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25.3.21

Três startups portuguesas entram em aceleradora social com marca Gulbenkian

Nuno Ferreira Dias, in Dinheiro Vivo

Na terceira edição, aceleradora europeia de impacto social Maze X escolheu 10 startups, metade delas fundadas por mulheres.

Três startups portuguesas foram escolhidas para a terceira edição do Maze X. Este programa de aceleração de impacto social arranca em abril para a terceira edição, graças ao apoio das fundações Calouste Gulbenkian e Edmond de Rothschild e da empresa Maze. A iniciativa vai durar quatro meses e irá decorrer exclusivamente em formato remoto, segundo o anúncio feito esta segunda-feira.

As 10 startups escolhidas têm propostas para várias áreas de intervenção social: equipamento médico e hospitalar, saúde mental e bem-estar, logística, envelhecimento ativo, produção e consumo sustentáveis, economia dos oceanos e diversidade.

Ao longo de quatro meses, os 22 fazedores das 10 equipas vão beneficiar de apoio personalizado, sessões de mentoria, workshops, talks e webinars. Vendas, gestão de impacto, angariação de capital, cultura organizacional e liderança serão alguns dos temas abordados, num programa que com fazedores como Orlando Lopes (EatTasty), Humberto Pereira (Rows, antiga DashDash) e Shaloo Garg (Microsoft for Startups).

No final do programa, em julho, os 10 projetos vão ter uma apresentação a investidores e representantes de empresas com os quais poderão trabalhar no futuro.

"A diversidade tem um papel muito significativo para a construção de um ecossistema de impacto europeu disruptivo, inovador, competitivo e com foco na sustentabilidade. Temos 50% das empresas com mulheres fundadoras nesta edição, oito nacionalidades diferentes entre os fundadores e oito áreas temáticas a serem trabalhadas", destaca a responsável de aceleração da Maze, Rita Casimiro, citada em nota de imprensa.

As 20 startups aceleradas pela Maze X nas edições anteriores já angariaram nove milhões de euros até ao momento e há três pilotos a decorrer com a PLMJ, BNP Paribas e Hospital da Luz.

Estas foram as 10 startups selecionadas para a edição de 2021 do Maze X:

A Amparo GmbH (Alemanha) oferece um dispositivo protético pré-montado que pode ser moldado num curto espaço de tempo, reduzindo o tempo de espera e o custo para amputados de membros inferiores.

A Betterfish (Alemanha) transforma algas marinhas em ingredientes comuns de consumo diário, como alternativa ao atum em lata.

A CBR Genomics (Portugal) está a desenvolver uma solução que permite o uso de dados genéticos na prática clínica diária.

A Deedster (Suécia) disponibiliza soluções para empresas envolverem os seus funcionários e clientes na ação climática através de experiências gamificadas.


A Her Impact (Polónia) é uma plataforma global que disponibiliza uma rede e recursos para apoiar mulheres no seu desenvolvimento e crescimento profissional e pessoal.

A Howdy Aps (Dinamarca) é um sistema B2B que monitoriza o bem-estar físico e mental dos usuários (colaboradores) para incentivar a uma conversa construtiva e desenvolvimento de medidas proativas num ambiente corporativo.

A kaputt.de (Alemanha) é o maior marketplace de reparação de dispositivos eletrónicos na Alemanha, oferecendo soluções de reparo convenientes, como alternativa ao consumo de substituição desnecessário.

A Neki (Espanha) oferece dispositivos de GPS portáteis que permitem a prevenção ou rápida ação em caso de queda, desorientação ou outros tipos de incidentes que envolvam pessoas idosas.

A Nevaro (Portugal) está a quantificar a saúde mental ao priorizar inovação baseada na ciência que visa compreender o cérebro, por meio de biomarcadores fisiológicos e comportamentais e experiências gamificadas.

A Sensefinity (Portugal) procura reduzir o desperdício alimentar através da digitalização da cadeia de valor colocando dispositivos que controlam a temperatura e humidade nos contentores de transporte, de forma a maximizar a preservação dos alimentos transportados.

