Olímpia Mairos, in RR
Projeto de data science criado por seis estudantes da Universidade do Porto e da Universidade do Minho vai permitir angariar mais doadores para o Banco Alimentar. O projeto foi o vencedor da segunda edição da Eurekathon.
Uma equipa composta por seis alunos de engenharia da Universidade do Porto e da Universidade do Minho – a “Hunger Byte”, criou um modelo que permite aumentar o número de doadores ao Banco Alimentar.
O projeto foi o vencedor da segunda edição da Eurekathon, a competição de data science promovida pela Porto Business School, LTPlabs e NOS, que, este ano, contou com a parceria do Banco Alimentar Contra a Fome, para serem encontradas soluções que potenciem e otimizem o trabalho da instituição por todo o país.
Os seis amigos que formaram a “Hunger Byte” recorreram à base de dados do Banco Alimentar e da NOS, cruzaram a informação com métricas sociais e demográficas e conseguiram identificar o perfil do “potencial doador” e as freguesias do país onde há maior discrepância entre esses e o número de doações feitas ao Banco Alimentar.
A partir dessa análise, “em menos de três dias de competição, os jovens estudantes desenvolveram um modelo prescritivo inovador, capaz de chegar às freguesias onde há margem para aumentar os doadores e a quantidade de alimentos doada por cada doador, mas também o contrário, ou seja, aquelas em que não valerá a pena investir”, lê-se na nota enviada à Renascença.
Os seis alunos das universidades do Porto e do Minho descobriram também que, “se o Banco Alimentar direcionar as suas campanhas de marketing, recorrendo ao envio de SMS e e-mail, de notas nas faturas da NOS ou de campanhas exclusivas para determinadas freguesias, conseguirá aumentar em oito vezes a capacidade de chegar a potenciais doadores, em vez de o fazer aleatoriamente”.
Acelerar soluções em benefício do Banco Alimentar
De acordo com Rui Coutinho, diretor executivo de Inovação e Crescimento da Porto Business School e um dos membros do júri da Eurekathon, “este é um programa de e sobre pessoas, de capacitação e talento exclusivo, que usa e trabalha os dados com foco na criação de um mundo melhor”.
“A Eurekathon tira partido da capacidade e criatividade de mais de 200 pessoas, que se dedicam voluntariamente a ajudar o Banco Alimentar, para solucionar um problema com grande impacto social”, assinala.
Rui Coutinho refere ainda que “para a Porto Business School é um orgulho muito grande vivenciar este processo” e avança que, “enquanto Escola de Negócios, o objetivo é que estas ideias vencedoras tenham continuidade”.
“Vamos, por isso, desafiar os alunos da nossa Pós-graduação em Business Inteligence e Analytics a pensar como podem acelerar as soluções aqui propostas, em benefício do Banco Alimentar, fazendo, assim, a diferença no terreno”, adianta o diretor executivo de Inovação e Crescimento da Porto Business School.
Já Isabel Jonet, presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome, citada no comunicado, observa que “muitas vezes, achamos que as instituições de solidariedade social se limitam a exercer caridade, levando apenas afetos e produtos, nunca nos lembrando que, se trabalharmos dados, podemos estar a contribuir para a resolução de um problema”.
“Os bancos alimentares contribuem, hoje, para a alimentação de mais de 4% da população portuguesa, número que cresceu muito devido à pandemia. Se pudermos ajudar estas pessoas de uma maneira mais efetiva, com os dados que dispomos, todos ganham”, defende Isabel Jonet.
Com o projeto, que juntou diferentes ‘backgrounds’ das mais variadas áreas de engenharia, os seis vencedores da “Hunger Byte” conquistaram um prémio de dois mil euros, sendo que 400 euros serão doados a uma ONG.
O grupo concorreu com mais de 200 participantes de diferentes nacionalidades, distribuídos por 28 equipas, que foram acompanhados por diferentes mentores de empresas como a Bosch, Farfetch, Sport Lisboa e Benfica, Talkdesk, entre outras.
A segunda edição da maratona de geração de ideias teve como objetivo mitigar o problema da fome no país.
