Afonso Borga, in Público on-line
No Dia Internacional do Voluntariado, recordamos algumas das oportunidades que já foram alvo de destaque na rubrica “Ser Voluntário”
Afonso está a concluir o mestrado em Estudos de Desenvolvimento, é irrequieto por natureza e um apaixonado por causas sociais.
Comemora-se esta quinta-feira, 5 de Dezembro, o Dia Internacional do Voluntariado, uma data proclamada pelas Nações Unidas com o objectivo incentivar e valorizar o trabalho voluntário em todo mundo.
Ao olharmos para Portugal, os mais recentes dados divulgados pelo INE relativamente ao Inquérito ao Trabalho Voluntário de 2018 mostram que o nosso país apresenta uma taxa de voluntariado formal de 6,4%, bem abaixo da média da União Europeia (19,3%). São, no entanto, muitas as pessoas que manifestam vontade em disponibilizar um pouco do seu tempo e competências a uma causa de forma voluntária, mas que nem sempre conseguem encontrar as melhores oportunidades.
Foi para dar resposta a essa questão que o P3 criou a rubrica semanal “Ser Voluntário”. Aproveitamos então esta efeméride para recordar algumas das oportunidades que já aqui destacámos.
Existem diversas áreas em que os voluntários podem disponibilizar o seu tempo e competências, tendo em conta a sua motivação e perfil. Uma das áreas que tem gerado cada vez mais interesse e motivação está relacionada com a protecção do ambiente. Uma das oportunidades que apresentámos nesta área é com a Associação Portuguesa de Educação Ambiental, uma organização não-governamental de ambiente que actua tendo como objectivo principal o desenvolvimento da educação ambiental a nível formal e não formal.
Outra das áreas mais procuradas é a de apoio à infância e juventude, ajudando, por exemplo, nos estudos de crianças e jovens. Os interessados podem entrar em contacto com a Casa das Cores, um centro de acolhimento temporário para crianças em perigo, ou o Centro Social 6 de Maio, que disponibiliza diversos serviços, nomeadamente creche, pré-escolar e centro comunitário, com o fim de promover uma melhor inserção social, educativa e familiar.
Na área da reinserção social existem também oportunidades, por exemplo no acompanhamento a familiares e pessoas que saíram em liberdade, através da Associação de Protecção e Apoio ao Condenado, que procura contribuir para a humanização e eficácia do sistema prisional português.
Numa área diferente, de apoio a animais, destacamos a Animalife, cuja principal missão reside no envolvimento e na sensibilização da comunidade para os problemas do abandono e maus tratos de animais de companhia.
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Por fim, importa também referir oportunidades alinhadas com o apoio a refugiados, nomeadamente através do Serviço Jesuíta aos Refugiados, uma organização internacional que tem como missão acompanhar, servir e defender refugiados, deslocados à força e todos os migrantes em situação de particular vulnerabilidade.
Em todos os casos, a disponibilidade de tempo do voluntário deve ser vista com a respectiva organização, sendo importante um compromisso regular, que permita verdadeiramente uma experiência e contributo positivo, quer para o voluntário, quer para a organização.
5.12.19
Paulo M. não é sem-abrigo de Natal mas de todas as estações do ano
Mariana Correia Pinto (texto) e Paulo Pimenta (fotografia), in Público on-line
Tem uma deficiência física, mas nenhum apoio por isso. É sem-abrigo há dez anos, dorme numa casa abandonada, come numa adega onde não entra a indiferença. Paulo M. é uma das pelo menos 560 pessoas nesta condição no Porto. Presidente da República visita a cidade esta quinta-feira.
“O que estão a ver é a minha realidade. Um gajo de 47 anos que não cabe no sistema.” Paulo M. pronuncia a frase, como epílogo daquilo que procurava explicar há horas, e, de repente, já não precisa de dizer mais. Na escuridão da casa, chamando casa ao que não o é, a luz tímida de uma lanterna deixa aparecer os seus olhos quase em estado líquido. Por breves minutos, a revolta desarma e a tristeza transparece. Entre paredes de pedra e piso de madeira apodrecida, faz frio. Por dentro e por fora. No quarto, chamando quarto ao que não o é, há cartão no chão, um colchão finíssimo, édredon e saco-cama. Meia dúzia de peças de roupa, cigarros, garrafas vazias, toalhetes. Nada mais. Paulo M. dorme ali. Num edifício devoluto para escapar ao céu como tecto. Carimbado por um pretérito de dor, sobrevivendo, dia após dia, sem conhecer a palavra “sonhos”.
A rua pode acontecer ao virar de uma esquina da vida. Paulo M. aprendeu-o há dez anos, quando saiu de casa, sem malas nem despedidas, apenas um casaco de pele de carneiro na mão. Junto à estação de Campanhã, no Porto, pôs-se a arrumar carros para juntar moedas enquanto a noite e os termómetros caíam. Era 30 de Novembro de 2010. Para Paulo M. foi ontem. “O mundo caiu-me em cima. Naquele momento...” A frase fica no ar. As palavras não sabem dizer a revolução daquele instante, dos dias por vir, do caminho feito. No Porto, estão identificadas 560 pessoas em situação de sem-abrigo. Os números são de Abril deste ano, recolhidos pelo município por observação directa em rondas nas ruas e contacto com instituições. Desses 560, 140 vivem sem tecto (e a autarquia diz incluir aqui quem pernoita em casas devolutas), os restantes em quartos, centros de acolhimento temporário e de alojamentos específicos para pessoas sem casa.
Paulo M. pernoita numa casa abandonada, é sem-abrigo há dez anos
Começou o Gadhimai, o festival nepalês onde são mortos milhares de animais
Na adega A Viela, Travessa de Miraflor, Paulo M. aceita sentar-se à mesa, apesar da inquietação e impaciência. O Presidente da República e a ministra Ana Mendes Godinho visitam o Porto esta quinta-feira para se encontrarem com Rui Moreira e instituições da cidade e debater o problema dos sem-abrigo. Marcelo Rebelo de Sousa tem colocado o tema na agenda mediática e já assumiu a meta de acabar com os sem-abrigo até 2023, mas Paulo M., 47 anos, diz-se cansado de promessas. “Estou farto. Durante o ano os sem-abrigo não têm importância. Depois vem o frio e o Natal, fazem-se grandes banquetes de bacalhau. E no dia seguinte, quem quer saber de nós?”.
Rosa Meireles ouve a conversa a espaços, ora a servir às mesas ora sentada em frente a Paulo. Para ele, a resposta desenhou-se ali. Para lá da estratégia municipal, do programa nacional ainda por activar, das instituições e da “caridadezinha” que o desassossega. “A dona Rosa salvou-me”, diz baixinho. Há dez anos, quando se viu nas ruas, elegeu a adega junto à estação ferroviária para petiscar de vez em quando. E já não saiu mais. Todas as manhãs, bem cedo, põe-se a caminho da Travessa de Miraflor. Ajuda a pôr e levantar as mesas, vai buscar pão quando falta, faz um recado quando é preciso. Rosa Meireles dá-lhe almoço e jantar, todos os dias, excepto domingos. Oferece-lhe cobertores. Em dias gelados ou de chuva, quando Paulo passava as noites ao relento, chegou a pagar-lhe quartos em pensões.
Rosa Meireles, da Adega A Viela, em Campanhã, é o apoio de muitos sem-abrigo naquela zona da cidade
Há pouco mais de uma semana, o executivo portuense aprovou, por unanimidade, uma recomendação sobre os sem-abrigo. Instando o Governo a operacionalizar a sua estratégia e a pôr em prática o programa nacional delineado, sugeriu que a verba seja incluída já no Orçamento do Estado, evitando falhas agora visíveis. Os 131 milhões de euros prometidos às autarquias em Julho continuam por entregar. E, no Porto, a presidência de Rui Moreira tem-se queixado de uma dupla penalização: não recebe apoio e atrai gente de municípios vizinhos por ter respostas mais estruturadas.
Homens e sem retaguarda: um perfil dos sem-abrigo
Metade dos sem-abrigo do Porto são, citando dados da autarquia, de outras cidades ou países. “Caberá a cada município actuar preventivamente de forma a evitar situações de exclusão extrema que causem esta situação e definir políticas que contribuam para a resolução deste problema nacional”, responde o vereador com a pasta da coesão social, Fernando Paulo, quando questionado sobre objectivos a médio prazo. No Porto, estudou também a autarquia, a maioria dos sem-abrigo são homens, não têm retaguarda familiar, recebem o Rendimento Social de Inserção (RSI), têm baixa escolaridade. E caíram na rua por causa do álcool ou substâncias psicoativas, ausência de suporte familiar e desemprego. Mas também por saúde mental e mesmo por despejo e desalojamento (há 18 casos identificados na cidade).
A Câmara do Porto garante equipas multidisciplinares, de sinalização na rua e de encaminhamento para as diversas respostas, uma rede de restaurantes solidários (que em Fevereiro inaugura um novo espaço em Massarelos, com capacidade para 200 refeições) e o Centro de Acolhimento Temporário Joaquim Urbano, onde estão 35 pessoas (o PÚBLICO quis visitar este espaço, mas a autarquia recusou, alegando protecção dos utentes).
Poucos conhecem a realidade dos sem-abrigo junto à estação de Campanhã como a proprietária da adega A Viela, local popular por onde dezenas de personalidades, Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Moreira incluídos, já passaram. Na outra ponta da comprida mesa onde Rosa se senta com Paulo M., três homens comem sopa, pão e uma dose generosa de costeletas por quatro euros. A noite já caiu e dali a minutos têm de entrar no albergue a poucos metros do restaurante, no 136 da Rua de Miraflor, junto às mais famosas galerias do Porto oriental. Rosa sabe o nome de todos, conhece-lhes as histórias. Alguns confiam nela ao ponto de lhe entregarem o cartão multibanco para não o perderem ou com medo de assaltos. Ela está sempre pronta a ajudar, sem paternalismos nem preconceitos. “O que tenho vai dando para mim e para ajudar quem precisa”, diz Rosa, quinta de onze filhos de uma família pobre da Ribeira, a explicar a sua vida-missão numa simplicidade desarmante: “Sou solidária porque a vida me fez ser.”
A Paulo M. a vida cavou destino diferente. Miúdo rebelde, o mais novo de dez irmãos, desistiu dos estudos na quarta classe. Em casa dos pais, numa cidade a Norte do Porto, “nunca se nadou em dinheiro, mas também nunca se passou fome.” Ele foi-se desenrascando. Trabalhou na construção civil, cumpriu serviço militar por dois anos. Tentou-se no mundo das drogas. Tinha toda a vida pela frente e ainda pouca vontade de assentar. Em 1999, no dia 21 de Agosto, voltava do Festival Vilar de Mouros quando tudo mudou. Um condutor com 3.38 de álcool no sangue chocou violentamente com a sua mota. Dias depois, no hospital, os médicos amputaram-lhe a perna esquerda. O braço do mesmo lado ficou sem mobilidade. Andou de cadeira de rodas por oito meses, depois pôs uma prótese. Equilibra-se com a ajuda de uma canadiana. “Tinha 27 anos... E nunca ninguém me perguntou se precisava de apoio psicológico.”
Paulo M. precisava, mas não teve. Na invisibilidade e indiferença, perdeu-se cada vez mais. O álcool e as drogas tornaram-se arma de esquecimento. Em alguns anos, “estourou” toda a indemnização do acidente. Por que haveria de pensar no futuro se para ele já nada fazia sentido? Entre momentos maus e menos maus, conheceu uma mulher, casou-se com ela. Mas o conflito interior nunca calou. Quando já não tinha dinheiro na conta bancária e quase todas as portas do mundo de trabalho se mostravam trancadas, recusou “ser um peso” para a esposa. “Disse-lhe que ia viver para a rua. Peguei num casaco e vim para o Porto.” Até hoje. Cortou laços com casa, os irmãos não sonham com a vida que leva.
Depois de meses ao relento e de um período onde viveu numa pensão, emendou soluções em casas abandonadas. Recebe o RSI, 190 euros que não chegam para pagar um quarto na cidade de hoje. “Mesmo com ajuda da segurança social é impossível”, aponta. Paulo M. já foi a quatro juntas médicas, na esperança de uma reforma por invalidez que o ajudasse a viver com dignidade. Em todas saiu com o mesmo carimbo: apto para trabalhar. Nos últimos anos, recebeu do centro de emprego algumas propostas de cursos e empregos. Costureiro, carpinteiro, guarda-florestal. Ainda há meses, chamaram-no para ser ajudante de cozinha. “Se estivesse lá insultava quem lhe propôs isso”, comenta, revoltada, Rosa Meireles: “Ele não consegue usar uma mão, anda de canadiana. Estão a brincar?!”
Noutra mesa, Maria Luísa janta sozinha. Moradora do bairro de Francos há sete anos, já viveu em pensões a escapar da rua. “Sei bem o que é a solidão”, comenta, “no bairro a gente pode estar a morrer que ninguém nos deita a mão.” Ela ajuda como pode, com o pouco que tem, mas não com caridade. “Gostava de saber para onde vão os donativos que tantos fazem no Natal. Revolto-me com isto porque sei o que passei.”
Paulo M. repete, com raiva indisfarçável, a palavra “sistema”. Vezes sem conta. Diz-se o espelho de um falhanço do Estado. Abandonado pela sociedade, desumanizado, entregue a uma insanidade incontornável, a uma incapacidade de querer, de lutar, de sonhar. As perdas esboçaram nele uma espécie de não-existência. E por isso ri. Um riso magnético e algo alucinado que faz lembrar aquele que emocionou muitos na personagem do Joker, filme de Todd Phillips onde as assimetrias e desigualdades do mundo desassossegam. Ri quando lhe perguntam pelo futuro: “Eu vivo o dia-a-dia, só isso”, responde sem hesitar. “Já pensei muitas vezes que não vale a pena viver. E em pôr-me a ouvir Jim Morrison e deixar-me ir...”
A profundidade da queda de Paulo M. é já não falar na mudança. Em horas de conversa, não refere uma única vez aquilo que Rosa Meireles acaba por dizer por ele: “O Paulo precisa pelo menos de um quartinho.” Rosa, a quem a autarquia entregou este ano uma medalha da cidade, não deixará de lutar por ele. Como por outros. Em breve, oferecerá o almoço de Natal na Viela aos seus homens e mulheres famosos. Por causa desse dia especial, onde haverá música, arroz de cabidela, leitão e um bolo-rei de 15 quilos, recusou há dias a reserva de um grupo que ali queria festejar a época natalícia. Ao explicar-lhes não ser possível porque já tinha o seu almoço com os sem-abrigo, a proposta veio pronta: “Mas faça para nós no sábado e para eles no domingo e assim ficam com os nossos restos.” A resposta saiu-lhe em segundos. Os mesmos que demorou a pôr os potenciais clientes na rua. O almoço dos sem-abrigo mantém-se. Os outros foram procurar mesa onde caiba a indiferença.
Tem uma deficiência física, mas nenhum apoio por isso. É sem-abrigo há dez anos, dorme numa casa abandonada, come numa adega onde não entra a indiferença. Paulo M. é uma das pelo menos 560 pessoas nesta condição no Porto. Presidente da República visita a cidade esta quinta-feira.
“O que estão a ver é a minha realidade. Um gajo de 47 anos que não cabe no sistema.” Paulo M. pronuncia a frase, como epílogo daquilo que procurava explicar há horas, e, de repente, já não precisa de dizer mais. Na escuridão da casa, chamando casa ao que não o é, a luz tímida de uma lanterna deixa aparecer os seus olhos quase em estado líquido. Por breves minutos, a revolta desarma e a tristeza transparece. Entre paredes de pedra e piso de madeira apodrecida, faz frio. Por dentro e por fora. No quarto, chamando quarto ao que não o é, há cartão no chão, um colchão finíssimo, édredon e saco-cama. Meia dúzia de peças de roupa, cigarros, garrafas vazias, toalhetes. Nada mais. Paulo M. dorme ali. Num edifício devoluto para escapar ao céu como tecto. Carimbado por um pretérito de dor, sobrevivendo, dia após dia, sem conhecer a palavra “sonhos”.
A rua pode acontecer ao virar de uma esquina da vida. Paulo M. aprendeu-o há dez anos, quando saiu de casa, sem malas nem despedidas, apenas um casaco de pele de carneiro na mão. Junto à estação de Campanhã, no Porto, pôs-se a arrumar carros para juntar moedas enquanto a noite e os termómetros caíam. Era 30 de Novembro de 2010. Para Paulo M. foi ontem. “O mundo caiu-me em cima. Naquele momento...” A frase fica no ar. As palavras não sabem dizer a revolução daquele instante, dos dias por vir, do caminho feito. No Porto, estão identificadas 560 pessoas em situação de sem-abrigo. Os números são de Abril deste ano, recolhidos pelo município por observação directa em rondas nas ruas e contacto com instituições. Desses 560, 140 vivem sem tecto (e a autarquia diz incluir aqui quem pernoita em casas devolutas), os restantes em quartos, centros de acolhimento temporário e de alojamentos específicos para pessoas sem casa.
Paulo M. pernoita numa casa abandonada, é sem-abrigo há dez anos
Começou o Gadhimai, o festival nepalês onde são mortos milhares de animais
Na adega A Viela, Travessa de Miraflor, Paulo M. aceita sentar-se à mesa, apesar da inquietação e impaciência. O Presidente da República e a ministra Ana Mendes Godinho visitam o Porto esta quinta-feira para se encontrarem com Rui Moreira e instituições da cidade e debater o problema dos sem-abrigo. Marcelo Rebelo de Sousa tem colocado o tema na agenda mediática e já assumiu a meta de acabar com os sem-abrigo até 2023, mas Paulo M., 47 anos, diz-se cansado de promessas. “Estou farto. Durante o ano os sem-abrigo não têm importância. Depois vem o frio e o Natal, fazem-se grandes banquetes de bacalhau. E no dia seguinte, quem quer saber de nós?”.
Rosa Meireles ouve a conversa a espaços, ora a servir às mesas ora sentada em frente a Paulo. Para ele, a resposta desenhou-se ali. Para lá da estratégia municipal, do programa nacional ainda por activar, das instituições e da “caridadezinha” que o desassossega. “A dona Rosa salvou-me”, diz baixinho. Há dez anos, quando se viu nas ruas, elegeu a adega junto à estação ferroviária para petiscar de vez em quando. E já não saiu mais. Todas as manhãs, bem cedo, põe-se a caminho da Travessa de Miraflor. Ajuda a pôr e levantar as mesas, vai buscar pão quando falta, faz um recado quando é preciso. Rosa Meireles dá-lhe almoço e jantar, todos os dias, excepto domingos. Oferece-lhe cobertores. Em dias gelados ou de chuva, quando Paulo passava as noites ao relento, chegou a pagar-lhe quartos em pensões.
Rosa Meireles, da Adega A Viela, em Campanhã, é o apoio de muitos sem-abrigo naquela zona da cidade
Há pouco mais de uma semana, o executivo portuense aprovou, por unanimidade, uma recomendação sobre os sem-abrigo. Instando o Governo a operacionalizar a sua estratégia e a pôr em prática o programa nacional delineado, sugeriu que a verba seja incluída já no Orçamento do Estado, evitando falhas agora visíveis. Os 131 milhões de euros prometidos às autarquias em Julho continuam por entregar. E, no Porto, a presidência de Rui Moreira tem-se queixado de uma dupla penalização: não recebe apoio e atrai gente de municípios vizinhos por ter respostas mais estruturadas.
Homens e sem retaguarda: um perfil dos sem-abrigo
Metade dos sem-abrigo do Porto são, citando dados da autarquia, de outras cidades ou países. “Caberá a cada município actuar preventivamente de forma a evitar situações de exclusão extrema que causem esta situação e definir políticas que contribuam para a resolução deste problema nacional”, responde o vereador com a pasta da coesão social, Fernando Paulo, quando questionado sobre objectivos a médio prazo. No Porto, estudou também a autarquia, a maioria dos sem-abrigo são homens, não têm retaguarda familiar, recebem o Rendimento Social de Inserção (RSI), têm baixa escolaridade. E caíram na rua por causa do álcool ou substâncias psicoativas, ausência de suporte familiar e desemprego. Mas também por saúde mental e mesmo por despejo e desalojamento (há 18 casos identificados na cidade).
A Câmara do Porto garante equipas multidisciplinares, de sinalização na rua e de encaminhamento para as diversas respostas, uma rede de restaurantes solidários (que em Fevereiro inaugura um novo espaço em Massarelos, com capacidade para 200 refeições) e o Centro de Acolhimento Temporário Joaquim Urbano, onde estão 35 pessoas (o PÚBLICO quis visitar este espaço, mas a autarquia recusou, alegando protecção dos utentes).
Poucos conhecem a realidade dos sem-abrigo junto à estação de Campanhã como a proprietária da adega A Viela, local popular por onde dezenas de personalidades, Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Moreira incluídos, já passaram. Na outra ponta da comprida mesa onde Rosa se senta com Paulo M., três homens comem sopa, pão e uma dose generosa de costeletas por quatro euros. A noite já caiu e dali a minutos têm de entrar no albergue a poucos metros do restaurante, no 136 da Rua de Miraflor, junto às mais famosas galerias do Porto oriental. Rosa sabe o nome de todos, conhece-lhes as histórias. Alguns confiam nela ao ponto de lhe entregarem o cartão multibanco para não o perderem ou com medo de assaltos. Ela está sempre pronta a ajudar, sem paternalismos nem preconceitos. “O que tenho vai dando para mim e para ajudar quem precisa”, diz Rosa, quinta de onze filhos de uma família pobre da Ribeira, a explicar a sua vida-missão numa simplicidade desarmante: “Sou solidária porque a vida me fez ser.”
A Paulo M. a vida cavou destino diferente. Miúdo rebelde, o mais novo de dez irmãos, desistiu dos estudos na quarta classe. Em casa dos pais, numa cidade a Norte do Porto, “nunca se nadou em dinheiro, mas também nunca se passou fome.” Ele foi-se desenrascando. Trabalhou na construção civil, cumpriu serviço militar por dois anos. Tentou-se no mundo das drogas. Tinha toda a vida pela frente e ainda pouca vontade de assentar. Em 1999, no dia 21 de Agosto, voltava do Festival Vilar de Mouros quando tudo mudou. Um condutor com 3.38 de álcool no sangue chocou violentamente com a sua mota. Dias depois, no hospital, os médicos amputaram-lhe a perna esquerda. O braço do mesmo lado ficou sem mobilidade. Andou de cadeira de rodas por oito meses, depois pôs uma prótese. Equilibra-se com a ajuda de uma canadiana. “Tinha 27 anos... E nunca ninguém me perguntou se precisava de apoio psicológico.”
