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29.6.18

Crise dos refugiados: Líderes europeus chegam a acordo sobre migrantes

in Sapo24

França e Espanha defendem centros de desembarque para migrantes "em solo europeu"

Migrações: Primeiro-ministro italiano ameaça com veto na cimeira da UE

"Os 28 líderes da UE concordaram com as conclusões do Conselho Europeu, incluindo sobre imigração", informou o presidente da instituição, Donald Tusk, através do Twitter, ao final de uma noite de complexas negociações.
O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, celebrou o acordo destacando que "a Itália já não está só" sobre a questão. "Este acordo reconhece que a gestão dos fluxos migratórios deve ser organizada com um enfoque integrado, como havíamos pedido, no plano interno e externo, e com um controle de fronteiras", disse Conte.

O primeiro-ministro da Polónia, Mateusz Morawiecki, cujo país se recusou a acolher os refugiados no plano de divisão adotado entre 2015 e 2017, celebrou o "ótimo compromisso". "Há declarações sobre recolocações de caráter voluntário baseadas no consenso".

O que diz o acordo
Neste acordo, o Conselho Europeu compromete-se a "impedir o regresso aos fluxos descontrolados de 2015 e a travar ainda mais a migração ilegal em todas as rotas existentes e emergentes".

A par, o documento prevê "intensificar esforços" para travar contrabandistas e continuar "a apoiar a Itália e outros Estados-membros que estão na linha da frente desta questão".

Foi ainda firmado o compromisso de "face ao recente aumento dos fluxos no Mediterrâneo Ocidental", a União Europeia "apoiar financeiramente e de outras formas todos os esforços conduzidos por Estados-membros, especialmente Espanha, e países de origem e trânsito, em particular Marrocos, para impedir a imigração ilegal".

Reconhecendo a necessidade de uma nova abordagem no acolhimento, os líderes europeus apelam "ao Conselho Europeu e à Comissão Europeia para que "explorem rapidamente o conceito de plataformas regionais de desembarque, em estreita cooperação países terceiros relevantes, bem como com o ACNUR e a OIM."

O documento acrescenta que as plataformas devem operar “fazendo as devidas distinções das situações individuais, em conformidade com o Direito Internacional e sem criar um efeito de chamada”. Os 28 não mencionam diretamente os países envolvidos pois os Estados devem dar primeiro o consentimento sobre a instalação das infraestruturas nos respetivos territórios .

Acresce o documento que os que forem acolhidos devem ser transferidos para centros de acolhimento na União Europeia. O objetivo é que estes centros procedam à distinção entre refugiados e migrantes económicos. A recepção de migrantes e eventual relocalização e reinstalação será de cariz "voluntário", tendo por vista um "esforço partilhado" dos Estados-membros.

O Conselho Europeu reconheceu ainda que travar o problema migratório requer uma "mudança transformação substancial socioeconómica do continente africano".

Por fim, o "Conselho Europeu recorda a necessidade de os Estados-Membros assegurarem o controlo eficaz das fronteiras externas da União Europeia (UE), com o apoio financeiro e material da UE", sublinhando a necessidade de acelerar significativamente o regresso aos países de origem dos migrantes irregulares na UE.

Uma negociação complexa
A reunião começou às 15 horas (13:00 em Lisboa) em Bruxelas e prolongou-se durante mais de 13 horas, nove das quais foram dedicadas ao debate migratório e sob a ameaça de um possível veto de Itália e as reticências do Grupo de Visegrado (Polónia, Hungria, República Checa e Eslováquia).

No arranque das negociações, a Itália estava a bloquear a adoção de conclusões comuns sobre vários temas discutidos na primeira parte da cimeira europeia em Bruxelas com o objetivo de forçar uma solução sobre os imigrantes. A decisão italiana impedia, inclusive, o anúncio das conclusões dos 28 mandatários europeus sobre defesa e comércio.
Conte, cujo governo populista fechou os portos nas últimas semanas a barcos como o "Lifeline" e o "Aquarius", com migrantes socorridos no mar, havia ameaçado vetar a declaração conjunta caso não obtivesse "ações concretas" dos seus pares, como uma maior partilha da responsabilidade.

"A Itália não precisa de mais palavras, mas de atos concretos. Chegou a hora e, desse ponto de vista, (...) estou disposto a agir de acordo com isso", se não houver resposta às exigências italianas, declarou Conte ao chegar à cimeira de dois dias em Bruxelas.

Três anos depois da maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, o acolhimento dos imigrantes continua a colocar os 28 países da UE em disputa, apesar da sua vontade de darem, unidos, um novo impulso ao bloco face à saída do Reino Unido em março do ano que vem (Brexit).

A Alemanha também simboliza a crise política vinculada à migração. A outrora influente chanceler Angela Merkel enfrenta a ameaça do seu ministro do Interior de impedir, de maneira unilateral, a entrada de solicitantes de asilo procedentes de outros países da UE.

O chefe do governo espanhol havia pedido "solidariedade" para com demais países, "especialmente com a Alemanha, que está a sofrer uma crise política", mas Roma rejeitava-se a concentrar-se apenas em responder as exigências alemãs para salvar Merkel.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, advogou à chegada por "fortes controlos de fronteira" para evitar a "invasão" de imigrantes.

Plataformas de desembarque
A Hungria faz parte dos países do Grupo de Visegrado, contrários a uma divisão de migrantes entre os países do bloco, conforme proposto por Itália e por alguns países do Mediterrâneo para reformular o Regulamento de Dublin.

Esta legislação europeia, cuja reforma os 28 tentam levar para a frente há mais de dois anos, estabelece que o país europeu onde um migrante pisa pela primeira vez é responsável por administrar o seu pedido de proteção internacional.

A "minicúpula" de 16 no domingo expôs o leque de opções colocadas pelos governos europeus para blindar o bloco: "centros fechados" na Europa, uma maior cooperação com os países de trânsito e de origem dos migrantes, ou reforçar a Frontex, a agência que ajuda os países na gestão das suas fronteiras externas e contribui para a harmonização dos controlos fronteiriços da UE.
Outras propostas sobre a mesa era a de criar "plataformas regionais de desembarque fora da Europa", para onde transferir os migrantes socorridos no mar e fazer uma seleção. Embora se falasse do norte da África, o Marrocos descartou este conceito esta quinta-feira.

Algumas destas medidas acabaram por avançar no compromisso firmado esta madrugada.

A "cúpula das cúpulas", nas palavras de um funcionário europeu de alto escalão, deixa em segundo plano a difícil negociação do Brexit, dominante nas reuniões anteriores, e o balanço que pode fazer a primeira-ministra britânica, Theresa May, sobre esse processo.
(Notícia atualizada às 09h38)

2.12.15

Eurodeputados portugueses querem Europa a assumir responsabilidades em Calais

in SicNotícias

Os eurodeputados Marisa Matias (BE) e Miguel Viegas (PCP) criticaram esta terça-feira as instituições europeias por não assumirem responsabilidades em relação a refugiados, como os que estão na denominada selva de Calais (França).
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Integrados numa delegação do Parlamento Europeu (PE) da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL), os dois eurodeputados portugueses mantiveram durante todo o dia contactos com associações de apoio e habitantes do acampamento francês, situado junto à fronteira com o Reino Unido.