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23.10.18
Pharos, o robot que é um personal trainer para idosos
in DN
Desenvolvido por investigadores portugueses e espanhóis, robot define planos de exercício personalizados e alerta para eventuais problemas de saúde
É um "amigo interativo" que "pretende promover o envelhecimento ativo da população e combater a solidão", explica a Universidade do Minho (UMinho), que participou na invenção do "Pharos".
Desenvolvido em conjunto com a Politécnica de Valência e de Alicante (Espanha), o "Pharos" pode "tornar-se um assistente virtual, amigável e de fácil utilização, ajudando os seniores a manterem uma vida mais saudável", refere a UMinho, em comunicado enviado à agência Lusa.
O "Pharos", um "modelo humanoide fabricado no Japão", funciona "graças a um sistema" criado por Ângelo Costa e Paulo Novais, do Synthetic Intelligence Lab do Centro Algoritmi da UMinho, que permite ao robot "avaliar o estado físico dos idosos para depois recomendar as atividades mais adequadas".
Segundo o texto, um dos módulos do 'software' concebido na UMinho" integra um mecanismo de apoio à decisão, baseado no estado de saúde e no perfil do utilizador, que permite ao robô construir um plano de exercícios personalizado e ajustável consoante as necessidades".
A academia minhota explana que "há ainda outro módulo que, recorrendo à inteligência artificial, possibilita a avaliação do rendimento, a identificação de eventuais problemas de saúde e a confirmação de que os exercícios estão a ser feitos de forma apropriada".
O estado de saúde dos idosos é avaliado recorrendo a dois processos: "É verificado numa primeira fase se a capacidade de movimento se situa dentro dos limites de modelos genéricos, de acordo com a idade, sendo depois avaliado no histórico de cada utilizador se há manifestamente uma degradação linear das capacidades físicas", descreve o comunicado.
"Um baixo rendimento nos exercícios pode revelar problemas subjacentes que seriam impossíveis de detetar de outra forma. Esta técnica de inteligência artificial é inovadora porque utiliza apenas as câmaras presentes no robô para a deteção dos movimentos", explica no comunicado o investigador Ângelo Costa.
A informação é comunicada verbalmente e fisicamente pelo "Pharos", através de movimentos de braços, cabeça e torso, e aparece também num ecrã integrado que permite uma interação mais direta com o utilizador.
O "Pharos" mede 1.2 metros e pesa 28 quilos, tendo um "aspeto amigável" que ajuda a adoção e o uso por parte dos idosos.
A Uminho lembra dados revelados pela ONU que apontam que a população europeia com mais de 60 anos é de 13%, prevendo-se que esta ultrapasse os 25% em 2050.
"Os serviços de apoio a estas pessoas, como cuidadores e residências, não vão conseguir acompanhar esta subida, fazendo com que cada vez mais idosos fiquem desamparados em casa", alerta o professor Paulo Novais.
"Apesar do esforço realizado por várias entidades para colmatar este problema social, a UMinho coloca-se com este projeto na dianteira em termos de desenvolvimento de robôs assistentes para pessoas idosas", realçam os cientistas.
Desenvolvido por investigadores portugueses e espanhóis, robot define planos de exercício personalizados e alerta para eventuais problemas de saúde
É um "amigo interativo" que "pretende promover o envelhecimento ativo da população e combater a solidão", explica a Universidade do Minho (UMinho), que participou na invenção do "Pharos".
Desenvolvido em conjunto com a Politécnica de Valência e de Alicante (Espanha), o "Pharos" pode "tornar-se um assistente virtual, amigável e de fácil utilização, ajudando os seniores a manterem uma vida mais saudável", refere a UMinho, em comunicado enviado à agência Lusa.
O "Pharos", um "modelo humanoide fabricado no Japão", funciona "graças a um sistema" criado por Ângelo Costa e Paulo Novais, do Synthetic Intelligence Lab do Centro Algoritmi da UMinho, que permite ao robot "avaliar o estado físico dos idosos para depois recomendar as atividades mais adequadas".
