Por Abel Coentrão, in Jornal Público
Os 2,8 mil milhões de euros do Operação Norte tiveram algum efeito no PIB e no emprego, mas não impediram a crise regional
Entre 2001 e 2009, os 2800 milhões de euros em fundos europeus geridos pelo anterior programa operacional do Norte, o ON, teve um impacto de 0,3 por cento no Produto Interno Bruto regional e ajudou a criar 0,5 por cento dos empregos da região. Mas, mesmo assim, e com a excepção de dois anos, as nuvens nunca deixaram de pairar sobre a economia do Norte, região em desfasamento com o país e com a União Europeia desde o início da década. E nem mesmo a esperança nos efeitos da mudança estratégica operada nos actuais ON2 e no Quadro de Referência Estratégico Nacional, mais focados na competitividade e na qualificação, permite uma confiança desmesurada no futuro.
Compreende-se que "ambivalência" seja a palavra que traduz melhor o sentimento evidenciado ontem pelas entidades envolvidas na montagem e gestão do anterior programa operacional, na hora de aprovar o relatório final sobre praticamente dez anos de trabalho na aplicação dos tais 2800 milhões. Verbas aplicadas numa região que chega a 2010, já na vigência do ON2, deprimida, com uma taxa de desemprego de dois dígitos...
Apesar do retrato actual, em termos técnicos, o Norte foi exemplar. Aplicou quase todo o dinheiro disponibilizado pelo ON, e até teve direito a 153 milhões da reserva de eficiência, pela forma como foi aplicando as verbas: que mudaram, de facto, o rosto do Norte, com os seus programas polis, as redes de infra-estruturas e de novos equipamentos de saúde e educação, as suas estradas, os parques tecnológicos do Porto da Maia e do Ave, a sua rede de metro do Grande Porto, ou a Casa da Música. Foi como se a região tivesse entrado no Querido mudei a casa, notou a representante do Instituto Financeiro para o Desenvolvimento Regional, num discurso claramente mais optimista do que o de Carlos Lage, que, consciente das realizações, não deixou de mostrar amargura pelos seus efeitos na vida dos habitantes desta casa que é o Norte, chegando a falar em frustração.
E para a frente? "O actual quadro comunitário pode ser a última oportunidade", avisou o director-geral para as Políticas Regionais, o irlandês Rory Mc Kenna, que participou ontem na última reunião da comissão de acompanhamento e na sessão pública de prestação de contas, de balanço desta quase década de aplicação de fundos regionais.


