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6.9.23

Mais rápido, mais potente: o novo supercomputador é instalado (finalmente) em Portugal

Tiago Ramalho (texto) e Nelson Garrido (fotografia), in Público

Supercomputador português só começará a receber projectos científicos no próximo ano. O Deucalion é inaugurado esta quarta-feira, em Guimarães, com a presença do primeiro-ministro, António Costa.


Passados quatro anos desde a assinatura do contrato, o Deucalion vai ser inaugurado pelo Governo português. É o novo supercomputador, o mais rápido e eficiente (dez vezes mais do que o anterior), e pode significar um salto para a ciência portuguesa na capacidade de cálculo e na velocidade com que analisa dados ou problemas. A equação é simples: um supercomputador demora uma hora a analisar um problema que um computador portátil demorará 20 ou 30 anos.


Depois de vários anúncios de entrada em funcionamento, a inauguração está marcada para esta quarta-feira, às 14h30, no Campus de Azurém da Universidade do Minho, em Guimarães, onde está instalado o Deucalion – e conta inclusive com a presença do primeiro-ministro, António Costa. O tiro de partida deste supercomputador começou por ser anunciado para o final de 2020, depois adiado para o início de 2022 e, ainda, para o início de 2023, até ser finalmente agendado para esta quarta-feira.


Mas o que é um supercomputador? A construção da própria palavra ajuda. Os supercomputadores permitem analisar um conjunto enorme de dados num período de tempo bastante mais curto (que pode reduzir o tempo de uma análise em anos) ou fazer enormes quantidades de cálculos.


Geralmente, podemos encontrar exemplos do seu uso na física, transformando os dados recolhidos em imagens do Universo, por exemplo, ou mesmo na biologia, criando modelos de um vírus que demorariam meses sem a capacidade de processamento destes computadores. Um exemplo quotidiano são as previsões meteorológicas: os modelos actuais de meteorologia são cada vez mais certeiros (mesmo que achemos o contrário) porque conseguem analisar muito mais dados e em muito menos tempo. Em Janeiro deste ano, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera inaugurou também um novo supercomputador que duplica a cobertura e a rapidez das suas análises – importante não só para conhecermos o tempo antes de sair de casa, mas também para prever mais eficazmente o risco de incêndio, por exemplo.

Antes do Deucalion, Portugal já teve outros supercomputadores, como o Bob, instalado em 2019, em Riba de Ave (Vila Nova de Famalicão), o supercomputador mais potente até esta instalação (ainda assim, dez vezes inferior ao Deucalion), e que cessou o seu funcionamento no início deste ano.


“A rede de computação nacional é agora reforçada dez vezes com este novo supercomputador. Hoje, este é um instrumento que qualquer área de investigação tem para poder, de forma mais rápida, simular e calcular dados”, defende ao PÚBLICO Elvira Fortunato, ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, acrescentando que este é um projecto para todas as disciplinas científicas – e não só para quem usa programação. E é também para qualquer investigador em Portugal, dado que não é necessário estar ao lado do Deucalion para o utilizar: o acesso é totalmente remoto.


Anteciparia que, ao longo dos próximos cinco anos, estes custos [operacionais] poderão ser por volta de 13 a 15 milhões de euros

João Nuno Ferreira


Apesar de a inauguração estar marcada, o supercomputador Deucalion ainda não está em pleno funcionamento. Depois das obras no espaço onde está acomodado e da configuração da máquina, ainda há passos por cumprir. Nos próximos dois meses, avançará a última etapa de instalação do supercomputador e, depois disso, seguem-se os testes finais. “Entre o final deste ano e o início do próximo, esperamos ter a máquina em velocidade de cruzeiro a receber as centenas de projectos que estou certo que serão submetidos”, afirma João Nuno Ferreira, coordenador da Unidade de Computação Científica da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).


Atrasos provocados pelas condições do espaço

“A primeira experiência com o Bob foi importante para perceber o potencial que a supercomputação oferecia ao nosso país, quer às universidades, quer às empresas – e a resposta foi interessante. Todos olhamos agora com confiança para o sucesso desta nova máquina”, afiança Rui Vieira de Castro, reitor da Universidade do Minho. As expectativas para o Deucalion são elevadas. “É um salto muito significativo face ao Bob”, nota Francisco Santos, vice-presidente da FCT. “[Este supercomputador] permitirá ter projectos em Portugal de uma dimensão que não era possível antes”, acrescenta João Nuno Ferreira. Desde 2019 que as virtudes do Deucalion são elencadas, mas os atrasos na instalação desta máquina de 26 toneladas, distribuídas por 26 armários com dois metros de altura que estão arrumados numa sala da Universidade do Minho, adiaram a entrada em acção deste supercomputador.