17.6.20

Covid-19. 70,6% das startups com impacto negativo, diz novo inquérito

Joana Ascensão, in Expresso

Novo inquérito sobre o impacto da pandemia provocada pelo novo coronavírus nas startups portuguesas sugere que mais de 70% destas empresas sentiram um impacto negativo. Contudo, 7,8% viram o negócio a sair favorecido com a crise sanitária

Novo inquérito junto das startups portuguesas conclui que 70,6% sofreram um impacto negativo com a pandemia. Grande parte (64,7%) por uma redução nas vendas, mas também por atrasos no lançamento de produtos (3,9%) e por atrasos na tomada de decisões (2%).

Quase 90% dos projetos com impacto negativo relatam quedas de mais de 26% no negócio, mas para 57% o negócio caiu mais de 50% e para 34,3% mais de 75%.
As conclusões, agora partilhadas com o Expresso, são de um estudo levado a cabo pela three51, uma venture building - uma espécie de empresa incubadora de startups, mas que participa ativamente no seu desenvolvimento.
Das 51 empresas contactadas, na sua maioria (53,2%) localizadas em Lisboa, mas também do centro e do norte (36,2%), dos Açores e da Madeira (10,6%), apenas 7,8% sentiram que a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus lhes favoreceu o negócio.

Apesar do prejuízo, muitas das startups esperam uma recuperação económica a começar dentro do próximo ano
Das startups contactadas, a trabalhar sobretudo nas área da sustentabilidade (17,6%), do turismo e viagens (15,7%) e de alimentação (13,7%), a maioria (56,9%) afirma ter sido o financiamento o ponto principal com alteração no período de pandemia por covid-19. As vendas (62,7%), o marketing (33,3%) e a estratégia (27,5%) surgem também como áreas em que houve mudanças consideráveis.

Apesar do prejuízo sentido, 19,6% das startups não adotaram quaisquer mudanças neste período, mas 54,9% cortaram custos, especialmente com trabalhadores, apoiadas pelo regime de lay-off (15,7%).
Neste inquérito anónimo conduzido de 18 a 31 de maio, nota-se que, após a pandemia, a percentagem de startups com fundos para apenas meio ano aumentou de 33,3% para 45%, ao mesmo tempo que as financiadas por mais de um ano agora caiu de 27,4% para 19,7%.

Muitas destas empresas esperam uma recuperação económica a começar no próximo ano, mas consideram as medidas governamentais de apoio pouco relevantes.

5.9.17

Science4you abre 32 lojas e reforça época de Natal com 300 trabalhadores

in o Observador

Empresa portuguesa vai reforçar a época de Natal com mais 300 pessoas até ao fim do ano. Vai abrir mais 32 lojas em Portugal e sete na região de Madrid, em Espanha.

Com estas contratações, a equipa vai contar com mais de 660 pessoas nos escritórios de Lisboa, Porto, Madrid, Londres, e a fábrica em Loures

A empresa portuguesa de brinquedos educativos, a Science4you, vai recrutar 300 colaboradores até dezembro para reforçar a época de Natal e abrir mais 32 lojas em centros comerciais no país. Em Madrid, vai abrir mais sete, anunciou a empresa esta segunda-feira em comunicado.

A contratação sazonal de colaboradores na Science4you é habitual desde o início da empresa, pois trata-se de um negócio com maior incidência nos últimos meses do ano, e que requer assim um reforço no número de profissionais, em diversas áreas da empresa”, afirmou em comunicado Miguel Pina Martins, fundador e presidente da Science4you.

Até ao final do ano, a empresa liderada por Miguel Pina Martins vai contar com mais de 660 colaboradores nos escritórios de Lisboa, Porto, Madrid, Londres, e a fábrica em Loures. Com as obras de extensão da fábrica, que decorrem até outubro, a Science4you prevê que um terço das contratações sazonais se mantenha depois do Natal, altura em que a empresa fatura cerca de 70% do total anual.