Paulo M. precisava, mas não teve. Na invisibilidade e indiferença, perdeu-se cada vez mais. O álcool e as drogas tornaram-se arma de esquecimento. Em alguns anos, “estourou” toda a indemnização do acidente. Por que haveria de pensar no futuro se para ele já nada fazia sentido? Entre momentos maus e menos maus, conheceu uma mulher, casou-se com ela. Mas o conflito interior nunca calou. Quando já não tinha dinheiro na conta bancária e quase todas as portas do mundo de trabalho se mostravam trancadas, recusou “ser um peso” para a esposa. “Disse-lhe que ia viver para a rua. Peguei num casaco e vim para o Porto.” Até hoje. Cortou laços com casa, os irmãos não sonham com a vida que leva.
Depois de meses ao relento e de um período onde viveu numa pensão, emendou soluções em casas abandonadas. Recebe o RSI, 190 euros que não chegam para pagar um quarto na cidade de hoje. “Mesmo com ajuda da segurança social é impossível”, aponta. Paulo M. já foi a quatro juntas médicas, na esperança de uma reforma por invalidez que o ajudasse a viver com dignidade. Em todas saiu com o mesmo carimbo: apto para trabalhar. Nos últimos anos, recebeu do centro de emprego algumas propostas de cursos e empregos. Costureiro, carpinteiro, guarda-florestal. Ainda há meses, chamaram-no para ser ajudante de cozinha. “Se estivesse lá insultava quem lhe propôs isso”, comenta, revoltada, Rosa Meireles: “Ele não consegue usar uma mão, anda de canadiana. Estão a brincar?!”
Noutra mesa, Maria Luísa janta sozinha. Moradora do bairro de Francos há sete anos, já viveu em pensões a escapar da rua. “Sei bem o que é a solidão”, comenta, “no bairro a gente pode estar a morrer que ninguém nos deita a mão.” Ela ajuda como pode, com o pouco que tem, mas não com caridade. “Gostava de saber para onde vão os donativos que tantos fazem no Natal. Revolto-me com isto porque sei o que passei.”
Paulo M. repete, com raiva indisfarçável, a palavra “sistema”. Vezes sem conta. Diz-se o espelho de um falhanço do Estado. Abandonado pela sociedade, desumanizado, entregue a uma insanidade incontornável, a uma incapacidade de querer, de lutar, de sonhar. As perdas esboçaram nele uma espécie de não-existência. E por isso ri. Um riso magnético e algo alucinado que faz lembrar aquele que emocionou muitos na personagem do Joker, filme de Todd Phillips onde as assimetrias e desigualdades do mundo desassossegam. Ri quando lhe perguntam pelo futuro: “Eu vivo o dia-a-dia, só isso”, responde sem hesitar. “Já pensei muitas vezes que não vale a pena viver. E em pôr-me a ouvir Jim Morrison e deixar-me ir...”
A profundidade da queda de Paulo M. é já não falar na mudança. Em horas de conversa, não refere uma única vez aquilo que Rosa Meireles acaba por dizer por ele: “O Paulo precisa pelo menos de um quartinho.” Rosa, a quem a autarquia entregou este ano uma medalha da cidade, não deixará de lutar por ele. Como por outros. Em breve, oferecerá o almoço de Natal na Viela aos seus homens e mulheres famosos. Por causa desse dia especial, onde haverá música, arroz de cabidela, leitão e um bolo-rei de 15 quilos, recusou há dias a reserva de um grupo que ali queria festejar a época natalícia. Ao explicar-lhes não ser possível porque já tinha o seu almoço com os sem-abrigo, a proposta veio pronta: “Mas faça para nós no sábado e para eles no domingo e assim ficam com os nossos restos.” A resposta saiu-lhe em segundos. Os mesmos que demorou a pôr os potenciais clientes na rua. O almoço dos sem-abrigo mantém-se. Os outros foram procurar mesa onde caiba a indiferença.
Só podemos lutar contra o racismo com consciência e vontade
Ricardo Vita, in Público on-line
O necessário trabalho em prol de uma consciência negra ainda não tomou uma verdadeira forma no espaço da lusofonia.
A noção de consciência deve ser constantemente lembrada e reforçada, especialmente quando se trata de direitos humanos. A consciência é memória, é conhecimento, é a verdade ou a sua busca; esta deve estar permanentemente atenta para interrogar, desafiar, corrigir e educar. Portanto, é necessário uma consciência vigilante para criar um mundo mais perfeito.
Há dias, em entrevista ao Instituto Allan Menengoti, que promove a democracia e a liberdade de imprensa no Brasil, e num âmbito propício, mês da Consciência Negra naquele país, tive a ocasião de discutir da importância dessa noção. Pareceu-me necessário voltar a ela no contexto de consciência negra, em geral e em particular no Brasil. Em 2001, o presidente da República Francesa Francesa, Jacques Chirac, decidiu fazer da data de 10 de Maio o dia comemorativo da abolição da escravatura. Com essa data, ele desejou dar à França a oportunidade de honrar a memória dos escravos e comemorar a abolição da escravatura. O dia também serve para fazer uma reflexão sobre toda a memória da escravatura, que durante muito tempo foi desprezada, a fim de reabilitá-la na história francesa. É também uma oportunidade de questionar como a memória da escravatura pode encontrar o seu devido lugar nos programas escolares.
Havia, portanto, um desejo de desenvolver o conhecimento científico sobre essa tragédia. Assim, consciência é memória, é conhecimento, é a verdade ou a sua busca. Ela permite reparar as identidades feridas a fim de criar uma paz verdadeira e sustentável. Essa lei, que uma deputada negra, descendente de escravos, Christiane Taubira, que alguns anos depois seria ministra da Justiça da República Francesa, defendeu com brio, foi votada pelo Parlamento francês em 10 de Maio de 2001. Isso é que justifica a comemoração neste dia. É também chamada Lei Taubira (n.° 2001-434). Ela reconhece o comércio transatlântico de escravos e a escravatura e permite lembrar o sofrimento infligido pela escravatura e a sua abolição. Assim, o desejo foi de criar uma consciência vigilante.
E os escravos são frequentemente apresentados como seres passivos e totalmente submissos ao seu destino miserável. Mas Zumbi dos Palmares, no Brasil, lembra que os escravos foram os primeiros actores da luta contra a escravatura. Logo, ele incarnou Coragem e Resistência. Como Toussaint Louverture, o libertador do Haiti, a primeira República Negra, fundada em 1804, Zumbi dos Palmares também representa, na história, a luta pela abolição da escravatura, um crime contra a humanidade, do qual milhões de negros foram vítimas. Lutou pela emancipação dos escravos. Por conseguinte, também representa a Liberdade e a Igualdade entre os seres humanos. Então, da mesma forma que o Juneteenth, ou o Dia da Emancipação, é comemorado nos Estados Unidos da América, a celebração do Zumbi dos Palmares no Brasil, no dia 20 de Novembro, data da sua morte, faz todo o sentido. É oportuna e necessária, pois, para o Negro, consciência é também poder contar a sua história e ver o mundo com os seus próprios olhos.
Este trabalho, de consciência ou memória, foi realizado de maneira séria e profunda no espaço anglófono, especialmente com afro-americanos; o movimento Harlem Renaissance e outros autores que se seguiram como James Baldwin. E o movimento da Negritude seguiu o ritmo na Francofonia, Discurso sobre o colonialismo, de Aimé Césaire, sem mencionar a obra salutar de Frantz Fanon, é uma ilustração perfeita. Mas, desafortunadamente, esse necessário trabalho ainda não tomou uma verdadeira forma na lusofonia, é o espaço mais carente. As vozes que os Portugueses criaram nesse espaço são assimiladas, lusotropicalistas e têm dificuldade em perceber os discursos que valorizam o Negro e a sua história. Elas não foram informadas sobre o Negro e não se interessaram por ele profundamente, são vozes de um universalismo que não tem nada delas. Há urgência. Porque aí também a consciência negra deve estar activa e vigilante, para restaurar a verdade sobre a sua história, para reparar o dano que o Negro sofreu.
A educação escolar e social é uma maneira de atingir esse objectivo. Em Portugal e no Brasil, particularmente, além do trabalho das associações e activistas anti-racistas, a vontade política é indispensável nesse campo. O Governo tem o dever de promover essa luta por meio de políticas dedicadas e acções concretas contra o racismo (leis, educar as crianças na escola, dando-lhes os meios para desenvolver o espírito crítico, o ensino superior e a pesquisa para aprimorar o conhecimento e combater os fenómenos racistas, treinar investigadores e magistrados especificamente para essa luta, mobilizar territórios, autoridades públicas, associações, desportos e media).
Os negros de todo o mundo têm uma história comum. Apesar das diferentes correntes, a relevância contemporânea do ideal pan-africanista continua a basear-se na unidade e na interconexão de destinos ligados por uma história comum de precariedade (comércio de escravos, escravatura, colonialismo e racismo) e um objectivo comum (emancipação). Neste caso, o destino dos negros no mundo está intimamente ligado ao futuro do continente africano. O debate sobre a complexidade da odisseia do Negro permanece nos mundos negros, como também existiu, ou existe ainda, na diáspora dos Judeus. Mas, ainda como os Judeus – em relação a Israel –, é da África, a mãe da sua cultura e da civilização que desenvolveu lá longe, que a diáspora pan-africana poderá receber a sua verdadeira regeneração. É por esse motivo que a 6.ª região da União Africana está a ser estruturada para criar um lugar para ela, e o Brasil deverá ter uma posição de destaque, por ser o país onde vive a maior diáspora africana ou, simbolicamente, o maior país africano.
Co-fundador e vice-presidente do instituto francês République et Diversité
O necessário trabalho em prol de uma consciência negra ainda não tomou uma verdadeira forma no espaço da lusofonia.
A noção de consciência deve ser constantemente lembrada e reforçada, especialmente quando se trata de direitos humanos. A consciência é memória, é conhecimento, é a verdade ou a sua busca; esta deve estar permanentemente atenta para interrogar, desafiar, corrigir e educar. Portanto, é necessário uma consciência vigilante para criar um mundo mais perfeito.
Há dias, em entrevista ao Instituto Allan Menengoti, que promove a democracia e a liberdade de imprensa no Brasil, e num âmbito propício, mês da Consciência Negra naquele país, tive a ocasião de discutir da importância dessa noção. Pareceu-me necessário voltar a ela no contexto de consciência negra, em geral e em particular no Brasil. Em 2001, o presidente da República Francesa Francesa, Jacques Chirac, decidiu fazer da data de 10 de Maio o dia comemorativo da abolição da escravatura. Com essa data, ele desejou dar à França a oportunidade de honrar a memória dos escravos e comemorar a abolição da escravatura. O dia também serve para fazer uma reflexão sobre toda a memória da escravatura, que durante muito tempo foi desprezada, a fim de reabilitá-la na história francesa. É também uma oportunidade de questionar como a memória da escravatura pode encontrar o seu devido lugar nos programas escolares.
Havia, portanto, um desejo de desenvolver o conhecimento científico sobre essa tragédia. Assim, consciência é memória, é conhecimento, é a verdade ou a sua busca. Ela permite reparar as identidades feridas a fim de criar uma paz verdadeira e sustentável. Essa lei, que uma deputada negra, descendente de escravos, Christiane Taubira, que alguns anos depois seria ministra da Justiça da República Francesa, defendeu com brio, foi votada pelo Parlamento francês em 10 de Maio de 2001. Isso é que justifica a comemoração neste dia. É também chamada Lei Taubira (n.° 2001-434). Ela reconhece o comércio transatlântico de escravos e a escravatura e permite lembrar o sofrimento infligido pela escravatura e a sua abolição. Assim, o desejo foi de criar uma consciência vigilante.
E os escravos são frequentemente apresentados como seres passivos e totalmente submissos ao seu destino miserável. Mas Zumbi dos Palmares, no Brasil, lembra que os escravos foram os primeiros actores da luta contra a escravatura. Logo, ele incarnou Coragem e Resistência. Como Toussaint Louverture, o libertador do Haiti, a primeira República Negra, fundada em 1804, Zumbi dos Palmares também representa, na história, a luta pela abolição da escravatura, um crime contra a humanidade, do qual milhões de negros foram vítimas. Lutou pela emancipação dos escravos. Por conseguinte, também representa a Liberdade e a Igualdade entre os seres humanos. Então, da mesma forma que o Juneteenth, ou o Dia da Emancipação, é comemorado nos Estados Unidos da América, a celebração do Zumbi dos Palmares no Brasil, no dia 20 de Novembro, data da sua morte, faz todo o sentido. É oportuna e necessária, pois, para o Negro, consciência é também poder contar a sua história e ver o mundo com os seus próprios olhos.
Este trabalho, de consciência ou memória, foi realizado de maneira séria e profunda no espaço anglófono, especialmente com afro-americanos; o movimento Harlem Renaissance e outros autores que se seguiram como James Baldwin. E o movimento da Negritude seguiu o ritmo na Francofonia, Discurso sobre o colonialismo, de Aimé Césaire, sem mencionar a obra salutar de Frantz Fanon, é uma ilustração perfeita. Mas, desafortunadamente, esse necessário trabalho ainda não tomou uma verdadeira forma na lusofonia, é o espaço mais carente. As vozes que os Portugueses criaram nesse espaço são assimiladas, lusotropicalistas e têm dificuldade em perceber os discursos que valorizam o Negro e a sua história. Elas não foram informadas sobre o Negro e não se interessaram por ele profundamente, são vozes de um universalismo que não tem nada delas. Há urgência. Porque aí também a consciência negra deve estar activa e vigilante, para restaurar a verdade sobre a sua história, para reparar o dano que o Negro sofreu.
A educação escolar e social é uma maneira de atingir esse objectivo. Em Portugal e no Brasil, particularmente, além do trabalho das associações e activistas anti-racistas, a vontade política é indispensável nesse campo. O Governo tem o dever de promover essa luta por meio de políticas dedicadas e acções concretas contra o racismo (leis, educar as crianças na escola, dando-lhes os meios para desenvolver o espírito crítico, o ensino superior e a pesquisa para aprimorar o conhecimento e combater os fenómenos racistas, treinar investigadores e magistrados especificamente para essa luta, mobilizar territórios, autoridades públicas, associações, desportos e media).
Os negros de todo o mundo têm uma história comum. Apesar das diferentes correntes, a relevância contemporânea do ideal pan-africanista continua a basear-se na unidade e na interconexão de destinos ligados por uma história comum de precariedade (comércio de escravos, escravatura, colonialismo e racismo) e um objectivo comum (emancipação). Neste caso, o destino dos negros no mundo está intimamente ligado ao futuro do continente africano. O debate sobre a complexidade da odisseia do Negro permanece nos mundos negros, como também existiu, ou existe ainda, na diáspora dos Judeus. Mas, ainda como os Judeus – em relação a Israel –, é da África, a mãe da sua cultura e da civilização que desenvolveu lá longe, que a diáspora pan-africana poderá receber a sua verdadeira regeneração. É por esse motivo que a 6.ª região da União Africana está a ser estruturada para criar um lugar para ela, e o Brasil deverá ter uma posição de destaque, por ser o país onde vive a maior diáspora africana ou, simbolicamente, o maior país africano.
Co-fundador e vice-presidente do instituto francês République et Diversité
Taxa de rotatividade para as empresas avança em 2020
in Público on-line
Empresas que mais recorram a trabalho temporário e contratos a prazo serão penalizadas em sede de tributação para a segurança social.
O assunto não esteve em cima da mesa nas rondas mantidas durante a Concertação Social, mas o Governo pretende mesmo penalizar as empresas que mais recorrem ao trabalho temporário e a contratos a prazo, criando uma nova taxa de rotatividade. A notícia é avançada esta manhã pelo Jornal de Negócios que cita uma fonte do governo.
Começou o Gadhimai, o festival nepalês onde são mortos milhares de animais
Esta contribuição para a Segurança Social foi aprovada no Parlamento no passado mês de Julho, mas ainda não foi regulamentada. De acordo com a proposta então aprovada, a taxa será aplicada quando as empresas ultrapassarem a média de contratos a termo prevista em cada sector. A taxa será progressiva até ao máximo de 2%, ou seja, quanto maior o número de trabalhadores a prazo a empresa tiver acima da média sectorial, maior será a penalização.
Na altura, o governo já falava da possibilidade de regulamentar a lei em 2019 para entrar em vigor em 2020. E confirma-o agora, nas afirmações feitas ao Jornal de Negócios.
“É intenção do Governo apresentar aos parceiros sociais, a curto prazo, o que está a ser preparado relativamente a esta matéria, de modo a concluir a regulamentação a tempo útil e a aferir os indicadores sectoriais de modo às empresas situarem-se no respectivo sector”, referiu fonte oficial do Ministério da Segurança Social, citada pelo Jornal de Negócios.
Empresas que mais recorram a trabalho temporário e contratos a prazo serão penalizadas em sede de tributação para a segurança social.
O assunto não esteve em cima da mesa nas rondas mantidas durante a Concertação Social, mas o Governo pretende mesmo penalizar as empresas que mais recorrem ao trabalho temporário e a contratos a prazo, criando uma nova taxa de rotatividade. A notícia é avançada esta manhã pelo Jornal de Negócios que cita uma fonte do governo.
Começou o Gadhimai, o festival nepalês onde são mortos milhares de animais
Esta contribuição para a Segurança Social foi aprovada no Parlamento no passado mês de Julho, mas ainda não foi regulamentada. De acordo com a proposta então aprovada, a taxa será aplicada quando as empresas ultrapassarem a média de contratos a termo prevista em cada sector. A taxa será progressiva até ao máximo de 2%, ou seja, quanto maior o número de trabalhadores a prazo a empresa tiver acima da média sectorial, maior será a penalização.
Na altura, o governo já falava da possibilidade de regulamentar a lei em 2019 para entrar em vigor em 2020. E confirma-o agora, nas afirmações feitas ao Jornal de Negócios.
“É intenção do Governo apresentar aos parceiros sociais, a curto prazo, o que está a ser preparado relativamente a esta matéria, de modo a concluir a regulamentação a tempo útil e a aferir os indicadores sectoriais de modo às empresas situarem-se no respectivo sector”, referiu fonte oficial do Ministério da Segurança Social, citada pelo Jornal de Negócios.
“Não vale a pena criar políticas que não casam com o território”
Luísa Pinto, in Público on-line
Por enquanto só oito municípios entregaram as Estratégias Locais de Habitação que lhes vão permitir candidatarem-se a financiamentos no âmbito do 1º Direito. E ainda não foi lançada nenhuma empreitada no âmbito do Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado.
O Programa de Arrendamento Acessível (PAA) é apenas um instrumento entre quase duas dezenas de iniciativas que compõem a Nova Geração de Políticas de Habitação (NGPH). Mas um ano e meio depois de este pacote ter sido apresentado, há ainda poucos resultados a avançar. Mas tanto entre investigadores e activistas do direito à habitação, como entre autarcas, começam a surgir cada vez mais vozes no espaço público a avisar que o mercado não se irá reequilibrar para dar resposta às necessidades que são cada vez mais evidentes.
Numa altura em que o património público abrange apenas cerca de 2% do parque habitacional – se não considerarmos os juros bonificados que continuam a ser pagos pelo Orçamento de Estado nos apoios dados ao crédito à habitação há cerca de duas décadas – as câmaras municipais estão cada vez mais preocupadas com a forma como vão conseguir cumprir as necessidades da população. E num encontro realizado com as empresas municipais de habitação do Norte, onde estiveram representados vários municípios do litoral e do interior, foi perceptível que já poucos acreditam que vai ser possível cumprir a promessa do primeiro-ministro: resolver todas as carências habitacionais da população por altura dos 50 anos do 25 de Abril.
Até porque, no levantamento que agora está a ser feito pelas autarquias, para ser vertida na obrigatória Estratégia Local de Habitação (só depois de uma estratégia aprovada é que podem ser submetidas candidaturas ao programa 1º Direito, para apoiar os municípios na construção de novos fogos ou na recuperação dos existentes), conclui-se que as necessidades vão superar os 27 mil casos de carência que foram identificados no levantamento nacional que precedeu a apresentação da NGPH. As preocupações dos municípios e das empresas municipais vão mais longe – para além das estratégias locais de habitação, precisam de aprovar uma Carta Municipal de Habitação, de acordo com a Lei de Bases de Habitação que foi criada. É uma forma de, admitem os autarcas ouvidos pelo PÚBLICO, articular as necessidades de habitação com a revisão dos Planos Directores Municipais.
De acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO, até agora só há oito municípios com Estratégias Locais de Habitação aprovadas e entregues no IHRU-Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana. Mas ainda não são conhecidas candidaturas nem financiamentos aprovados. “Não vale a pena criar instrumentos e políticas conceptualmente intocáveis, mas que depois não casam com o território. Só se tirarmos o território do território e o colocarmos num laboratório”, ironiza Eduardo Luciano, vereador com os pelouros de habitação e de urbanismo da Câmara de Évora. O vereador diz que, desde 1997, todos os edifícios reabilitados no centro histórico se destinaram ao turismo e ao alojamento local e que, apesar de a pressão estar no centro, ela é radial. Lembrando que as rendas praticadas em Évora já estão acima da media nacional, e que o território está envelhecido e despovoado, diz que só um bom programa nacional poderá ter eficácia. “Se não houver discriminação positiva nestes territórios, e a descentralização for apenas transferência de obrigações, sem autonomia de decisão e com envelopes financeiros abaixo das necessidades, não iremos a lado nenhum”, termina.
Relativamente ao esforço nacional anunciado pelo Governo para reabilitar património devoluto e colocá-lo no mercado com uma parte destinada ao mercado de arrendamento acessível - através de Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado (FNRE), que haverá de receber verbas do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) – também nada saiu do papel e as primeiras empreitadas estão por lançar.