Depois de percorrer chão enlameado e ver tendas que servem de casas temporárias, Marisa Matias garantiu não ser aquela "seguramente a Europa que nós queremos" e que o "velho continente" deve "assumir responsabilidades pelas consequências associadas a conflitos".

Para a eurodeputada, "não pode ser possível achar que é possível conviver com estas condições de vida" sem "nenhum dos valores europeus associado".

Relatando a experiência de receber pessoas nomeadamente na fronteira da Síria em "situação muito dramática", a bloquista assumiu que para Calais tinha "expectativa e algum nervosismo" por ir encontrar pessoas que fizeram um caminho de "mais dois/três anos" até França.

"De certa maneira surpreendeu-me a calma, a organização, a forma como as pessoas se tentam organizar em comunidade, em circunstâncias abaixo de qualquer condição de dignidade humana. Mas obviamente não me descansa, não me resigna e é preciso vir aqui, vir aos sítios, não é só falar sobre as pessoas, é falar com as pessoas", resumiu.

Marisa Matias quer o fim da "lógica securitária e da criminalização das pessoas que procuram uma vida melhor", argumentando que os "países europeus têm obrigação de pôr a vida humana à frente dos negócios das armas e do petróleo".

"Aqui é mais um monumento à hipocrisia. Temos uma união europeia que manda bombas para a Líbia, para a Síria, para o Iraque, e para o Afeganistão e depois quando se trata de arcar com as consequências, assobia para o lado", afirmou, por seu lado, Miguel Viegas.

O eurodeputado do PCP notou que União Europeia "tem todas as condições para resolver desde que haja vontade política e assumir as suas responsabilidades", dizendo que as condições em que se encontram os refugiados em Calais deviam "levantar a maior indignação".

"É preciso resolver a questão da aspiração de qualquer pessoas de chegar a um destino e poder efetivamente optar por uma vida diferente da que tinha no país de origem", defendeu o português, que ouviu no acampamento exemplos de situações de famílias separadas.

Para o eurodeputado comunista, as "instituições europeias têm de olharem para este problema de frente, têm que se deixar de hipocrisias e devem dar condições para as pessoas viverem".

Pela sua parte, o eurodeputado garantiu que ir ao terreno deu "conhecimento concreto e mais força, alento e convicção para através de todos os instrumentos do PE confrontar a Comissão Europeia" e evitar que seja um assunto que seja esquecido.

Lusa

Autoridades avaliam envio de polícias europeias para África para travar fluxos migratórios

in o Observador

O diretor nacional adjunto do SEF, Luís Gouveia, disse que está a ser analisado o envio de polícias europeias para o Níger para limitar o fluxo de pessoas que pretendem chegar à Europa.

O diretor nacional adjunto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Luís Gouveia, disse que está a ser analisado o envio de polícias europeias para o Níger para limitar o fluxo de pessoas que pretendem chegar à Europa.

Luís Gouveia fala aos jornalistas no início de um encontro de altos funcionários e peritos de 55 países europeus e africanos a decorrer no Porto no âmbito do Processo de Rabat — Diálogo Euro-Africano sobre Migração e Desenvolvimento.

Na reunião serão discutidos os resultados da recente Cimeira de Valleta sobre migração, seguindo-se o trabalho em ações concretas contra a imigração ilegal organizada e o tráfico de seres humanos, nomeadamente projetos para o norte de África, África central e ocidental, bem como para a União Europeia.

Uma das medidas em análise será, precisamente, o envio de polícias europeias para o Níger e países daquela zona africana, por onde passam a maioria dos fluxos migratórios.

Questionado pelos jornalistas sobre datas e países participantes, Luís Gouveia disse não existirem ainda pormenores sobre esta operação, nem sobre a participação do SEF, uma vez que está dependente de “muitos fatores”, nomeadamente da autorização dos países em causa.

“Esta reunião, que inicia a quarta fase do Processo de Rabat, que é um diálogo intergovernamental que já decorre há 10 anos, visa, sobretudo, nesta fase, operacionalizar, tornar concretas as medidas quer do Programa de Roma, quer mais recentemente na Cimeira de Valleta onde foi aprovado um plano de ação”, referiu.

Nesse ponto de vista, “aquilo que vamos discutir com os parceiros africanos é quais são os projetos concretos e como é que se irão financiar esses projetos para implementar essas decisões politicas que foram tomadas pelos chefes de estado e de governo nessas importantes cimeiras que referi”.

O Processo de Rabat é um diálogo existente entre a União Europeia e países de África que visa abordar de uma forma global toda a questão das migrações, colocando ênfase não só nas questões securitárias, retorno, readmissão, controlo de fronteiras e luta contra o tráfico de seres humanos, mas também com as questões relacionadas com o desenvolvimento e as sinergias existentes entre o desenvolvimento e as migrações, tentando potenciar o desenvolvimento nos países de origem que no caso são os países africanos.

“Nesse ponto de vista, obviamente, que potenciando o desenvolvimento estamos também a contribuir para uma melhor gestão das migrações e de certa forma, também, limitar o fluxo de pessoas em busca de melhores condições de vida na Europa”, frisou.

Acrescentou que o que se está a tentar fazer neste encontro do Porto é “aumentar a cooperação e a troca de informações entre as autoridades quer dos países da União Europeia, quer dos países de África que neste caso participam neste diálogo regional que são os da África ocidental”.

26.11.15

Cinco semanas num campo de refugiados mudaram a vida dela

Ana Maria Henriques, in "P3"

Por causa de uma intoxicação alimentar, Sara Almeida e Jack Lewis decidiram fazer voluntariado com refugiados. Juntos viajaram até à ilha de Lesbos, na Grécia, e lá ficaram cinco semanas. "Uma das coisas que mudou em nós foi o respeito que temos por qualquer pessoa que encontremos na rua", confessou a jovem portuguesa ao P3. Um testemunho na primeira pessoa

“Depois de termos vivido na Nova Zelândia por um ano, o meu namorado [Jack Lewis] e eu fizemos uma viagem pela Ásia. Quando estávamos no Laos tivemos uma intoxicação alimentar e ficámos presos no hotel, onde a CNN era o único canal em inglês. Foi no dia em que o Aylan Kurdi morreu. Todas as notícias que víamos eram sobre refugiados. Fez-se um clique e decidimos que tínhamos de fazer algo. Estávamos numa fase sem compromissos, sem emprego, sem casa e tínhamos algum dinheiro poupado. Começámos logo a tentar contactar organizações e, três ou quatro dias depois, os Médicos do Mundo disseram-nos onde éramos precisos e marcámos a viagem. Tínhamos completa noção de que não percebíamos nada do que se estava a passar e deixámos tudo a cargo da organização.

Fizeram-nos uma espécie de entrevista, pediram-nos currículos e diplomas da universidade e enviaram-nos um e-mail a dizer que o sítio onde precisavam de nós era Lesbos, na Grécia. Chegámos à ilha a 2 de Outubro e ficámos lá, no campo de Moria, perto de cinco semanas.

