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27.3.23

Vila sem lar de idosos. Associação quer trazer para Portugal projeto espanhol

Por Lusa, in DN

Um projeto de apoio ao envelhecimento saudável em curso desde 2011 em Pescueza, Espanha, apresentado na sexta-feira no Porto, vai ser recomendado ao Governo português, revelou esta segunda-feira à Lusa a presidente da Associação Nacional de Gerontólogos.

Com menos de 200 habitantes, a pequena vila espanhola saiu do anonimato em 2011, depois de dois anos a trabalhar a ideia de criar um melhor apoio para os idosos, assim nascendo a Associação Amigos de Pescueza, relatou Constancio Martin, no 7.º Encontro Nacional de Estudantes de Gerontologia e Gerontólogos, que decorreu na quinta e na sexta-feira no Porto.

Criada a parceria com o município situado na província da Extremadura, a pouco mais de 100 quilómetros de Castelo Branco, nasceu o Centro de Dia Municipal e com ele "deu-se de imediato a conversão do serviço de apoio domiciliário, que passou a ser prestado pelo centro, primeiro para cerca de seis pessoas", num projeto virado "para servir as pessoas nas suas casas, no seu meio, e não para as institucionalizar", precisou.

O projeto assenta em quatro objetivos: trabalhar para que nenhum idoso tenha de abandonar a vila por falta de cuidados, sem renunciar ao exercício pleno da sua cidadania, sem prejuízo de direitos e obrigações por viver no meio rural, gerar e propor estratégias, alianças e políticas de intervenção favoráveis ao envelhecimento ativo e saudável, criar ambientes amigáveis e inclusivos com todas as pessoas durante todo o ciclo de vida e independentemente das suas circunstâncias e reativar a participação social dos idosos e colocá-los na agenda pública, social, política e económica.

Hoje em dia, assinalou o presidente, a associação tem "100 associados entre os cerca de 150, incluindo crianças, habitantes da vila".

Já Pescueza passou a ser conhecida em Espanha como a "vila sem lares", onde "as pessoas podem entrar e sair no nosso centro de dia sempre que quiserem, [pois] não funciona como um depósito de idosos", frisou Constancio Martin.

Sublinhando que "a lição" é, sem pressas, "responder às necessidades sentidas, sem deixar de ter objetivos amplos, antecipando novos cenários", o dirigente garantiu trabalharem "para converter as vilas num espaço onde viver e envelhecer seja uma opção voluntária ou de rebeldia, mas nunca uma resignação".

Em declarações à Lusa, a presidente da Associação Nacional de Gerontólogos, Filipa Luz, considerou que o projeto apresentado no âmbito do I Congresso Internacional de Gerontologia "pode vir a ser replicado em Portugal" e que integrará o conjunto de sugestões no "memorando" que estão a preparar com as "conclusões do congresso para enviar ao Governo".

Para além disso, e dado o caráter municipal do projeto em Pescueza, Filipa Luz mencionou que "vários municípios portugueses estiveram no congresso convidados pela associação e que, certamente, tomaram boa nota do exemplo apresentado".

"O seu interesse pelo envelhecimento saudável certamente enriqueceu com esta partilha", disse a especialista.

Filipa Melo, vice-presidente da Domus Social, empresa municipal que gere a habitação social no Porto, falou sobre as residências sénior partilhadas, projeto onde intervêm como entidades parceiras, para além do município, uma junta de freguesia e uma instituição particular de solidariedade social (IPSS).

Atualmente, descreveu, "existem oito residências partilhadas que albergam 20 pessoas com idades entre os 60 e 90 anos", variando a tipologia entre o T2 e o T3, "não tendo os residentes qualquer encargo".

"Nestas habitações, só o quarto é privado", assinalou Filipa Melo, informando que a "higienização das casas e das roupas está a cargo da IPSS parceira".

Desde que o projeto se iniciou, há seis anos, "já foram apoiados 25 idosos", sendo que "nenhum aceitou mudar para outra habitação, em regime normal, assim que o seu número na lista de espera foi atendido".

Para o futuro, desvendou Filipa Melo, o município quer criar "uma residência partilhada de maior dimensão e, posteriormente, uma 'co-housing' de raiz, completamente integrada e com parceiros nas áreas da saúde, sociais e de habitação", projeto que gerou uma "candidatura da Área Metropolitana do Porto ao Plano de Recuperação e Resiliência".

"Esperamos no próximo ano ter novidades", concluiu a responsável da Domus Social.

20.10.22

Consórcio Ageing@Coimbra é Centro Europeu de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável

 in Penacova Atual

Consórcio Ageing@Coimbra é Centro Europeu de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável

A rede colaborativa dos Centros Europeus de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável e a Comissão Europeia renovaram o estatuto de Centro de Referência ao consórcio Ageing@Coimbra, com a classificação máxima de 4 estrelas. A cerimónia decorreu em Bruxelas, a 10 de outubro, e contou com mais de uma centena de representantes dos Centros de Referência Europeus para o Envelhecimento Ativo e Saudável. Este consórcio esteve representado pelo seu coordenador, João Malva, da Universidade de Coimbra (UC), e por Alexandra Rodrigues, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

O Ageing@Coimbra é uma rede colaborativa fundada em 2013 com instituições nucleares sedeadas em Coimbra, incluindo a UC, o Instituto Pedro Nunes, a Câmara Municipal de Coimbra, a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSCentro) e o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), e ainda a Cáritas Diocesana de Coimbra, a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) e a CCDRC.

Esta rede colaborativa conta atualmente com mais de 90 entidades da Região Centro de Portugal e movimenta projetos de grande impacto, incluindo projetos regionais, projetos do Horizonte 2020 e do Horizonte Europa, incluindo a criação do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal), o laboratório colaborativo CoLAb4Ageing ou o projeto Excellence Hubs CHAngeing, com financiamento global acumulado de mais de 60 milhões de euros. Em conjunto, os parceiros, inspirados pela investigação científica de excelência, implementam e replicam boas práticas inovadoras para promover a vida saudável e o envelhecimento ativo, em benefício dos cidadãos de Portugal e da Europa.

O Ageing@Coimbra viu a sua distinção apoiada por três boas práticas de excelência, nomeadamente: 1) Ecossistema Regional de Investigação em Envelhecimento; 2) Vida+ Móvel, Unidade Móvel de Avaliação de Estilos de Vida; 3) Prémio de Boas-Práticas para o Envelhecimento Ativo e Saudável na Região Centro de Portugal.

Para Amílcar Falcão, Reitor da UC, o reconhecimento da rede Ageing@Coimbra como Centro Europeu de Referência, de qualidade máxima na Europa, “reforça a continuidade da posição liderante da Região Centro no âmbito da investigação e inovação com o foco no envelhecimento ativo e saudável” Por seu lado, Isabel Damasceno, Presidente da CCDRC, realça que “os resultados agora conhecidos evidenciam a dinâmica e maturidade do ecossistema existente na região, com o objetivo de melhorar a vida dos cidadãos idosos da Região, inovando nas suas diferentes perspetivas: serviços sociais, cuidados de saúde, novos produtos e serviços e novos meios de diagnóstico e terapêuticas”.

O Ageing@Coimbra é o Centro de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável pioneiro em Portugal. O seu primeiro galardão foi atribuído em 2013, o que lhe conferiu na época o estatuto de Único Centro de Referência em Portugal. Na cerimónia de 10 de outubro, foram ainda distinguidos outros Centros Europeus de Referência portugueses, como o Porto4Ageing, o Algarve Active Ageing, o Ageing Thinking Amadora, o Lisbon AHA e o AgeINFuture, que em conjunto dinamizam a rede portuguesa REPENSA.

6.5.22

Projeto para idosos no Grande Porto reúne tai chi e ioga e vai crescer em setembro

in Visão

Um projeto de promoção de envelhecimento ativo a decorrer desde 2021 no Porto, Maia e Matosinhos, envolvendo 800 idosos, vai crescer em setembro para Vila Nova de Gaia e ultrapassar o milhar de beneficiários

Tai Chi, ioga, música/canto, teatro e expressão plástica compõem os 600 ateliês mensais dinamizados por 25 formadores em 50 centros de dia e lares de idosos das três cidades do distrito do Porto, num projeto cujo impacto, revelou à Lusa o presidente do Espaço T, Jorge Oliveira, “causou uma mudança muito grande na dinâmica dos centros”.

Ana Cristina Peres, dinamizadora de ioga no lar Professor Dr. José Vieira de Carvalho, na Maia, é uma das responsáveis no terreno pelos sorrisos que tem diante de si. Na sala, 15 idosos aguardam que a música de meditação abra a aula semanal de ioga que decorre desde julho.

À Lusa, falou da “união do grupo”, da “oportunidade” que o ioga deu às pessoas de “se conheceram melhor”, mas também das “vantagens ao nível da mobilidade, dinamismo, comunicação, de trabalhar o corpo a nível muscular, articulações e a alegria”.

“É ioga adaptado à terceira idade, com exercícios, técnicas de respiração, mas também cânticos. Tudo durante 90 minutos”, resumiu.

Sentada à sua frente, Carmen Macedo elogiou a professora, o ioga e revela ter pena do número de vezes da terapia por semana: “se fossem duas vezes por semana era melhor”, disse na resposta acompanhada com uma gargalhada.

Ao lado, parco em palavras, Joaquim Azevedo assumiu ter “ganho mais genica e alegria”.

No Porto, a reportagem da Lusa encontrou Alexandre Corazza, dinamizador de Tai Chi na Obra Social da Boa Viagem, a distribuir os balões aos 12 idosos para iniciar a sessão semanal.

A atividade que decorre há cerca de um ano, disse, permitiu ganhos ao nível da “fluidez do movimento”.

“É algo que vai influir no objetivo principal da técnica que é o trabalho da saúde, a fluidez do movimento e da respiração e da destreza”, resumiu.

Mais uma vez, é de “adaptação” que se fala, explicando o formador que “o recurso aos balões é para que [os idosos] sintam o volume que existe envolto no movimento”.

“Há evolução e um ganho significativo na satisfação pela execução do movimento. O principal é o que se sente por dentro”, explicou Alexandre Corazza, que enfatizou ainda o “trabalho de coordenação que melhora de aula para aula”.

A aguardar pelo início da aula, João Roças foi taxativo na resposta à Lusa: “o Tai Chi têm-me feito muito bem. Esta coisa de andar com a bola para um lado e para o outro (…) toda a gente assiste e toda a gente gosta, enquanto boccia e outras coisas o terreno não é próprio para isso”.

Sublinhando que a sessão semanal de Tai Chi “é suficiente”, mostrou ganho ao nível da saúde quando ergueu o braço direito: “tem feito muito bem a este braço. Não o levantava e agora levanto”.

Em cadeira de rodas, Maria Duarte contou como o Tai Chi a ajudou a recuperar de um “acidente vascular cerebral e de um derrame cerebral”.

“Faço melhor os movimentos, apesar de ter as minhas dificuldades”, disse, concordando que uma sessão por semana “chega” e que, apesar de ser um “esforço”, tenta “fazer tudo”.

Segundo Jorge Oliveira, financiado pela Fundação Belmiro de Azevedo, a recente chegada de outro financiador, a Missão Continente, vai adicionar “mais dois anos de vida e um novo destino”.

“A partir de setembro vamos crescer para Vila Nova de Gaia, passando de 800 para 1.200 idosos no projeto”, desvendou o responsável da Associação para o Apoio à Integração Social e Comunitária (Espaço T).

Jorge Oliveira, contudo, quer mais e avançou com o objetivo de dentro de “dois anos levar o projeto a todos os centros de dia da região Norte”, assim haja “financiamento”.

Aludindo, também, ao aumento da “empregabilidade junto de grupos ligados às artes” que a criação do projeto permitiu ao incluir os dinamizadores, o responsável da associação referiu que uma parte deles “são brasileiros e de países de Leste” e que, assim, os ajudam “a melhorarem a empregabilidade e a legalizarem-se em Portugal”.

