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21.11.22

Dia Mundial dos Pobres

Manuel Gomes, opinião, in Jornal de Leiria

O Dia Mundial dos Pobres instituído pelo Vaticano pode e deve ser compartilhado por todos aqueles que entendem ser importante defender e respeitar a dignidade dos mais pobres

No passado domingo, dia 13 de novembro, comemorou-se o VI Dia Mundial dos Pobres instituído pelo Vaticano, naturalmente destinado aos membros da Igreja Católica, mas pode e deve ser compartilhado por todos aqueles que entendem ser importante defender e respeitar a dignidade dos mais pobres, deixados “à mercê da incerteza e da precariedade”, como diz Francisco, face ao agravamento da situação global.

O Papa destaca que os cenários mais otimistas para o pós-pandemia, que prometiam “alívio a milhões de pessoas empobrecidas pela perda do emprego”, foram alterados pela guerra na Ucrânia, uma “nova catástrofe”.

Na realidade, segundo o relatório do Banco Mundial (BM) “Poverty and Shared Prosperity” que faz a primeira análise completa do cenário global da pobreza após a inesperada onda de choques que afetaram a economia global ao longo dos últimos anos, estima que a pandemia levou aproximadamente 70 milhões de pessoas à pobreza extrema em 2020, o maior aumento ocorrido em um ano desde o início de seu monitoramento global em 1990.

Isso levou aproximadamente 719 milhões de pessoas a subsistirem com menos de US $2,15 por dia no final de 2020 sem contar, ainda, com as consequências da guerra na Ucrânia. É neste contexto constrangedor que o Papa, nas suas mensagens de domingo passado, define dois tipos de pobreza: a pobreza que mata e a pobreza libertadora.

“A pobreza que mata é a miséria, filha da injustiça, da exploração, da violência e da iníqua distribuição dos recursos. É a pobreza desesperada, sem futuro, porque é imposta pela cultura do descarte que não oferece perspetivas nem vias de saída” A pobreza libertadora do ponto de vista católico, “é aquela que se apresenta como uma opção responsável para alijar da estiva quanto há de supérfluo e apostar no essencial”.

“Quando a única lei passa a ser o cálculo do lucro no fim do dia, deixa de haver qualquer travão à adoção da lógica da exploração das pessoas: os outros não passam de meios. Deixa de haver salário justo, horário justo de trabalho e criam-se formas de escravidão, sofridas por pessoas que, sem alternativa, têm de aceitar esta injustiça venenosa, a fim de ganhar o sustento mínimo”, refere, num texto divulgado pelo Vaticano.

“Sabemos que o problema não está no dinheiro em si, pois faz parte da vida diária das pessoas e das relações sociais. Devemos refletir, sim, sobre o valor que o dinheiro tem para nós: não pode tornar-se um absoluto, como se fosse o objetivo principal”, precisa. No entanto, o Papa avisa: “Não demos ouvidos aos profetas da desgraça; não nos deixemos encantar pelas sereias do populismo, que instrumentaliza as necessidades do povo, propondo soluções demasiado fáceis e precipitadas. Não sigamos os falsos messias que, em nome do lucro, proclamam receitas úteis apenas para aumentar a riqueza de poucos, condenando os pobres à marginalização”.

15.11.22

Os novos pobres

Joana Petiz, editoria, in DN

O primeiro sinal que denuncia que a situação está a azedar é o aparecimento de balcões de compra de ouro. Quando começamos a reparar neles, tornam-se também evidentes os pedintes à porta dos supermercados. Já não é só o do costume - que até já sabemos que agradece um bolo de vez em quando, para desenjoar da sopa que os beneméritos repetem para lhe forrar o estômago; são quatro, cinco, seis, que se encolhem já contra as paredes mais próximas, esperando-se suficientemente óbvios para merecer a caridade alheia mas invisíveis na humilhação de terem de pedir para viver.

Mas há também outros agora, a quem nem se adivinham necessidades à primeira vista, mas que ao abrigo da noite marcham em busca da solidariedade de uma Igreja remota ou de organizações como a ReFood para levarem comida à mesa da família. Têm emprego, têm casa, têm uma família funcional e até tinham pequenos luxos como férias fora do país, mas veem-se de repente incapazes de pagar todas as despesas do mês e ainda ter fundos para levar do supermercado tudo aquilo de que precisam para alimentar os seus.

A Cáritas já sinalizou os "casos de pobreza" em Portugal, o "pavor" que sente às pessoas, de não conseguirem pagar a casa ou a renda. Ao Banco Alimentar Contra a Fome chegam pedidos de ajuda também das instituições cuja missão é apoiar quem precisa, porque esgotaram a capacidade de acorrer a todos os que as procuram.

Agora, é também Bruxelas que lança alertas num contexto de inflação que persiste em tempo e em força, deixando os países mais frágeis numa situação ainda mais debilitada. De acordo com a Comissão Europeia, um milhão de portugueses vive já no limite da pobreza energética e a "inflação e a debilidade da economia" podem somar-lhes mais 500 mil em breve. E os números do Pordata apontam que uma em cada quatro casas tem más condições de habitabilidade e quase metade da população precisa de apoios sociais para não ficar condenada a sobreviver com rendimentos abaixo do limiar da pobreza.

Dia Mundial dos Pobres. "Sem-abrigo não é só quem não tem casa"

Ângela Roque, Octávio Carmo (Ecclesia), in RR

Responsável pela associação João 13, de apoio aos sem-abrigo em Lisboa, confirma que há mais estrangeiros e mais jovens a precisar de ajuda, vivam na rua ou em quartos, e situações dramáticas mesmo entre quem trabalha. “Um está a dormir na rua, e a mala das ferramentas é a almofada dele”, conta frei Filipe Rodrigues, que lamenta falta de investimento para acabar com a pobreza, que “já não é uma ferida, é uma hemorragia”.

No Dia Mundial dos Pobres, a Renascença e a agência Ecclesia conversam com o responsável pela João 13, uma associação de voluntários ligada aos dominicanos, que desde 2015 apoia pessoas carenciadas e em situação de sem-abrigo em Lisboa, e que na última semana o parlamento decidiu distinguir com a Medalha de Ouro dos Direitos Humanos. Vai ser entregue em dezembro.

Frei Filipe Rodrigues conta que, no NAL – Núcleo de Apoio Local de São Vicente, há preocupação com a dignidade de quem é pobre. No refeitório servem, em média, 75 jantares - refeições quentes diárias -, mas também asseguram pequeno almoço, banho e roupa lavada, e quem precisa é encaminhado para o dentista. Confirma que o perfil de quem atendem mudou: 60% têm menos de 50 anos, e há mais utentes que até trabalham, mas não ganham o suficiente para subsistir. Entre os jovens que dormem na rua detetaram duas grávidas de 18 anos.

Para frei Filipe, é preciso “fazer zoom” à realidade da pobreza, porque a crise está a “empurrar” mais pessoas para a rua, mas faltam meios técnicos e humanos para o acompanhamento sério das situações.

Vários indicadores apontam para o aumento do número de pobres em Portugal e de quem vive na rua, que é um dos rostos mais dramáticos da pobreza. Haverá nove mil sem-abrigo por todo o país, mais 800 do que em 2020, a maioria concentra-se em Lisboa. Têm sentido este aumento? O número de utentes que atendem está a crescer?

Sim. Temos notado bastante este aumento, não só em número como também temos visto uma viragem: nos primeiros anos tínhamos pessoas de alguma idade, de 50, 60, 70 anos, e no relatório que fizemos agora, pela primeira vez, a grande maioria (60%) das pessoas que atendemos têm menos de 50 anos. Isto significa que as faixas etárias mais jovens - a partir dos 18 até aos 40, 45 - são neste momento as mais afetadas e as que estão na rua.

