Glória Lopes, in JN
Um estudo sobre a comunidade de imigrantes residente em Bragança aponta que a maioria já viveu situações de discriminação.
O inquérito tem uma amostra constituída por 60 pessoas, nomeadamente imigrantes residentes, requerentes ou não de asilo, trabalhadores, desempregados e estudantes-trabalhadores. Em 57 entrevistados, "39 referiram situações em que foram alvo de atitudes discriminatórias de índole diversa e onze assinalam não terem vivenciado qualquer situação negativa". Além disso, 22 inquiridos admitem a discriminação racial, relacionada com a cor da pele, que é percebida com uma conotação negativa.
"O preconceito racial não é subtil, mas totalmente aberto e rude como uma das mais insidiosas causas de incómodo no quotidiano", refere o trabalho realizado nos meses de setembro e outubro de 2020, no âmbito do "Estudo Imigrantes: Sombras e Claridades na Comunidade Brigantina", pela delegação distrital da Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN), em colaboração com a Escola Superior de Educação.
Este foi o primeiro estudo do género a ser realizado no concelho, referiu Ivone Florência, da EAPN.
É na altura de arrendar casas, no mercado de trabalho, por parte da entidade patronal, e no atendimento dos serviços públicos, comerciais ou empresariais, que os imigrantes se sentem mais discriminados.
Ainda assim, no que respeita ao acolhimento pela comunidade verifica-se que 40% considera-o "adequado" e 3,3% "pouco adequado".
Ivone Florência explicou que apesar do reduzido numero de inquiridos, o estudo " é um contributo relevante dado evidenciar grandes temas da imigração, como a discriminação, o preconceito existentes, a eterna burocratização da legalização, a carência de emprego e o não reconhecimento de direitos".
Mostrar mensagens com a etiqueta EAPN Portugal - Núcleo Distrital de Bragança. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta EAPN Portugal - Núcleo Distrital de Bragança. Mostrar todas as mensagens
30.10.18
Medidas de emprego criticadas por servirem para estatísticas e mão-de-obra barata
in a Voz de Trás-os-Montes
As políticas públicas de emprego foram hoje criticadas, em Bragança, por serem entendidas como destinadas a servirem apenas as estatísticas de diminuição de desemprego e aproveitadas por empresas e instituições para mão-de-obra barata.
A crítica foi assumida por Ivone Florêncio, responsável pelo Núcleo Distrital de Bragança da Rede Europeia Anti-pobreza (EAPN) durante um debate promovido por esta organização para assinalar o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
O tema do debate foi as "Fragilidades do Mercado de Trabalho Local - Desencontros entre a oferta e a procura” e, no entender daquela dirigente, a principal causa do desfasamento que existe é precisamente a forma como estão pensadas as políticas ativas de emprego.
“As medidas dão prioridade a pessoas que estão a receber subsídios como o de desemprego e RSI (Rendimento Social de Inserção) e essas pessoas dificilmente aceitam ir trabalhar porque já têm uma prestação, é um direito que elas têm e ao irem trabalhar em nada lhe vai ser compensatório relativamente ao que auferem”, afirmou.
Colocar um desempregado que está a receber subsídio a trabalhar não lhe vai modificar, como considerou, a situação de pobreza em que se encontra, nem garantir que vai ficar a trabalhar”
“A única coisa que vão estar é a trabalhar durante algum tempo afetas a uma instituição, a receber pouco mais do que o que receberiam estando em casa, fazendo as contas se calhar ainda vão receber menos com os custos que implica”, acrescentou.
Acresce ainda, segundo Ivone Florêncio, que “a maior parte das instituições querem pessoas que estejam a receber esses apoios porque lhe fica mais barato, ao centro de Emprego interessa-lhe colocar essas pessoas porque ao irem trabalhar deixam de contar para as estatísticas (do desemprego)”.
“Mas no fundo nem estão a contribuir para a empregabilidade, porque acabando a medida a pessoa volta a ficar desempregada, a instituição volta a ir buscar outra na mesma situação e temos aqui um ciclo”, observou.
Para esta técnica, “quem nunca trabalhou nem por aí consegue estar no mercado de trabalho porque nunca lhe dão essa oportunidade” e “o mesmo acontece com os estágios profissionais para recém-licenciados”.
E os baixos salários, reduzidos ao Salário Mínimo Nacional, são apontados também como a causa do desfasamento entre as ofertas de emprego existentes e que ficam vagas na região e a procura de trabalho por parte de desempregados.
“O ordenado mínimo nacional, apesar dos aumentos que tem tido, não é suficiente para as pessoas conseguirem ter uma vida livre de pobreza e de exclusão social.