A complexidade da instalação do Deucalion e os requisitos necessários para o acomodar são a justificação para os sucessivos adiamentos da instalação. “Passámos por uma sucessão de locais possíveis que não se revelaram viáveis. Ao fim de vários meses, a conclusão que nos diziam era ‘para um equipamento destes, mais vale construir de raiz’”, conta João Nuno Ferreira. Um supercomputador como o Deucalion exige não só espaço físico, mas também um acesso energético enorme, já que consome muita electricidade, e também um sistema de refrigeração com um caudal de cerca de 50 litros de água por segundo – condições que dificultaram a definição de um espaço. “O local foi o maior factor. Depois de identificado este local, os atrasos que se verificaram foram os expectáveis no contexto do fornecimento de equipamentos especializados neste tipo de instalações”, acrescenta. Apesar do esforço energético, o Deucalion tem maior eficiência do que o Bob, por exemplo: consegue dez vezes mais eficiência, com apenas o triplo do consumo energético, avança João Nuno Ferreira.


“Quando cheguei, tinha um problema para resolver e o que fiz foi arregaçar as mangas, constituir um grupo de trabalho, ter uma reunião com todos e dizer: ‘Temos um computador para instalar e temos de o instalar o mais rapidamente possível’. E foi isso que nós fizemos”, diz Elvira Fortunato.


A Empresa Comum Europeia para a Computação de Alto Desempenho (EuroHPC, no acrónimo em inglês), organização da União Europeia criada para conjugar os esforços nesta área, justificava a demora, ao PÚBLICO, em Outubro de 2022, com os próprios processos de contratação pública. À época, Portugal e Espanha eram os únicos dos oito países a quem foram atribuídos supercomputadores em 2019 que não tinham instalado estas máquinas, de acordo com o EuroHPC – agora, sobram apenas os espanhóis.
Será criado um centro de computação avançada

A gestão do supercomputador será feita através da FCT, mas no próximo ano será criado o Centro Nacional de Computação Avançada, como referiu Francisco Santos. Esta organização nasce com o intuito também de “apoiar os investigadores na utilização do Deucalion e, ao mesmo tempo, fazer crescer o financiamento para esta área da computação avançada”, explica o vice-presidente da FCT. Este centro formalizará a Rede Nacional de Computação Avançada, uma plataforma colaborativa de infra-estruturas e pessoas ligadas a esta área, num organismo capaz de concorrer a financiamento europeu ou de atrair projectos internacionais para se desenvolverem no Deucalion, por exemplo.

O concurso a financiamento e a projectos ajudará também a arcar com as despesas associadas ao Deucalion. O fornecimento do supercomputador, assinado com a Fujitsu em Setembro de 2020, assume uma despesa inicial de 20 milhões de euros, ficando a empresa originária do Japão com a responsabilidade de fornecer a tecnologia que dá vida ao Deucalion. As verbas dividem-se entre dinheiro da FCT e verba europeia (65% da responsabilidade da instituição portuguesa). Além dos 20 milhões de euros de investimento inicial, há custos de operação. “Têm uma componente grande de energia, bem como a formação de uma equipa de oito a nove pessoas especializadas. Anteveria que, ao longo dos próximos cinco anos, estes custos poderão ser por volta de 13 a 15 milhões de euros”, orçamenta João Nuno Ferreira, deixando um asterisco para os custos de energias, sempre “voláteis”.


Estes custos serão pagos com o financiamento adquirido através de projectos, que podem ser científicos ou industriais. A gestão diária da máquina será um encargo da FCT, apesar de Francisco Santos confiar que poderão existir contributos de várias fontes, desde protocolos com instituições de ensino superior para a utilização do supercomputador a projectos de inovação quer industrial, quer da administração pública.


Deucalion disponível para todos os cientistas

Tal como a repartição de custos, a utilização do novo supercomputador também é 65%-35%. Neste caso, 65% do tempo de uso será dedicado aos projectos portugueses ou atraídos pelo futuro Centro Nacional de Computação Avançada, enquanto os restantes 35% serão para usufruto de cientistas europeus que pretendam utilizar o Deucalion – uma divisão que também acontece nos outros países que receberam supercomputadores.


Os cientistas portugueses serão, ainda assim, o destinatário principal deste supercomputador. “Esta infra-estrutura é transversal, todas as áreas disciplinares podem tirar partido de uma infra-estrutura como esta”, diz Francisco Santos. As oportunidades para concorrer à utilização deste equipamento serão feitas através do concurso de projectos de computação avançada da FCT, que nas candidaturas deste ano já incluirá o Deucalion, mas também nos concursos gerais de projectos científicos – algo que não existia. “O investigador pode dizer que vai fazer isto e aquilo, mas que, além disso, precisa de x horas de tempo de cálculo num computador nacional – e esse tempo de cálculo é atribuído juntamente com o financiamento e, assim, não tem de submeter duas candidaturas”, explica.

As competências nesta área por parte dos investigadores são uma das principais preocupações, mas Francisco Santos descarta que seja um problema. “Do ponto de vista técnico, não é necessário que a pessoa seja informática e a dificuldade estará relacionada com o tipo de aplicação que se pretende fazer. Exige alguma capacidade de utilizar recursos computacionais completos, mas não é algo que invalide ou ponha de parte investigadores fora destas áreas”, diz. É também por isso que existem, em várias universidades do país, centros de competências em computação avançada que dão apoio em matérias como esta.


