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16.11.20

“Se não fosse o rendimento, como é que era? Eu ia pedir esmola para a cidade”

Rui Pedro Paiva, in Público on-line

Os Açores são a região com a maior percentagem de beneficiários do Rendimento Social de Inserção face à população. Os beneficiários dão grande importância ao apoio, que muitas vezes ainda é insuficiente face à realidade complexa em que estão inseridos.

Várias casas iguais, pequenas, mas de diferentes cores, com a tinta já escassa. Algumas chegam a albergar famílias de 14 pessoas. Outras estão com a porta aberta e há àquelas não têm fechadura. Ali, toda a gente se conhece e, por isso, quem não é de ali e ali vai dá logo nas vistas. O bairro ficou conhecido por uma designação cunhada na rua. Um nome que é só um número: 13.

O bairro 13 fica em Rabo de Peixe e é uma das zonas mais pobres de São Miguel. É ali que Crisálida Vieira vive, em frente a um pequeno campo de futebol, com um relvado sintético já gasto, e com o mar em pano de fundo. “Eu sempre vivi aqui e é aqui que gosto de viver”, começa por dizer ao PÚBLICO, num tom assertivo e desinibido, característico dos rabo-peixenses: “Isso aqui é mais fama do que outra coisa”.

É nos Açores que o RSI é mais baixo: 86,11 euros por beneficiário


“Fake”. Ventura nega ter defendido o casamento gay

Crisálida tem 21 anos, é casada e tem dois filhos: um rapaz com três anos e uma bebé de um ano. É o Rendimento Social de Inserção (RSI) que lhe ajuda a alimentar os filhos. “Se não fosse o rendimento, como é que era? Eu ia pedir esmola para a cidade. O abono não dá para um mês”. Recebe um apoio de 430 euros, um valor para quatro pessoas e que aumentou 80 euros no último ano, devido ao nascimento do segundo filho. Continua a ser insuficiente: “o fiado ajuda a viver”.

O marido de Crisálida é toxicodependente e não trabalha. Ela também não tem emprego, nunca teve, porque precisa de cuidar dos filhos. “Eu vou arranjar emprego? E os meus dois filhos? O emprego é bom, mas depois sou despedida e não tenho nem subsídio nem emprego”, diz. O RSI é para ela “uma grande ajuda” e serve para “pagar uma água, uma luz ou para comprar uma roupinha para os meninos”. E assim vai-se sobrevivendo.

Crisálida foi uma das 15.109 pessoas que receberam o RSI nos Açores durante o mês de Agosto. O rendimento mínimo, com ainda é popularmente chamado, tem sido a arma de arremesso política mais mediática dos últimos tempos. Sobretudo nos Açores: a região do país com o maior número de beneficiários do RSI quanto à sua população residente. Em Agosto, 6,1% da população açoriana (243 mil residentes) recebeu o RSI, enquanto a média nacional foi de 2,0%.

Naquele mês, os beneficiários dos Açores representaram 7,2% do número total do país, mas os indicadores até têm vindo a baixar. Em Agosto de 2019 existiam 16.253 beneficiários (7,8% do total nacional, equivalente a 6,6% da população açoriana) e no mesmo mês, um ano antes, 18.114 pessoas receberam o rendimento na região (8,1% do total nacional e 7,3% da população regional).

Mudar regras do RSI obrigaria a acordo de âmbito nacional


Há dois anos que Emanuel faz parte desses números. Vive a escassos metros Crisálida. Tem 23 anos, tem o 9.ºano e é “doméstico” – di-lo sem qualquer pejo. “Não tenho problema nenhum em dizer que ajudo minha mãe com as tarefas todas da casa”, afirma. Recebe 180 euros de RSI, um “apoio muito importante para ajudar as pessoas”. Chegou a arranjar barcos numa carpintaria que, entretanto, fechou. “Não há trabalho, está difícil aqui e com a pandemia ainda está pior”, refere. Por isso, quanto às possíveis reduções no apoio, defende que por uns não podem pagar os outros. “Muita gente precisa do rendimento. Há pessoas que o podem utilizar mal, mas mesmo essas precisam do dinheiro. Se não fosse o rendimento, isto andava tudo a matar-se uns aos outros”.

O valor recebido por Emanuel é superior ao da média regional que, por sua vez, é o mais baixo do país. “As pessoas focalizam-se no facto de existirem muitos beneficiários do RSI nos Açores, esquecem-se que a prestação por beneficiário nos Açores é de longe a mais baixa do país”, explica ao PÚBLICO Fernando Diogo, professor da Universidade dos Açores e investigador Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa.