De acordo com o gabinete do Ministro da Habitação, estão constituídos três subfundos, três autorizados e seis em preparação. Assim, há 12 processos em curso e em diferentes fases de maturidade. Os subfundos criados estão “já na fase de licenciamento e de preparação do processo das empreitadas” e, no caso dos três autorizados, “a sociedade gestora do FNRE encontra-se a trabalhar de perto com as Câmara Municipais para apresentação dos Pedidos de Informação Prévia necessários à constituição dos subfundos”. É nos subfundos ainda em preparação que estão incluídos os 29 imóveis apresentados pelo ministro Pedro Nuno Santos quando aprovou o plano de reabilitação de património público para arrendamento acessível.
Mais rápidas que as iniciativas do Governo poderão ser as que já foram apresentadas pelas câmaras de Lisboa e Porto, que tencionam apresentar programas autónomos, e com projectos diferenciados, como os que estão em curso na Feira Popular (Lisboa) ou no Monte Pedral (Porto).
Por enquanto só oito municípios entregaram as Estratégias Locais de Habitação que lhes vão permitir candidatarem-se a financiamentos no âmbito do 1º Direito. E ainda não foi lançada nenhuma empreitada no âmbito do Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado.
O Programa de Arrendamento Acessível (PAA) é apenas um instrumento entre quase duas dezenas de iniciativas que compõem a Nova Geração de Políticas de Habitação (NGPH). Mas um ano e meio depois de este pacote ter sido apresentado, há ainda poucos resultados a avançar. Mas tanto entre investigadores e activistas do direito à habitação, como entre autarcas, começam a surgir cada vez mais vozes no espaço público a avisar que o mercado não se irá reequilibrar para dar resposta às necessidades que são cada vez mais evidentes.
Numa altura em que o património público abrange apenas cerca de 2% do parque habitacional – se não considerarmos os juros bonificados que continuam a ser pagos pelo Orçamento de Estado nos apoios dados ao crédito à habitação há cerca de duas décadas – as câmaras municipais estão cada vez mais preocupadas com a forma como vão conseguir cumprir as necessidades da população. E num encontro realizado com as empresas municipais de habitação do Norte, onde estiveram representados vários municípios do litoral e do interior, foi perceptível que já poucos acreditam que vai ser possível cumprir a promessa do primeiro-ministro: resolver todas as carências habitacionais da população por altura dos 50 anos do 25 de Abril.
Até porque, no levantamento que agora está a ser feito pelas autarquias, para ser vertida na obrigatória Estratégia Local de Habitação (só depois de uma estratégia aprovada é que podem ser submetidas candidaturas ao programa 1º Direito, para apoiar os municípios na construção de novos fogos ou na recuperação dos existentes), conclui-se que as necessidades vão superar os 27 mil casos de carência que foram identificados no levantamento nacional que precedeu a apresentação da NGPH. As preocupações dos municípios e das empresas municipais vão mais longe – para além das estratégias locais de habitação, precisam de aprovar uma Carta Municipal de Habitação, de acordo com a Lei de Bases de Habitação que foi criada. É uma forma de, admitem os autarcas ouvidos pelo PÚBLICO, articular as necessidades de habitação com a revisão dos Planos Directores Municipais.
De acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO, até agora só há oito municípios com Estratégias Locais de Habitação aprovadas e entregues no IHRU-Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana. Mas ainda não são conhecidas candidaturas nem financiamentos aprovados. “Não vale a pena criar instrumentos e políticas conceptualmente intocáveis, mas que depois não casam com o território. Só se tirarmos o território do território e o colocarmos num laboratório”, ironiza Eduardo Luciano, vereador com os pelouros de habitação e de urbanismo da Câmara de Évora. O vereador diz que, desde 1997, todos os edifícios reabilitados no centro histórico se destinaram ao turismo e ao alojamento local e que, apesar de a pressão estar no centro, ela é radial. Lembrando que as rendas praticadas em Évora já estão acima da media nacional, e que o território está envelhecido e despovoado, diz que só um bom programa nacional poderá ter eficácia. “Se não houver discriminação positiva nestes territórios, e a descentralização for apenas transferência de obrigações, sem autonomia de decisão e com envelopes financeiros abaixo das necessidades, não iremos a lado nenhum”, termina.
Relativamente ao esforço nacional anunciado pelo Governo para reabilitar património devoluto e colocá-lo no mercado com uma parte destinada ao mercado de arrendamento acessível - através de Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado (FNRE), que haverá de receber verbas do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) – também nada saiu do papel e as primeiras empreitadas estão por lançar.
De acordo com o gabinete do Ministro da Habitação, estão constituídos três subfundos, três autorizados e seis em preparação. Assim, há 12 processos em curso e em diferentes fases de maturidade. Os subfundos criados estão “já na fase de licenciamento e de preparação do processo das empreitadas” e, no caso dos três autorizados, “a sociedade gestora do FNRE encontra-se a trabalhar de perto com as Câmara Municipais para apresentação dos Pedidos de Informação Prévia necessários à constituição dos subfundos”. É nos subfundos ainda em preparação que estão incluídos os 29 imóveis apresentados pelo ministro Pedro Nuno Santos quando aprovou o plano de reabilitação de património público para arrendamento acessível.
Mais rápidas que as iniciativas do Governo poderão ser as que já foram apresentadas pelas câmaras de Lisboa e Porto, que tencionam apresentar programas autónomos, e com projectos diferenciados, como os que estão em curso na Feira Popular (Lisboa) ou no Monte Pedral (Porto).
Rendas inacessíveis de Lisboa e Porto alargam-se ao resto do país
Luísa Pinto, in Público on-line
Ainda só há 78 contratos assinados no âmbito do Programa de Arrendamento Acessível. A diferença entre rendas e rendimentos é cada vez maior e afecta a cada vez mais territórios.
Desde que entrou em vigor, no passado dia 1 de Julho, o Programa de Arrendamento Acessível (PAA) ainda nem chegou aos 100 contratos de arrendamento em todo o país. Mesmo depois de o Governo ter prontamente admitido que iria demorar algum tempo para que este programa – que isenta os proprietários de impostos caso aceitem colocar no mercado os seus imóveis com rendas 20% abaixo da mediano dos preços praticados –, e de a secretaria de Estado da Habitação evidenciar que em média é submetido um novo contrato de arrendamento a cada dois dias, verdade é que até agora só há 78 contratos assinados.
E a inegável disparidade entre o número de alojamentos disponíveis e o de agregados familiares que se registaram na plataforma e com interesse em aceder, mantém-se. O número de agregados registados diminuiu para 5049 e há apenas 249 habitações disponíveis no programa.
Quando em Setembro deste ano o PÚBLICO divulgou o trabalho realizado por uma equipa de investigadores da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) que, com recurso às regras de acesso ao PAA e aos dados públicos disponíveis, simulou o seu comportamento para auscultar o mercado de arrendamento e medir o impacto que sobre ele teriam este e outros programas lançados pelo Governo, percebeu-se que o PAA era insuficiente para as famílias de Lisboa, Porto e Algarve. Três meses depois, e depois de actualizados os dados das rendas medianas do primeiro semestre de 2019 (que foram entretanto publicados pelo INE) e do IRS de 2017 (que substitui, nas contas feitas pelos investigadores, os dados de 2016), a situação não melhorou. Pelo contrário.
“Embora esta actualização tenha permitido aproximar a simulação do funcionamento real do programa (e atenuar o desfasamento entre rendas e rendimentos), o diagnóstico prévio persiste: existe uma inacessibilidade severa e em crescimento no actual funcionamento do mercado, onde a diferença entre rendas e rendimentos é cada vez maior e afecta a cada vez mais territórios”, conclui Aitor Vareo Oro, investigador do grupo Morfologias e Dinâmicas do território do Centro de Estudos em Arquitectura e Urbanismo da FAUP .
Recorde-se que o exercício em causa parte do cruzamento de dois tipos de dados: primeiro, a renda que, segundo o PAA, teria um T2 de 95 metros quadrados em cada município (e freguesia, quando possível) de Portugal continental; segundo, o valor mediano dos rendimentos brutos dos potenciais inquilinos. O resultado é uma representação do tecido habitacional do país a partir de duas rampas de cores: tons frios onde os valores não atingem o valor limite de 35% de taxa de esforço, tons quentes onde o fazem. Ou seja, quanto mais vermelho escuro for a mancha, mais difícil é aceder à habitação.
“Não vale a pena criar políticas que não casam com o território”
No estudo publicado em Setembro foram escolhidas as “rendas acessíveis” (para fazer um retrato do potencial impacto do PAA); desta vez, o baixo nível de adesão ao programa até à data sugeriu escolher as rendas de mercado calculadas em linha com os critérios do PAA (para fazer um retrato do mercado de arrendamento).
O esforço de tentar mapear o desfasamento entre rendas e rendimentos a partir do número de meses de ordenado que faltariam (ou sobrariam) a um agregado fiscal mediano para aceder ao já referido T2 tipo, dentro do município de residência, revela que as manchas de cor quente têm vindo a atingir vários territórios do país.
Tal como apurado em Setembro, os problemas graves de acesso ao arrendamento permanecem no Porto, em Lisboa e no Algarve. “As duas grandes cidades do país parecem estar a repetir dinâmicas de mercado que, já conhecidas em outras cidades europeias, contaminam as periferias com o aumento do valor fundiário experimentado nos centros urbanos”, nota Aitor Varea Oreo. Por exemplo, na freguesia de Campanhã seria preciso mais dez meses de salário para aceder a um imóvel nas condições impostas pelo programa, no Bonfim seria preciso mais 15 e na Foz mais 19. Em Lisboa a situação também piorou: na freguesia de Santa Clara faltam 14 meses de salário, na de Alcântara 22 e na de Santa Maria Maior há 27 salários a menos nos rendimentos medianos das famílias.
Mas estes problemas estão a alargar-se a outros territórios que não os centrais - tais como Évora, Leiria, Pombal, Santarém, Tomar, Figueira da Foz, Guimarães ou Barcelos onde o PAA ainda viabilizaria, em teoria, o acesso a uma habitação com taxas de esforço inferiores a 35% do rendimento bruto mensal, mas já com algumas limitações. E existem já outros territórios como Peniche, Setúbal, Santa Maria da Feira, Caldas da Rainha e Sines (para além de zonas de procura de alojamento por estudantes como Aveiro, Coimbra, Braga) onde baixar em 20% o valor dos arrendamentos - como prevê o programa - já não resolve os problemas de habitação, que estão a aumentar.
Quota de casas baratas em prédios novos ou reabilitados avança em Lisboa
A mancha de crescimento destes territórios “inacessíveis” é bem visível no mapa nacional, onde se representa graficamente a partir de que data é que o cruzamento das rendas medianas e dos rendimentos dos munícipes torna impossível aceder a uma habitação, mesmo com rendas abaixo da mediano do mercado. Esta análise só foi possível a partir do segundo semestre de 2017, período a partir do qual o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) passou a divulgar o valor mediano das rendas para habitação. Essa cor vermelha escura aparecia então nas varias freguesias de Lisboa, Porto e em muitos concelhos do Algarve. Durante o ano de 2018, começamos a ver esses problemas a chegar a outros concelhos limítrofes dessas áreas metropolitanas, mas também já a cidades como Aveiro e Setúba
No primeiro semestre de 2019, os problemas já chegaram a Braga e a Coimbra. E, comparando os dois mapas, em que um representa valores de mercado e o outro os valores acessíveis, e analisando a sua evolução, percebe-se que as cidades de Évora, Beja e Vila Real, já são inacessíveis aos munícipes dos respectivos concelhos. Nas três capitais de distrito, os munícipes recebem entre zero a três salários a menos para conseguir suportar as taxas de esforço imposta pelas regras do Programa de Arrendamento Acessível.
Ainda só há 78 contratos assinados no âmbito do Programa de Arrendamento Acessível. A diferença entre rendas e rendimentos é cada vez maior e afecta a cada vez mais territórios.
Desde que entrou em vigor, no passado dia 1 de Julho, o Programa de Arrendamento Acessível (PAA) ainda nem chegou aos 100 contratos de arrendamento em todo o país. Mesmo depois de o Governo ter prontamente admitido que iria demorar algum tempo para que este programa – que isenta os proprietários de impostos caso aceitem colocar no mercado os seus imóveis com rendas 20% abaixo da mediano dos preços praticados –, e de a secretaria de Estado da Habitação evidenciar que em média é submetido um novo contrato de arrendamento a cada dois dias, verdade é que até agora só há 78 contratos assinados.
E a inegável disparidade entre o número de alojamentos disponíveis e o de agregados familiares que se registaram na plataforma e com interesse em aceder, mantém-se. O número de agregados registados diminuiu para 5049 e há apenas 249 habitações disponíveis no programa.
Quando em Setembro deste ano o PÚBLICO divulgou o trabalho realizado por uma equipa de investigadores da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) que, com recurso às regras de acesso ao PAA e aos dados públicos disponíveis, simulou o seu comportamento para auscultar o mercado de arrendamento e medir o impacto que sobre ele teriam este e outros programas lançados pelo Governo, percebeu-se que o PAA era insuficiente para as famílias de Lisboa, Porto e Algarve. Três meses depois, e depois de actualizados os dados das rendas medianas do primeiro semestre de 2019 (que foram entretanto publicados pelo INE) e do IRS de 2017 (que substitui, nas contas feitas pelos investigadores, os dados de 2016), a situação não melhorou. Pelo contrário.
“Embora esta actualização tenha permitido aproximar a simulação do funcionamento real do programa (e atenuar o desfasamento entre rendas e rendimentos), o diagnóstico prévio persiste: existe uma inacessibilidade severa e em crescimento no actual funcionamento do mercado, onde a diferença entre rendas e rendimentos é cada vez maior e afecta a cada vez mais territórios”, conclui Aitor Vareo Oro, investigador do grupo Morfologias e Dinâmicas do território do Centro de Estudos em Arquitectura e Urbanismo da FAUP .
Recorde-se que o exercício em causa parte do cruzamento de dois tipos de dados: primeiro, a renda que, segundo o PAA, teria um T2 de 95 metros quadrados em cada município (e freguesia, quando possível) de Portugal continental; segundo, o valor mediano dos rendimentos brutos dos potenciais inquilinos. O resultado é uma representação do tecido habitacional do país a partir de duas rampas de cores: tons frios onde os valores não atingem o valor limite de 35% de taxa de esforço, tons quentes onde o fazem. Ou seja, quanto mais vermelho escuro for a mancha, mais difícil é aceder à habitação.
“Não vale a pena criar políticas que não casam com o território”
No estudo publicado em Setembro foram escolhidas as “rendas acessíveis” (para fazer um retrato do potencial impacto do PAA); desta vez, o baixo nível de adesão ao programa até à data sugeriu escolher as rendas de mercado calculadas em linha com os critérios do PAA (para fazer um retrato do mercado de arrendamento).
O esforço de tentar mapear o desfasamento entre rendas e rendimentos a partir do número de meses de ordenado que faltariam (ou sobrariam) a um agregado fiscal mediano para aceder ao já referido T2 tipo, dentro do município de residência, revela que as manchas de cor quente têm vindo a atingir vários territórios do país.
Tal como apurado em Setembro, os problemas graves de acesso ao arrendamento permanecem no Porto, em Lisboa e no Algarve. “As duas grandes cidades do país parecem estar a repetir dinâmicas de mercado que, já conhecidas em outras cidades europeias, contaminam as periferias com o aumento do valor fundiário experimentado nos centros urbanos”, nota Aitor Varea Oreo. Por exemplo, na freguesia de Campanhã seria preciso mais dez meses de salário para aceder a um imóvel nas condições impostas pelo programa, no Bonfim seria preciso mais 15 e na Foz mais 19. Em Lisboa a situação também piorou: na freguesia de Santa Clara faltam 14 meses de salário, na de Alcântara 22 e na de Santa Maria Maior há 27 salários a menos nos rendimentos medianos das famílias.
Mas estes problemas estão a alargar-se a outros territórios que não os centrais - tais como Évora, Leiria, Pombal, Santarém, Tomar, Figueira da Foz, Guimarães ou Barcelos onde o PAA ainda viabilizaria, em teoria, o acesso a uma habitação com taxas de esforço inferiores a 35% do rendimento bruto mensal, mas já com algumas limitações. E existem já outros territórios como Peniche, Setúbal, Santa Maria da Feira, Caldas da Rainha e Sines (para além de zonas de procura de alojamento por estudantes como Aveiro, Coimbra, Braga) onde baixar em 20% o valor dos arrendamentos - como prevê o programa - já não resolve os problemas de habitação, que estão a aumentar.
Quota de casas baratas em prédios novos ou reabilitados avança em Lisboa
A mancha de crescimento destes territórios “inacessíveis” é bem visível no mapa nacional, onde se representa graficamente a partir de que data é que o cruzamento das rendas medianas e dos rendimentos dos munícipes torna impossível aceder a uma habitação, mesmo com rendas abaixo da mediano do mercado. Esta análise só foi possível a partir do segundo semestre de 2017, período a partir do qual o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) passou a divulgar o valor mediano das rendas para habitação. Essa cor vermelha escura aparecia então nas varias freguesias de Lisboa, Porto e em muitos concelhos do Algarve. Durante o ano de 2018, começamos a ver esses problemas a chegar a outros concelhos limítrofes dessas áreas metropolitanas, mas também já a cidades como Aveiro e Setúba
No primeiro semestre de 2019, os problemas já chegaram a Braga e a Coimbra. E, comparando os dois mapas, em que um representa valores de mercado e o outro os valores acessíveis, e analisando a sua evolução, percebe-se que as cidades de Évora, Beja e Vila Real, já são inacessíveis aos munícipes dos respectivos concelhos. Nas três capitais de distrito, os munícipes recebem entre zero a três salários a menos para conseguir suportar as taxas de esforço imposta pelas regras do Programa de Arrendamento Acessível.
Avaliação da OCDE: estudantes pobres estão mais longe dos ricos
Samuel Silva, Público on-line
Diferença no desempenho na leitura cresceu na última década, mostram os dados do PISA. Apenas 2% de alunos de origens desfavorecidas conseguem estar entre os melhores.
A diferença de desempenho na leitura entre os alunos ricos e pobres aumentou, na última década, em Portugal, mostram os resultados dos PISA (Programme for International Student Assessment), que são divulgados nesta terça-feira. Apenas 2% dos estudantes de origens desfavorecidas conseguem estar entre os melhores no estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).
Os dados de 2018 mostram que os estudantes provenientes de contexto privilegiados têm uma pontuação média superior em 95 pontos aos colegas de origens desfavorecidas, na avaliação das competências de leitura. Essa diferença não só é superior à média dos países que integram o estudo da OCDE (89 pontos), como representa um aumento significativo face a 2009 no que à população portuguesa diz respeito. Há uma década – na última versão do PISA em que a leitura foi o conteúdo em destaque – o desempenho dos alunos mais pobres era inferior em 87 pontos ao dos colegas com maior capital socioeconómico.
O PISA 2018 mostra que apenas 2% dos estudantes desfavorecidos nacionais conseguiram um lugar no grupo dos que tiveram melhor desempenho na avaliação da competências de leitura. Entre os estudantes favorecidos, a percentagem é mais elevada: 16%.
O relatório da OCDE que analisa o desempenho dos jovens de 15 anos, relativo a Portugal, sublinha que estatuto socioeconómico é “um forte preditor da performance” dos alunos nacionais também no que às competências de matemática e ciências diz respeito. A origem dos alunos explica 17% das variações nos resultados em matemática (face a 14% de média nos restantes países do estudo) e 16% das variações em ciências (13% em média).
“Muitos estudantes desfavorecidos e com alto desempenho” apresentam “ambições mais baixas do que seria expectável dado o seu sucesso académico”, aponta também o estudo.
Face a estes resultados, “muitos estudantes desfavorecidos e com alto desempenho” apresentam “ambições mais baixas do que seria expectável dado o seu sucesso académico”, aponta também o estudo. Em Portugal, apenas três em quatro estudantes desfavorecidos e com alto desempenho dizem esperar terminar o ensino superior, ao passo que quase todos os estudantes provenientes de contextos privilegiados e com bom desempenho nos testes PISA esperam concluir um curso universitário.
Avaliação internacional dos alunos de 15 anos. O que é e para que serve o PISA?
Outra diferença apontada pelo estudo é a dos resultados dos alunos com origens exteriores a Portugal. Os estudantes imigrantes (primeira ou segunda geração) têm uma média de desempenho na leitura 32 pontos inferior à dos restantes estudantes. Ainda assim, 17% destes alunos conseguem um lugar entre os 25% com melhores desempenhos, um indicador semelhante à média dos países que integram a análise da OCDE.
De acordo com o PISA 2018, o número de estudantes com origens exteriores a Portugal subiu na última década: são 7%, mais dois pontos do que em 2009. Cerca de um quarto destes é proveniente de um contexto socioeconómico desfavorecido.
O PISA é uma grande avaliação internacional à literacia dos alunos de 15 anos. Incide em três áreas-chave: ciências, matemática e leitura. Cada leva de testes (são feitos a cada três anos em dezenas de países) privilegia uma área em particular. Nesta edição a área em destaque é a leitura.
Diferença no desempenho na leitura cresceu na última década, mostram os dados do PISA. Apenas 2% de alunos de origens desfavorecidas conseguem estar entre os melhores.
A diferença de desempenho na leitura entre os alunos ricos e pobres aumentou, na última década, em Portugal, mostram os resultados dos PISA (Programme for International Student Assessment), que são divulgados nesta terça-feira. Apenas 2% dos estudantes de origens desfavorecidas conseguem estar entre os melhores no estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).
Os dados de 2018 mostram que os estudantes provenientes de contexto privilegiados têm uma pontuação média superior em 95 pontos aos colegas de origens desfavorecidas, na avaliação das competências de leitura. Essa diferença não só é superior à média dos países que integram o estudo da OCDE (89 pontos), como representa um aumento significativo face a 2009 no que à população portuguesa diz respeito. Há uma década – na última versão do PISA em que a leitura foi o conteúdo em destaque – o desempenho dos alunos mais pobres era inferior em 87 pontos ao dos colegas com maior capital socioeconómico.
O PISA 2018 mostra que apenas 2% dos estudantes desfavorecidos nacionais conseguiram um lugar no grupo dos que tiveram melhor desempenho na avaliação da competências de leitura. Entre os estudantes favorecidos, a percentagem é mais elevada: 16%.