A visão é similar a Miguel Avillez, astrofísico e responsável pelo supercomputador Oblivion, da Universidade de Évora, que utiliza outras máquinas europeias e norte-americanas no seu trabalho. “Haverá sempre uma aprendizagem por parte do utilizador, mas, para quem está habituado a trabalhar com isto, será simples. Para os que não têm os conhecimentos aprofundados, aí poderão existir alguns problemas – mas também aprenderão rapidamente”, sublinha.


“Nunca conseguimos ter o Bob com a potência máxima”


O Deucalion surge como substituto natural do Bob, o supercomputador mais potente que Portugal teve – antes da entrada em funcionamento deste Deucalion. Apesar de participar numa centena de projectos científicos, o Bob, instalado num centro da empresa Redes Energéticas Nacionais (REN) em Riba de Ave, nunca chegou à sua potência máxima.

“O Bob ajudou-nos a aprender e a crescer rapidamente antes da chegada do Deucalion”, explica João Nuno Ferreira, coordenador da Unidade de Computação Científica da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. No entanto, este era um equipamento doado pela Universidade de Austin (Estados Unidos) e cujos requisitos técnicos não se coadunavam com os centros de dados existentes em Portugal. “A potência e a refrigeração necessária esbarraram nessas limitações [dos centros portugueses], o que nos obrigou a nunca o ter forçado ao limite. Nunca conseguimos ter o Bob com a potência máxima”, lamenta.

Em Março deste ano, o supercomputador Bob marcou o fim da sua produção, como anunciou o Centro de Computação Avançada do Minho, ligado à Universidade do Minho. Este supercomputador tinha começado as operações em Portugal em Julho de 2019.

A “substituição” pelo novo supercomputador Deucalion, que será inaugurado esta quarta-feira, marca um aumento da capacidade portuguesa. “Vamos reforçar em muito a rede de computação avançada a nível nacional. Precisamos de sistemas de supercomputação porque temos cada vez mais dados. Mesmo a emergência da inteligência artificial e a digitalização irão necessitar de computadores que consigam tratar um volume maior de dados e, em simultâneo, uma capacidade de processar esses dados mais rapidamente”, nota a ministra da Ciência, Elvira Fortunato.

A contratualização europeia de supercomputadores coincide também com a aposta em microelectrónica, com o investimento na produção de processadores e semicondutores, presentes em grande parte da tecnologia (como computadores e telemóveis), no espaço europeu – para contrariar a dependência externa, de países como a China ou os Estados Unidos. “É importante que a Europa não fique atrás nestas áreas fundamentais. Como tivemos problemas de energia com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, nos semicondutores é igual: se a China cortar [o acesso], o mundo pára”, refere a ministra.

[artigo disponível na íntegra apenas para assinantes]
 

23.7.21

Programa para as escolas desfavorecidas falha objectivo de melhorar notas dos alunos

Samuel Silva, in Público on-line

Resultados internos e nos exames nacionais em escolas TEIP estão cada vez mais longe dos das restantes, aponta um trabalho pioneiro de um investigador da Universidade do Porto.

O fosso entre as escolas em Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) e as restantes acentuou-se, apesar do investimento feito neste programa nacional destinado a estabelecimentos de ensino em contextos desfavorecidos. Uma investigação pioneira de Hélder Ferraz, no âmbito do seu doutoramento na Universidade do Porto, mostra como as notas internas e dos exames nacionais do ensino secundário em ambos os grupos de escolas se foram afastando ao longo dos anos.

“Os resultados das análises realizadas demonstram que as escolas TEIP não têm conseguido aproximar os resultados escolares dos seus estudantes dos obtidos nas escolas públicas não-TEIP”, sublinha ao PÚBLICO Hélder Ferraz. Pelo contrário. Ao longo de quase década e meia, as médias dos alunos das escolas desfavorecidas pioram ligeiramente, enquanto para os outros colegas as notas melhoram.

Esta análise tem em conta dados de toda a população escolar, ao longo de um período de 14 anos, entre os anos lectivos de 2001/02 e 2014/15. O programa TEIP foi reintroduzido em 2006, pela ministra socialista Maria de Lurdes Rodrigues, depois de ter sido testado pela primeira vez nos anos 1990, também num Governo do PS. Actualmente é integrado por 136 escolas e agrupamentos. Cerca de um terço tem oferta de ensino secundário, que é o nível de ensino sobre o qual se debruça este estudo.

O estudo analisa duas classes de resultados. Nas notas internas, aquelas que são atribuídas pelos professores, os alunos das escolas TEIP obtinham, em 2001/02, uma média de 13,00 valores. Em 2006/07, quando o programa é reintroduzido, as classificações tinham baixado para 12,97. Em 2014/15, a média estava fixada em 12,99.