A partir dos 18 anos, muito jovens...

Sim, porque menores não podem estar na rua. Mas temos pessoas com 18 anos, raparigas grávidas, creio que duas neste momento. Depois, obviamente, vamos dando resposta. Mas, isto para dizer que está a aumentar o número...

E mudou o perfil.

Mudou, gente bastante mais nova.

"Temos pessoas que trabalham e vão ali. Estou-me a lembrar de uma pessoa que trabalha e que dorme na rua, e a mala das ferramentas é a almofada dele"

Esse é um dos dados que é possível traçar, o perfil. A partir do relatório, quantas pessoas é que estão a ajudar neste momento? A ideia de que aqueles que ajudam são na maioria sem-abrigo vai-se desfazendo?

Nós estamos a servir, neste momento, uma média de refeições para 75 pessoas, mas abrangemos mais, porque não vão todas todos os dias. Temos uma lista de cerca de 170 pessoas e só servimos 75 refeições, porque um pode ir hoje e não ir amanhã. Embora seja também um dado novo, nosso, de que há uma fidelização maior, temos pessoas que praticamente já vão todos os dias.

Já não prescindem deste apoio?

Porque outras respostas também deixaram de existir. Este voluntarismo de pessoas que em grupo preparavam refeições e iam para a rua tem tendência a diminuir, este é um dado. Depois há uma vulnerabilidade muito grande. Quando falamos em sem-abrigo, não é só as pessoas que não têm em casa. As que estão em quartos também são consideradas pessoas em situação de sem-abrigo.

E há muitos casos?

Temos muitas pessoas, porque as que estão na rua, mesmo, são um tipo de pessoas dentro do grupo dos sem-abrigo, mas temos também um grande número de pessoas que conseguem algum apoio, sobretudo da Misericórdia de Lisboa, para terem acesso a um quarto que é pago pela Santa Casa, mas depois não têm mais nada, não têm onde tomar banho, não têm produtos de higiene nem onde fazer, é muito complicado.

No último meio ano têm também aparecido muito mais pessoas estrangeiras, que era uma coisa que não tínhamos, eram sempre portugueses, algumas brasileiras e africanas. Mas, agora, têm-nos sido referenciadas pessoas do Médio Oriente e de uma África mais muçulmana.

Tem havido notícias sobre os timorenses que têm chegado nos últimos meses a Portugal, e que estão muitos deles a dormir na rua, na zona da Baixa de Lisboa. Também têm pedido a vossa ajuda?

Não para esta resposta, mas a nossa associação também já tem ajudado estes grupos com roupa. Como temos um banco de roupa para os nossos utentes, obviamente que nestas circunstâncias, quando nos pedem, também ajudamos. E estamos a ajudar um grupo de cerca de 40 timorenses, levando-lhes roupa.

As instituições solidárias confirmam um aumento dos pedidos de ajuda. Os dados oficiais, aliás, mostram que a pobreza tem aumentado até entre quem trabalha. Há quem esteja nestas circunstâncias e procure a ajuda da associação?

Temos pessoas que trabalham e vão ali. Por exemplo, pessoas que têm dívidas ao Estado, ao trabalhar ficam com uma retenção da parte da dívida, depois para pagar o quarto, não conseguem.

No último ano tivemos um apoio extra, demos almoço às pessoas que trabalhavam, para terem um suporte e não ficarem todo o dia sem alimentação. Mas é um drama. Vemos pessoas que estão a trabalhar... Estou-me a lembrar de uma pessoa que está a trabalhar e que está a dormir na rua, e a mala das ferramentas é a almofada dele. Isto não é fantasia, é a verdade.

A situação agravou-se desde a pandemia. Agora, com a guerra, inflação, aumento generalizado dos preços e muitos problemas no acesso à habitação em Lisboa, significa que estas situações de vulnerabilidade vão continuar a aumentar?

Sim. Mas eu acho que há uma falta de investimento.

Nas políticas do Estado?

Do Estado e a nível local. Há uma falta de investimento. Estamos numa de manutenção, manter as respostas, mas depois faz-se muito pouco na mudança de vida da pessoa. É obvio que a pessoa precisa de jantar, precisa de tomar o pequeno almoço e tomar banho, mas também é óbvio que a pessoa precisa do seu espaço, de quem a ajude a regularizar a sua situação e a encontrar trabalho. E estes mecanismos não funcionam.

A nossa resposta (da associação) começou por ser uma resposta básica, de cumprirmos as obras de misericórdia - dar comida a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, dar banhos. Aos poucos fomos percebendo que as necessidades são maiores e na medida das nossas capacidades, que são muito poucas, começámos a ver a situação das pessoas. No ano passado conseguimos dar casa a duas famílias, uma tinha uma grávida, outra tinha um bebé há pouco tempo, corriam o risco de lhes tirarem os bebés. Conseguimos articular com outra instituição, mas tem de ser tudo muito pessoal, não é em termos de política. Às vezes parece que não há um investimento.

Todos queremos tirar os pobres da rua, é um bom desejo, mas depois não há um investimento prático no acompanhamento das pessoas. Por exemplo, neste refeitório que temos não é admissível que estejam pessoas ali há três anos, todos os dias a jantar. Não devia ser. Este refeitório devia ser para pessoas que estão numa situação constrangedora, mas que depois têm que ter uma resposta mais concreta e mais prática.

"Creio que nenhum voluntário se envergonha de dizer que tem ali uma família, não é um estranho que ali está"

Ainda a questão da habitação: estamos a falar da capital portuguesa, sabemos que os preços são internacionais e que os rendimentos são nacionais. Estamos num momento em que há mais notícias sobre despejos e sobre as consequências que a limitação imposta pelo Estado ao aumento das rendas pode ter para quem está a acabar contrato. São situações que preocupam e podem levar mais gente para a rua?

Sim. Empurrar as pessoas para a rua é uma das coisas que observamos muito. É empurrar as pessoas para a rua, porque as pessoas não conseguem sustentar a vida pobre que já tinham.

Se formos ver, numa crise destas, a descer degraus, os muito ricos ficam um bocadinho menos ricos, os ricos ficam na classe média, a classe média desce um bocadinho e os que já estão no último degrau, caem. Se conseguiam pagar uma renda, aumentou o preço de renda, já não conseguem. Tinham trabalho, ficaram desempregados, não conseguem pagar renda, vão para a rua. Tudo isto ajuda a que a pessoa termine na rua, que é a pior coisa. E não estamos a falar de quem já esteja na rua há muito tempo, mas de pessoas que aparecem ali pela primeira vez, estão na rua um, dois dias. E dá-nos pena que, quando se vão embora, tenham de ir para a rua. Mas, lá está, a nossa associação não consegue e também não vemos respostas eficazes para que as pessoas possam ter um sítio onde pudessem pernoitar duas ou três noites. É um investimento muito grande, mas é necessário.

Não podemos dizer "temos que acabar com a pobreza" se não fizermos por isso. Não pode ficar só nas boas intenções.

O cardeal Tolentino, num dos textos que escreveu há uns anos sobre os pobres, dizia isto: "a qualidade de um Estado vê-se pela maneira como trata os mais frágeis". Vemos a qualidade das sociedades pela maneira como tratamos os mais frágeis.

Enquanto não houver aqui uma decisão política, social, não só de apoio às pessoas sem-abrigo, às pessoas mais frágeis, mas de acompanhamento e de interesse, não vamos conseguir, porque isto não é uma ferida, é uma hemorragia.