O primeiro impacto foi logo na viagem. Íamos num voo ‘charter’ de uma empresa de viagens e o avião ia cheio de turistas que bebiam ‘cocktails’. Lembro-me de o piloto dizer para nos divertirmos nas férias e fomos os únicos que, quando saímos do avião, não fomos ter com os agentes de viagem. Ao apanharmos o autocarro do aeroporto para a cidade vimos logo que estávamos no sítio certo: em todos os espaços verdes havia sinais de que já lá tinham estado pessoas a viver ou a acampar, em algumas rotundas ainda havia pessoas.

Os coletes salva-vidas também faziam parte da cidade. Era impossível ignorar o que estava a acontecer. Só fomos dois dias ao Norte da ilha, aonde chegavam os barcos, a 50 quilómetros do campo. Essa é a distância que os refugiados têm que fazer a pé. Era surreal porque o caminho estava cheio de coletes, em penhascos ou em cima de árvores, e conseguíamos imaginar as pessoas a chegar lá, a meio da noite. Os escuteiros limpavam as praias, mas no dia seguinte estavam na mesma. Muitos dos coletes não eram de boa qualidade e os refugiados, em vez de apertarem o fecho, amarravam as tiras para se sentirem seguros. Quando chegavam, rompiam com uma faca para os tirarem e deixavam-nos.

No primeiro dia, quando decidimos ir passear no centro da cidade, voltámos para casa 10 minutos depois porque eu estava com medo. Eram milhares de refugiados à minha volta. O porto onde as pessoas apanham o ‘ferry’ para Atenas é no meio da cidade e, quando já compraram o bilhete ou estão à espera do barco, elas amontoam-se todas no centro. No dia seguinte percebi quão estúpida tinha sido. Quando lá fomos durante o dia foi uma situação completamente diferente: todas as pessoas que conhecíamos davam-nos comida, faziam perguntas, abraçavam-nos, agradeciam-nos. A partir daí percebi que havia uma discrepância entre aquilo que ouvia nas notícias e a realidade.

Num dia normal começávamos às 14horas e acabávamos pelas 22horas. Escolhemos esse turno porque era o que tinha menos voluntários e muita gente não o queria fazer. No campo onde estávamos é feito o registo dos refugiados e os Médicos do Mundo têm um gabinete. Os contentores estavam organizados da seguinte forma: polícia, roupas, Médicos do Mundo. Toda a gente que passava pela polícia passava também por nós, que estávamos à porta do contentor das roupas e víamos aquilo de que as pessoas podiam precisar. Havia crianças sem sapatos ou sem casaco, pessoas molhadas do barco. O nosso trabalho era distribuir o mais possível por toda a gente.

O drama que acontece todos os dias é o pior. O desespero das pessoas quando não sabem de algum familiar que desapareceu e que não é possível encontrar… Quando choveu, o desespero atingiu níveis incompreensíveis. Num dia normal dávamos roupa a qualquer pessoa molhada. Com chuva, toda a gente estava molhada e era impossível dar a todos. Como tínhamos muitos lençóis de cama, achámos que os podiam usar como cobertores ou toalhas. Depois de fecharmos o contentor, eu estava a caminhar e vi um dos lençóis de cama a tremer, no meio do lixo. Era uma criança, com quatro ou cinco anos, nua e sozinha. Fiquei a olhar para ela e achei que aquilo não estava a acontecer… Peguei na criança, embrulhei-a no lençol e perguntei de quem era. Um pai desesperado, também ele encharcado, que estava na fila para os papéis, disse que era dele. Abri de novo o contentor e fiquei agarrada à criança, a tentar recompor-me. Tirei-lhe o lençol, sequei-a, vesti-a e fiz um dos sacos que nós dávamos, com fraldas, água, pasta e escova dos dentes, champô. Aquele pai tinha mais duas crianças na mesma situação: nuas num lençol, a única coisa seca.

Tal como eu, muito poucos voluntários sabem como se devem fazer as coisas em condições. Fazem o melhor que podem com aquilo que sabem, e às vezes não é o suficiente.

O número de pessoas no campo variava muito. Havia dias em que eram 4.000, outros 500. Quando chegam dos barcos, vão a pé até a campo e têm que ir imediatamente para a fila dos papéis [para a obtenção do estatuto de refugiado]. Ficam na fila o tempo que for preciso para os conseguirem. Depois vão-se embora. Percorrem os dez quilómetros até ao porto de Lesbos e compram o bilhete do ‘ferry’. No porto, a situação ainda é pior porque não há organizações, é um parque de estacionamento. Quem acampa em Moria é quem já não tem dinheiro para continuar a viagem.

A situação muda todos os dias. Neste momento não estão a chegar barcos a Lesbos e qualquer informação que tenha sido dada na semana passada já está desactualizada. A melhor maneira de saber o que é necessário é consultar o site Refugeemap.com, que todos os dias é actualizado e tem um ponto para cada localização. Em termos gerais, é preciso encontrar uma maneira segura de as pessoas chegarem a Lesbos. Esse é o maior problema a ser resolvido e não passa por voluntários. Em termos particulares, são precisas meias, casacos de Inverno.

Existem muitas pessoas a organizarem-se e a fazerem ‘kits’ ou mochilas. Eu sou de Ovar e criámos um movimento civil, o ‘Ovar, Vamos Ajudar?', com um evento solidário para angariar fundos. O Jack e eu vamos distribuir essas mochilas com uma barrita de energia, gorros, meias, cachecóis, garrafas de água. Ainda não sabemos para onde nos vão mandar, mas estamos em contacto com os Médicos do Mundo de França e talvez Calais seja o destino. Quando estava em Lesbos, se alguém me contactasse a dizer que tinha uma quantia para gastar, eu sabia o que fazer. Se eram precisos medicamentos, ia à farmácia e comprava. Ou então comprava meias ou pão de forma para distribuir por quem estava nas filas. Acho que a melhor maneira de ajudar é acolher as pessoas nas suas cidades, como Ovar fez agora com a família do Ali. É preciso confiar nos refugiados, da mesma maneira que eles vieram à confiança para encontrar algo melhor na Europa, e fazê-los sentirem-se bem vindos.

Ainda estou um bocadinho adormecida pela experiência, não tive tempo de não falar do assunto. O Jack e eu apercebemo-nos de que uma das coisas que mudou em nós foi o respeito que temos por qualquer pessoa que encontremos na rua.”

17.11.15

Refugiados. “E se nos sentássemos à mesma mesa?”

Christiana Martins, in Expresso

Como resolver a integração dos refugiados nos países de acolhimento? À mesa. Pelo menos é o que acreditam os alunos que venceram o concurso da Escola de Gestão da Universidade Nova de Lisboa que tentaram no último sábado encontrar uma saída para a crise da Europa

Jessica, uma alemã de 25 anos, em Portugal há 12 meses e de partida para São Paulo, colocou os seus receios à Luísa, também alemã, com a mesma idade e quase a rumar a Viena, que concordou. De volta das férias do verão, o tema dos refugiados estava em todas as conversas de alunos e professores. Serão os refugiados que estão a chegar maciçamente à Europa um problema ou uma oportunidade?

Ambas vivem em Lisboa e estudam na Nova Business School, a faculdade que o “Financial Times” colocou entre as 30 melhores da Europa na área. Decidiram que o tema deveria ser debatido e os alunos convocados para encontrar propostas de solução. O diretor da instituição, Daniel Traça, alinhou. Os alunos corresponderam. Em cerca de um mês, tinham em mãos cerca de 70 candidaturas. Destas, 40 passaram à competição, em grupos formados pela própria organização.