Por alguma razão é que nós (em Portugal) temos uma percentagem tão grande de trabalhadores a viver na pobreza, um em cada dez”, indicou.
Feitas as contas, “o rendimento auferido não é o suficiente para fazer face às despesas diárias que o trabalho implica”, além das despesas familiares agravadas em regiões com o clima de Bragança pelos gastos em aquecimento no inverno.
“Um dos problemas do nosso mercado de trabalho é, além de o trabalho ser precário e não garantir estabilidade é o fraco rendimento que proporciona”, reiterou.
De acordo com Ivone Florêncio, na região não há estatísticas nem estudos de análise sobre estas questões, embora as entidades locais entendam que “o panorama vai muito ao encontro ao nacional: há uma desadequação entre as exigências das empresas e as qualificações das pessoas que estão disponíveis para trabalhar”.
As políticas públicas de emprego foram hoje criticadas, em Bragança, por serem entendidas como destinadas a servirem apenas as estatísticas de diminuição de desemprego e aproveitadas por empresas e instituições para mão-de-obra barata.
A crítica foi assumida por Ivone Florêncio, responsável pelo Núcleo Distrital de Bragança da Rede Europeia Anti-pobreza (EAPN) durante um debate promovido por esta organização para assinalar o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
O tema do debate foi as "Fragilidades do Mercado de Trabalho Local - Desencontros entre a oferta e a procura” e, no entender daquela dirigente, a principal causa do desfasamento que existe é precisamente a forma como estão pensadas as políticas ativas de emprego.
“As medidas dão prioridade a pessoas que estão a receber subsídios como o de desemprego e RSI (Rendimento Social de Inserção) e essas pessoas dificilmente aceitam ir trabalhar porque já têm uma prestação, é um direito que elas têm e ao irem trabalhar em nada lhe vai ser compensatório relativamente ao que auferem”, afirmou.
Colocar um desempregado que está a receber subsídio a trabalhar não lhe vai modificar, como considerou, a situação de pobreza em que se encontra, nem garantir que vai ficar a trabalhar”
“A única coisa que vão estar é a trabalhar durante algum tempo afetas a uma instituição, a receber pouco mais do que o que receberiam estando em casa, fazendo as contas se calhar ainda vão receber menos com os custos que implica”, acrescentou.
Acresce ainda, segundo Ivone Florêncio, que “a maior parte das instituições querem pessoas que estejam a receber esses apoios porque lhe fica mais barato, ao centro de Emprego interessa-lhe colocar essas pessoas porque ao irem trabalhar deixam de contar para as estatísticas (do desemprego)”.
“Mas no fundo nem estão a contribuir para a empregabilidade, porque acabando a medida a pessoa volta a ficar desempregada, a instituição volta a ir buscar outra na mesma situação e temos aqui um ciclo”, observou.
Para esta técnica, “quem nunca trabalhou nem por aí consegue estar no mercado de trabalho porque nunca lhe dão essa oportunidade” e “o mesmo acontece com os estágios profissionais para recém-licenciados”.
E os baixos salários, reduzidos ao Salário Mínimo Nacional, são apontados também como a causa do desfasamento entre as ofertas de emprego existentes e que ficam vagas na região e a procura de trabalho por parte de desempregados.
“O ordenado mínimo nacional, apesar dos aumentos que tem tido, não é suficiente para as pessoas conseguirem ter uma vida livre de pobreza e de exclusão social.
Por alguma razão é que nós (em Portugal) temos uma percentagem tão grande de trabalhadores a viver na pobreza, um em cada dez”, indicou.
Feitas as contas, “o rendimento auferido não é o suficiente para fazer face às despesas diárias que o trabalho implica”, além das despesas familiares agravadas em regiões com o clima de Bragança pelos gastos em aquecimento no inverno.
“Um dos problemas do nosso mercado de trabalho é, além de o trabalho ser precário e não garantir estabilidade é o fraco rendimento que proporciona”, reiterou.
De acordo com Ivone Florêncio, na região não há estatísticas nem estudos de análise sobre estas questões, embora as entidades locais entendam que “o panorama vai muito ao encontro ao nacional: há uma desadequação entre as exigências das empresas e as qualificações das pessoas que estão disponíveis para trabalhar”.