Segundo o texto, um dos módulos do 'software' concebido na UMinho" integra um mecanismo de apoio à decisão, baseado no estado de saúde e no perfil do utilizador, que permite ao robô construir um plano de exercícios personalizado e ajustável consoante as necessidades".
A academia minhota explana que "há ainda outro módulo que, recorrendo à inteligência artificial, possibilita a avaliação do rendimento, a identificação de eventuais problemas de saúde e a confirmação de que os exercícios estão a ser feitos de forma apropriada".
O estado de saúde dos idosos é avaliado recorrendo a dois processos: "É verificado numa primeira fase se a capacidade de movimento se situa dentro dos limites de modelos genéricos, de acordo com a idade, sendo depois avaliado no histórico de cada utilizador se há manifestamente uma degradação linear das capacidades físicas", descreve o comunicado.
"Um baixo rendimento nos exercícios pode revelar problemas subjacentes que seriam impossíveis de detetar de outra forma. Esta técnica de inteligência artificial é inovadora porque utiliza apenas as câmaras presentes no robô para a deteção dos movimentos", explica no comunicado o investigador Ângelo Costa.
A informação é comunicada verbalmente e fisicamente pelo "Pharos", através de movimentos de braços, cabeça e torso, e aparece também num ecrã integrado que permite uma interação mais direta com o utilizador.
O "Pharos" mede 1.2 metros e pesa 28 quilos, tendo um "aspeto amigável" que ajuda a adoção e o uso por parte dos idosos.
A Uminho lembra dados revelados pela ONU que apontam que a população europeia com mais de 60 anos é de 13%, prevendo-se que esta ultrapasse os 25% em 2050.
"Os serviços de apoio a estas pessoas, como cuidadores e residências, não vão conseguir acompanhar esta subida, fazendo com que cada vez mais idosos fiquem desamparados em casa", alerta o professor Paulo Novais.
"Apesar do esforço realizado por várias entidades para colmatar este problema social, a UMinho coloca-se com este projeto na dianteira em termos de desenvolvimento de robôs assistentes para pessoas idosas", realçam os cientistas.
17.2.17
Alunas da UMinho implementam projecto de voluntariado
in Correio do Minho
Um grupo de alunas da Universidade do Minho parte no próximo domingo, dia 15, para Cabo Verde no âmbito de uma acção de voluntariado que tem como principal objectivo ajudar cerca de cinquenta crianças carenciadas. O projecto 'Atelier dos Pikis', traduzindo do crioulo 'Atelier dos pequenotes', visa prestar apoio escolar a estas crianças e proporcionar actividades extracurriculares. Será implementado em Pedra Badejo, uma das localidades mais pobres da ilha de Santiago.
As responsáveis pelo projecto, Inês Carrola, Bárbara Araújo (ambas do curso de Ciências da Comunicação), Marisa Lopes (Educação) e Raquel Curto (Economia), pretendem quebrar a rotina pós-escolar das crianças cabo-verdianas, com idades entre os 6 e os 12 anos, com a realização de diversas iniciativas desde sessões de explicação, aulas de dança, ciclos de cinema, workshops e jogos educacionais. O espaço vai ser cedido pelo Centro Enfermeiro Lindo, uma instituição de acolhimento de menores com carências económicas e em situação de vunerabilidade social, parceiro na primeira fase do projecto.
O 'Atelier dos Pikis' tem como duração inicial meio ano, mas pretende que se prolongue mais tempo, com mais voluntários portugueses e outras parcerias. As promotoras contam já com o apoio futuro da Escola Secundária de Pedra de Bandejo, a Universidade da Praia e o Centro de Recuperação deToxicodependentes 'El Shadda'. O contentor parte do Porto rumo à ilha de Santiago no dia 23, carregado com centenas de livros, canetas, brinquedos, roupa, calçado, electrodomésticos e acessórios para a casa para serem depois distribuidos pelas instituições sociais da localidade de Pedra de Bandejo.
Esta acção solidária surgiu na sequência de um programa de voluntariadado, no Centro de Recursos para a Cooperação da UMinho, no qual Inês Carrola e Marisa Lopes participaram em agosto de 2015. Inês lançou o documentário 'Nha Storia' aquando o seu regresso a Portugal, nomeado em dezembro para os Prémios Sophia Estudante, da Academia Portuguesa de Cinema. O documentário conta a história de uma das famílias cabo-verdianas com quem conviveu durante o programa de voluntariado.
