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11.11.20

Portugueses com mais qualidade de vida: Estão mais seguros e economicamente estáveis. Só o emprego não acompanha

 Sónia Bexiga, in Executive Digest

O Índice de Bem-estar (IBE) da população portuguesa evoluiu positivamente entre 2004 e 2019, tendo registado uma inflexão em 2007, 2008 e em 2012. Recuperou no ano seguinte, estimando-se uma continuação de crescimento para 2019, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta terça-feira.

Dos dez domínios que integram o IBE, a Segurança pessoal, a Educação, conhecimento e competências e o Bem-estar económico, são os que apresentaram uma evolução mais favorável no período analisado.

Inversamente, o domínio do Emprego foi o que apresentou evolução mais desfavorável, embora tenha vindo a recuperar continuamente desde 2013. A evolução mais recente dos dez domínios, permite concluir que entre 2014 e 2019, nove de entre eles apresentaram uma evolução positiva.

O IBE reflete a evolução do bem-estar da população recorrendo a dez índices sintéticos. Estes índices traduzem duas perspetivas de análise: Condições materiais de vida e Qualidade de vida.

Entre 2007 e 2008, e entre 2010 e 2013 estes dois índices evoluíram em sentidos opostos. No primeiro período as Condições materiais de vida evidenciam uma tendência crescente e a Qualidade de vida uma tendência decrescente, invertendo-se esta situação no segundo período. A partir de 2013 iniciaram uma evolução no mesmo sentido.

Segundo o INE, dos sete domínios que explicam o bem-estar em matéria de Qualidade de vida, quatro contribuíram destacadamente para a evolução globalmente positiva registada nesta perspetiva.

Em primeiro lugar, o domínio da Segurança pessoal, cujo índice desceu de 2006 a 2009, cresceu a partir desse ano, atingindo em 2016 o seu valor mais elevado, e decresceu ligeiramente a partir daí.

Em segundo, a Educação, conhecimento e competências cresceu continuamente no período em estudo, com a exceção apenas do ano 2012.

Em terceiro, o domínio da Saúde apresenta também uma evolução tendencialmente crescente do índice, apenas com uma quebra em 2014.

Por último, a evolução do índice relativo ao domínio do Ambiente recuou apenas em 2007 e manteve-se relativamente estável a partir de 2013. Trata-se do domínio que durante todo o período apresenta os valores mais elevados do índice, refletindo assim uma posição relevante de Portugal em termos internacionais.

Os índices relativos aos restantes domínios apresentaram evoluções inferiores ao desempenho global da perspetiva Qualidade de vida. Em termos de variação no período 2004-2019, os domínios Participação cívica e governação e Relações sociais e bem-estar subjetivo apresentam comportamentos semelhantes.

Já o domínio do Balanço vida-trabalho é o domínio pertencente à perspetiva da Qualidade de vida que menos cresce no período, mantendo-se relativamente estável sobretudo a partir de 2010.

No que diz respeito às Condições Materiais de Vida, o domínio Bem-estar económico apresentou um crescimento significativo até 2010, inverteu essa tendência até 2012 e iniciou uma recuperação desde então. É de relevar nesta recuperação a evolução favorável dos indicadores de desigualdade e concentração e da despesa de consumo final das famílias.

Estes indicadores e em menor grau o da avaliação subjetiva das condições materiais de vida são os que tiveram o comportamento mais favorável no período. Os indicadores relativos ao património foram não só os que tiveram a evolução mais contida, como também os que apresentaram durante o período valores mais baixos.

O domínio Emprego é a componente do bem-estar com evolução mais desfavorável, devido essencialmente à evolução da disparidade salarial entre homens e mulheres, a qual só muito recentemente tem diminuído, e do subemprego dos trabalhadores a tempo parcial. O indicador com evolução mais favorável, embora muito ligeira, foi o da proporção de pessoas que pensam ser provável ou muito provável perder o seu emprego nos seis meses seguintes. O índice deste domínio que decresceu continuamente até 2013, inverteu a tendência a partir desse ano, tendo-se projetado para 2019 a continuação desta melhoria.

O domínio Vulnerabilidade económica ocupa o segundo lugar dos que apresentam a evolução mais desfavorável ao longo do período em estudo, refletindo a progressiva vulnerabilidade das famílias induzida pelo afastamento das mesmas do mercado de trabalho e pela intensificação da dificuldade em pagar os compromissos assumidos com a habitação. A generalidade dos indicadores decresceu de forma menos pronunciada até 2010, e de forma abrupta nos três anos seguintes. No entanto, registaram-se evoluções positivas a partir de 2014, devidas sobretudo à redução da taxa de privação
material, da taxa de intensidade de pobreza e da intensidade laboral muito reduzida. A partir desse ano, todos os indicadores deste domínio apresentaram uma evolução favorável.