21.10.15
Rede anti-pobreza pede medidas que vão à raiz do problema
Olga Telo Cordeiro, in Nordeste
Associação promoveu em Bragança acção de sensibilização no dia internacional pela erradicação da pobreza
As políticas de combate à pobreza não são as mais adequadas para terminar com as situações de carência económica. Quem o afirma é Ivone Florêncio, Técnica do núcleo de Bragança da EAPN – a Rede Europeia Anti-pobreza Portugal, para quem as medidas assistencialistas e os poderes atribuídos a instituições sociais não resolvem as causas que estão na base das situações de pobreza. “As instituições só podem aplicar as medidas que são criadas, e que vão no sentido do assistencialismo, como dar comida ou roupa, não são medidas que actuem nas causas da pobreza”, frisa a responsável.
De acordo com Ivone Florêncio, este ciclo só será quebrado quando as políticas visarem combater o que está na origem das situações de carência económica, sustentando que “enquanto se criarem apenas medidas paliativas e de emergência social, as pessoas vão manter-se necessitadas daquele apoio a vida inteira, porque a sua situação não foi alterada”. De acordo com os dados mais recentes, em Portugal há mais de 2 milhões de pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza, ou seja, com menos de 411 euros por mês. Não há dados sobre o distrito, mas de acordo com a técnica do núcleo de Bragança, que trabalha com a maioria das instituições da cidade, “o número de pobreza tem aumentado, o número de procura e de famílias à procura de apoio crescente de famílias”.
O passado sábado, dia 17, foi o dia internacional para a erradicação da pobreza e para assinalar a data a entidade fez uma campanha em Bragança em que pedia que fossem escritas num mural propostas “para combater a pobreza, a exclusão social e defender os direitos humanos”. As sugestões de transeuntes e de utentes de instituições de solidariedade social de Bragança vão ser avaliadas e algumas delas poderão servir de base de trabalhos e projectos postas em prática pela EAPN. A juntar a esta acção de rua, a entidade apostou numa campanha com muppies que está nas ruas de sete municípios do distrito.
Associação promoveu em Bragança acção de sensibilização no dia internacional pela erradicação da pobreza
As políticas de combate à pobreza não são as mais adequadas para terminar com as situações de carência económica. Quem o afirma é Ivone Florêncio, Técnica do núcleo de Bragança da EAPN – a Rede Europeia Anti-pobreza Portugal, para quem as medidas assistencialistas e os poderes atribuídos a instituições sociais não resolvem as causas que estão na base das situações de pobreza. “As instituições só podem aplicar as medidas que são criadas, e que vão no sentido do assistencialismo, como dar comida ou roupa, não são medidas que actuem nas causas da pobreza”, frisa a responsável.
De acordo com Ivone Florêncio, este ciclo só será quebrado quando as políticas visarem combater o que está na origem das situações de carência económica, sustentando que “enquanto se criarem apenas medidas paliativas e de emergência social, as pessoas vão manter-se necessitadas daquele apoio a vida inteira, porque a sua situação não foi alterada”. De acordo com os dados mais recentes, em Portugal há mais de 2 milhões de pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza, ou seja, com menos de 411 euros por mês. Não há dados sobre o distrito, mas de acordo com a técnica do núcleo de Bragança, que trabalha com a maioria das instituições da cidade, “o número de pobreza tem aumentado, o número de procura e de famílias à procura de apoio crescente de famílias”.
O passado sábado, dia 17, foi o dia internacional para a erradicação da pobreza e para assinalar a data a entidade fez uma campanha em Bragança em que pedia que fossem escritas num mural propostas “para combater a pobreza, a exclusão social e defender os direitos humanos”. As sugestões de transeuntes e de utentes de instituições de solidariedade social de Bragança vão ser avaliadas e algumas delas poderão servir de base de trabalhos e projectos postas em prática pela EAPN. A juntar a esta acção de rua, a entidade apostou numa campanha com muppies que está nas ruas de sete municípios do distrito.
27.4.15
II Encontro Distrital de Dirigentes do Terceiro Setor
in Cãmara Municipal de Bragança
Naquele que foi o segundo Encontro Distrital de Dirigentes do Terceiro Setor, que se realizou no dia 22 de abril, e o Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, destacou o trabalho desenvolvido na área social.
“São diversas as medidas implementadas desde que chegámos ao governo da Câmara Municipal, como a redução da fatura da água em 70%, para as famílias mais carenciadas e para as numerosas, a entrega, gratuita, de manuais escolares ou a sua disponibilização, a metade do preço, a crianças mais desfavorecidas, bem como as refeições escolares”, sublinhou.
Tendo presente o dinâmico e frutífero trabalho desenvolvido pela rede social concelhia e distrital, o Presidente da Câmara Municipal de Bragança recordou, ainda, que a solidariedade não se confina ao território geográfico nacional.
“Conscientes das responsabilidades decorrentes dos acordos de cooperação e geminação desenvolvidos pelo Município, protagonizamos uma ajuda social com marco na intercontinentalidade, como se atesta, por exemplo, em ações de ajuda a São Tomé e Príncipe ou Timor”, informou.