Para mais informações ou para saber como apoiar esta causa poderá visitar a página www.facebook.com/atelierdospikis ou através do e-mail atelierdospikis@gmail.com.
Um grupo de alunas da Universidade do Minho parte no próximo domingo, dia 15, para Cabo Verde no âmbito de uma acção de voluntariado que tem como principal objectivo ajudar cerca de cinquenta crianças carenciadas. O projecto 'Atelier dos Pikis', traduzindo do crioulo 'Atelier dos pequenotes', visa prestar apoio escolar a estas crianças e proporcionar actividades extracurriculares. Será implementado em Pedra Badejo, uma das localidades mais pobres da ilha de Santiago.
As responsáveis pelo projecto, Inês Carrola, Bárbara Araújo (ambas do curso de Ciências da Comunicação), Marisa Lopes (Educação) e Raquel Curto (Economia), pretendem quebrar a rotina pós-escolar das crianças cabo-verdianas, com idades entre os 6 e os 12 anos, com a realização de diversas iniciativas desde sessões de explicação, aulas de dança, ciclos de cinema, workshops e jogos educacionais. O espaço vai ser cedido pelo Centro Enfermeiro Lindo, uma instituição de acolhimento de menores com carências económicas e em situação de vunerabilidade social, parceiro na primeira fase do projecto.
O 'Atelier dos Pikis' tem como duração inicial meio ano, mas pretende que se prolongue mais tempo, com mais voluntários portugueses e outras parcerias. As promotoras contam já com o apoio futuro da Escola Secundária de Pedra de Bandejo, a Universidade da Praia e o Centro de Recuperação deToxicodependentes 'El Shadda'. O contentor parte do Porto rumo à ilha de Santiago no dia 23, carregado com centenas de livros, canetas, brinquedos, roupa, calçado, electrodomésticos e acessórios para a casa para serem depois distribuidos pelas instituições sociais da localidade de Pedra de Bandejo.
Esta acção solidária surgiu na sequência de um programa de voluntariadado, no Centro de Recursos para a Cooperação da UMinho, no qual Inês Carrola e Marisa Lopes participaram em agosto de 2015. Inês lançou o documentário 'Nha Storia' aquando o seu regresso a Portugal, nomeado em dezembro para os Prémios Sophia Estudante, da Academia Portuguesa de Cinema. O documentário conta a história de uma das famílias cabo-verdianas com quem conviveu durante o programa de voluntariado.
Para mais informações ou para saber como apoiar esta causa poderá visitar a página www.facebook.com/atelierdospikis ou através do e-mail atelierdospikis@gmail.com.
18.12.15
Alunos de robótica do Minho criaram brinquedos para crianças deficientes
In "Jornal de Notícias"
Mais de dez alunos do curso de Eletrónica Industrial da Universidade do Minho entregaram, esta quinta-feira, cerca de 60 brinquedos a crianças portadoras de deficiência motora de três instituições de Guimarães.
A tarefa simples de carregar num botão para ativar a luz, som ou movimento de um brinquedo é, muitas vezes, impossível para uma criança portadora de deficiência. A pensar nisto, os alunos especialistas em robótica adaptaram os brinquedos de forma a que a tecnologia de cada brinquedo fosse mais fácil de ativar.
"Tradicionalmente, com as crianças com necessidades educativas especiais, tem que ser a terapeuta a ligar o brinquedo. Estes que estamos a oferecer estão adaptados para serem eles próprios que os acionam", explicou Fernando Ribeiro, diretor do Departamento de Eletrónica Industrial e voluntário na transformação dos brinquedos.
Há uma semana que alunos e o diretor estão a trabalhar na adaptação dos brinquedos. Esta manhã, foram distribuí-los com gorros natalícios e um sorriso no rosto pela Unidade de multideficiência da EB1 de Oliveira do Castelo, Escola Básica de Motelo e Associação de Paralisia Cerebral de Guimarães.
