Célia Marques Azevedo, in Jornal de Notícias
Presidente da Comissão mostra"total confiança" em Portugal
Durão Barroso pediu "consenso" às "forças políticas portuguesas responsáveis" para trabalharem em conjunto para combater a "situação económica difícil". O risco de contágio aos restantes membros da União Europeia é "exagerado", dizem os especialistas.
Durão explicou, também, que a Comissão Europeia tem "total confiança na capacidade de Portugal fazer face a uma situação financeira que é difícil" e que, por isso, "exige, de facto, consenso" para ser enfrentada. O presidente da Comissão Europeia comentou ontem, em Estrasburgo, pela primeira vez, as consequências das declarações do comissário cessante para os Assuntos Económicos. Joaquin Almunia comparou, na semana passada, algumas características da economia portuguesa às da grega, nomeadamente, os "défices consideráveis" dos dois países e a necessidade de "financiamento externo" comum a ambos, o que originou a queda nos mercados financeiros.
Apesar do desmentido, as afirmações foram classificadas de "imprudentes", não só pelos responsáveis portugueses, como pelos espanhóis. As críticas foram ontem largamente reproduzidas por alguns deputados portugueses no Parlamento Europeu, no último debate em que Almunia participou enquanto comissário para os Assuntos Económicos. No debate sobre a situação económica da Zona Euro, Almunia mencionou o "risco sério" de a crise grega poder contaminar outros países da Euroárea.
Opinião oposta tem a Fitch Ratings, que numa referência aos desequilíbrios orçamentais de Portugal, Espanha e Grécia disse que o risco de contágio aos restantes países era "exagerado". Neste sentido, os juros da dívida portuguesa começaram ontem a cair - a maior queda deste ano depois de vários responsáveis de diferentes países do grupo do euro terem sinalizado que irão ajudar Atenas a reduzir o défice elevado.
A Fitch considera que a União Europeia pode "encontrar uma maneira" para ajudar a dívida soberana dos seus países e que a pressão dos mercados sobre o risco da dívida de Portugal, da Espanha e da Grécia exige "disciplina fiscal".


