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15.3.21

Um ano sem pôr um pé no centro de actividades. “Vamos receber pessoas muito diferentes daquelas que conhecíamos”

Ana Cristina Pereira, in Público on-line

Há pessoas com deficiência intelectual que não vão ao centro de actividades ocupacionais desde Março por viverem num lar ou por opção de familiares, que ficam horrorizados só de as imaginar numa enfermaria sem ninguém que as compreenda. No dia 5 de Abril, reabrem os equipamentos sociais para pessoas com deficiência, mas ninguém é como antes.

No princípio, Lurdes Santos até perdia o sono. E se a filha apanhasse covid-19? “Não fala. Usa língua gestual portuguesa. Eu entendo-a bem, mas as outras pessoas não a entendem. Terem de a levar para um hospital e eu não poder estar com ela…”

Daniela não está na sala de terceiro andar que partilha com o pai e com a mãe. A rapariga, de 34 anos, está no quarto a ouvir música. Por instantes, aumenta o volume. “Creio que o amor é a maior/Maior riqueza/ É tudo o que eu tenho pra te dar/Minha certeza.” Trio Odemira.


Deixou de ir ao centro de actividades ocupacionais (CAO) no dia 6 de Março de 2020. Uma semana antes de o Conselho de Ministros aprovar as medidas extraordinárias que incluíam a suspensão das actividades com presença nos equipamentos sociais de apoio à deficiência.

“No início custou-lhe”, diz a mãe. Não percebia por que não haveria de sair de casa, de ir ao CAO, de andar a cavalo, de estar com os avós, os padrinhos ou a tia. Enfiava-se no quarto a ouvir música. “Ela é dada ao sentimento e ao amor. Ia dar com ela a chorar. Dizia-me que estava com saudades do amiguinho, o namorado.”

Falou-lhe no coronavírus. “As televisões estavam sempre a dar a mesma coisa. Ela foi ouvindo falar em internados e em mortos. Ficou com medo de ir à rua. Só passados dois meses de estarmos em casa é que a consegui meter no carro para dar uma volta, mas não quis sair.” É um desafio conduzi-la à dose certa de medo – a que protege sem paralisar.

Quando o Governo ordenou a reabertura dos CAO, pouco a pouco, a partir de 18 de Maio, Lurdes preferiu manter a filha em casa. “Não foi por falta de confiança”, esclarece. O marido, José Santos, até é tesoureiro da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) do Porto. “Sei que as regras são cumpridas, mas torna-se difícil criar distanciamento. E há pais que trabalham e não têm hipótese de ficar com os filhos, têm de os levar para lá. Eu, pronto, estou em casa… E tenho receio. Tenho muito receio que a Daniela apanhe covid.”
Negociar com as famílias

O primeiro grande confinamento foi uma aprendizagem para todos. As organizações trataram de redireccionar parte dos serviços que prestavam nos CAO para dentro de cada casa. Puseram as equipas em contacto telefónico com as famílias para as orientar.

Teresa Guimarães, presidente da APPACDM do Porto, viu o futuro. “Pode ser muito pesado”, alertava, então. “Temos mães sozinhas que vão entrar numa fase de desgaste grande. Estamos preparados para prestar apoio domiciliário, mas é preciso que as famílias queiram. E muitas não querem. Têm medo que o vírus lhes entre pela porta dentro.”

O desconfinamento obrigou a reajustes. Para respeitar as regras da Direcção Geral de Saúde (DGS), os CAO reduziram a lotação. Era preciso ouvir as famílias. Preferiam horário reduzido ou rotatividade? Decidiu-se atribuir tempo inteiro a quem estava em situação de exclusão ou tinha os pais a trabalhar. Os outros alternariam.

Nem todas as famílias tiveram escolha. Algumas viram-se forçadas a vencer o medo, como a família de Pedro Viana, com síndrome de Wolf-Hirschhorn, uma doença raríssima que o faz precisar de ajuda para quase tudo. No princípio, “dormia mal, andava agitado, agressivo”. Depois, lá acalmou. Mas carecia de atenção permanente. Já nem comia sozinho. E Rosário, a mãe, sentia-se exausta. Viúva, com o outro filho a estudar, tinha de voltar a limpar casas alheias.