No mesmo período, os resultados das escolas não-TEIP evoluíram de 13,11 para 13,54 – a média estava nos 13,24 valores no ano em que o programa foi reintroduzido. Ou seja, a diferença entre os alunos dos dois grupos de escolas aumentou de 0,11 para 0,55 valores ao longo de quase década e meia.

Olhando para as notas nos exames do ensino secundário, a tendência é semelhante. No início do século, os alunos das escolas TEIP tinham uma média de 9,14 valores nas provas nacionais, ao passo que os colegas de escolas não-TEIP tiravam 9,51. Passados 14 anos, os resultados dos estudantes das escolas desfavorecidas tinham baixado (média 8,87), enquanto os restantes colegas melhoraram (9,81). Assim, a diferença entre os dois grupos passou de 0,37 para quase 1 valor (0,94).

Mais: numa análise posterior, que, além das classificações internas e nos exames nacionais, considerou um conjunto de indicadores alargados como as taxas de retenção e desistência, os “chumbos” ou a progressão dos resultados às disciplinas de Português e a Matemática, “não vislumbrámos um único caso inequívoco de sucesso”, aponta Hélder Ferraz.

Os “dados objectivos” mostram que os resultados do programa TEIP “não são satisfatórios”, salienta o investigador, cujo doutoramento na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto foi aprovado no início do mês passado – naquela instituição, as teses não têm classificação qualitativa.

Grande parte da investigação de Ferraz foi publicada nos últimos anos em revistas científicas, em co-autoria com Gil Nata e Tiago Neves, pioneiros no estudo da inflação de notas no acesso ao ensino superior, que orientaram este trabalho.

As conclusões do investigador da Universidade do Porto chocam com o que tem sido a avaliação feita pelos Governos, que têm considerado o TEIP um programa de sucesso, responsável, por exemplo pela redução para mínimos históricos dos indicadores de abandono escolar precoce, conhecida no início deste ano.

O estudo de Hélder Ferraz é pioneiro. Os resultados dos estudantes de escolas TEIP nunca tinham sido avaliados ao longo de mais de uma década e em comparação com os colegas dos outros estabelecimentos de ensino público.
Falta avaliação

O investigador considera importante que os dados recolhidos na sua investigação sejam trazidos para debate público, suscitando “uma reflexão sobre o programa”. O TEIP, considera, “tem que ser repensado”. “Se o programa TEIP não está a conseguir melhorar o sucesso escolar e potenciar o acesso destes estudantes ao ensino superior, podemos estar a manter um ciclo de pobreza e de exclusão social, que não vai alterar a vida destes jovens de contextos tão difíceis”, acrescenta.

Para o investigador da Universidade do Porto, esta reflexão é ainda mais importante num momento em que o Governo anunciou que vai avançar para uma nova fase do programa TEIP – medida que integra o plano 21/23 para a recuperação das aprendizagens afectadas pela pandemia, que foi apresentado no início do mês passado. Esta quinta-feira, o Ministério da Educação anunciou que dez novos agrupamentos, situados nas regiões da Grande Lisboa e do Algarve, vão integrar o programa pelo facto de terem mais
de 20% de alunos migrantes.

O secretário de Estado Educação, João Costa, também admitiu recentemente que as escolas TEIP podem passar a ter mais autonomia para escolher os professores. De resto, o “selo” TEIP tem sido usado como referência para outros programas nacionais. Por exemplo, o plano nacional de combate ao racismo e à discriminação 2021-2025, apresentado em Abril, prevê a criação de um contingente especial para acesso ao ensino superior destinado precisamente a estudantes de escolas que integram o programa.

Hélder Ferraz lamenta ainda que o Ministério da Educação não tenha feito uma “avaliação sistemática” do programa que permita trazer mais dados para esta reflexão. Até ao final de 2020, havia apenas dois relatórios TEIP divulgados, apesar de a Lei estabelecer que esta avaliação deve ser publicada anualmente, como Ferraz apontou em vários artigos científicos publicados nos últimos anos. No final do ano passado, foram divulgados no site da Direcção-Geral de Educação os relatórios de 2012 a 2020.

O Ministério da Educação contrapõe que uma equipa de investigadores da Universidade Nova de Lisboa, coordenada por Vítor Teodoro, publicou em Setembro de 2019 um relatório onde apresenta a análise estatística da evolução de resultados nas escolas TEIP, tendo por base os relatório do período de 2012 a 2018.

Notícia actualizada às 9h15: corrige a data no terceiro parágrafo. O estudo tem em conta 14 anos, entre os anos lectivos de 2001/02 e 2014/15 (e não 2015/16), como de resto se percebe pela informação que aparece nos parágrafos seguintes e nos gráficos que acompanham o artigo.

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11.9.19

Um em cada seis portugueses com mais de 50 anos vive com insegurança alimentar

in Público on-line

A insegurança alimentar é o “acesso limitado” ou “incerto”, devido a restrições económicas, a alimentos nutricionalmente adequados para uma alimentação saudável.