A Science4you comercializa os brinquedos educativos para mais de 40 países em todo o mundo. Os mais recentes são Marrocos, República Dominicana, Letónia, Estónia, Eslovénia, Croácia, Sérvia, Taiwan, Rússia e Bielorrússia. O objetivo de Miguel Pina Martins é terminar o ano de 2017 com uma faturação de 23 milhões de euros.

27.2.17

Criação de empresas no Porto atinge números recorde e a cidade já lidera o país entre as startups

in Porto

Em 2015 foram constituídas no Porto 1.722 empresas, 139 das quais são industriais e 1.585 de serviços. Estes números, que constam das estatísticas anuais do Instituto Nacional de Estatística (INE), estão agregados num estudo da Pordata, base de dados da Fundação António Manuel dos Santos e ainda não contêm os números referentes a 2016, mostram um crescimento de 30% relativamente a 2012. Outro estudo demonstra que o Porto já é líder nacional na criação de Startups.

As estatísticas oficiais do país mostram, aliás, que estes números representam um recorde relativamente a todos os anos apresentados no estudo (1997, 2001 e a partir de 2009 até 2015). Em 2001, o número de empresa criadas no Porto foi, segundo o mesmo relatório, de 1.389, ou seja, superior ao verificado em 2012, antes do actual executivo assumir funções. A partir daí o número de empresas criadas na cidade disparou.

Quanto às empresas industriais, embora se verifique uma recuperação semelhante, quando comparados os anos de 2012 com 2015, está ainda longe das 197, em 2001. Os dados do INE citados pela Pordata não mostram nenhum ano melhor do que esse.

O crescimento da criação de empresas na cidade do Porto é superior ao verificado na região Norte, onde a aceleração foi de 16%, face aos 30% verificados na cidade. Também na comparação com a Área Metropolitana do Porto mostra um crescimento superior no Porto, uma vez que na AMP o crescimento se cifrou em 22%.

Note-se ainda que o Porto concentrou em si a criação de 30% de todas as empresas criadas nesta grande área urbana, que reúne 17 municípios.

Segundo outro estudo recente, intitulado «Portugal Rising: Mapping ICT Scaleups», publicado pelo Startup Europe Partnership (SEP) em conjunto com o CrESIT, com o apoio da Microsoft Portugal e da iniciativa Ativar Portugal Startups, o pódio para a zona de Portugal mais empreendedora no que respeita ao número de empresas denominadas de 'startups' pertence ao Porto, que representa 36% do ecossistema.

Lisboa deixou de ser a região do país mais empreendedora, passando para segundo lugar com 32% do tecido de startups.

As startups, designação que cabe às empresas com menos de cinco anos de atividade, que possui elementos de inovação e trabalha em condições de extrema incerteza, representam já 34% do tecido empresarial nacional, asseguram 46% do emprego gerado pelo universo empresarial português e 9,6% do volume total de negócios.

O maior número de nascimento de Stratups registou-se nos setores de serviços (27,2%) e retalho (17%), seguidos do alojamento e restauração (11,2%). Os setores da agricultura, pecuária, pesca e caça, de telecomunicações e alojamento e restauração registam o maior crescimento anual de novas empresas.

Outra área em que o Porto apresenta números demonstrativos da sua atual dinâmica económica, é a das sclaleups. Nos últimos cinco anos, 40 scaleups em Portugal quebraram a fronteira de um milhão de dólares. Juntas, arrecadaram mais de 156 milhões de euros de financiamento de venture capitals, das quais 36 receberam um financiamento entre 945 mil euros e 9 milhões e meio de euros.

"Scaleup" significa, literalmente, reajustar-se a uma escala, enquanto que uma empresa "startup" está, obrigatoriamente, no início de uma viagem, uma scaleup pressupõe que alguns objetivos foram já bem-sucedidos. As startups que já angariaram um financiamento superior a um milhão de dólares (equivalente a quase 900 mil euros) e que passaram, pelo menos, por uma ronda de investimento nos últimos cinco anos passam a ter a designação de scaleup.