O relatório da OCDE que analisa o desempenho dos jovens de 15 anos, relativo a Portugal, sublinha que estatuto socioeconómico é “um forte preditor da performance” dos alunos nacionais também no que às competências de matemática e ciências diz respeito. A origem dos alunos explica 17% das variações nos resultados em matemática (face a 14% de média nos restantes países do estudo) e 16% das variações em ciências (13% em média).
“Muitos estudantes desfavorecidos e com alto desempenho” apresentam “ambições mais baixas do que seria expectável dado o seu sucesso académico”, aponta também o estudo.
Face a estes resultados, “muitos estudantes desfavorecidos e com alto desempenho” apresentam “ambições mais baixas do que seria expectável dado o seu sucesso académico”, aponta também o estudo. Em Portugal, apenas três em quatro estudantes desfavorecidos e com alto desempenho dizem esperar terminar o ensino superior, ao passo que quase todos os estudantes provenientes de contextos privilegiados e com bom desempenho nos testes PISA esperam concluir um curso universitário.
Avaliação internacional dos alunos de 15 anos. O que é e para que serve o PISA?
Outra diferença apontada pelo estudo é a dos resultados dos alunos com origens exteriores a Portugal. Os estudantes imigrantes (primeira ou segunda geração) têm uma média de desempenho na leitura 32 pontos inferior à dos restantes estudantes. Ainda assim, 17% destes alunos conseguem um lugar entre os 25% com melhores desempenhos, um indicador semelhante à média dos países que integram a análise da OCDE.
De acordo com o PISA 2018, o número de estudantes com origens exteriores a Portugal subiu na última década: são 7%, mais dois pontos do que em 2009. Cerca de um quarto destes é proveniente de um contexto socioeconómico desfavorecido.
O PISA é uma grande avaliação internacional à literacia dos alunos de 15 anos. Incide em três áreas-chave: ciências, matemática e leitura. Cada leva de testes (são feitos a cada três anos em dezenas de países) privilegia uma área em particular. Nesta edição a área em destaque é a leitura.
PISA 2018: Situação socioeconómica continua a influenciar resultados dos estudantes
Por Sara Beatriz Monteiro e Rui Polónio, in TSF
Só na área da Leitura, os alunos privilegiados superaram os alunos desfavorecidos em 95 pontos no PISA 2018. Ainda assim, cerca de 10% dos estudantes desfavorecidos em Portugal conseguiram atingir os melhores níveis de desempenho no mesmo domínio.
A situação socioeconómica dos estudantes foi, mais uma vez, um fator com influência no desempenho dos alunos nas áreas da Leitura, Matemática e Ciências em Portugal. A conclusão é do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) 2018, o estudo internacional trienal que avalia a literacia dos alunos de 15 anos de idade nestes três domínios.
Perante estes resultados, o secretário de estado adjunto da Educação, João Costa reconhece à TSF que é preciso atuar. "O primeiro passo é começar o mais cedo possível e agir aos primeiros sinais de dificuldade. Investir, como está previsto, nas estratégias de recuperação, mas sobretudo continuar o trabalho que foi começado na legislatura anterior e dar autonomia às escolas para poderem criar medidas de apoio dirigidas a grupos específicos. Há um dado interessante no PISA: a pobreza não é determinante."
De acordo com o estudo, na área da Leitura, os alunos privilegiados superaram os alunos desfavorecidos em 95 pontos no PISA 2018, sendo que a média da OCDE é de 89 pontos. Em 2009, a diferença de desempenho relacionada com a situação socioeconómica dos alunos portugueses era de 87 pontos, ou seja, a diferença de desempenho entre pobres e ricos acentuou-se.
Também na área da Matemática e das Ciências, a situação socioeconómica dos estudantes revelou ser um fator de influência nos resultados. Registou-se uma variação de desempenho entre favorecidos e desfavorecidos de 17% no domínio da Matemática (comparado com 14% em média nos países da OCDE) e uma variação de 16% no domínio das Ciências (em comparação com a média da OCDE de 13% da variação).
Ainda assim, cerca de 10% dos estudantes desfavorecidos em Portugal conseguiram atingir os melhores níveis de desempenho de Leitura. Em média, nos países da OCDE, 11% dos estudantes desfavorecidos atingiram os melhores níveis de desempenho em Leitura.
Em Portugal, os alunos de baixo desempenho estão agrupados em certas escolas na mesma medida que a média da OCDE. Já os alunos de alto desempenho estão menos frequentemente agrupados. De acordo com o estudo, um aluno desfavorecido tem 22% de hipóteses, em média, de estar matriculado numa escola com aqueles que atingem os melhores níveis no domínio da Leitura. A média da OCDE no mesmo parâmetro é de 17%.
Os diretores das escolas em Portugal relataram mais escassez de pessoal e mais escassez de material do que a média da OCDE. No entanto, não houve diferença significativa na escassez de pessoal entre escolas favorecidas e desfavorecidas.
Em Portugal, 18% dos estudantes matriculados numa escola desfavorecida e 29% dos alunos matriculados numa escola privilegiada frequentam um estabelecimento com falta de pessoal docente, reportada pelos diretores. Em média, nos países da OCDE, 34% dos estudantes em escolas desfavorecidas e 18% dos estudantes em escolas favorecidas frequentam escolas com o mesmo padrão.
As ambições de grande parte dos estudantes, em particular dos mais desfavorecidos, são mais baixas do que o esperado. Em Portugal, um em cada quatro estudantes desfavorecidos com elevados níveis de desempenho - e cerca de um em cada 30 estudantes favorecidos com elevado desempenho - não espera concluir o ensino superior.
As regras do PISA exigem que pelo menos 80% dos estudantes escolhidos nas escolas participem no estudo. Este limite de 80% foi atingido em todos os países, exceto em Portugal, onde apenas 76% dos estudantes realmente participaram no estudo.
Para João Costa a percentagem de "não participação" não altera os resultados, mas o governante admite que é preciso corrigir estes problemas. "Tem que haver mais proximidade com as escolas para estimular a participação dos alunos que são selecionados para amostra. Há aquilo a que se chama a fadiga da resposta. São muitos questionários e as pessoas por vezes não respondem a todos, mas dada a importância destes estudos tem que haver maior acompanhamento."
João Costa sobre a não participação portuguesa neste estudo
Os investigadores avisam que isto pode levar a resultados enviesados caso os alunos que não responderam sejam os que são mais propensos a ter desempenhos mais baixos. Ainda assim, justificam que a percentagem de não participação de Portugal é suficientemente pequena para preservar os resultados.
Só na área da Leitura, os alunos privilegiados superaram os alunos desfavorecidos em 95 pontos no PISA 2018. Ainda assim, cerca de 10% dos estudantes desfavorecidos em Portugal conseguiram atingir os melhores níveis de desempenho no mesmo domínio.
A situação socioeconómica dos estudantes foi, mais uma vez, um fator com influência no desempenho dos alunos nas áreas da Leitura, Matemática e Ciências em Portugal. A conclusão é do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) 2018, o estudo internacional trienal que avalia a literacia dos alunos de 15 anos de idade nestes três domínios.
Perante estes resultados, o secretário de estado adjunto da Educação, João Costa reconhece à TSF que é preciso atuar. "O primeiro passo é começar o mais cedo possível e agir aos primeiros sinais de dificuldade. Investir, como está previsto, nas estratégias de recuperação, mas sobretudo continuar o trabalho que foi começado na legislatura anterior e dar autonomia às escolas para poderem criar medidas de apoio dirigidas a grupos específicos. Há um dado interessante no PISA: a pobreza não é determinante."
De acordo com o estudo, na área da Leitura, os alunos privilegiados superaram os alunos desfavorecidos em 95 pontos no PISA 2018, sendo que a média da OCDE é de 89 pontos. Em 2009, a diferença de desempenho relacionada com a situação socioeconómica dos alunos portugueses era de 87 pontos, ou seja, a diferença de desempenho entre pobres e ricos acentuou-se.
Também na área da Matemática e das Ciências, a situação socioeconómica dos estudantes revelou ser um fator de influência nos resultados. Registou-se uma variação de desempenho entre favorecidos e desfavorecidos de 17% no domínio da Matemática (comparado com 14% em média nos países da OCDE) e uma variação de 16% no domínio das Ciências (em comparação com a média da OCDE de 13% da variação).
Ainda assim, cerca de 10% dos estudantes desfavorecidos em Portugal conseguiram atingir os melhores níveis de desempenho de Leitura. Em média, nos países da OCDE, 11% dos estudantes desfavorecidos atingiram os melhores níveis de desempenho em Leitura.
Em Portugal, os alunos de baixo desempenho estão agrupados em certas escolas na mesma medida que a média da OCDE. Já os alunos de alto desempenho estão menos frequentemente agrupados. De acordo com o estudo, um aluno desfavorecido tem 22% de hipóteses, em média, de estar matriculado numa escola com aqueles que atingem os melhores níveis no domínio da Leitura. A média da OCDE no mesmo parâmetro é de 17%.
Os diretores das escolas em Portugal relataram mais escassez de pessoal e mais escassez de material do que a média da OCDE. No entanto, não houve diferença significativa na escassez de pessoal entre escolas favorecidas e desfavorecidas.
Em Portugal, 18% dos estudantes matriculados numa escola desfavorecida e 29% dos alunos matriculados numa escola privilegiada frequentam um estabelecimento com falta de pessoal docente, reportada pelos diretores. Em média, nos países da OCDE, 34% dos estudantes em escolas desfavorecidas e 18% dos estudantes em escolas favorecidas frequentam escolas com o mesmo padrão.
As ambições de grande parte dos estudantes, em particular dos mais desfavorecidos, são mais baixas do que o esperado. Em Portugal, um em cada quatro estudantes desfavorecidos com elevados níveis de desempenho - e cerca de um em cada 30 estudantes favorecidos com elevado desempenho - não espera concluir o ensino superior.
As regras do PISA exigem que pelo menos 80% dos estudantes escolhidos nas escolas participem no estudo. Este limite de 80% foi atingido em todos os países, exceto em Portugal, onde apenas 76% dos estudantes realmente participaram no estudo.
Para João Costa a percentagem de "não participação" não altera os resultados, mas o governante admite que é preciso corrigir estes problemas. "Tem que haver mais proximidade com as escolas para estimular a participação dos alunos que são selecionados para amostra. Há aquilo a que se chama a fadiga da resposta. São muitos questionários e as pessoas por vezes não respondem a todos, mas dada a importância destes estudos tem que haver maior acompanhamento."
João Costa sobre a não participação portuguesa neste estudo
Os investigadores avisam que isto pode levar a resultados enviesados caso os alunos que não responderam sejam os que são mais propensos a ter desempenhos mais baixos. Ainda assim, justificam que a percentagem de não participação de Portugal é suficientemente pequena para preservar os resultados.
“É difícil aceitar que um quinto dos portugueses viva com menos de 500 euros.” Ribeiro e Castro apela ao combate à pobreza
in Expresso
Ribeiro e Castro durante a cerimónia do 1º de Dezembro, na Praça dos Restauradores, em Lisboa
Antigo líder do CDS, e atual presidente do Movimento 1º de Dezembro, Ribeiro e Castro lembrou o “milhão de idosos” com rendimentos de “250 euros mensais ou ainda menos”. “O dever de atenção a estes nossos compatriotas não pode ser atenuado”
O presidente do Movimento 1.º de Dezembro, Ribeiro e Castro, apelou este domingo, durante as comemorações da Restauração, a uma mobilização nacional para combater a pobreza e alcançar os lugares cimeiros nos índices económicos e sociais da União Europeia. Na cerimónia de homenagem aos heróis do 1.º de Dezembro, que decorreu na praça dos Restauradores, em Lisboa, Ribeiro e Castro afirmou que essa “ambição patriótica” tem de ser “de todos os políticos, no Governo e na oposição, e de toda a sociedade”.
“É imperativo abandonarmos o conformismo dos bancos de trás e avançarmos para os lugares da frente da União Europeia. A política de Portugal de querermos estar sempre no núcleo duro da frente da UE tem de deixar de ser apenas a disponibilidade de aceitar tudo o que nesta se decida para passar a ser a determinação nacional de estarmos nos cinco ou nos três indicadores económicos e sociais”, afirmou o presidente do Movimento 1.º de Dezembro.
Ribeiro e Castro defendeu que Portugal deve seguir o exemplo da Irlanda, que também era “a última de todas” quando aderiu à Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1973, e que atualmente se encontra posicionada no segundo lugar do 'ranking' europeu, "apenas atrás do Luxemburgo”. “Não podemos conformar-nos com os últimos lugares. Se a Irlanda foi capaz nós também temos de ser. Isso significa taxas médias de crescimento anual de 4% ou mais como a Irlanda fez. Sem isso não sairemos da cepa torta”, alertou, referindo que, “pela aparência dos números, apenas a Bulgária, a Roménia e a Grécia ficarão ainda mais tempo atrás de Portugal”.
No âmbito dessa “ambição”, o antigo presidente do CDS-PP defendeu que o combate à pobreza “deve ocupar o lugar principal das políticas sociais” e pediu maior atenção para os grupos mais vulneráveis, como os idosos e as crianças. “É difícil de aceitar que cerca de um quinto dos portugueses tenha de viver com menos de 500 euros mensais e um milhão de idosos, sobretudo, com 250 euros mensais ou ainda menos. O dever de atenção a estes nossos compatriotas não pode ser atenuado. Antes deve constituir preocupação permanente”, concluiu.
Na cerimónia, que contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que também depositou coroas de flores junto ao monumento, esteve igualmente o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, que, numa curta intervenção, deixou uma mensagem de esperança.
“Um povo que na sua história de nove séculos desenvolveu a capacidade de viver as dificuldades momentâneas, com a certeza de que o todo nacional perdura e que conhecerá novos momentos de afirmação futura. Uma nação que hoje se mostra orgulhosa do seu passado confiante no seu futuro”, afirmou o governante.
Ribeiro e Castro durante a cerimónia do 1º de Dezembro, na Praça dos Restauradores, em Lisboa
Antigo líder do CDS, e atual presidente do Movimento 1º de Dezembro, Ribeiro e Castro lembrou o “milhão de idosos” com rendimentos de “250 euros mensais ou ainda menos”. “O dever de atenção a estes nossos compatriotas não pode ser atenuado”
O presidente do Movimento 1.º de Dezembro, Ribeiro e Castro, apelou este domingo, durante as comemorações da Restauração, a uma mobilização nacional para combater a pobreza e alcançar os lugares cimeiros nos índices económicos e sociais da União Europeia. Na cerimónia de homenagem aos heróis do 1.º de Dezembro, que decorreu na praça dos Restauradores, em Lisboa, Ribeiro e Castro afirmou que essa “ambição patriótica” tem de ser “de todos os políticos, no Governo e na oposição, e de toda a sociedade”.
“É imperativo abandonarmos o conformismo dos bancos de trás e avançarmos para os lugares da frente da União Europeia. A política de Portugal de querermos estar sempre no núcleo duro da frente da UE tem de deixar de ser apenas a disponibilidade de aceitar tudo o que nesta se decida para passar a ser a determinação nacional de estarmos nos cinco ou nos três indicadores económicos e sociais”, afirmou o presidente do Movimento 1.º de Dezembro.
Ribeiro e Castro defendeu que Portugal deve seguir o exemplo da Irlanda, que também era “a última de todas” quando aderiu à Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1973, e que atualmente se encontra posicionada no segundo lugar do 'ranking' europeu, "apenas atrás do Luxemburgo”. “Não podemos conformar-nos com os últimos lugares. Se a Irlanda foi capaz nós também temos de ser. Isso significa taxas médias de crescimento anual de 4% ou mais como a Irlanda fez. Sem isso não sairemos da cepa torta”, alertou, referindo que, “pela aparência dos números, apenas a Bulgária, a Roménia e a Grécia ficarão ainda mais tempo atrás de Portugal”.
No âmbito dessa “ambição”, o antigo presidente do CDS-PP defendeu que o combate à pobreza “deve ocupar o lugar principal das políticas sociais” e pediu maior atenção para os grupos mais vulneráveis, como os idosos e as crianças. “É difícil de aceitar que cerca de um quinto dos portugueses tenha de viver com menos de 500 euros mensais e um milhão de idosos, sobretudo, com 250 euros mensais ou ainda menos. O dever de atenção a estes nossos compatriotas não pode ser atenuado. Antes deve constituir preocupação permanente”, concluiu.
Na cerimónia, que contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que também depositou coroas de flores junto ao monumento, esteve igualmente o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, que, numa curta intervenção, deixou uma mensagem de esperança.
“Um povo que na sua história de nove séculos desenvolveu a capacidade de viver as dificuldades momentâneas, com a certeza de que o todo nacional perdura e que conhecerá novos momentos de afirmação futura. Uma nação que hoje se mostra orgulhosa do seu passado confiante no seu futuro”, afirmou o governante.
Mais de 100 mil pessoas recebem Prestação Social para a Inclusão
in econline
Em 95% dos casos, os beneficiários da Prestação Social para a Inclusão (PSI) recebem 273,39 euros por mês.
Um total de 100.570 pessoas com deficiência ou incapacidade recebem, em 95% dos casos, 273,39 euros por mês através da Prestação Social para a Inclusão (PSI) que visa promover o combate à pobreza e incentivar a participação laboral.
A PSI foi criada em 2017 e segundo o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) contribuiu para simplificar o quadro de benefícios existente até então, nomeadamente o Subsídio Mensal Vitalício, a Pensão Social de Invalidez e a Pensão de Invalidez do Regime Transitório dos Trabalhadores Agrícolas, aumentando a eficácia na proteção social das pessoas com deficiência.
Hoje assinala-se o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, e em comunicado o MTSSS destaca que de janeiro a setembro deste ano, a despesa com a PSI totalizou 248,3 milhões de euros, um crescimento de 28% face ao mesmo período do ano passado.
Esta evolução é classificada pelo ministério como “muito positiva”.
“A promoção dos direitos das pessoas com deficiência e a sua plena inclusão são prioridades fundamentais assumidas pelo Governo. Nesse sentido, foram criados em abril de 2016 os Balcões da Inclusão, que têm como missão prestar informação e disponibilizar mediação especializada e acessível às pessoas com deficiência e/ou incapacidade, famílias e organizações da área”, refere o ministério.
Até ao momento, adianta o MTSSS, foram criados 12 balcões nos Centros Distritais da Segurança Social, um balcão descentralizado do Instituto Nacional para a Reabilitação e um balcão no ISS da Madeira.
Adicionalmente, foram criados 59 Balcões da Inclusão Municipais, tendo sido assinados outros 17 protocolos no dia 26 de novembro.
Desde a criação desta rede foram efetuados 55 mil atendimentos.
No âmbito do Modelo de Apoio à Vida Independente, que disponibiliza assistência pessoal às pessoas com deficiência para a realização de um conjunto de atividades que não consigam ou tenham muita dificuldade em realizar sozinhas, o MTSSS refere que foram já aprovados 38 Centros de Apoio à Vida Independente, que apoiam 601 pessoas em todo o país.
Para a Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, “considerando o caminho já trilhado, consubstanciado nas medidas já implementadas, o grande desígnio para o atual Governo, no que respeita à inclusão das pessoas com deficiência, centra-se na promoção das acessibilidades, com a adoção de ações concretas com vista à eliminação de barreiras físicas e tecnológicas, a espaços, bens e serviços, bem como na dinamização do emprego para pessoas com deficiência”.
Em 95% dos casos, os beneficiários da Prestação Social para a Inclusão (PSI) recebem 273,39 euros por mês.
Um total de 100.570 pessoas com deficiência ou incapacidade recebem, em 95% dos casos, 273,39 euros por mês através da Prestação Social para a Inclusão (PSI) que visa promover o combate à pobreza e incentivar a participação laboral.
A PSI foi criada em 2017 e segundo o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) contribuiu para simplificar o quadro de benefícios existente até então, nomeadamente o Subsídio Mensal Vitalício, a Pensão Social de Invalidez e a Pensão de Invalidez do Regime Transitório dos Trabalhadores Agrícolas, aumentando a eficácia na proteção social das pessoas com deficiência.
Hoje assinala-se o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, e em comunicado o MTSSS destaca que de janeiro a setembro deste ano, a despesa com a PSI totalizou 248,3 milhões de euros, um crescimento de 28% face ao mesmo período do ano passado.
Esta evolução é classificada pelo ministério como “muito positiva”.
“A promoção dos direitos das pessoas com deficiência e a sua plena inclusão são prioridades fundamentais assumidas pelo Governo. Nesse sentido, foram criados em abril de 2016 os Balcões da Inclusão, que têm como missão prestar informação e disponibilizar mediação especializada e acessível às pessoas com deficiência e/ou incapacidade, famílias e organizações da área”, refere o ministério.
Até ao momento, adianta o MTSSS, foram criados 12 balcões nos Centros Distritais da Segurança Social, um balcão descentralizado do Instituto Nacional para a Reabilitação e um balcão no ISS da Madeira.
Adicionalmente, foram criados 59 Balcões da Inclusão Municipais, tendo sido assinados outros 17 protocolos no dia 26 de novembro.
Desde a criação desta rede foram efetuados 55 mil atendimentos.
No âmbito do Modelo de Apoio à Vida Independente, que disponibiliza assistência pessoal às pessoas com deficiência para a realização de um conjunto de atividades que não consigam ou tenham muita dificuldade em realizar sozinhas, o MTSSS refere que foram já aprovados 38 Centros de Apoio à Vida Independente, que apoiam 601 pessoas em todo o país.
Para a Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, “considerando o caminho já trilhado, consubstanciado nas medidas já implementadas, o grande desígnio para o atual Governo, no que respeita à inclusão das pessoas com deficiência, centra-se na promoção das acessibilidades, com a adoção de ações concretas com vista à eliminação de barreiras físicas e tecnológicas, a espaços, bens e serviços, bem como na dinamização do emprego para pessoas com deficiência”.
Envelhecimento está mais presente no distrito de Viseu, do que na cidade
José Carreira, in Jornal do Centro
O envelhecimento e isolamento da população são problemáticas que afetam a região de Viseu. Temas que são prioridade para o Projeto Envelhecer, criado recentemente. O promotor José Carreira fala de uma realidade mais presente no distrito do que no concelho de Viseu.
