Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Moreira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Moreira. Mostrar todas as mensagens

14.7.23

Ainda há resistentes no mercado da Sé nas vésperas da despedida

Mariana Correia Pinto (texto), Paulo Pimenta (fotografia), in Público online

Câmara do Porto anunciou indemnizações e encerramento até ao fim de Junho, mas comerciantes não receberam e não arredam pé. Fechar o mercado será “matar mais um bocadinho a Sé”?

As notícias da sua morte foram manifestamente exageradas. E trouxeram danos a quem por ali ainda resiste: “A gente já vendia pouco, mas ficou ainda pior depois de a câmara [do Porto] ir dizer para a rádio que isto ia fechar.” O protesto é de Maria Vitória, mais conhecida como Maria Comunista, e encontra eco em quase todas as conversas no Mercado de São Sebastião, na Sé do Porto. “Isto está como se vê”, diz a vendedora a apontar o estado degradado do edifício com quase todas as bancadas vazias: “Está mau, mas fechado ainda não está. Enquanto não nos pagarem aqui estaremos.”

No início de Junho, o vereador Ricardo Valente garantiu, numa reunião do executivo, encerrar o processo até ao fim desse mês, indemnizando as comerciantes e fechando portas. “A partir daí iremos ver o que fazer naquele espaço”, afirmou, recusando dar mais pormenores. As quatro vendedoras que ali permanecem já aceitaram sair, mas souberam desse prazo pelos jornalistas e, até agora, não foram chamadas pelo município. O PÚBLICO questionou a Câmara do Porto sobre o assunto, mas o gabinete de comunicação limitou-se a informar de que levará uma proposta sobre o assunto à próxima reunião do executivo, na próxima segunda-feira. Até quando estará o mercado aberto não se sabe. Se a autarquia pretende reabilitá-lo (tendo em conta que recuperou os 75 mil euros que havia dado à junta local para o fazer) e para que fim o vai usar permanece no segredo dos gabinetes dos Paços do Concelho.

Sentada ao lado da sua bancada, Maria Barbosa confirma a sua disponibilidade para pôr um ponto final numa história de muitas décadas. Não com alegria, mas entregue à resignação. “Tenho 82 anos e estou cansada. Se vendesse, valia o esforço. O problema é não haver gente: ainda ontem fui embora sem me estrear.”

A decadência do Mercado de São Sebastião, inaugurado nos anos 1990, não é de agora. E na Sé conhecem-se as costuras da história. “Desde que começaram a mandar gente para os bairros e para fora do Porto, isto foi morrendo.” O lamento é de Albertina da Liberdade, ex-vendedora, moradora na Travessa de São Sebastião e testemunho vivo de tempos em que a artéria era do povo ali nascido. “Isto estava sempre cheio de gente, agora somos quatro ou cinco e o resto é hostels.”

[...]

O fecho do mercado entristece-a. Que fará, depois, às flores colhidas no seu campo, nos Carvalhos, do lado de lá da ponte? Às cinco da manhã, sem dias de folga, já está a regá-lo. Pouco depois, põe-se a caminho do Porto. “Gostava de manter o meu ritmo, ainda me sinto jovem. Às vezes, a minha filha pergunta-me se não estou cansada. Não estou! Levo a vida a brincar e isto passa.”

O movimento é fraco. Mas não cessa. Tal como a conversa, parte da delicadeza do mercado. “A gente aqui distrai-se”, comenta Carminda Nobre. Os clientes fiéis incentivam a resistência: “Espero ver-vos aqui mais vezes. Muita saúde”, acena um homem já a caminhar para a saída. Maria Barbosa, ou Maria do 21, alcunha de casamento por ter dado o nó com um homem que era o número 21 na tropa, pede a palavra: “Acha que isto fecha para sempre ou não?”, pergunta em jeito de remate, como se buscasse solução para a sua ânsia. Ela tem um palpite: “As pessoas hoje vão ao supermercado e compram tudo. Mais cedo ou mais tarde, fecham isto, depois há-de ser o Bolhão. Ou então é como o Bom Sucesso. Vai ser outra coisa.”