O evento contou, entre outros, com a presença do Bispo da Diocese Bragança – Miranda, D. José Cordeiro, do Presidente da EAPN Portugal, Padre Jardim Moreira e do Coordenador do Núcleo Distrital de Bragança da EAPN Portugal, Pedro Guerra.
Naquele que foi o segundo Encontro Distrital de Dirigentes do Terceiro Setor, que se realizou no dia 22 de abril, e o Presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, destacou o trabalho desenvolvido na área social.
“São diversas as medidas implementadas desde que chegámos ao governo da Câmara Municipal, como a redução da fatura da água em 70%, para as famílias mais carenciadas e para as numerosas, a entrega, gratuita, de manuais escolares ou a sua disponibilização, a metade do preço, a crianças mais desfavorecidas, bem como as refeições escolares”, sublinhou.
Tendo presente o dinâmico e frutífero trabalho desenvolvido pela rede social concelhia e distrital, o Presidente da Câmara Municipal de Bragança recordou, ainda, que a solidariedade não se confina ao território geográfico nacional.
“Conscientes das responsabilidades decorrentes dos acordos de cooperação e geminação desenvolvidos pelo Município, protagonizamos uma ajuda social com marco na intercontinentalidade, como se atesta, por exemplo, em ações de ajuda a São Tomé e Príncipe ou Timor”, informou.
O evento contou, entre outros, com a presença do Bispo da Diocese Bragança – Miranda, D. José Cordeiro, do Presidente da EAPN Portugal, Padre Jardim Moreira e do Coordenador do Núcleo Distrital de Bragança da EAPN Portugal, Pedro Guerra.
3.12.14
Novos casos de violência doméstica dispararam no distrito de Bragança
in RTP
O número de novos casos de violência doméstica denunciados disparou em 2014 no distrito de Bragança, com um aumento de 32 por cento em relação ao ano passado, divulgou hoje o Núcleo (distrital) de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica.
"A dimensão do agravamento é brutal, estamos a falar de um aumento de 32 por cento em relação a 2013, no distrito de Bragança, temos 182 vítimas sinalizadas, novos casos, não são os que transitam de um ano para o outro", indicou Teresa Fernandes, psicóloga do núcleo, realçando que "2014 tem sido um ano negro em diversos aspetos".
Em Portugal, mais de 30 mulheres morreram às mãos de companheiros ou ex-companheiros e as estatísticas do observatório nacional de mulheres assassinadas revelam uma vítima mortal nesta região que, "desde 2006", não registava um caso desta gravidade extrema, de acordo ainda com a técnica.
Os dados e a problemática estão a ser debates desde hoje, e durante dois em Bragança, nas primeiras jornadas ibéricas sobre Violência Doméstica, promovidas pela Associação dos Socorros Mútuos e Artistas de Bragança (ASMAB), entidade que acolhe o núcleo de apoio às vítimas.
De acordo com a técnica Teresa Fernandes, há, nesta região, "novos casos de violência em famílias onde antes nunca tinha havido situações de violência seja física, seja psicológica" e que "fruto da crise financeira, da crise social, da crise familiar, hoje funcionam desadequadamente e de uma forma não saudável nesta base da violência".
Os casos extremos são os mais visíveis, mas os técnicos lidam também com o lado mais encoberto de "casos de violência grave em escala que envolve não só as mulheres, mas também filhos e idosos".
"Temos muitos idosos a viver atualmente em casa de agregados familiares como forma de sustento da economia doméstica e que são afetados por esta violência dirigida no seio familiar", apontou, realçando que muitos destes idosos "nunca foram vítimas de violência doméstica na conjugalidade e que o são agora, de violência perpetrada por filhos, filhas, noras, genros e netos".
A ASMAB tem há vários anos um projeto para a construção de uma Casa Abrigo para vítimas de violência doméstica que, segundo adiantou hoje o presidente, deverá iniciar-se em 2015 e estar a funcionar dentro de dois anos.
O projeto tem um custo de 800 mil euros, com uma comparticipação garantida até 75 por cento e vai criar 30 vagas, numa região onde existe apenas um equipamento do género, a Casa Abrigo da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, com cinco vagas disponíveis.
As jornadas ibéricas que decorrem em Bragança reúnem vários parceiros, entre os quais a Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN), cujo representante em Portugal, o padre Agostinho Jardim Moreira classificou a violência como "o maior fator de pobreza, pior do que não ter comida".