Existe uma Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, e outra Estratégia Nacional de Combate à Pobreza. O que é que está a falhar?

Bem, temos que reconhecer que são duas estruturas muito importantes, porque permitem-nos trabalhar em conjunto, e isso é muito bom.

Trabalhar em rede, as várias organizações que existem…

Temos o mesmo plano municipal, trabalhamos em rede, conhecemo-nos, contactamos. Isto foi muito importante na maneira como cuidamos destas pessoas sem abrigo. Mas depois faltam meios técnicos, sítios onde as pessoas possam ir dormir, faltam pessoas que possam acompanhar os casos.

Termos uma técnica social a cuidar de 200 casos. Não pode, não consegue. Uma das queixas que os nossos utentes fazem muito em relação a algumas instituições é que têm entrevistas marcadas daqui a dois meses. Imaginemos uma pessoa que foi ao hospital, mandaram-lhe tomar quatro ou cinco medicamentos, um deles antibiótico, não tem dinheiro, só tem assistente social daqui a duas semanas, o doente vai ficar duas semanas sem um antibiótico?

É preciso agilizar.

Era preciso ter um acompanhamento quase lado a lado, mais personalizado, e se calhar em vez de estarmos a tratar de todos, neste mês vamos tratar de cinco. Creio que poderíamos avançar muito com este interesse particular para com a pessoa, não vermos só o mundo dos sem abrigo, mas fazer zoom e ver esta pessoa. Chegou hoje à rua? Em tempo recorde vamos ter que a tirar da rua, não pode ali ficar. E o que é que podemos fazer? Não há respostas.

Para quem não está familiarizado com o vosso trabalho, será útil falar da João 13. Que apoio é que presta, onde é que é e o que é que assegura aos utentes?

A João 13 é uma associação de voluntários, foi criada em 2015 na sequência da primavera do Papa Francisco. Nasceu um bocadinho antes dos balneários que ele abriu no Vaticano (para os sem abrigo). Foi a partir da encíclica "A Alegria do Evangelho" que nasceu esta associação de pessoas que se reuniam à volta do Convento de São Domingos e que achavam que o Cristianismo não era só teoria, que tínhamos de fazer aqui alguma coisa. Então, fomos para o mundo dos mais pobres.

Somos cerca de 230 voluntários, temos o NAL (Núcleo de Apoio Local), que é uma resposta da Câmara Municipal de Lisboa integrada no projeto municipal para as pessoas sem-abrigo. Abrimos o refeitório, o espaço que temos, por volta das 18h00. Ali, as pessoas podem tomar banho, deixar a roupa suja que nós lavamos, trocam de roupa, podem fazer a barba, toda essa higiene é permitido fazer ali. Depois passam ao refeitório, onde voluntários prepararam o jantar para poderem ter ali todos a mesma refeição quente, sentados à mesa. Isto marca a diferença com a distribuição nas ruas. Nós não vamos às ruas, quem está na rua sabe que pode ir ali.

As questões da higiene, da roupa lavada, mostra que há uma preocupação com a dignidade de quem está ali?

Claro, é toda essa dignidade. Creio que a grande diferença da João 13 é que nós não somos técnicos a tratar ali de coisas como vemos noutras instituições, em que as pessoas recebem um ordenado, têm de pôr comida na mesa, podem estar bem ou mal dispostas. Na João 13 vemos uma grande humanização, conhecem-nos, nós conhecemo-los a eles, ouvimos, escutamos, tentamos resolver problemas e acaba por ser uma família.

Creio que nenhum voluntário se envergonha de dizer que tem ali uma família, não é um estranho que ali está. Creio que isso é muito importante na humanização do tratamento destas pessoas, também na construção da fraternidade. Se eu voluntário vou para lá com um estilo de superioridade em relação a “estes coitados”, e não vale a pena ser ali voluntário, nós temos de estar de igual para igual. Se eles estão a jantar, eu vou jantar. Antes da pandemia, nós até tínhamos alguns que jantavam com as pessoas sem-abrigo à mesa- para podermos falar melhor. Vamos retomar em breve.

A pandemia condicionou o vosso trabalho?

Muito, a pandemia condicionou muito a nossa relação com eles. Não fechámos, mas a modalidade teve de ser outra: não podiam entrar, porque a nossa resposta é equivalente a um restaurante, portanto, tudo o que aconteceu nos restaurantes aconteceu connosco. Não pudemos abrir, eles não podiam tomar banho, nós dávamos umas toalhitas húmidas para que eles pudessem minimamente fazer a sua higiene, depois preparávamos as refeições em takeaway, e entregávamos. Não podíamos lavar roupa, porque não sabíamos se estava infetada, foi um bocadinho um caos.

Mas demos resposta e a pandemia trouxe uma coisa boa: nós não estávamos abertos todos os dias, havia um ou dois dias em que não tínhamos voluntários, e fez com que nós abríssemos todos os dias e agora esteja a funcionar em pleno. Todos os dias do ano, a associação está aberta.

Depois do jantar, ainda damos a cada pessoa um kit com pequeno-almoço: pão com queijo ou com doce, leite de chocolate e uma fruta.

Associação João 13. “O acolhimento é a prioridade e a nossa mais valia”

Que tipo de ajuda é que a associação recebe para poder prestar esse apoio?

Nós temos uma ajuda da Câmara Municipal de Lisboa, é um subsídio que não cobria, e agora muito menos… Vamos imaginar que temos uma despesa de 70 mil euros, a Câmara Municipal dá 25 mil, o resto são donativos de pessoas. Não há ninguém remunerado na associação, é o bem-fazer das pessoas. As pessoas acreditam na instituição, apoiam e nós, depois, vamos usando esse dinheiro nas várias coisas que são precisas preparar.

E já conseguem de facto dar essa resposta todos os dias da semana. Queria insistir nesta questão da dignidade da pessoa pobre, da pessoa carenciada. Lembro-me que há uns anos dizia que ia ter uma campanha para comprar próteses dentárias. Não pensamos nisso, mas é muito importante, por exemplo, para quem sai da rua ter uma aparência cuidada. Continuam a dar essa ajuda?

Há três anos, semanalmente. Temos dois tipos de ajuda na medicina dentária: uma ajuda para quem não tem dentes e precisa das próteses. Aí vamos a um laboratório, faz-se os moldes e essas pessoas têm esse cuidado. Quem tem mais problemas, todas as semanas temos um voluntário que leva nove pessoas a uma Faculdade de Medicina, onde são tratadas e acompanhadas.

Não sabem a alegria que era, na pandemia, as pessoas tirarem a máscara só para a gente ver os dentes! Isto é o que nos dá alegria de servir as pessoas: aquilo que faríamos para nós, fazemos também para os outros. Creio que isto é ver o outro de maneira igual.

Nestes anos de funcionamento já conseguiram tirar quantas pessoas da rua e encaminhar?

Encaminhar muitas. Arranjar emprego também, para algumas. Não temos isso quantificado, só encaminhamos, depois são outras instituições que fazem os acompanhamentos. Mas algumas pessoas acabaram por deixar de ir, é porque foram para outras para outras estruturas.

Nós, na Associação João 13, vamos passar a ter agora uma coisa boa, a partir deste final de ano, que é uma técnica de Serviço Social. Ou seja, vamos passar a ter ali alguém da nossa instituição que possa olhar para a vida destas pessoas e tentar encaminhá-las, ir buscar estes casos mais antigos, entrar em contacto com quem as credenciou para ver o que é que está a passar. Para nós é uma esperança, que possamos não depender de outros, para começar a resolver a vida das pessoas. Isso é uma coisa muito boa.