Custam 150 euros na loja
Desde 2006 que Fernando Ribeiro junta os alunos de robótica para participarem no projeto. Os brinquedos são-lhes dados por utilizadores que já não precisam e muitas vezes chegam estragados ou com peças em falta. Então, para além de criarem o ativador externo adaptado a estas crianças, também consertam os brinquedos e imprimem numa impressora 3D as peças que faltam.
Se fossem comprados em loja, estes brinquedos adaptados têm preços que variam entre os 150 e os 200 euros. "Este tipo de brinquedos fica fora da nossa bolsa e da dos pais, que têm limitações. Para além de existirem poucos no mercado, os que há custam sempre uma média de 150 euros", lamenta Américo Correia, vice-presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Guimarães.
Mais de dez alunos do curso de Eletrónica Industrial da Universidade do Minho entregaram, esta quinta-feira, cerca de 60 brinquedos a crianças portadoras de deficiência motora de três instituições de Guimarães.
A tarefa simples de carregar num botão para ativar a luz, som ou movimento de um brinquedo é, muitas vezes, impossível para uma criança portadora de deficiência. A pensar nisto, os alunos especialistas em robótica adaptaram os brinquedos de forma a que a tecnologia de cada brinquedo fosse mais fácil de ativar.
"Tradicionalmente, com as crianças com necessidades educativas especiais, tem que ser a terapeuta a ligar o brinquedo. Estes que estamos a oferecer estão adaptados para serem eles próprios que os acionam", explicou Fernando Ribeiro, diretor do Departamento de Eletrónica Industrial e voluntário na transformação dos brinquedos.
Há uma semana que alunos e o diretor estão a trabalhar na adaptação dos brinquedos. Esta manhã, foram distribuí-los com gorros natalícios e um sorriso no rosto pela Unidade de multideficiência da EB1 de Oliveira do Castelo, Escola Básica de Motelo e Associação de Paralisia Cerebral de Guimarães.
Custam 150 euros na loja
Desde 2006 que Fernando Ribeiro junta os alunos de robótica para participarem no projeto. Os brinquedos são-lhes dados por utilizadores que já não precisam e muitas vezes chegam estragados ou com peças em falta. Então, para além de criarem o ativador externo adaptado a estas crianças, também consertam os brinquedos e imprimem numa impressora 3D as peças que faltam.
Se fossem comprados em loja, estes brinquedos adaptados têm preços que variam entre os 150 e os 200 euros. "Este tipo de brinquedos fica fora da nossa bolsa e da dos pais, que têm limitações. Para além de existirem poucos no mercado, os que há custam sempre uma média de 150 euros", lamenta Américo Correia, vice-presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Guimarães.
11.12.15
"Mesmo a família que maltrata o jovem é vista por ele como uma fonte de apoio"
Ana Dias Correiro, in "Público"
Equipa da Escola de Psicologia da Universidade do Minho apresenta esta sexta-feira conclusões de um estudo sobre jovens que eram delinquentes e são hoje "desistentes".
Não foi fácil para a equipa da Unidade de Investigação em Justiça e Violência da Universidade do Minho chegar a jovens em processo de desistência de um percurso de delitos. Era difícil encontrá-los e mesmo entre os que eram localizados alguns não queriam falar. No final, 15 jovens aceitaram partilhar a sua história de vida para a investigação, realizada no âmbito do projecto Reincidências – Avaliação da Reincidência dos Jovens Ofensores e Prevenção da Delinquência, sobre os factores que motivam os jovens a sair da delinquência.
As conclusões preliminares serão apresentadas esta sexta-feira no segundo e último dia do Seminário Internacional – Delinquência Juvenil: processos de desistência, identidade e laço social no ISCTE em Lisboa.
Os jovens são apresentados como desistentes. São todos da zona de Lisboa e todos cumpriram as medidas tutelares educativas mais gravosas em centros educativos, os estabelecimentos para jovens com menos de 16 anos que praticaram um acto que, acima dessa idade, seria crime. As medidas de internamento – em regime fechado, semiaberto ou aberto – podem durar entre seis meses e dois anos (ou três anos em casos muito graves).