“Considera-se que em Viseu não há uma problemática muito forte de envelhecimento, mas sabemos que o distrito é um dos mais envelhecidos do país, juntamente com Vila Real e Guarda, mas temos outras questões como o isolamento e a solidão não-desejada, porque há muitas pessoas que se sentem sós”, diz em declarações ao programa Centro Solidário da Rádio Jornal do Centro.
O promotor revela que a pessoa idosa típica em situação de solidão é “mulher e vive numa aldeia muitas vezes afastada da cidade e dos serviços”.
José Carreira sublinha ainda que a solidão também é vivida no meio urbano e que as pessoas que vivem nessa situação “têm muitas dificuldades em sair de casa, devido às acessibilidades”. Um problema que, considera, tem vindo a ser resolvido por exemplo pelos programas da Câmara de Viseu que visam melhorar a qualidade de vida.
O Projeto Envelhecer está esta semana no programa Centro Solidário, que pode ouvir esta quarta-feira (4 de dezembro) às 23h00 na Rádio Jornal do Centro, com repetição às 13h45 de quinta-feira (dia 5) e durante o fim de semana.
A entrevista a José Carreira pode ser acompanhada brevemente na edição impressa e no site do Jornal do Centro.
O envelhecimento e isolamento da população são problemáticas que afetam a região de Viseu. Temas que são prioridade para o Projeto Envelhecer, criado recentemente. O promotor José Carreira fala de uma realidade mais presente no distrito do que no concelho de Viseu.
“Considera-se que em Viseu não há uma problemática muito forte de envelhecimento, mas sabemos que o distrito é um dos mais envelhecidos do país, juntamente com Vila Real e Guarda, mas temos outras questões como o isolamento e a solidão não-desejada, porque há muitas pessoas que se sentem sós”, diz em declarações ao programa Centro Solidário da Rádio Jornal do Centro.
O promotor revela que a pessoa idosa típica em situação de solidão é “mulher e vive numa aldeia muitas vezes afastada da cidade e dos serviços”.
José Carreira sublinha ainda que a solidão também é vivida no meio urbano e que as pessoas que vivem nessa situação “têm muitas dificuldades em sair de casa, devido às acessibilidades”. Um problema que, considera, tem vindo a ser resolvido por exemplo pelos programas da Câmara de Viseu que visam melhorar a qualidade de vida.
O Projeto Envelhecer está esta semana no programa Centro Solidário, que pode ouvir esta quarta-feira (4 de dezembro) às 23h00 na Rádio Jornal do Centro, com repetição às 13h45 de quinta-feira (dia 5) e durante o fim de semana.
A entrevista a José Carreira pode ser acompanhada brevemente na edição impressa e no site do Jornal do Centro.
Sindicato diz que 24% dos trabalhadores nos Açores são precários
in Notícias ao Minuto
A União de Sindicatos de Angra do Heroísmo (USAH), afeta à CGTP, alertou hoje para o aumento da precariedade nos Açores, alegando que 24% dos trabalhadores tinham contratos precários no segundo trimestre de 2019.
ara o Movimento Sindical Unitário Açoriano, lamentavelmente a precariedade do emprego continua a aumentar de ano para ano, uma vez que o emprego criado é cada vez mais precário. Os contratos precários atingiam 23.400 trabalhadores no segundo trimestre de 2019 (24%). Em 2015, por exemplo, eram 18.500 (21,2%)", adiantou o coordenador da USAH, Vítor Silva, em comunicado de imprensa.
Na semana contra a precariedade, promovida pela CGTP em todo o território nacional, até sexta-feira, o coordenador da USAH e do Sindicato das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comércio e Escritórios, Hotelaria e Turismo dos Açores (SITACEHT) salienta que a entrada no mercado de trabalho no arquipélago é "marcada pela proliferação de empregos precários com baixos salários", acrescentando que essas condições atingem também "os trabalhadores com profissões especializadas e qualificações elevadas".
"Oito em cada dez empregos criados em termos líquidos não tinham vínculo permanente, significando que o emprego criado não é estável, nem tem qualidade", avançou.
Vítor Silva alertou ainda para o trabalho irregular, alegando que entre janeiro e setembro foram detetados nos Açores 794 trabalhadores nessa situação, um acréscimo superior a 100 casos, em comparação com os registados entre janeiro e dezembro de 2018.
Destes casos, 342 eram considerados "trabalhadores fantasmas", ou seja, sem contrato, descontos e seguro de trabalho, tendo-se registado ainda 412 trabalhadores com contratos irregulares e 40 com falsos recibos verdes.
"A precariedade laboral é um grave problema, que afeta, de forma cada vez mais dura e cruel, os açorianos. Milhares de trabalhadores vivem na nossa região na total incerteza em relação ao seu futuro. Nos Açores, os contratos a prazo tornaram-se hoje a regra, com cada vez menos exceções e com prazos extremamente curtos, mesmo em setores em grande expansão, como o do turismo", sublinhou.
O dirigente sindical considerou, por outro lado, que estes números podem conduzir a um aumento do desemprego na região
"A manter-se ou a acentuar-se a atual situação laboral nos Açores, e uma vez que a precariedade é a antecâmara do desemprego, a médio prazo, este acréscimo significativo da precariedade laboral determinará um novo aumento do desemprego na região, bem como um agravamento das condições de trabalho e uma perda de poder de compra por parte dos trabalhadores açorianos e, como consequência, ainda mais pobreza e exclusão social", apontou.
Vítor Silva defendeu, por isso, que "é necessário combater a utilização ilegal dos contratos a prazo, do trabalho temporário, da subcontratação, das falsas prestações de serviços (os chamados recibos verdes) e as discriminações no acesso ao emprego", apelando ao Governo Regional para que seja "o primeiro a dar o exemplo", estimulando "a negociação e a contratação coletiva, na Administração Pública e no setor privado", e exigindo boas práticas às empresas que recebem apoios.
"Nos Açores, a situação de precariedade generalizada, que a abundância e diversidade de programas ocupacionais sustentam e agravam, contribui para a existência de cada vez maior pressão sobre os trabalhadores, quer sejam os precários devido à fragilidade do vinculo laboral, mas também sobre os permanentes, que são forçados a todo o tipo de condições de trabalho, com horários alargados e polivalência de funções", sustentou.
A União de Sindicatos de Angra do Heroísmo (USAH), afeta à CGTP, alertou hoje para o aumento da precariedade nos Açores, alegando que 24% dos trabalhadores tinham contratos precários no segundo trimestre de 2019.
ara o Movimento Sindical Unitário Açoriano, lamentavelmente a precariedade do emprego continua a aumentar de ano para ano, uma vez que o emprego criado é cada vez mais precário. Os contratos precários atingiam 23.400 trabalhadores no segundo trimestre de 2019 (24%). Em 2015, por exemplo, eram 18.500 (21,2%)", adiantou o coordenador da USAH, Vítor Silva, em comunicado de imprensa.
Na semana contra a precariedade, promovida pela CGTP em todo o território nacional, até sexta-feira, o coordenador da USAH e do Sindicato das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comércio e Escritórios, Hotelaria e Turismo dos Açores (SITACEHT) salienta que a entrada no mercado de trabalho no arquipélago é "marcada pela proliferação de empregos precários com baixos salários", acrescentando que essas condições atingem também "os trabalhadores com profissões especializadas e qualificações elevadas".
"Oito em cada dez empregos criados em termos líquidos não tinham vínculo permanente, significando que o emprego criado não é estável, nem tem qualidade", avançou.
Vítor Silva alertou ainda para o trabalho irregular, alegando que entre janeiro e setembro foram detetados nos Açores 794 trabalhadores nessa situação, um acréscimo superior a 100 casos, em comparação com os registados entre janeiro e dezembro de 2018.
Destes casos, 342 eram considerados "trabalhadores fantasmas", ou seja, sem contrato, descontos e seguro de trabalho, tendo-se registado ainda 412 trabalhadores com contratos irregulares e 40 com falsos recibos verdes.
"A precariedade laboral é um grave problema, que afeta, de forma cada vez mais dura e cruel, os açorianos. Milhares de trabalhadores vivem na nossa região na total incerteza em relação ao seu futuro. Nos Açores, os contratos a prazo tornaram-se hoje a regra, com cada vez menos exceções e com prazos extremamente curtos, mesmo em setores em grande expansão, como o do turismo", sublinhou.
O dirigente sindical considerou, por outro lado, que estes números podem conduzir a um aumento do desemprego na região
"A manter-se ou a acentuar-se a atual situação laboral nos Açores, e uma vez que a precariedade é a antecâmara do desemprego, a médio prazo, este acréscimo significativo da precariedade laboral determinará um novo aumento do desemprego na região, bem como um agravamento das condições de trabalho e uma perda de poder de compra por parte dos trabalhadores açorianos e, como consequência, ainda mais pobreza e exclusão social", apontou.
Vítor Silva defendeu, por isso, que "é necessário combater a utilização ilegal dos contratos a prazo, do trabalho temporário, da subcontratação, das falsas prestações de serviços (os chamados recibos verdes) e as discriminações no acesso ao emprego", apelando ao Governo Regional para que seja "o primeiro a dar o exemplo", estimulando "a negociação e a contratação coletiva, na Administração Pública e no setor privado", e exigindo boas práticas às empresas que recebem apoios.
"Nos Açores, a situação de precariedade generalizada, que a abundância e diversidade de programas ocupacionais sustentam e agravam, contribui para a existência de cada vez maior pressão sobre os trabalhadores, quer sejam os precários devido à fragilidade do vinculo laboral, mas também sobre os permanentes, que são forçados a todo o tipo de condições de trabalho, com horários alargados e polivalência de funções", sustentou.
Amnistia Internacional criou manual para evitar desalojamentos
por Diogo Barreto, in Sábado
Este manual pretende dar linhas orientadoras a projetos que possam vir a original o desalojamento e a remoção de pessoas e comunidade dos locais onde vivem.
A Amnistia Internacional Portugal criou um manual para ajudar a diminuir os desalojamentos forçados que está a entregar em várias autarquias e associações. A entrega final será na Câmara Municipal da Amadora, pelo secretário-geral da Amnistia Internacional, Kumi Naidoo, durante uma vigília pelo direito à habitação junto ao edifício.
Este manual pretende dar linhas orientadoras a projetos que possam vir a original o desalojamento e a remoção de pessoas e comunidade dos locais onde vivem.
"Apesar de a nova Lei de Bases afirmar a habitação como um direito de todas as pessoas, é preciso garantir que as salvaguardas legais, previstas no direito internacional, contra os desalojamentos forçados, são efetivamente cumpridas e que o Estado cumpre o seu papel. A Amnistia Internacional Portugal tem dedicado muita atenção a este tema, com investigação no terreno, porque todas as pessoas têm o direito a viver com dignidade, paz e segurança", afirma o Diretor-Executivo da Amnistia Internacional Portugal, Pedro A. Neto.
Durante a visita a Portugal, o secretário-geral da Amnistia Internacional visitará bairros informais onde a Amnistia Internacional Portugal está a investigar o cumprimento do direito à habitação, particularmente as condições em que vivem os moradores do Bairro 6 de Maio, na Amadora, e do Bairro da Torre, em Loures. A Amnistia lembra que estes bairros são habitados, na sua maioria, por habitantes de ascendência africana e cigana e que vivem com um constante medo de virem a ser desalojados e em condições de alta precariedade. Um dos principais problemas destas comunidades são a pobreza e exclusão social.
A Amnistia Internacional informa que em Portugal, estima-se que mais de 25 mil pessoas estão em situação de carência habitacional.
Este manual pretende dar linhas orientadoras a projetos que possam vir a original o desalojamento e a remoção de pessoas e comunidade dos locais onde vivem.
A Amnistia Internacional Portugal criou um manual para ajudar a diminuir os desalojamentos forçados que está a entregar em várias autarquias e associações. A entrega final será na Câmara Municipal da Amadora, pelo secretário-geral da Amnistia Internacional, Kumi Naidoo, durante uma vigília pelo direito à habitação junto ao edifício.
Este manual pretende dar linhas orientadoras a projetos que possam vir a original o desalojamento e a remoção de pessoas e comunidade dos locais onde vivem.
"Apesar de a nova Lei de Bases afirmar a habitação como um direito de todas as pessoas, é preciso garantir que as salvaguardas legais, previstas no direito internacional, contra os desalojamentos forçados, são efetivamente cumpridas e que o Estado cumpre o seu papel. A Amnistia Internacional Portugal tem dedicado muita atenção a este tema, com investigação no terreno, porque todas as pessoas têm o direito a viver com dignidade, paz e segurança", afirma o Diretor-Executivo da Amnistia Internacional Portugal, Pedro A. Neto.
Durante a visita a Portugal, o secretário-geral da Amnistia Internacional visitará bairros informais onde a Amnistia Internacional Portugal está a investigar o cumprimento do direito à habitação, particularmente as condições em que vivem os moradores do Bairro 6 de Maio, na Amadora, e do Bairro da Torre, em Loures. A Amnistia lembra que estes bairros são habitados, na sua maioria, por habitantes de ascendência africana e cigana e que vivem com um constante medo de virem a ser desalojados e em condições de alta precariedade. Um dos principais problemas destas comunidades são a pobreza e exclusão social.
A Amnistia Internacional informa que em Portugal, estima-se que mais de 25 mil pessoas estão em situação de carência habitacional.
Um em cada seis trabalhadores apresenta diagnóstico psiquiátrico
In Negócios on-line
Um estudo sobre a importância da promoção da saúde e bem-estar no local de trabalho alinha Portugal com a realidade mundial, em que um em cada seis colaboradores apresenta diagnóstico psiquiátrico, disse hoje à Lusa a coordenadora do projeto.
Em curso entre 01 de janeiro de 2019 e 01 de janeiro de 2020, o estudo está a ser elaborado no âmbito do programa 'Mind at work' e uma primeira fase de avaliação decorreu "na Câmara de Vila Verde, em Braga, envolvendo 103 pessoas, do presidente à vereação, diretores de serviços e 40% dos colaboradores, escolhidos de forma aleatória, e abrangendo todas as categorias profissionais", acrescentou Filipa Palha.
Segundo a também docente no polo do Porto da Universidade Católica Portuguesa, onde hoje pelas 14:15 vão ser apresentados os resultados preliminares da implementação do programa, a conclusão tem por base "os 28% de pessoas que afirmaram ter passado ou estar a passar por um problema de saúde mental".
"Percebemos, com a evolução do projeto, que algumas destas pessoas confundiram o estar ansiosa com ter um problema de ansiedade, razão pela qual lhe atribuímos um valor mais ajustado à realidade, passando de um em cada quatro para um em cada seis", explicou Filipa Palha.
E prosseguiu: "este é um dado que não é só português, mas geral. O que o nosso estudo demonstra é que está alinhado com a tendência mundial".
Para sustentar a análise, a coordenadora acrescentou que os números "estão dentro do expectável e do que é a prevalência nacional", em que os "dados epidemiológicos dizem que 30% da população tem problemas de saúde mental" encontrando-se "alinhados com os números internacionais".
"Estes números apontam para a urgência de olhar para este problema no local de trabalho", alertou a responsável do projeto.
O programa 'Mind at work' é cofinanciado pela Direção-Geral de Saúde e pretende "desenvolver um modelo que permita abordar as questões da saúde, da doença mental e bem-estar no local de trabalho", acrescentou.
Assinalando que "a prevalência da doença mental em Portugal é muito elevada, e que os recursos e os serviços disponíveis ficam muito aquém do necessário", Filipa Palha lembrou à Lusa que "os dados epidemiológicos colocam Portugal no segundo lugar entre os países com maior prevalência de doença mental".
No âmbito do programa decorreram "vários 'workshops' para diretores e executivos da autarquia sobre liderança e conciliação do trabalho com a família, gestão de pessoas e de conflitos", e cuja reflexão "permitirá perceber de que forma poderá refletir-se na prática e implementar medidas promotoras da saúde e bem-estar", revelou.
Autoconhecimento e empatia, gestão de conflitos e relações interpessoais e o curso "Ouvir o que não é dito -- primeiros socorros na doença mental" foram também abordados em contexto de 'workshops', estes destinados aos diretores e colaboradores, no sentido de os ajudar "a identificar sinais e sintomas de saúde mental e um conjunto de competências que lhes permita pedir ajuda para si ou para alguém nessa necessidade", disse Filipa Palha.
Outros números do estudo dizem que "37% dos colaboradores não considera a depressão uma doença mental" e "59% conhece alguém que sofre ou sofreu de um problema de saúde mental".
O estudo resulta de uma parceria entre a Associação Encontrar+se -- Associação para a Promoção da Saúde Mental, e da Católica Porto Business School.
Um estudo sobre a importância da promoção da saúde e bem-estar no local de trabalho alinha Portugal com a realidade mundial, em que um em cada seis colaboradores apresenta diagnóstico psiquiátrico, disse hoje à Lusa a coordenadora do projeto.
Em curso entre 01 de janeiro de 2019 e 01 de janeiro de 2020, o estudo está a ser elaborado no âmbito do programa 'Mind at work' e uma primeira fase de avaliação decorreu "na Câmara de Vila Verde, em Braga, envolvendo 103 pessoas, do presidente à vereação, diretores de serviços e 40% dos colaboradores, escolhidos de forma aleatória, e abrangendo todas as categorias profissionais", acrescentou Filipa Palha.
Segundo a também docente no polo do Porto da Universidade Católica Portuguesa, onde hoje pelas 14:15 vão ser apresentados os resultados preliminares da implementação do programa, a conclusão tem por base "os 28% de pessoas que afirmaram ter passado ou estar a passar por um problema de saúde mental".
"Percebemos, com a evolução do projeto, que algumas destas pessoas confundiram o estar ansiosa com ter um problema de ansiedade, razão pela qual lhe atribuímos um valor mais ajustado à realidade, passando de um em cada quatro para um em cada seis", explicou Filipa Palha.
E prosseguiu: "este é um dado que não é só português, mas geral. O que o nosso estudo demonstra é que está alinhado com a tendência mundial".
Para sustentar a análise, a coordenadora acrescentou que os números "estão dentro do expectável e do que é a prevalência nacional", em que os "dados epidemiológicos dizem que 30% da população tem problemas de saúde mental" encontrando-se "alinhados com os números internacionais".
"Estes números apontam para a urgência de olhar para este problema no local de trabalho", alertou a responsável do projeto.
O programa 'Mind at work' é cofinanciado pela Direção-Geral de Saúde e pretende "desenvolver um modelo que permita abordar as questões da saúde, da doença mental e bem-estar no local de trabalho", acrescentou.
Assinalando que "a prevalência da doença mental em Portugal é muito elevada, e que os recursos e os serviços disponíveis ficam muito aquém do necessário", Filipa Palha lembrou à Lusa que "os dados epidemiológicos colocam Portugal no segundo lugar entre os países com maior prevalência de doença mental".
No âmbito do programa decorreram "vários 'workshops' para diretores e executivos da autarquia sobre liderança e conciliação do trabalho com a família, gestão de pessoas e de conflitos", e cuja reflexão "permitirá perceber de que forma poderá refletir-se na prática e implementar medidas promotoras da saúde e bem-estar", revelou.
Autoconhecimento e empatia, gestão de conflitos e relações interpessoais e o curso "Ouvir o que não é dito -- primeiros socorros na doença mental" foram também abordados em contexto de 'workshops', estes destinados aos diretores e colaboradores, no sentido de os ajudar "a identificar sinais e sintomas de saúde mental e um conjunto de competências que lhes permita pedir ajuda para si ou para alguém nessa necessidade", disse Filipa Palha.
Outros números do estudo dizem que "37% dos colaboradores não considera a depressão uma doença mental" e "59% conhece alguém que sofre ou sofreu de um problema de saúde mental".
O estudo resulta de uma parceria entre a Associação Encontrar+se -- Associação para a Promoção da Saúde Mental, e da Católica Porto Business School.
"Vontade política é o passo principal” para dar casa aos sem-abrigo
in RR
A crítica foi deixada por Nuno Jardim, do Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA), num debate realizado no auditório da Renascença.
Falta uma real vontade política para travar o problema das pessoas em situação de sem-abrigo. A crítica foi deixada por Nuno Jardim, do Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA), num debate realizado no auditório da Renascença.
Nuno Jardim reconhece a intenção de resolver, identifica a existência de alguns mecanismos, mas, diz que há sempre algo a travar o processo. E dá o exemplo da habitação
“Se a habitação é um dos problemas principais, isto é falado regularmente em todas as reuniões que nós temos com e sem Presidente da República, e eu posso estar enganado, mas acho que foram dadas o ano passado pela Segurança Social quatro casas para a população sem-abrigo.”
“Se nós temos mais de três mil sem-abrigo, foi nada. Sinceramente, acho que a vontade política é o passo principal”, sublinha Nuno Jardim.
O responsável do Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA) falava num debate, realizado esta quarta-feira, no auditório do Grupo Renascença Multimédia.
Vanessa Romeu do Lidl Portugal, Isabel Figueiredo do Grupo Renascença Multimédia, Diogo Teixeira da Beta-I foram os outros participantes deste debate moderado pelo jornalista da Renascença José Pedro Frazão.
A crítica foi deixada por Nuno Jardim, do Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA), num debate realizado no auditório da Renascença.
Falta uma real vontade política para travar o problema das pessoas em situação de sem-abrigo. A crítica foi deixada por Nuno Jardim, do Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA), num debate realizado no auditório da Renascença.
Nuno Jardim reconhece a intenção de resolver, identifica a existência de alguns mecanismos, mas, diz que há sempre algo a travar o processo. E dá o exemplo da habitação
“Se a habitação é um dos problemas principais, isto é falado regularmente em todas as reuniões que nós temos com e sem Presidente da República, e eu posso estar enganado, mas acho que foram dadas o ano passado pela Segurança Social quatro casas para a população sem-abrigo.”
“Se nós temos mais de três mil sem-abrigo, foi nada. Sinceramente, acho que a vontade política é o passo principal”, sublinha Nuno Jardim.
O responsável do Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA) falava num debate, realizado esta quarta-feira, no auditório do Grupo Renascença Multimédia.
Vanessa Romeu do Lidl Portugal, Isabel Figueiredo do Grupo Renascença Multimédia, Diogo Teixeira da Beta-I foram os outros participantes deste debate moderado pelo jornalista da Renascença José Pedro Frazão.