Depois, estas ajudas todas que vamos dando às pessoas para poderem comer melhor, para poderem sorrir, para poderem arranjar um emprego. Isto é mesmo ser semelhança minha, é ser humano como eu sou humano.

"A pobreza que mata é a pobreza desumanizante, a pobreza da indiferença"

Falava há pouco de inspiração que o Papa Francisco representou para a criação desta associação. O Dia Mundial dos Pobres é uma instituição do Papa, já estamos na sua sexta edição, e na mensagem para 2022 fala do drama da guerra, dos refugiados, é incontornável, mas também alerta muito para a indiferença que existe em relação a quem vive na miséria. Ainda há muito preconceito, até entre os cristãos, para encarar quem é pobre?

Sim. Por isso é que o Papa escreve estas mensagens. Eu costumo dizer que estas mensagens são para os 'não pobres', isto não é para os pobres. Os 'não pobres' têm de perceber que existe esta realidade e que nós não podemos ser indiferentes.

A mensagem do Papa este ano toca nos vários tipos da indiferença, como a questão da teoria – porque não falta teoria sobre os pobres. A gente abre a boca e fala dos pobres, que são a riqueza da Igreja, mas depois, na prática, o que é que tu fazes pelos pobres? Em que é que tu ajudas os mais pobres?

Hoje na Missa, irei dizer às pessoas que, ao almoçar, se virem alguma pessoa na rua, sem-abrigo, que lhe vão dar o almoço. Vou dizer isto, para que as pessoas percebam, quando se sentarem à mesa, que neste dia deram de comer a alguém que estava a passar fome. Isto é a consciencialização dos cristãos, ainda que seja uma questão que a sociedade tem de resolver, nós pertencemos à sociedade.

São João Crisóstomo e tantos outros Santos, como São Lourenço, vêm dizendo isso: a fé sem obras é morta, como diz São Tiago, e a assistência aos mais pobres está desde o início, nos Atos Apóstolos, em que os apóstolos serviam às mesas dos mais pobres.

É pena que ainda haja alguns cristãos que ainda não tenham percebido o alcance: isto não é moda do Papa Francisco. A questão dos pobres não é moda do Papa, não é lema do pontificado…

Há críticas ao Papa Francisco de algumas pessoas que o acusam de promover um “credo pauperista”, ou seja, olha para a pobreza como ideal, mas o que as pessoas entendem é que toda a gente tem de viver na miséria, toda a gente tem de ser pobre. Como é que se olha para este valor da pobreza, do ponto de vista do ensinamento da teologia católica, da sua tradição, e se distingue da “pobreza que mata”, como escreve o Papa?

A pobreza que mata é a pobreza desumanizante, a pobreza da indiferença, a pobreza de vermos que as pessoas sem-abrigo dão despesa. Isto aparece nos discursos políticos, que são "parasitas" da sociedade. Tudo isto é aquela que mata, que não tem interesse nenhum. A pobreza que dá vida, libertadora, é quando os ricos, quem tem, partilha com quem não tem, porque foi esta a pastoral que Jesus fez com os ricos. Queria que os ricos se salvassem. Como? Partilhando a riqueza. Isto é o que se devia dizer dos púlpitos abaixo: os ricos não têm culpa de serem ricos, têm culpa em acumular a riqueza, porque a podem partilhar. Essa é uma pobreza que liberta. Quando partilhamos o que somos e o que temos, estamos a ser a imagem da liberalidade de Deus, que nos dá todos os bens.

Temos fé, imitamos Jesus Cristo nas suas palavras e nas suas obras. Mas isto não é moda do Papa Francisco, isto é Evangelho puro, puro.

Falámos de um projeto aqui, numa cidade como Lisboa. Há quem diga que a solidariedade é mais difícil nas grandes cidades. É isso que a sua experiência demonstra?

Não, não me posso queixar, porque tenho muitos voluntários. É preciso que haja instituições credíveis, para que as pessoas se sintam bem em ajudar, coisas práticas. Quer dizer, quando lavamos a roupa de uma pessoa que a deixou lá… podíamos pôr lá umas máquinas e eles que lavassem as roupas deles. Mas, quando estamos a lavar, percebemos que a roupa veio com manchas de sangue, por exemplo, e temos de falar com a pessoa: o que é que se passa consigo?

Conseguimos criar aqui uma onda. Nunca fizemos nenhuma campanha de angariação de voluntários. Nunca, nunca fizemos. O que acontece é que as pessoas vão, identificam-se, gostam, veem nisso uma resposta ao seu ser cristão, para ser cristão ativo na sociedade; veem na João 13 uma maneira concreta de praticar o Evangelho, chamam outras pessoas e a partir daí vai-se construindo esta rede de voluntários.

A João 13 é uma associação de voluntários porque a ideia dos fundadores não foi ajudar os pobres, foi pôr os voluntários a trabalhar, pôr os católicos, os cristãos a trabalhar. Não há desculpas para dizer “não sei onde ir”. Têm aqui uma estrutura, uma resposta concreta de voluntariado.

Que ajuda a olhar o pobre como um igual…

Dia Mundial dos Pobres

 in Jornal da Maia

Hoje, dia 13 de Novembro, Domingo, celebra-se o VI Dia Mundial dos Pobres, que o Papa Francisco instituiu há 6 anos e que este ano tem como sob o lema: Jesus Cristo fez-se pobre por vós.

No mundo e pela primeira vez na história, a pobreza extrema cresceu e afetou 170 milhões de Pessoas a mais.

Em Portugal, cerca de 460 mil pessoas caíram abaixo do limiar da pobreza, devido à crise provocada pela Pandemia do COVID e pela guerra diabólica na Ucrânia, agravando o fosso entre ricos e pobres.

A Pandemia e a Guerra agravaram a fome no mundo e podem matar mais que a doença e a própria guerra.

Deste modo, a ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE SOLIDARIEDADE MUNDO UNIDO JOÃO PAULO II está em Portugal para combater a fome e a pobreza em Portugal e no mundo, apoiando mais de 25 projetos.

Texto: Associação Portuguesa de Solidariedade Mundo Unido João Paulo II

15.11.21

Dia Mundial dos Pobres

Rita Valadas, opinião, in TSF

A Igreja católica assinala hoje, pelo quinto ano, o Dia Mundial dos Pobres sob o mote "Pobres sempre os tendes convosco". O Papa Francisco apresenta esta intenção como um desafio a que a Igreja tome a iniciativa de se aproximar e de "encontrar" os pobres onde estão. "Não podemos ficar à espera que batam à nossa porta; é urgente ir ter com eles" mesmo quando se escondem. É um repto contra a indiferença, um combate ao conformismo na desigualdade, um incentivo a favor da proximidade e de um estar alerta a favor dos mais vulneráveis.

Sinto que talvez ainda não tenhamos todos entendido a profundidade da provocação. Devo confessar que eu ainda estou nessa etapa prévia de entender o desafio do Papa ao assinalar este dia e até a mensagem com que se assinala.

O que significa dizer-se que "pobres sempre os teremos connosco"? A frase é do próprio Jesus, em duas ocasiões, e sempre numa perspetiva alerta para a situação do vulnerável. Colocar este dia no calendário da Igreja e, em consequência, da sociedade é sem dúvida notável, mas parece-me que importa ir mais longe.

Este dia terá de ser mais do que mensagens escritas ou vídeos publicados nas redes sociais ainda que tudo isso seja importante. O que falta é o dia seguinte.

Não faltam dias e ocasiões para assinalar isto e aquilo, mas estes dias não podem ser só efemérides que proporcionam a realização de iniciativas e atividades que, isoladamente colocam em evidência a pobreza, a situação em que vivem os pobres ou as causa que a provocam. Este dia terá de ser mais do que mensagens escritas ou vídeos publicados nas redes sociais ainda que tudo isso seja importante. O que falta é o dia seguinte.