“A desistência é um percurso gradual e que demora tempo. É normal numa fase inicial haver novas práticas [delituosas], embora menos frequentes e menos graves e que evoluem para um percurso de ausência de crimes”, diz a psicóloga doutorada da Universidade do Minho Filipa Teixeira.
As entrevistas realizaram-se entre um ano e 39 meses depois da saída do centro educativo. Durante esse tempo, podem ter cometido delitos. Mas, neste estudo, são "desistentes" uma vez que não existe registo oficial da sua prática.
A partir de que momento um delinquente passa a ser um desistente? E quanto tempo depois de apresentar a folha limpa de registos de delitos, já depois de estar em liberdade? Estas são perguntas de difícil resposta, admite Filipa Teixeira. Possível é tentar uma aproximação àquilo que contribui para um delinquente inverter a trajectória – e tornar-se, de facto, num desistente. O apoio familiar ou a sua percepção, mesmo em famílias muito problemáticas, é determinante para essa viragem.
Esse é um dos principais resultados do estudo e aquele que mais surpreende, diz a psicóloga que integra a equipa de investigadores. “Mesmo a família que maltrata o jovem é vista por ele como uma fonte de apoio. A família funciona como um gatilho para a mudança", acrescenta. E lembra: muitos destes jovens vêm de ambientes desestruturantes, em que há violência sobre eles, ou entre mãe e pai, ou em que há abandono parental. Na maioria dos casos, os pais abandonaram o lar ou trabalham longe; e as mães são maltratantes ou pouco disponíveis para cuidar dos filhos, porque trabalham muito para os sustentar, explica a investigadora.
Os resultados, como este que revela o contributo da família, mostram padrões comuns entre os 15 jovens. Entre eles, o choque e a perda que sentem na entrada no centro educativo, ou a importância para o seu processo de desistência de desenvolverem uma relação com uma figura de referência dentro do centro educativo; pessoas que levam os jovens a questionar a legitimidade dos comportamentos delituosos anteriores e a sentirem-se valorizados.
Na etapa seguinte, os jovens descobrem os benefícios que podem retirar de um comportamento adequado. E mais tarde, já em liberdade, percebem os custos de transgredir e de novo de passarem pelo choque da perda da liberdade. Tudo isso contribui para a desistência, mais facilmente se conseguirem combater o estigma e encontrar um emprego.
Há porém casos que apresentam particularidades que saem desse padrão, explica Filipa Teixeira, como por exemplo encontrar delinquentes de famílias onde “aparentemente tudo está bem”: ou seja, jovens com bom desempenho escolar, de famílias estruturadas e com rendimentos. São, por exemplo, condenados por tráfico de droga. “Aqui é preciso tentar perceber como jovens com passados tão diferentes se tornaram também delinquentes.”
Equipa da Escola de Psicologia da Universidade do Minho apresenta esta sexta-feira conclusões de um estudo sobre jovens que eram delinquentes e são hoje "desistentes".
Não foi fácil para a equipa da Unidade de Investigação em Justiça e Violência da Universidade do Minho chegar a jovens em processo de desistência de um percurso de delitos. Era difícil encontrá-los e mesmo entre os que eram localizados alguns não queriam falar. No final, 15 jovens aceitaram partilhar a sua história de vida para a investigação, realizada no âmbito do projecto Reincidências – Avaliação da Reincidência dos Jovens Ofensores e Prevenção da Delinquência, sobre os factores que motivam os jovens a sair da delinquência.
As conclusões preliminares serão apresentadas esta sexta-feira no segundo e último dia do Seminário Internacional – Delinquência Juvenil: processos de desistência, identidade e laço social no ISCTE em Lisboa.
Os jovens são apresentados como desistentes. São todos da zona de Lisboa e todos cumpriram as medidas tutelares educativas mais gravosas em centros educativos, os estabelecimentos para jovens com menos de 16 anos que praticaram um acto que, acima dessa idade, seria crime. As medidas de internamento – em regime fechado, semiaberto ou aberto – podem durar entre seis meses e dois anos (ou três anos em casos muito graves).