A Segurança pessoal permanece o domínio com evolução positiva mais pronunciada entre os dez índices constituintes do IBE. A variação deste domínio permite observar três fases distintas: uma evolução positiva inicial até 2007, uma segunda fase de relativa estabilidade entre 2007 e 2010 e finalmente, a partir de 2010 e até 2016, um crescimento contínuo. Em 2017 verificou-se uma quebra projetando-se uma ligeira recuperação em 2019. Todos os indicadores apresentam uma evolução positiva. Salientam-se os indicadores relativos à mortalidade em acidentes com veículos a motor e com
menor relevo, o indicador de confiança na polícia, e da taxa de homicídio. Igualmente, deve ser relevada a importância do
indicador relativo à criminalidade, o qual assume valores muito elevados ao longo do período, contribuindo assim para valores mais elevados do índice de Segurança pessoal.

Estima-se que o domínio da Saúde, ocupe o terceiro lugar relativamente aos sete domínios que constituem a perspetiva da Qualidade de vida, em termos de evolução favorável, no período 2004-2019. Esta evolução foi muito acentuada até 2006, mais suave desse ano até 2013, e com uma descida mais acentuada em 2014 (devida sobretudo à evolução negativa da população que refere limitação na realização de atividades habituais devido a um problema de saúde prolongado e
da esperança de vida em saúde), voltou a crescer suavemente a partir daí. A esperança de vida, a mortalidade por doenças do aparelho circulatório, a avaliação positiva os serviços de saúde e a taxa de mortalidade infantil foram os indicadores que
apresentaram uma evolução superior à do índice de domínio.

Balanço vida-trabalho. A capacidade de conciliação entre o tempo dedicado ao trabalho e a outras vertentes da vida pessoal, como a família, os amigos ou o lazer em geral, é um importante fator de caraterização do bem-estar. A conciliação vida-trabalho apresentou uma evolução positiva durante o período, mais pronunciada até 2010. A partir deste ano tem vindo a diminuir ligeiramente. Esta diminuição recente resulta do movimento de sentido oposto dos seguintes indicadores: da evolução desfavorável do índice de realização de atividades de apoio familiar e o da conciliação do trabalho com as responsabilidades familiares; este desenvolvimento não foi suficientemente compensado pela evolução positiva do índice de autoapreciação do tempo empregue nos contactos familiares ou outros e em atividades de lazer e pelo índice de satisfação com o trabalho, vida familiar e social.

O domínio da Educação foi a componente do bem-estar com o segundo melhor desempenho. Este índice teve uma evolução positiva durante todos os anos do período, com exceção de um pequeno decréscimo em 2012. A evolução do indicador do abandono precoce de educação e formação é a principal responsável pelo andamento positivo do índice, coadjuvada a partir de 2013 pelas evoluções igualmente positivas da taxa de jovens não empregados que não estão em educação ou formação e pelo índice de consumos culturais. Devem também ser assinalados, pela sua evolução positiva, os
indicadores relativos às publicações científicas e à proporção de pessoas (30-34 anos) com nível de escolaridade completo correspondente ao ensino superior e do número médio de anos de escolaridade completa da população ativa.

A variação do índice no período 2004-2019, no domínio das Relações sociais e bem-estar subjetivo, foi positiva, embora com oscilações (decréscimo entre 2006 e 2008 e 2012 e 2014). A variação favorável registada a partir de 2014 deve-se sobretudo à evolução do grau de felicidade e da satisfação com a vida em geral. Independentemente da análise da sua contribuição para a evolução do índice, sublinhe-se os valores praticamente sempre reduzidos do índice de confiança
interpessoal e os valores sempre elevados dos relacionamentos com familiares, amigos ou colegas de
trabalho.

Participação cívica e governação. Este domínio decresce duma forma suave até 2010 e cresce a partir daí, mais pronunciadamente a partir de 2012. Esta evolução positiva, posterior a 2012, resulta sobretudo do índice de participação em atividades públicas e do grau de interesse pela política. Deve também ser evidenciado o índice de governação
que assume quase sempre no período, valores mais elevados do que os dos restantes indicadores. Uma nota negativa para o índice de participação eleitoral que tem decrescido quase linearmente durante todo o período, assumindo no seu final valores mínimos por comparação com o grupo de países de referência.

O domínio do Ambiente apresenta uma evolução com tendência positiva e pequenas flutuações (um ligeiro decréscimo no ano de 2007 resultante da evolução negativa, nesse ano, de seis dos seus oito indicadores). O indicador com maior contributo na evolução positiva do índice foi a variação da população servida por estações de tratamento de águas residuais. Com contribuições positivas, embora menores, é possível apontar o caso da evolução dos indicadores praias com Bandeira Azul e população que reporta problemas de poluição, sujidade ou outros problemas ambientais na vizinhança da sua residência. Refiram-se por fim, os valores sempre muito elevados ao longo do período, dos indicadores relativos à água segura e total de emissões de gases com efeito de estufa.