JFO // JAP

Alternativa a envelhecer não é morrer, é envelhecer bem, com direitos de cidadania

Ana Carrilho, in RR

Movimento Ibero-americano Stop Idadismo quer lançar o Selo Anti-idadismo: “uma distinção a atribuir a entidades públicas ou privadas que tenham práticas e linguagens que ajudem a construir uma comunidade amiga de todas as idades”.

O Movimento Ibero-americano Stop Idadismo nasceu há um ano (30 de abril de 2021) com um propósito: combater a discriminação em função da idade. É o terceiro preconceito mais grave, depois do racismo e do sexismo. Atinge todas idades, mas incide particularmente sobre os mais velhos, vistos por muitos como “um peso” para a sociedade. E sente-se, também, no mercado de trabalho.

José Carreira, a oessoa que coordena em Portugal o movimento liderado pelo médico e gerontólogo brasileiro Alexandre Kalache, considera que o balanço deste primeiro ano é muito positivo, especialmente tendo em conta os poucos recursos existentes.

“Conseguimos pôr o tema na ordem do dia, mas ainda há muito, muito trabalho a fazer, em Portugal e noutros países”. Passa também pela educação - na escola, a começar pelos mais pequenos - e pela formação, de líderes. Que não vejam os trabalhadores mais velhos como pessoas “a descartar”, mas como pessoas que, com a sua experiência, contribuem para o crescimento das organizações. São os próximos passos a dar.

O aniversário é assinalado esta quarta-feira na Casa do Povo de Santa Bárbara, na Ilha Terceira, Açores. “A primeira entidade que contactou o movimento para uma parceria e que mensalmente, organiza uma atividade de combate ao idadismo. Por isso, temos todo o gosto em celebrar com eles”, justifica José Carreira.

Velhice não é doença: uma vitória na OMS

A Organização Mundial de Saúde lançou o ano passado a “Década do Envelhecimento Ativo e Saudável 2021-2030. Estimula os países e as organizações a trabalhar pedagogicamente para desconstruir este preconceito em função da idade (idadismo), privilegiando ações educativas e intergeracionais.

“Por isso, ficámos estupefatos quando percebemos que a OMS queria incluir a “velhice” na lista internacional de doenças”, confessa José Carreira, em entrevista à Renascença.

Desde 2015 que havia uma tentativa para definir a velhice como doença. No seguimento do processo burocrático, em 2018, foi inicialmente incluída na lista internacional como código de extensão. E em maio de 2019, a classificação foi aprovada na 72ª Assembleia Mundial da Saúde. A classificação deveria ter entrado em vigor no da 1 de janeiro.

A contradição da OMS era manifesta e um pouco por todo o mundo, a sociedade civil manifestou-se contra e iniciou o movimento “Velhice não é Doença”, liderado pelo médico, gerontólogo e criador do conceito de envelhecimento ativo, Alexandre Kalache.

O movimento acabou por vencer e a Organização Mundial da Saúde retirou a velhice da lista de doenças. “Foi o resultado de uma grande pressão e movimentação da sociedade civil e temos muito orgulho de ter integrado esse movimento”, diz José Carreira. “Foi claramente um marco neste primeiro ano do Movimento Stop Idadismo”.
A partir de uma certa idade, as pessoas são invisíveis

Apesar das conquistas deste primeiro ano de atividade, o líder português do Movimento Stop Idadismo admite que ainda há muito trabalho a fazer. Considera que foi uma espécie de “ano zero” porque ainda há uma grande falta de consciência para esta questão na sociedade portuguesa. “Por via do estigma, a partir de uma certa idade, as pessoas tornam-se invisíveis. A sociedade, em geral, não tem a noção de como contribui para que as pessoas mais velhas ainda se isolem mais”.

José Carreira frisa que os nossos “mais velhos” continuam a ser desvalorizados. Lamentavelmente, a partir de uma certa idade, é como se estas pessoas fossem um peso para a sociedade. Ainda não conseguimos fazer ver às pessoas que envelhecer é bom. Morrer não é a única alternativa a envelhecer. O que temos é de envelhecer bem, com qualidade de vida e na posse dos nossos direitos de cidadania. Para o fazermos, temos nós próprios estar conscientes do nosso envelhecimento, lidar com ele o melhor possível e perceber que os outros também envelhecem”.

José Carreira diz que a pandemia “escancarou a velhofobia”: as pessoas têm medo de envelhecer e também não veem as pessoas mais velhas com bons olhos. Às vezes, isso acontece inconscientemente, o preconceito é aprendido desde tenra idade. Quantas vezes não dissemos já “estás bem, nem pareces ter a idade que tens?"

Por outro lado, há uma tendência para ter um olhar paternalista em relação a estas pessoas. “Ainda hoje, quando as restrições sanitárias já foram aliviadas, há idosos que continuam proibidos de sair dos lares, com o objetivo de os proteger de contágios. Decidimos o que é melhor para elas. Não pode ser”, diz o coordenador do Stop Idadismo.

Para José Carreira é claro que a pessoa mais velha tem que ser protagonista da sua vida, capaz de decidir e continuar a ser cidadã ou cidadão de pleno direito. “Muitas vezes isso deixa de acontecer porque os próprios (mais velhos) sentem - porque a comunidade também os empurra para esse pensamento, para esse isolamento não desejado – que já não são úteis e permitem que outros lhes vão retirando direitos. É isso que temos de combater”.
É preciso combater o descarte de trabalhadores mais velhos

O mercado laboral é uma das áreas em que se sente muito o idadismo. “Muitos trabalhadores, atingindo uma determinada idade são por vezes ‘descartadas’ – uso a palavra porque é isso mesmo que acontece. Sem uma avaliação séria e credível, como por um passo de mágica, passam a ser olhados como improdutivos, incapazes, inúteis para a organização. Sabemos que não é assim”.

É por isso que uma das apostas para o novo ano de trabalhos do Movimento Stop Idadismo é a Formação de Líderes: de entidades publicas e privadas; nacionais e internacionais. José Carreira diz que o objetivo é “lançar a semente e agitar as águas” de quem lidera as organizações, fazendo passar a mensagem de que é importante tirar partido da intergeracionalidade que existe nas empresas ou organizações. E explicar porque é importante contratar pessoas com mais idade: continuam a ser criativas, têm mais experiência, são válidas. “Como sabemos, alguém que fica sem emprego depois dos 50, tem muita dificuldade em voltar ao mercado de trabalho. Num país que envelhece tão rapidamente, que é dos mais envelhecidos do mundo, temos que ajudar a preparar as empresas para gerar equilíbrios intergeracionais”.

Combate ao preconceito começa na escola

Entre as ações pedagógicas desenvolvidas no último ano, o Movimento Stop Idadismo criou um calendário, distribuído pelas escolas para os alunos do 1º ciclo, com a família “dos 8 aos 80, que é cada vez mais dos 8 aos 108, felizmente”. O objetivo é desconstruir o preconceito em função da idade. O passo seguinte é o lançamento de um livro infanto-juvenil para crianças a partir dos 6 anos.

O foco neste ano inicial foram os mais velhos, mas o idadismo também se reflete nos mais novos, por exemplo, no acesso a um posto de trabalho ou a cargo político. “Lembro-me que nas últimas eleições autárquicas, um jovem de 18 anos concorreu à presidência de uma Junta de Freguesia e foi censurado, olhado com desconfiança sobre o que com aquela idade, poderia propor”. Por isso, no 2º semestre vamos lançar outras iniciativas que promovam o encontro de gerações e comunidades para todas as idades. Para que ninguém seja discriminado com base no critério idade”, explica José Carreira.

Além disso, o Movimento quer lançar o Selo Anti-idadismo: “uma distinção a atribuir a entidades públicas ou privadas que tenham práticas e linguagens que ajudem a construir uma comunidade amiga de todas as idades”.

25.3.22

Alte/Loulé: Aldeia dos Saberes e dos Afetos vence concurso para o Envelhecimento Ativo e Saudável

in Postal

O projeto ASAS (Aldeia dos Saberes e dos Afetos), sediado em Alte, assinala neste mês de março cinco meses de execução.

O Projeto ASAS – Aldeia dos Saberes e dos Afetos, que assinala neste mês de março cinco meses de execução, foi no passado dia 18 de março o vencedor do prémios Algarve Active Ageing, na categoria “Coesão e Participação Social”.

O I Encontro de Boas Práticas para o Envelhecimento Ativo e Saudável foi organizado pelo Algarve Active Ageing, CCDR – Algarve, ABC – Algarve Biomedical Center, UAlg – Universidade do Algarve, Interreg – Espanha-Portugal e PSL – Programa para uma Sociedade Longeva.

Ao eixo “Coesão e Participação Social” candidataram-se 21 projetos, dos quais foram selecionados 3 pelo júri para fazerem uma apresentação oral no Encontro de Boas Práticas, onde o público presente teve oportunidade de votar em cada categoria na Boa Prática que mais gostou.

“Foi um dia intenso de partilha, de diversidade e de companheirismo naquilo que nos une a todos, a vontade de fazer diferença e de promover nas camadas mais idosas um envelhecimento saudável, apoiado, próximo, ativo e carregado de afeto”, afirma o Projeto ASAS em comunicado, acrescentando que “todos envelhecemos e a qualidade decide numa perspetiva de devolver utilidade e sentido de pertença às nossas gentes é o caminho urgente que a sociedade tem de fazer”.

“Em Alte, a partir de uma Loja Social, estreitamos laços, partilhamos saberes e distribuímos afetos, através de ações construídas a partir daquilo que cada um tenha para ensinar, partilhar e aprender”, destaca a Aldeia dos Saberes e dos Afetos..

20.1.22

A idade é um detalhe. Sexagenários dão luta ao envelhecimento

Sara Dias Oliveira, in Notícias Magazine

Uns ainda trabalham, outros estão na reforma, parar é que não. Mexer, sempre. Há uma geração que não quer ver horas a passar em vão e que vive os dias intensamente. Homens e mulheres que passaram os 60 e que têm muito para fazer. Envelhecer já não é o que era.

Maria Adriana da Conceição é enfermeira, mulher determinada e resiliente, aposentada, mas não reformada, como faz questão de distinguir. Nunca deixou de trabalhar, sempre a bulir. Todos os dias, conduz 50 quilómetros para cada lado, mora em Águeda, trabalha em Vagos. Há quatro anos, aos 63, foi a duas entrevistas de emprego, acabou contratada pela coordenadora do departamento de Saúde e Segurança da Grestel, empresa de cerâmica que produz peças em grés fino, em Vagos. Está grata pela confiança e pela oportunidade de entrar no único ramo da sua arte que lhe faltava: enfermagem do trabalho. Faz de tudo: curativos, testes covid, vacinação da gripe, apoio aos médicos, formação. Tem 67 anos, madeixas cor-de-rosa no cabelo, está de bem consigo e com a vida. Sexagenária? Nada disso. “Sexy-genária”, corrige com graça.

“Tenho um know-how acumulado ao longo dos anos que não quero colocar dentro de uma gaveta”, conta. Fez muita coisa desde miúda. Trabalhou numa agência de viagens, num escritório de contabilidade, foi administrativa na área da saúde. Aos 30 anos, voltou a estudar para concretizar a vontade de tirar o curso de Enfermagem. Passou pelos cuidados de saúde primários, esteve à cabeceira numa clínica, no bloco operatório, foi ainda enfermeira-chefe, professora convidada da Universidade de Aveiro, deu formação de desenvolvimento pessoal na universidade sénior da cidade dos canais. Especialista em saúde mental, psiquiatria, pedagogia da saúde. “Toquei em muitas áreas.” Faz voluntariado, no verão passado, estava no centro de vacinação de Aveiro. “Ficar em casa, para mim, não é solução. Sinto-me ativa e sinto que tenho muita coisa para fazer.”