No dia a seguir aos atentados em Paris, apesar do choque, ninguém se demoveu: a integração dos refugiados é a única saída. Os candidatos e alguns professores, tentaram, então, encontrar respostas e o grupo vencedor chegou à conclusão que o melhor é sentarem-se todos à mesa.

“A ideia surgiu à hora do almoço, enquanto comíamos. Lembrei-me de uma mulher que conheci em Moçambique e de como ela sempre disse que os estrangeiros gostavam da comida africana e de como era possível fazer contactos durante as refeições”, conta a alemã Karoline, do grupo vencedor.

E foi com a frase “você tem de provar uma cultura para a entender”, de Deborah Cater, autora britânica de livros de viagem, que o grupo vencedor encerrou a sua apresentação. Uma ideia que passa por uma mesa, algumas cadeiras, um website e, sobretudo, o conceito da partilha. Na proposta vencedora, os refugiados estenderiam a toalha, preparariam a comida, com base em receitas tradicionais dos seus países de origem, e colocariam os pratos à mesa. Os locais ofereceriam a sala, a mesa e as cadeiras.

Todos sentados de boa vontade e preparados para falar. E comer. Assim, sem grande protocolo, seriam abordados os problemas de cada um e, o que poderia ser uma situação de confronto, transformar-se-ia numa situação de partilha. Com os estereótipos como refeição principal e o diálogo como talheres, tentar-se-ia desmontar incompreensões.

A ideia foi criada para ser concretizada na Alemanha, pensada para que se recorresse aos media sociais, às instituições de apoio social e de acolhimento e às associações não governamentais envolvidas no processo de receção. Os anúncios seriam colocados nos centros comunitários, junto dos interlocutores nos campos de refugiados e a divulgação dos casos de sucesso seria feita nos meios de comunicação tradicionais. Os custos seriam uma responsabilidade dividida entre as famílias de acolhimento, os patrocinadores e uma recolha de fundos.

Yan Qin, chinesa, Juli Lubig, alemã, Frederico Zanuttini, italiano, Karoline Hormann, alemã, e Yusuf Nural, turco, o único que não é aluno da Nova, mas do ISCTE, não ganharam qualquer prémio em dinheiro. Nenhuma viagem. Nenhuma medalha. Ganharam um vinho do patrocinador, e, principalmente, como explicaram ao Expresso, “ganharam experiência e a possibilidade de alargar as redes de contacto”.

NO SÁBADO A SEGUIR A PARIS
Cerca de 40 alunos estiveram reunidos no último sábado, pouco depois de conhecidas as notícias dos atentados de Paris, à procura de uma solução para a crise dos refugiados. Em três horas, tinham de apresentar uma solução.

Inserida na rede CEMS, que integra quarto melhor mestrado do mundo em Gestão, A Nova é considerada a única escola portuguesa com parâmetros compatíveis com as escolas da Global Alliance in Management Education -, onde estão algumas das melhores instituições de Economia e Gestão do mundo.

Para aceder ao programa, os estudantes, como Jessica e Luísa, devem frequentar um dos três mestrados base da Nova SBE (Economia, Finanças ou Gestão), no segundo ano, passem um semestre em Lisboa e outro numa das restantes 29 escolas que fazem parte da rede global CEMS. A conclusão do mestrado implica ainda um estágio internacional com a duração mínima de 10 semanas consecutivas numa empresa, localizada no estrangeiro.

“Já não é possível gerir olhando para a secretária, o mais importante é levantar a cabeça e olhar para o mundo e é isso que passamos aos nossos alunos”, explica Daniel Traça, diretor da Nova Business School. Ele próprio leciona uma disciplina que sublinha a importância do desenvolvimento da responsabilidade civil e empenha-se em que os alunos participem em programas de voluntariado.

Este ano, mais de 50 por cento dos candidatos à escola eram estrangeiros e vinham de mais de 80 países diferentes: Alemanha, Itália, França, China, Áustria, Índia e Noruega, por exemplo. Atualmente, 40 por cento dos alunos e 30 por cento dos professores são estrangeiros, apresentando mais de 60 nacionalidades diferentes. E mais de 40 por cento dos alunos desenvolvem carreiras internacionais. A faculdade garante ainda que todos os alunos têm empregabilidade a 100 por cento, seis meses após terminarem a formação.

“Os nossos alunos têm de ter os olhos levantados para o mundo. Não adianta fingir que os problemas e os desafios não existem, porque, um dia, saltam-nos para a cara”, explica Daniel Traça e, como bom professor da área da gestão, criou em frente ao Expresso uma fórmula para o sucesso: A3, ou seja, “estar consciente (aware), agir (act) e ser-se responsável pelo resultado (accountable)”.

13.11.15

Rota da esperança. Mais de 800 mil migrantes chegaram à Europa via Mediterrâneo

In Rádio Renascença

Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados alerta para sobrelotação em Lesbos. Ilha tem registado uma média diária de 3.300 chegadas.

Mais de 800 mil migrantes e refugiados chegaram em 2015 à Europa através do Mediterrâneo. O número é da ONU, alertando para a situação na ilha grega de Lesbos, onde milhares dormem ao relento.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), 806.000 migrantes e refugiados atravessaram em 2015 o Mediterrâneo para chegar ao território europeu, dos quais a grande maioria, 660.700, passou pela Grécia e pelas ilhas gregas do mar Egeu.

Um total de 3.460 migrantes morreu ou desapareceu durante a travessia, indicaram os mesmos dados.

Só no passado mês de Outubro, e apesar das más condições meteorológicas, 210.000 pessoas chegaram ao território grego, a maioria à ilha de Lesbos, a principal porta de entrada dos migrantes na Europa.

Este fluxo não abrandou em Novembro, referiu o ACNUR, indicando que esta ilha tem registado uma média diária de 3.300 chegadas.

"Com o Inverno a aproximar-se, as condições de acolhimento e as capacidades de permanecer [em Lesbos] são muito limitadas e insuficientes", declarou um porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, num encontro com a comunicação social em Genebra.

De acordo com o ACNUR, Lesbos dispõe unicamente de 2.800 lugares de acolhimento, um número bastante pequeno para responder às necessidades dos cerca de 16 mil migrantes e refugiados que estão actualmente na ilha.

Como consequência, lamentou a agência das Nações Unidas, "muitas pessoas, incluindo mulheres, crianças e recém-nascidos, não têm outra escolha a não ser dormir ao relento, acendendo fogueiras para se aquecerem".

Além disso, segundo destacou a organização, "esta situação está a criar problemas de segurança e é um motivo de tensão com a população local".

"É um desafio extremamente difícil para uma única ilha", sublinhou a vice-directora do ACNUR, Diane Goodman, numa teleconferência a partir de Atenas.

A representante explicou que o ACNUR foi a única agência das Nações Unidas presente em Lesbos, com apenas 30 - que serão em breve 40 - trabalhadores humanitários.

Diane Goodman apelou às autoridades locais para arranjarem mais locais para acomodar as pessoas e para melhorarem o sistema de registo.