Restaurante solidário do CASA serve quase 200 refeições por dia
André Rodrigues, in RR
Nos últimos 10 anos, mais do que duplicou o número de sem-abrigo que recorrem à ajuda alimentar de instituições, só na Baixa do Porto. Esta quinta-feira celebra-se o dia Internacional do Voluntariado.
É quarta-feira e faltam poucos minutos para as 20h00. A noite arrefece e cruzar a Praça da Batalha é um duro confronto com a realidade.
Há sem-abrigo que se encolhem debaixo dos cobertores sob a fachada do Teatro Nacional São João, enquanto o resto da cidade vai regressando a casa após mais um dia de trabalho.
Ali mesmo, paredes meias com a Batalha, na Rua do Cimo de Vila, os rostos impacientes que aguardam a abertura do restaurante solidário contrastam com os turistas que se esgueiram pelos becos do centro histórico à procura de um restaurante típico.
Quatro metros mal medidos separam os dois passeios. O fosso emocional, esse, não tem medida.
Os voluntários asseguram o funcionamento de dois restaurantes solidários: um na Batalha outro no Hospital Joaquim Urbano. Esta noite, o restaurante da Baixa espera cerca de 200 pessoas para jantar.
No espaço de dez anos, o número de sem-abrigo a pedir ajuda mais do que duplicou só na Baixa do Porto
O turismo fez com que a cidade crescesse, mas está a empurrar dezenas, centenas de pessoas para a indigência.
É o caso de Daniel. Dorme todas as noites na Ribeira, vive com 180 euros de Rendimento Social de Inserção e não desiste de encontrar um teto, mas continua à espera. E sem resposta.
Daniel comove-se, faz uma pausa. Dez anos de rua deram-lhe bons amigos. Mas isso não preenche o vazio por não ver as filhas nem a família que, segundo diz, “vale zero”. Além disso, aos 40 anos, ainda está preso à droga e perdeu o emprego.
Mas esta noite há qualquer coisa diferente. No meio da sala, estão meia dúzia de sacos com luvas, meias e kits de higiene.
Oferta da Associação Sindical dos Juízes. É o rosto humano da justiça que, tantas vezes se cruza com pessoas sem abrigo nos tribunais, nem sempre pelos melhores motivos.
A noite chega ao fim. Há mais sorrisos e semblantes aliviados. Aqui não é só a fome que se mata. É a solidão dos dias que se tenta afogar, tanto quanto isso seja possível.
Amanhã e depois, todos os dias, haverá mais refeições para partilhar e um ombro amigo para as horas mais difíceis.
Nos últimos 10 anos, mais do que duplicou o número de sem-abrigo que recorrem à ajuda alimentar de instituições, só na Baixa do Porto. Esta quinta-feira celebra-se o dia Internacional do Voluntariado.
É quarta-feira e faltam poucos minutos para as 20h00. A noite arrefece e cruzar a Praça da Batalha é um duro confronto com a realidade.
Há sem-abrigo que se encolhem debaixo dos cobertores sob a fachada do Teatro Nacional São João, enquanto o resto da cidade vai regressando a casa após mais um dia de trabalho.
Ali mesmo, paredes meias com a Batalha, na Rua do Cimo de Vila, os rostos impacientes que aguardam a abertura do restaurante solidário contrastam com os turistas que se esgueiram pelos becos do centro histórico à procura de um restaurante típico.
Quatro metros mal medidos separam os dois passeios. O fosso emocional, esse, não tem medida.
Os voluntários asseguram o funcionamento de dois restaurantes solidários: um na Batalha outro no Hospital Joaquim Urbano. Esta noite, o restaurante da Baixa espera cerca de 200 pessoas para jantar.
No espaço de dez anos, o número de sem-abrigo a pedir ajuda mais do que duplicou só na Baixa do Porto
O turismo fez com que a cidade crescesse, mas está a empurrar dezenas, centenas de pessoas para a indigência.
É o caso de Daniel. Dorme todas as noites na Ribeira, vive com 180 euros de Rendimento Social de Inserção e não desiste de encontrar um teto, mas continua à espera. E sem resposta.
Daniel comove-se, faz uma pausa. Dez anos de rua deram-lhe bons amigos. Mas isso não preenche o vazio por não ver as filhas nem a família que, segundo diz, “vale zero”. Além disso, aos 40 anos, ainda está preso à droga e perdeu o emprego.
Mas esta noite há qualquer coisa diferente. No meio da sala, estão meia dúzia de sacos com luvas, meias e kits de higiene.
Oferta da Associação Sindical dos Juízes. É o rosto humano da justiça que, tantas vezes se cruza com pessoas sem abrigo nos tribunais, nem sempre pelos melhores motivos.
A noite chega ao fim. Há mais sorrisos e semblantes aliviados. Aqui não é só a fome que se mata. É a solidão dos dias que se tenta afogar, tanto quanto isso seja possível.
Amanhã e depois, todos os dias, haverá mais refeições para partilhar e um ombro amigo para as horas mais difíceis.
Segurança Social passa a atender sem-abrigo independentemente da morada
in Dinheiro Vivo
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, durante a sua visita à associação de apoio a sem-abrigo João 13, em Lisboa, 23 de novembro de 2019.
Todos os centros distritais do Instituto da Segurança Social já adotaram as novas regras para atendimento de emergência.
Todos os centros distritais da Segurança Social vão passar a atender os sem-abrigo independentemente da morada de registo. Esta alteração entrou em vigor esta quarta-feira, segundo informação divulgada pelo gabinete do Ministério da Segurança Social. “Os centros distritais da Segurança Social vão passar a fazer o atendimento de emergência, no âmbito da ação social, de pessoas em situação de sem-abrigo independentemente da morada em que essa pessoa está registada no sistema e da existência, ou não, de processo familiar”, refere a nota de imprensa.
Este era “um dos principais constrangimentos identificados pelas pessoas em situação de sem-abrigo que se encontram num distrito diferente daquele a que corresponde a morada registada no sistema”, lembra fonte oficial do gabinete liderado por Ana Mendes Godinho. O Ministério da Segurança Social está ainda a desenvolver uma plataforma que permite identificar, em tempo real, todas as situações de pessoas sem-abrigo. O Presidente da República, Marcelo de Rebelo de Sousa, quer retirar as pessoas sem-abrigo das ruas até ao final de 2023, isto é o final do atual mandato do Governo de António Costa. No território de Portugal continental havia em 2018 cerca de 3.400 pessoas sem teto ou sem casa, segundo um inquérito realizado entre fevereiro e maio daquele ano no quadro da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo.
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, durante a sua visita à associação de apoio a sem-abrigo João 13, em Lisboa, 23 de novembro de 2019.
Todos os centros distritais do Instituto da Segurança Social já adotaram as novas regras para atendimento de emergência.
Todos os centros distritais da Segurança Social vão passar a atender os sem-abrigo independentemente da morada de registo. Esta alteração entrou em vigor esta quarta-feira, segundo informação divulgada pelo gabinete do Ministério da Segurança Social. “Os centros distritais da Segurança Social vão passar a fazer o atendimento de emergência, no âmbito da ação social, de pessoas em situação de sem-abrigo independentemente da morada em que essa pessoa está registada no sistema e da existência, ou não, de processo familiar”, refere a nota de imprensa.
Este era “um dos principais constrangimentos identificados pelas pessoas em situação de sem-abrigo que se encontram num distrito diferente daquele a que corresponde a morada registada no sistema”, lembra fonte oficial do gabinete liderado por Ana Mendes Godinho. O Ministério da Segurança Social está ainda a desenvolver uma plataforma que permite identificar, em tempo real, todas as situações de pessoas sem-abrigo. O Presidente da República, Marcelo de Rebelo de Sousa, quer retirar as pessoas sem-abrigo das ruas até ao final de 2023, isto é o final do atual mandato do Governo de António Costa. No território de Portugal continental havia em 2018 cerca de 3.400 pessoas sem teto ou sem casa, segundo um inquérito realizado entre fevereiro e maio daquele ano no quadro da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo.
4.12.19
Irlanda transforma pessoas sem-abrigo em guias turísticos
Por Sábias Palavras
Dublin, capital da Irlanda, tal como muitas outras cidades em todo o Mundo, sofre bastante com a crise imobiliária que inflaciona o valor das casas, provocando assim um aumento da população sem-abrigo. Contudo, um estudante de graduação do Trinity College chamado Tom Austin parece ter encontrado a solução ideal.
Juntamente com Pierce Dargan e Gareth Downey, Tom decidiu criar um projecto que dá emprego às pessoas sem-abrigo como guias turísticos da cidade. Assim, estas acabam por fazer uso do seu conhecimento sobre a cidade para ganharem rendimentos e serem reintegrados na sociedade.
Inspirado por excursões com temas de pessoas sem-abrigo em Manchester, Londres e outras cidades, Tom conseguiu o apoio da Dublin Simon Community, uma organização sem fins lucrativos e deu assim início a este projecto com Derek McGuire como primeiro guia.
Derek, que passou 25 anos a trabalhar no setor voluntário, acabou por ficar desabrigado após o término de um relacionamento e o colapso da propriedade o deixou incapaz de pagar a sua hipoteca.
Com uma rota de 1,3 Km, este mostra áreas onde dormiu por dois anos, depois de perder a sua casa em 2014, e passar por cinco abrigos para sem-abrigo, com outros seis abrigos nas proximidades, aproveitando para dar dicas sobre como se manter seguro, esconder bens e se misturar com a multidão. O passeio de 90 minutos custa 10 euros (cerca de 50 reais) e durante o mesmo, este vai contando anedotas sobre abrigos, falando sobre o mais decente, o ruim, o horrível, histórias sobre os tempos dos bordéis das liberdades, a sua vida mais obscura e “os quatro cantos do inferno” – uma união de quatro bares conhecidos por confusões.
Para Derek esta oportunidade restaurou o seu senso de identidade. “Vejo isso como uma oportunidade de contar minha história”, disse ao Nation.
O objectivo de Tom é que este projecto se expanda com mais guias a cobrir outras zonas da cidade.
Uma ideia fantástica que deve servir de exemplo a outros países!
Dublin, capital da Irlanda, tal como muitas outras cidades em todo o Mundo, sofre bastante com a crise imobiliária que inflaciona o valor das casas, provocando assim um aumento da população sem-abrigo. Contudo, um estudante de graduação do Trinity College chamado Tom Austin parece ter encontrado a solução ideal.
Juntamente com Pierce Dargan e Gareth Downey, Tom decidiu criar um projecto que dá emprego às pessoas sem-abrigo como guias turísticos da cidade. Assim, estas acabam por fazer uso do seu conhecimento sobre a cidade para ganharem rendimentos e serem reintegrados na sociedade.
Inspirado por excursões com temas de pessoas sem-abrigo em Manchester, Londres e outras cidades, Tom conseguiu o apoio da Dublin Simon Community, uma organização sem fins lucrativos e deu assim início a este projecto com Derek McGuire como primeiro guia.
Derek, que passou 25 anos a trabalhar no setor voluntário, acabou por ficar desabrigado após o término de um relacionamento e o colapso da propriedade o deixou incapaz de pagar a sua hipoteca.
Com uma rota de 1,3 Km, este mostra áreas onde dormiu por dois anos, depois de perder a sua casa em 2014, e passar por cinco abrigos para sem-abrigo, com outros seis abrigos nas proximidades, aproveitando para dar dicas sobre como se manter seguro, esconder bens e se misturar com a multidão. O passeio de 90 minutos custa 10 euros (cerca de 50 reais) e durante o mesmo, este vai contando anedotas sobre abrigos, falando sobre o mais decente, o ruim, o horrível, histórias sobre os tempos dos bordéis das liberdades, a sua vida mais obscura e “os quatro cantos do inferno” – uma união de quatro bares conhecidos por confusões.
Para Derek esta oportunidade restaurou o seu senso de identidade. “Vejo isso como uma oportunidade de contar minha história”, disse ao Nation.
O objectivo de Tom é que este projecto se expanda com mais guias a cobrir outras zonas da cidade.
Uma ideia fantástica que deve servir de exemplo a outros países!
2.12.19
Seminário "Ciganos e Literacia Digital: o caso de Reguengos de Monsaraz"
in Rádio Campanário
Seminário "Ciganos e Literacia Digital: o caso de Reguengos de Monsaraz" sensibiliza para que "digitalização do mundo não seja um fator de exclusão das comunidades", diz Carlos Medinas (c/som e fotos)
Decorreu esta sexta feira, 22 de novembro, na Biblioteca Municipal de Reguengos de Monsaraz o seminário “Ciganos e Literacia Digital: o caso de Reguengos de Monsaraz”.
Organizado em parceria pelo Centro Local de Aprendizagem (CLA) de Reguengos de Monsaraz e município local, o seminário tem por base uma investigação do estudante Carlos Medinas no âmbito do Mestrado em Relações Interculturais da Universidade Aberta, sobre as pessoas ciganas em Reguengos de Monsaraz e a sua literacia digital, no contexto das suas vivências.
A Rádio Campanário marcou presença e falou com o autor do estudo, Carlos Medinas, que começa por referir que “a literacia digital é mais um handicap a somar a tantos outros que estas comunidades sofrem”.
Carlos Medinas considera que “existe algum receio que a digitalização do mundo venha a ser mais um motivo de discriminação da comunidade cigana”
Para o autor, “a questão da literacia digital trás ao de cima todas as fragilidades da comunidade cigana, pois aquilo que apuramos relativamente a esta questão é a falta de competências básicas de leitura e de escrita que impedem estas pessoas de competir no mercado de trabalho”.
Para o Vice-Reitor da Universidade Aberta, Domingos Caeiro, “compete-nos fazer este trabalho de inclusão de comunidades que nem sempre tiveram a melhor aceitação na sociedade”.
O Vice-Reitor considera que “através do trabalho realizado pela investigação temos de possibilitar politicas publicas que permitam a integração”
“Este estudo disponibiliza ferramentas para uma melhor integração, no entanto, este estudo é transversal a todas as comunidades”
Domingos Caeiro refere ainda que “as autarquias, o poder central, as universidades, e a sociedade em geral têm de trabalhar em conjunto para dotar de ferramentas e instrumentos as comunidades”.
Para Rui Garrido, ex-candidato autárquico pelo BE a Elvas, é necessário “aceitar que existe um problema e depois não podemos pensar que o problema é apenas da comunidade cigana, o problema é de toda a sociedade em geral”.
“A maioria das pessoas tende a fazer ver que existe um problema nos ciganos”
Rui Garrido considera que algumas situações “o problema pode ser com os ciganos, mas não serão apenas eles a resolver, terá de ser a sociedade em conjunto com a comunidade cigana”.
A problemática que envolve estas comunidades “chegou até aqui porque a comunidade cigana sempre sofreu muita repressão”, aponta.
Para Rui Garrido “a escola ao reprimir as tradições e costumes da comunidade cigana, faz com que ela se afaste”, acrescentando que “é necessário olhar para a comunidade cigana fora do contexto dos direitos e dos deveres”.
Seminário "Ciganos e Literacia Digital: o caso de Reguengos de Monsaraz" sensibiliza para que "digitalização do mundo não seja um fator de exclusão das comunidades", diz Carlos Medinas (c/som e fotos)
Decorreu esta sexta feira, 22 de novembro, na Biblioteca Municipal de Reguengos de Monsaraz o seminário “Ciganos e Literacia Digital: o caso de Reguengos de Monsaraz”.
Organizado em parceria pelo Centro Local de Aprendizagem (CLA) de Reguengos de Monsaraz e município local, o seminário tem por base uma investigação do estudante Carlos Medinas no âmbito do Mestrado em Relações Interculturais da Universidade Aberta, sobre as pessoas ciganas em Reguengos de Monsaraz e a sua literacia digital, no contexto das suas vivências.
A Rádio Campanário marcou presença e falou com o autor do estudo, Carlos Medinas, que começa por referir que “a literacia digital é mais um handicap a somar a tantos outros que estas comunidades sofrem”.
Carlos Medinas considera que “existe algum receio que a digitalização do mundo venha a ser mais um motivo de discriminação da comunidade cigana”
Para o autor, “a questão da literacia digital trás ao de cima todas as fragilidades da comunidade cigana, pois aquilo que apuramos relativamente a esta questão é a falta de competências básicas de leitura e de escrita que impedem estas pessoas de competir no mercado de trabalho”.
Para o Vice-Reitor da Universidade Aberta, Domingos Caeiro, “compete-nos fazer este trabalho de inclusão de comunidades que nem sempre tiveram a melhor aceitação na sociedade”.
O Vice-Reitor considera que “através do trabalho realizado pela investigação temos de possibilitar politicas publicas que permitam a integração”
“Este estudo disponibiliza ferramentas para uma melhor integração, no entanto, este estudo é transversal a todas as comunidades”
Domingos Caeiro refere ainda que “as autarquias, o poder central, as universidades, e a sociedade em geral têm de trabalhar em conjunto para dotar de ferramentas e instrumentos as comunidades”.
Para Rui Garrido, ex-candidato autárquico pelo BE a Elvas, é necessário “aceitar que existe um problema e depois não podemos pensar que o problema é apenas da comunidade cigana, o problema é de toda a sociedade em geral”.
“A maioria das pessoas tende a fazer ver que existe um problema nos ciganos”
Rui Garrido considera que algumas situações “o problema pode ser com os ciganos, mas não serão apenas eles a resolver, terá de ser a sociedade em conjunto com a comunidade cigana”.
A problemática que envolve estas comunidades “chegou até aqui porque a comunidade cigana sempre sofreu muita repressão”, aponta.
Para Rui Garrido “a escola ao reprimir as tradições e costumes da comunidade cigana, faz com que ela se afaste”, acrescentando que “é necessário olhar para a comunidade cigana fora do contexto dos direitos e dos deveres”.
Encontro assinala o Dia do Voluntariado e da Pessoa com Deficiência
Por Revista Descla
Na próxima sexta-feira, 6 de Dezembro, às 17h30, o Dia Internacional do Voluntariado e da Pessoa com Deficiência é assinalado em Vila Velha de Ródão com a realização de um encontro na Casa de Artes e Cultura do Tejo, que tem como uma das convidadas a comunicadora e oradora motivacional Mafalda Ribeiro.
A iniciativa é organizada pelo Município de Vila Velha de Ródão através do Gabinete de Acção Social do Município de Vila Velha de Ródão, em parceria com o Banco Local de Voluntariado, o CLDS 4G e os serviços de EMAI do agrupamento de escolas, e visa comemorar Dia Internacional do Voluntariado e o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Este será o culminar de uma semana com várias actividades que visam chamar a atenção da população em geral para estes temas.
O encontro conta com a apresentação de testemunhos de voluntariado e no âmbito da deficiência, sendo uma das oradoras convidadas Mafalda Ribeiro. Licenciada em jornalismo e conhecida do público pela sua participação frequente em programas de televisão e pelas crónicas que escreve em jornais e revistas, Mafalda Ribeiro nasceu com osteogénese imperfeita, a chamada doença dos ossos de vidro, e do alto dos seus 97 cm de altura vem-nos explicar como, apesar das limitações impostas pela doença, é possível ter uma vida normal.
Para falar sobre as questões da deficiência, participa também nesta sessão, cuja entrada é livre, um representante da Associação Educar, Reabilitar, Incluir Diferenças, enquanto que os testemunhos de voluntariado serão apresentados por elementos do Rotaract Club e do Banco do Tempo de Castelo Branco, assim como da Associação Juvenil ProAtlântico e da CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social.
Na próxima sexta-feira, 6 de Dezembro, às 17h30, o Dia Internacional do Voluntariado e da Pessoa com Deficiência é assinalado em Vila Velha de Ródão com a realização de um encontro na Casa de Artes e Cultura do Tejo, que tem como uma das convidadas a comunicadora e oradora motivacional Mafalda Ribeiro.
A iniciativa é organizada pelo Município de Vila Velha de Ródão através do Gabinete de Acção Social do Município de Vila Velha de Ródão, em parceria com o Banco Local de Voluntariado, o CLDS 4G e os serviços de EMAI do agrupamento de escolas, e visa comemorar Dia Internacional do Voluntariado e o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Este será o culminar de uma semana com várias actividades que visam chamar a atenção da população em geral para estes temas.
O encontro conta com a apresentação de testemunhos de voluntariado e no âmbito da deficiência, sendo uma das oradoras convidadas Mafalda Ribeiro. Licenciada em jornalismo e conhecida do público pela sua participação frequente em programas de televisão e pelas crónicas que escreve em jornais e revistas, Mafalda Ribeiro nasceu com osteogénese imperfeita, a chamada doença dos ossos de vidro, e do alto dos seus 97 cm de altura vem-nos explicar como, apesar das limitações impostas pela doença, é possível ter uma vida normal.
Para falar sobre as questões da deficiência, participa também nesta sessão, cuja entrada é livre, um representante da Associação Educar, Reabilitar, Incluir Diferenças, enquanto que os testemunhos de voluntariado serão apresentados por elementos do Rotaract Club e do Banco do Tempo de Castelo Branco, assim como da Associação Juvenil ProAtlântico e da CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social.
Banco alimentar recolhe duas mil toneladas de alimentos em dois dias. Os portugueses foram "espetaculares", elogia Marcelo
in Sapo24
Os Bancos Alimentares contra a Fome recolheram 2.130 toneladas de alimentos durante a campanha nacional, que decorreu no fim de semana, em mais de duas mil superfícies comerciais de 21 regiões do país, foi hoje anunciado. Antes mesmo das contas finais, o Presidente da República agradeceu no domingo à noite aos portugueses os contributos: "quem está de parabéns são os portugueses”.
Depois de ter estado na sexta-feira na sede nacional da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, em Lisboa, e de ter contribuído para a campanha em híper e supermercados durante o fim de semana, Marcelo Rebelo de Sousa voltou no domingo à noite à sede da recolha de alimentos em Alcântara já depois das 23:00.
Apesar de na altura em que falou aos jornalistas ainda não haver um balanço final, o chefe de Estado salientou que os números de sábado “ultrapassaram os da campanha anterior”. “Para mim é uma boa surpresa, o tempo esteve muito mau, muito irregular, e isso dificulta uma campanha desta natureza. Por outro lado, não se sabia se havia ou não uma ligeira desaceleração económica, como é que as pessoas iam realmente reagir e foram espetaculares em termos de solidariedade”, destacou. “Significa que os portugueses se excederam, quem está de parabéns são os portugueses”, reforçou.
