Portugal está entre os 11 países onde mais de 50% da população não tem capacidade digital suficiente, ao lado da Bulgária, Chipre, República Checa, Grécia, Croácia, Itália, Lituânia, Polónia, Roménia e Eslovénia. A Comissão Europeia conclui que 47% dos europeus estão nesta situação.

Os números mais recentes, de 2013, mostram que 33% dos portugueses nunca utilizou a Internet (média europeia é de 20%), enquanto 58% usa a web a um nível semanal, muito menos que o total da UE (72%). A percentagem desce se medido o número de portugueses que estão online diariamente (48%), mais uma vez menos que a média europeia (62%).

Ainda em Portugal, o desempenho no mundo digital fica aquém do esperado para mais de metade da população. Dados citados pela Comissão Europeia esta quarta-feira, indicam que 55% dos portugueses tem baixa ou nenhuma habilidade para lidar com tecnologias digitais, valor que desce para 48% quando é analisado o número de trabalhadores sem a mesma capacidade, percentagem superior à média da UE (39%). Segundo uma consulta da Comissão Europeia, no ano passado, 62% dos proprietários de casas sem acesso à Internet justificaram não estarem ligados online por não o saberem fazer.

Iliteracia digital quando aumenta emprego em TIC
Os números de iliteracia digital contrastam com o aumento do emprego na área das TIC. Segundo a Comissão Europeia, desde 2000, o número de empregos de pessoas qualificadas neste sector cresceu para mais de dois milhões e a empregabilidade na área está a crescer sete vezes mais que outros sectores do mundo do trabalho. Cargos em programação informática, processamento e armazenamento de dados, serviços financeiros e de negócio, são alguns dos que registaram um nível de emprego mais elevado de TIC.

Comparando os actuais valores de falta de qualificação digital com o crescente pedido de empresas para preencher vagas na área das TIC, conclui-se que haverá incapacidade para responder a ofertas de trabalho entre 2015 e 2020 (por exemplo, no Reino Unido podem chegar às 250 mil e na Alemanha a 150 mil), caso não sejam aplicadas medidas que travem esta discrepância.

Em Portugal, a percentagem de especialistas em TIC empregados era de 1,7% em 2012, abaixo da média europeia de 2,8%.

A vice-presidente da Comissão Europeia e responsável pela Agenda Digital, Neelie Kroes, sublinha que “existem várias iniciativas na UE para ajudar os governos nacionais e organizações privadas a responder a essas falhas como a Opening up education, learning to code, Get Online Week, eSkills for Jobs e a Grand Coalition for Digital Skills and Jobs".

6.3.14

Liderança feminina nas tecnologias de informação e comunicação não chega a um quinto

Cláudia Bancaleiro, in Público on-line

“A tecnologia é demasiado importante para ser deixada para os homens”, diz Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia.

Os números são da Comissão Europeia e revelam que as TIC (tecnologias de informação e comunicação) na Europa são ainda uma área maioritariamente masculina. Apenas 19% da gestão e de empresas de TIC têm mulheres nos cargos de liderança, enquanto nove entre 100 europeus que desenvolvem aplicações são do sexo feminino. “A tecnologia é demasiado importante para ser deixada para os homens”, diz Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia (CE)

O organismo europeu lançou esta quinta-feira uma campanha para encontrar e assinalar mulheres que sejam um exemplo nesta área e encorajem outras, incluindo as mais jovens, a procurar uma carreira no mundo das TIC. Às mulheres, mas também aos homens, a CE pede que criem vídeos onde falem das suas carreiras e do sucesso das suas criações digitais. Os vídeos devem ser partilhados na página do Facebook da Every Girl Digital.

“Queremos criar uma plataforma para as mulheres contarem as suas histórias de como chegaram mais longe na tecnologia. E há tantas histórias de sucesso por aí fora, por isso partilhem as vossas e ajudem-nos a inspirar a nova geração”, apela Neelie Kroes, em comunicado.

Para exemplificar o número ainda baixo da presença de mulheres no meio, a CE indica que menos de 30% da força de trabalho em TIC é feminina e 3% (menos 7% que os homens), tem formação superior na área da computação.

Um estudo divulgado pela Comissão Europeia em Outubro do ano passado indicava ainda que entre mil mulheres com um bachalerato ou outro grau de habilitação académica, apenas 29 tinha uma graduação em TIC, muito menos que os 95 homens com a mesma qualificação. Os valores tornaram-se ainda mais residuais quando se fala em mulheres a trabalhar naquela área. Apenas quatro em mil irão trabalhar eventualmente naquele sector.

O lançamento da campanha da CE pretende reforçar estes números através do melhoramento da imagem da indústria digital, do peso da mulher na área através da oferta de planos de carreira mais claros, do acesso a programas de capital por empresárias e das condições de trabalho nas TIC.

Aplicadas estas recomendações para diminuir a desigualdade de género neste caso, a CE estima que angariar mais mulheres para o mundo do trabalho digital poderia traduzir-se num impulso anual do Produto Interno Bruto europeu de nove mil milhões de euros anuais.

“A tecnologia é demasiado importante para ser deixada para os homens! Todas as semanas conheço mais e mais mulheres inspiradoras na tecnologia”, conclui a vice-presidente da Comissão Europeia.