[artigo disponível na íntegra para assinantes aqui]

13.7.15

“A cidade deve muito ao meu antecessor”

Manuel Carvalho, Margarida Gomes e Patrícia Carvalho, in Público on-line

Rui Moreira diz que encontrou a “casa arrumada” quando chegou à Câmara do Porto. E que não mudou as chefias, “as pessoas que estavam eram pessoas competentes”. Mas também herdou assuntos complicados, como o Bairro do Aleixo ou o Parque da Cidade.

O que responde aos que justificam a aparente tranquilidade do seu mandato com a herança de Rui Rio?
A cidade deve muito ao meu antecessor. O que lhe devemos, principalmente? Termos encontrado uma casa arrumada, quer sob o ponto de vista das contas, que é a coisa mais visível, quer sob o ponto de vista da estrutura da câmara. Nós praticamente não mudámos as chefias, o que quer dizer que as pessoas que estavam eram pessoas competentes. A máquina funcionava bem, estava oleada, e isso ajuda.

Mas encontrou também assuntos complicados, como o Bairro do Aleixo ou processos judiciais onde se exigiam milhões de euros de indemnizações à câmara.
Encontrei. O meu antecessor entendia, e isso se calhar era uma posição defensiva, que eu compreendo, que a Câmara do Porto devia litigar até ao fim. E portanto devia só in extremis se devia chegar a acordos extrajudiciais. Ora eu entendi que ainda que isso possa ser defensável do ponto de vista político, acaba por adiar as questões e ficamos sempre aqui com um ónus. Eu tenho procurado resolver as coisas de outra maneira, procurando acordos extrajudiciais, nalguns casos com muito êxito. Veja-se o caso da Associação Porto Digital, em que tínhamos sido condenados em arbitragem, e não havia recurso, a pagar quatro milhões de euros e conseguimos fechar por 1.950 milhões. Temos também praticamente resolvido com a EDP a questão da rua do Ouro, que era um assunto que se arrastava. Ou seja, o problema dos processos judiciais levados até ao fim faz sentido num estado de direito. Sobre o ponto de vista patrimonial, eu acredito que é melhor resolver os assuntos pela via extrajudicial para evitar as bombas-relógio das quais a cidade já foi vítima. O caso do Parque da Cidade é o caso mais evidente.

O seu mandato vai continuar a ter como âncora essencial a Cultura, como até agora?
Quando apresentei o meu manifesto disse que havia três prioridades: a coesão social, a cultura e a economia, que de alguma forma ligava a cultura à coesão. Logicamente a cultura é mais visível. Para já porque tenho um vereador da cultura excepcional, que tem conseguido com pouco fazer muito. Mas julgo que o que estamos a fazer na coesão social é uma marca que vai ficar.

O que tem para apresentar nessa área?
A forma como preparámos o fundo de solidariedade social, nomeadamente no apoio à habitação. Acho que é um modelo que está a funcionar muito bem e já reforçámos o orçamento para isso. Em que é que isto consiste? Basicamente as famílias que vivem numa determinada casa e que estavam a pedir ajuda à câmara para irem para a habitação social, nós damos-lhes um pequeno contributo, até 75% do valor da renda, que lhes permita continuar a viver no sítio onde viviam, onde têm as suas memórias. Isto abrangeu 300 famílias na primeira leva e nós vamos continuar. Estamos a falar de pessoas que estavam no limiar da pobreza, naquele limiar das pessoas que eram da classe média e estavam a decair para os níveis de pobreza. Isso tem sido um enorme sucesso.

Nas autárquicas de 2017 a coligação que governa a câmara vai formalizar-se em plataforma eleitoral? Ou seja, vamos ter Rui Moreira candidato independente nas listas do PS?
Para já é muito cedo para falar nisso. Uma coisa já disse e repito. Não serei candidato em listas de nenhum partido, em condições algumas. É o que posso dizer. Se for candidato, serei candidato independente.

Sempre considerou que o excesso de centralização política era um problema crítico do país. A sua experiência enquanto autarca reforçou essa sensação?
Confirmou essa sensação.