Os residentes em lares também não puderam escolher. Por ordem da DGS, aos “utentes que frequentem, em simultâneo, as respostas sociais CAO e Lar Residencial, devem ser asseguradas as actividades no próprio Lar, sob orientações técnicas dos profissionais afectos ao CAO”.

O relatório Deficiência e covid-19 em Portugal, do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos, já indiciava que muita gente nunca voltou ao CAO. Só a APPACDM do Porto tem 164 pessoas inscritas nos seus quatro centros e, dessas, 47 não entram num CAO há um ano por estarem em lar e 22 em casa. Em Outubro, outras 12 deixaram de aparecer.

De acordo com o Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, até agora foram infectados nos CAO 113 profissionais e 161 utentes, 11 dos quais acabaram por morrer. Teresa Guimarães conta nos CAO da sua associação um caso isolado e, mesmo assim, continua a observar uma “grande preocupação” entre os pais. E se apanham covid? E se precisam de internamento hospitalar? “Muitos não falam, falam pouco ou falam mal. As pessoas da saúde não os compreendem. Muitos pais vivem angustiados com isto.”

Realidade que se repete aqui e ali

Relatos em tudo idênticos podem ser ouvidos noutras partes do país. Em Santarém, por exemplo, cerca de três dezenas de pais preferiram manter os filhos em casa desde Março.

O próprio presidente da APPACDM de Santarém, Luís Amaral, não leva a filha ao CAO há um ano. “O contacto físico é muito difícil de evitar. Precisa de ajuda para tomar banho, vestir-se, comer. É muito carinhosa.” Como a mulher está em casa, assumiu o papel de cuidadora a tempo inteiro. “A minha filha tem 40 anos, mas é como se tivesse três. Fala de uma maneira que nós entendemos, mas ninguém mais entende.”

“Há pais que não quiseram que os filhos voltassem para os protegerem e há pais que não quiseram que os filhos voltassem para se protegerem a si próprios, porque têm idades avançadas e doenças graves”, resume Helena Albuquerque, presidente da APPACDM de Coimbra. Das 240 pessoas inscritas nos quatro CAO daquela instituição, há 45 que não aparecem há um ano por estarem em lares e 11 em casa.

A mesma dirigente tinha voltado a levar o seu filho, com trissomia 21, ao CAO e deixou de o fazer quando o número de infecções começou a subir. Horroriza-a a ideia de o rapaz ser internado numa enfermaria de doentes covid. Como se sentiria num sítio estranho, sozinho, sem ninguém que o compreendesse, com sintomas graves, sujeito a tratamentos que provocam desconforto?

Não é uma hipótese teórica. “Tivemos casos destes”, concede. “O internamento de pessoas com deficiência intelectual [em contexto covid] é de uma violência indescritível.” A pandemia mostra como o Sistema Nacional de Saúde ainda lida mal com a diversidade funcional. “Era bom que os hospitais estivessem preparados para acolher estas pessoas com dignidades, mas não é isso que acontece”, lamenta. “Há a preocupação de pôr rampas, elevadores, solos mais tácteis, mas não há acessibilidade ao nível da comunicação. E muitas vezes falta formação para médicos e enfermeiros lidarem com este tipo de pessoas, que, vendo-se sem referências, sem ninguém que as compreenda, ficam com medo, tornam-se agressivas. É preciso estabilizá-las.”

No entender de Helena Albuquerque, que também preside à Humanitas – Federação Portuguesa para a Deficiência Mental, este retrato deveria bastar para incluir todas as pessoas com deficiência intelectual, e não só as pessoas com trissomia 21, no grupo prioritário para a vacina. Nada aponta nesse sentido. O Instituto de Segurança Social está a enviar emails às instituições que gerem CAO a solicitar apenas listas de funcionários para os integrar no plano de vacinação.

Paula Campos Pinto, coordenadora do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos, não conhece exemplos de países que tenham colocado todas as pessoas com deficiência intelectual na lista de grupos prioritários para vacinação. Conhece, sim, países que as colocaram no grupo preterido para tratamento de covid-19. “Estamos num quadro em que as vacinas escasseiam. O critério de salvar vidas deve imperar”, diz, lembrando que nisso tem insistido o coordenador do grupo de trabalho.