21.10.20

Uma boa cidade para se viver? Bracarenses mais satisfeitos do que lisboetas

Mariana Correia Pinto, in Público on-line

Estudo da Comissão Europeia sobre a qualidade de vida em 83 cidades mostra algumas divisões dentro do velho continente. Braga é a cidade da Europa onde mais se usa o carro, em Lisboa destaca-se a dificuldade em conseguir habitação a preços acessíveis.

Nove em cada dez europeus estão satisfeitos com a cidade onde vivem e Braga figura no top 10 das urbes onde os cidadãos estão mais felizes com a sua geografia, com 97% dos inquiridos a dizerem estar satisfeitos com a vida no concelho. Em Lisboa, a avaliação é também positiva, embora mais baixa (86%). Os habitantes da cidade nortenha mostram-se mais fãs da sua “casa” do que os da capital em 18 dos 22 itens avaliados. Os resultados divulgados esta semana no Inquérito de Percepção sobre a Qualidade de Vida nas Cidades Europeias de 2019 integram um estudo coordenado pela Comissão Europeia e esboçam um velho continente onde a qualidade de vida é boa – mas com grandes discrepâncias entre cidades em vários pontos.

Ao longo de 108 páginas, a Comissão Europeia avaliou a satisfação dos cidadãos em áreas como a segurança, o acesso a habitação e emprego, cuidados de saúde ou transportes. Das 83 cidades avaliadas, Copenhaga e Estocolmo são aquelas onde a satisfação geral com a vida na urbe é mais elevada (98% estão satisfeitos) e Belgrado (63%), Palermo (64%) e Atenas (64%) os locais onde a avaliação é pior. Segundo a OCDE, citada no relatório, a capacidade de conciliar trabalho com compromissos pessoais e familiares é importante no bem-estar das pessoas e a dificuldade em encontrar esse equilíbrio poderá explicar a menor satisfação verificada em residentes com idade para trabalhar (88%) em comparação com os que têm entre 15 e 24 anos (91%) ou com quem tem mais de 55 (90%).

Nas cidades analisadas, três em cada quatro residentes sentem-se seguros quando andam sozinhos à noite, com Copenhaga a ocupar o lugar cimeiro (94%). Há cinco cidades onde menos de metade dos residentes dizem sentir-se seguros: Atenas, Roma, Sofia, Liège e Marselha. Quatro das dez cidades com respostas mais positivas a esta pergunta ficam no Norte da Europa e três das dez piores ficam em Itália.

A relação entre dimensão da cidade e sentimento de segurança é óbvia: quanto maior a urbe, maior a insegurança. Enquanto em cidades com menos de 250 mil habitantes, 80% dos residentes dizem sentir-se seguros, em cidades com mais de cinco milhões apenas 67% dá essa resposta.

A pergunta sobre a cidade como um bom sítio para se viver não se limitava a avaliar a percepção em relação ao entrevistado. Um dos parâmetros estudados tem a ver com os imigrantes. Três em cada quatro residentes (75%) disseram que a sua cidade era um bom lugar para pessoas de outros países viverem. As cidades ocidentais mostram melhor desempenho (81%) e as do leste pior (65%). Em Braga e Lisboa, a esmagadora maioria considera que os imigrantes são bem-recebidos – 95% na cidade nortenha, 91% na capital. Juntamente com as cidades espanholas, as portuguesas ficam acima da média do sul da UE (77%).

Também no que diz respeito às cidades como bons locais para homossexuais viverem sem ser discriminados, a percepção global é positiva: oito em cada dez residentes (78%) consideram que a sua cidade é um bom sítio para gays e lésbicas viverem. Mas as discrepâncias neste capítulo são grandes: na UE são 81%, no Reino Unido 94%, na Turquia e nos Balcãs 37%.

Na pergunta sobre a qualidade da cidade para os mais velhos, Braga destaca-se como local onde os maiores de 65 anos encontram um bom lugar para viver, ao ocupar um lugar no top 10 e com 94% das pessoas a responder que é um bom lugar para quem tem mais de 65 anos.


Se a pergunta é sobre famílias jovens e com crianças, a globalidade dos cidadãos (oito em cada dez) consideram que a Europa é uma boa escolha. Genericamente, as não capitais parecem ser melhores para este grupo. Por exemplo, em Amesterdão o valor é de 65% enquanto em Roterdão é de 77% e em Groningen é de 88%. Em Paris, é de 71% enquanto Bordéus, Lille e Estrasburgo ficam acima de 90%. Em Portugal, Braga fica também acima de Lisboa, mas a discrepância não é significativa.
Conseguir casa a preços acessíveis é, regra geral, mais difícil nas capitais DANIEL ROCHA
Emprego e habitação são problema em Portugal

As cidades portuguesas fazem uma má avaliação da facilidade em encontrar emprego: a percentagem de pessoas a relatar facilidade fica abaixo dos 24%. São números que não as colocam, ainda assim, na lista das dez cidades mais “pessimistas”, onde figura Palermo (3%), Madrid (15%) ou Roma (15%), por exemplo. Em média, apenas dois em cada cinco residentes das 83 cidades estudadas pensam que é fácil encontrar um emprego. Mas as diferenças dentro do continente voltam a ser grandes: no sul, apenas uma em cada cinco acredita ser fácil encontrar emprego, no norte e oeste metade tem essa convicção.