João Mesquita também não pára. Tem 65 anos, reformado há dez, começou a trabalhar cedo, aos 14, foi pintor na fábrica de porcelana da Vista Alegre, desenhador numa serigrafia, bombeiro voluntário. O sofá de casa quase não aquece. Depois de se levantar da cama, 30 a 40 flexões e é tempo de tratar de vida – mais parada, entretanto, por causa da pandemia. As rotinas estão agora a voltar aos eixos.

A música corre-lhe nas veias. João Mesquita é tenor e membro da direção do Orfeão de Vagos, faz teatro musical num grupo que integra um projeto da Câmara de Ílhavo. Toca cajón, instrumento de percussão que parece uma caixa, criou o grupo Amigos da Música, entrou noutro conjunto que é um quarteto e mais uns quantos músicos. Canta e toca com muito gosto e os dias tornam-se bem mais leves. Há melodia e harmonia no seu tempo que de desocupado tem muito pouco. “Em vez de estar sentado no sofá a ver televisão, tenho a cabeça ocupada e estou entretido.” Volta e meia, diz aos amigos da sua geração para saírem de casa, para esticarem as pernas e desligarem a televisão. Olha para a vida com boa disposição. “Encaro-a positivamente. Estou vivo e ainda bem.” Qualquer empecilho pelo caminho, é dar a volta e seguir em frente.

A longevidade aumenta, surgem novos paradigmas, o modo de estar na vida muda. Envelhecer já não é o que era. Aquela imagem de jogar às cartas num banco de jardim passou à história. Sara Ferreira é psicóloga clínica e vê mudanças nesta passagem dos anos e do tempo. “Atualmente, as pessoas mais idosas, na sua generalidade, parecem de alguma forma recusar esse papel mais ‘passivo’ em relação ao processo de envelhecimento. Cuidam-se mais, vivem com melhor qualidade de vida, procuram estimular-se e nutrir-se, fazendo o que mais gostam, seja viajar, praticar algum desporto ou tendo hobbies e realizando diversos tipos de atividade de forma consistente”, constata.

A idade da reforma está no meio dos 60 e essa circunstância é um pormenor importante. “Talvez seja este o maior desafio, a passagem da vida ativa, maioritariamente ligada ao trabalho, para a reforma, um período para muitos seniores de difícil adaptação”, refere Ângelo Valente, animador sociocultural que há anos trabalha com os mais velhos. “Envelhecer é o maior fenómeno da nossa sociedade e um privilégio que deve ser vivido e celebrado por todos”, sublinha.

Saúde, felicidade, qualidade de vida

A idade é um pormenor, um número que quase não lhe sai à primeira, demora uns segundos a dizê-lo. Conceição Ferreira tem 68 anos, adora viajar, passear, sentir a Natureza, faz desporto, natação e pilates três vezes por semana, caminhadas de uma hora todos os dias, tem uma alimentação saudável, gosta de cantar, de escrever histórias infantis, de ouvir música, ir a concertos. É uma mulher divertida, franca, bem-disposta.

Conceição está reformada, trabalhou numa solicitadora e numa imobiliária, teve um restaurante. É apaixonada por Espanha, onde passou a passagem de ano, não se importa de voltar aos sítios onde foi feliz, de repetir destinos. Envelhecer não é coisa que lhe ocupe a cabeça, costuma dizer que o futuro não é amanhã. “Estou a viver o meu futuro, o meu futuro é hoje. Sei que não quero ter no meu futuro, nem nos dias que correm, horas a morrer. Tenho de ter coisas para fazer”, confessa. Ou são os afazeres domésticos, as viagens para planear, a natação que a tira da cama bem cedo, tratar dos animais, uma cadela e quatro gatos, estar com as filhas e com a neta, passear com o companheiro. Não há momentos mortos. “Busco tempo para mim e exerço a gratidão. Sou grata por tudo o que fiz e a tudo o que tenho.” Quer continuar a realizar os seus sonhos. “Viver bem, ser feliz, ter qualidade de vida, ter gosto no que faço, envelhecer bem.” É isso que lhe importa.


Se o tempo de vida estica, a expectativa de uma vida saudável aumenta, surgem ideias e vontades para depois da reforma. “A velhice deve ser encarada como uma etapa plena da vida e não como apenas viver na inquietação de ver os dias chegarem ao fim. Com saúde, autonomia e inseridos na sua comunidade, os anos da velhice podem ser vividos como uma experiência renovadora e partilhada com as gerações mais novas”, salienta Sara Ferreira, psicóloga clínica. Há muitos sexagenários que não se resignam a ver passar as horas e os minutos, muitos mantêm atividades profissionais, físicas, de lazer, convívio, passeio. Dão luta ao envelhecimento.

Maria Adriana dedica-se à jardinagem no seu quintal que é um jardim, tem um bananal, relva debaixo das árvores de fruto, e ainda uma horta de onde apanha vegetais e legumes para comer na hora sem sal. “Gosto muito de ler, gosto muito de pensar projetos, gosto muito de viajar. Tenho um marido maravilhoso, um companheiro para a vida.” São 46 anos de casamento e 48 e meio de namoro.

A relação e a partilha com os outros são fundamentais nos seus dias. “Ponho amor em tudo o que faço”, garante Maria Adriana. O visual é importante, sim, mas as rugas não lhe tiram o sono. “Sei lidar com as perturbações físicas que a vida me traz”, assegura. “Se conhecermos as competências do nosso corpo e da respiração, podemos ter uma atitude positiva perante a vida”, acrescenta.

“Envelhecer significa o simples avançar do tempo”, observa Sofia Nunes, gerontóloga. Não é um processo triste. “É um privilégio conseguirmos viver mais anos, com mais qualidade de vida, felizes e com condições para concretizarmos todos os projetos que queremos para nós e para quem nos rodeia.” Com a constante evolução do conhecimento científico e da tecnologia, realça, “cada vez temos mais condições para o fazer, sendo importante refletir acerca do acesso a essas condições para que viver mais anos com qualidade de vida não seja um privilégio de apenas algumas pessoas”.

Ângelo Valente fala em preparação: “Ser ‘velho novo’ é um dos maiores desafios para envelhecermos com felicidade esperada e devida, um processo que devemos preparar desde a nossa juventude”. Sofia Nunes e Ângelo Valente trabalharam no Centro Comunitário da Gafanha do Carmo, em Ílhavo. Colocaram a instituição no mapa com várias atividades fora da caixa, vídeos bastante criativos, iniciativas que tiveram projeção nacional. Continuam na área, dedicados aos mais velhos com o projeto Interage. Juntos organizam atividades, como workshops e eventos, que promovam um envelhecimento saudável e sobretudo feliz.

Planear e preparar fazem sentido. Os anos da velhice podem, segundo Sara Ferreira, ser vividos como uma experiência renovadora e partilhada com as gerações mais novas. “Envelhecer num ambiente protetor é o desafio de construir uma sociedade para todos, sobretudo para os nossos velhos. E, para isso, creio ser fundamental planear. Desde cedo. Educar e empoderar o jovem de hoje, que será o idoso de amanhã. Sim, a boa velhice começa cedo, bem cedo.” E a qualidade das relações mais íntimas é fundamental. “Afinal, uma vida boa constrói-se com boas relações. Surpreendentemente, os dados têm-nos feito chegar à conclusão de que o segredo para envelhecer bem não é ‘apenas’ sinónimo de uma alimentação correta, evitar álcool e tabaco ou fazer alguma atividade física: o grande segredo é a qualidade das relações que uma pessoa desenvolveu ao longo da vida.” A solidão mata e os conflitos dão cabo da saúde.
Expectativas, ambições, projetos

Maria Adriana quer manter-se ativa, mas quando tiver de ser, e a reforma for mesmo uma realidade, já sabe o que vai fazer. “Descobri que tenho muito jeito para o artesanato.” Aprendeu a costurar e a bordar, viu vídeos na Internet, faz arte aplicada em telas, trabalhos com corda e tecidos, macramé. Gostava de aprender a fazer bilros, mas não encontra quem lhe ensine, e tem vontade de aprender a tocar um instrumento, talvez violino. “Gosto de pensar que vim ao Mundo para mudar o mundo à minha volta. Podemos ser um exemplo e espalhar coisas boas à nossa volta”, afirma.

Com jeito para a pintura, João Mesquita deu aulas de Arte na Universidade Sénior de Vagos durante um tempo. Conheceu o país e algumas cidades europeias com o Orfeão. Há momentos em que é complicado gerir a agenda e tem de optar, é impossível estar em dois sítios ao mesmo tempo. Gosta de viajar e de andar de bicicleta quando o tempo permite. “Caminhadas de bicicleta”, como lhes chama. “Faço o que posso para manter-me ativo.”

Conceição Ferreira dá muita atenção à saúde do corpo, da mente, e das emoções, que vê como um todo. “Nunca fui uma mulher de exageros, sempre fui muito equilibrada.” E a sua saúde agradece. “Para estar bem, tenho de estar na Natureza. Sou uma pessoa de terra, preciso ver árvores, plantas, pássaros. Se estiver muito tempo sem ver verde, não ando bem.” Em 1997, criou o projeto Macinhata Espanta, mostra de espantalhos em Macinhata da Seixa, em Oliveira de Azeméis, durante três meses, uma forma de homenagear a tradição da história agrícola dos habitantes da freguesia. A mostra deu lugar a um festival com 400 espantalhos em varandas, ruas e jardins, entretanto suspenso por causa da pandemia. Conceição já escreveu um livro sobre a história da Francisca OAZ, espantalho que ganha vida e que se tornou o rosto da iniciativa. “É um projeto que nasce de mim, que me tem dado muito que fazer, e que me preenche completamente.”

O envolvimento na comunidade traz anos de vida, as experiências têm muita importância. O rótulo da velhice já não cola nos sexagenários. “Muitas pessoas com 60 anos ou mais estão, felizmente, a derrubar mitos e a provar saudavelmente que os limites da vida se expandiram”, adianta Sara Ferreira, que avisa que é necessário, portanto, repensar conceitos. “Urge atualizar e redefinir as fronteiras da idade e dos ‘rótulos’ mais antigos e desfasados dos tempos atuais”, defende. “Afinal, o tempo é, até certo ponto, uma perspetiva: há pessoas cronologicamente jovens, mas muito menos dinâmicas, vívidas e ativas do que outras que podem ter superado a linha dos 60 anos, mas que apresentam ainda níveis de vigor e vitalidade verdadeiramente inspiradores.”

Os mais velhos têm obviamente o seu espaço na sociedade e envelhecer faz parte da vida. Sara Ferreira considera que o paradigma do envelhecimento ativo é a chave para promover qualidade de vida e bem-estar e que “não deve ser apenas uma intenção, mas uma dinâmica que chegue a todos os idosos”.

Vive-se mais tempo, com maior qualidade de vida, e a soma dos anos acaba por ser um pormenor. Sofia Nunes alarga as perspetivas do assunto. “As pessoas mais velhas não estão necessariamente mais jovens, simplesmente podem usufruir de melhores condições de vida, em comparação com anteriores gerações”, verifica a gerontóloga que lembra que o envelhecimento é um fenómeno universal que não toca apenas aos outros, calha a todos. “É por muitas vezes não contemplarmos a universalidade deste processo que falhamos, como sociedade, na determinação de políticas e ações.” Por isso, avisa, “é necessário refletir acerca do que esperamos, enquanto sociedade, do nosso próprio envelhecimento”. Pensar em expectativas, ambições, projetos de vida. E tentar viver da melhor forma possível, sem o peso dos anos, com a leveza dos dias.

6.1.22

Investigação da ESTeSC sobre o envelhecimento ativo e saudável em destaque

in Notícias de Coimbra

Os resultados do projeto de investigação AGA4Life, da Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Politécnico de Coimbra (ESTeSC-IPC), foram publicados em livro pela editora inglesa Routledge – Taylor & Francis Group.