Cerca de 62% dos migrantes e refugiados que chegam à Grécia são oriundos da Síria, 23% do Afeganistão e 7% do Iraque, segundo a ONU.

Migrantes: Portugal contribui com 250 mil euros para fundo de auxílio

In RTP

Portugal vai contribuir com 250 mil euros para o fundo de mais de 1,8 mil milhões de euros de apoio de emergência da União Europa (UE) a África, no contexto da crise dos refugiados.

Com a assinatura do ministro dos Negócios Estrangeiros em exercício, Rui Machete, Portugal comprometeu-se a doar 250 mil euros, numa lista de países doadores encabeçada pela Holanda, que contribui com 15 milhões de euros.

Os 1,8 mil milhões de euros da Comissão Europeia provêm do orçamento comunitário e do Fundo Europeu de Desenvolvimento.

Itália e Alemanha contribuirão com dez milhões de euros cada um, seguindo-se a Finlândia, com cinco milhões, e a Suíça, com 4,6 milhões de euros.

A Croácia, o Chipre e a Grécia ficaram de fora deste compromisso, enquanto que, com menores participações (50 mil euros), estão Bulgária, Lituânia, Letónia e Eslovénia. O país anfitrião da cimeira, Malta, contribui com 250 mil euros.

O fundo destina-se à região do Sahel (Burkina Faso, Camarões, Chade, Gâmbia, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal), aos países do Corno de África (Djibouti, Eritreia, Etiópia, Quénia, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Tanzânia e Uganda) e ao Norte de África (Marrocos, Tunísia, Líbia e Egito).

A oficialização do apoio financeiro aconteceu esta manhã, no segundo e último dia da cimeira euro-africana sobre migrações, a decorrer em Malta, onde 93 delegações, entre membros da União Europeia, países africanos, Nações Unidas e representantes da sociedade civil e organizações não-governamentais promoveram um encontro, com o objetivo declarado de produzir uma declaração política e um plano de ação com "abordagem prática".

12.11.15

UE aumenta apoio a África para diminuir fluxo de migrantes

In Jornal de Negócios

UE aumenta apoio a África para diminuir fluxo de migrantes União Europeia irá atribuir mais apoio aos países africanos. No entanto, em troca pede colaboração dos parceiros africanos no controlo do elevado fluxo de migrantes que procura a Europa. A União Europeia vai atribuir mais ajuda humanitária, acesso facilitado a vistos, bem como um corte no custo do envio de verbas dos migrantes na UE. Em troca, os parceiros africanos deverão ajudar a diminuir o fluxo de migrantes que procura a Europa.

O acordo citado pela Reuters foi apresentado em Malta que recebe até esta quinta-feira uma cimeira que junta líderes europeus e africanos, organizações não-governamentais e representantes da sociedade civil, com vista à criação de declaração política e um plano de acção que contribua para a resolução da crise de migrantes e refugiados.

Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, marcou a sua presença na cimeira onde defendeu que "as rotas para a migração legal para a Europa devem manter-se abertas" e sublinhou a urgência de contrariar o tráfico e contrabando humano, um problema também já referenciado pela OCDE. "Devemos fazer mais para prevenir o tráfico humano", afirmou Tusk.

À semelhança de reuniões anteriores, Juncker convidou os Estados-membros a contribuírem para aumentar averba de 1,8 mil milhões de euros prevista no Fundo de Emergência, que "não serão suficientes". "Não queremos que esta migração seja a causa de divisão entre África e Europa Devemos saber reconhecer as virtudes e vantagens da migração", notou Juncker. Já a presidente da União Africana advertiu que esta não é uma situação que possa ser solucionada com medidas a curto prazo.

6.11.15

Refugiados e práticas de integração em discussão na UMinho

In Correio do Minho

A delegação da Universidade do Minho da ELSA - Associação Europeia de Estudantes de Direito organiza esta quinta-feira, a conferência “A fuga para a Europa: Pelos refugiados?”. A iniciativa conta com a parceria da Amnistia Internacional, tendo lugar no auditório nobre da Escola de Direito, no campus de Gualtar, em Braga. 

A sessão inclui as intervenções de Luís Filipe Guerra, do Observatório dos Direitos Humanos, Cristina Gatões, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Maria do Céu Pinto e Assunção do Vale Pereira, professoras de Relações Internacionais e de Direito Internacional Público na UMinho, respetivamente, além de uma representante da Amnistia Internacional-Braga, entre outros.

“Este evento pretende avaliar as implicações político-sociais desta vaga que colocou à prova a Europa e a política da União Europeia e do espaço livre”, explica a organização.


Entretanto está agendada a aula aberta “Migrações e Refugiados na Europa: Práticas de Integração e Migração Cultural”, que decorre amanhã, dia 3, às 14h00, no anfiteatro 104 do Complexo Pedagógico II, também no campus de Gualtar. Conta com a presença de Sónia Diz Rodrigues, coordenadora do Centro de Apoio à Integração de Imigrantes da Cruz Vermelha Portuguesa - Braga, e Ana Maria Silva, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da UMinho. A iniciativa realiza-se no âmbito da unidade curricular “Metodologias das Ciências Sociais”, integrada na licenciatura em Sociologia do Instituto de Ciências Sociais. A entrada é livre.

Migrantes: Amnistia Internacional critica UE

In Jornal de Notícias

Migrantes Amnistia Internacional critica UE A Amnistia Internacional criticou ontem a União Europeia (UE) e o Governo grego por continuarem de -braços cruzados" relativamente ao problema dos migrantes, enquanto "dezenas de vidas se perdem diariamente no mar Egeu" Para AI, a UE revela falta de vontade política.

Apoio a refugiados não porá em causa proteção dos portugueses

In Jornal de Notícias

O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, assegurou, esta quinta-feira, que os apoios dados aos refugiados nunca colocarão em causa a proteção social dos portugueses que "ainda estão a passar por dificuldades".

A Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) divulgou os resultados da campanha PAR -- Linha da Frente de recolha de fundos para apoiar os refugiados no Líbano, através do trabalho da Cáritas e do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS).

Em declarações à agência Lusa, Eugénio Fonseca disse que nenhum destes apoios irá colocar em causa o apoio dado aos portugueses carenciados.

"Essa é a garantia que queremos dar e mesmo os que vêm para aqui [refugiados] com certeza que hão de ter as mesmas condições de proteção social que os nossos têm e não hão de ter a mais, porque isso não seria admissível", frisou.

Portanto, sustentou, "eu quero garantir que a Cáritas continuará a fazer o seu trabalho de apoio às famílias em situação de carência [em Portugal] como tem estado a fazer até agora".

Sobre o apoio dado pelos portugueses para ajudar os refugiados no Líbano, Eugénio Fonseca disse que, mais uma vez, demonstraram a sua solidariedade.

"O povo já nos habituou a ser solidário", mas não podemos exigir-lhe" mais do que aquilo que pode dar", disse o responsável, defendendo que outras entidades devem associar-se a "esta boa vontade do povo".

As necessidades dos refugiados "são tão grandes" que terá de haver sempre "uma dinâmica de solidariedade", devendo ser chamadas "ao compromisso outras entidades, que têm também esse dever de cidadania, de responsabilidade social de se associarem a esta boa vontade do povo. O Povo só não chega", sublinhou.