Um em cada seis adultos portugueses com mais de 50 anos vive num agregado familiar com insegurança alimentar, revela um estudo realizado por investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e que foi esta quarta-feira divulgado.

A investigadora Isabel Maia explicou à Lusa que o estudo, publicado na revista Food and Nutrition Bulletin, visava compreender a “prevalência e os determinantes” da insegurança alimentar, assim como “as suas consequências”.

A insegurança alimentar pode descrever-se como o “acesso limitado” ou “incerto”, devido a restrições económicas, a alimentos nutricionalmente adequados para uma alimentação saudável e diária.
Para determinar este índice, os investigadores recorreram a dados da coorte EPIPorto (um estudo populacional do ISPUP que avalia há 20 anos os determinantes de saúde da população adulta que reside no Porto), sendo que nesta investigação participaram 604 indivíduos, com idades entre os 50 e 90 anos.

“Aquilo que pretendemos estudar foi este período do ciclo de vida em que é a meia-idade e os adultos idosos, ou seja, quisemos perceber o quão susceptíveis estavam em insegurança alimentar num período caracterizado pela melhoria de alguns indicadores sociodemográficos, como a taxa de desemprego, ou seja, um período de recuperação da crise económica que Portugal atravessou”, avançou.

Segundo a investigadora, este estudo permitiu concluir, com base numa “série de questões”, que 16,6% dos indivíduos pertenciam a um agregado familiar em que existia insegurança alimentar.

Além desta prevalência, os investigadores também analisaram quais as “características sociodemográficas” que mais se associavam ou estavam relacionadas com a insegurança alimentar.

“Aquilo que nós verificámos foi que as mulheres, os indivíduos que tinham menor escolaridade, os que não eram casados, os indivíduos que tinham uma percepção do rendimento do agregado familiar como insuficiente e aqueles com profissões menos qualificadas apresentavam maior risco de insegurança alimentar”, salientou.

Isabel Maia considerou que esta investigação poderá ser bastante “importante”, uma vez que, ao evidenciar quais são as populações mais vulneráveis à insegurança alimentar, pode servir de suporte científico para decidir estratégias.

“Realçamos que são necessárias medidas para que possamos melhorar o estado de segurança alimentar dos indivíduos face aos números que foram encontrados neste estudo”, concluiu.
A investigadora adiantou ainda que o objectivo do grupo passa agora por “continuar a estudar a insegurança alimentar”, nomeadamente quais as suas consequências e qual a sua prevalência nas crianças.

1.8.19

Emprego científico: os vergonhosos estatutos da exclusão democrática

Nuno Peixinho, in Público on-line

Se alguém ainda se pergunta qual a verdadeira razão pela qual o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) tudo fez para impedir a mísera passagem a contrato a prazo de alguns investigadores — ao abrigo do funesto e paliativo diploma do Estímulo ao Emprego Científico —, preferindo mantê-los a todos, e para todo o sempre, como bolseiros e nada mais do que bolseiros, eu respondo: uma questão de poder!

Se alguém ainda tem dúvidas, bastará olhar para os novos Estatutos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), de 16 de julho de 2019.

Mantém-se, como é costume, a existência de uma Assembleia de Faculdade, que elege o seu diretor, e um conselho científico que, entre mil e uma outras coisas, pratica os atos previstos na lei relativos à carreira docente e de investigação e ao recrutamento de pessoal docente e de investigação, e uma comissão científica para cada departamento que, por sua vez, elege o diretor do departamento e apresenta propostas relativas à carreira docente e de investigação e ao recrutamento de pessoal docente e de investigação. Estão todos a ver a importância do conselho científico e das comissões científicas quanto às contratações, certo!? Perceberam que quem apresenta propostas de contratação é a comissão científica e que o conselho científico apenas “pratica os atos”, certo!?

Rogo, agora, a vossa paciência para algumas linhas dos estatutos para verem quem elege e quem pode ser eleito: “A Assembleia da Faculdade é constituída por 15 membros: a) 11 docentes ou investigadores; b) três estudantes, sendo um de doutoramento; c) um trabalhador não docente e não investigador.” Logo a seguir, esclarecem: “Para os efeitos (…) consideram-se: a) docentes ou investigadores, os docentes e investigadores de carreira que exercem funções docentes e ou de investigação na faculdade [...]” Perceberam a subtileza!?

Emprego científico: como para furtar há arte, que é ciência verdadeira
Explico melhor: os investigadores contratados pela “Lei do Estímulo ao Emprego Científico” não são da carreira! Como se não bastasse terem um contrato a prazo, que em nenhuma circunstância poderá exceder os seis anos, e ganharem menos 1000 euros por mês do que os investigadores da carreira — embora realizando as mesmíssimas funções —, estão também administrativamente afastados da possibilidade de serem eleitos representantes na Assembleia, que é o órgão que nomeia o diretor. Supimpa!