"Tudo que é contra a vida, que destrói a vida, é o maior fator de pobreza. Se a pessoa humana é atingida nos seus direitos, na sua dignidade, na sua liberdade, ela está a ser gravemente empobrecida na sua pessoa", acentuou.
O número de novos casos de violência doméstica denunciados disparou em 2014 no distrito de Bragança, com um aumento de 32 por cento em relação ao ano passado, divulgou hoje o Núcleo (distrital) de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica.
"A dimensão do agravamento é brutal, estamos a falar de um aumento de 32 por cento em relação a 2013, no distrito de Bragança, temos 182 vítimas sinalizadas, novos casos, não são os que transitam de um ano para o outro", indicou Teresa Fernandes, psicóloga do núcleo, realçando que "2014 tem sido um ano negro em diversos aspetos".
Em Portugal, mais de 30 mulheres morreram às mãos de companheiros ou ex-companheiros e as estatísticas do observatório nacional de mulheres assassinadas revelam uma vítima mortal nesta região que, "desde 2006", não registava um caso desta gravidade extrema, de acordo ainda com a técnica.
Os dados e a problemática estão a ser debates desde hoje, e durante dois em Bragança, nas primeiras jornadas ibéricas sobre Violência Doméstica, promovidas pela Associação dos Socorros Mútuos e Artistas de Bragança (ASMAB), entidade que acolhe o núcleo de apoio às vítimas.
De acordo com a técnica Teresa Fernandes, há, nesta região, "novos casos de violência em famílias onde antes nunca tinha havido situações de violência seja física, seja psicológica" e que "fruto da crise financeira, da crise social, da crise familiar, hoje funcionam desadequadamente e de uma forma não saudável nesta base da violência".
Os casos extremos são os mais visíveis, mas os técnicos lidam também com o lado mais encoberto de "casos de violência grave em escala que envolve não só as mulheres, mas também filhos e idosos".
"Temos muitos idosos a viver atualmente em casa de agregados familiares como forma de sustento da economia doméstica e que são afetados por esta violência dirigida no seio familiar", apontou, realçando que muitos destes idosos "nunca foram vítimas de violência doméstica na conjugalidade e que o são agora, de violência perpetrada por filhos, filhas, noras, genros e netos".
A ASMAB tem há vários anos um projeto para a construção de uma Casa Abrigo para vítimas de violência doméstica que, segundo adiantou hoje o presidente, deverá iniciar-se em 2015 e estar a funcionar dentro de dois anos.
O projeto tem um custo de 800 mil euros, com uma comparticipação garantida até 75 por cento e vai criar 30 vagas, numa região onde existe apenas um equipamento do género, a Casa Abrigo da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, com cinco vagas disponíveis.
As jornadas ibéricas que decorrem em Bragança reúnem vários parceiros, entre os quais a Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN), cujo representante em Portugal, o padre Agostinho Jardim Moreira classificou a violência como "o maior fator de pobreza, pior do que não ter comida".
"Tudo que é contra a vida, que destrói a vida, é o maior fator de pobreza. Se a pessoa humana é atingida nos seus direitos, na sua dignidade, na sua liberdade, ela está a ser gravemente empobrecida na sua pessoa", acentuou.
Novos casos de violência doméstica dispararam no distrito de Bragança
in o Observador
Número de novos casos de violência doméstica denunciados disparou em 2014 no distrito de Bragança, com um aumento de 32% em relação ao ano passado.
O número de novos casos de violência doméstica denunciados disparou em 2014 no distrito de Bragança, com um aumento de 32% por cento em relação ao ano passado, divulgou nesta terça-feira o Núcleo (distrital) de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica. “A dimensão do agravamento é brutal, estamos a falar de um aumento de 32 por cento em relação a 2013, no distrito de Bragança, temos 182 vítimas sinalizadas, novos casos, não são os que transitam de um ano para o outro”, indicou Teresa Fernandes, psicóloga do núcleo, realçando que “2014 tem sido um ano negro em diversos aspetos”.
Em Portugal, mais de 30 mulheres morreram às mãos de companheiros ou ex-companheiros e as estatísticas do observatório nacional de mulheres assassinadas revelam uma vítima mortal nesta região que, “desde 2006″, não registava um caso desta gravidade extrema, de acordo ainda com a técnica.
Os dados e a problemática estão a ser debates desde hoje, e durante dois dias em Bragança, nas primeiras jornadas ibéricas sobre Violência Doméstica, promovidas pela Associação dos Socorros Mútuos e Artistas de Bragança (ASMAB), entidade que acolhe o núcleo de apoio às vítimas.
