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18.3.19

Atenção. Quando o sexo deixa de ser fonte de prazer e não é saudável

in Lifestyle ao Minuto

A Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu recentemente o comportamento sexual compulsivo como um transtorno mental. O sinal de alarme surge quando o prazer desaparece e dá lugar à ansiedade.

Comportamento sexual compulsivo foi incluído como um distúrbio de saúde mental na lista da Classificação Internacional de Doenças (CID) da OMS. É definido como "um padrão persistente de falta de controlo sobre os desejos sexuais ou intensos e repetitivos impulsos sexuais que resultam num comportamento sexual repetitivo".

Ainda não foi considerado um transtorno ou um vício, e o polémico debate ainda está em aberto, como relata a publicação El País.

A verdade é que para o ser humano tudo o que gera prazer é suscetível de criar um comportamento compulsivo e viciante. Tal é comum com drogas, álcool, açúcar ou tabaco. O sexo também. Para todos, a tentação pode estar lá. Há pessoas mais sexuais do que outras, e ser mais ou menos capaz de controlar o impulso sexual é algo que preocupa a todos.

Todavia, onde o vício e o descontrolo começam?
Quando o prazer sexual não é mais o motor que o leva a repetir o comportamento, mas a evitar o desprazer. Quando não ‘consumir’ produz sofrimento intenso: ansiedade e angústia. Quando a sua vida começa a ser afetada porque a sua meta de consumo se torna uma prioridade.

Uma pessoa viciada em sexo pode tornar-se extremamente insistente com o parceiro ou masturbar-se com mais frequência. Dedica mais tempo ou dinheiro à pornografia todos os dias. Pode começar a negligenciar tarefas em casa e no trabalho, ou trancar-se numa divisão e deixar de brincar com os filhos ou jantar com a família. Chegar sempre atrasado ao trabalho ou assistir a pornografia no escritório. Pode gastar todo o dinheiro em prostituição e abandonar completamente as suas obrigações. Em suma uma pessoa viciada em sexo tem um comportamento profunda e perigosamente auto-destrutivo.
A patologia do foro íntimo afeta cerca de 6% da população ocidental e é mais frequente nos homens.

Parecem ser mais vulneráveis aqueles que já tiveram outros vícios, como o jogo ou drogas.

27.6.16

A prostituição diz muito sobre a sociedade

Ana Cristina Pereira, in Público on-line

O manifesto das auto-intituladas “Mães de Bragança” fez José Machado Pais mergulhar num estudo que lhe levou uma dúzia de anos a concluir. O enfoque não tem de estar nas “mães” ou nas “putas”, pode estar nos maridos-clientes, prisioneiros na relação de submissão a que sujeitam as suas mulheres.

Lembra-se do movimento das “Mães de Bragança”? Absolviam os maridos. Perdoavam-lhes os desvarios, porque eles, “coitados”, eram “amarrados” pelas “sedutoras”, “macumbeiras”, “pecadoras” vindas de além-mar. As “brasileiras” valiam-se de “falinhas mansas”, “drogas”, “feitiços”, “rezas”, “mezinhas”, “bruxarias”, “pétalas de rosa”, “raízes de amor-perfeito” para os deixar “de cabeça perdida”.

Muito se escreveu sobre o assunto nos jornais e na Net. E aí a culpa era quase sempre das mulheres que eles tinham em casa. Era como se elas os empurrassem. “A maior parte das críticas partia das hostes masculinas”, afiança o sociólogo José Machado Pais. “Reivindicavam uma ‘entrega sexual mais activa’ por parte das mulheres, o ‘fim dos tabus sexuais’ e o abandono da ‘moral caduca’.”

Os homens nem precisavam de se redimir. As “danadas”, nota José Machado Pais, eram sempre as mulheres: ou se excediam na sedução e no fervor sexual ou, pelo contrário, ficavam muito aquém do desejado.

Até os homens se viam como vítimas. Eram uns machos. E “como entre os desejos sexuais e a sua satisfação se interpunham as persistentes dores de cabeça das mulheres, coitados, viam-se obrigados a satisfazer os défices sexuais noutro lado”. Estavam “carentes, confusos, necessitados”.
Capa do álbum "Espacial Popular Mix", do Duo Abelhudos

“Estas narrativas, dominantes no universo masculino, surgem em muitos CD de música popular”, explica o investigador. “Na feira de Bragança, mesmo ao lado do mercado, ouvi muitas dessas músicas, alusivas a carências sexuais. Por exemplo: ‘Ó Maria dá-me o bife/ Dá-me o bifinho agora/ Se me não deres o bife/ Maria vou jantar fora’.”