Na Cáritas procuramos transformar esse "dia seguinte" em dias presentes e pela proximidade da nossa rede e do trabalho que realizamos, estamos presentes na vida de muitas pessoas que, pelos mais variados motivos, procuram a nossa ajuda.

A luta contra a pobreza, o estar ao lado dos pobres, é um trabalho diário, a várias mãos, com vários instrumentos, de várias origens. Não podemos continuar a querer encontrar soluções milagrosas construídas em ficheiros de Excel.

Não acreditamos na "pobreza estatística" que sobe e desce, estica e encolhe, segundo a leitura que se quer fazer dos dados. A luta contra a pobreza, o estar ao lado dos pobres, é um trabalho diário, a várias mãos, com vários instrumentos, de várias origens. Não podemos continuar a querer encontrar soluções milagrosas construídas em ficheiros de Excel.

O combate à pobreza faz-se quando houver interdependência entre as várias políticas sociais, o concurso dos vários setores e quando houver partilha de meios e recursos. Quando sentirmos a pobreza como um problema que é de todos. Quando deixarmos de olhar para o pobre e para a sua situação com resignação. Os pobres são sempre um vago "eles". O nosso trabalho é evitar que as famílias entrem em situação de pobreza. É aí que encontramos o foco do nosso trabalho.

Não posso deixar hoje de assinalar o início da campanha 10 Milhões de Estrelas - Um Gesto pela Paz. Uma iniciativa da Cáritas, que simbolicamente se materializa na venda de uma pequena vela, mas que tem um significado muito maior do que isso. Neste tempo que vem aí, de vivência do Natal, desejamos que em cada vela, simbolicamente cada português, e por isso os 10 Milhões, possam fazer o seu compromisso com a Paz.

A paz é tantas coisas .... É desde logo sorrir para o vizinho, dar a vez numa fila de trânsito, ou no supermercado, fazer um telefonema, uma visita... a paz global só será possível se houver gestos concretos de paz na vida de cada um... Podem parecer gestos pequenos, quase insignificantes, mas "Há gestos que constroem"..

Que a V. estrela acompanhe os V. "gestos pela paz".


Feliz domingo.

Dia Mundial dos Pobres: «Remuneração do trabalho é demasiado baixa» em Portugal, diz responsável da Rede Europeia Anti-Pobreza

in Agência Ecclesia

Maria Joaquina Madeira elogia papel do Papa Francisco na sensibilização para as desigualdades e necessidade de protagonismo dos excluídos

Lisboa, 14 nov 2021 (Ecclesia) – A vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN)-Portugal disse que o país tem uma prática de remunerações “demasiado baixas”, pelo que “não basta ter trabalho para não ser pobre”.

“Isto é uma das situações que nos distingue da maior parte dos países da Europa”, refere Maria Joaquina Madeira, convidada da entrevista semanal conjunta Ecclesia/Renascença que é emitida e publicada a cada domingo.

A responsável sublinha que, dos 56% de pessoas dos 18 aos 64 anos em risco de pobreza, cerca de metade tinha um rendimento de 330 euros por mês.

“Não é admissível admitir – que entre nós haja pessoas que vivem com tantas dificuldades que não têm acesso aos direitos básicos”, aponta.

Para a entrevistada, todo o “tecido social” de Portugal precisa de ser revitalizado para “poder elevar o nível de vida das pessoas, de uma forma geral”.

Maria Joaquina Madeira espera que a instabilidade política do país não faça atrasar medidas e subscreve as palavas do Papa Francisco quando diz que a pobreza não é um “fatalismo” e que os pobres devem ser “protagonistas” das soluções.

“Que as próprias pessoas que experimentam os problemas, neste caso o da exclusão e da pobreza, sejam parte das soluções, porque têm um pensamento e são capazes de refletir sobre o tema”, apela.

A conversa abordou a mensagem do Papa para o V Dia Mundial dos Pobres, que a Igreja Católica assinala este domingo, na qual se alerta para as consequências sociais e económicas da pandemia.

A vice-presidente da EAPN- Portugal fala numa “situação de grande desigualdade” em Portugal e no mundo, onde a “pobreza passa de geração para geração”.

Maria Joaquina Madeira deixa votos de que o combate à pobreza seja mesmo um “desígnio nacional”.

Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

8.11.21

Dia Mundial Pobres “não é para falar deles, mas estar com eles”

Henrique Cunha, in RR

Presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado diz que há um novo perfil. Além da geracional, há pobres com qualificações académicas e ainda uma pobreza ligada à infoexclusão.

A propósito do Dia Mundial dos Pobres, que se assinala no próxima dia 14 de novembro, Eugénio da Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado e ex-presidente da Cáritas portuguesa, defende que esta data “é muito importante para se começar a fazer experiências de integração dos pobres nas comunidades cristãs, para se deixar de ter os pobres à porta das igrejas e passá-los para dentro da Igreja, tentado resolver os problemas complexos dessas pessoas”.

Na sua opinião, é um dia “não para falar deles, mas estar com os pobres” e é “por isso que o Santo Padre pede que haja iniciativas ao nível das comunidades cristãs”, porque é ao nível das comunidades que os pobres se encontram.

O responsável pela Confederação do Voluntariado refere que infelizmente “é rara a semana em que não aparece em alguma paróquia alguém a pedir ajuda para o seu agregado familiar”. É nesta altura que deve arrancar a sua integração nas comunidades cristãs.

O antigo presidente da Cáritas Portuguesa sustenta que para além da pobreza geracional que persiste, em Portugal há um novo perfil. “Temos gente pobre e com qualificações académicas. Há gente que não encontra um posto de trabalho e admite-se até que possa haver gerações que nunca venham a ter trabalho. Eu conheço gente com licenciaturas que vai para as caixas das grandes superfícies”, refere.

Existe uma outra forma de pobreza que é a infoexclusão. “Todos já percebemos que para se ter acesso à igualdade de oportunidades, que é um direito básico tem que se recorrer à Internet porque é lá que estão os documentos para preencher, os passos a seguir”, explica. Por último, Eugénio da Fonseca identifica um outro tipo de pobreza “que se veio a tornar mais expressiva com a pandemia e que é a solidão”, pois “pode fazer as pessoas ficarem mais doentes, e ficando mais doentes ficam mais pobres”.
Livro sobre Pobres solidário com pobres de Pemba

Eugénio da Fonseca contribuiu para a reflexão sobre este Dia Mundial da Pobreza através do livro “Jesus representa todos os Pobres – subsídios para o dia Mundial dos Pobres”. O autor defende ser “um livro que pode ser aproveitado para além dos Dia Mundial dos Pobres”, por isso, “desejaria que os grupos socio-caritativos e as instituições sociais da Igreja pudessem ter a oportunidade de refletir sobre os nove pontos que o Santo Padre propõe (na mensagem para o dia mundial dos pobres)”.

Nesta entrevista, explica que “o título dado ao livro é para usar uma expressão do Santo Padre”, mas admite que “todos nós sabemos que Jesus não representa só os pobres, pois Jesus está nos pobres”.

O autor quer que este livro seja “um pequeno subsídio” para ajudar a diocese de Pemba, em Cabo Delgado, no Norte de Moçambique. “O livro custa cinco euros, mas a editora-as Irmãs Paulinas - que não cobraram nada pelo custo - irão enviar dois euros para a diocese de Pemba para ajudar aqueles pobres que estão a ser vítimas de atos terroristas altamente criminosos”.