Quem vive no sul da UE e em cidades dos Balcãs Ocidentais tem mais facilidade em encontrar casa a um preço razoável do que quem habita na zona ocidental e norte e nos países que fazem parte da EFTA, como a Noruega, Islândia, Suíça e Liechtenstein. As capitais têm quase sempre um desempenho pior (31%) do que as não capitais (44%) e Portugal faz parte desse grupo (com 47 pontos percentuais de diferença entre Lisboa e Braga), a par da Finlândia, Dinamarca ou Alemanha.

Quanto à situação financeira dos agregados familiares, 72 % dos residentes dizem estar satisfeitos. Mas em Portugal, ambas as cidades ficam abaixo dos 62%. Este dado está quase sempre relacionado com a percepção geral de a cidade ser ou não um bom local para viver, mas aqui Lisboa e Braga aparecem como excepções já que a avaliação global feita é mais elevada.
Braga, cidades dos automóveis

Menos de metade (46%) dos residentes das cidades estudadas utilizam o carro, mas o número é ainda mais baixo para transportes públicos (44%). A pé andam apenas 24%, de bicicleta 16% e de motocicleta 8%. Regra geral, quanto mais se usa o transporte público menos se usa o carro.

Nas capitais parece haver menos uso de automóvel, o que se pode explicar pela melhor oferta de serviço público de transporte e também por o veículo próprio ser menos atraente por causa de trânsito e custos de estacionamento mais elevados.

Braga é das 83 cidades avaliadas aquela que mais usa o automóvel (61%) e Groningen a que menos usa (29%). Por outro lado, Braga é também das que menos usa transporte público (só ultrapassada por Podgorica, Nicósia e Palermo). Lisboa aparece no top 10 das cidades que menos usam bicicleta (9%).

Na avaliação dos espaços verdes são os moradores de Malmo quem mais satisfação mostra (96%) e os de Atenas ficam no lado oposto da tabela (29%). Comparando dados de 2015 com 2019, Braga (73%) e Lisboa (70%) aparecem como duas das cidades onde houve um maior aumento da satisfação neste item.

As preocupações com a qualidade do ar são mais proeminentes nas cidades do sul e leste da Europa, onde 49% e 52%, respectivamente, estão satisfeitos com a qualidade do ar em comparação com uma média global de 62%. Esta satisfação é menor nas capitais do que noutras cidades, mas tende a crescer em cidades com mais população.

10.10.17

Vamos viver pior na reforma?

Fernando Ribeiro Mendes, in Público on-line

Muitos na União defendem que um sistema de pensões adequadas deverá ser necessariamente intergeracionalmente equitativo, o que significaria dever salvaguardar-se o rácio de benefício atual para aqueles que irão reformar-se à volta de 2060.

Quando avaliamos o padrão de vida dos pensionistas comparando-o com o rendimento limiar da pobreza definido pelo valor de 60% do rendimento disponível mediano da população de cada país, tal medida de adequação revela-se insatisfatória porque nos remete para a exposição ao risco de pobreza de todo um grupo social de idosos mas deixa na sombra as condições de vida de cada pensionista que a pensão de base contributiva a que formou direito o habilita (como discuti no Público de 21/08/2017).

Quando avaliamos o padrão de vida dos pensionistas comparando-o com o rendimento limiar da pobreza definido pelo valor de 60% do rendimento disponível mediano da população de cada país, tal medida de adequação revela-se insatisfatória porque nos remete para a exposição ao risco de pobreza de todo um grupo social de idosos mas deixa na sombra as condições de vida de cada pensionista que a pensão de base contributiva a que formou direito o habilita (como discuti no Público de 21/08/2017).

Em primeira aproximação, podemos cotejar o rendimento disponível mediano da população idosa (com 65 e mais anos) com o mesmo indicador para a população em idade ativa e jovem (com menos de 65 anos), onde dominará plausivelmente o rendimento do trabalho. Em 2015, as estatísticas oficiais indicam que o rendimento disponível mediano dos idosos em Portugal atingia os 92% do rendimento disponível mediano da população não idosa, colocando-nos razoavelmente alinhados com o panorama geral da União.

Em primeira aproximação, podemos cotejar o rendimento disponível mediano da população idosa (com 65 e mais anos) com o mesmo indicador para a população em idade ativa e jovem (com menos de 65 anos), onde dominará plausivelmente o rendimento do trabalho. Em 2015, as estatísticas oficiais indicam que o rendimento disponível mediano dos idosos em Portugal atingia os 92% do rendimento disponível mediano da população não idosa, colocando-nos razoavelmente alinhados com o panorama geral da União.