“Promoting Healthy and Active Aging – A multidisciplinary approach” apresenta uma abordagem multidisciplinar na área do envelhecimento ativo e saudável, a partir de um modelo de investigação pioneiro desenvolvido pela escola, foi hoje anunciado.

A publicação é uma extensão do livro “Abordagem geriátrica ampla na promoção de um envelhecimento ativo e saudável: componentes do modelo de intervenção”, editado pelo Politécnico de Coimbra em 2019.

“Fomos contactados pela editora, que mostrou interesse em publicar a versão inglesa do nosso trabalho, o que muito nos orgulha”, afirma Telmo Pereira, docente da ESTeSC-IPC e coordenador do projeto AGA4Life, citado numa nota de imprensa.

“A Routledge, entretanto integrada no grupo Taylor & Francis, é uma das editoras de ciência mais antigas do Reino Unido, com quase dois séculos de atividade”, salienta.

11.10.21

Envelhecimento tornou-se uma questão social muito relevante

in Notícias de Aveiro

A Universidade Sénior São João da Cruz (USSJC), em Aveiro, foi construída com base nos princípios da inovação e investigação das novas técnicas científicas da gerontologia social para responder de uma forma inovadora aos desafios do envelhecimento e aprendizagens ao longo da vida.

Com uma equipa liderada por académicos e investigadores científicos, é a resposta a educação ao longo da vida e aumento da qualidade de vida da sua comunidade (alunos, família, amigos, professores, colaboradores).

Um projeto de aprendizagem ao longo da vida; inovador com princípios intergeracionais, criado para responder aos novos modelos da gerontologia e envelhecimento ativo para o aumento da qualidade de vida.

Com um modelo inovador de ensino / aprendizagem, a USSJD é um laboratório de investigação e inovação para a gerontologia social e para a comunidade.

Como incorporamos essa investigação sobre o envelhecimento nas atividades da USSJC?

Seguimos o modelo epigenético do ciclo de vida e a perspetiva do desenvolvimento ao longo da vida. Segundo esta perspetiva, cada fase do nosso ciclo da nossa vida é assinalada por um balanço dinâmico que busca o equilíbrio interno e uma certa desarmonia.

De modo a superar cada crise, o idoso precisa experimentar a sintonia e a distonia. O êxito da sintonia dependerá do contexto e das relações sociais além da capacidade interna deste em vencer as próprias limitações. E nesse sentido, em que as nossas atividades pretendem dar uma resposta.

Os principais desafios que o idoso enfrenta são resolver conflitos do passado, investir nas relações sociais do presente e encarar a finitude da vida com serenidade. E estas são igualmente as preocupações que rodearam a elaboração de todo o nosso programa de disciplinas e de atividades.

Acreditamos ser necessária muita sabedoria para envelhecer. Assim, a aquisição da virtude sabedoria corresponde à capacidade do indivíduo para equilibrar um sentido de coerência e plenitude pessoal com o desespero perante a solidão e a proximidade da morte ou da perda, além da aceitação das falhas e omissões do passado.

Na velhice, com o aumento da força do elemento desespero e a contínua sensação de estagnação, ou seja, de ausência de propósito, a necessidade de vínculos sociais torna-se mais evidente. É necessário intervir nestas questões.


A nossa ação pretende ajudar o idoso a superar as crises do passado e a inserir-se num contexto psicossocial que o auxilie na superação das dificuldades dessa etapa da sua vida para que o desespero e solidão não tomem conta da sua existência.

Dessa forma, o projeto da USSJC procura pelas suas ações que o indivíduo tenda a encarar a finitude da vida com serenidade e sabedoria; experimentando um envolvimento vital e, possivelmente, adquirindo a virtude da transcendência. Ou seja, permitir-lhe desenvolver uma maior capacidade para transcender as limitações corporais, para experimentar uma nova compreensão do tempo, de si mesmo e das relações sociais, e uma maior sensação de conexão com as gerações anteriores e nova compreensão da vida.

Como encaramos a questão da solidão e do desespero no envelhecimento?

A vida, sob o olhar do desespero ou da solidão, é quase sempre vista como um conjunto de tarefas não terminadas, com falhas e limitações.

O indivíduo que embarca nesta visão da vida, começa a abrigar ressentimento acerca da brevidade da vida e do fato de ser-lhe impossível recomeçar tudo de novo. O sujeito, portanto,começa a sentir-se incapaz de integrar experiências positivas e negativas, erros e acertos, numa perspetiva mais ampla da vida. Muitas vezes, o idoso acaba por desenvolver psicopatologias como fuga ante o desgosto de viver

Tudo isto é reforçado, enquanto, a sociedade não consegue valorizar o idoso e proporcionar-lhe um ambiente saudável e motivador, portanto, ter um senso de completude e de totalidade na sua vida torna-se mais difícil.


Se a rede de apoio não consegue responder às necessidades impostas pelas mudanças na saúde física e mental da pessoa idosa. Observamos com demasiada frequência o recurso à institucionalização do idoso, o que reforço e implica um crescendo no índice de perdas, isolamento social, diminuição de contacto familiar e redução da autonomia

O envelhecimento tornou-se uma questão social muito relevante, havendo necessidade de novas oportunidades e sinergias, para dignificar a vida dos mais velhos, tornando-os ativos e integrados na sociedade. Essa valorização que pretendemos implementar é uma base importante da nossa função como universidade sénior. E nessa valorização que combatemos todos os fatores mencionados anteriormente.

Quais os princípios do projeto da USSJC para fazer face a exigências pessoais ou circunstanciais que ocorrem no envelhecimento?

Todas as atividades foram criadas e desenvolvidas para permitir ao indivíduo compreender as suas atitudes e valores, ou seja, as atividades da Universidade Sénior estão inseridas num processo que permita ao indivíduo compreender e lidar com as exigências que surgem na sua vida. As nossas atividades visam sempre atuar os recursos internos e externos de cada um.

Assim, todas as nossas atividades foram concebidas e programas tendo em conta: as atitudes e valores instrumentais que ajudem a criar estratégias que permitam atuar sobre as situações ameaçadoras, prejudiciais ou desafiantes; as atitudes e valores evolutivas que ajudem a compreender e a lidar com as suas emoções e adquirir um maior controlo emocional; e as atitudes e valores de fé que procuram ajudar o indivíduo a compreender aa sua relação com a transcendência, e a sua relação com os outros, na adaptação, ajustamento e gestão das crises ou dúvidas na sua vida.

Se quisermos simplificar, diria que criámos um programa que busca criar a resiliência no indivíduo, e a capacidade de adaptação, favorecendo aspetos subjetivos como: felicidade, esperança, satisfação, otimismo, contentamento e bem-estar.

Para além da investigação na área da terceira idade, a intergeracionalidade e a fé, ética e moral são temas centrais no nosso projeto. Porque optamos por esses elementos?

A nossa aposta na intergeracionalidade parte da certeza de que as interações sociais e trocas entre diferentes gerações, promove a saúde mental e o bem-estar, entre outros fatores. Para além da componente social que estas interações e trocas comportam, por isso, os nossos programas assentam na interação social para promover ganhos no bem-estar e qualidade de vida nas diversas gerações. Existem ganhos múltiplos comprovados para ambos tanto para as gerações mais novas como para os idosos.


Os nossos programas intergeracionais, incorporam atividades desenhadas para estimular a interação entre os grupos etários, com base no facto de estas relações potenciarem nos idosos, entusiasmo, afeto e espontaneidade, mas também, promovem ganhos no autoconceito, na autonomia, numa imagem social da velhice mais valorizada, agindo preventivamente no âmbito cognitivo e promovendo o bem-estar e contrariando o isolamento.

De facto, este envolvimento ativo com a vida, pelo relacionamento com outras gerações pelas atividades produtivas, traduz-se na criação de uma maior rede social ativa, é um dos indicadores mais referidos de longevidade dos indivíduos, promovendo a saúde, essencialmente através do apoio sócio-emocional. A criação de sentimentos positivos e o estímulo do autoconceito que os encontros intergeracionais permitem, benefícios para a saúde mental, desenvolvimento pessoal, satisfação, bem-estar e qualidade de vida.

Acreditamos ser urgente incluir medidas intergeracionais na sociedade — esta é uma das nossas funções principais como universidade Sénior.

A fé, ética e moral são pontos centrais na USSJC. Qual foi o fundamento desta nossa opção?

Em primeiro lugar, porque a Universidade Sénior São João da Cruz é de inspiração Carmelita. Em segundo, porque acreditamos na relevância da fé, ética e moral no processo de envelhecimento. No projeto da Universidade sénior São João da Cruz, reconhecemos estesfatores como uma dimensão fundamental da personalidade e da saúde. A valorização da dimensão de fé do indivíduo, torna assim o projeto mais humanista.

Na sua maioria, após os 65 anos, o indivíduo faz uma reflexão sobre a sua vida passada, a sua adaptação ao sucesso e às perdas, tudo aquilo que fez ou que deveria ter feito. Nesta fase, observamos a existência de forças no ser humano que surgem ou se acentuam, com o envelhecimento. Na meia-idade os indivíduos viram-se mais para o seu interior explorando aspetos mais espirituais, o que contribui para a expansão do seu self e para alcançar a autorrealização. Existe uma conexão entre fé e idade avançada no processo de adaptação às perdas e à adversidade, nomeadamente quando os indivíduos se encontram mais angustiados, doentes, com medo de morrer ou a fazer o luto de um familiar.

Assim, enquanto o desenvolvimento espiritual tende a ocorrer em indivíduos dispostos psicologicamente para pensar, e que investem no pensamento sobre as coisas e que tiveram experiências de adversidade, observa-se a relação entre o desenvolvimento espiritual, a sabedoria e os estágios pós-formais do desenvolvimento cognitivo.


O chegar a esta última fase do ciclo vital, o indivíduo reflete sobre algumas questões que surgem inevitavelmente: «Quem sou eu?», «Porque estou neste mundo?», «A minha vida tem sentido?», «Para aonde vou?», «Como tenho vivido todos esses anos?», «Como poderei viver os próximos anos?».

Face a estas dúvidas, muitos estudos apresentam uma relação positiva entre a fé e a qualidade de vida e uma melhor saúde física e mental. Esta relação traduz-se em maior longevidade, menor ansiedade, depressão e diminuição das taxas de suicídio. Hoje, sabemos identificar os mecanismos neurobiológicos envolvidos nas práticas espirituais, nomeadamente sobre as alterações na atividade simpática e parassimpática, no batimento cardíaco, na pressão sanguínea, no plasma sanguíneo e nos níveis de serotonina.

No campo da saúde mental, também têm sido apontadas muitas correlações com a fé, nomeadamente na redução do “stress” e na melhoria da sensação de controlo do indivíduo, aumentando o bem-estar e a qualidade de vida. De modo geral, a fé têm um impacto positivo numa autoestima elevada, uma maior perceção de competência e conexão com os outros, uma personalidade mais equilibrada. Existem ainda relações que evidenciam uma progressão mais lenta do declínio cognitivo, assim como, um melhor funcionamento cognitivo.

Como tentam incorporar essa investigação sobre o envelhecimento nas atividades da USSJC?

fé, a ética e a moral são poderosos mecanismos face à adversidade, contribuindo para a capacidade de adaptação a novas necessidades individuais promovendo assim a resiliência. O nosso modelo de assuntos a serem abordados na USSJC está estruturado de modo que seja possível lidar com as questões de fé. éticas e morais sempre que estas surjam, em benefício do indivíduo.

Morada: Largo Luís de Camões nº1 C/D, nas 5 Bicas.

Mais informações em https://usenior.iesjc.pt.