De acordo com a técnica Teresa Fernandes, há, nesta região, “novos casos de violência em famílias onde antes nunca tinha havido situações de violência seja física, seja psicológica” e que “fruto da crise financeira, da crise social, da crise familiar, hoje funcionam desadequadamente e de uma forma não saudável nesta base da violência”. Os casos extremos são os mais visíveis, mas os técnicos lidam também com o lado mais encoberto de “casos de violência grave em escala que envolve não só as mulheres, mas também filhos e idosos”.
“Temos muitos idosos a viver atualmente em casa de agregados familiares como forma de sustento da economia doméstica e que são afetados por esta violência dirigida no seio familiar”, apontou, realçando que muitos destes idosos “nunca foram vítimas de violência doméstica na conjugalidade e que o são agora, de violência perpetrada por filhos, filhas, noras, genros e netos”.
A ASMAB tem há vários anos um projeto para a construção de uma Casa Abrigo para vítimas de violência doméstica que, segundo adiantou hoje o presidente, deverá iniciar-se em 2015 e estar a funcionar dentro de dois anos. O projeto tem um custo de 800 mil euros, com uma comparticipação garantida até 75 por cento e vai criar 30 vagas, numa região onde existe apenas um equipamento do género, a Casa Abrigo da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, com cinco vagas disponíveis.
As jornadas ibéricas que decorrem em Bragança reúnem vários parceiros, entre os quais a Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN), cujo representante em Portugal, o padre Agostinho Jardim Moreira classificou a violência como “o maior fator de pobreza, pior do que não ter comida”. “Tudo que é contra a vida, que destrói a vida, é o maior fator de pobreza. Se a pessoa humana é atingida nos seus direitos, na sua dignidade, na sua liberdade, ela está a ser gravemente empobrecida na sua pessoa”, acentuou.
Número de novos casos de violência doméstica denunciados disparou em 2014 no distrito de Bragança, com um aumento de 32% em relação ao ano passado.
O número de novos casos de violência doméstica denunciados disparou em 2014 no distrito de Bragança, com um aumento de 32% por cento em relação ao ano passado, divulgou nesta terça-feira o Núcleo (distrital) de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica. “A dimensão do agravamento é brutal, estamos a falar de um aumento de 32 por cento em relação a 2013, no distrito de Bragança, temos 182 vítimas sinalizadas, novos casos, não são os que transitam de um ano para o outro”, indicou Teresa Fernandes, psicóloga do núcleo, realçando que “2014 tem sido um ano negro em diversos aspetos”.
Em Portugal, mais de 30 mulheres morreram às mãos de companheiros ou ex-companheiros e as estatísticas do observatório nacional de mulheres assassinadas revelam uma vítima mortal nesta região que, “desde 2006″, não registava um caso desta gravidade extrema, de acordo ainda com a técnica.
Os dados e a problemática estão a ser debates desde hoje, e durante dois dias em Bragança, nas primeiras jornadas ibéricas sobre Violência Doméstica, promovidas pela Associação dos Socorros Mútuos e Artistas de Bragança (ASMAB), entidade que acolhe o núcleo de apoio às vítimas.
De acordo com a técnica Teresa Fernandes, há, nesta região, “novos casos de violência em famílias onde antes nunca tinha havido situações de violência seja física, seja psicológica” e que “fruto da crise financeira, da crise social, da crise familiar, hoje funcionam desadequadamente e de uma forma não saudável nesta base da violência”. Os casos extremos são os mais visíveis, mas os técnicos lidam também com o lado mais encoberto de “casos de violência grave em escala que envolve não só as mulheres, mas também filhos e idosos”.
“Temos muitos idosos a viver atualmente em casa de agregados familiares como forma de sustento da economia doméstica e que são afetados por esta violência dirigida no seio familiar”, apontou, realçando que muitos destes idosos “nunca foram vítimas de violência doméstica na conjugalidade e que o são agora, de violência perpetrada por filhos, filhas, noras, genros e netos”.
A ASMAB tem há vários anos um projeto para a construção de uma Casa Abrigo para vítimas de violência doméstica que, segundo adiantou hoje o presidente, deverá iniciar-se em 2015 e estar a funcionar dentro de dois anos. O projeto tem um custo de 800 mil euros, com uma comparticipação garantida até 75 por cento e vai criar 30 vagas, numa região onde existe apenas um equipamento do género, a Casa Abrigo da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, com cinco vagas disponíveis.
As jornadas ibéricas que decorrem em Bragança reúnem vários parceiros, entre os quais a Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN), cujo representante em Portugal, o padre Agostinho Jardim Moreira classificou a violência como “o maior fator de pobreza, pior do que não ter comida”. “Tudo que é contra a vida, que destrói a vida, é o maior fator de pobreza. Se a pessoa humana é atingida nos seus direitos, na sua dignidade, na sua liberdade, ela está a ser gravemente empobrecida na sua pessoa”, acentuou.