Confirmou apenas, não reforçou?
Não era preciso, tinha essa opinião e denunciei-a durante muito tempo. O país tem uma lógica absolutamente centralista.

Acusou o presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) ser um “manga-de-alpaca” e foi um dos protagonistas da revolta dos autarcas da Área Metropolitana do Porto (AMP) a propósito da distribuição de fundos europeus para as autarquias. É mais uma guerra de princípios ou uma guerra de dinheiro?
As duas coisas. Em primeiro lugar, é uma guerra de princípios e depois é uma guerra de dotação. A questão relativamente à CCDRN coloca-se neste plano: antigamente, e não foi há muito tempo, nós estávamos convencidos, e quando digo nós, digo os actores políticos da região, os autarcas, as associações, as instituições e os cidadãos, que a CCDRN era o nosso instrumento de reclamação junto do Governo e do Estado central. Era um instrumento nosso. Para quê? Para a justa apropriação dos recursos que são destinados às regiões de convergência. Subitamente, fica a sensação que a CCDRN passou a ser uma coisa diferente, passou a ser um instrumento do Estado junto de nós, quase uma organização de vice-rei para nos dizer o que é que o Estado central nos quer impor. E esta alteração é muito preocupante. Nós precisávamos da CCDRN de Valente de Oliveira a Carlos Lage, passando por Arlindo Cunha ou Elisa Ferreira. Essas pessoas, independentemente, da sua proximidade, até muitas vezes ideológica ou partidária, ao Governo, eram a voz da região junto do poder central. Havia a sensação de que, quando alguém se tentava apropriar daquilo que era nosso, encontrávamos na cúpula dessa instituição um aliado – era um dos nossos. Se isto se inverte é muito preocupante porque nós não temos nenhuma outra organização a nível regional que possa suprir esta carência.

Mas há autarquias que estão ao lado de Emídio Gomes. Aliás, o presidente da CCDRN diz que as autarquias da área metropolitana se estão a repetir centralismo que criticam a Lisboa em relação ao resto do país…
O professor Emídio Gomes não gosta de ver os números, mas há números que são muito impressionantes. Eu não defendo que a distribuição dos fundos deva ser per-capita entre as várias CIM [Comunidades Intermunicipais] da Região Norte, mas, naturalmente, isto tem apesar de tudo uma importância. Na proposta que é apresentada pela CCDRN, quais são as dotações per capita? Na Área Metropolitana do Porto 74,49 euros; Terras de Trás-os-Montes 456 euros; no Alto Tâmega 426.

Mas não são as mais pobres que precisam de mais ajuda?
Então que se tivesse assumido claramente que o Portugal 2020 era para combater a pobreza da interioridade. Mas não, foi o Governo português em conjunto com Bruxelas e com o patrocínio das CCRD’s que identificou as carências, por exemplo, ao nível do abandono escolar. Um dos eixos é o abandono escolar, o outro eixo é a eficiência energética. A AMP mandou fazer um estudo e chegamos à conclusão que 39% do abandono escolar na Região Norte (RN) é na AMP. O que nós defendemos por isso é que 39% das verbas disponíveis, quaisquer que elas sejam , têm de vir para a área metropolitana. De acordo com a proposta que nos é apresentada, nós só vamos receber 22%. Depois, quando nós olhamos às candidaturas que vamos apresentar e quem é que vai receber o dinheiro ainda ficamos mais preocupados. Porquê? Por que isto representa desorçamentação, ou seja, está previamente determinado se nós aceitarmos os 129 milhões propostos, para a AMP há cerca de 40% que vai ser destinado a escolas, que são da responsabilidade do Ministério da Educação e Ciências, e há uma outra parte que vai o IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional). Isto é um excelente negócio para um modelo centralista e é uma forma de transferir verbas dos fundos estruturais, que deviam de vir para as regiões de convergência, para o Orçamento do Estado e, claro, que assim se beneficia os contribuintes que estão nas regiões que não são de convergência.

Depois daquilo que disse de Emídio Gomes, estão dispostos a defender a sua substituição?
Ele tem de tirar as consequências ou perceber de que lado está.