Quanto aos demais funcionários, reduzidos à ridícula representação de um membro, já não é necessário que pertençam a carreira alguma. O mesmo, evidentemente, relativamente aos estudantes e ao doutorando. Afinal, não passam de quatro em 15, logo não fazem mossa. Sabendo que para cada 100 docentes e investigadores de carreira — doravante, por simplicidade, “carreirinhas” —, dos quais 98 são docentes e apenas dois são investigadores, há 20 investigadores contratados a prazo, mais 40 docentes “especialmente contratados” (também contratados a prazo e não pertencendo à carreira) e ainda um sem-número de investigadores bolseiros doutorados com direito de voto mas sem direito a serem eleitos... Isto é quase como poder eleger-se o rei, desde que se seja nobre para poder votar e que o candidato seja príncipe.

No que toca ao conselho científico da faculdade, os investigadores contratados a prazo, os novos enteados, já podem ser eleitos, assim como os docentes especialmente contratados, também a prazo, desde que a maioria do conselho seja composta por “carreirinhas”, pois claro. Ou seja: podem concorrer, não podem é ganhar! Vá, afinal de contas são cientistas, não caía bem não deixar sequer eleger uma manchinha para o órgão que define “as linhas orientadoras gerais da vida científica da faculdade”. Porém, chegados às comissões científicas dos departamentos, eis que nos deparamos com uma nova preciosidade democrática: “Três quartos dos membros da Comissão Científica (...) deverão corresponder a professores e investigadores de carreira.” Ou seja: pelo sim pelo não, é melhor essa maralha não poder sequer impedir uma maioria qualificada.

Eis um exemplo acabado daquela que é a verdadeira razão de todos os bloqueios por parte dos reitores do CRUP — doravante, por simplicidade, “cruptos” — à contratação dos investigadores, mesmo quando integralmente pagos pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), não custando um tostão às suas universidades. Bloqueio que não teve a mínima oposição dos “carreirinhas” que ajudaram à eleição dos “cruptos”, evidentemente. (Para não ser injusto, 90% dos “carreirinhas” não sabem do que se está para aqui a falar, mas, também nunca quiseram saber.)
Razão que é também a mesma do pré-anunciado incumprimento da lei quanto à abertura de concursos para lugares de carreira, caso os investigadores contratados a prazo vejam os seus contratos renovados até ao máximo legal de seis anos. Pré-anúncio que “cruptos” e “carreirinhas” dizem à boca cheia, como donos disto tudo, perante o total silêncio, em anuência, do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e de todo o Governo, que, tal como foi claro desde o início, pretendeu apenas criar “uma verdadeira carreira paralela” de contratos a prazo, nunca se conformando com as alterações que a Assembleia da República lhes introduziu. Num sistema universitário aristocrático, onde todos os órgãos de direção se vão alternando entre duques e barões, até que faleçam e os passem a seus filhos, era o que mais faltava vir agora uma plebe sem estirpe opinar e, pior, decidir!

Tão grandes que nós éramos, enquanto bolseiros alimentados a pão e esperança. Tão valioso era o nosso trabalho, enquanto ele era também vosso por decreto. Tão importante era a nossa opinião, enquanto a decisão era sempre vossa. Tão amados fomos, enquanto não vislumbrastes sangue novo crédulo e inocente. Senhores, porque que nos abandonastes? Porventura acreditais que não queremos o melhor para a nossa casa quando fomos nós mesmos que a reconstruímos? Credes que nós, da idade de vossos filhos, sejamos agora, de repente, menos capazes que nossos pais?
É esta a governança da primeira geração que, sentada, herdou a democracia? É esta a universidade que quer educar para a cidadania, mas espezinha a democracia? Lamentavelmente, parece ser. E não nos iludamos: a FCTUC foi tão-só a primeira reafirmar corporativo porque tem eleições já em outubro. Todas as outras a seguirão, obviamente, pois na academia já ficou bem evidente que todos os novos investigadores são iguais, mas jamais iguais a um velho docente.

Investigador na Universidade de Coimbra; dirigente da Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC)


5.5.15

Sangue, gays e discriminação

João Miguel Tavares, in Público on-line

Criar um novo negacionismo médico em função da orientação sexual é uma péssima ideia.

Nós vivemos num país onde a homossexualidade só deixou de ser crime em 1982, e onde os homossexuais ainda são vítimas de inadmissíveis preconceitos. Mas se lutar contra esses preconceitos é uma obrigação, convém que o combate à discriminação não seja cego, sobretudo quando o assunto em causa é a transmissão do VIH.

Atacar o presidente do Instituto Português do Sangue por este ter afirmado no Parlamento que está definido como factor de exclusão para a dádiva de sangue “ser um homem que tem sexo com homens” não é lutar contra o preconceito — é um reflexo pavloviano que inverte direitos (o direito fundamental em causa não é dar sangue mas sim receber o sangue mais seguro possível), apouca questões científicas e saca da pistola só porque se está a falar de um tratamento diferenciado entre gays e heteros.