9.10.14
Outono inspira idosos do concelho de Bragança
in Jornal do Nordeste
Folhas secas e ouriços foram alguns dos elementos utilizados pelos utentes das instituições para decorar as telas
Cerca de 100 idosos do concelho de Bragança pintaram e decoraram telas, na passada quinta-feira, inspiradas no tema “Outono na nossa terra”. Esta actividade, inserida no projecto Idosos (Com)vida, foi promovida pelo Núcleo Distrital da Rede Europeia Anti – Pobreza (EAPN), em parceria com sete instituições de apoio a idosos.
Ivone Florêncio, técnica distrital da EAPN, explica que este é um projecto que começou em 2011 e que tem tido uma boa adesão por parte das instituições, porque “tem sido visto como uma mais valia para as instituições e para os idosos”.
O tema “Outono na nossa terra” faz recordar velhos tempos e tradições aos idosos.
“Nesta época começavam-se as vindimas, depois fazia-se a sementeira dos cereais e depois entrava-se na época da matança dos porcos”, recorda António Vaz, de 88 anos.
Recordações comuns a Maria Centena, de 97 anos. “Fazia-se a sementeira, apanhavam-se as castanhas, ia-se ao nabal buscar comida para os animais, íamos lavrar…”, acrescenta a idosa.
Na decoração das telas predominaram elementos desta estação do ano recolhidos no campo, como folhas secas e ouriços de castanhas. Antes de porem “mãos à obra”, os idosos visitaram o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e o Centro de Fotografia Georges Dussaut, onde vão ficar expostos os trabalhos realizados pelos utentes das instituições.
Folhas secas e ouriços foram alguns dos elementos utilizados pelos utentes das instituições para decorar as telas
Cerca de 100 idosos do concelho de Bragança pintaram e decoraram telas, na passada quinta-feira, inspiradas no tema “Outono na nossa terra”. Esta actividade, inserida no projecto Idosos (Com)vida, foi promovida pelo Núcleo Distrital da Rede Europeia Anti – Pobreza (EAPN), em parceria com sete instituições de apoio a idosos.
Ivone Florêncio, técnica distrital da EAPN, explica que este é um projecto que começou em 2011 e que tem tido uma boa adesão por parte das instituições, porque “tem sido visto como uma mais valia para as instituições e para os idosos”.
O tema “Outono na nossa terra” faz recordar velhos tempos e tradições aos idosos.
“Nesta época começavam-se as vindimas, depois fazia-se a sementeira dos cereais e depois entrava-se na época da matança dos porcos”, recorda António Vaz, de 88 anos.
Recordações comuns a Maria Centena, de 97 anos. “Fazia-se a sementeira, apanhavam-se as castanhas, ia-se ao nabal buscar comida para os animais, íamos lavrar…”, acrescenta a idosa.
Na decoração das telas predominaram elementos desta estação do ano recolhidos no campo, como folhas secas e ouriços de castanhas. Antes de porem “mãos à obra”, os idosos visitaram o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e o Centro de Fotografia Georges Dussaut, onde vão ficar expostos os trabalhos realizados pelos utentes das instituições.
31.5.12
Especialistas: RSI só por si não resolve exclusão de ciganos
in TVI24
Núcleo de Bragança da EANP Portugal convidou várias entidades para refletirem sobre integração desta comunidade
«Rendimento mínimo garantido parece-me sempre assalariar a exclusão»A concessão do rendimento Social de Inserção (RSI) ou mesmo arranjar casa e um emprego têm-se revelado insuficientes para resolver o problema da exclusão social da comunidade cigana em Portugal, concluiu hoje um fórum sobre o tema, em Bragança.
De acordo com a Lusa, o núcleo distrital de Bragança da EANP Portugal, a rede europeia contra a pobreza, convidou hoje várias entidades para refletirem sobre a problemática de integração desta comunidade.
Os organizadores querem, com as conclusões elaborar um plano abrangente e, sobretudo articulado entre diferentes instituições por entenderem que está comprovado que a solução para os problemas desta comunidade não passa apenas pela atribuição de subsídios, casa ou emprego.
«Se não for feito mais nada com a família, se não houver uma intervenção articulada e programada, a medida por si só não vai resolver nada e aí então vai-se eternizar porque as condições da família mantiveram-se», concluiu Ivone Florêncio.
A técnica do núcleo de Bragança da EANP ressalva que estas medidas são importantes, mas defende que têm de ser acompanhadas de ações para dar a estas famílias competências para uma efetiva integração.