Quem trabalha e mora nos lares residenciais integra a lista de grupos prioritários. No Lar Montes Claros, em Coimbra, os dias de vacinação foram uma alegria. “Gostámos muito”, diz Maria José Ramalhete, uma de dez residentes. “Batemos palmas. Rimos. Para nós foi importante para não apanhar o vírus.”

No princípio, a mulher, de 56 anos, até achou piada ao confinamento. Entretinha-se a fazer renda, a meter a louça na máquina, a cantar e a dançar, a fazer exercício físico e relaxamento. Não tardou a ansiar pelo regresso aos dias de antes. “Tenho saudades dos meus irmãos, dos meus colegas do CAO, da ginástica, da natação.”

Apesar dos mil cuidados e da muita reza, houve surtos em vários lares. De acordo com a tutela, até agora foram infectados 594 utentes e 370 profissionais. Morreram 45 residentes.

No Lar de São Silvestre, que também faz parte da APPACDM de Coimbra, o drama ocorreu em Janeiro: 16 dos 17 residentes apanharam covid, quatro tiveram de ser internados, um morreu.

“Eu ainda julguei que não tinha nada”, recorda Hélia Maia, de 31 anos. Só lhe faltava o paladar. Ficou duas semanas confinada num quarto grande com outras seis raparigas, uma aparelhagem de som e alguns jogos. “Um forrobodó o dia todo!” Já passou, mas não se sente como nova. “Como nova, não.” Percebe-se com menos força. A fisioterapia já foi reforçada. Agora, é contar os dias até à normalidade possível. “Senão a gente dá em maluca!”

Não vê a avó, que vive no Entroncamento, desde Dezembro de 2019. “Para ela é um stress”, diz. “Na primeira vaga, ela queria vir buscar-me. Por causa do vírus, não fui.” Tem saudades dela. Tem saudades da família de acolhimento com quem viveu quando foi retirada à família biológica. E tem saudades do namorado, que costumava ver no CAO na Associação de Paralisia Cerebral. Manda-lhe recados por uma funcionária que é amiga de uma funcionária do lar em que ele reside. Encolhe-se na cadeira a rir só de falar nele.

Não parece haver forma de não perder. Quem mora nos lares ficou privado da vida social, mas vai tendo apoio técnico, foi fazendo as suas terapias. Quem ficou em casa, vai tendo vida familiar, mas ficou privado da ajuda especializada. “A interrupção de terapias e de actividades, por um período que se tem prolongado desta forma, tem consequências”, sublinha Paula Campos Pinto.

“Acho que este isolamento é necessário para evitar a propagação do vírus, mas a população que vamos ter depois da pandemia não será igual à que tínhamos antes”, comenta Helena Albuquerque. “É uma população mais apática, que perdeu capacidades em idades em que as perdas são difíceis de reverter. Estamos a falar de uma população adulta, alguma já em idade avançada.”

“Vamos receber pessoas muito diferentes daquelas que conhecíamos”, concorda Teresa Guimarães. “As pessoas que estão em casa há um ano ou há meio ano podem ter a saúde mental fragilizada pelo isolamento, pela ansiedade de apanhar o vírus, mas também a saúde física, por este sedentarismo em que ficaram.” E isso não se resolverá por si. “Temos de nos reinventar. Temos de pensar em novas respostas, novas formas de apoiar as pessoas.”
Preparar o regresso

No quarto de Daniela, a música volta a subir de volume. “Ninguém na rua, na noite fria,/só eu e o luar/Voltava a casa,/quando vi que havia/luz num velho bar/Não hesitei, fazia frio e nele entrei.” Roberto Leal.

É um quarto pequeno decorado em tom rosa bebé, flores, borboletas, princesas do universo Disney – a Cinderela, a Branca de Neve, a Bela. Na mesa-de-cabeceira, na secretária e no armário, aparelhagens compradas em várias épocas. Nas gavetas, caixas de CD.