Deixou de ter a vossa confiança?
Aquilo que nós entendemos e fizemos foi dizer assim: este assunto só já se pode resolver a nível ministerial. Isto resolve a equação da pergunta que me está a fazer.

Mas a sua relação com o Governo nos dossiês mais sensíveis da cidade e da AMP também não tem sido fácil. Por exemplo, a concessão dos transportes colectivos já disse que espera que o Tribunal e Contas vete aquele contrato…
O presidente da Câmara do Porto não faz a oposição ao Governo, agora naquelas matérias que são contrárias ao interesse dos cidadãos do Porto, aí, seja qual for o governo, o presidente da Câmara do Porto, como lhe cumpre, fará os possíveis para contrariar aquilo que é a vontade de algumas políticas governamentais.

O recurso ao tribunal quando estão em causa negociações com o Governo não tem sido demasiado recorrente?
Tem.

Deve-se ao centralismo ou a outra coisa qualquer?
Deve-se a uma visão centralista, sim. Ou seja, quando é preciso encontrar forma de resolver algum problema, o que tem acontecido sempre é que tem prevalecido uma lógica centralista. O caso das águas é absolutamente claro. Os municípios que detinham 49% do capital das Águas do Douro e Paiva votaram todos contra a fusão. Um Estado que não respeita as leis que ele próprio cria, não contribui para a transparência na vida do país. Sabe porquê? Porque normalmente é preciso uma maioria qualificada para tomar uma decisão destas. Isto de facto é um confisco, não é mais nada. Chama-se um confisco. Mais valia terem nacionalizado as Águas de Douro e Paiva. O confisco encapotado é muito sério porque vai fazer com que todos nós olhemos cada vez mais para o Estado central com enorme desconfiança. Fazemos um contrato com o Estado e ele, em qualquer altura, por decreto, pode alterá-lo e isto não é aceitável e não interessa ao país. Isto é péssimo.

Foram lançadas uma série de suspeitas sobre si e sobre o concurso da concessão do Pavilhão Rosa Mota, pelo facto de Nuno Botelho, que é seu sócio numa empresa, foi seu director de campanha e foi seu sucessor na Associação Comercial do Porto (ACP) estar, através da ACP, a concorrer à concessão. Não o incomoda efectivamente essas ligações a um dos concorrentes num concurso como este?
O doutor Nuno Botelho não é concorrente ao Pavilhão Rosa Mota. Quem é concorrente ou está num dos consórcios é a Associação Comercial do Porto. Na Associação Comercial do Porto o doutor Nuno Botelho e eu temos o mesmo interesse absoluto, somos sócios. Não temos nenhum interesse particular. A Associação Comercial do Porto tem milhares de sócios e é uma instituição de 1834 perfeitamente respeitada na cidade. Faço-lhe a pergunta ao contrário: então a Associação Comercial do Porto, pelo facto de eu ter sido presidente ou de o doutor Nuno Botelho ser hoje presidente, deveria estar inibida de concorrer a concursos na cidade?

Não deveria, pelo menos, ter deixado de ser sócio do doutor Nuno Botelho numa empresa particular, como é a Essência do Vinho Brasil?
Eu não tenho nenhum interesse… Vamos lá ver, se essa empresa concorresse a um concurso da Câmara Municipal do Porto, teria toda a razão. Mas o doutor Nuno Botelho não concorre. O Rui Moreira não concorre. Quem concorre é uma instituição chamada Associação Comercial do Porto onde nem eu nem ele temos qualquer interesse patrimonial. Não há nenhuma relação de interesse relativamente a uma candidatura desta natureza.

O Bairro Rainha Dona Leonor, a par do Mercado do Bolhão, é um processo que parece que se estende demasiado no tempo. Porquê?
Isto decorre da lei. Todo o processo neste momento é muito lento. No caso do Bolhão estamos a fazer precisamente o que dissemos. Apresentamos o projecto de arquitectura e neste momento estamos a fazer os de especialidades. Está a ser cumprido o calendário. Estamos a receber o resultado das consultas que foram feitas às instituições externas. Ainda estamos à espera da Direcção Regional de Cultura do Norte, que se irá pronunciar sobre o projecto, mas apenas quando as especialidades estiverem concluídas. Todos estes passos foram anunciados na altura e são obrigatórios. Não vai haver atraso. A não ser que haja algum problema técnico.