Ora, esta questão ou é científica ou não é uma questão. Não se trata aqui de debater política, filosofia, direito de minorias ou sociologia: ou há razões médicas legítimas para considerar os homossexuais masculinos um grupo de risco no que à transmissão do VIH diz respeito, ou a proibição de alguém ser discriminado devido às suas práticas sexuais é obviamente inadmissível. A questão que deve ser colocada, portanto, é esta: há ou não razões médicas atendíveis para que essa discriminação se mantenha? Havendo uma janela imunológica em que é possível o VIH estar presente sem ser detectado pelas análises, há ou não mais probabilidades de um gay estar infectado do que um heterossexual? Para estas perguntas não há respostas gay friendly ou unfriendly. Interessa tanto para aqui as convicções políticas e sociais de cada um como eu saber se o cirurgião que me vai operar às varizes vota no CDS-PP ou no Bloco de Esquerda.

É por isso que convém fazer notar aos campeões da antidiscriminação que esta prática do Instituto Português do Sangue está em vigor em inúmeros países ditos civilizados, e que ela só pode ser avaliada através de uma análise quantitativa e qualitativa das infecções por VIH em cada país. Ora, que eu saiba, os números mais recentes são os que constam no surveillance report VIH/sida de 2013 da OMS, e eles não oferecem dúvidas quanto à prevalência dos contágios MSM (“men who have sex with men”), que o relatório considera ser ainda hoje “o modo predominante de transmissão” do VIH na União Europeia. Sei também que estes números não coincidem com outros que pululam por blogues e redes sociais, mas a bem da literacia matemática, deixo duas notas: 1) mesmo nos estudos em que o número de contágios heterossexuais supera o número de contágios MSM (sublinhe-se que não há qualquer problema com lésbicas), convém tomar em conta a enorme diferença na dimensão das duas comunidades; 2) o argumento de que os heterossexuais também praticam sexo anal é muito coxo, porque o praticam menos (mais opções à disposição) e porque o fazem no seio de uma comunidade proporcionalmente menos exposta ao VIH.

É claro que se os meios de diagnóstico melhorarem até à eliminação dos falsos negativos, se a qualidade dos inquéritos atingir a perfeição ou se as estatísticas demonstrarem uma diminuição dos contágios MSM que torne as actuais medidas desproporcionadas, a proibição que impede os gays de doar sangue deve ser eliminada. Mas, em qualquer dos casos, enfrente-se esta questão com dados científicos, e não com bandeirinhas arco-íris. Criar um novo negacionismo médico em função da orientação sexual é uma péssima ideia.

26.3.14

Adriano Moreira. Falta a Portugal um conceito estratégico nacional

in Online

A inclusão do ensino e da investigação científica e técnica como matérias decisivas do conceito de estratégia nacional tinha já sido antes sublinhado na sua intervenção

O professor e ensaísta Adriano Moreira advertiu hoje durante um debate em Lisboa que falta a Portugal, desde 1974, um "conceito estratégico nacional", que não deve ser confundido com a “teologia do mercado”.

O académico, 91 anos, presidente do Instituto de Altos Estudos da Academia de Ciências de Lisboa foi o orador convidado num almoço-debate promovido pelo “International Club of Portugal” com o tema “Conceito Estratégico Português”.

Ao frisar as diferenças face ao conceito estratégico de segurança e defesa, para o qual existem duas formulações, Adriano Moreia considerou, à margem do debate, que o conceito estratégico nacional deveria surgir previamente, por significar “a definição dos valores espirituais e materiais que são fundamentais para que a identidade portuguesa se mantenha e o seu lugar, com igual dignidade na comunidade das nações, seja mantido”.

O professor e ensaísta, que se dirigiu a uma plateia onde predominavam empresários, embaixadores e responsáveis políticos como o veterano dirigente do PS Almeida Santos, considerou que não houve preocupação em Portugal com este aspeto, um “descuido” onde o país é “acompanhado pela União Europeia (UE), que também não tem conceito estratégico próprio”.

A UE “vive naquela hesitação de objetivo final e o meu receio é que se a UE não resolver essa hesitação a voz da Europa deixa de ser ouvida no globalismo em que vivemos”, afirmou.

Apesar de admitir que Portugal sempre necessitou de “apoio externo” para garantir uma “posição de igual dignidade na comunidade das nações” e de reconhecer que “neste momento esse único amparo é a UE”, Adriano Moreira considerou que Bruxelas não possui um conceito estratégico definido, um projeto cada vez mais difícil de definir devido aos sinais de divisão internos entre alguns Estados-membros, e que se “multiplicam”.

Assim, defendeu que o país deve valorizar o que definiu como “janelas de liberdade de Portugal”, numa referência à Comunidade dos Países e Língua Portuguesa (CPLP) e à extensão da plataforma continental.

“Insisto nisso, e devo dizer que o público geral não sabe, que além de investigações de serviços oficiais, as próprias universidades em que destaco, sem querer cometer injustiças, a de Aveiro, do Algarve e dos Açores, têm aumentado os nossos conhecimentos de uma maneira extraordinária. Só que não faz parte do programa de nenhum partido”, afirmou.