A presidente da federação que reúne os 21 Bancos Alimentares de todo o país, Isabel Jonet, afirmou aos jornalistas que, apesar de estar na instituição há 25 anos, fica “sempre surpreendida com a rede social real” que é possível construir.
“Estas campanhas só são possíveis porque há pessoas que dão tempo, como os voluntários, pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais, de todas convicções que, lado a lado, querem mostrar ativismo e que estão presentes para aqueles que não têm comida na mesa todos os dias. No Natal, isso é ainda mais importante”, afirmou.
Isabel Jonet agradeceu também a todas as pessoas que, nos híper e supermercados, doaram bens, “muitas vezes elas próprias com necessidades”.
Contas feitas, a presidente da federação considerou ter sido "uma campanha muito, muito bem sucedida", acrescentando que a quantidade total recolhida "ainda pode aumentar".
Isabel Jonet lembrou que a recolha de alimentos "prossegue nos supermercados, e na internet até 08 de dezembro", através do site www.alimentestaideia.pt, ou em vales ("Ajuda Vale") disponíveis nos estabelecimentos comerciais.
“O senhor Presidente da República tem sido um parceiro muito relevante (…) É um bom embaixador, dá não só o tempo dele, mas contribui também com produtos”, afirmou Isabel Jonet.
Isabel Jonet destacou também "a grande adesão de voluntários", cerca de 40 mil dos 21 Bancos Alimentares (Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, S. Miguel, Terceira, Viana do Castelo e Viseu).
"Não podemos deixar de sublinhar o papel dos voluntários, pessoas de todas as idades, com convicções políticas e religiosas diversas que, participando, lado a lado, contribuem de forma fraterna e solidária para uma sociedade mais justa e coesa”, disse a responsável.
"Temos de agradecer aos milhares de doadores, aos voluntários, às empresas e entidades que apoiaram esta campanha, dando assim o seu grande contributo para que os Bancos Alimentares possam continuar a acudir a muitas pessoas necessitadas", sublinhou Isabel Jonet.
Os géneros alimentares recolhidos serão distribuídos, a partir da próxima semana, a 2.400 instituições de solidariedade social, que os entregam a cerca de 380 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confecionadas.
Mais de 2,2 milhões de pessoas estão em risco de pobreza em Portugal ou exclusão social (21,6% da população), de acordo com dados divulgados recentemente pelo INE.
O Banco Alimentar Contra a Fome foi criado em Portugal em 1991 com a missão de lutar contra o desperdício e distribuir apoio alimentar a quem mais precisa, em parceria com instituições de solidariedade e com base no trabalho voluntário.
A nível europeu, existem 290 Bancos Alimentares operacionais em 24 países, que, em 2018, distribuíram mais de 781.000 toneladas de alimentos - equivalentes a 4,3 milhões de refeições diárias, em parceria com 45.700 organizações sociais, beneficiando mais de 9,3 milhões de pessoas.
Os Bancos Alimentares contra a Fome recolheram 2.130 toneladas de alimentos durante a campanha nacional, que decorreu no fim de semana, em mais de duas mil superfícies comerciais de 21 regiões do país, foi hoje anunciado. Antes mesmo das contas finais, o Presidente da República agradeceu no domingo à noite aos portugueses os contributos: "quem está de parabéns são os portugueses”.
Depois de ter estado na sexta-feira na sede nacional da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, em Lisboa, e de ter contribuído para a campanha em híper e supermercados durante o fim de semana, Marcelo Rebelo de Sousa voltou no domingo à noite à sede da recolha de alimentos em Alcântara já depois das 23:00.
Apesar de na altura em que falou aos jornalistas ainda não haver um balanço final, o chefe de Estado salientou que os números de sábado “ultrapassaram os da campanha anterior”. “Para mim é uma boa surpresa, o tempo esteve muito mau, muito irregular, e isso dificulta uma campanha desta natureza. Por outro lado, não se sabia se havia ou não uma ligeira desaceleração económica, como é que as pessoas iam realmente reagir e foram espetaculares em termos de solidariedade”, destacou. “Significa que os portugueses se excederam, quem está de parabéns são os portugueses”, reforçou.
A presidente da federação que reúne os 21 Bancos Alimentares de todo o país, Isabel Jonet, afirmou aos jornalistas que, apesar de estar na instituição há 25 anos, fica “sempre surpreendida com a rede social real” que é possível construir.
“Estas campanhas só são possíveis porque há pessoas que dão tempo, como os voluntários, pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais, de todas convicções que, lado a lado, querem mostrar ativismo e que estão presentes para aqueles que não têm comida na mesa todos os dias. No Natal, isso é ainda mais importante”, afirmou.
Isabel Jonet agradeceu também a todas as pessoas que, nos híper e supermercados, doaram bens, “muitas vezes elas próprias com necessidades”.
Contas feitas, a presidente da federação considerou ter sido "uma campanha muito, muito bem sucedida", acrescentando que a quantidade total recolhida "ainda pode aumentar".
Isabel Jonet lembrou que a recolha de alimentos "prossegue nos supermercados, e na internet até 08 de dezembro", através do site www.alimentestaideia.pt, ou em vales ("Ajuda Vale") disponíveis nos estabelecimentos comerciais.
“O senhor Presidente da República tem sido um parceiro muito relevante (…) É um bom embaixador, dá não só o tempo dele, mas contribui também com produtos”, afirmou Isabel Jonet.
Isabel Jonet destacou também "a grande adesão de voluntários", cerca de 40 mil dos 21 Bancos Alimentares (Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, S. Miguel, Terceira, Viana do Castelo e Viseu).
"Não podemos deixar de sublinhar o papel dos voluntários, pessoas de todas as idades, com convicções políticas e religiosas diversas que, participando, lado a lado, contribuem de forma fraterna e solidária para uma sociedade mais justa e coesa”, disse a responsável.
"Temos de agradecer aos milhares de doadores, aos voluntários, às empresas e entidades que apoiaram esta campanha, dando assim o seu grande contributo para que os Bancos Alimentares possam continuar a acudir a muitas pessoas necessitadas", sublinhou Isabel Jonet.
Os géneros alimentares recolhidos serão distribuídos, a partir da próxima semana, a 2.400 instituições de solidariedade social, que os entregam a cerca de 380 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confecionadas.
Mais de 2,2 milhões de pessoas estão em risco de pobreza em Portugal ou exclusão social (21,6% da população), de acordo com dados divulgados recentemente pelo INE.
O Banco Alimentar Contra a Fome foi criado em Portugal em 1991 com a missão de lutar contra o desperdício e distribuir apoio alimentar a quem mais precisa, em parceria com instituições de solidariedade e com base no trabalho voluntário.
A nível europeu, existem 290 Bancos Alimentares operacionais em 24 países, que, em 2018, distribuíram mais de 781.000 toneladas de alimentos - equivalentes a 4,3 milhões de refeições diárias, em parceria com 45.700 organizações sociais, beneficiando mais de 9,3 milhões de pessoas.
Bancos Alimentares Contra a Fome angariam 2.125 toneladas de alimentos em dois dias
in AlgarvePrimeiro
Os Bancos Alimentares Contra a Fome recolheram este fim-de-semana mais de 2.100 toneladas de géneros alimentares, na campanha realizada em 2.000 superfícies comerciais de 21 regiões do país.
Prosseguem ainda ao longo da semana, até 8 de dezembro, a campanha "Ajuda Vale", nos supermercados, e a campanha online em www.alimentestaideia.pt.
40 mil voluntários dos 21 Bancos Alimentares (Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, S. Miguel, Terceira, Viana do Castelo e Viseu) convidaram, durante o fim-de-semana, os portugueses a partilhar os bens alimentares que compram para as suas casas.
Os portugueses aceitaram uma vez mais o convite dos Bancos Alimentares e aderiram a uma rede social real, partilhando alimentos com pessoas carenciadas da sua região.
Segundo a Presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, «não podemos deixar de sublinhar o papel dos voluntários, pessoas de todas as idades, com convicções políticas e religiosas diversas que, participando, lado a lado, contribuem de forma fraterna e solidária para uma sociedade mais justa e coesa»,
Isabel Jonet, salie ntou que «temos de agradecer aos milhares de doadores, aos voluntários, às empresas e entidades que apoiaram esta campanha, dando assim o seu grande contributo para que os Bancos Alimentares possam continuar a acudir a muitas pessoas necessitadas.»
Os géneros alimentares recolhidos serão distribuídos, a partir da próxima semana, a 2.400 Instituições de Solidariedade Social, que os entregam a cerca de 380 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confecionadas.
Isabel Jonet destaca ainda que é «muito importante e gratificante para todos os voluntários e para o Banco Alimentar poder contar com o apoio do Presidente da República, que dá assim destaque a esta rede social de carne e osso.»
Segundo dados divulgados recentemente pelo INE, mais de 2,2 milhões de pessoas estão em risco de pobreza em Portugal ou exclusão social (21,6% da população). Se fossem considerados apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 43,4% da população em Portugal estaria em risco.
Os Bancos Alimentares Contra a Fome recolheram este fim-de-semana mais de 2.100 toneladas de géneros alimentares, na campanha realizada em 2.000 superfícies comerciais de 21 regiões do país.
Prosseguem ainda ao longo da semana, até 8 de dezembro, a campanha "Ajuda Vale", nos supermercados, e a campanha online em www.alimentestaideia.pt.
40 mil voluntários dos 21 Bancos Alimentares (Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, S. Miguel, Terceira, Viana do Castelo e Viseu) convidaram, durante o fim-de-semana, os portugueses a partilhar os bens alimentares que compram para as suas casas.
Os portugueses aceitaram uma vez mais o convite dos Bancos Alimentares e aderiram a uma rede social real, partilhando alimentos com pessoas carenciadas da sua região.
Segundo a Presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, «não podemos deixar de sublinhar o papel dos voluntários, pessoas de todas as idades, com convicções políticas e religiosas diversas que, participando, lado a lado, contribuem de forma fraterna e solidária para uma sociedade mais justa e coesa»,
Isabel Jonet, salie ntou que «temos de agradecer aos milhares de doadores, aos voluntários, às empresas e entidades que apoiaram esta campanha, dando assim o seu grande contributo para que os Bancos Alimentares possam continuar a acudir a muitas pessoas necessitadas.»
Os géneros alimentares recolhidos serão distribuídos, a partir da próxima semana, a 2.400 Instituições de Solidariedade Social, que os entregam a cerca de 380 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confecionadas.
Isabel Jonet destaca ainda que é «muito importante e gratificante para todos os voluntários e para o Banco Alimentar poder contar com o apoio do Presidente da República, que dá assim destaque a esta rede social de carne e osso.»
Segundo dados divulgados recentemente pelo INE, mais de 2,2 milhões de pessoas estão em risco de pobreza em Portugal ou exclusão social (21,6% da população). Se fossem considerados apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 43,4% da população em Portugal estaria em risco.
Ministra diz que vai ser criada plataforma para identificar sem-abrigo em tempo real
in Público on-line
De acordo com Ana Mendes Godinho, a plataforma será um dos instrumentos que vai permitir conhecer em tempo real as situações dos sem-abrigo e será “um reporte importante de informação e de articulação entre todas as pessoas no terreno”.
A ministra do Trabalho, Ana Godinho, afirmou este sábado que está a ser desenvolvida uma plataforma para identificar em tempo real todos os casos de sem-abrigo pelas instituições que lhes dão apoio, e permitir “articular” quem ajuda no terreno.
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social falava à agência Lusa durante uma visita à associação de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo João 13, em Lisboa, que chegou a ser frequentada pela jovem que abandonou um bebé recém-nascido no lixo.
A plataforma, que faz parte da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA), e está a ser desenvolvida pelo Instituto de Segurança Social, “era o instrumento que faltava para articular as entidades que trabalham no terreno”, sublinhou a ministra.
Questionada pela Lusa sobre se esta ferramenta irá contribuir para detectar mais rapidamente situações de risco como o da jovem que abandonou o filho, a governante disse que “vai permitir identificar em tempo real todos os casos [de sem-abrigo], por todos os intervenientes, para que possam ter informação das situações sinalizadas, e haver garantia de acompanhamento e rastreamento permanente, até para garantir maior segurança das pessoas”.
De acordo com Ana Mendes Godinho, “este será um dos instrumentos, entre outras medidas, que vai permitir conhecer em tempo real as situações, e será um reporte importante de informação e de articulação entre todas as pessoas no terreno”.
Sobre os resultados da reunião desta semana com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o Plano de Acção 2019-20 da ENIPSSA, a ministra disse que “esse encontro, articulando todas as associações que fazem parte desta estratégia, serviu precisamente para identificar o que se está a fazer e o que é preciso ainda fazer”, sem avançar mais detalhes.
O Governo tinha admitido que estão a ser feitos “reajustamentos” para que esse programa possa responder às questões prioritárias, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa tem insistido na necessidade erradicar os sem-abrigo até 2023. A iniciativa do Ministério de visitar a associação João 13 teve sobretudo como objectivo, como sublinhou Ana Mendes Godinho, “valorizar quem, no dia-a-dia, presta apoio aos sem-abrigo, muitos deles em voluntariado”.
Esta associação, que funciona seis dias por semana a partir das 18h, junto ao Panteão Nacional, recebe diariamente entre 50 a 60 pessoas, que ali vão para tomar banho e comer uma refeição quente. “Já falei com algumas das pessoas, e dizem que se sentem aqui muito bem acolhidos, e quase em casa”, disse a ministra, que jantou no refeitório, ao lado de quem recorreu à associação esta noite.
Para a governante, “este tipo de respostas é importante trabalhar em conjunto, para garantir a missão comum de responder à grande necessidade de criar condições para que estas pessoas saiam na rua”. “Estamos a tentar identificar os problemas que têm. Sabemos que há questões de alojamento, saúde em geral, mental e oral em particular, adições, e reintegração profissional que é preciso resolver”, salientou.
Questionada sobre o número de sem-abrigo que existe no país, indicou que os números de 2018 apontam para um total de 3396 pessoas sem tecto ou sem casa. “Neste momento estamos a tratar os números do inquérito que foi feito este ano para fazer o levantamento anual. Teremos esses números actualizados no início de 2020”, disse.
Frei Filipe Rodrigues, presidente e fundador da Associação João 13, criada em 2015, indicou à Lusa que a entidade envolve 230 voluntários “que todos os dias se dedicam e dão resposta aos pedidos de ajuda” de quem vive na rua ou em situação de carência económica. “Esta associação vive integralmente de voluntários, a fazer refeições, a lavar roupa, e identificar os problemas que têm e tentando apoiar”, descreveu.
Durante a visita da ministra às instalações da associação, foram entrando e saindo cerca de uma dezena de pessoas que usaram as toalhas de banho, ou se sentaram para um jantar que hoje oferecia frango assado com arroz, sopa de legumes, fruta e bolos variados.
De acordo com Ana Mendes Godinho, a plataforma será um dos instrumentos que vai permitir conhecer em tempo real as situações dos sem-abrigo e será “um reporte importante de informação e de articulação entre todas as pessoas no terreno”.
A ministra do Trabalho, Ana Godinho, afirmou este sábado que está a ser desenvolvida uma plataforma para identificar em tempo real todos os casos de sem-abrigo pelas instituições que lhes dão apoio, e permitir “articular” quem ajuda no terreno.
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social falava à agência Lusa durante uma visita à associação de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo João 13, em Lisboa, que chegou a ser frequentada pela jovem que abandonou um bebé recém-nascido no lixo.
A plataforma, que faz parte da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA), e está a ser desenvolvida pelo Instituto de Segurança Social, “era o instrumento que faltava para articular as entidades que trabalham no terreno”, sublinhou a ministra.
Questionada pela Lusa sobre se esta ferramenta irá contribuir para detectar mais rapidamente situações de risco como o da jovem que abandonou o filho, a governante disse que “vai permitir identificar em tempo real todos os casos [de sem-abrigo], por todos os intervenientes, para que possam ter informação das situações sinalizadas, e haver garantia de acompanhamento e rastreamento permanente, até para garantir maior segurança das pessoas”.
De acordo com Ana Mendes Godinho, “este será um dos instrumentos, entre outras medidas, que vai permitir conhecer em tempo real as situações, e será um reporte importante de informação e de articulação entre todas as pessoas no terreno”.
Sobre os resultados da reunião desta semana com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o Plano de Acção 2019-20 da ENIPSSA, a ministra disse que “esse encontro, articulando todas as associações que fazem parte desta estratégia, serviu precisamente para identificar o que se está a fazer e o que é preciso ainda fazer”, sem avançar mais detalhes.
O Governo tinha admitido que estão a ser feitos “reajustamentos” para que esse programa possa responder às questões prioritárias, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa tem insistido na necessidade erradicar os sem-abrigo até 2023. A iniciativa do Ministério de visitar a associação João 13 teve sobretudo como objectivo, como sublinhou Ana Mendes Godinho, “valorizar quem, no dia-a-dia, presta apoio aos sem-abrigo, muitos deles em voluntariado”.
Esta associação, que funciona seis dias por semana a partir das 18h, junto ao Panteão Nacional, recebe diariamente entre 50 a 60 pessoas, que ali vão para tomar banho e comer uma refeição quente. “Já falei com algumas das pessoas, e dizem que se sentem aqui muito bem acolhidos, e quase em casa”, disse a ministra, que jantou no refeitório, ao lado de quem recorreu à associação esta noite.
Para a governante, “este tipo de respostas é importante trabalhar em conjunto, para garantir a missão comum de responder à grande necessidade de criar condições para que estas pessoas saiam na rua”. “Estamos a tentar identificar os problemas que têm. Sabemos que há questões de alojamento, saúde em geral, mental e oral em particular, adições, e reintegração profissional que é preciso resolver”, salientou.
Questionada sobre o número de sem-abrigo que existe no país, indicou que os números de 2018 apontam para um total de 3396 pessoas sem tecto ou sem casa. “Neste momento estamos a tratar os números do inquérito que foi feito este ano para fazer o levantamento anual. Teremos esses números actualizados no início de 2020”, disse.
Frei Filipe Rodrigues, presidente e fundador da Associação João 13, criada em 2015, indicou à Lusa que a entidade envolve 230 voluntários “que todos os dias se dedicam e dão resposta aos pedidos de ajuda” de quem vive na rua ou em situação de carência económica. “Esta associação vive integralmente de voluntários, a fazer refeições, a lavar roupa, e identificar os problemas que têm e tentando apoiar”, descreveu.
Durante a visita da ministra às instalações da associação, foram entrando e saindo cerca de uma dezena de pessoas que usaram as toalhas de banho, ou se sentaram para um jantar que hoje oferecia frango assado com arroz, sopa de legumes, fruta e bolos variados.
Pobreza em Portugal “conjuga-se no feminino” e tem dimensão significativa
in DNotícias
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (Portugal), padre Agostinho Jardim Moreira, alertou hoje que a pobreza é “conjugada essencialmente no feminino e, em Portugal, esta pobreza feminina tem uma dimensão bastante significativa”.
Esta realidade é visível no caso de muitas mães solteiras, cujos rendimentos -- por ser apenas o seu o único vencimento do agregado familiar -- não são suficientes para as necessidades da família.
Em Portugal, com 2,2 milhões de pobres, a democracia, ainda segundo o padre Jardim Moreira, “não está de boa saúde”, porque há “uma percentagem razoável de portugueses que não conseguem participar no desenvolvimento nacional”.
“Nem ao fim 40 anos depois da Revolução de Abril [conseguem] participar de uma forma digna e onde possam desenvolver seus direitos humanos”, lamentou o presidente da Rede Anti-Pobreza, para quem, “o que está em causa é, de facto, a dignidade das pessoas”.
Jardim Moreira, em declarações à agência Lusa, defendeu que, para alterar esta situação, o caminho pode passar por uma atuação em três eixos, transversal a toda a sociedade.
O primeiro eixo, envolvendo os órgãos de soberania, como o Presidente da República, a Assembleia da República e o Governo, o segundo integrando as autarquias e envolvendo um trabalho em rede dos órgãos descentralizados do Estado nos campos da Saúde, Educação, Habitação, Trabalho e Ação Social, e o terceiro, envolvendo as instituições de solidariedade e a seleção das famílias a intervencionar e a acompanhar por uma equipa transdisciplinar.
“Isto requer uma participação social nova, com intervenção junto da família, um trabalho de persistência, envolvendo
paróquias, autarquias locais e instituições”, disse.
Estas propostas já começaram a ser apresentadas ao poder político, segundo o presidente da Rede Anti-Pobreza.
Jardim Moreira, no final de um encontro de associados da Rede Europeia Anti-Pobreza (Portugal), que decorreu hoje em Aveiro, disse que os trabalhos sublinharam a necessidade de “haver mais profissionalismo dos técnicos das instituições do terceiro setor, [com] atualização do conhecimento e [da] metodologia, para que o trabalho corresponda às necessidades das pessoas”.
Também a necessidade de uma maior participação por parte da sociedade civil no apoio ao setor -- “temos uma sociedade onde não há grande tradição de participação e onde muitos são capazes de criticar”, mas não agem para alterar a realidade social -, de preparação de uma cultura estrutura de voluntariado preparado, com competências técnicas, e uma aposta na “transparência na gestão das instituições, sobre o que se faz, como se faz”, foram apontadas no encontro que decorreu durante todo dia.
“Tudo isto requer uma competência de missão muito qualificada”, reconheceu o padre Jardim Moreira.
A Rede Europeia Anti-Pobreza (Portugal) tem cerca de um milhar de associados, entre instituições e particulares.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (Portugal), padre Agostinho Jardim Moreira, alertou hoje que a pobreza é “conjugada essencialmente no feminino e, em Portugal, esta pobreza feminina tem uma dimensão bastante significativa”.
Esta realidade é visível no caso de muitas mães solteiras, cujos rendimentos -- por ser apenas o seu o único vencimento do agregado familiar -- não são suficientes para as necessidades da família.
Em Portugal, com 2,2 milhões de pobres, a democracia, ainda segundo o padre Jardim Moreira, “não está de boa saúde”, porque há “uma percentagem razoável de portugueses que não conseguem participar no desenvolvimento nacional”.
“Nem ao fim 40 anos depois da Revolução de Abril [conseguem] participar de uma forma digna e onde possam desenvolver seus direitos humanos”, lamentou o presidente da Rede Anti-Pobreza, para quem, “o que está em causa é, de facto, a dignidade das pessoas”.