José Machado Pais chamou-lhe Enredos sexuais, tradição e mudança: as mães, os zecas e as sedutoras de além-mar. Não é um livro sobre trabalho sexual, imigração clandestina ou tráfico de pessoas, este que acaba de ser editado pela Imprensa de Ciências Sociais. É “um debate sobre os valores e as representações sociais que encapotam a sexualidade”. É que “a prostituição diz muito sobre a sociedade”.

O movimento “Mães de Bragança” começou quando duas mulheres descobriram que os maridos “padeciam de semelhante maleita”: chegavam a casa tarde, com desculpas duvidosas e restos de perfume. “A solidariedade feminina permitiu um trabalho de espionagem em rede”, diz o sociólogo José Machado Pais
Sexualidade reprimida

Em Outubro de 2003, quando Bragança fez capa da revista Time, o investigador coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa sentiu uma “enorme tentação” de viajar até lá. Os amigos avisaram-no: “Não te metas nesses terrenos”; “arriscas-te a ser perseguido por mães, maridos, proprietários de casas de alterne, putas, polícias, bispos e até pela tua mulher.” Nada o impediu de fazer várias viagens de 400 quilómetros para, ao longo de 12 anos, observar, conversar com trabalhadoras do sexo, clientes, mulheres de clientes, donos de bares de alterne e de cafés, barbeiros, cabeleireiras, agentes imobiliários, e vasculhar arquivos de jornais. Queria “desvendar os mecanismos sociais de produção de estereótipos associados quer às trabalhadoras do sexo (tratadas por putas, brasileiras ou macumbeiras), quer às mães (apelidadas de beatas ou papa-hóstias)”.

Havia muita sexualidade reprimida por esse país fora. Não convém esquecer que, “entre 1926 e 1974, Portugal viveu numa ditadura conservadora que impunha uma forte moral de contenção sobre a sexualidade”. As mentalidades iam-se abrindo à força do desenvolvimento — indissociável da emigração e da adesão à União Europeia — e Bragança era um exemplo disso mesmo. Em 30 anos, o número de habitantes dedicados ao sector primário passara de 70% para 10%. A área urbana triplicara. O sector do comércio e serviços expandira-se. Na cidade reproduziam-se bares de alterne e cafés “de subir”, isto é, com quartos no piso superior que podiam ser arrendados à hora.
Em Outubro de 2003, Bragança fez capa da revista “Time”

Desde o desembarque das caravelas no Brasil, as brasileiras povoam as fantasias dos portugueses. Primeiro, eram as índias sedutoras. Depois, também as mulatas. Esse imaginário persiste “como uma herança colonial”. E, com o movimento das “Mães de Bragança”, ganhou força o estereótipo da brasileira como mulher acessível, disponível, erótica e sensual

Não era só o aumento do poder de compra. “A euforia masculina em torno dos bares de alterne foi também nutrida por uma espécie de mobilização sexual não de todo alheia à crescente influência dos media”, escreve José Machado Pais. O cinema e a televisão “concorriam com os sermões da paróquia no que às moralidades quotidianas dizia respeito”. Perante o afrouxar da ordem moralista ou repressiva, muitos homens deixavam-se levar pelos impulsos sexuais. Iam às casas de alterne para “beber um copo”, “lavar a vista”, “desenferrujar os zecas”.

O movimento “Mães de Bragança” começou quando duas mulheres descobriram que os maridos “padeciam de semelhante maleita”: chegavam a casa tarde, com desculpas duvidosas e restos de perfume. “A solidariedade feminina permitiu um trabalho de espionagem em rede.” Revoltadas, redigiram um manifesto e entregaram-no ao presidente da câmara, ao governador civil, ao comandante da polícia. Com isso, despertaram a atenção de meios de comunicação social dentro e fora do país. Bragança entrou na rota do turismo sexual. “Curiosos vindos de Espanha, mas também de outros países europeus, passaram a frequentar a pequena cidade e a desfrutar dos prazeres do alterne”, recorda o investigador. Apesar da fama, “nada se passava de diferente de outras regiões do país”.
As “meninas” do Brasil

Haveria 80 a 100 trabalhadoras do sexo, a maior parte oriundas do Brasil. Os clientes e os empresários da noite, mas também os comerciantes e os taxistas que com elas ganhavam dinheiro, chamavam-lhes “meninas”. As mulheres dos clientes, auto-intitulando-se “mães”, chamavam-lhes “putas”. Recatadas, fieis, trabalhadoras, sentiam-se “ultrajadas no seu estatuto de mães”, “desvalorizadas, traídas, trocadas”. Tinham medo de “perder os maridos, a estabilidade económica, a reputação”. E queriam recuperar o seu “estatuto fragilizado” e intimidar as trabalhadoras do sexo, expulsá-las.

