10.2.10

Crise económica faz aumentar reclamações sobre habitação

por Céu Neves, Diário de Notícias

Associação atendeu 381 mil consumidores em 2009, mais 19% do que em 2008


As queixas sobre habitação junto da Deco aumentaram significativamente em 2009, o que os técnicos atribuem à crise. Atenderam 28 823 consumidores, que reclamaram dos defeitos de construção, dos edifícios serem pouco eficientes a nível energético, da má aplicação dos materiais e da dificuldade em accionar a garantia.

A habitação é o quarto sector mais reclamado em 2009, quando nem surgia em 2008. "Este aumento estará, também, relacionado com a crise. A habitação é um bem onde as pessoas despendem mais dinheiro, se compraram casa há menos de cinco anos e constatam que tem defeitos, querem saber que direitos têm e se podem exigir a reparação", justifica Ana Tapadinhas, coordenadora do departamento jurídico da Deco.

Aquela jurista reconhece que este é um dos sectores em que a mediação tem menos êxito e, em regra, aconselham os compradores a accionar os mecanismos judiciais. E reivindicam o alargamento do prazo da garantia dos imóveis de cinco para dez anos.

Em 2009, os técnicos da Deco atenderam 381 790 consumidores, mais 19% do que em 2008. Destes, menos de dez por cento (32 317) foram para mediação. Um quarto das reclamações são sobre telecomunicações, o sector mais problemático desde sempre, mas é também onde a mediação tem mais sucesso, salienta Ana Tapadinhas. Protestam sobretudo contra a PT, a ZON, a Sonae e a Vodafone.

Sector bancário surge em segundo lugar nos protestos, com 65 773 contactos, mais do dobro que em 2008, quando foi o quarto mais reclamado.Os bancos com mais queixas são Santander Totta, Caixa Geral de Depósitos e BCP.

As reclamações sobre compra e venda diminuíram para quase metade, de 74 888 para 40 320, tendo passado de segundo para terceiro lugar. São as vendas agressivas as mais problemáticas. E em quinto lugar surgem os serviços de interesse geral (água, luz e gás) com 20 032 queixas.