No próximo domingo assinala-se o V Dia Mundial dos Pobres. O Papa Francisco instituiu a data em 2016 inspirado na experiência do Jubileu da Misericórdia e celebra-se no penúltimo domingo do ano litúrgico.

A celebração é inspirada no Ano Santo da Misericórdia (dezembro 2015-novembro 2016) e, particularmente, no ‘Jubileu das Pessoas Excluídas Socialmente’, que se celebrou no Vaticano a 13 de novembro, dia em que se fecharam as Portas Santas em todas as catedrais e santuários do mundo.

“Intuí que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo extraordinário, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres”, escreveu Francisco, na carta apostólica ‘Misericórdia e mísera’, com a qual marcou o final do Jubileu.

16.11.20

Dia Mundial dos Pobres: Rede Europeia Anti-Pobreza alerta para aumento global do número de pessoas com necessidades ao nível da sobrevivência

in Agência Ecclesia

Padre Agostinho Jardim Moreira incentiva pessoas e instituições para «auxílio de proximidade»

Porto, 13 nov 2020 (Ecclesia) – O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal disse à Agência ECCLESIA que há uma aumento global de situações ligadas a necessidades básicas, ao nível da “sobrevivência de muita gente”, numa entrevista a respeito do Dia Mundial dos Pobres, que a Igreja celebra este domingo.

“A nível global não há grande alteração para as respostas dos mais pobres, os pobres tradicionais, aqueles dois milhões de portugueses que vinham de trás. Os que nasceram agora da pandemia são geralmente os desempregados que perderam o emprego”, alertou o padre Agostinho Jardim Moreira.

O presidente da EAPN Portugal sublinha a importância de uma ajuda de subsistência, de modo a que “as pessoas sobrevivam e não se entrem em degradação pessoal e da saúde”, deixando para mais tarde a luta “nas causas que geram a pobreza”.

“É o recurso, é o pedir, o despertar as pessoas para o auxílio de proximidade, porque as causas neste momento são globais e são marco, quer na economia, quer na vida pública ,e é muito difícil alterar estas respostas”, acrescentou o sacerdote da Diocese do Porto.

O Governo português anunciou a criação da comissão de coordenação para a elaboração da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza e a EAPN Portugal é uma das organizações que vão ser ouvidas neste processo.

O padre Agostinho Jardim Moreira adianta que os responsáveis da instituição estão “muito esperançados neste trabalho”, é “uma luta” que travam “há anos no país, juntos de toda as instâncias” e a “resposta tem de ser a médio e longo prazo porque é estrutural” e com a participação das “pessoas em situações de pobreza”.

No final de março, a EAPN Portugal alertou que “não há economia sem pessoas” e era “necessário fazer mais pela proteção dos grupos de maior risco nesta crise”, mas, segundo o padre Jardim Moreira, “não houve grandes alterações às políticas, que se mantiveram na mesma”.

“Aqueles que tinham empregos precários – e ficaram sem os empregos -, ficaram sem qualquer proteção. Não tiveram nada, ficaram entregues a si. Os pobres tradicionais já viviam mal, muitos perderam pequenos biscates, muita gente ficou sem esse dinheiro que ajudava a sustentar a casa e os filhos. Essa gente entrou também num certo de regime de austeridade e dificuldade séria porque não tem outros recursos”, explicou, alertando que existe “uma contenção para que as despesas não aumentem” e as pessoas possam “manter a casa e o mínimo de alimentação”.

A Igreja Católica assinala este domingo o IV Dia Mundial dos Pobres, uma iniciativa instituída pelo Papa Francisco, e o padre Agostinho Jardim Moreira observa que o combate à pobreza, “durante muito tempo, foi bastante marginal” na Igreja, um trabalho “pouco assumido pelas estruturas eclesiais e eclesiásticas”.

“É essencial a prática da caridade; Até agora eram mais instituições laicais ou civis que estavam a pegar na pobreza como expressão da injustiça social e da injustiça criada pelos governos e pela organização social, mas é tarefa de todos os cristãos empenharem-se para as políticas sociais sejam uma realidade a que o Papa chama a ‘caridade social’”, acrescentou.

‘Estende a tua mão ao pobre’ é o tema da mensagem de Francisco para o Dia Mundial do Pobres 2020.

O presidente da EAPN Portugal assinala que o distanciamento imposto pela pandemia “é sanitário, não é distanciamento afetivo” e o Papa pede para “saber estar atento às carência e às dificuldades das pessoas”.

“Mais do que muitas vezes as carências materiais o que muitas vezes falta é a carência da atenção, do respeito. Ainda há bocadinho estava com uns meninos da rua e uma menina pediu um abraço, ela nunca faz isso comigo, a relação não era muito próxima”, exemplificou, frisando que as pessoas “têm necessidade de se sentiram próximas, de se sentirem queridas, acarinhadas”.

“Dar a mão é pobre é reconhece-lo como pessoa e apoiá-lo no que for possível ou pelo menos encaminhar as situação para solução”, concluiu o padre Agostinho Jardim Moreira.

CB/OC

“Neste momento era importante que os mais jovens pudessem aparecer como voluntários, a querer colaborar com as instituições, mesmo com a rede, e as pessoas reformadas, que têm muita experiência, conhecimento e reflexão, podiam colaborar para dar um impulso a todo este problema nacional. A sociedade civil não pode esquecer a responsabilidade que também tem na construção de uma outra ordem social mais justa e mais digna do se humano”, apela o padre Agostinho Jardim Moreira, presidente da EAPN Portugal.


10.11.20

Presidente da Cáritas Portuguesa alerta para aumento de pessoas «em situação de pobreza»

in Ecclesia

«Combater a pobreza é incidir sobre o que já existe, combater o empobrecimento é criar condições para que deixem de existir essas mesmas condições» – Eugénio Fonseca

Lisboa, 09 nov 2020 (Ecclesia) – O presidente da Cáritas Portuguesa manifestou à Agência ECCLESIA a sua preocupação com o aumento do número pessoas que “têm caído em situação de pobreza” durante a pandemia deCovid-19.

“Os recursos são escassos, tanto os recursos humanos, como os recursos materiais, e há aspetos da ajuda para os quais que não estávamos totalmente preparados, nomeadamente aquilo que muitas vezes não tem a ver com a pobreza material”, disse Eugénio Fonseca, numa entrevista a respeito do IV Dia Mundial dos Pobres, que a Igreja Católica celebra no próximo domingo.

O presidente da Cáritas Portuguesa refere que a instituição registou um aumento de 48% nos pedidos de apoio e sublinha que, além dos números, existe um “fator de exclusão” que resulta do confinamento que “leva muitas vezes as pessoas a não estarem apenas confinadas, mas a estarem isoladas”.

“Este ir ao encontro das pessoas, cada comunidade fez o que pôde, mas no setor da ação sociocaritativa da Igreja em Portugal o que predomina são as pessoas em idade de risco o que não nos permitiu estarmos tão próximos quanto desejaríamos”, acrescentou o entrevistado da emissão de hoje no Programa ECCLESIA (RTP2).

Eugénio Fonseca destacou que na parte material existiu “uma onda de solidariedade extraordinária”, relativamente aos Bancos Alimentares Contra a Fome, que permitiu “ir valendo na satisfação das necessidades básicas” a cerca de 29 mil pessoas.

A Cáritas Portuguesa chegou ainda a 6 mil pessoas, no âmbito do programa que quer “inverter a curva da pobreza”, através da campanha ‘Heróis doar’ e que “precisa urgentemente de ser reforçada”.