As “Mães de Bragança”, na opinião de José Machado Pais, constituíram um movimento social. Havia nelas uma revolta que era um “reflexo de uma conquista de liberdade”, ainda que uma “liberdade não liberta das pendências do passado, como as idas à bruxa para quebrarem o feitiço do chá”.

“O meu marido estava cheio de porcarias dentro dele”, afiançou uma delas a José Machado Pais. “Pretos e brasileiros em bruxarias são terríveis”, disse-lhe ainda. “Elas também usam um chá de amarração.” Como livrou o marido disso tudo?, perguntou ele. “Através da oração”, respondeu ela.

Nada está como antes da capa da Time que indiciava a tomada de Bragança por trabalhadoras do sexo. Com o alarido que se seguiu ao manifesto, o despontar da crise económica, a intensificação das rusgas feitas pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, muitas trabalhadoras do sexo instalaram-se do outro lado da fronteira

Quando um homem casado vai ao bar de alterne é sinal de quebra de estabilidade conjugal, diz o investigador. “Ou a crise desemboca em divórcio ou se busca o restabelecimento da ordem danificada.” Em vez de se revoltarem contra os maridos, de reconhecerem as suas escolhas, as mulheres acusam as trabalhadoras do sexo, dizem que elas lhos roubarem através de meios ilícitos. “A desculpabilização dos homens alimenta a esperança de se salvar o casamento.”

Desde o desembarque das caravelas no Brasil, as brasileiras povoam as fantasias dos portugueses. Primeiro, eram as índias sedutoras. Depois, também as mulatas. Esse imaginário persiste “como uma herança colonial”. E, com o movimento das “Mães de Bragança”, ganhou força o estereótipo da brasileira como mulher acessível, disponível, erótica e sensual. “Elas passaram a constituir uma figura dramática compósita, fonte de desejo e de maldição, de prazer e de dor”, menciona o investigador. Do outro lado do Atlântico também existem estereótipos sobre os portugueses. Os brasileiros vêem os portugueses como ingénuos, “burros”, avaros, exploradores, donos de incontornáveis apetites sexuais, a quem as mulheres poderiam dar a volta.
Cristo imóvel na cruz

Para muitos homens, em Trás-os-Montes, “‘ir às putas’ é um sinal de virilidade, uma marca de masculinidade”. Alguns até parecem ignorar que as trabalhadoras do sexo vendem ilusões, “fingem excitação para excitar os clientes”, despachar o serviço mais depressa, ganhar mais dinheiro.

No entender do investigador, “a sexualidade da mulher representada como ‘um Cristo imóvel na cruz’ revela muito mais do que uma rotina sexual. Representa, sobretudo, para muitas mulheres, uma rotina de vida, de uma vida sacrificada, que a crucifica nas suas labutas quotidianas”. “A dignidade conferida ao estatuto de esposa e de mãe exige a prática de uma sexualidade dominada”

Pelo que contaram trabalhadoras do sexo ao investigador, alguns não seriam capazes de grande desempenho. Por vezes, os “zecas” enferrujavam mesmo. Elas serviam-se então de todas as suas habilidades e estratégias, incluindo o uso de acessórios, como vibradores. Só que muitos dos que gostavam de ter novas experiências sexuais não aceitavam que as suas mulheres as tivessem.

José Machado pais dá o exemplo de um homem que se queixou que a sua mulher, na cama, parecia “um Cristo imóvel na cruz”. Ele lamentava-se, desse modo, “do carácter rotineiro e roteirizado da sexualidade, isto é, de um script sexual de natureza cultural, o sexo à ‘missionário’ ou à ‘papai-mamãe’”. Ora, quando os homens recorriam à prostituição era também porque se sentiam prisioneiros de si próprios na relação de submissão a que sujeitavam as suas mulheres, analisa.

No entender do investigador, “a sexualidade da mulher representada como ‘um Cristo imóvel na cruz’ revela muito mais do que uma rotina sexual. Representa, sobretudo, para muitas mulheres, uma rotina de vida, de uma vida sacrificada, que a crucifica nas suas labutas quotidianas”. “A dignidade conferida ao estatuto de esposa e de mãe exige a prática de uma sexualidade dominada”, nota. “Às mulheres exige-se abnegação, sacrifício, esquecimento de si mesmas.” Sobrecarregadas com tarefas, são “acusadas de histerismos, maus humores, feitios ruins”. “Alguns casais pouco mais partilham do que as rabugices, o rolo de papel higiénico e o leito conjugal.”