«O que tem sido, essencialmente feito são ações esporádicas que não têm continuidade, que não têm o envolvimento, nem o comprometimento dos próprios beneficiários», afirmou.
Para esta técnica, o RSI, por exemplo, «é uma importante medida de combate à pobreza e à exclusão social, pelo menos, na minimização das consequências da pobreza extrema, mas por si só não pode ser um fim».
Tem de ser pensadas «outras intervenções cumulativamente», defendeu, acrescentando que «o mesmo sucede quando se dá uma casa sem ensinar condições básicas de convivência».
«A intervenção social, seja com este tipo de beneficiários, seja com qualquer comunidade desfavorecida ou em situação de exclusão não pode passar por aqui, têm de ser ações articuladas, programas em parceria, continuados no tempo para que possam ter resultado porque ações pontuais não resultam», concluiu.
O número de indivíduos de etnia cigana no Distrito de Bragança é desconhecido, segundo a técnica, porque ainda nenhuma entidade fez um levantamento exaustivo dificultado também pela rotatividade destas comunidades.
Sabem, contudo que «existe uma comunidade cigana significativa na região e que praticamente todos os concelhos do distrito têm um avultado número de famílias ciganas e a maior parte a viverem sem condições condignas».
No momento de crise como o que o país enfrenta, as dificuldades desta comunidade vulnerável à pobreza e exclusão aumentam.
«Se nós que não somos de etnia cigana temos dificuldades de integração no mercado de trabalho e de assegurar postos de trabalho, estas pessoas sentem o dobro das dificuldades porque, além das dificuldades que nós sentimos, sentem a exclusão pelo facto de serem de etnia cigana», disse.
Núcleo de Bragança da EANP Portugal convidou várias entidades para refletirem sobre integração desta comunidade
«Rendimento mínimo garantido parece-me sempre assalariar a exclusão»A concessão do rendimento Social de Inserção (RSI) ou mesmo arranjar casa e um emprego têm-se revelado insuficientes para resolver o problema da exclusão social da comunidade cigana em Portugal, concluiu hoje um fórum sobre o tema, em Bragança.
De acordo com a Lusa, o núcleo distrital de Bragança da EANP Portugal, a rede europeia contra a pobreza, convidou hoje várias entidades para refletirem sobre a problemática de integração desta comunidade.
Os organizadores querem, com as conclusões elaborar um plano abrangente e, sobretudo articulado entre diferentes instituições por entenderem que está comprovado que a solução para os problemas desta comunidade não passa apenas pela atribuição de subsídios, casa ou emprego.
«Se não for feito mais nada com a família, se não houver uma intervenção articulada e programada, a medida por si só não vai resolver nada e aí então vai-se eternizar porque as condições da família mantiveram-se», concluiu Ivone Florêncio.
A técnica do núcleo de Bragança da EANP ressalva que estas medidas são importantes, mas defende que têm de ser acompanhadas de ações para dar a estas famílias competências para uma efetiva integração.
«O que tem sido, essencialmente feito são ações esporádicas que não têm continuidade, que não têm o envolvimento, nem o comprometimento dos próprios beneficiários», afirmou.
Para esta técnica, o RSI, por exemplo, «é uma importante medida de combate à pobreza e à exclusão social, pelo menos, na minimização das consequências da pobreza extrema, mas por si só não pode ser um fim».
Tem de ser pensadas «outras intervenções cumulativamente», defendeu, acrescentando que «o mesmo sucede quando se dá uma casa sem ensinar condições básicas de convivência».
«A intervenção social, seja com este tipo de beneficiários, seja com qualquer comunidade desfavorecida ou em situação de exclusão não pode passar por aqui, têm de ser ações articuladas, programas em parceria, continuados no tempo para que possam ter resultado porque ações pontuais não resultam», concluiu.
O número de indivíduos de etnia cigana no Distrito de Bragança é desconhecido, segundo a técnica, porque ainda nenhuma entidade fez um levantamento exaustivo dificultado também pela rotatividade destas comunidades.
Sabem, contudo que «existe uma comunidade cigana significativa na região e que praticamente todos os concelhos do distrito têm um avultado número de famílias ciganas e a maior parte a viverem sem condições condignas».
No momento de crise como o que o país enfrenta, as dificuldades desta comunidade vulnerável à pobreza e exclusão aumentam.
«Se nós que não somos de etnia cigana temos dificuldades de integração no mercado de trabalho e de assegurar postos de trabalho, estas pessoas sentem o dobro das dificuldades porque, além das dificuldades que nós sentimos, sentem a exclusão pelo facto de serem de etnia cigana», disse.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