Segundo o responsável, a pobreza necessita de respostas que passam por “medidas politicas-públicas” mas, cuja aplicação, “tem que ter uma metodologia de grande proximidade” o que leva a que as comunidades cristãs ou mesmo a nível interparoquial “se dê maior atenção e se cuide mais do tipo de grupos” que estão constituídos na ação social.

O Governo português anunciou a criação da comissão de coordenação para a elaboração da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, com “individualidades de reconhecido mérito” que vão elaborar o plano com que se pretende “mitigar as desigualdades e garantir condições de vida dignas para todos os cidadãos” e vão ouvir entidades como a Rede Europeia Anti-Pobreza, a Cáritas Portuguesa, a Confederação das Instituições Sociais, a União das Misericórdias Portuguesas.

“Que esta estratégia passe por medidas que levem a que as pessoas não fiquem em situação de empobrecimento rapidamente. Combater a pobreza é incidir sobre o que já existe, combater o empobrecimento é criar condições para que deixem de existir essas mesmas condições”, salientou Eugénio Fonseca.

O presidente da Cáritas Portuguesa alertou para fatores como as rendas de casa, “muitas vezes inacessíveis aos salários existentes”, “a condição e acesso a salários dignos”, a igualdade de oportunidades ao Serviço Nacional de Saúde – SNS, uma justiça acessível a todos “mesmo com menos recursos económicos”, a redistribuição do rendimento disponível “através de um novo formato fiscal que não incida tanto nos rendimentos do trabalho mas possa incidir mais nos rendimentos do capital”, o acesso á igualdade de oportunidades a todos os níveis de ensino.

A Igreja Católica vai assinalar o quarto Dia Mundial dos Pobres este domingo, 15 de novembro, com o tema ‘Estende a tua mão ao pobre’; Esta iniciativa foi instituída pelo Papa Francisco no contexto do Jubileu da Misericórdia, no penúltimo domingo do Ano Litúrgico.

A partir do tema da mensagem do Papa, o presidente da Cáritas salienta que Francisco pede que se segurem as pessoas.

“O grande desafio mesmo à Igreja é olhar para o pobre não como o culpado, o réu da situação em que se encontra, mas como alguém que foi vítima e depois tem atitudes e formas de estar de um sistema gerador de muitas injustiças e basta ver as desigualdades que existem no mundo”, desenvolveu.

19.11.18

Dois milhões e meio de portugueses vivem numa ditadura... porque são pobres

Afonso Fonseca Guedes, in TSF

A pobreza não tem apenas uma definição. Nem uma declinação. Tem várias, igualmente sérias. Igualmente preocupantes. No dia Mundial dos Pobres fazemos o retrato de quem vive no limiar da pobreza em Portugal.

Se um dia tiver que optar entre ir ao supermercado ou ir à farmácia, talvez compreenda melhor quão grande é "a injustiça que precisa de ser consciencializada por toda a sociedade." O alerta que Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome, ainda não se cansou de repetir vezes sem conta, continua - lamentavelmente - a fazer sentido no dia 18 de novembro de 2018, o dia mundial contra a pobreza. Até porque - lamentavelmente - por esta altura, continuamos a conviver com pessoas que todos os dias têm que fazer a mesma escolha: ir à farmácia comprar os medicamentos de que precisam para a viver, ou ir ao supermercado comprar comida para sobreviver.
Ao todo são quase dois milhões e meio de pessoas que vivem em risco de pobreza ou exclusão em Portugal. Muitos deles sobrevivem apenas graças à ajuda das instituições sociais. Fome, frio, solidão, uma realidade "muito, muito dura"., nas palavras de quem lida de perto estas pessoas todos os dias.

E há uma pergunta que Isabel Jonet não consegue evitar: como é possível que haja tanta gente que luta "para sobreviver e para garantir os bens mais básicos para o seu dia-a-dia como a comida" e ao mesmo tempo vivemos num mundo que "tem tanto consumo, tantos bens e que até estão mais baratos e muito mais próximos de todos".
A ditadura da pobreza

"Aquilo que nós temos de encarar com muito realismo é que 1/5 da população portuguesa não tem liberdade", alerta Isabel Jonet. A presidente do Banco Alimentar contra a fome lembra que quando não temos os rendimentos suficientes para todas as nossas necessidades, encontramo-nos, de alguma forma, privados da nossa liberdade", sublinha.
Luís Macieira Fragoso, Presidente da Cáritas Diocesana de Lisboa, identifica o problema da pobreza como "uma chaga", uma questão gravíssima em Portugal. E os números falam por si. Com um dos níveis mais altos de pobreza e precariedade, Portugal tem cerca de 20% da população com rendimentos inferiores ao limiar da pobreza que é de 5443 euros anuais - 454 euros por mês. A Presidente do Banco Alimentar lembra que "há um milhão de pessoas que vivem com 250€ ou menos por mês".

Se para ser pobre em Portugal, tem que se receber abaixo deste valor, o que dizer dos que não sendo pobres nas estatísticas, levam todos meses para casa o salário mínimo? Ou seja, mais 126 euros? "Uma pessoa que tem um salário mínimo com um agregado familiar a seu cargo de 5 ou 6 pessoas, ou que tenha de suportar problemas de saúde familiares ou de idosos, tudo isso são aumentos das necessidades", alerta o presidente da Cáritas de Lisboa, recordando ao mesmo tempo que cada caso é um caso. "Uma pessoa individual com ordenado mínimo não vive bem, mas, em princípio terá o suficiente para se subsistir." Ou seja, é preciso analisar os casos em perspetiva.

Quanto vale a dignidade em Portugal?
O presidente da Cáritas de Lisboa lembra a importância de um rendimento adequado às necessidades para a obtenção de uma vida digna, o ponto-chave de um estudo realizado em 2017 entre a Universidade de Lisboa, a Universidade Católica Portuguesa e a Rede Europeia anti-pobreza em Portugal.

Intitulado de "Rendimento Adequado em Portugal , o estudo responde à seguinte pergunta: Quanto é necessário para uma pessoa viver com dignidade em Portugal?" A resposta, para um indivíduo em idade ativa (entre os 18 e os 64 anos) a residir só, é de 783€ para alcançar um nível de vida digno - um valor ainda muito longe do salário mínimo nacional.

O mesmo estudo aponta ainda para o valor mensal de 634€ para indivíduos de 65 anos ou mais, a residirem sozinhos. E, na verdade, é a camada populacional mais velha em Portugal a que mais sofre com um dos lados mais negros da pobreza: a solidão.

"Quando falamos das pessoas mais velhas, muitas delas vivem em casas muito degradadas e têm muita dificuldade em realizar as obras que seriam necessárias. Mas estamos também a falar de pessoas que têm um grande problema de solidão e que estão quase que isoladas na sua vida do dia-a-dia", explica Isabel Jonet.

Luís Macieira Fragoso conta que a questão do envelhecimento da população é uma realidade "transversal a toda a situação portuguesa" onde o isolamento e a solidão é, muitas das vezes, a única companhia dos mais velhos."É preciso ainda considerar que uma pessoa pode ser pobre não só por falta de dinheiro. Pode ser pobre porque está isolada, porque está desprezada" conta, alertando ainda para a importância de "olhar pelo próximo".
Angústia Permanente
"Uma angústia permanente", é assim que a presidente do Banco Alimentar retrata o dia-a-dia das pessoas que vai conhecendo de perto e que carregam o peso de "tentar saber como é que vão levar o mês até ao fim". Por vezes, ocorrem situações limite onde pessoas necessitadas precisam de uma intervenção urgente para, por exemplo, comprar uma prótese ou evitar o corte no fornecimento de água ou eletricidade.