Numa segunda e superior aproximação, consideram-se já não os rendimentos disponíveis mas as pensões contributivas recebidas pelos pensionistas e os rendimentos do trabalho que calham à população empregada na mesma janela temporal. É o chamado rácio de benefício, que calcula a relação entre a pensão média paga pelos sistemas públicos e o salário médio da economia de cada país. Apesar dos diferentes perfis remuneratórios das gerações ativas e reformadas, a comparação intertemporal dos valores deste rácio dá informação de maior qualidade sobre a adequação das pensões.

As instâncias comunitárias projetam a evolução de longo prazo do rácio de benefício para os países da União nos seus Relatórios sobre o Envelhecimento (RE). No mais recente, o RE de 2015, projeta-se uma redução do rácio de 9 pontos percentuais, caindo dos 44 para os 34,9%, entre 2013 e 2060, no conjunto dos 28 Estados, Portugal superará largamente esta evolução, projetando-se a descida dos 61,8 para 41,7%, uma redução de 20 pontos percentuais do rácio em apreço.

Este indicador permite ainda uma outra discussão, importantíssima, que é a da adequação das pensões no plano da justiça entre as gerações. Idealmente, tem sido defendido que deverá existir estabilidade neste rácio na perspetiva da equidade intergeracional, como foi proposto por Richard Musgrave, grande especialista de finanças públicas do século XX (admitindo-se que o ponto de partida seja eticamente aceitável).

Muitos na União defendem que um sistema de pensões adequadas deverá ser necessariamente intergeracionalmente equitativo, o que significaria dever salvaguardar-se o rácio de benefício atual para aqueles que irão reformar-se à volta de 2060.

Uma vez mais fica a interrogação sobre até que ponto é eticamente aceitável e, portanto, adequado o rácio de partida até porque, segundo os cálculos dos sucessivos RE, o rácio de benefício subiu de 46 para 62% em Portugal, entre 2007 e 2015, uma vez que a crise terá atingido em menor grau os pensionistas do que a população ativa.

28.9.16

Os europeus estão satisfeitos com a qualidade de vida? Cada vez mais, diz estudo

Luís Stoffel, in Dinheiro Vivo

"Estou satisfeito em viver na minha cidade", foi uma das frases mais ouvidas durante a realização deste inquérito

De acordo com o último relatório estatístico da Eurostat, de 2012 em diante, existem mais europeus satisfeitos com a sua qualidade de vida nas cidades europeias. Nos dias de hoje, encaramos as cidades como principais motores da economia europeia, atraindo pessoas pela criação de oportunidades educacionais, sociais ou económicas.

De acordo com o último relatório estatístico da Eurostat, de 2012 em diante, existem mais europeus satisfeitos com a sua qualidade de vida nas cidades europeias. Nos dias de hoje, encaramos as cidades como principais motores da economia europeia, atraindo pessoas pela criação de oportunidades educacionais, sociais ou económicas.

8.6.16

Portugueses são os mais insatisfeitos com a vida

Ana Cristina Pereira, in "Público"

Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico divulga informação por país com indicadores que dão forma à qualidade de vida.

Experimente perguntar a quem está à sua volta: como vai a vida? Em nenhum outro país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) encontrará tanta insatisfação como em Portugal.

De dois em dois anos, a OCDE divulga um Índice Vida Melhor, que constrói a partir de um conjunto de indicadores relacionados com o bem-estar. Esta quinta-feira, divulgou o perfil de cada um dos países membros. E é aí que revela que “a satisfação com a vida em Portugal é a mais baixa da OCDE”.

Não é por acaso que os países do Norte da Europa lideram o ranking. Gozar de boa saúde e ter um bom emprego são duas das mais importantes componentes do grau de satisfação com a vida.

Como é a vida em Portugal em 2016? Os rendimentos estão abaixo do nível médio da OCDE. A insegurança no mercado de trabalho é grande. A taxa de desemprego de longa duração atinge os 8,3%. Desde 2009, há cada vez mais pessoas a trabalhar longas horas por rotina.

A qualidade do ar está acima da média da OCDE. Nos últimos anos, o país viu melhorias nas condições habitacionais relacionadas com a extensão da rede de saneamento. Só que apenas 46,1% dos adultos considera que tem uma saúde "boa" ou "muito boa".

Ajudaria fazer voluntariado formal. Quem o faz revela maior grau de satisfação com a vida, lê-se no documento. Os portugueses em idade activa gastam apenas uma média de dois minutos por dia nessa actividade, metade da média da OCDE.

Não é igual em todo o país. O sítio onde se vive também conta. O rendimento médio disponível é 50% maior em Lisboa do que no Norte do país. As taxas de desemprego oscilam entre os 10,6% na região Centro e os 16,3% nos Açores. Em Lisboa, 52,3% da força de trabalho tem pelo menos o ensino secundário; nos Açores, 28,9%.

