17.10.07

Índia e China superam objectivos do Milénio e só a África continua longe do caminho

Sofia Branco, in Jornal Público

A ONU considera que a erradicação da pobreza é essencial para cumprir todos os Objectivos do Milénio


São oito os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) que as Nações Unidas declararam em 2000 que queriam ver cumpridos até 2015. A erradicação da pobreza não é só o primeiro enunciado, é também o único que, se não for atingido, impede a realização de todos os outros.

Porque ser pobre não é só não ter dinheiro suficiente para comer ou não dispor de um abrigo. É também não ter possibilidades para estudar. Não ter emprego e não saber o que vai ser o dia seguinte. É estar doente e não poder pagar uma consulta no médico nem tratamentos. Ou perder uma criança no parto por falta de cuidados de saúde.
Perante o flagelo - 50 mil pessoas morrem diariamente devido a causas relacionadas com a pobreza e 854 milhões de pessoas passam fome, apesar de a produção alimentar mundial ser suficiente -, os Estados do mundo assumiram publicamente, na Cimeira do Milénio, em 2000, duas metas: reduzir o número de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia e o número de pessoas que passam fome. Até 2015 e ambos para metade.
Ao telefone, a partir de Nova Iorque, Eveline Herfkens, coordenadora da Campanha do Milénio, nomeada pelo secretário-geral da ONU, disse ao PÚBLICO que será possível atingir os objectivos definidos, a nível global. Porém, algumas regiões ficarão aquém das metas, sendo África e o Sul da Ásia as mais preocupantes.

De acordo com o relatório de 2007 sobre os progressos para conseguir atingir os ODM no prazo previsto, "a África subsariana não está no caminho para obter qualquer um dos objectivos". Que incluem ainda o acesso à educação, a igualdade de género, a saúde manterno-infantil, o combate à sida, a sustentabilidade ambiental e a criação de sistemas comerciais e financeiros que não criem desigualdades sociais.

Desde a Cimeira do Milénio, "houve uma tremenda aceleração" nos progressos necessários a atingir as metas para 2015. A Índia e a China são exemplos de sucesso, bem como Moçambique, enumera Herfkens. "As histórias de sucesso resultam de os governos cumprirem as suas promessas: melhores políticas, investimento nos serviços básicos e combate à corrupção", acrescenta.

Também o mundo desenvolvido tem de fazer mais e melhor, realça Herfkens, destacando que já há países que atingiram os desígnios: Suécia, Noruega, Dinamarca, Luxemburgo, Holanda. E o Reino Unido tem a melhor performance entre os membros do G8, acrescenta. Mas há outros países, como Portugal, que não estão a fazer o suficiente, sublinhou, esperando, por isso, que "um grande número de pessoas" se junte à campanha de hoje. Para que mostrem aos políticos que lutar contra a pobreza pode trazer votos, assinala. No ano passado, 23,5 milhões de pessoas responderam ao apelo em todo o globo.