Uma questão que causou polémica nas últimas semanas foi a intenção da Câmara do Porto de despejar moradores dos bairros sociais, indiciados pela prática de tráfico de droga. Foi uma decisão criticada, inclusivamente pelo Provedor do Inquilino do município. Vai continuar com esta prática?
As pessoas não serão despejadas. O que fizemos foi notificá-las da intenção de despejo. E essas pessoas têm todo o direito e inclusivamente o dever de nos fazerem chegar as suas reclamações. Com certeza que atenderemos a todas as reclamações. Ao contrário do que se fez no passado, até porque a lei mudou, nós não chegamos lá e despejamos as pessoas. Nós suscitamos uma notificação da intenção do despejo. E isso resulta do quê? De essas famílias estarem identificadas, e não foi por nós, pelo tráfico de droga. Não é consumo, é tráfico. E o tráfico de droga é um problema social.

Mas essa intenção abrange filhos, avós ou netos desses alegados traficantes…
À volta há outros filhos e dos netos que sofrem com o facto de haver uma casa que se calhar é dedicada apenas ao tráfico de droga, como acontece com algumas.

É uma escolha sua defender uns em detrimento dos outros, apesar de todos serem crianças?
Sim, é. É uma escolha.

Onde preferia ver a colecção Sindika Dokolo? No Palacete Pinto Leite ou na Casa Manoel de Oliveira, dois edifícios municipais que estão à venda?
Gostava que uma parte da colecção de Sindika Dokolo viesse para o Porto. Aquilo que vamos fazer, relativamente, quer à Casa Manoel de Oliveira, quer à Pinto Leite, é pô-las à venda em hasta pública. No caso da Manoel de Oliveira é uma hasta pública simples. Na hasta pública do Palacete Pinto Leite vamos pôr algum constrangimento. Tínhamos dois valores avaliados, mas tínhamos considerado no Orçamento deste ano apenas o valor máximo. O que vamos considerar é que podemos admitir vender por um valor inferior, mas fica uma reserva de propriedade. No caso de a casa vir a ser utilizada pelo futuro proprietário para qualquer outro destino [que não o cultural] terá que compensar a câmara pelo valor máximo da avaliação prevista, com o ajuste temporal. Se me perguntar onde é que eu gostaria… Olhe, se [Sindika Dokolo] quiser vir para o Porto com tudo o que tem, teria de comprar esses dois edifícios e mais alguns. Agora, eles não estão destinados, qualquer pessoa pode licitar. Recordo, que relativamente ao Palacete Pinto Leite ainda não perdemos a esperança de uma coisa que há um ano falei e ficou esquecida, que é a colecção Miró.

Não perdeu a esperança de a ver instalada no Porto?
Não, por uma razão: até agora o Estado português ainda não conseguiu vender a colecção.

Na sua qualidade de adepto, está contente com a política de contratações do FC Porto para o próximo ano?
(Risos)

Vai utilizar os trunfos turísticos do Porto para convencer a Sara Carbonero [a mulher de Iker Casillas, o guarda-redes do Real Madrid que é dado como jogador do FC Portona próxima temporada, estará pouco disposta a trocar a capital espanhola pelo Porto] a vir para cá?
Isso sim. (Risos) Estou disponível para lhe mostrar que o Porto é uma cidade muito mais interessante para viver, neste momento, do que Madrid. Ela Madrid já conhece e o Porto ainda não.

24.10.13

Rui Moreira elege combate à pobreza, exclusão e desemprego como "primeiro desígnio"

in RTP

O combate à pobreza e exclusão e o apoio aos desempregados foram hoje identificados como o "primeiro desígnio" do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que destacou a importância da coesão para criar uma cidade "mais livre".