Os números confirmam. Nos Açores, a prestação média por beneficiário paga em Agosto foi de 86,7 euros, enquanto o valor da segunda mais baixa foi de 116,7 euros, registada em Évora (organização por distritos). “E porque é que a prestação nos Açores é mais pequena? Porque as pessoas têm outros rendimentos, em maior número do que no resto pais”, explica o sociólogo, apontando os “biscates” e “trabalhos precários”, relacionados com a “especialidade produtiva da economia açoriana”, assente na agricultura, no turismo, na construção civil e na pesca. Dos números de Agosto, 45% dos titulares (a pessoa que recebe o subsídio em nome da família) apresentava outros rendimentos. “O RSI é mesmo para os mais pobres entre os pobres”.

Décia Amaral, 44 anos, conhece bem a precariedade de quem depende dos proveitos do mar. O marido é pescador e os dias não têm andando fáceis para quem anda na pesca. “Ele hoje não trouxe nada do mar, zero, não trouxe lula. Ontem ganhou dez euros. O que é que eu vou fazer com dez euros para uma casa de família”, questiona.

Décia já não mora no bairro, mas vive ali perto, numa das ruas que dão para o centro da vila. Vai esfregando as janelas da casa com água e sabão, uma prática rotineira devido à salinidade do mar. O que não lhe retira a atenção da conversa. Recebe 60 euros mensais de RSI e longe vão os tempos em que chegou a receber 350 euros.

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Décia sabe de cor o número do diploma que lhe impingiu um corte no RSI. “Foi o decreto de lei 70/2010, começaram a apertar e a primeira vítima fui eu. Cortaram o rendimento por causa da reforma dos meus pais”, diz, irritada. Há nove anos o seu valor de RSI foi reduzido por viver em casa do pais. É lá que reside há 25 anos com o marido.

Sempre foi doméstica porque “nunca” lhe chamaram do centro de emprego, a não ser para integrar um programa ocupacional durante nove meses em que fazia cinco horas por dia para receber 100 euros por mês. “Era uma injustiça! Se querem que eu trabalhe, eu faço as oito horas, mas é para ganhar um ordenado”.

Enquanto isso não acontece, Décia vai “fazendo contas” para pôr comida na mesa, quando o peixe não chega do mar. Contas dificultadas pelas dívidas acumuladas. “Se conseguir comer duas vezes por dia, já agradeço a Nosso Senhor. Se os meus cabelos fossem oiro, e eu pegasse neles para vender, ainda era pouco para pagar as dividas que eu tenho”, declara em voz alta e de sorriso aberto.

“Eu cá não recebo nada, já recebi o rendimento, mas foi há muitos anos”, comenta uma vizinha que acompanhou a conversa. Os 250 euros que Maria da Graça recebia de RSI foram-lhe retirados quando os filhos “fugiram da escola”. Tem 57 anos e uma deficiência motora, que a impede de trabalhar. Vive com o marido, com o filho, com a nora e os dois netos e não tem direito a RSI, nem pensão de invalidez, nem reforma. A pensão do marido de 410 euros sustenta a família. “Eu precisava tanto do rendimento, enquanto há outros para aí que têm e não merecem, nesse lugar é o que não falta”.
“Nunca pensei em vir a estar nesta situação”

O lugar é Rabo de Peixe, terra de heróis sofridos pelo mar, uma das maiores freguesias da ilha, com uma realidade demasiado complexa para caber num estigma. Uma terra que já se habituou a ser o símbolo dos problemas dos Açores. Ali encontra-se de tudo – para o bem e para o mal -, mas, à medida que o mar se aproxima, os flagelos sociais tornam-se evidentes. E continuam a persistir, ano após ano.

Reduzir o RSI, mas sem metas específicas. Já são conhecidos os três acordos que irão suportar o Governo dos Açores


Com nove mil habitantes, Rabo de Peixe é a maior freguesia do concelho da Ribeira Grande, praticamente o dobro da segunda maior freguesia. Se São Miguel tem 79% dos beneficiários de RSI nos Açores, o concelho da Ribeira Grande regista 28,8% do número total. Aquele concelho da costa norte da maior ilha açoriana tem também o menor índice de envelhecimento do país (36,8%), um dado a ter em conta para Fernando Diogo, uma vez que as crianças e jovens “são especialmente vulneráveis à pobreza”.