A Plataforma de Apoio aos Refugiados, que reúne várias organizações da sociedade civil portuguesa, inclui duas áreas de atuação: uma focada no acolhimento e integração de crianças refugiadas e das suas famílias em Portugal, e outra focada no apoio aos refugiados no seu país de origem.

A UNICEF também tem vindo a desenvolver um trabalho especificamente dedicado às crianças na Síria, com projetos locais.

A decisão de Portugal acolher cerca de 4.500 pessoas, ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados na União Europeia (UE), foi avançada em setembro passado e as organizações envolvidas neste processo criaram um plano de acolhimento, mas continuam sem saber a data da chegada do primeiro grupo.

Segundo Rui Marques, existe nesta altura em Portugal "capacidade instalada de 420 pessoas".

Na segunda-feira serão assinados "mais 30 protocolos com instituições anfitriãs" que subirão essa capacidade para 650 pessoas, avançou o coordenador da PAR.

Peritos portugueses ainda não receberam processos para aprovação dos refugiados

Ana Dias Cordeiro, in Público

O primeiro grupo ainda não tem data para chegar. Talvez Novembro, avança o SEF. Peritos portugueses ainda não receberam os processos para aprovação dos refugiados sírios, iraquianos ou eritreus, que deverão vir para Portugal.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) continua sem saber quando, como ou quem virá no primeiro grupo. Mas este organismo do Estado que coordena o processo de acolhimento dos 4574 refugiados em Portugal, nos próximos dois anos, acredita que um primeiro conjunto de 50 ou 60 pessoas poderá aterrar em Lisboa no mês de Novembro, depois de falhada a primeira previsão de Outubro.

Em princípio, as pessoas irão de imediato para os locais onde o acolhimento será da responsabilidade da instituição escolhida pelo SEF para os receber. É possível visualizar um primeiro mapa das propostas de acolhimento de fundações, associações, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), institutos religiosos, paróquias, empresas, escolas ou freguesias – entidades que, na comunidade, encontraram respostas para a integração de uma ou mais famílias, garantindo cuidados de saúde, o acesso a escolas, a possibilidade de aprender o português e uma oportunidade de trabalho.

Numa primeira fase, até esta quarta-feira, este conjunto de propostas recolhido pela Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), em 16 distritos do país, permite garantir o acolhimento a 435 pessoas (86 famílias), sem contar com as cerca de 100 propostas que já terão sido feitas pelas próprias câmaras municipais. E sem contar com outras que poderão surgir nos mesmos distritos ou naqueles onde ainda não surgiram ofertas – Beja e Bragança. E sem contar com os Açores ou a Madeira, onde o processo ainda está numa fase inicial de recolha de dados sobre as condições existentes em cada região para acolher refugiados.

“É minha convicção que no mês de Novembro chega o primeiro grupo. E é a minha expectativa que as pessoas chegarão em grupos de 50 ou 60”, diz ao PÚBLICO Luís Gouveia, director-nacional adjunto do SEF e coordenador do Grupo de Trabalho para a Agenda Europeia da Migração. Mas di-lo sem certezas, perante o atraso que se verifica no terreno.

As semanas passam sem que os dois oficiais de ligação do SEF tenham recebido qualquer informação ou acesso ao terreno, onde as agências europeias (EASO e Frontex) e as autoridades italianas e gregas identificam as pessoas elegíveis para a protecção internacional que entretanto, todos os dias, continuam a chegar.

“Não estão ainda a trabalhar processos concretos”, diz Luís Gouveia sobre os peritos em asilo que foram enviados há cerca de um mês para Roma e Atenas com o objectivo de acelerar o processo. Só depois de recebidos e analisados esses dossiers, os dois especialistas e o SEF aprovarão (ou não) a vinda dos primeiros refugiados.

O director-nacional adjunto do SEF atribui a demora “às grandes dificuldades enfrentadas” pelas autoridades dos dois países – Grécia e Itália – que continuam a receber dezenas de milhares de pessoas por mês, sem que tenham conseguido recolocar noutros países mais do que cerca de 100 pessoas, entre as quais as que esta semana chegaram ao Luxemburgo. “A chegada das pessoas é avassaladora. É muito difícil qualquer autoridade lidar com a situação”, diz Luís Gouveia.

O responsável dá o exemplo recente da chegada de mais de 210 mil novos refugiados à Grécia só no mês de Outubro. E diz que nos centros de triagem falta capacidade de trabalhar e organizar rapidamente a identificação daqueles que já poderiam estar a partir para os países que os vão acolher.

“[Nas chegadas] há seguramente fluxos mistos, de pessoas a necessitar de protecção internacional e de migrantes económicos que tentam chegar aos países europeus pelas mesmas vias”, explica. Luís Gouveia lembra que, como definido pelo Conselho Europeu, o programa de recolocação só se aplica a nacionalidades cuja taxa de reconhecimento do estatuto de refugiado esteja acima dos 75% – Síria, Iraque e Eritreia.

“Os casos de migrantes provenientes de outros países terão de ser analisados ao abrigo dos sistemas nacionais de Itália e Grécia. Não serão incluídos para já no processo de recolocação”, garante. Seja como for, insiste, “a situação é muito difícil” nos centros de triagem porque o afluxo de pessoas “rebenta com qualquer sistema de selecção”.

Também por isso, Rui Marques, coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), constituída em Setembro, diz que Itália e Grécia precisam do apoio dos outros Estados-membros. Rui Marques volta a criticar “a falta de vontade política” de alguns governos e defende que uma maior iniciativa de países, como Portugal, ajudaria a desbloquear a situação.

“Não tenho informação que me permita indicar onde está o bloqueio”, diz Rui Marques. “Mas penso que Portugal, quando tiver clarificada a sua situação governamental, tem a obrigação, ao nível político, de ser muito mais proactivo na procura de uma solução, junto de outros Estados-membros e das instituições.”

Como? “Oferecendo recursos humanos e técnicos e tendo capacidade de criar um canal de comunicação muito mais próximo com a Itália e a Grécia, que não têm tido a solidariedade suficiente dos restantes Estados-membros. E, se necessário, num contexto bilateral, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, numa iniciativa do Governo”, defende. “Não chega dizer que estamos preparados. Esta questão é importante de mais para ser compatível com uma atitude de espectador passivo.”

Portugueses doaram 125 mil euros para apoiar refugiados

In Correio da Manhã

Os portugueses doaram 125 mil euros para apoiar os refugiados no Líbano, um "contributo muito generoso" que permitirá melhorar as condições de vida destas famílias fugidas da guerra, anunciou esta quinta-feira o coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR).

A recolha de fundos decorre, até ao final do ano, no âmbito do programa PAR - Linha da Frente, que se destina a apoiar os refugiados nos países de origem e vizinhos, através do trabalho realizado no terreno pela Cáritas e o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS).

Durante a sessão de apresentação e status da "PAR Linha da Frente", que decorreu no Museu da Eletricidade, em Lisboa, o coordenador da PAR, Rui Marques, destacou "a generosidade" dos portugueses numa altura em que "vivem dificuldades", mas confessou que o desejo da plataforma é ir "ainda mais longe". No âmbito do projeto, 120 pessoas terão acesso a cuidados de saúde primários e 60 a cuidados de saúde secundários.