No princípio, Lurdes sentia-se capaz de tudo. Arrumou gavetas. Experimentou receitas. Comprou um tapete para fazer exercícios físicos com a filha. “Com o tempo, ela cansou-se. Até eu!” No CAO, Daniela tinha terapia ocupacional, mas também fisioterapia, hidroterapia, hipoterapia, terapia assistida por cães. “Passava de umas actividades para as outras. Aqui, é tudo repetitivo.”

“Vamos fazer uns jogos”, desafia a mãe. Daniela anui, mas “quer fazer tudo muito depressa”. Prefere estar ali, no quarto, a ouvir música, a ver revistas, a desenhar ou a pintar. “Está um bocadinho assim.”

Até o sono de Daniela se descontrolou. “É uma das piores coisas”, suspira Lurdes. “Sempre gostou da noite. Se pudesse, passeava à noite, ia a festas à noite. Aproveita para estar levantada até tarde. Ouve música baixinho. Dorme a manhã toda, se eu a deixar!”

Várias vezes durante a noite, Lurdes levanta-se e vai vê-la. “Estou sempre a dormir e a acordar, a dormir e a acordar.” Tem receio que ela se levante e vá sentar-se à secretária. “Não veste roupão, apanha frio.” Ou que volte para a cama e não se agasalhe.

Nasceu com uma translocação cromossómica. “Já teve mais autonomia”, diz a mãe. “Já estava a perder o andar. Agora, como está mais parada, mais ainda! Anda pior!” No desconfinamento, conduzia-a até algum espaço verde para caminhar. “Ela gosta!” No confinamento, só andam por ali, à volta de casa. Comprou-lhe uma pequena bicicleta elíptica, mas não vê motivação.

No dia 5 de Abril, reabrem os equipamentos sociais para pessoas com deficiência. “Desta vez, acho eu vou perder o medo e mandá-la para a associação, mesmo sem estar vacinada.” Lurdes disse a José: ‘Vamos ter de preparar o coraçãozinho para conseguir mandar a Daniela. Eles têm todos os cuidados e mais alguns. Ela tem de ir. Até para regular o sono.’”

No CAO, que Daniela frequenta desde os 11 anos, há um trabalho individualizado. Cada um tem um plano traçado para estimular o seu desenvolvimento. E os técnicos têm estratégias para motivar.

Tudo o que podia fazer, Lurdes fez. Para poupar a filha à covid-19, negligenciou até os cuidados de que precisa. “Estou com muita dificuldade em ler. Era para ser operada aos olhos e não fui. Tive medo de apanhar covid e de passar à Daniela. Remarquei para Maio a consulta.” Não pode continuar a adiar a sua vida. Nem a da filha. Também ela tem de encontrar a dose certa de medo.


27.11.20

UNESCO aponta inclusão dos alunos em Portugal como exemplo a seguir por outros

in o Observador

O trabalho pela inclusão das crianças com deficiência em Portugal começou há cerca de 30 anos e já há "97,5% de crianças e jovens com deficiência" na escola. UNESCO diz que este é um exemplo a seguir.

A UNESCO apontou esta quarta-feira como um “bom exemplo a seguir” os projetos inclusivos para alunos com dificuldades desenvolvidos em Portugal, onde 97,5% das crianças e jovens com deficiência frequentam a escola.

No mundo, “as crianças com deficiência têm duas vezes mais hipóteses de não ir à escola”, lembrou Manos Antoninis, diretor da Global Education Monitoring Report, um organismo independente da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que é responsável por analisar a situação da educação em todo o mundo.

Na abertura do simpósio internacional “Assegurar o Direito à Educação Inclusiva às Pessoas com Deficiência”, organizado pela UNESCO, Manos Antoninis saudou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em Portugal, considerando que “tem bons exemplos que devem ser repetidos por outros países”.

Manos Antoninis falou depois do ministro da Educação português, Tiago Brandão Rodrigues, que defendeu que, neste momento, “o desafio de todos os países é não deixar que a pandemia desvie o curso” de promover o sucesso e equidade escolar.

O trabalho pela inclusão das crianças com deficiência em Portugal começou há cerca de 30 anos, em 1991, e hoje já há “97,5% de crianças e jovens com deficiência na chamada educação “mainstream”, sublinhou o ministro. Nesta missão, o ministro atribuiu o “papel principal” aos professores e educadores assim como a quem estrutura e implementa a formação dos professores na inclusão.