“A desistência é um percurso gradual e que demora tempo. É normal numa fase inicial haver novas práticas [delituosas], embora menos frequentes e menos graves e que evoluem para um percurso de ausência de crimes”, diz a psicóloga doutorada da Universidade do Minho Filipa Teixeira.
As entrevistas realizaram-se entre um ano e 39 meses depois da saída do centro educativo. Durante esse tempo, podem ter cometido delitos. Mas, neste estudo, são "desistentes" uma vez que não existe registo oficial da sua prática.
A partir de que momento um delinquente passa a ser um desistente? E quanto tempo depois de apresentar a folha limpa de registos de delitos, já depois de estar em liberdade? Estas são perguntas de difícil resposta, admite Filipa Teixeira. Possível é tentar uma aproximação àquilo que contribui para um delinquente inverter a trajectória – e tornar-se, de facto, num desistente. O apoio familiar ou a sua percepção, mesmo em famílias muito problemáticas, é determinante para essa viragem.
Esse é um dos principais resultados do estudo e aquele que mais surpreende, diz a psicóloga que integra a equipa de investigadores. “Mesmo a família que maltrata o jovem é vista por ele como uma fonte de apoio. A família funciona como um gatilho para a mudança", acrescenta. E lembra: muitos destes jovens vêm de ambientes desestruturantes, em que há violência sobre eles, ou entre mãe e pai, ou em que há abandono parental. Na maioria dos casos, os pais abandonaram o lar ou trabalham longe; e as mães são maltratantes ou pouco disponíveis para cuidar dos filhos, porque trabalham muito para os sustentar, explica a investigadora.
Os resultados, como este que revela o contributo da família, mostram padrões comuns entre os 15 jovens. Entre eles, o choque e a perda que sentem na entrada no centro educativo, ou a importância para o seu processo de desistência de desenvolverem uma relação com uma figura de referência dentro do centro educativo; pessoas que levam os jovens a questionar a legitimidade dos comportamentos delituosos anteriores e a sentirem-se valorizados.
Na etapa seguinte, os jovens descobrem os benefícios que podem retirar de um comportamento adequado. E mais tarde, já em liberdade, percebem os custos de transgredir e de novo de passarem pelo choque da perda da liberdade. Tudo isso contribui para a desistência, mais facilmente se conseguirem combater o estigma e encontrar um emprego.
Há porém casos que apresentam particularidades que saem desse padrão, explica Filipa Teixeira, como por exemplo encontrar delinquentes de famílias onde “aparentemente tudo está bem”: ou seja, jovens com bom desempenho escolar, de famílias estruturadas e com rendimentos. São, por exemplo, condenados por tráfico de droga. “Aqui é preciso tentar perceber como jovens com passados tão diferentes se tornaram também delinquentes.”
9.9.15
Fotos despertaram consciências para drama dos refugiados
Teresa Marques Costa, in Correio do Minho
As fotografias de crianças mortas, espelhando o drama dos refugiados em fuga, “talvez tivessem feito mais para o despertar de consciências da Europa do que muitos apelos” que já vinham sendo repetidos. A convicção foi manifestada ontem pelo investigador do Centro de Investigação em Estudos da Crianças (CIEC) da Universidade do Minho (UMinho), Manuel Sarmento, no seminário realizado no âmbito do encontro da rede ‘Construir Juntos’ que decorreu no Centro Cultural e Social de Santo Adrião, em Braga.
O investigador da UMinho lembrou que “o que está hoje a acontecer constituía já objecto de profunda preocupação” por parte das organizações mundiais e que só “tarde e a más horas se está a acordar para este drama”.
Para Manuel Sarmento, o problema dos refugiados só mostra “como as crianças são vítimas dos problemas sociais, das guerras e das situações calamitosas”.
O investigador reforça que “não é mera retórica dizer que as crianças são as primeiras vítimas da degradação e da ruptura social”, já que “a crise que afecta toda a gente tem nas crianças vítimas particularmente notórias, com consequências trágicas, nalguns casos”.
E, se até há consciência do dramatismo, “isso não se transforma em medidas, em políticas de contraciclo a favor das crianças” denuncia Manuel Sarmento, que ontem desafiou os presentes a apontarem qual foi o partido político que trouxe o problema das crianças para o debate político, por exemplo, agora nas eleições legislativas.