"São pessoas que chegam debilitadas, com problemas respiratório, com infeções e a Cáritas tem estado a fazer um trabalho extraordinário no campo da saúde", sublinhou. Objetivo é chegar aos 180 mil euros Há ainda outros apoios complementares que são necessários, como a manutenção das tendas.

"Já enviamos 80 toneladas de roupa para a Jordânia, mas na Síria vamos tentar que em cada tenda haja climatização para o inverno, que é muito rigoroso naquela zona", avançou à Lusa.

Com os fundos recolhidos pela PAR Linha da Frente, o Serviço Jesuíta aos Refugiados Líbano pretende disponibilizar uma refeição diária durante um ano a 1.720 crianças refugiadas sírias de cinco escolas na região do Vale do Bekaa, no leste do Líbano, disse o diretor-geral da JRS, André Costa Jorge. Cada refeição oferecida tem um custo de apenas 0,29 euros, pelo que 102 euros bastam para alimentar uma criança durante um ano, sublinhou André Jorge, acrescentando que para conseguir ajudar todas as crianças envolvidas no projeto, o JRS precisa de angariar cerca de 180 mil euros até ao final do ano.

Cavaco Silva lamenta atraso na recolocação dos refugiados

In Jornal I

Presidente da República salientou que foram muito poucos os refugiados que já foram encaminhados para os países de destino

O Presidente da República lamentou hoje o atraso no processo de recolocação dos refugiados, considerando que, apesar da complexidade do processo, o número já encaminhado para os países de destino é limitadíssimo.

"Portugal dentro da sua tradição humanista tem tido uma posição construtiva e de solidariedade no quadro europeu, solidariedade em relação àqueles países que têm sido mais atingidos. Mas, não podemos deixar de lamentar o atraso com que se tem processado a recolocação dos refugiados, principalmente daqueles que se encontram na Grécia, em Itália, na Hungria", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, no início de um encontro com o coordenador e a comissão executiva da Plataforma de Apoio aos refugiados.

Lembrando que a decisão tomada pela comissão europeia foi a de recolocar 160 mil refugiados, Cavaco Silva sublinhou que o número daqueles que já foram encaminhados para os países de destino é "limitadíssimo", menos de 100 pessoas que foram recebidas no Luxemburgo.

Na intervenção aberta à comunicação social no início do encontro, o Presidente da República reconheceu que "há grande complexidade na tarefa", nomeadamente por causa da questão dos registos, por questões de segurança, insistindo que é necessária uma estreita cooperação para a resolução dos problemas.

Falando perante uma dezena de representantes de instituições envolvidas na Plataforma de Apoio aos Refugiados, Cavaco Silva elogiou esta iniciativa da sociedade civil, sustentando que se trata de um bom "exemplo do espírito de solidariedade e altruísmo do povo português".

O Presidente da República voltou ainda a classificar a atual crise dos refugiados como "o maior desafio que a União Europeia enfrenta", vincando que se trata de uma crise com várias dimensões e que "o problema não está a diminuir", estimando-se que só em outubro mais de 218 mil pessoas tenham atravessado o Mediterrâneo.

"É um problema que mantém plena atualidade", frisou, reiterando que os Estados membros por si não conseguem resolver o problema e que é indispensável "uma solução europeia" e "uma forte cooperação entre todos os estados membros".

Cavaco Silva alertou ainda para o problema da liberdade de circulação de pessoas, considerando que "a Europa não pode prescindir em relação a um dos princípios fundamentais da integração".

Por isso, acrescentou, as limitações introduzidas por alguns países "não podem deixar de ser temporárias", caso contrário "está-se a violar um princípio fundamental em que assenta a construção europeia".

A cimeira de Malta, que irá realizar-se no início da próxima semana, foi igualmente referida pelo chefe de Estado, que insistiu na necessidade de chefes de Estado e de Governo trabalharem em conjunto e procurarem uma solução que inclua os países de acolhimento, os países de trânsito e os países de origem.

Rui Marques, o coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados, partilhou a preocupação do Presidente da República quanto à "lentidão do processo de concretização da decisão de recolocação de 160 mil refugiados", apelando "uma resposta mais eficaz" das instituições europeias. "Aproximamo-nos do inverno, as condições meteorológicas pioram a olhos vistos e estes refugiados precisam de chegar a porto seguro", disse.

Portugal vai receber, no âmbito da recolocação de refugiados, cerca de 4500 pessoas nos próximos dois anos. Em meados de outubro, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) anunciou a disponibilidade imediata para começar a receber 100 requerentes de asilo, depois de ter sido finalizado o levantamento dos recursos disponíveis para o seu acolhimento. Segundo o SEF, o primeiro grupo de 100 pessoas deverá ser proveniente da Síria, Eritreia e do Iraque.

Plataforma de Apoio aos Refugiados apresenta hoje resultados da campanha

In Sic Notícias

A Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) apresenta hoje, em Lisboa, o apoio que está a ser dado aos refugiados e deslocados internos nos países de origem no âmbito da campanha PAR Linha da Frente.

Durante a sessão, que vai decorrer no Museu da Eletricidade, a PAR vai revelar o valor dos donativos angariado até ao momento pela campanha de recolha de fundos, como a Cáritas e o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) estão a ajudar no local de origem dos refugiados e as perspetivas da campanha PAR Linha da Frente.

Segundo a Plataforma de Apoio aos Refugiados, a PAR Linha da Frente permite dar apoio aos refugiados nos países de origem ou vizinhos, através do trabalho da Cáritas e do JRS, recolhendo fundos para apoio ao trabalho local com população em risco e refugiados, permitindo-lhes viver com mais dignidade e segurança.

A PAR indica que, para apoiar os refugiados nos seus países de origem, tem estado a ser feita uma campanha de recolha de fundos para o trabalho da Cáritas e do JRS no Médio Oriente, particularmente no Líbano, no apoio a refugiados e deslocados internos.

Para tal, foi criada uma conta bancária, revertendo a totalidade dos donativos para o trabalho na linha da frente no apoio a estas pessoas.

A PAR, plataforma da qual fazem parte várias organizações da sociedade civil portuguesa, inclui duas áreas de atuação: acolhimento e integração de crianças refugiadas e das suas famílias em Portugal e apoio aos refugiados no seu país de origem.

Portugal vai receber, ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados na União Europeia (UE), cerca de 4.500 pessoas nos próximos dois anos.

Fonte da Comissão Europeia disse à agência Lusa, na quarta-feira, que os primeiros refugiados poderão chegar a Portugal na "próxima semana ou dentro de duas semanas".

Ajuda de portugueses vai dar uma refeição a 1720 crianças durante um ano

In TVI 24

Portugueses doaram 125 mil euros para apoiar refugiados no Líbano.

Numa altura em que a questão dos refugiados está em cima da mesa, foi conhecido o valor que os portugueses doaram aos refugiados no Líbano. Os portugueses doaram 125 mil euros para apoiar os refugiados no Líbano, um “contributo muito generoso” que permitirá melhorar as condições de vida destas famílias fugidas da guerra, anunciou esta quinta-feira o coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR).