Ter um bom começo de vida é importante para o presente, mas também para o futuro, refere o documento. O bem-estar material das crianças portuguesas espelha as condições económicas da família: 15,1% tem um pai ou uma mãe que encaixa no conceito de desempregado de longa duração. E, apesar de Portugal ter uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas do mundo, a taxa de baixo peso à nascença é a mais alta na OCDE.

Os estudantes portugueses são mais propensos a dizer que gostam da escola do que os dos outros países. Portugal exibe uma das mais baixas taxas de suicídio de adolescentes da OCDE e 79,2% dos estudantes garante que a maioria dos seus colegas de turma é "gentil" e "útil", uma das percentagens mais elevadas na OCDE. O que não invalida que 14% relatem que foram intimidadas pelo menos duas vezes nos últimos dois meses, quando na OCDE a média é de 10,1%.

Os portugueses podiam ter mais qualidade de vida, diz a OCDE

In "Rádio Renascença"

A maioria da população vive menos satisfeita com a vida do que a média dos países da organização. Mas há indicadores em que Portugal adquire boa pontuação.

Portugal ocupa a posição 29 entre os 38 países da OCDE no que toca à qualidade de vida. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico avaliou 11 indicadores e várias regiões de cada um dos Estados-membros.

Em geral, a OCDE considera que Portugal podia ter uma melhor posição no “ranking”. Apesar de estar bem colocado nos indicadores habitação, segurança e qualidade ambiental, o país ainda se encontra muito abaixo no que respeita a rendimento, saúde, ligações sociais, educação e competências adquiridas, emprego e compromisso cívico.

Portugal surge entre a Coreia e a Letónia.

No índice foi divulgado na quarta-feira à noite, a organização escreve que, apesar de dinheiro não comprar felicidade, é um importante meio para atingir padrões de vida mais elevados, refere a OCDE no site dedicado ao índice da qualidade de vida.

Em Portugal, o rendimento líquido familiar disponível, em termos médios, é de pouco mais de 17.700 euros por ano, enquanto a média da OCDE é de quase 25.900 euros. Verifica-se também um considerável abismo entre os mais ricos e os mais pobres, sendo que os 20% mais abastados da população ganham quase seis vezes mais do que os 20% mais pobres.

Em termos de emprego, cerca de 63% dos portugueses com idades entre 15 e 64 anos têm um trabalho remunerado (a média de emprego na OCDE de 66%) e cerca de 10% trabalham muito longas horas.

No que toca à educação e competências, diz a OCDE que “são requisitos importantes para encontrar um emprego”, mas em Portugal, apenas 43% dos adultos com idades entre os 25 e os 64 anos concluíram o ensino secundário – uma percentagem muito abaixo da média da organização, que é de 76%. Este é um indicador onde Portugal aparece mais abaixo.

Em relação à esfera pública, há uma sensação moderada de comunidade e nível de participação cívica. Este indicador é composto por dois itens:

confiança (85% dos portugueses acreditam conhecer alguém quem poderiam confiar nas alturas mais difíceis, versus 88% da média da OCDE);
participação eleitoral (56% dos eleitores foi votar nas últimas eleições, menos do que a média da OCDE, de 68%). A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico considera que o estatuto social e económico pode afectar a taxa de participação eleitoral.
Em termos de equilíbrio entre vida profissional e pessoal, Portugal recebe 6,8 pontos num total de 10.

Neste cenário, a organização conclui que os portugueses vivem menos satisfeitos do que a média da OCDE. Quando solicitados a avaliar a sua satisfação geral com a vida, dão uma nota 5,1 numa escala de 0 a 10. A pontuação mais baixa na OCDE é de 6,5.

26.10.15

Quais os mais saudáveis? Amadora e Porto entre os que têm piores resultados

in Público on-line

Municípios de Coimbra, Caldas da Rainha, Felgueiras, Maia, Entroncamento ou Guimarães destacam-se pela positiva no Índice de Saúde da População.

Amadora e Porto estão entre os municípios com piores valores globais de saúde, segundo um projecto de investigação da Universidade de Coimbra que analisou a saúde da população portuguesa entre 1991 e 2011.

As duas cidades estão no lote de 10% de municípios com piores valores globais de saúde em 2011. Um grupo que é constituído maioritariamente por concelhos rurais e com baixa densidade populacional, conclui a equipa do projecto GeoHealthS, coordenado pelo Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Coimbra e a cujos resultados a agência Lusa teve acesso. Alcoutim, Alvaiázere, Baião, Cinfães, Idanha-a-Nova, Moura, Odemira, Pampilhosa da Serra ou Carrazeda de Ansiães são alguns exemplos dos que apresentam piores resultados.

Já na lista dos municípios com melhores valores globais predominam os de densidade média e de tipologia “mediamente urbana e predominantemente urbana”, na faixa litoral do país, como Coimbra, Caldas da Rainha, Felgueiras, Maia, Entroncamento ou Guimarães.