Nada está como antes da capa da Time que indiciava a tomada de Bragança por trabalhadoras do sexo. Com o alarido que se seguiu ao manifesto, o despontar da crise económica, a intensificação das rusgas feitas pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, muitas trabalhadoras do sexo instalaram-se do outro lado da fronteira. Quando deixaram de valer “as malbaratadas justificações das voltinhas a Espanha para atestar o depósito de gasolina, algumas meninas montaram apartamentos em Bragança e redondezas”. Queixam-se de quebra de clientela.

Não será só falta de dinheiro. Algumas mulheres “começaram a deixar esturricar a comida, a tolerar os buracos nas meias dos maridos, a desleixar-se nas tarefas domésticas”, garante o sociólogo. Arranjaram tempo para frequentar salões de beleza, cuidar mais da sua imagem. E “a estabilidade matrimonial começou a ceder à influência de novas correntes socioculturais, propensas à valorização dos enlaces efectivos eróticos e não apenas à dos vínculos patrimoniais”.

14.6.16

Prostituem-se por dois euros para sobreviver na Grécia

in Jornal de Notícias

Fylis é o grande centro da prostituição de Atenas, onde se encontram cada vez mais homens sírios e afegãos a venderem serviços sexuais para conseguirem alimentar-se.

A investigação da rede de correspondentes "Global Post" dá conta de centenas de homens refugiados que acabam a prostituir-se nas ruas da Grécia depois de conseguirem chegar a terra. Muitos deles são ainda adolescentes.

Sem conseguirem continuar o caminho da fuga até à Europa do Norte, presos na fronteira, estes homens, que chegam do Afeganistão, Síria ou Paquistão, acabam nas ruas a prestar serviços sexuais de forma ilegal. Na Grécia, o trabalho sexual é apenas considerado legal se for realizado dentro de bordéis devidamente registados. O comércio sexual masculino está, de acordo com a notícia publicada, a crescer de forma exponencial.

Entre os homens refugiados entrevistados, cujos nomes foram alterados por proteção, está Abdullah. Relata que teve sexo por dinheiro duas semanas depois de ter chegado à Grécia : "Os meus amigos disseram-me que se tivesse relações sexuais com os homens que me procuravam eles me davam dinheiro".

O homem retrata uma situação dramática que parece ser comum para muitos dos refugiados : "Eu não tenho nenhum dinheiro. Podemos vender drogas, ou serviços sexuais, ou acabar a trabalhar para os contrabandistas arranjando-lhes clientes. Não há outro caminho".

As notícias sobre situações de prostituição em que acabam muitos refugiados têm sido constantes, tendo já levado a ONU a lançar diversos apelos sobre "a pior crise humanitária da nossa época".

1.10.15

A maioria dos trabalhadores do sexo no Norte usa preservativo

in Público on-line

Estudo da Associação para o Planeamento da Família apresentado esta quarta-feira na Universidade do Porto.

A maioria dos homens que se prostitui na região Norte é homossexual, reside sozinha e usa preservativo nas relações profissionais, revela um estudo da Associação para o Planeamento da Família.

Em entrevista à agência Lusa, Nuno Teixeira, coordenador do projecto ECOS - Educação, Conhecimento, Orientação e Saúde, revela que a maioria dos trabalhadores do sexo masculino na região Norte é de nacionalidade portuguesa e mora sozinha principalmente no Grande Porto, mas também em Braga, Vila do Conde, Felgueiras, Guimarães e Póvoa de Varzim.

O estudo baseia-se numa pequena amostra. "Tratou-se de uma amostra de conveniência recolhida através do método de snowball, onde participaram 57 indivíduos, aos quais foi atribuído o sexo masculino na altura do nascimento e todos eles a exercerem trabalho sexual na zona Norte do país", descreve o coordenador.

Os participantes têm idades compreendidas entre os 19 e os 54 anos, 28 nasceram em Portugal (49,1%) e 29 possuem outra nacionalidade (50,9%). Quase todos (98,2%) afirmaram ter realizado o teste Vírus de Imunodeficiência Humana (VIH) e 21,1% revelam ser portadores do VIH.

No "sumário executivo" apresentado esta quarta-feira na Universidade do Porto, no seminário Corpos, Sexo e Territórios no Trabalho Sexual Masculino, pode ler-se que 30 indivíduos pensam em si próprios como homens (52,6%), 14 como mulheres (24,6%), 12 como transgéneros (21%), e um não sabe/não quer definir-se (1,8%).