Jardim Moreira, em declarações à agência Lusa, defendeu que, para alterar esta situação, o caminho pode passar por uma atuação em três eixos, transversal a toda a sociedade.
O primeiro eixo, envolvendo os órgãos de soberania, como o Presidente da República, a Assembleia da República e o Governo, o segundo integrando as autarquias e envolvendo um trabalho em rede dos órgãos descentralizados do Estado nos campos da Saúde, Educação, Habitação, Trabalho e Ação Social, e o terceiro, envolvendo as instituições de solidariedade e a seleção das famílias a intervencionar e a acompanhar por uma equipa transdisciplinar.
“Isto requer uma participação social nova, com intervenção junto da família, um trabalho de persistência, envolvendo
paróquias, autarquias locais e instituições”, disse.
Estas propostas já começaram a ser apresentadas ao poder político, segundo o presidente da Rede Anti-Pobreza.
Jardim Moreira, no final de um encontro de associados da Rede Europeia Anti-Pobreza (Portugal), que decorreu hoje em Aveiro, disse que os trabalhos sublinharam a necessidade de “haver mais profissionalismo dos técnicos das instituições do terceiro setor, [com] atualização do conhecimento e [da] metodologia, para que o trabalho corresponda às necessidades das pessoas”.
Também a necessidade de uma maior participação por parte da sociedade civil no apoio ao setor -- “temos uma sociedade onde não há grande tradição de participação e onde muitos são capazes de criticar”, mas não agem para alterar a realidade social -, de preparação de uma cultura estrutura de voluntariado preparado, com competências técnicas, e uma aposta na “transparência na gestão das instituições, sobre o que se faz, como se faz”, foram apontadas no encontro que decorreu durante todo dia.
“Tudo isto requer uma competência de missão muito qualificada”, reconheceu o padre Jardim Moreira.
A Rede Europeia Anti-Pobreza (Portugal) tem cerca de um milhar de associados, entre instituições e particulares.
Reportagem do PÚBLICO distinguida com prémio da Associação Corações Com Coroa
in Público on-line
Esta é já a terceira vez que esta peça, da série de Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda sobre crianças ciganas e escolaridade obrigatória, é distinguida com um prémio.
A reportagem Esta escola já não é só para ciganos foi esta segunda-feira distinguida com o prémio Corações Capazes de Construir na categoria jornalismo. A cerimónia de entrega decorreu esta segunda-feira na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, no final de uma conferência sobre violência e discriminação. Joaquim Furtado entregou o galardão, atribuído pela Associação Corações Com Coroa, a Ana Cristina Pereira.
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A série sobre crianças ciganas e escolaridade obrigatória, com textos de Ana Cristina Pereira e fotografias de Adriano Miranda, de que esta reportagem faz parte, já tinha sido distinguida em Abril. Foi contemplada com o prémio Direitos da Criança em Notícia atribuídos pelo Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens, com o apoio da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens e da Sociedade Portuguesa de Autores.
Em Agosto, esta peça voltou a ser galardoada, na primeira edição do prémio de jornalismo Analisar a pobreza na Imprensa da EAPN-Portugal/Rede Europeia Antipobreza. O primeiro lugar na Categoria da Imprensa Nacional foi atribuído pelo texto e pela fotografia no arranque da celebração do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.
A Corações Com Coroa é uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento que foi criada em 2012 com o objectivo de “promover uma cultura de solidariedade, igualdade de oportunidades e inclusão sócio-afectiva de pessoas em situações de vulnerabilidade, risco ou pobreza”. O prémio Corações Capazes de Construir visa “distinguir trabalhos de comunicação que se destaquem na promoção do conhecimento, informação, sensibilização e protecção dos Direitos Humanos, numa perspectiva de igualdade de direitos, saúde, inclusão social, cidadania e desenvolvimento”.
Esta é já a terceira vez que esta peça, da série de Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda sobre crianças ciganas e escolaridade obrigatória, é distinguida com um prémio.
A reportagem Esta escola já não é só para ciganos foi esta segunda-feira distinguida com o prémio Corações Capazes de Construir na categoria jornalismo. A cerimónia de entrega decorreu esta segunda-feira na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, no final de uma conferência sobre violência e discriminação. Joaquim Furtado entregou o galardão, atribuído pela Associação Corações Com Coroa, a Ana Cristina Pereira.
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A série sobre crianças ciganas e escolaridade obrigatória, com textos de Ana Cristina Pereira e fotografias de Adriano Miranda, de que esta reportagem faz parte, já tinha sido distinguida em Abril. Foi contemplada com o prémio Direitos da Criança em Notícia atribuídos pelo Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens, com o apoio da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens e da Sociedade Portuguesa de Autores.
Em Agosto, esta peça voltou a ser galardoada, na primeira edição do prémio de jornalismo Analisar a pobreza na Imprensa da EAPN-Portugal/Rede Europeia Antipobreza. O primeiro lugar na Categoria da Imprensa Nacional foi atribuído pelo texto e pela fotografia no arranque da celebração do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.
A Corações Com Coroa é uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento que foi criada em 2012 com o objectivo de “promover uma cultura de solidariedade, igualdade de oportunidades e inclusão sócio-afectiva de pessoas em situações de vulnerabilidade, risco ou pobreza”. O prémio Corações Capazes de Construir visa “distinguir trabalhos de comunicação que se destaquem na promoção do conhecimento, informação, sensibilização e protecção dos Direitos Humanos, numa perspectiva de igualdade de direitos, saúde, inclusão social, cidadania e desenvolvimento”.
"Pobreza combate-se fazendo chegar alimentos a quem precisa"
in Notícias ao Minuto
O Presidente da República visitou hoje o Banco Alimentar Contra a Fome de Lisboa e apelou à participação na campanha de recolha de alimentos no fim de semana, descrevendo-a como uma "rede social de carne e osso".
Durante a visita à sede do Banco Alimentar, acompanhado pela presidente da instituição em Lisboa e a nível nacional, Isabel Jonet, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "é este tipo de redes que faz viver o tecido social português onde o Estado não chega" e pediu a todas as pessoas que "não deixem de contribuir" na medida das suas possibilidades.
"[A campanha] começa às oito da manhã, dura todo o fim de semana, está por todo o país, contempla praticamente meio milhão de beneficiários, o que é muito numa população de dez milhões", referiu, considerando que "quem puder dar apenas um produto, pequeno que seja, está a contribuir porventura até mais do que quem pode muito mais e dá menos do que devia poder dar".
O chefe de Estado declarou que, como é habitual, tenciona contribuir pessoalmente para esta campanha, desta vez com compras em "seis ou sete sítios" entre Cascais e Lisboa, "muito diferentes, uns são grandes superfícies, outros são médias superfícies, outros são pequenas superfícies", no sábado e no domingo.
"É evidente que isto é fundamental, porque a pobreza combate-se, não com teorias, não com discursos, mas fazendo chegar alimentos a quem precisa para se alimentar - entre outras coisas, bem entendido", defendeu.
Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que o Banco Alimentar "existe há 58 campanhas, o que quer dizer 30 anos" e observou: "É impressionante, são décadas da vida do país".
Pegando no lema desta campanha, "rede social real", o Presidente da República descreveu a iniciativa como "uma rede social de carne e osso", que inclui "os voluntários que lá estão, as pessoas que dão, as instituições que recebem, e os beneficiários das instituições, que são os últimos destinatários".
É uma rede "real, não fictícia, não virtual, não à distância", em que as pessoas "têm a noção de que aquilo que partiu de umas mãos chega a outras mãos concretas", acrescentou.
Por sua vez, Isabel Jonet realçou que as campanhas dos 21 bancos espalhados pelo país, que integram a Federação Portuguesa dos Bancos Contra a Fome, a que preside, não seriam possíveis sem os voluntários - 40 mil, no caso desta campanha, em que os alimentos serão depois entregues por intermédio de 2.600 instituições de solidariedade social.
"Esta é a maior ação de voluntariado que há em Portugal", afirmou.
Questionada se as grandes superfícies contribuem também de alguma forma para a campanha, Isabel Jonet respondeu: "Sim. Por vezes há essa perceção de que quem ganha com as campanhas do Banco Alimentar são as cadeias de distribuição, mas essa é uma ideia incorreta".
"As cadeias de distribuição dão uma percentagem daquilo que vendem - e nós temos todos os produtos pesados por origem, sabemos exatamente qual é a quantidade em quilos que entra de cada supermercado, de loja, mesmo, e estamos a falar de duas mil lojas. E todas as cadeias de distribuição têm uma participação em alimentos no final de campanha", prosseguiu, mencionando que, além disso, oferecem materiais e suportam publicidade.
Isabel Jonet destacou o facto de esta campanha ter como novidade a recolha de alimentos "nos estádios de futebol onde há jogos neste fim de semana" e chamou a atenção para a possibilidade de se participar com donativos através da Internet.
Por outro lado, salientou que, por preocupação com o ambiente, nesta campanha vão ser usados "sacos de reutilização, para diminuir o consumo de sacos", juntamente com sacos de papel, quando anteriormente se chegou a utilizar "um milhão de sacos de plástico".
O Presidente da República visitou hoje o Banco Alimentar Contra a Fome de Lisboa e apelou à participação na campanha de recolha de alimentos no fim de semana, descrevendo-a como uma "rede social de carne e osso".
Durante a visita à sede do Banco Alimentar, acompanhado pela presidente da instituição em Lisboa e a nível nacional, Isabel Jonet, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "é este tipo de redes que faz viver o tecido social português onde o Estado não chega" e pediu a todas as pessoas que "não deixem de contribuir" na medida das suas possibilidades.
"[A campanha] começa às oito da manhã, dura todo o fim de semana, está por todo o país, contempla praticamente meio milhão de beneficiários, o que é muito numa população de dez milhões", referiu, considerando que "quem puder dar apenas um produto, pequeno que seja, está a contribuir porventura até mais do que quem pode muito mais e dá menos do que devia poder dar".
O chefe de Estado declarou que, como é habitual, tenciona contribuir pessoalmente para esta campanha, desta vez com compras em "seis ou sete sítios" entre Cascais e Lisboa, "muito diferentes, uns são grandes superfícies, outros são médias superfícies, outros são pequenas superfícies", no sábado e no domingo.
"É evidente que isto é fundamental, porque a pobreza combate-se, não com teorias, não com discursos, mas fazendo chegar alimentos a quem precisa para se alimentar - entre outras coisas, bem entendido", defendeu.
Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que o Banco Alimentar "existe há 58 campanhas, o que quer dizer 30 anos" e observou: "É impressionante, são décadas da vida do país".
Pegando no lema desta campanha, "rede social real", o Presidente da República descreveu a iniciativa como "uma rede social de carne e osso", que inclui "os voluntários que lá estão, as pessoas que dão, as instituições que recebem, e os beneficiários das instituições, que são os últimos destinatários".
É uma rede "real, não fictícia, não virtual, não à distância", em que as pessoas "têm a noção de que aquilo que partiu de umas mãos chega a outras mãos concretas", acrescentou.
Por sua vez, Isabel Jonet realçou que as campanhas dos 21 bancos espalhados pelo país, que integram a Federação Portuguesa dos Bancos Contra a Fome, a que preside, não seriam possíveis sem os voluntários - 40 mil, no caso desta campanha, em que os alimentos serão depois entregues por intermédio de 2.600 instituições de solidariedade social.
"Esta é a maior ação de voluntariado que há em Portugal", afirmou.
Questionada se as grandes superfícies contribuem também de alguma forma para a campanha, Isabel Jonet respondeu: "Sim. Por vezes há essa perceção de que quem ganha com as campanhas do Banco Alimentar são as cadeias de distribuição, mas essa é uma ideia incorreta".
"As cadeias de distribuição dão uma percentagem daquilo que vendem - e nós temos todos os produtos pesados por origem, sabemos exatamente qual é a quantidade em quilos que entra de cada supermercado, de loja, mesmo, e estamos a falar de duas mil lojas. E todas as cadeias de distribuição têm uma participação em alimentos no final de campanha", prosseguiu, mencionando que, além disso, oferecem materiais e suportam publicidade.
Isabel Jonet destacou o facto de esta campanha ter como novidade a recolha de alimentos "nos estádios de futebol onde há jogos neste fim de semana" e chamou a atenção para a possibilidade de se participar com donativos através da Internet.
Por outro lado, salientou que, por preocupação com o ambiente, nesta campanha vão ser usados "sacos de reutilização, para diminuir o consumo de sacos", juntamente com sacos de papel, quando anteriormente se chegou a utilizar "um milhão de sacos de plástico".
Marcelo visita Banco Alimentar e apela à participação na “rede social de carne e osso”
in Público on-line
O Banco Alimentar contra a Fome inicia este sábado uma campanha de dois dias de recolha de alimentos, em cerca de 2000 lojas do país. Campanha inclui a recolha de alimentos nos estádios de futebol e donativos através da Internet.
O Presidente da República visitou esta sexta-feira o Banco Alimentar Contra a Fome de Lisboa e apelou à participação na campanha de recolha de alimentos no fim-de-semana, descrevendo-a como uma “rede social de carne e osso”.
Durante a visita à sede do Banco Alimentar, acompanhado pela presidente da instituição, Isabel Jonet, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “é este tipo de redes que faz viver o tecido social português onde o Estado não chega” e pediu a todas as pessoas que “não deixem de contribuir” na medida das suas possibilidades.
“Começa às oito da manhã, dura todo o fim-de-semana, está por todo o país, contempla praticamente meio milhão de beneficiários, o que é muito numa população de dez milhões”, referiu, considerando que “quem puder dar apenas um produto, pequeno que seja, está a contribuir porventura até mais do que quem pode muito mais e dá menos do que devia poder dar”.
O chefe de Estado declarou que, como é habitual, tenciona contribuir pessoalmente para esta campanha, desta vez com compras em “seis ou sete sítios” entre Cascais e Lisboa, “muito diferentes, uns são grandes superfícies, outros são médias superfícies, outros são pequenas superfícies”, no sábado e no domingo. “É evidente que isto é fundamental, porque a pobreza combate-se, não com teorias, não com discursos, mas fazendo chegar alimentos a quem precisa para se alimentar — entre outras coisas, bem entendido”, defendeu.
Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que o Banco Alimentar “existe há 58 campanhas, o que quer dizer 30 anos” e observou: “É impressionante, são décadas da vida do país”. Pegando no lema desta campanha, “rede social real”, o Presidente da República descreveu a iniciativa como “uma rede social de carne e osso”, que inclui “os voluntários que lá estão, as pessoas que dão, as instituições que recebem, e os beneficiários das instituições, que são os últimos destinatários”.
É uma rede “real, não fictícia, não virtual, não à distância”, em que as pessoas “têm a noção de que aquilo que partiu de umas mãos chega a outras mãos concretas”, acrescentou.
Quarenta mil voluntários
Por sua vez, Isabel Jonet realçou que as campanhas dos 21 bancos espalhados pelo país, que integram a Federação Portuguesa dos Bancos Contra a Fome, a que preside, não seriam possíveis sem os voluntários — 40 mil, no caso desta campanha, em que os alimentos serão depois entregues por intermédio de 2600 instituições de solidariedade social. “Esta é a maior acção de voluntariado que há em Portugal”, afirmou.
Questionada se as grandes superfícies contribuem também de alguma forma para a campanha, Isabel Jonet respondeu: “Sim. Por vezes há essa percepção de que quem ganha com as campanhas do Banco Alimentar são as cadeias de distribuição, mas essa é uma ideia incorrecta”. “As cadeias de distribuição dão uma percentagem daquilo que vendem — e nós temos todos os produtos pesados por origem, sabemos exactamente qual é a quantidade em quilos que entra de cada supermercado, de loja, mesmo, e estamos a falar de duas mil lojas. E todas as cadeias de distribuição têm uma participação em alimentos no final de campanha”, prosseguiu, mencionando que, além disso, oferecem materiais e suportam publicidade.
Isabel Jonet destacou o facto de esta campanha ter como novidade a recolha de alimentos “nos estádios de futebol onde há jogos neste fim-de-semana” e chamou a atenção para a possibilidade de se participar com donativos através da Internet. Por outro lado, salientou que, por preocupação com o ambiente, nesta campanha vão ser usados “sacos de reutilização, para diminuir o consumo de sacos”, juntamente com sacos de papel, quando anteriormente se chegou a utilizar “um milhão de sacos de plástico”.
A campanha deste ano do Banco Alimentar contra a Fome, que se inicia este sábado, tem como mote #RedeSocialReal e apela para que os likes das pessoas sejam os contributos alimentares. “Este mote é uma rede social real que é um real apelo a que as pessoas não percam de vista o lado humano. Serve para mostrar que cada pessoa tem um papel a desempenhar”, disse à Lusa Isabel Jonet.
Quem quiser contribuir pode aceitar um saco do Banco Alimentar, e durante as compras escolher produtos, de preferência não perecíveis, como conservas, azeite, açúcar, farinha e massas, para doar. Em alternativa, pode comprar-se vales de produtos, que estarão disponíveis nas caixas das lojas até 8 de Dezembro.
Dádivas ao Banco Alimentar diminuíram comparativamente ao ano passado
A campanha prolonga-se até 8 de Dezembro no site www.alimentestaideia.pt.
Os 21 bancos alimentares existentes distribuirão depois os alimentos localmente, também com recurso a voluntários. Em 2018, foram recolhidas 24.262 toneladas, no valor de 34 milhões de euros, que ajudaram 2400 instituições e 380 mil pessoas.
O Banco Alimentar contra a Fome inicia este sábado uma campanha de dois dias de recolha de alimentos, em cerca de 2000 lojas do país. Campanha inclui a recolha de alimentos nos estádios de futebol e donativos através da Internet.
O Presidente da República visitou esta sexta-feira o Banco Alimentar Contra a Fome de Lisboa e apelou à participação na campanha de recolha de alimentos no fim-de-semana, descrevendo-a como uma “rede social de carne e osso”.
Durante a visita à sede do Banco Alimentar, acompanhado pela presidente da instituição, Isabel Jonet, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “é este tipo de redes que faz viver o tecido social português onde o Estado não chega” e pediu a todas as pessoas que “não deixem de contribuir” na medida das suas possibilidades.
“Começa às oito da manhã, dura todo o fim-de-semana, está por todo o país, contempla praticamente meio milhão de beneficiários, o que é muito numa população de dez milhões”, referiu, considerando que “quem puder dar apenas um produto, pequeno que seja, está a contribuir porventura até mais do que quem pode muito mais e dá menos do que devia poder dar”.
O chefe de Estado declarou que, como é habitual, tenciona contribuir pessoalmente para esta campanha, desta vez com compras em “seis ou sete sítios” entre Cascais e Lisboa, “muito diferentes, uns são grandes superfícies, outros são médias superfícies, outros são pequenas superfícies”, no sábado e no domingo. “É evidente que isto é fundamental, porque a pobreza combate-se, não com teorias, não com discursos, mas fazendo chegar alimentos a quem precisa para se alimentar — entre outras coisas, bem entendido”, defendeu.
Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que o Banco Alimentar “existe há 58 campanhas, o que quer dizer 30 anos” e observou: “É impressionante, são décadas da vida do país”. Pegando no lema desta campanha, “rede social real”, o Presidente da República descreveu a iniciativa como “uma rede social de carne e osso”, que inclui “os voluntários que lá estão, as pessoas que dão, as instituições que recebem, e os beneficiários das instituições, que são os últimos destinatários”.
É uma rede “real, não fictícia, não virtual, não à distância”, em que as pessoas “têm a noção de que aquilo que partiu de umas mãos chega a outras mãos concretas”, acrescentou.
Quarenta mil voluntários
Por sua vez, Isabel Jonet realçou que as campanhas dos 21 bancos espalhados pelo país, que integram a Federação Portuguesa dos Bancos Contra a Fome, a que preside, não seriam possíveis sem os voluntários — 40 mil, no caso desta campanha, em que os alimentos serão depois entregues por intermédio de 2600 instituições de solidariedade social. “Esta é a maior acção de voluntariado que há em Portugal”, afirmou.
Questionada se as grandes superfícies contribuem também de alguma forma para a campanha, Isabel Jonet respondeu: “Sim. Por vezes há essa percepção de que quem ganha com as campanhas do Banco Alimentar são as cadeias de distribuição, mas essa é uma ideia incorrecta”. “As cadeias de distribuição dão uma percentagem daquilo que vendem — e nós temos todos os produtos pesados por origem, sabemos exactamente qual é a quantidade em quilos que entra de cada supermercado, de loja, mesmo, e estamos a falar de duas mil lojas. E todas as cadeias de distribuição têm uma participação em alimentos no final de campanha”, prosseguiu, mencionando que, além disso, oferecem materiais e suportam publicidade.
Isabel Jonet destacou o facto de esta campanha ter como novidade a recolha de alimentos “nos estádios de futebol onde há jogos neste fim-de-semana” e chamou a atenção para a possibilidade de se participar com donativos através da Internet. Por outro lado, salientou que, por preocupação com o ambiente, nesta campanha vão ser usados “sacos de reutilização, para diminuir o consumo de sacos”, juntamente com sacos de papel, quando anteriormente se chegou a utilizar “um milhão de sacos de plástico”.
A campanha deste ano do Banco Alimentar contra a Fome, que se inicia este sábado, tem como mote #RedeSocialReal e apela para que os likes das pessoas sejam os contributos alimentares. “Este mote é uma rede social real que é um real apelo a que as pessoas não percam de vista o lado humano. Serve para mostrar que cada pessoa tem um papel a desempenhar”, disse à Lusa Isabel Jonet.
Quem quiser contribuir pode aceitar um saco do Banco Alimentar, e durante as compras escolher produtos, de preferência não perecíveis, como conservas, azeite, açúcar, farinha e massas, para doar. Em alternativa, pode comprar-se vales de produtos, que estarão disponíveis nas caixas das lojas até 8 de Dezembro.
Dádivas ao Banco Alimentar diminuíram comparativamente ao ano passado
A campanha prolonga-se até 8 de Dezembro no site www.alimentestaideia.pt.
Os 21 bancos alimentares existentes distribuirão depois os alimentos localmente, também com recurso a voluntários. Em 2018, foram recolhidas 24.262 toneladas, no valor de 34 milhões de euros, que ajudaram 2400 instituições e 380 mil pessoas.
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