Para que Amadora e Porto integrem o conjunto de municípios com piores valores globais de saúde contribuem, segundo os investigadores, “determinantes socioeconómicos” como: o desemprego, o elevado número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção e a elevada proporção de famílias monoparentais. Mas não só: estes dois municípios partilham também “condições do ambiente físico que são desfavoráveis à saúde e bem-estar da população, tais como elevadas taxas de criminalidade e má qualidade do ar”, bem como “elevados valores de mortes associadas a condições de pobreza e mais altas taxas de incidência de doenças infecciosas, como a tuberculose e VIH-SIDA”.

Já no caso dos municípios rurais, os resultados devem-se a maus desempenhos nas dimensões socioeconómicas, como a taxa de desemprego e a dependência de idosos, a menor proporção de população coberta por sistema público de abastecimento de água e saneamento, valores “altos de mortalidade prematura associada ao consumo de tabaco, às condições de pobreza e sensível ao acesso tempestivo aos cuidados de saúde” e pior desempenho na acessibilidade a hospitais de referência.

Para a equipa de investigação, os municípios rurais devem ter como prioridade acções em áreas como o emprego, o apoio à população idosa, a melhoria do sistema de abastecimento de água e de saneamento e ainda a prevenção da doença e promoção da saúde.

Já nos casos de Amadora e Porto, “as acções devem ser direccionadas” às questões do emprego, da pobreza e às famílias monoparentais”, sendo importante também a promoção de ambientes saudáveis e seguros.

O Índice de Saúde da População, desenvolvido no âmbito do projecto GeoHealthS, é uma medida que agrega resultados em saúde e determinantes em saúde, contando com 43 critérios de avaliação de saúde da população.

Disponível para consulta em saudemunicipio.uc.pt, foi aplicado aos 278 municípios de Portugal continental, avaliando o valor global de saúde entre 1991 e 2011. E conclui que a saúde da população evoluiu positivamente entre estes 20 anos, na quase totalidade dos concelhos. Identifica, contudo, como “sinais de alerta”, o aumento para o dobro de famílias monoparentais (de 6,1% para 12,6%, entre 1991 e 2011), bem como um incremento de nados-vivos com baixo peso — com peso inferior a 2500 gramas para um tempo de gestação superior a 37 semanas, passando de uma média 2,9% entre 1989 e 1993, para 3,4% entre 2007 e 2011.

O projecto foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e contou com a participação de 16 entidades da administração central, regional e do ensino superior.

3.12.13

Dois terços dos portugueses acham que vão viver pior com a reforma

Por Ana Suspiro, in iOnline

Sondagem mostra que 94% da população está preocupada com as reformas

Uma sondagem mostra que 66% da população portuguesa percebe de forma clara que receber apenas uma pensão da Segurança Social implica ter um padrão de vida mais baixo que o actual. De acordo com uma sondagem do Instituto BBVA de Pensões, 16% dos inquiridos acha mesmo que vai viver muito pior do que agora. O estudo realizado a partir de mil entrevistas telefónicas em Portugal continental indica que a reforma é um tema que preocupa muito ou bastante 72% dos portugueses. Apenas 6%, concentrados nas camadas mais jovens, diz não estar preocupado. A perda de poder de compra é a principal preocupação dos portugueses em relação à reforma, seguida da saúde da família. A sondagem foi realizada na segunda quinzena de Setembro quando ainda não eram conhecidas com detalhe todas as medidas de penalização das reformas a partir do próximo ano. No entanto, já era pública a intenção de cortar as reformas do Estado no sentido da convergência com o regime da Segurança Social.

Os resultados mostram que apenas um terço da população sente que está muito ou bastante informada sobre o tema. O futuro do sistema público de pensões e o valor da pensão, são os principais assuntos sobre as quais pessoas querem ter mais informação. Apenas dois em cada cinco portugueses sabe que existe a possibilidade de simular o valor da sua pensão e um terço desconhece quantos os anos terá de trabalhar para ter direito a uma pensão completa. Apenas 30% tem conhecimento de que houve uma reforma da Segurança Social em 2007. O nível de conhecimento sobre o tema aumenta com a idade dos entrevistados.

Veja os resultados do inquérito no PDF

4.7.13

Menos de 30% dos idosos seguem comportamentos ativos

por Texto da Lusa, publicado por Lina Santos, in Diário de Notícias

Menos de um terço dos portugueses seguem comportamentos de envelhecimento ativo, que contribuem para a qualidade de vida, ficando a meio de uma tabela europeia, situação que deverá melhorar nos próximos anos, revelou hoje o investigador Manuel Villaverde Cabral.