15.3.21

GUARDA: ESTRATÉGIA PARA O ENVELHECIMENTO ATIVO, SAUDÁVEL E INCLUSIVO

Por Revista Dignus

O município da Guarda implementou uma estratégia municipal para o envelhecimento ativo, saudável e inclusivo na sua região.

O município da Guarda implementou uma estratégia municipal para o envelhecimento ativo, saudável e inclusivo na sua região. O documento foi aprovado na última reunião do executivo e prevê a adoção de políticas que proporcionem aos idosos “contextos, ferramentas, apoios técnicos e oportunidades de usufruir de atividades suscetíveis de promover os seus direitos a um envelhecimento ativo, saudável, inclusivo e feliz”.

Com esta estratégia, o município da Guarda pretende combater os sentimentos de desesperança do envelhecimento e promover o sentimento de integridade duma vida que valeu e vale a pena viver, abrindo espaço à expressão da sabedoria como virtude do envelhecimento.

26.2.21

Estratégia municipal para o envelhecimento ativo, saudável e inclusivo

in Diário das Beiras

O município da Guarda implementou uma estratégia municipal para o envelhecimento ativo, saudável e inclusivo no território concelhio, foi hoje anunciado.

Segundo a autarquia, o documento que foi aprovado na última reunião do executivo, prevê a adoção de políticas que proporcionem aos idosos “contextos, ferramentas, apoios técnicos e oportunidades de usufruir de atividades suscetíveis de promover os seus direitos a um envelhecimento ativo, saudável, inclusivo e feliz”.

“Com a presente estratégia, o município da Guarda propõe-se combater os sentimentos de desesperança do envelhecimento e promover o sentimento de integridade duma vida que valeu e vale a pena viver, abrindo espaço à expressão da sabedoria como virtude do envelhecimento”, refere a fonte.

24.2.21

ICTskills4All. Projeto explica aos mais velhos o que é um computador, a internet e para que serve um rato

in Visão

ICTskills4All é um website de acesso livre lançado pelo Centro de Competências para o Envelhecimento Ativo e Saudável da Universidade do Porto e que pretende ajudar os mais velhos a tornarem-se infoincluídos

A página ICTskills4All é o resultado de um projeto de dois anos que envolveu 150 idosos de Portugal, Polónia, Lituânia, Reino Unido e Bélgica, numa abordagem colaborativa com cursos presenciais, testes de usabilidade e adequação dos materiais. O site pretende, de uma forma didática, promover as capacidades e competências digitais dos idosos e dos mais desfavorecidos.

Além de temas ligados ao manuseamento de computadores e outros suportes digitais, o site aborda temas como a segurança online. A página assume maior relevância especialmente em contexto de pandemia e de isolamento, onde muitas das respostas das entidades públicas passam por consultas médicas online regulares, acesso a prescrições médicas digitais ou muitos outros recursos que estariam habitualmente vedados a esta população.

Liliana Rodrigues, gestora do projeto, explica em comunicado que o objetivo não é “formar génios da informática, queremos dar-lhes ferramentas para comunicar com o mundo e vice-versa”.

A equipa trabalhou para ultrapassar também desafios colocados pelo modo de aprendizagem e ajustou os materiais e formas para que estes não fossem um fator de frustração, mas sim um facilitador de ensino e aprendizagem.

“Com os grupos com os quais trabalhamos, conseguimos desmistificar o smartphone e mostrar-lhes a sua versatilidade. Agora temos um grupo no WhatsApp, onde os alunos falam quase todos os dias. Tivemos também o caso de uma aluna que estava desempregada e, depois de conseguir fazer o seu currículo, arranjou emprego”, explica Kerolyn Ramos, um dos membros do projeto que também deu aulas presenciais.

A página vai continuar a ser atualizada e traduzida para quatro idiomas. O projeto internacional conta com financiamento do programa Erasmus+ da União Europeia.


6.10.20

Envelhecimento saudável

 in Notícias de Aveiro

A Década para o Envelhecimento Saudável 2020-2030 . É com este desafio da Organização Mundial de Saúde que as Nações Unidas marcam o 1 de Outubro, Dia Internacional da Pessoa Idosa. Esta será uma oportunidade para conjuntamente com diferentes stakeholders ser desenvolvida uma ação concertada para melhorar a vida das pessoas idosas, as suas famílias e as comunidades onde vivem.

Rede Europeia Anti-Pobreza / Portugal *

Se por um lado, é preciso atuar sobre os efeitos da Pandemia da COVID-19 que está a fragilizar as sociedades e as pessoas, com destaque para as que já viviam em situação de maior vulnerabilidade. Por outro lado, o mundo enfrenta já há algum tempo um contínuo envelhecimento demográfico que exige uma resposta equilibrada por parte de todos os países.

Este esforço coletivo parte já do trabalho realizado e de planos e estratégias existentes, como a Agenda 2030 (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e está orientado para 4 grandes áreas de atuação: “mudar a forma como pensamos, sentimos e agimos em relação à idade e ao envelhecimento; garantir que as comunidades promovam as capacidades das pessoas idosas; prestar cuidados integrados centrados na pessoa e serviços de saúde primários que atendam aos idosos; e garantir acesso a cuidados de longo prazo para as pessoas idosas que deles necessitem” .

Recentemente a Comissão Europeia apresentou um relatório sobre o impacto das mudanças demográficas na Europa no qual destaca a redução da população ativa, a necessidade de maior investimento público nos cuidados, as diferenças regionais das mudanças demográficas e os seus impactos económicos e ambientais. Os desafios são imensos mas no centro das preocupações devem estar sempre as pessoas.

Entendendo que a resposta aos desafios deve mobilizar todos os intervenientes, em particular as pessoas mais idosas, a EAPN Portugal gostaria de deixar na sua mensagem do dia 1 de Outubro algumas recomendações ao nível nacional:

– Qualquer resposta que vise atender aos desafios das mudanças demográficas deve ser uma resposta assente na defesa e promoção dos direitos das pessoas, nomeadamente as mais vulneráveis;


– Acreditamos que Portugal precisa urgentemente de uma Estratégia Nacional de Combate à Pobreza e Exclusão Social que permita uma resposta concertada ao problema da pobreza tendo em conta também as especificidades da idade. As pessoas idosas que vivem em situação de pobreza e/ou exclusão social têm necessidades específicas que precisam de ser colmatadas e prevenidas;

– Será importante avançar para a concretização de uma verdadeira Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável, mas que assente em documentos e orientações já existentes, como o atual Pilar Europeu dos Direitos Sociais e a Agenda 2030, contribuindo para os mesmos. O mesmo esforço de articulação terá de acontecer se for definida uma Estratégia Nacional de Combate à Pobreza e à Exclusão Social. É importante que a Estratégia Nacional para o envelhecimento ativo e saudável tenha em conta também as diferenças regionais em matéria de envelhecimento, mas também as diferenças de género, uma vez que as mulheres idosas continuam a ser as mais vulneráveis do ponto de vista social;

– O acesso aos serviços é central na inclusão de qualquer pessoa. A este nível gostaríamos de salientar a importância da proteção social, da saúde e da habitação para as pessoas mais idosas. Os serviços só são de qualidade se derem resposta de qualidade às pessoas que a eles recorrem. Portugal continua a ter uma taxa significativa de pobreza entre os mais velhos (17.7%, 2018); 31% da população com mais de 65 anos admitia apresentar sintomas de depressão; 2.1% da população portuguesa declara ter necessidades de saúde não satisfeitas devido ao custo, à distância ou ao tempo de espera; a taxa de privação material e social era em 2018 de 16% e a de privação material severa de 6.2%;

– As respostas sociais existentes precisam de ser revistas. A atual situação provocada pela Pandemia veio colocar a descoberto as lacunas que ainda existem nas respostas às pessoas mais idosas e que atentam à sua dignidade. É necessário encontrar alternativas que podem passar por promover um melhor envelhecimento em casa, mas também por uma revisão das respostas existentes. É necessário mais financiamento e fortalecer e diversificar as equipas técnicas existentes, mas também é preciso colocar a pessoa idosa no centro e atender às suas reais necessidades contribuindo para a sua capacitação;

– A participação é um princípio estratégico e não podemos continuar a definir políticas e medidas de política sem criar espaços de diálogo com os cidadãos mais velhos para quem essas medidas são dirigidas e com as entidades que as implementam;

– As medidas de política deveriam ser monitorizadas por indicadores quantitativos e qualitativos de forma a perceber os seus impactos na promoção ou não do envelhecimento ativo e saudável;

– A sensibilização pública para a importância do envelhecimento e os estereótipos da idade deve ser uma prioridade ao nível nacional. Não podemos continuar a aceitar discursos e atitudes discriminatórias face às pessoas idosas. É importante perceber a dimensão da discriminação que ainda existe relativamente à idade, os seus impactos e mobilizar as diferentes gerações para a construção de uma sociedade mais inclusiva livre de estereótipos.

O ano 2020 já faz parte da História da Humanidade. Mas o que fará também parte da História será a capacidade de resiliência do Ser Humano e as respostas criadas para lidar com as dificuldades. Neste processo de mudança todas as gerações, independentemente da sua idade, têm um papel a desempenhar e podem, devem, fazer diferente para, tal como referido inicialmente, melhorar a vida de todas as pessoas.

* Para mais informações www.eapn.pt.

2.10.20

Envelhecimento saudável

 in Notícias de Aveiro

A Década para o Envelhecimento Saudável 2020-2030 . É com este desafio da Organização Mundial de Saúde que as Nações Unidas marcam o 1 de Outubro, Dia Internacional da Pessoa Idosa. Esta será uma oportunidade para conjuntamente com diferentes stakeholders ser desenvolvida uma ação concertada para melhorar a vida das pessoas idosas, as suas famílias e as comunidades onde vivem.

Rede Europeia Anti-Pobreza / Portugal *

Se por um lado, é preciso atuar sobre os efeitos da Pandemia da COVID-19 que está a fragilizar as sociedades e as pessoas, com destaque para as que já viviam em situação de maior vulnerabilidade. Por outro lado, o mundo enfrenta já há algum tempo um contínuo envelhecimento demográfico que exige uma resposta equilibrada por parte de todos os países.

Este esforço coletivo parte já do trabalho realizado e de planos e estratégias existentes, como a Agenda 2030 (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e está orientado para 4 grandes áreas de atuação: “mudar a forma como pensamos, sentimos e agimos em relação à idade e ao envelhecimento; garantir que as comunidades promovam as capacidades das pessoas idosas; prestar cuidados integrados centrados na pessoa e serviços de saúde primários que atendam aos idosos; e garantir acesso a cuidados de longo prazo para as pessoas idosas que deles necessitem” .

Recentemente a Comissão Europeia apresentou um relatório sobre o impacto das mudanças demográficas na Europa no qual destaca a redução da população ativa, a necessidade de maior investimento público nos cuidados, as diferenças regionais das mudanças demográficas e os seus impactos económicos e ambientais. Os desafios são imensos mas no centro das preocupações devem estar sempre as pessoas.