Um indicador também aplicável ao todo regional, porque os Açores são a região mais jovem e com mais pobres do país. A taxa de pobreza no arquipélago é de 31,8%, já após transferências sociais, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), enquanto a taxa nacional é de 17,2%. É provável que a pobreza nos Açores já tenha aumentado, consequência inevitável da pandemia da covid-19, mas a previsão não é confirmada pelo número de beneficiários. De Março para Abril, o apoio foi atribuído a mais 107 pessoas, mas desde ai tem vindo a diminuir e o valor de Agosto é inferior ao de Fevereiro (15.371).

Mas há quem tenha passado a receber o RSI devido às consequências da pandemia. João (nome fictício) é um exemplo. Tem 33 anos, é de uma freguesia rural de Ponta Delgada e saiu da escola aos 18 anos com o 11.º ano concluído. Estava ligado ao sector do turismo há seis anos e agora está sem trabalho desde Junho. Recebe um subsídio de 100 euros e sobrevive da “caridade”. “Nunca pensei vir a estar nesta situação, sempre me conseguir desenrascar toda a vida”, diz.

Os 100 euros “são importantes”, mas “não dão para muito”, nem para fazer uma vida sozinho. Sem querer fazer muitas previsões a longo prazo, João já pensa em voltar para casa dos pais, sete anos após ter saído. O dinheiro, esse, “não estica para tudo” e “não está nada fácil arranjar trabalho”.

Sobre atribuição do RSI, João, que não percebe “nada de política”, pede “atenção” quando se fala do rendimento. “Os políticos falam todos do rendimento mínimo, mas depois não saem do Parlamento. As pessoas não podem falar sem conhecer a realidade”. A realidade, esta, já é dura há muito tempo e o pior é que as previsões não são melhores.


22.3.16

Janeiro. Valor do subsídio de desemprego é o mais baixo da última década

JOÃO D’ESPINEY, in "Jornal I"

Montante médio pago em janeiro deste ano foi de 447,39 euros. Para encontrar um valor mais baixo é preciso recuar até maio de 2006

O valor médio do subsídio de desemprego em janeiro deste ano é o mais baixo da última década.

De acordo com a análise do i aos dados do Instituto da Segurança Social (ISS), o valor médio desta prestação social foi de 447,39 euros em janeiro. Para encontrar um montante mais baixo é preciso recuar até maio de 2006, mês em que o valor médio foi de 444,97 euros.

O valor mais baixo de sempre desde que a Segurança Social começou a divulgar dados mensais sobre as prestações sociais foi em janeiro de 2005, período em que o valor médio se situou nos 403,21 euros. A título de curiosidade, refira-se que o valor médio mais elevado ocorreu em maio de 2013, mês em que foi de 510,22 euros. O segundo valor mais alto foi em outubro de 2011 (509,65 euros).

O valor de janeiro deste ano representa uma quebra de 3,3 euros em relação a dezembro e uma diminuição de cinco euros em relação a janeiro de 2015.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, no primeiro mês do ano, existiam 619,5 mil pessoas em situação de desemprego, o que traduz uma quebra mensal de 1,1 mil e menos 83,6 mil em termos homólogos.

Os números do ISS revelam ainda que havia 260,9 mil desempregados a receber esta prestação social em janeiro, o que representa um acréscimo de 1646 pessoas face ao mês anterior. Em termos homólogos, no entanto, significa menos 51,3 mil pessoas. Se compararmos com o fim de 2011, já com o governo do PSD/CDS em funções e a troika em Portugal, o número de desempregados a receber subsídio era de 316,1 mil, ou seja, mais 55,1 mil do que em janeiro deste ano. Convém referir ainda que mais de metade dos desempregados não recebe subsídio.

Para este ano, o governo orçamentou 1608,3 milhões de euros para pagar subsídios de desemprego, menos 152 milhões do que em 2015. Em termos de taxa, a previsão aponta para 11,3%, menos dois pontos percentuais do que em 2015.

O i concluiu ainda que, entre o final de 2011 e o valor estimado para 2016, as despesas com o subsídio de desemprego baixaram em quase 500 milhões de euros (-23,5%).

Este corte resultou das medidas aprovadas ainda na parte final do governo de José Sócrates e acentuadas a seguir pelo governo de Passos Coelho e Paulo Portas.