O coordenador do estudo "Processos de Envelhecimento em Portugal, usos do tempo, redes sociais, e condições de vida", disse à agência Lusa que "a percentagem de portugueses que investem minimamente em atividades que promovem o envelhecimento ativo é da ordem de 30%". Esta é uma das conclusões do trabalho, com base em inquéritos a mil portugueses a partir dos 50 anos, que hoje é apresentado e que Villaverde Cabral comparou com um estudo europeu, realizado com uma metodologia diferente e a partir dos 65 anos. O envelhecimento ativo contempla a adoção de ações cognitivas e físicas, de cuidados médicos ou hábitos de saúde, que promovem uma maior longevidade com qualidade. Trabalhar ou não, pertencer a associações, fazer voluntariado, ir ao cinema ou assistir a espectáculos são alguns exemplos avançados pelo investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. No estudo europeu, "Portugal apareceu com uma percentagem ligeiramente superior (35%) de potencial realizado em relação ao envelhecimento ativo" e na comparação europeia ficou "mais ou menos a meio da tabela", sendo um dos elementos que "contribuiu mais favoravelmente o facto de os seniores portugueses se reformarem um pouco mais tarde do que a média europeia". A taxa mais elevada de adoção de envelhecimento ativo está no grupo entre 50 e 64 anos, por isso, a expetativa é que, com os anos, e a passagem destes portugueses à faixa dos "mais velhos", a prática do envelhecimento ativo aumente. "À medida que os mais idosos forem falecendo e os que têm agora menos de 74, menos de 65, menos de 50 forem envelhecendo, este movimento natural demográfico, pelos atributos socio-económicos, nomeadamente a escolaridade e o próprio nível de vida, apesar da crise", vai fazer com que se generalize "crescentemente a adoção de práticas de envelhecimento ativo", explicou Villaverde Cabral. Apenas 1% ou 2% dos inquiridos que não sabem ler ou escrever aderem às "boas práticas", contra os menos de 19% dos que têm o ensino básico. Nos idosos que têm o ensino básico, cerca de dois terços segue as boas práticas de envelhecimento ativo, enquanto nos que têm o ensino superior a percentagem sobe para os 80%. A terceira conclusão do trabalho vai "contra o que, por vezes, o discurso do envelhecimento ativo dá a entender quando é criticado", "Há a indução de uma ideia de que o envelhecimento ativo faria "milagres" - não faz", salientou o investigador. O documento diz que, "contrariamente àquilo que a ideologia do "envelhecimento ativo" parece, por vezes, induzir, o efeito de idade tende a exercer o seu impacto, virtualmente, a todos os níveis da existência dos indivíduos (...), confirmando as teses da desvinculação gradual dos mais idosos em relação à participação na vida social e até familiar".

6.6.12

Um em cada cinco portugueses tem menos de 300 euros para as férias

Por Erika Nunes, in Dinheiro Vivo

A maioria dos portugueses (62%) não vai fazer férias este ano, de acordo com a sondagem realizada pela Universidade Católica Portuguesa para o Jornal de Notícias. Entre os restantes, 24% planeiam fazer férias em Portugal, 6% vai viajar para o estrangeiro e 3% fará férias cá dentro e no estrangeiro também.

Entre os portugueses que vão fazer férias este ano, 10% vão ficar alojados em apartamento/casa de familiares ou amigos e 5% em apartamento/casa de férias do próprio, diminuindo assim o montante que conta gastar este ano: 16% vão gastar o mesmo que noutros anos e 14% vão gastar menos. Só 2% estão dispostos a gastar mais.

Um em cada cinco portugueses vai fazer férias com menos de 300€, 28% conta gastar entre 301€ e 600€ e 20% vai gastar entre 605€ e 995€. Acima de mil euros é quanto vai gastar 20%.

O turismo nacional terá de partilhar este mercado interno emagrecido e poupado. As ofertas e promoções especiais multiplicam-se e dispersam-se, simultaneamente, sem uma promoção do turismo interno tão forte como em 2010. A campanha "Descobrir Portugal" custou três milhões de euros e obteve resultados comparáveis aos melhores de sempre.

A secretária de Estado do Turismo, Cecília Meireles, anunciou que, este ano, há um milhão de euros para a promoção interna, com utilização de recursos já existentes. As imagens que o Turismo de Portugal levou à Bolsa de Turismo de Lisboa foram as da campanha "Descobrir Portugal". Também o portal criado na altura (descubraportugal.com.pt) é o atual veículo de promoção na internet.

No próximo fim de semana, entrará no ar uma "campanha na TV com filmes promocionais que apelam ao turismo interno em várias regiões do país, através do testemunho de caras conhecidas do grande público (uma por cada região)", segundo revelou fonte do Turismo de Portugal, ao JN.

As entidades regionais de Turismo, cujos orçamentos foram, também, encolhidos têm o papel principal na promoção interna.

O Alentejo investiu 350 mil euros na campanha "O Alentejo dá-lhe tudo" e que oferece voucher para incentivar os portugueses a visitar a região.

O Algarve tem "em preparação uma campanha de divulgação dos eventos da região, a anunciar em breve, além de novos materiais de observação de aves, percursos pedestres e de Turismo de Natureza".