"Num tempo de crise grave e profunda, em que tanta gente passa mal e vive com tantas dificuldades, não temos qualquer hesitação: as políticas sociais - o combate à pobreza e à exclusão, o apoio aos desempregados e às suas famílias - serão o nosso primeiro desígnio. Seremos, assim, mais livres", afirmou, no discurso da tomada de posse.

Num discurso de oito páginas, o primeiro independente eleito presidente da Câmara do Porto anunciou querer "construir oportunidades", por não poder "tolerar que os portuenses tenham de abandonar a cidade para encontrarem emprego".

"Queremos e apostaremos em políticas ativas que transformarão o Porto num ambiente atrativo para o investimento", sustentou.

Notando que "o Porto é diferente de todas as cidades" Moreira defendeu que o seu executivo quer "apostar na cultura", de forma a garantir "essa identidade" mas também a projetar "a sua imagem" e a reforçar "o sentido de pertença e o sentimento de liberdade dos portuenses".

"À luz destas escolhas fundamentais, o futuro da cidade passa pela nossa vontade coletiva e pela nossa capacidade conjunta para fazermos um Porto mais confortável e um Porto mais interessante", disse.

Para o tornar mais confortável, é necessário que todos aqui encontrem "condições para viver com dignidade, e não apenas sobreviver, para estudar, para trabalhar e para envelhecer".

Urge ainda alcançar "um Porto mais interessante porque não se fecha em si mesmo" por saber "acolher e incluir", uma vez que "tem horizontes largos e, como desde sempre, integra em si o que vem de fora", destacou o autarca.

"Queremos um Porto autêntico, leal e genuíno. Queremos um Porto europeu, ambicioso e desenvolvido. Queremos um Porto que, ao mesmo nível e ao mesmo tempo, conjugue tradição com modernidade", descreveu.

Moreira quer ainda uma cidade "que mantém os seus hábitos, privilegia os seus costumes e que, em simultâneo, sabe arriscar e ousa inovar".

"Queremos um Porto que tem orgulho na Ribeira, no Atlântico, na Casa da Música, em Serralves, no Dragão, nas Fontainhas, no Freixo. Um Porto que se revê no simbolismo da sua Muralha, uma muralhas que se prolonga fisicamente na Ponte Luis I, como quem diz, que é a força da nossa identidade e só ela que nos abre o mundo", afirmou.

Moreira prometeu para o futuro "uma cidade limpa, sustentável e acessível" e ao mesmo tempo "segura, inclusiva e solidária". "Vamos ter uma cidade dinâmica, criativa e criadora. Vamos ter uma cidade que se orgulha das suas tradições mas que nunca tem medo de se transformar. Vamos ter uma cidade que sabe ser cosmopolita sem deixar nunca de ser popular", prognosticou.

23.10.13

Rui Moreira elege combate à pobreza, exclusão e desemprego como "primeiro desígnio"

in iOnline

Moreira quer ainda uma cidade “que mantém os seus hábitos, privilegia os seus costumes e que, em simultâneo, sabe arriscar e ousa inovar”

O combate à pobreza e exclusão e o apoio aos desempregados foram hoje identificados como o “primeiro desígnio” do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que destacou a importância da coesão para criar uma cidade “mais livre”.

“Num tempo de crise grave e profunda, em que tanta gente passa mal e vive com tantas dificuldades, não temos qualquer hesitação: as políticas sociais - o combate à pobreza e à exclusão, o apoio aos desempregados e às suas famílias - serão o nosso primeiro desígnio. Seremos, assim, mais livres”, afirmou, no discurso da tomada de posse.

Num discurso de oito páginas, o primeiro independente eleito presidente da Câmara do Porto anunciou querer “construir oportunidades”, por não poder “tolerar que os portuenses tenham de abandonar a cidade para encontrarem emprego”.

“Queremos e apostaremos em políticas ativas que transformarão o Porto num ambiente atrativo para o investimento”, sustentou.

Notando que “o Porto é diferente de todas as cidades” Moreira defendeu que o seu executivo quer “apostar na cultura”, de forma a garantir “essa identidade” mas também a projetar “a sua imagem” e a reforçar “o sentido de pertença e o sentimento de liberdade dos portuenses”.