A principal medida que contribuiu para esta situação foi a redução do montante e da duração máxima do subsídio de desemprego.

Governo já começou avaliação da Estratégia Nacional para os Sem-Abrigo

"In Diário Digital"

O Instituto de Segurança Social já fez um balanço interno da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas Sem-abrigo (ENIPSA) e o Governo começou entretanto uma avaliação integrada antes de avançar para a criação de uma nova estratégia.
Em resposta à agência Lusa, fonte do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) adiantou que o ISS já fez um balanço interno da ENIPSA, frisando que o organismo é apenas um entre as 25 entidades que integravam o Grupo de Implementação, Monitorização e Avaliação da Estratégia (GIMAE).

A ENIPSA foi apresentada em 2009, durante o mandato de Vieira da Silva como ministro do Trabalho e Solidariedade Social, e vigorava até dezembro de 2015.

Na semana passada, a Assembleia da República recomendou ao Governo que fizesse uma avaliação participada, “incluindo todas as entidades parceiras e as próprias pessoas sem-abrigo”.

Com base nesse balanço, deveria ser elaborada uma nova estratégia nacional, “garantindo a parceria numa atividade transversal entre os diferentes setores da política social, as entidades envolvidas e as pessoas sem-abrigo”.

Na resposta à Lusa, o MTSSS não esclarece se vai ou não haver uma nova estratégia e deixa essa possibilidade em aberto, referindo-se a uma “eventual edição atualizada da Estratégia”.

Ou seja, do balanço já feito pelo ISS, “que não corresponde propriamente a uma avaliação”, chegou-se à conclusão de que é necessário realizar uma “avaliação integrada e participada por todas as entidades e sociedade civil”.

De acordo com o MTSSS, essa avaliação tem como objetivo “obter conclusões e recomendações concretas e objetivas que permitam a definição de orientações estratégicas no âmbito da integração das pessoas sem-abrigo”.

A mesma fonte diz também que serão essas conclusões e recomendações que irão “permitir equacionar quais os moldes e os recursos a definir para uma eventual edição atualizada da Estratégia”.

Para já, o balanço feito pelo ISS permitiu concluir que a ENIPSA teve um importante papel de “laboratório social”, já que se tratou da primeira estratégia nacional para as pessoas sem-abrigo e a primeira estratégia “nos chamados países do ‘sul da Europa’”.

Refere ainda que os 14 Núcleos de Planeamento e Intervenção junto de Pessoas Sem-Abrigo (NPISA), criados no âmbito da estratégia, continuam em funcionamento e que “iniciaram-se as diligências necessárias para a concretização da sua plena avaliação”.

Em declarações à agência Lusa, a responsável da Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN) Portugal no grupo que definiu a ENIPSA adiantou que a estratégia funcionou até 2010/2011 e que, a partir dai, “ficou na gaveta” e que “as respostas continuam a falhar”.

De acordo com Maria José Domingos, o processo de construção da estratégia “foi todo muito positivo”, mas a partir do momento em que é necessário que a estratégia seja “um documento oficial, aí começam os problemas”.

“Tivemos muita dificuldade que saísse como uma resolução de Conselho de Ministros, que era isso que pretendíamos, porque entretanto caiu o Governo PS quando estávamos a começar essas negociações, e com o anterior Governo [PSD/CDS-PP] penso que não era de todo uma das prioridades e ficou na gaveta”, defendeu.

Para a responsável, há falta de vontade política, um aspeto transversal aos diferentes governos, lembrando que “qualquer estratégia tem que ter um financiamento alocado”.

“Senão estamos a brincar. Não se pode dizer que são precisas novas respostas para as pessoas sem-abrigo e depois não há dinheiro para implementar essas novas respostas”, apontou Maria José Domingos, referindo-se aos 75 milhões de euros definidos inicialmente para a estratégia, mas que não foram totalmente atribuídos.

Referiu que, em termos políticos, a população sem-abrigo “não é um público muito apetitoso” porque “não vota”.
Disse ainda que, como foi com o ministro Vieira da Silva que foi delineada a estratégia, tem a expectativa que ela seja reavaliada e que seja dotada de meios para que se consiga implementar a estratégia nos territórios.

13.11.15

Governo da Madeira quer fazer levantamento para atualizar dados sobre sem-abrigo

In RTP Notícias

A secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais da Madeira anunciou hoje que o executivo pretende fazer um levantamento para atualizar o número dos sem-abrigo no arquipélago e vai reforçar o apoio às instituições que trabalham nesta área.