Entendendo que a resposta aos desafios deve mobilizar todos os intervenientes, em particular as pessoas mais idosas, a EAPN Portugal gostaria de deixar na sua mensagem do dia 1 de Outubro algumas recomendações ao nível nacional:

– Qualquer resposta que vise atender aos desafios das mudanças demográficas deve ser uma resposta assente na defesa e promoção dos direitos das pessoas, nomeadamente as mais vulneráveis;

– Acreditamos que Portugal precisa urgentemente de uma Estratégia Nacional de Combate à Pobreza e Exclusão Social que permita uma resposta concertada ao problema da pobreza tendo em conta também as especificidades da idade. As pessoas idosas que vivem em situação de pobreza e/ou exclusão social têm necessidades específicas que precisam de ser colmatadas e prevenidas;

– Será importante avançar para a concretização de uma verdadeira Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável, mas que assente em documentos e orientações já existentes, como o atual Pilar Europeu dos Direitos Sociais e a Agenda 2030, contribuindo para os mesmos. O mesmo esforço de articulação terá de acontecer se for definida uma Estratégia Nacional de Combate à Pobreza e à Exclusão Social. É importante que a Estratégia Nacional para o envelhecimento ativo e saudável tenha em conta também as diferenças regionais em matéria de envelhecimento, mas também as diferenças de género, uma vez que as mulheres idosas continuam a ser as mais vulneráveis do ponto de vista social;

– O acesso aos serviços é central na inclusão de qualquer pessoa. A este nível gostaríamos de salientar a importância da proteção social, da saúde e da habitação para as pessoas mais idosas. Os serviços só são de qualidade se derem resposta de qualidade às pessoas que a eles recorrem. Portugal continua a ter uma taxa significativa de pobreza entre os mais velhos (17.7%, 2018); 31% da população com mais de 65 anos admitia apresentar sintomas de depressão; 2.1% da população portuguesa declara ter necessidades de saúde não satisfeitas devido ao custo, à distância ou ao tempo de espera; a taxa de privação material e social era em 2018 de 16% e a de privação material severa de 6.2%;

– As respostas sociais existentes precisam de ser revistas. A atual situação provocada pela Pandemia veio colocar a descoberto as lacunas que ainda existem nas respostas às pessoas mais idosas e que atentam à sua dignidade. É necessário encontrar alternativas que podem passar por promover um melhor envelhecimento em casa, mas também por uma revisão das respostas existentes. É necessário mais financiamento e fortalecer e diversificar as equipas técnicas existentes, mas também é preciso colocar a pessoa idosa no centro e atender às suas reais necessidades contribuindo para a sua capacitação;

– A participação é um princípio estratégico e não podemos continuar a definir políticas e medidas de política sem criar espaços de diálogo com os cidadãos mais velhos para quem essas medidas são dirigidas e com as entidades que as implementam;

– As medidas de política deveriam ser monitorizadas por indicadores quantitativos e qualitativos de forma a perceber os seus impactos na promoção ou não do envelhecimento ativo e saudável;

– A sensibilização pública para a importância do envelhecimento e os estereótipos da idade deve ser uma prioridade ao nível nacional. Não podemos continuar a aceitar discursos e atitudes discriminatórias face às pessoas idosas. É importante perceber a dimensão da discriminação que ainda existe relativamente à idade, os seus impactos e mobilizar as diferentes gerações para a construção de uma sociedade mais inclusiva livre de estereótipos.

O ano 2020 já faz parte da História da Humanidade. Mas o que fará também parte da História será a capacidade de resiliência do Ser Humano e as respostas criadas para lidar com as dificuldades. Neste processo de mudança todas as gerações, independentemente da sua idade, têm um papel a desempenhar e podem, devem, fazer diferente para, tal como referido inicialmente, melhorar a vida de todas as pessoas.

* Para mais informações www.eapn.pt.

30.8.19

Projeto promove vida saudável nas Terras de Sicó

in as Beiras on-line

A carrinha Vida+ Móvel vai percorrer a região das Terras de Sicó, nos distritos de Coimbra e Leiria, entre 4 e 22 setembro, para promover hábitos de vida saudáveis em zonas isoladas e envelhecidas do interior do país. É uma iniciativa do projeto europeu HeaLIQs4Cities e o objetivo passa por avaliar o estilo de vida das pessoas e sensibilizar para a importância de um envelhecimento ativo e saudável.

Coordenado pelo Instituto Pedro Nunes (IPN), em parceria com a Universidade de Coimbra (UC) e o Centro Médico e Universitário de Groningen (Holanda), o HeaLIQs4Cities (Healthy Lifestyle Innovation Quarters for Cities and Citizens) é um projeto apoiado pela Comissão Europeia e pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT) que pretende promover estilos de vida saudáveis, envolvendo cidadãos, universidades, empresas e governos locais da Dinamarca, Espanha, Holanda e Portugal.

20.11.17

Quanto pagaria para ter mais tempo de vida saudável?

David Marçal, in Público on-line

Medicamentos, suplementos, transfusões de sangue jovem ou dietas com poucas calorias: O sonho de parar o envelhecimento passou da ficção para a ciência e há muitos jogadores conhecidos e importantes em campo, como os fundadores da Amazon e da Google.

Há uma ínfima minoria de pessoas que vive para lá dos 100 anos. E há seres vivos com tempos de vida muito diferentes. O envelhecimento parece ser à luz da genética do século XXI um processo que se pode controlar e manipular. Há grupos de investigação científica que procuram compreendê-lo. E empresas que investem milhões para conseguir vender vida. E pessoas, especialmente as mais endinheiradas, que não podem ou não querem esperar pelas confirmações científicas e compram já tratamentos para viverem mais: medicamentos, suplementos, transfusões de sangue jovem ou dietas com poucas calorias. Quanto pagaria para ter mais tempo de vida saudável? Viver mais e parar o envelhecimento é um sonho antigo, que saltou da ficção para a ciência.
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A francesa Jeanne Calment foi a pessoa que mais tempo viveu. Nasceu 12 anos antes de ter início a construção da Torre Eiffel, em 1875. Casou-se com 21 anos e graças à fortuna do marido nunca precisou de trabalhar, nem fora nem dentro de casa. Praticava esgrima, ténis e natação. Andou de bicicleta até aos 100. Gostava de chocolate e de vinho do Porto. Fumou dos 21 aos 117 (não fumava mais do que dois cigarros por dia e pensa-se que não inalava). Gostava de pintar, tocar piano e ir à opera. E mais do ar fresco do que da vida social. Fazia longas caminhadas e era apressada.

O seu único neto morreu aos 36 anos num acidente de moto, quando Calment tinha 88. Era o seu último parente vivo. A partir daí viveu sozinha até aos 110, altura em que se mudou para um lar, ainda de boa saúde, na sequência de um incêndio em casa. Não quis pendurar no seu quarto fotografias da filha e do neto, porque queria olhar para a frente. Mas pediu para ser enterrada com uma fotografia de cada, o que se concretizou. Aos 113 contou aos jornalistas como tinha conhecido o pintor Vincent Van Gogh, fazia 100 anos. Aos 114 um estudante de doutoramento em Medicina fez a sua história clínica. Tinha sido vacinada uma vez em criança e a aspirina era o único medicamento que alguma vez tomara na vida, para as enxaquecas. Disse na televisão que nunca, nunca tinha estado doente. Como supercentenária, andava pelos corredores do lar mais depressa do que residentes 30 anos mais novos. A vitalidade, a lucidez e o humor com que respondia aos jornalistas a cada aniversário surpreendia. Partiu uma perna aos 115 anos, numa noite enquanto subia as escadas para ir fumar. Foi operada e sobreviveu. Nunca mostrou sinais de demência, tendo aprendido matemática numa idade avançada. No final da vida estava praticamente cega, ouvia mal e andava numa cadeira de rodas, mas não tinha nenhuma doença grave. Era crente e estava em paz com Deus. Assegurava que não lhe faltava nada porque tinha as suas bonitas memórias. Atribuía a sua longevidade ao humor e dizia que morria a rir.

Jeanne Calment morreu em 1997 de causas inespecíficas, 122 anos, cinco meses e 14 dias depois de ter nascido. Teve muito mais tempo de vida saudável do que a esmagadora maioria dos seres humanos, os seus anos extra não foram vividos como uma moribunda. Podemos perguntar porquê. Jeanne não teve um estilo de vida radicalmente diferente do que muitas outras pessoas que vivem bastante menos. A resposta para uma longevidade deste tipo tem de ser encontrada nos genes: 62 antepassados directos de Jeanne Calment viveram significativamente mais do que a generalidade das pessoas da sua época. Uma boa parte deles, especialmente do lado do pai, passou os 80. Os mecanismos da hereditariedade ao nível do ADN só foram cabalmente esclarecidos já ia o século XX bem avançado. Mas Calment ganhou uma espécie de lotaria genética em pleno século XIX, no momento em que foi concebida. O seu irmão, François, viveu até aos 97.
PÚBLICO - Jeanne Calment morreu com 122 anos e teve muito mais tempo de vida saudável do que a esmagadora maioria dos seres humanos
Jeanne Calment morreu com 122 anos e teve muito mais tempo de vida saudável do que a esmagadora maioria dos seres humanos Pascal Parrot/Sygma/Getty Images
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Aprender com as supercentenárias

“Jeanne Calment e os seus sucessores. Notas biográficas dos seres humanos que mais tempo viveram” é o título de um estudo publicado em 2010, feito por uma equipa de investigadores que estudou as vidas de 20 pessoas que chegaram aos 115 anos. Recolheram dados biográficos, fizeram entrevistas e descobriram que os supercentenários tinham vidas muito diferentes. Três dos 20 pertenciam a famílias abastadas, mas os restantes trabalharam boa parte das suas vidas. Um nasceu prematuro. Metade não teve filhos ou teve apenas um. Uma das mulheres teve 15 filhos e outra 12. Em comum tinham muito pouco: para além de serem quase todos mulheres (apenas dois homens neste grupo de 20), a maioria nunca tinha fumado (ou fumado muito pouco) e nenhum tinha sido obeso. Nenhum seguiu o que seria considerado hoje em dia uma dieta saudável. Três das mulheres que mais viveram comiam bastante chocolate e outros doces. A medicina moderna ajudou a prolongar as suas vidas, tratando-os de infecções e fracturas, por exemplo. Mas nenhum teve problemas cardíacos significativos ou formas graves de cancro. Oito não tiveram qualquer tipo de demência até ao último ano de vida. Todos tinham sentido de humor e uma forte vontade de viver, mas não temiam a morte e pareciam reconciliados com a finitude da sua vida.

No mundo conhecem-se apenas cerca de 65 pessoas com mais de 110 anos. E as histórias de Jeanne Calment e dos seus sucessores não oferecem uma explicação óbvia para as suas vidas prolongadas. Mas os filhos de centenários têm oito a 17 vezes mais probabilidades de ultrapassarem os 100 anos. Se queremos chegar saudáveis aos 80 anos, precisamos de ter um estilo de vida saudável. Mas se quisermos ser centenários saudáveis, precisamos de ter os genes certos.

oito a 17 vezes mais probabilidades de ultrapassarem os 100 anos para os filhos de centenários

Por isso a empresa norte-americana Androcyte tem em curso um grande estudo clínico que visa sequenciar o ADN de supercentenários e compará-lo com o de pessoas que vivem menos. Infelizmente, nenhum de nós escolheu os pais mediante uma análise genética. Mas a esperança é que o conhecimento dessas diferenças permita desenvolver medicamentos que simulem em pessoas “normais” os efeitos desses genes que permitem a alguns viver mais tempo. Outra hipótese mais arrojada é a possibilidade de usarmos técnicas modernas de edição genética, de autêntico “corte e cola” de ADN, para substituir genes normais por versões desses genes vantajosos para o envelhecimento. João Pedro de Magalhães, investigador na área de envelhecimento da Universidade Liverpool, tem reservas quanto a esta segunda abordagem: “Uma coisa é curar uma pessoa de uma doença, outra coisa é fazer uma pessoa saudável viver mais tempo. Eu diria que não está no horizonte fazermos esse tipo de aplicações na área do envelhecimento, mas, certamente à medida que melhoramos essas técnicas, poderá eventualmente chegar-se ao ponto em que vale a pena melhorar os nossos genes, mesmo em pessoas saudáveis.”
PÚBLICO - Pensa-se que a baleia-da-gronelândia pode viver mais de 200 anos. É o mamífero mais longevo que se conhece
Pensa-se que a baleia-da-gronelândia pode viver mais de 200 anos. É o mamífero mais longevo que se conhece Florilegius/SSPL/Getty Images
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A baleia que foi caçada duas vezes

Em Maio de 2007, uma baleia-da-gronelândia foi caçada na costa do Alasca. A caça à baleia está proibida, mas algumas comunidades estão autorizadas a capturar um pequeno número para fins tradicionais. Mas não era a primeira vez que alguém tentava caçar aquela baleia. Os baleeiros encontraram, entre um osso do pescoço e o ombro do mamífero de 50 toneladas, a ponta de um arpão explosivo. Um fragmento de 30 centímetros de um modelo fabricado em New Bedford, no Estado norte-americano do Massachusetts, produzido apenas entre 1879 e 1885. A baleia terá sido arpoada enquanto jovem, ainda no final do século XIX. Mas viveu até ao século XXI, tendo chegado a uma idade entre os 115 e os 130 anos.