A Câmara do Porto está a apostar fortemente nesta área e em parceria com várias entidades desenvolveu a estratégia ScaleUp Porto, que tem por objetivo apostar num paradigma mais competitivo para a economia regional e apoiar as startups tecnológicas locais com potencial para escalar internacionalmente

Uma tendência clara destas scaleups é a sua juventude: 75% nasceram depois de 2010 e 48% depois de 2012. Além disso, todas as scaleups analisadas sofreram processos de fusão e/ou aquisição a nível internacional: 66% com empresas norte-americanas, algumas bem conhecidas do público português, e 22% com empresas europeias, dados que indicam que o ecossistema português de startups tem boas relações internacionais e que o empreendedor tem no seu ADN o desejo de levar a sua startup além-fronteiras.

Lisboa é a cidade portuguesa com maior número de scaleups portuguesas (42% do total), seguida do Porto, a segunda maior hub do país. As áreas de software solutions, business analytics e saúde ocupam o topo, seguidas da educação, serviços empresariais, turismo e mobile.

8.6.16

Startups vão acabar com a fome no mundo

Susana Lúcio, in "Sábado"

Uma em cada dez pessoas no mundo não come o suficiente, mas há novas ideias para alimentar todas as bocas que habitam no planeta

Cerca de 7,4 mil milhões de pessoas habitam a Terra e o número não vai parar de crescer. Segunda estimativa das Nações Unidas, em 2050 haverá mais 2,3 mil milhões de bocas para alimentar e o número dos que passam fome também vai multiplicar-se.

Mas o problema já está a ser resolvido por empresas com ideias inovadoras. A Roots Sustainable Agricultural Technologies, empresa israelita, inventou uma forma de aquecer as raízes das plantas e fazê-las crescer mais depressa.


"Se a diferença de temperatura acima e debaixo da superfície é muito grande, as plantas não são capazes de transportar os nutrientes de forma eficiente das raízes até às folhas", explicou Sharon Devir, fundador da empresa.
Para controlar a temperatura do solo a Roots instala tubos debaixo do solo por onde passa água quente ou fria, consoante a necessidade e poupa nos sistemas usados para aquecer as estufas tradicionais.

Os resultados são evidentes: mais 10 por cento de alfaces, 25 por cento de morangos e 30 por cento de manjericão. A empresa instalou a tecnologia em duas quintas em Espanha e procura investidores que injectem 3,5 milhões de euros para expandir o negócio.

Outra startup, a FoPo, criada por jovens alemães, aposta em aproveitar as cerca de 1,3 mil milhões de toneladas de comida que é desperdiçada todos os anos no mundo.

A ideia é recolher a fruta e os vegetais que são deitados ao lixo por estarem demasiado maduros e transformá-los em pó. Baseada em Bremen, Alemanha, a empresa já está a transformar as 27 toneladas de bananas atiradas ao lixo por um importador local.

"É absurdo que no século XXI um terço da comida é desperdiçada enquanto 800 milhões de pessoas têm fome", disse ao The Guardian, Gerald Pery Martin, co-fundador da FoPo.


A empresa quer começar a fornecer os alimentos em pó a organizações que prestam ajuda humanitária, mas planeia vender online as frutas e vegetais em pó ainda este ano.

Mas há mais. Outra empresa israelita, Sensilize, aproveitou os conhecimentos adquiridos nas forças militares e criou um sensor que, instalado num avião, mede a luz solar reflectida pelas culturas.

O chamado Robin-Eye analisa os diferentes espectros para determinar o nível de pigmentos: o verde da clorofila, o laranja dos carotenóides e o vermelho da antocianina. Esta informação indica o estado da saúde das culturas e permite prever problemas e agir com a ajuda de fertilizantes e pesticidas.


"O nosso sistema vai permitir trazer a Internet das coisas para as quintas", disse Robi Stark, co-fundador da Sensilize. A empresa vende os dados recolhidos a 1,7 euro por hectare para cereais e 13,4 euros por hectare para culturas com maior valor de mercado, como as uvas.