O secretário de estado da Educação, João Costa, que também participou no simpósio acrescentou que depois de ter os alunos nas escolas, Portugal está agora a trabalhar no passo seguinte que é ter um sistema que integre as crianças para a verdadeira inclusão.











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No primeiro dia da conferência, que termina sexta-feira, a diretora-geral adjunta da Educação da UNESCO, Stefanie Giannini, recordou que a preocupação com a inclusão “começou com uma ideia muito simples: Não deixar ninguém para trás”. Com a pandemia, a tarefa tornou-se muito mais difícil, lamentou. Depois de um período inicial em que as escolas em todo o mundo fecharam portas e os alunos estiveram em casa, a maioria já regressou ao ensino presencial, mas ainda há países onde as aulas continuam suspensas.

Stefanie Giannini saudou “os professores que também estão na linha da frente”, à semelhança do que fazem os médicos nos hospitais.

Tiago Brandão Rodrigues lembrou que os tempos atuais exigem uma atenção redobrada: “O nosso desafio, enquanto Governos, não é apenas pensar em como não podemos deixar ninguém para trás, mas também como podemos impedir que os alunos abandonem a educação e as escolas”.


A igualdade de oportunidades e a inclusão social têm sido “dos principais desafios, em todos os países, na avaliação das respostas educacionais a essa crise de saúde”, reconheceu.


Esta pandemia representa para todos nós um desafio sem precedentes e, por isso, mais do que nunca, precisamos trabalhar lado a lado na criação de políticas inovadoras”, defendeu.

Na conferência esteve também o ativista sul-africano Eddie Ndopu. O jovem de 29 anos recordou que nasceu com uma doença grave que, segundo os médicos, lhe iria permitir viver apenas até aos cinco anos de idade. Cresceu com as “terríveis estatísticas das crianças com deficiências” que indicam que a grande maioria nunca viu uma sala de aula, mas conseguiu fazer a diferença, tornando-se “o primeiro africano com deficiência a ser admitido na Universidade de Oxford”, contou esta quarta-feira.

Para Eddie Ndopu, o ensino tem de ser pensado não apenas “para ter acesso ao ensino básico, mas para poder chegar também a Oxford”.











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UNESCO
NAÇÕES UNIDAS
MUNDO
INCLUSÃO SOCIAL
SOCIEDADE
EDUCAÇÃO

13.7.20

A pandemia tornou a educação ainda mais distante para as crianças deficientes

Cristina Magalhães, in Público on-line

André e Tiago são duas crianças com 13 anos. Em comum, além da idade, o facto de serem crianças com deficiência. Com o advento da pandemia, a sua situação escolar, que ainda não era a ideal, agravou-se. Neste P24 ouvimos uma reportagem de Catarina Magalhães.

Este episódio contou com a supervisão de Ruben Martins.

5.7.17

Nesta escola de Faro, aprende-se a servir turistas sem saber inglês. Um sorriso é suficiente

Idálio Revez, in Público on-line

A Associação Algarvia de Pais e Amigos das Crianças Diminuídas Mentais criou um restaurante pedagógico, onde se formam empregados de mesa e cozinheiros especiais. O sorriso e a boa vontade desarmam os clientes mais exigentes.

Como é que se pode ser empregado de mesa num hotel, em Albufeira, sem saber falar inglês? “Sim, pode, desde que seja uma pessoa especial”, responde Carla Farias, coordenadora da Unidade de Formação Profissional da Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais (AAPACDM), que prepara jovens para o futuro, descobrindo em cada um deles competência que nem sempre estão à flor da pele. Às vezes, diz, “basta um sorriso para ultrapassar barreiras”

Nesta instituição de solidariedade social há uma missão a cumprir: realizar projectos terapêuticos, educativos que sejam um compromisso para vida de quem educa e de quem é educado. Por coincidência, a AAPACDM localiza-se na Rua do Compromisso, em Faro, há 49 anos. “Compromisso com o futuro” poderia ser um slogan de campanha eleitoral para as eleições autárquicas deste ano mas neste caso não é uma promessa partidária, é mesmo um lema assumido e cumprido: a associação dá apoio a crianças, jovens e adultos com deficiência mental, necessidades educativas especiais ou ainda em situação de risco de exclusão social