Na sequência da descoberta, os investigadores têm vindo a estimar a idade de outras baleias-da-gronelândia. Pensa-se que podem viver mais de 200 anos e são o mamífero mais longevo que se conhece. Outro que se aproxima são os elefantes, que podem viver 70 anos. E, claro, os humanos.

Mas as baleias-da-gronelândia permanecem livres de doenças até idades muito mais avançadas do que nós. Resta saber qual é o “truque” — e se também resulta connosco. Tendo em conta o seu enorme tamanho e longevidade, deveriam ter uma incidência de cancro apocalíptica. Mas não têm. As suas células devem ter uma probabilidade de desenvolver cancro significativamente menor do que as células humanas. Para compreender essas diferenças e identificar os seus mecanismos antienvelhecimento, investigadores sequenciaram o genoma da baleia-da-gronelândia. Os mecanismos que lhe conferem longevidade e resistência às doenças do envelhecimento ainda são praticamente desconhecidos. Mas já foram identificados alguns genes relacionados com mecanismos específicos de reparação e manutenção do ADN.

mais de 800 genes que se conhecem associados à longevidade em leveduras e vermes, mas apenas sete em seres humanos

Outro animal que vale a pena estudar é o rato-toupeira-nu, que pode viver mais de 30 anos, muito mais do que o rato doméstico, que vive em média apenas dois anos. Tal como a baleia-da-gronelândia, é praticamente livre de cancro. O estudo de espécies com longevidades distintas mostra como o envelhecimento é um processo regulado e com o qual podemos interferir. Talvez a ideia mais impressionante seja a descoberta da facilidade com que se consegue aumentar o tempo de vida de certos organismos, com a alteração de um único gene. Uma mutação num gene específico (daf-2) do verme C. elegans resulta na expansão da sua vida para o dobro (de 30 para 65 dias). Conhecem-se mais de 200 mutações de um único gene que conseguem aumentar o tempo de vida de espécies habitualmente usadas como modelos de investigação em laboratório, como vermes e moscas. E mais de 20 manipulações genéticas que conseguem atrasar a morte e os sintomas de envelhecimento em ratinhos de laboratório.

E se fosse possível fazer o mesmo connosco? Essa ideia é obviamente irresistível. Mas pode não ser assim tão fácil. Conhecemos mais de 800 genes associados à longevidade em leveduras e vermes, mas apenas sete em seres humanos. Já sabemos muito acerca de como prolongar a vida de modelos de investigação, mas ainda pouco em nós. Provavelmente, poucos genes que permitem manipular o envelhecimento em animais-modelo serão úteis em humanos. Mas esses poderão ter um efeito tremendo. De qualquer forma, este novo conceito do envelhecimento, como um processo plástico e moldável, abre espaço a muitas ideias de negócios para o travar.

O envelhecimento pode ser visto como a deterioração progressiva das funções fisiológicas acompanhada de aumento da vulnerabilidade e mortalidade com a idade. Os tratamentos antienvelhecimento visam atrasar o surgimento de múltiplas doenças relacionadas com a idade e não apenas uma em particular. Procuram tratar o envelhecimento em si. A ideia não é prolongar a vida num estado de decrepitude, proposta que teria muito poucos clientes, mas o número de anos de vida saudável. Um artigo de revisão recente, de que o investigador português João Pedro de Magalhães é co-autor, faz um apanhado das dezenas de empresas que procuram desenvolver estratégias deste tipo. E há muitos jogadores conhecidos e importantes em campo, como os fundadores da Google ou da Amazon.

A ideia não é prolongar a vida num estado de decrepitude, proposta que teria muito poucos clientes, mas o número de anos de vida saudável

As pontas dos atacadores

Uma parte importante desta história pode estar nos telómeros, que são as pontas dos nossos cromossomas. Fazem nos cromossomas as vezes das cabeças dos atacadores, que impedem os fios de se desfiarem. Os telómeros são sequências repetitivas de ADN ligado a proteínas, que têm como função proteger o nosso material genético durante a divisão das células. Temos também uma enzima, chamada “telomerase”, que serve para aumentar o tamanho dessas pontas protectoras dos cromossomas. Mas a telomerase vai perdendo a sua luta e, à medida que envelhecemos, os telómeros vão-se tornando mais curtos e os nossos cromossomas ficam mais desprotegidos. A descoberta de medicamentos para activar a telomerase, e dessa forma alongar os telómeros, é a aposta de empresas como a BioViva e a Telocyte (esta focada no tratamento da doença de Alzheimer).

Serão os telómeros o elixir da juventude? Para João Pedro de Magalhães, é mais complicado do que isso: “Os telómeros são importantes em algumas doenças do envelhecimento, são mecanismos de protecção contra o cancro. Em relação a outros factores do envelhecimento, não é ter telómeros longos que é importante. Há um tamanho ‘Goldilocks’ [referência à história infantil Caracóis de Ouro e os Três Ursos, em que uma menina faz escolhas que considera as mais convenientes, como a sopa nem muito quente nem muito fria]. Os telómeros não podem ser nem muito grandes nem muito pequenos, têm de ter um tamanho médio. Por isso, eu diria que há manipulações de telómeros que podem ser importantes para determinadas doenças, mas não acho que alongar os telómeros por si só seja sequer benéfico para a saúde. Existem empresas neste momento que vendem compostos, suplementos que permitem aumentar o tamanho dos telómeros, mas não acho que seja necessariamente a melhor estratégia.”

A Unity Biotechnology, que conta entre os seus investidores com o fundador da Amazon, Jeff Bezos, procura medicamentos que permitam preservar as funções fisiológicas das células ao longo da vida

Outras empresas procuram medicamentos que permitam preservar as funções fisiológicas das células ao longo da vida, não focadas especificamente nos telómeros, mas também noutros factores relacionados com o envelhecimento das células. É o caso da Unity Biotechnology, que conta entre os seus investidores com o fundador da Amazon, Jeff Bezos.

Compreender o processo de envelhecimento poderá implicar a análise de grandes quantidades de dados. Por isso, outras empresas apostam na recolha e análise maciça de dados (Big Data). É o caso da Human Longevity, fundada pelo investigador e empresário Craig Venter, que nos anos de 1990 liderou a empresa que, em competição com um consórcio público, primeiro sequenciou o genoma (todo a sequência de ADN) humano. A empresa combina as sequências de ADN de muitas pessoas, com dados acerca das suas características e saúde. Por pouco mais de 23 mil euros faz um conjunto de exames médicos e sequencia o ADN dos seus clientes, de modo a fornecer-lhes informação acerca dos seus riscos de saúde, para que possam tomar decisões médicas e de estilo de vida mais bem informadas. Também a Calico (California Life Company), uma empresa ligada à Google, procura analisar grandes quantidades de dados para compreender os processos biológicos da longevidade, embora de momento não ofereça qualquer produto.
Comer menos, viver mais

A restrição calórica, ou seja, a redução da ingestão de calorias sem desnutrição, retarda o envelhecimento em vários animais, de vermes a mamíferos. Mas uma dieta de restrição calórica é demasiado dura para a maioria das pessoas. No entanto, alguns estudos indicam que o jejum regular pode ter efeitos semelhantes a uma dieta constante de restrição calórica. Estas modalidades incluem o jejum intermitente (60% de redução calórica dois dias por semana; ou dia sim dia não), o jejum periódico (uma dieta de cinco dias a cada duas semanas, com não mais do que 1100 kcal) e alimentação com restrição de tempo (limitar o período diário de ingestão de alimentos a oito horas ou menos). Todas parecem demonstrar eficácia na perda de peso e melhorias em vários indicadores de saúde, tanto em pessoas com peso saudável como com excesso de peso. Baseado nestas premissas, a empresa L-Nutra criou refeições que imitam o jejum. Vende um plano alimentar de cinco dias por mês que visa “enganar o corpo”, simulando cinco dias de jejum. A dieta personalizada, que inclui quantidades rigorosas de couve, sopa de quinoa, chá e outras coisas, é entregue em caixas que custam cerca de 280 euros. A empresa assegura que os consumidores podem ter uma dieta normal durante os restantes 25 dias no mês.

280 euros custa a dieta personalizada proposta pela empresa L-Nutra, um plano alimentar de cinco dias por mês que visa “enganar o corpo”, simulando cinco dias de jejum

Para João Pedro de Magalhães, a restrição calórica “provavelmente funciona para algumas pessoas, que deviam fazer uma dieta. Mas para pessoas que já tenham uma dieta saudável, que não sejam obesas, vai ter um efeito muito pequeno. Eu não recomendaria restrição calórica como uma forma de aumentar a longevidade. Dito isto, sabemos que o estilo de vida tem um impacto no envelhecimento, sabemos que as pessoas obesas, que fumem ou consumam excesso de álcool também têm uma longevidade mais baixa”.
Sangue jovem
"Longevidade? Só com boa saúde"
"Longevidade? Só com boa saúde"

Há cerca de 150 anos que se fazem experiências de parabiose, ou seja, a ligação através de intervenções cirúrgicas do sistema de circulação sanguínea de dois animais. Mais recentemente têm sido feitas experiências com ratinhos, de transfusões de plasma jovem para ratinhos idosos, que mostram benefícios na memória dos ratinhos idosos. Mas num outro estudo, em que ratinhos fêmea idosos receberam transfusões de plasma jovem durante vários meses, não foi observado qualquer aumento significativo da longevidade. Num outro trabalho, em que foi feita a troca de sangue entre ratinhos novos e velhos, parece seguro o prejuízo para os ratinhos jovens, mas em vários testes não há benefícios para os ratinhos idosos.

Para Sílvia Curado, investigadora portuguesa na área de genética na Universidade de Nova Iorque e autora do livro Engenharia Genética: O Futuro já Começou (Glaciar, 2017), “de acordo com alguns estudos, teremos mais razões para acreditar que mais facilmente o sangue de um dador velho envelhece um organismo novo do que sangue novo rejuvenesce um organismo velho”. E acrescenta que esses estudos “têm sugerido a presença de factores (proteínas) que podem desempenhar um papel na reparação de tecidos ou melhoramento da memória. Um deles sugere, por exemplo, que uma proteína normalmente presente em ‘sangue jovem’ pode levar à reversão de hipertrofia cardíaca (resultante da idade) num ratinho mais velho”. Mas “embora promissores”, muitos dos resultados obtidos até hoje nesta área têm sido “contraditórios”. Para além disso, “a maioria destes estudos utiliza o ratinho como modelo animal, ou seja, desconhece-se ainda se tais efeitos poderão ser confirmados no ser humano”.

Em humanos, a empresa Ambrósia tem planeado um ensaio clínico para avaliar os efeitos de transfusões de sangue jovem para pessoas mais velhas relativamente saudáveis. A iniciativa tem gerado controvérsia: a empresa tenciona cobrar a cada participante cerca de 7500 euros, o que levanta questões éticas. Na opinião de Sílvia Curado, “tornam-se participantes de um ‘ensaio clínico’ atipicamente financiado por cada participante. Um ‘ensaio clínico’ visto por muitos como não mais do que um mero ‘scam’ [embuste], sem bases sólidas ou uma estrutura controlada. Instigados pela promessa de juventude, compram transfusões, sem garantias, arriscando-se a contrair doenças transmissíveis, desenvolver fortes reacções alérgicas ou infecções mortais”.

