5.5.11

Profissionais optam por modelo 'cowork'

por Paulo Julião, Viana do Castelo, in Diário de Notícias

Jovens trocam trabalho independente em casa por escritório partilhado por dez pessoas de várias áreas de actividade.

Ter um escritório com sala de reuniões e todas as condições formais habituais pode, afinal, ser mais barato do que se pensa, sobretudo se o conceito for partilhar. Foi isso que dois jovens de Viana do Castelo pensaram ao lançar o Dínamo 10, um espaço de 108 metros quadrados capaz de receber dez trabalhadores independentes que partilham serviços. Joana Carvalho e Carlos Valência, arquitectos e regressados de Barcelos em 2007, são os mentores do projecto. "Montámos o nosso gabinete de arquitectura mas estávamos fartos de trabalhar em casa. Por isso resolvemos avançar com um negócio de partilha de equipamentos e, antes da apresentação oficial, já estamos a 50%", explicou ao DN Joana Carvalho.

Trata-se do modelo cowork, bastante difundido fora de portas, mas ainda uma novidade em Portugal. Num open-space que dificilmente teriam condições para pagar o aluguer total, juntam-se dez profissionais para suportar a factura e partilhar o espaço, em pleno centro da cidade de Viana. Até a própria sala de reuniões obedece a uma utilização antecedida de marcação.

"A ideia é reunir freelancers ou pequenas empresas com apenas um posto de trabalho, onde se fomenta a colaboração e a interacção multidisciplinar, estimulando a colaboração, o intercâmbio de ideias e o talento", acrescenta.

Entre outras condições, têm posto de trabalho com mobiliário de escritório [mesa, cadeira e espaço de armazenamento], além da imprescindível sala de reuniões, acesso à Internet, chamadas nacionais ou mesmo equipamento de escritório como fotocopiadoras ou plotter.

Os 150 euros mensais de renda permitem ter acesso a outro espaço do edifício, um pátio transformado em zona de lazer para quem ali trabalha. "É uma zona de chill--out, para descontrair e fomentar a criatividade destes profissionais", acrescenta a promotora, também ela uma das utilizadoras do equipamento.

"Criam-se sinergias entre todos, partilham-se ideias e até clientes nos vários ramos de actividade", diz. Entre arquitectos, advogados ou consultores, já são cinco os profissionais independentes a trabalharem na Dínamo10, com idades entre os 25 e os 35 anos.