Com as responsabilidades a acumular entre pagar luz, água, renda e alimentação, são muitas as amarras que vão prendendo estas pessoas a um ciclo difícil de romper. "Aquilo que temos constatado é que, de alguma forma, as pessoas se conformam com esta vida que acreditam que não vai mudar. E esta sensação que não podemos mudar. É um grande desespero, sobretudo quando estas pessoas são novas", explica Isabel Jonet.

Para tentar alterar estas trajetórias de vida, Isabel Jonet conta que, através do Banco Alimentar, tenta incutir a ideia de necessidade de se qualificarem e de irem à procura de empregos que sejam dignos "mesmo com rendimentos baixos", sendo preferível essa opção do que viver de subsídios da segurança social.

Melhorias que ainda são ténues
Apesar de identificar melhorias, Isabel Jonet não tem dúvidas: "Os rendimentos que chegam às famílias mais pobres são muito, muito reduzidos", havendo um longo caminho para ser feito.
Parte desse caminho passa pela consciencialização das próprias pessoas de que "é melhor ter o seu emprego e ganhar o seu próprio dinheiro sendo responsável pela sua própria vida" do que viver sempre com uma dependência, "seja do Estado, seja de Instituições, seja de outras pessoas".

Mesmo querendo alterar o comodismo que identifica, Isabel Jonet diz que o acompanhamento destas famílias tem de ser feito "com amor". "As pessoas, muitas vezes, quando vivem assim, não é por maldade. Não sabem viver de outra maneira e temos que as ensinar e dar uma consciência do que é melhor para elas", explica.

Combater a pobreza
Isabel Jonet está convencida de que "a única forma de combater a pobreza é com a educação e responsabilizando todas as pessoas pela sua própria vida." A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, explica ainda que é preciso incentivar uma corresponsabilização da sociedade, entre os que têm menos posses e aqueles que têm menos capacidades."

Já para Luís Macieira Fragoso, a solução para erradicar a pobreza passa pela própria sociedade que precisa de "ser mais justa", o que não se afigura como tarefa fácil."Penso que isso tem a ver com questões que vão desde a formação de base, de todas as pessoas terem direito efetivo a uma educação, a uma formação, ao acesso a profissões, a crescer num ambiente onde os pais tiveram uma vida minimamente digna, com uma casa com o mínimo, uma alimentação razoável, a possibilidade de ir à escola e de ter sucesso escolar. Tudo isso é um trabalho muito difícil que é preciso trabalhar", explica.

Apesar de considerar que a avaliação da pobreza pode ser relativa, Luís Macieira Fragoso, Presidente da Caritas Diocesana de Lisboa afirma que um pobre é "qualquer pessoa que não tem o suficiente para fazer face às necessidades primarias como a habitação, a alimentação e a formação dos seus filhos".

Este domingo celebra-se o 2ª ano do Dia Mundial dos Pobres, criado pelo Papa Francisco em 2017. Luís Macieira Fragoso, Presidente da Caritas Diocesana de Lisboa, garante que esta é uma forma de "interpelar a humanidade" ou não fosse o problema da pobreza "uma chaga que nos interpela a todos".

Pobreza em Portugal. Uma em cada cinco pessoas em risco

in RTP

Neste Dia Mundial dos Pobres, olhamos para a situação em Portugal. Cerca de uma em cada cinco pessoas enfrenta o risco de pobreza ou de exclusão social. Em 2011, o risco de pobreza atingia 24,4 por cento da população portuguesa.

21.11.17

D. Jorge Ortiga quer clero preocupado com os pobres

Jorge Oliveira, in Diário do Minho

D. Jorge Ortiga presidiu à Abertura dos Seminários, que coincidiu no dia em que a Igreja celebrou o I Dia Mundial dos Pobres.

O Arcebispo de Braga pediu aos seminaristas e aos clérigos que se façam «pobres com os pobres e ricos com a misericórdia de Deus».

D. Jorge Ortiga deixou este apelo na sessão de Abertura dos Seminários, que teve lugar no Seminário Conciliar e coincidiu no dia em que a Igreja celebrou o I Dia Mundial dos Pobres.

«Olho, de modo, particular, para o drama da pobreza. Como é possível  que numa sociedade evoluída e próspera persista o drama da pobreza e não se unam vontades para acabar com este escândalo? Isto é verdade em países subdesenvolvido mas também entre nós. As franjas da carência do essencial são variadas e transformam o rosto das nossas cidades e aldeias. A pobreza mora ao lado nosso e não nos damos conta», observou o prelado.

Papa almoça com 1500 pobres e rejeita "indiferença" face à pobreza

in Público on-line

Iniciativa fez parte do programa do primeiro Dia Mundial dos Pobres, instituído por Francisco.

O Papa Francisco almoçou neste domingo com 1500 pobres no Salão Paulo VI do Vaticano, depois de celebrar uma missa na Basílica de São Pedro durante a qual rejeitou a "indiferença" para com os que se encontram em situação da pobreza.

A iniciativa converteu pela primeira vez o enorme auditório papal projectado pelo arquitecto italiano Pier Luigi Nervi numa sala de jantar, com mesas circulares organizadas em torno de outra central, onde o pontífice estava sentado.

A missa no Vaticano e o almoço fizeram parte do programa da celebração do primeiro Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa como alerta aos cristãos para ajudar as pessoas em situação desfavorecida.

Na homilia, Francisco disse que a "indiferença" é o "maior pecado contra os pobres" e que, para os cristãos, é um "dever evangélico" cuidar deles.

"Nós temos talentos, somos talentosos aos olhos de Deus. Por consequência, ninguém pode pensar que é inútil, ninguém pode dizer que é tão pobre ao ponto de não poder dar alguma coisa aos outros", declarou durante a missa na basílica de São Pedro, à qual assistiam cerca de 7000 necessitados.
"Temos frequentemente a ideia de não ter feito nada de mal e por isso contentamo-nos, presumindo sermos bons e justos. Mas não fazer nada de mal não chega. Porque Deus não é um controlador à procura de notas, é um pai à procura de filhos a quem confiar os seus bens e os seus projectos", sublinhou.
Para o chefe da Igreja de Roma, esta "omissão também é um grande pecado contra os pobres, assume um nome preciso: indiferença". É dizer: "Isso não me diz respeito, isso não é assunto meu, é culpa da sociedade".

Muitos dos pobres que assistiam são acompanhados por organizações de ajuda aos necessitados, que vieram principalmente de países europeus, embora também existissem refugiados de outras partes do mundo.

A banda da guarda do Vaticano e o coro Le dolci note animaram a o almoço, servido por cerca de 150 voluntários de diferentes dioceses e paróquias.
O menu foi preparado por um conhecido restaurante na cidade de Bassano del Grappa, na região do Veneto (Nordeste da Itália) e foi composto de gnochetti da Sardenha com tomate, azeitonas e queijo Collina Veneta, guisado com legumes, polenta e brócolos e tiramisu para a sobremesa.

Cerca de 2500 pessoas que participaram na missa foram convidadas a almoçar em cantinas de seminários e instituições católicas em Roma, como a Comunidade de Sant'Egidio, Cáritas, o Circolo di San Pietro ou o Pontifício Colégio Americano.

Durante esta semana, foram oferecidas consultas médicas com especialistas em cardiologia, dermatologia, doenças infecciosas, ginecologia e andrologia, gratuitamente, com o apoio de diferentes instituições médicas em Roma e no Vaticano, informou o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.
A assistência aos pobres, além do almoço oferecido no Vaticano, segue as iniciativas lançadas nos últimos anos durante o pontificado de Francisco, com o objectivo de ajudar as pessoas desfavorecidas nas imediações da Cidade do Vaticano.