É neste contexto que o investigador do CIEC-UM releva o papel das organizações da sociedade civil, como as que integram a rede ‘Construir juntos’, e que têm conseguido, apesar de tudo, minimizar os problemas das crianças, sustentando que ele “tem que ser reconhecido publicamente e qualificado”.
Manuel Sarmento considera que “existe um hiato entre a qualificação técnica das equipas e a forma como elas se confrontam com as dificuldades no trabalho no terreno”.
Presente na abertura do seminário, subordinado ao tema ‘A maioridade de uma rede - paradigma do presente, perspectivas de futuro’, o vice-presidente da Câmara Municipal de Braga, Firmino Marques, reconheceu que “uma resposta partilhada, conjunta, tem muito mais força quando os objectivos que nos propomos solucionar são tão gigantes como aqueles com que nos confrontamos todos os dias”.
Firmino Marques admite também que “o nosso futuro, como sociedade, será aquilo que nós investirmos, sobretudo nas crianças.
O responsável municipal destaca o trabalho em rede e até exemplificou com o projecto ‘Férias fantásticas’ desenvolvido pelo município, através do Banco Local de Voluntariado e só possível com a ajuda de todos, assumindo que “os poderes públicos têm que saber reconhecer este esforço” das instituições.
As fotografias de crianças mortas, espelhando o drama dos refugiados em fuga, “talvez tivessem feito mais para o despertar de consciências da Europa do que muitos apelos” que já vinham sendo repetidos. A convicção foi manifestada ontem pelo investigador do Centro de Investigação em Estudos da Crianças (CIEC) da Universidade do Minho (UMinho), Manuel Sarmento, no seminário realizado no âmbito do encontro da rede ‘Construir Juntos’ que decorreu no Centro Cultural e Social de Santo Adrião, em Braga.
O investigador da UMinho lembrou que “o que está hoje a acontecer constituía já objecto de profunda preocupação” por parte das organizações mundiais e que só “tarde e a más horas se está a acordar para este drama”.
Para Manuel Sarmento, o problema dos refugiados só mostra “como as crianças são vítimas dos problemas sociais, das guerras e das situações calamitosas”.
O investigador reforça que “não é mera retórica dizer que as crianças são as primeiras vítimas da degradação e da ruptura social”, já que “a crise que afecta toda a gente tem nas crianças vítimas particularmente notórias, com consequências trágicas, nalguns casos”.
E, se até há consciência do dramatismo, “isso não se transforma em medidas, em políticas de contraciclo a favor das crianças” denuncia Manuel Sarmento, que ontem desafiou os presentes a apontarem qual foi o partido político que trouxe o problema das crianças para o debate político, por exemplo, agora nas eleições legislativas.
É neste contexto que o investigador do CIEC-UM releva o papel das organizações da sociedade civil, como as que integram a rede ‘Construir juntos’, e que têm conseguido, apesar de tudo, minimizar os problemas das crianças, sustentando que ele “tem que ser reconhecido publicamente e qualificado”.
Manuel Sarmento considera que “existe um hiato entre a qualificação técnica das equipas e a forma como elas se confrontam com as dificuldades no trabalho no terreno”.
Presente na abertura do seminário, subordinado ao tema ‘A maioridade de uma rede - paradigma do presente, perspectivas de futuro’, o vice-presidente da Câmara Municipal de Braga, Firmino Marques, reconheceu que “uma resposta partilhada, conjunta, tem muito mais força quando os objectivos que nos propomos solucionar são tão gigantes como aqueles com que nos confrontamos todos os dias”.
Firmino Marques admite também que “o nosso futuro, como sociedade, será aquilo que nós investirmos, sobretudo nas crianças.
O responsável municipal destaca o trabalho em rede e até exemplificou com o projecto ‘Férias fantásticas’ desenvolvido pelo município, através do Banco Local de Voluntariado e só possível com a ajuda de todos, assumindo que “os poderes públicos têm que saber reconhecer este esforço” das instituições.
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