Teremos mais razões para acreditar que mais facilmente o sangue de um dador velho envelhece um organismo novo do que sangue novo rejuvenesce um organismo velho”
Sílvia Curado, investigadora na área da Genética

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CRISTINA PEDRAZZINI/ Science Photo Library/ Getty images
E se resultar?

Vamos imaginar que estamos nalgum momento futuro, que pelo menos uma destas abordagens resultou e há um tratamento antienvelhecimento realmente eficaz e com um efeito dramático. Quem teria acesso a esse tratamento, apenas uma minoria ou franjas relativamente alargadas da população?

Para João Pedro de Magalhães, “depende da natureza do tratamento. O tipo de intervenção que está no horizonte é a nível de fármacos e esses não tendem a ser excessivamente caros. Só para dar um exemplo: neste momento, está a preparar-se um ensaio clínico antienvelhecimento em Nova Iorque para um medicamento chamado ‘metformina’, que já é usado para a diabetes tipo 2 e outras condições. Por isso, é um medicamento já bastante estabelecido e extremamente barato. É um exemplo de um medicamento que, se realmente tiver um impacto antienvelhecimento, qualquer pessoa poderia comprar. Por outro lado, se o tratamento antienvelhecimento for uma transfusão de sangue de dadores jovens ou uma terapia genética que do ponto de vista técnico seja bastante complicada, então estamos a falar de tratamentos bastante mais caros”.

Para Sílvia Curado, “a questão se um novo tratamento antienvelhecimento eficaz estaria disponível a uma franja mais alargada ou mais restrita da população é não só inerente a este tipo de tratamentos, mas também a qualquer nova tecnologia ou abordagem terapêutica não comparticipada. Mas temos vindo a verificar que o custo de grande parte das tecnologias emergentes, embora inicialmente elevado, se vai tornando progressivamente mais baixo, eventualmente tornando essa tecnologia acessível a uma fracção mais alargada da população. Entre os exemplos mais recentes e óbvios, encontra-se a sequenciação de ADN. No período de apenas 15 anos, o custo da sequenciação do genoma humano desceu de 100.000.000 dólares para menos de 1000. Podemos, hoje, ter acesso à sequenciação do nosso genoma tão facilmente como ter um telemóvel na mão”.

E num cenário de grande expansão da vida humana poderíamos continuar a ter filhos, tendo em conta a pressão sobre os recursos naturais que uma vida mais longa implicaria? Para Sílvia Curado, este cenário não é totalmente novo: “Em Portugal, a esperança média de vida aumentou mais de 13,5 anos nos últimos 45 anos”, ou seja, quase um quinto da nossa vida chega-nos como um bónus destas últimas décadas.

Há uns séculos (um período relativamente curto na escala da existência humana), a esperança de vida era aproximadamente 40% da actual. “A tendência continuará, em princípio, a ser essa, a de aumentar a nossa longevidade. Ainda assim, sim, continuámos e continuamos a ter filhos. No entanto, não podemos ignorar que paralelamente à expansão da vida humana tem-se vindo a verificar também um aumento da população mundial”, diz Sílvia Curado. Mas a solução também poderá vir da ciência: “Não esqueçamos, no entanto, que também a nossa capacidade criativa e conhecimento científico-tecnológico têm evoluído, proporcionando-nos novas soluções possíveis. Temos hoje ao nosso alcance ferramentas como a engenharia genética cada vez mais acessível, mais sofisticada e mais eficaz, que nos permite desenhar e melhorar produtos alimentares.”
Se tudo falhar: congelar a cabeça

Um aumento significativo da longevidade humana é hoje uma perspectiva plausível, mas num calendário incerto. E a imortalidade não parece estar ao nosso alcance nos tempos mais próximos. Por isso, algumas pessoas admitem pagar 180 mil euros para congelar o corpo, pouco após a morte. O sangue é substituído por um líquido anticongelante e o corpo é guardado a 196 graus negativos, na esperança de que a ciência do futuro seja capaz de o ressuscitar. Há uma versão low-cost: por 75 mil euros pode-se congelar só o cérebro. Estes são os serviços que oferece a fundação Alcor, sediada no Arizona. Desde 1972, já congelou os corpos de 152 pessoas (a maioria homens) e mais de mil outras pessoas contam ter os seus corpos (ou apenas cabeças) preservados da mesma forma. Diz Sílvia Curado que “se avanços científicos recentes prometem melhorar drasticamente o campo da medicina, a ideia de, num futuro mais ou menos longínquo, poder vir a reanimar pacientes terminais em casos de patologias para as quais não existe actualmente cura poderia fazer algum sentido”.

180 mil euros para congelar o corpo, pouco após a morte. Numa versão low-cost, por 75 mil euros pode-se congelar só o cérebro

Mas a investigadora levanta algumas questões: “Um estudo relativamente recente sugere que o verme C. elegans retém uma forma de memória após ter sido criopreservado. No entanto, para além de serem necessários mais estudos para testar a preservação de todos os mecanismos de memória, será também essencial testar a retenção de memória em organismos com sistemas nervosos mais complexos. Um outro estudo descreve ter sido possível criopreservar cérebros de coelhos e de porcos. Este estudo reporta que a preservação da estrutura destes cérebros mamíferos foi quase perfeita: quando ‘descongelado’, o cérebro aparentava ter mantido a maioria das estruturas e sinapses. No entanto, este mesmo estudo ainda não provou ser possível reanimar o cérebro.” E conclui: “Se de facto conseguirmos um dia preservar o cérebro humano, o que poderemos esperar aquando da sua reanimação? Algumas memórias? A reprodução de traços comportamentais? A recuperação de uma identidade? Para além de esta hipótese levantar questões como ‘de que é formada a identidade?’, não podemos deixar de imaginar como será acordar num mundo futuro, novo, desconhecido”.

4.10.17

Inovar para envelhecer de forma ativa e saudável

Cátia Vicente, in Diário das Beiras on-line

Superar o fosso entre tecnologia e envelhecimento ativo é o desafio do Active and Assisted Living (AAL) Forum 2017 que começou ontem, no Convento São Francisco, em Coimbra e que, até amanhã, conta com a participação de 750 pessoas.

Sublinhando que Portugal é o quarto país mais envelhecido da Europa, a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, que discursou na cerimónia de abertura, defendeu uma abordagem transversal ao problema.

“A pergunta que se coloca é: como melhorar a qualidade de vida das pessoas mais velhas? As respostas tradicionais já não são suficientes”, referiu. “Temos de ser mais inovadores, encontrar novas respostas que dependem da inovação não só tecnológica, mas também social”, sustentou.

14.8.17

Um pilar da política de saúde

Manuel Lopes, in Jornal de Notícias

É do domínio público que Portugal é um país envelhecido. Tal significa que criou condições de desenvolvimento que permitiram às pessoas terem uma esperança de vida superior à média da União Europeia (UE). Apesar disso, precisamos de ter consciência que, não obstante vivermos mais anos que a média da UE, vivemos menos anos com saúde. Assim, não sendo o envelhecimento um problema, passa a sê-lo a partir do momento em que ao mesmo está associada a doença.

Neste contexto, preconizam-se políticas públicas que criem condições favoráveis ao aumento do número de anos vividos com saúde e, simultaneamente, que promovam a recuperação da saúde (lato sensu) das pessoas portadoras de doenças.

É neste enquadramento que devemos entender um conjunto diversificado de iniciativas que estão em curso e que se constituem como uma estratégia integrada e coerente de respostas aos desafios do envelhecimento. De entre estas destacamos a Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável (em consulta pública), a qual se enquadra numa perspetiva de promoção e prevenção e cuja missão se foca na promoção da saúde e do bem-estar, ao longo do ciclo de vida como forma de garantir a capacidade funcional, a autonomia e a qualidade de vida das pessoas à medida que envelhecem.

Também as medidas que têm sido desenvolvidas no âmbito da reforma dos Cuidados Continuados Integrados (CCI) se incluem nesta dinâmica, enquadrando-se estas no grupo das medidas que visam a reabilitação, a readaptação e a reintegração social e a provisão e manutenção de conforto e qualidade de vida, mesmo em situações irrecuperáveis.

De entre estas destacamos não apenas o incremento do número de respostas institucionalizadas, mas principalmente o trabalho em curso que visa um forte incremento da resposta de cuidados domiciliários. Ou seja, as medidas em curso (incremento e capacitação das Equipas de Cuidados Continuados Integrados e criação das Unidades de Dia e Promoção de Autonomia) criarão condições para que as pessoas permaneçam no seu espaço de pertença pelo máximo tempo possível. Estas respostas precisam de ser acompanhadas pelas medidas dirigidas aos cuidadores informais, sendo que também aí estão em curso os trabalhos necessários à sua criação. A evidência científica permite-nos perceber que esta estratégia é, simultaneamente, a mais adequada às necessidades das pessoas e a mais económica.

Destacamos ainda o alargamento das respostas de cuidados continuados a grupos de pessoas com necessidade específicas, como sejam os casos das afetadas por doença mental grave, e das crianças com doença crónica complexa. Relativamente às primeiras, foram já celebrados cerca de 50% dos cont

2.8.17

Idosos com mais de cinco medicamentos devem ter justificação

in Diário das Beiras

Médicos devem sinalizar e justificar obrigatoriamente estes casos

Os médicos devem sinalizar e justificar obrigatoriamente os casos de idosos que tomam mais do que cinco medicamentos, uma medida defendida na Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável. O documento, que vai ser colocado a partir desta terça-feira em consulta pública, traça várias medidas para desenvolver políticas que melhorem a qualidade de vida das pessoas idosas. Uma das ações defendidas é a definição de uma “estratégia de combate à polimedicação de justificação obrigatória para mais de cinco medicamentos”. Segundo Pereira Miguel, coordenador do grupo de trabalho interministerial para a Estratégia do Envelhecimento Ativo e Saudável, a ideia não é estabelecer um limite para a prescrição ou toma de medicamentos, nem sobrecarregar os médicos com trabalho burocrático. “Não estamos a dizer qual é a solução a aplicar. Não é uma solução fechada. Mas pretende-se criar um mecanismo que faça um alerta” para a toma de mais de cinco medicamentos, disse à agência Lusa, lembrando que “os medicamentos têm interações entre eles”. Pereira Miguel refere que os profissionais de saúde devem estar alerta para a polimedicação, apercebendo-se de que medicamentos outros especialistas prescreveram aos seus doentes.

Programa de vigilância da saúde das pessoas idosas A Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável propõe ainda que sejam criadas uma espécie de “bandeiras vermelhas” para sinalizar idosos com necessidade especial de acompanhamento, como pessoas que recorrem mais às urgências ou que faltam sistematicamente a consultas ou até com sinais de negligência, num programa de vigilância da saúde das pessoas idosas. Esta medida extravasa a área da saúde e devia envolver as autarquias, a PSP, a GNR, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, entre outras entidades. O documento que esta terça-feira é colocado em consulta pública defende ainda a criação de um programa de vigilância da saúde das pessoas idosas.

Neste programa deve ser fomentada a realização de avaliações regulares “com vista à deteção precoce de défices funcionais, défices psíquicos ou doenças crónicas a partir dos 50 anos” e tendo em conta as necessidades particulares de homens e mulheres. No caso de doentes com várias patologias (comorbilidades) sugere-se a adoção de um plano individual de cuidados, um instrumento de intervenção integrada nos diferentes níveis de cuidados. A Estratégia para o Envelhecimento Ativo e Saudável define medidas que envolvem vários setores, da Saúde à Educação e passando pela Solidariedade e Segurança Social. Por isso, Pereira Miguel propõe a criação de uma comissão interministerial que acompanhe e monitorize o que se vai realizando e implementando.