“À luz destas escolhas fundamentais, o futuro da cidade passa pela nossa vontade coletiva e pela nossa capacidade conjunta para fazermos um Porto mais confortável e um Porto mais interessante”, disse.

Para o tornar mais confortável, é necessário que todos aqui encontrem “condições para viver com dignidade, e não apenas sobreviver, para estudar, para trabalhar e para envelhecer”.

Urge ainda alcançar “um Porto mais interessante porque não se fecha em si mesmo” por saber “acolher e incluir”, uma vez que “tem horizontes largos e, como desde sempre, integra em si o que vem de fora”, destacou o autarca.

“Queremos um Porto autêntico, leal e genuíno. Queremos um Porto europeu, ambicioso e desenvolvido. Queremos um Porto que, ao mesmo nível e ao mesmo tempo, conjugue tradição com modernidade”, descreveu.

Moreira quer ainda uma cidade “que mantém os seus hábitos, privilegia os seus costumes e que, em simultâneo, sabe arriscar e ousa inovar”.

“Queremos um Porto que tem orgulho na Ribeira, no Atlântico, na Casa da Música, em Serralves, no Dragão, nas Fontainhas, no Freixo. Um Porto que se revê no simbolismo da sua Muralha, uma muralhas que se prolonga fisicamente na Ponte Luis I, como quem diz, que é a força da nossa identidade e só ela que nos abre o mundo”, afirmou.

Moreira prometeu para o futuro “uma cidade limpa, sustentável e acessível” e ao mesmo tempo “segura, inclusiva e solidária”. “Vamos ter uma cidade dinâmica, criativa e criadora. Vamos ter uma cidade que se orgulha das suas tradições mas que nunca tem medo de se transformar. Vamos ter uma cidade que sabe ser cosmopolita sem deixar nunca de ser popular”, prognosticou.

Rui Moreira.O independente que promete apostar na coesão social

in iOnline

Após a cerimónia e as formalidades que hoje terão lugar na tomada de posse, Rui Moreira terá por missão executar o seu programa eleitoral numa altura em que os municípios se debatem com dificuldades económicas e a própria Câmara do Porto tem uma dívida de aproximadamente 90 milhões de euros. Os seus apoiantes garantem que o novo presidente cumprirá as promessas com "rigor", mas quatro anos podem não chegar para realizar todos os projectos.

"Rui Moreira vai cumprir com rigor o programa apresentado aos portuenses nestas eleições e no qual eles votaram. Vai apostar, como prometeu, na sustentabilidade económica da cidade, na coesão social, na reabilitação urbana e no desenvolvimento da cultura" garante Arlindo Cunha, antigo ministro e membro da Comissão de Honra da candidatura do agora presidente da câmara.

Com a incumbência - assumida pelo próprio no início de Setembro - de gerir directamente os pelouros da Economia e da Cultura na cidade, Rui Moreira prometeu começar o seu trabalho autárquico pelos mais necessitados, criando um fundo solidário de dois milhões de euros anuais que visam ajudar quem vive com maiores dificuldades. A área metropolitana do Porto é a região do país com mais casos de pobreza, especialmente entre crianças e idosos, contando ainda com um elevado número de desempregados e beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) - no grande Porto há 89 452 beneficiários do RSI. O recém-eleito autarca prometeu ainda reactivar programas de combate à exclusão social e toxicodependência como a iniciativa camarária Porto Feliz que trabalhava directamente junto dos arrumadores da cidade.

Para realizar estas e outras promessas, para além de passar a gerir a pasta camarária da Economia, Rui Moreira prometeu manter as "contas à moda do Porto". Actualmente a segunda cidade do país tem um passivo de 99 milhões de euros, dos quais 20 milhões são encargos que vencerão proximamente. Um resultado do qual Rui Rio se orgulha - terá encontrado a câmara com uma dívida de 200 milhões - e que o independente Rui Moreira já disse não querer "desbaratar".