Rui Santos é um dos casos de sucesso da instituição. Cresceu na “Casa dos Rapazes” em Faro, onde recebeu o apoio que lhe faltou no agregado familiar. Mais tarde, entre 2012 e 2014, frequentou o curso de empregado de mesa na AAPACDM. No hotel Vila Galé — Cerro Alagoa, em Albufeira, para onde foi trabalhar a seguir à formação, foi um dos empregados mais elogiados pelos clientes, que passaram a escrito os agradecimentos a quem os serviu, mesmo não falando inglês. Qual a estratégia para vencer as dificuldades? “Não fala inglês, mas tem sempre um sorriso de simpatia e boa-vontade, essa é a sua estratégia, e os clientes apreciam o esforço” diz Carla Farias, psicóloga clínica que, há 11 anos, trabalha com estes jovens, portadores de estórias de vida que, de algum modo, acabam por condicionar a sua maneira de estar e ver o mundo.

Mas Rui Santos, à semelhança do que sucede à generalidade dos trabalhadores do sector turístico, terminado o contrato de trabalho de seis meses, cai no desemprego. O ciclo repete-se todos os anos. E para estes alunos, a dificuldade é acrescida. Porque, lá fora, quando terminam os cursos profissionais, os formandos confrontam-se com o mercado do trabalho onde as pessoas, por vezes, são apenas números: “Não é propriamente fácil integrar estes jovens, porque eles acabam por não conseguir ter um rendimento de trabalho igual às outras pessoas ditas normais — por isso, os empresários acabam por ter alguma relutância em contratar”, diz a coordenadora dos cursos de formação ligados à hotelaria.

Pedagogia com faca e garfo

A criação de um restaurante pedagógico, a funcionar desde Março 2016, foi uma das formas de dar a conhecer o resultado de uma equipa pluridisciplinar e multifacetada, que prepara profissionais para a cozinha e empregados de mesa. Além das aulas práticas, há provas práticas. Pelo menos uma vez por semana, os formandos são desafiados a mostrarem os conhecimentos a convidados externos servindo um almoço. Desta vez, calhou ao PÚBLICO e outros órgãos de informação darem nota aos alunos: “Bom”, aqui fica a avaliação, pela parte que nos toca.

Daniela Guerreiro, de 26 anos, a finalizar o curso de empregada de mesa, quer juntar-se aos casos de sucesso: “Vou começar a trabalhar no hotel Dona Filipa [cinco estrelas], e o meu sonho era lá ficar”. Carla Farias acha que estes jovens, com algumas dificuldades, são casos “especiais” que têm condições, se forem ajudados, para superar as dificuldades. Rúben Rocha, de 22 anos, já fez o curso de cozinha, agora está a preparar-se para vir a ser empregado de mesa. Das duas formações, diz, prefere a de empregado de mesa. No almoço, com os jornalistas, os passos e gestos de servir à mesa, treinados na perfeição, tiveram uma dificuldade acrescida — os pés das cadeiras estavam mais afastados que habitual e o espaço exigiu outra marcação: “É a primeira vez que nos sentamos nestas cadeiras, compradas recentemente”, informou Carla Farias. A mudança, explicou, deveu-se à dádiva de uma senhora estrangeira. “Veio cá almoçar, e no final disse: as cadeiras estão velhas, e passou um cheque”.

A abertura de um hostel e de um lar são dois dos projectos que a AAPACDM tem em carteira para encontrar na economia social a resposta que lhe falta no sector hoteleiro e turística, criando novas oportunidades de empregabilidade: “Temos um edifício antigo [localizado na rua do Compromisso, zona histórica da cidade] que nos foi oferecido há um ano e meio, e que queremos recuperar e fazer um hostel”, adianta a directora técnica, Sandra Gonçalves, deixando um lamento: “Não tivemos acesso aos fundos comunitários do programa Portugal 2020”. O objectivo, diz, seria encontrar uma forma de integrar os utentes, encontrando ao mesmo tempo uma mais-valia para tornar a instituição mais sustentável do ponto de vista financeiro. O montante dos apoios, protocolados com a Segurança Social, sublinha, são os mesmos há vários anos e os custos aumentaram. As despesas anuais rondam 1,5 milhões de euros. Há ainda um terreno para construir um lar, “mas não há dinheiro para a construção, apenas uma reunião marcada com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), para discutir este assunto”.