A recolha de fundos decorre, até ao final do ano, no âmbito do programa PAR – Linha da Frente, que se destina a apoiar os refugiados nos países de origem e vizinhos, através do trabalho realizado no terreno pela Cáritas e o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS).

Durante a sessão de apresentação e status da PAR Linha da Frente”, que decorreu no Museu da Eletricidade, em Lisboa, o coordenador da PAR, Rui Marques, destacou “a generosidade” dos portugueses numa altura em que “vivem dificuldades”, mas confessou que o desejo da plataforma é ir “ainda mais longe”.
“125 mil euros é muitíssimo bom, mas pretendemos ir ainda mais longe” e atingir os 200 mil euros até ao final do ano, disse Rui Marques.

Em declarações aos jornalistas, Rui Marques acrescentou que a plataforma pretende continuar este contributo para que famílias e crianças sírias refugiadas no Líbano “possam ter um inverno mais confortável”.

“Esta zona é fria, vamos entrar no inverno e é preciso o nosso apoio”, frisou.

Durante a sessão, o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, observou que o Líbano tem uma população de 4,5 milhões de habitantes, aos quais se acrescem mais 300 mil migrantes, 1,2 milhões de refugiados registados e cerca de 300 mil não registados.

Perante esta realidade, a Cáritas considerou que o Líbano seria “o país mais indicado para receber este apoio”.

“Este primeiro projeto que temos, para já, é de 100 mil euros” e decorre entre janeiro e junho de 2016. Destina-se a assegurar a alimentação de 750 pessoas (150 famílias), a quem serão dados ‘vouchers’ alimentares e produtos de higiene, disse Eugénio Fonseca à agência Lusa.

Para Eugénio Fonseca, a entrega de ‘vouchers’ em vez de alimentos é uma iniciativa “muito interessante”, porque permite estabelecer “relações de afabilidade” entre os libaneses e os refugiados, que vão comprar às lojas locais.

No âmbito do projeto, 120 pessoas terão acesso a cuidados de saúde primários e 60 a cuidados de saúde secundários. “São pessoas que chegam debilitadas, com problemas respiratório, com infeções e a Cáritas tem estado a fazer um trabalho extraordinário no campo da saúde”, sublinhou.

Há ainda outros apoios complementares que são necessários, como a manutenção das tendas. “Já enviamos 80 toneladas de roupa para a Jordânia, mas na Síria vamos tentar que em cada tenda haja climatização para o inverno, que é muito rigoroso naquela zona”, avançou à Lusa.

Com os fundos recolhidos pela PAR Linha da Frente, o Serviço Jesuíta aos Refugiados Líbano pretende disponibilizar uma refeição diária durante um ano a 1.720 crianças refugiadas sírias de cinco escolas na região do Vale do Bekaa, no leste do Líbano, disse o diretor-geral da JRS, André Costa Jorge.

Cada refeição oferecida tem um custo de apenas 0,29 euros, pelo que 102 euros bastam para alimentar uma criança durante um ano, sublinhou André Jorge, acrescentando que para conseguir ajudar todas as crianças envolvidas no projeto, o JRS precisa de angariar cerca de 180 mil euros até ao final do ano.

Segundo o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), mais de 70% dos refugiados no Líbano não têm acesso aos valores nutritivos diários recomendados.

Refugiados: Portugal deve fazer acordos bilaterais, defende coordenador

In TVI 24

Coordenador da plataforma dos refugiados voltou a defender um papel mais pró-ativo do estado português.

Sampaio defende bolsas de estudos para estudantes refugiados

In TVI 24

Antigo chefe de Estado defende mecanismo de resposta rápida

O ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, defendeu esta quarta-feira a necessidade da criação de um mecanismo de resposta rápida que permita aos refugiados receberem bolsas de estudo de emergência, para a conclusão dos seus estudos.
"Tenho advogado internacionalmente a necessidade de ser criado um mecanismo de resposta rápida que permita aos refugiados e estudantes de ensino superior de países em guerra, receberem bolsas de estudo de emergência, por forma a poderem concluir a sua formação", disse Jorge Sampaio.

O ex-chefe de Estado português e presidente da Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios, deslocou-se hoje a Castelo Branco, para participar nas comemorações do 35.º aniversário do Instituto Politécnico local.

Sampaio explicou à plateia que se tem debruçado, nos últimos tempos, sobre a questão do papel da educação superior nas situações de emergência, como as resultantes de conflitos.

"A quem caberá senão a eles [refugiados] a reconstrução do país? Quem, senão eles poderão ser os lideres do futuro?", questionou o antigo Presidente da República.

"Este é um tema, tanto mais importante dos nossos dias, quanto o número de refugiados deslocados ultrapassa os 70 milhões e as crises humanitárias se sucedem e multiplicam à nossa volta, requerendo respostas mais rápidas", concluiu.

Refugiados: Portugal disponível para acolher 100 pessoas

A centena de pessoas que Portugal poderá receber em breve integra um total de 2.951, segundo o documento do executivo comunitário.

Metade dos 28 Estados-membros da União Europeia (UE) disponibilizou-se, até ao momento, para receber 1.418 refugiados, com Portugal a garantir que pode receber 100 pessoas, segundo o último balanço da Comissão Europeia.

Ao abrigo do mecanismo de recolocação para acolher 160 mil refugiados pelos países da UE, 14 Estados-membros já apresentaram as suas disponibilidades atuais, o que soma até ao momento 1.418 lugares.

Nos dados fornecidos, a França disponibilizou-se para receber 900 pessoas de um compromisso de 19.714, sendo seguida pela Roménia e Suécia (300) e Finlândia (200).

A centena de pessoas que Portugal poderá receber em breve integra um total de 2.951, segundo o documento do executivo comunitário.

Na lista estão ainda Bélgica (30), Bulgária (40), Chipre (30), Alemanha (10), Irlanda (20), Lituânia (40), Luxemburgo (90), Malta (131), Espanha (50). O Liechtenstein, com acordos com a UE mostrou-se disponível para acolher 43 candidatos a asilo.

Em meados de outubro, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) anunciou a disponibilidade imediata para começar a receber 100 requerentes de asilo, depois de ter sido finalizado o levantamento dos recursos disponíveis para o seu acolhimento.

Segundo o SEF, o primeiro grupo de 100 pessoas deverá ser proveniente da Síria, Eritreia e do Iraque.

Os recursos disponíveis referem-se a alojamento, educação, saúde, formação profissional, alimentação e transporte e são atualizados periodicamente.

Uma fonte comunitária admitiu hoje que os primeiros refugiados poderão chegar a Portugal na “próxima semana ou dentro de duas semanas".

Sublinhando não haver ainda certezas sobre o calendário, a mesma fonte indicou “estarem a ser preparadas” as primeiras recolocações para Portugal, que, eventualmente, podem acontecer “na próxima semana ou dentro de duas semanas”.

Entretanto, a presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR), Teresa Tito de Morais, considerou hoje inadmissível que as organizações nacionais estejam há dois meses à espera dos refugiados.

Santa Casa da Misericórdia quer fixar refugiados nas aldeias de Brangança

In TVI 24

Na fase de emergência, a Santa Casa de Bragança pode receber 10 a 12 pessoas