"Ele tem o seu espaço próprio e a sua forma de agir, mas terá outros domínios em que vai aprofundar o que já foi feito no mandato anterior" assegura Arlindo Cunha, embora ressalve que tanto na cultura como na promoção nacional e internacional do Porto, Rui Moreira terá um papel importante a desempenhar.

Rui Moreira. Porto na senda de Rio para ser "livre" e com mais poder

Por Liliana Valente, in iOnline

Rui Rio emocionou-se na despedida. António Costa elogiou coligação com PS: partidos não se afirmam "na mesquinhez dos aparelhos"

Rui Moreira tomou ontem posse como presidente da Câmara do Porto substituindo Rui Rio. Mas o legado de 12 anos do social-democrata vai ter continuidade nas políticas do novo presidente, que formou governo com o PS. Moreira quer um Porto "livre", mas não "portocêntrico", que una as cidades do Norte, mas que não quer ser "capital senão de si mesmo". O presidente independente promete contas rigorosas e, também por isso, quer mais poder e mais dinheiro para as câmaras.

No discurso da tomada de posse ontem, Moreira começou por deixar uma palavra de "gratidão" a Rui Rio, garantindo ao presidente cessante que vai manter "a linha de rumo" de "afronta a interesses" e de "exigência, rigor e transparência" das contas da câmara. Palavras que Rio ouviu, emocionado, na despedida de doze anos à frente da câmara. Rio nunca expressou directamente o apoio ao presidente eleito, mas ontem não escondeu a satisfação e os sorrisos ao ouvir as palavras de Moreira.

É que mais do que um discurso local, Moreira falou para fora e muitas vezes para o governo. O homem que foi eleito por uma lista de independentes, mas apoiado pelo CDS, quer mais poder para as câmaras que se deve traduzir em mais competências e em mais dinheiro. O presidente da Câmara do Porto quer aproveitar que se discute o próximo quadro de fundos europeus para reforçar o papel das câmaras: "É também necessário que essas vozes [do governo] nos esclareçam, sem inúteis ambiguidades, se estão disponíveis para transferir novas competências para as autarquias, para que estas possam valorizar os seus recursos". Mas deixa um recado: "Em tempos perturbados" em que se fala na necessidade de as câmaras contribuírem para a competitividade, Moreira lembra que "as que são bem geridas" não podem ver os seus "recursos capturados" para ajudar as que não o foram.

A ideia responde à criação do fundo de solidariedade municipal, que entretanto foi alterado pelo governo, em que eram sobretudo as câmaras a contribuir para o resgate de outras autarquias.

Nas palavras de Rui Moreira lê-se uma vontade de liderar, e para essa ideia contribuiu o desafio que lançou de as cidades do Norte criarem uma "liga", além de pedir um reforço dos poderes da Junta Metropolitana do Porto. Mas se nos actos quer assumir a dianteira, nas palavras preferiu passar a ideia de que esta intenção é mais modesta: "O Porto, o Porto livre, pode, e mais do que pode, deve, assumir um papel agregador, deixando claro que não tem a pretensão do domínio, e que não aspira senão a ser capital de si mesmo".

Mas para o ser, Rui Moreira traçou três objectivos para o seu executivo em coligação com o PS: coesão social, economia e cultura. Quer, "uma cidade livre", porque "a coesão faz-nos mais livres, a cultura faz de nós uma cidade de liberdade e o crescimento económico liberta a sociedade". Para isso, além do seu programa, vai integrar ideias do Partido Socialista, com quem assinou um acordo, a contragosto da distrital do PS. Rui Moreira não esqueceu uma palavra de incentivo a Manuel Pizarro, eleito vereador e que vai ver-lhe atribuídas competências, depois de este ter sido criticado pela estrutura partidária do PS/Porto.

O apoio à decisão de Pizarro foi também dado por António Costa. O presidente da Câmara de Lisboa, que assistiu à tomada de posse, elogiou o novo executivo do Porto e, ao passo que dizia não querer imiscuir-se nas questões do PS/Porto, lembrou que "os partidos não se afirmam na mesquinhez e na mediocridade do aparelho mas na forma como sabem assumir responsavelmente o seu papel na sociedade portuguesa".