De acordo com a mesma fonte, 26 indivíduos identificam-se como homossexuais, 13 como bissexuais, dez como heterossexuais e cinco como tendo outra orientação sexual (9,3%). "Quase 68% dos inquiridos estão desempregados e 58,5% reportam não ter qualquer outra fonte de rendimento para além do trabalho sexual. Nesse trabalho, valorizam a possibilidade de conhecer clientes importantes, ganhar dinheiro, aumentar a autoestima, e ir a hotéis, pensões e bares.

Nos últimos seis meses, a maioria dos participantes (73,7%) afirma ter usado preservativo em todos os actos sexuais profissionais e 21,1% em quase todos. Sobre o uso do preservativo em contexto pessoal nos últimos seis meses, a sua prevalência desce para 47,4%. O estudo revela que os participantes do questionário associam fortemente o uso do preservativo à prevenção da transmissão do VIH.

5.5.15

Sangue, gays e discriminação

João Miguel Tavares, in Público on-line

Criar um novo negacionismo médico em função da orientação sexual é uma péssima ideia.

Nós vivemos num país onde a homossexualidade só deixou de ser crime em 1982, e onde os homossexuais ainda são vítimas de inadmissíveis preconceitos. Mas se lutar contra esses preconceitos é uma obrigação, convém que o combate à discriminação não seja cego, sobretudo quando o assunto em causa é a transmissão do VIH.

Atacar o presidente do Instituto Português do Sangue por este ter afirmado no Parlamento que está definido como factor de exclusão para a dádiva de sangue “ser um homem que tem sexo com homens” não é lutar contra o preconceito — é um reflexo pavloviano que inverte direitos (o direito fundamental em causa não é dar sangue mas sim receber o sangue mais seguro possível), apouca questões científicas e saca da pistola só porque se está a falar de um tratamento diferenciado entre gays e heteros.

Ora, esta questão ou é científica ou não é uma questão. Não se trata aqui de debater política, filosofia, direito de minorias ou sociologia: ou há razões médicas legítimas para considerar os homossexuais masculinos um grupo de risco no que à transmissão do VIH diz respeito, ou a proibição de alguém ser discriminado devido às suas práticas sexuais é obviamente inadmissível. A questão que deve ser colocada, portanto, é esta: há ou não razões médicas atendíveis para que essa discriminação se mantenha? Havendo uma janela imunológica em que é possível o VIH estar presente sem ser detectado pelas análises, há ou não mais probabilidades de um gay estar infectado do que um heterossexual? Para estas perguntas não há respostas gay friendly ou unfriendly. Interessa tanto para aqui as convicções políticas e sociais de cada um como eu saber se o cirurgião que me vai operar às varizes vota no CDS-PP ou no Bloco de Esquerda.

É por isso que convém fazer notar aos campeões da antidiscriminação que esta prática do Instituto Português do Sangue está em vigor em inúmeros países ditos civilizados, e que ela só pode ser avaliada através de uma análise quantitativa e qualitativa das infecções por VIH em cada país. Ora, que eu saiba, os números mais recentes são os que constam no surveillance report VIH/sida de 2013 da OMS, e eles não oferecem dúvidas quanto à prevalência dos contágios MSM (“men who have sex with men”), que o relatório considera ser ainda hoje “o modo predominante de transmissão” do VIH na União Europeia. Sei também que estes números não coincidem com outros que pululam por blogues e redes sociais, mas a bem da literacia matemática, deixo duas notas: 1) mesmo nos estudos em que o número de contágios heterossexuais supera o número de contágios MSM (sublinhe-se que não há qualquer problema com lésbicas), convém tomar em conta a enorme diferença na dimensão das duas comunidades; 2) o argumento de que os heterossexuais também praticam sexo anal é muito coxo, porque o praticam menos (mais opções à disposição) e porque o fazem no seio de uma comunidade proporcionalmente menos exposta ao VIH.

É claro que se os meios de diagnóstico melhorarem até à eliminação dos falsos negativos, se a qualidade dos inquéritos atingir a perfeição ou se as estatísticas demonstrarem uma diminuição dos contágios MSM que torne as actuais medidas desproporcionadas, a proibição que impede os gays de doar sangue deve ser eliminada. Mas, em qualquer dos casos, enfrente-se esta questão com dados científicos, e não com bandeirinhas arco-íris. Criar um novo negacionismo médico em função da orientação sexual é uma péssima ideia.

12.6.14

Sexo e drogas aumentam o PIB

José Rodrigues, in Correio da Manhã

O INE calcula que 1 a prostituição, o tráfico de droga e o contrabando valem 0,3 % do P18

As atividades e negócios ilegais, como a prostituição, droga e contrabando, vão fazer aumentar a riqueza nacional em 640 milhões de euros


[leia aqui o artigo na íntegra]