"Temos de ter em atenção esta problemática, faz parte do programa do governo. Vamos, no próximo ano, encetar o nosso plano de apoio e de levantamento, porque neste momento não está atualizado - temos só dados de 2014 -, para perceber quem são os nossos sem-abrigo", disse Rubina Leal Vargas aos jornalistas, no âmbito de uma visita à Associação Protetora dos Pobres, uma instituição de solidariedade conhecida por "Sopa do Cardoso", no Funchal.

Segundo os dados do Instituto de Segurança Social, no final de 2012 existiam na Região Autónoma da Madeira 118 pessoas referenciadas como sem-abrigo, sendo 97 homens e 21 mulheres.

A governante considerou que é preciso falar deste problema "sem medos nem vergonhas" e salientou que esta instituição, fundada em 1889, "tem um grande trabalho feito", trabalhando as questões associadas à pobreza com várias valências, entre as quais o centro de acolhimento, onde as pessoas podem "assegurar as suas necessidades básicas".

"Este ano, os acordos de cooperação [com esta associação] rondam os 500 mil euros e vamos, obviamente, continuar a apoiar, porque é um trabalho feito com os sem-abrigo, mas também com todas as outras questões de pobreza que por aqui passam", referiu a responsável, admitindo que os apoios atribuídos têm em conta o número de utentes e as valências e podem "ser ajustados conforme a problemática e a necessidade".

"Se for pertinente e importante, temos de aumentar o apoio", sublinhou.

Rubina Leal Vargas também anunciou que, respondendo a uma das pretensões da associação de alargar as instalações, no próximo ano o executivo vai deslocar os serviços de saúde (rastreio do cancro) que funcionam no local para outro espaço, o que permitirá "retirar as pessoas da rua", como as que aguardam junto à entrada para usufruir das refeições.

Agora, terão a possibilidade de aguardar, "de forma mais digna", numa sala no edifício.

"Tendo um espaço maior, caracterizando a população e criando uma rede de parceiros, estão reunidas todas as condições para podermos trabalhar com mais afinco esta problemática", opinou.

A secretária sublinhou que a Associação Protetora dos Pobres é a única que faculta os serviços de forma gratuita aos utentes.

A diretora da instituição, Luísa Pessanha, referiu que a instituição tem uma média de 400 utentes que utilizam os serviços com regularidade e mencionou que o desemprego é a principal causa para as pessoas recorrerem àquele espaço, onde chegam cada vez mais jovens.

O refeitório serve quatro refeições diárias (num total de cerca de 200) e entrega o jantar a quem quer levar para casa. O centro de acolhimento noturno tem capacidade para 24 pessoas, contando atualmente com 15 utilizadores.

A associação dispõe ainda de balneários, rouparia, lavandaria, ateliê ocupacional e gabinete de apoio social e está a desenvolver a valência do ensino recorrente.

4.2.13

Serviços Mínimos Bancários

in Instituto de Segurança Social

Foi lançado um novo regime de serviços mínimos bancários para clientes particulares.

Este serviço surge na sequência de um protocolo assinado pelo Ministério da Economia e do Emprego e o Banco de Portugal com seis instituições bancárias.

Os clientes têm direito a aceder a um conjunto de serviços bancários a um custo reduzido, ou seja, os encargos cobrados anualmente aos clientes com serviços mínimos bancários não podem exceder 1% do salário mínimo nacional (equivalente a 4,85 euros, em 2012).

Serviços mínimos disponibilizados:
• Abertura e manutenção de uma conta de depósitos à ordem.
• Utilização do respetivo cartão de débito.
• Acesso a caixas automáticas e serviço de homebanking.
• Levantamentos e depósitos, pagamentos de bens e serviços, débitos diretos, transferências intrabancárias nacionais.

Para aderir o cliente tem que:
• Assinar uma declaração em que afirme não ser titular de qualquer outra conta de depósito à ordem.
• Movimentar com alguma regularidade a conta e manter um saldo médio igual ou superior a 5% do salário mínimo nacional (24,25 euros, em 2012).

Para mais informações aceda a www.todoscontam.pt

Instituições bancárias aderentes:
• Banco Comercial Português
• Banco Espírito Santo
• Banco Português de Investimento
• Banco Santander Totta
• Caixa Económica Montepio Geral
• Caixa Geral de Depósitos