A inclusão do ensino e da investigação científica e técnica como matérias decisivas do conceito de estratégia nacional tinha já sido antes sublinhado na sua intervenção.

“Pertencem à soberania definida para o século sem bússola em que estamos a viver, e não a teologia do mercado que ameaça todas as estruturas indispensáveis e a esperança da comunidade pelo abandono do conceito de Estado social”, assinalou.

Adriano Moreira insistiu na "necessidade indispensável, inadiável”, de formular um conceito “que não temos desde 1974, que não se confunde com a teologia de mercado, o neoliberalismo repressivo e a limitação do projeto a um orçamentalismo que lembra a ética do pirata em toda a Europa, incluindo a que não tem fronteiras marítimas”.

O académico disse que a “abundância de conceitos estratégicos e de defesa nacional” coincide com o “enfraquecimento progressivo do aparelho militar terrestre, aéreo, naval, com o habitual abuso da semântica a tornar difícil a visibilidade da situação real de Portugal, exíguo, exógeno, em protetorado”.

Para Adriano Moreia, como frisou com particular ênfase na intervenção, uma “estratégia integrada” que possa “definir, esclarecer e fortalecer” o conceito estratégico de segurança e defesa constitui “base indispensável para conseguir o consenso, até hoje impossível, das forças políticas sobre a maneira portuguesa de estar no mundo, isto é, o interesse nacional por todos participado”.

No final, arriscou abordar o atual estado do mundo e as perspetivas para o futuro. “Juízos de certeza são impossíveis, juízos de probabilidade são uma audácia, juízos de possibilidade obrigam-nos a estar sempre à espera que apareça aquele cisne negro a que se referiu [Karl] Popper, e que nos impede de dizer que todos os cisnes são brancos”.

E concluiu: “A única coisa que posso dizer é que na minha convicção o imprevisível está à espera de uma oportunidade.

18.12.13

Norte destina fundos comunitários a investigação aplicada às empresas

in Público on-line

Presidente da CCDRN, Emídio Gomes, alerta que o grande desafio do Norte é a criação de emprego qualificado.

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN) revelou nesta terça-feira que os próximos fundos comunitários destinam verbas substanciais à investigação aplicada às empresas e apoiam “pela primeira vez” a formação qualificada de recursos humanos.

“Do envelope global, de grande dimensão, para apoio à inovação, empresas e investigação, mais de dois terços são para investigação aplicada, dirigida às empresas a nível regional”, afirmou o responsável, Emídio Gomes, à margem da assinatura dos últimos 18 contratos de financiamento saúde e as tecnologias de informação e comunicação.do “ON.2 – O Novo Norte”, com nove instituições ligadas à investigação científica e desenvolvimento tecnológico.

Emídio Gomes destacou a “expectativa muito positiva” em relação aos próximos fundos comunitários, porque, “pela primeira vez”, vão ter “um envelope dirigido ao emprego qualificado” numa região que tem como “grande desafio o emprego e, em especial, a sua qualificação”. “Vamos ter dois factores novos nos programas operacionais regionais. Terão um eixo para apoio à área da ciência, tecnologia e inovação. Isto é uma novidade. Vamos poder apoiar projectos de Investigação e Desenvolvimento dirigidos ao sector produtivo, à investigação aplicada”, descreveu, em declarações aos jornalistas.

A “segunda e maior novidade” dos futuros programas operacionais “é que, pela primeira vez na história”, contemplam “verbas para apoiar formação avançada de recursos humanos”. “Isto é seguro”, frisou Emídio Gomes, confiante nas perspectivas do secretário de Estado de que os próximos fundos comunitários possam começar a “circular a partir do 2.º semestre de 2014”.

Para além disso, no Programa Operacional Regional, “mais de dois terços” das verbas globais “de grande dimensão” para apoio à Investigação e Desenvolvimento, vão ser para “a investigação dirigida às empresas”. “O grande desafio da região é o emprego e, em especial, a qualificação do emprego. Se, pela primeira vez, [a região] vai ter um envelope dirigido ao emprego qualificado, a expectativa é muito positiva”, sublinhou.

Os 18 contratos de co-financiamento assinados nesta terça-feira têm “um montante aproximado de cinco milhões de euros” e encerram um ciclo de “apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico da região”, acrescentou. Emídio Gomes destaca que a iniciativa criou “mais de 500 postos de trabalho qualificado na região” e “apoiou mais de 800 investigadores”.

Iniciado “há mais de um ano”, com “um investimento global de cerca de 40 milhões de euros”, o programa envolveu “um total de 70 projectos”, acrescentou. O projecto contemplou a área agro-alimentar, a biodiversidade marinha, a biotecnologia, a energia, a química e a nanoquímica, a

Os protocolos assinados esta manhã envolvem o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), do Porto, o Laboratório de Processos de Separação e Reacção, associado à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e o Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI). O Instituto de Engenharia Mecânica (IDMEC), a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e o Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente e Energia e Centro de Estudos de Fenómenos de Transporte são as restantes entidades contempladas.