Célia Marques Azevedo*, in Jornal de Notícias
Presidente da Comissão Europeia com mais votos do que em 2004
Durão Barroso e o colégio de comissários receberam o aval do Parlamento Europeu para mais cinco anos no executivo da Comissão Europeia, com uma maioria alargada de votos. "Feliz e honrado" com o "apoio reforçado", está "pronto para começar a trabalhar".
Os eurodeputados do Parlamento Europeu deram, em Estrasburgo, 488 votos a favor da Comissão Europeia de Durão Barroso. Contra estiveram 137 deputados e 72 abstiveram-se. Este foi o último passo da reeleição do antigo primeiro-ministro português para presidente da Comissão Europeia por mais cinco anos. Os 488 votos a favor são o resultado do apoio anunciado do Partido Popular Europeu e dos Liberais. Os socialistas precisaram de conferenciar para, por fim, se decidirem pelo apoio ao presidente português. Os três partidos completam o triângulo das famílias políticas mais numerosas em Estrasburgo. Os Verdes e a extrema esquerda votaram contra, enquanto os antifederalistas do partido dos conservadores e reformistas se abstiveram.
Entre os portugueses, os sociais-democratas, socialistas e os centristas anunciaram que votariam a favor do colégio de comissários, enquanto os comunistas e os bloquistas opuseram-se.
Depois de quase quatro meses em gestão e de vários outros em que o trio de instituições esteve mais ocupado a resolver os problemas internos, como o impasse sobre o Tratado de Lisboa, Durão Barroso disse que agora "é tempo de trabalhar com determinação". O antigo primeiro-ministro disse, pouco depois do voto na plenária, que a "situação económica exige respostas com ambição" e que a Comissão "vai avançar com propostas nesse sentido aos estados-membros", " mostrando como é importante uma dimensão europeia na resposta à crise económica e financeira" (ver mais noticiário na página 26).
Apesar de ter havido alguma falta de entusiasmo por parte dos deputados do Parlamento Europeu, quer pela recondução de Durão Barroso quer pelo colégio que apresentou para gerir o órgão executivo comunitário, o número de votos obtido ontem foi mais expressivo do que na eleição de 2004. Segundo os cálculos parlamentares, a Comissão Barroso II recebeu 70% dos votos, enquanto a Comissão Barroso I colheu 66% do apoio dos deputados.