8.6.16

Escola Superior de Educação do Porto promove a inclusão

Liliana Abreu Guimarães, Pedro Miguel Gomes, Guilherme Terra , in "RTP"

Os alunos da Escola Superior de Educação proporcionaram um dia diferente a várias crianças em idade de infantário.

A ideia foi sensibilizar os mais pequenos para a necessidade de comunicar com outras crianças surdas.

18.12.15

Alunos de robótica do Minho criaram brinquedos para crianças deficientes

In "Jornal de Notícias"

Mais de dez alunos do curso de Eletrónica Industrial da Universidade do Minho entregaram, esta quinta-feira, cerca de 60 brinquedos a crianças portadoras de deficiência motora de três instituições de Guimarães.

A tarefa simples de carregar num botão para ativar a luz, som ou movimento de um brinquedo é, muitas vezes, impossível para uma criança portadora de deficiência. A pensar nisto, os alunos especialistas em robótica adaptaram os brinquedos de forma a que a tecnologia de cada brinquedo fosse mais fácil de ativar.

"Tradicionalmente, com as crianças com necessidades educativas especiais, tem que ser a terapeuta a ligar o brinquedo. Estes que estamos a oferecer estão adaptados para serem eles próprios que os acionam", explicou Fernando Ribeiro, diretor do Departamento de Eletrónica Industrial e voluntário na transformação dos brinquedos.

Há uma semana que alunos e o diretor estão a trabalhar na adaptação dos brinquedos. Esta manhã, foram distribuí-los com gorros natalícios e um sorriso no rosto pela Unidade de multideficiência da EB1 de Oliveira do Castelo, Escola Básica de Motelo e Associação de Paralisia Cerebral de Guimarães.

Custam 150 euros na loja

Desde 2006 que Fernando Ribeiro junta os alunos de robótica para participarem no projeto. Os brinquedos são-lhes dados por utilizadores que já não precisam e muitas vezes chegam estragados ou com peças em falta. Então, para além de criarem o ativador externo adaptado a estas crianças, também consertam os brinquedos e imprimem numa impressora 3D as peças que faltam.

Se fossem comprados em loja, estes brinquedos adaptados têm preços que variam entre os 150 e os 200 euros. "Este tipo de brinquedos fica fora da nossa bolsa e da dos pais, que têm limitações. Para além de existirem poucos no mercado, os que há custam sempre uma média de 150 euros", lamenta Américo Correia, vice-presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Guimarães.

14.5.14

Crianças com deficiência sem cuidados médicos

Texto Juliana Batista, in Fátima Missionária

Organizações não governamentais estimam que 90 por cento das crianças indianas com deficiência não têm direito a cuidados médicos nem à educação

Existem 40 a 80 milhões de pessoas com deficiência na Índia. Entre elas, 60 por cento são crianças, com menos de 14 anos de idade. Apesar de não existirem números oficiais, as organizações não governamentais estimam que cerca de 90 por cento dessas crianças não têm direito à educação nem a cuidados médicos.

Só em 2011, no distrito de Guntur, foram contabilizadas mais de 4 milhões de pessoas com deficiência. Apesar da Constituição do país prever a igualdade, liberdade, justiça e dignidade para todos, a realidade é muito diferente. «As pessoas com deficiência são marginalizadas e obrigadas a viver em condições de pobreza. Muitas crianças não têm nenhum tipo de assistência, outras são abandonadas. A maioria termina nas ruas sozinha e desnutrida», denuncia a agência Fides.

Para atenuar este problema existe no país o Centro Dom Bosco Premnivas, fundado em 1976 pelos missionários salesianos. Este espaço acolhe 100 crianças com deficiência que partilham a educação com pessoas sem necessidades educativas especiais. Além das crianças, os religiosos apostam na formação dos adultos com deficiência de modo a oferecer-lhes uma oportunidade de trabalho que os faça sair da condição de pobreza.