in Porto Canal
A Fundação Rotária Portuguesa (FRP) ofereceu 150 'tablets' a diversas entidades com o objetivo de melhorar a comunicação entre idosos institucionalizados e os seus familiares, foi este domingo anunciado.
“Neste projeto, os clubes rotários tiveram um papel primordial, nomeadamente na identificação e escolha das instituições a contemplar com a oferta dos equipamentos, mas também na comparticipação parcial do custo final”, disse à agência Lusa Fernando Regateiro, que integra a administração da FRP em representação do Distrito 1970 – RC Coimbra.
Tendo em conta “os ganhos que, reconhecidamente, as tecnologias de informação e comunicação podem dar para um envelhecimento ativo e saudável”, a FRP decidiu desenvolver um projeto “destinado a colmatar esta necessidade da população sénior residente em instituições”, permitindo também tirar partido das “componentes lúdica e educativa”, sublinhou.
A funcionalidade dos 'tablets', na ótica dos futuros utilizadores, “foi previamente testada por residentes” das instituições contempladas.
“Trinta e quatro clubes rotários, de norte a sul do país, manifestaram interesse em participar neste projeto de ação, através da aquisição de um número variável de unidades”, adiantou Fernando Regateiro, ao informar que o “Projeto dos Tablets” começou no ano rotário 2020/2021, culminando agora, no ano rotário 2022/2023.
A iniciativa, segundo o catedrático de Medicina da Universidade de Coimbra, “contemplou a aquisição de 150 'tablets' especificamente preparados” pela empresa J. P. Sá Couto, que “dotou os equipamentos com 'software' adequado à faixa etária a que se destina e design específico, nele incluindo a chancela” da FRP e das entidades parceiras.
“Neste momento, a Fundação Rotária Portuguesa está a terminar a distribuição dos equipamentos pelos clubes [associados], estando já a ocorrer (…) a sua entrega às instituições escolhidas”, de acordo com uma nota da FRP enviada à Lusa.
Para Fernando Regateiro, ex-presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), citado no texto, esta “será, seguramente, uma excelente prenda de Natal”, com apoio da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (IN-CM), Banco de Portugal e empresa Aliança Vinhos.
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14.9.21
Envelhecer no mundo digital
Alexandra Paio, Docente do ISCTE-IUL, opinião, in Económico on-line
O conceito Ambientes de Vivência Assistida tem como objetivo central apoiar o desenvolvimento de soluções tecnológicas que promovam o envelhecimento.
A tecnologia conquistou um lugar central no cotidiano de todos nós. O papel desta na promoção de soluções de apoio a um envelhecimento ativo e saudável, tem sido essencial na resposta aos desafios relacionados com o aumento da esperança média de vida da população e dos problemas associados.
Os números do Eurostat são claros, os europeus vivem mais do que nunca, prevendo-se que mais de metade da população da União Europeia terá mais de 65 anos em 2070. Esta evidencia tem implicações profundas, não apenas na sociedade, mas também na tomada de decisão de governos e empresas, bem como no desenho das nossas cidades.
Em 2021, a organização mundial de saúde define, no âmbito do relatório para uma Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030), objetivos interrelacionados que todos os cidadãos sénior devem usufruir: a capacidade de atender às necessidades básicas; continuar a aprender e a tomar decisões; ter mobilidade e acessibilidade aos espaços públicos e assim construir e manter relacionamentos; e contribuir ativamente para a sociedade.
A independência e qualidade de vida dos cidadãos sénior na sociedade através de modelos sustentáveis de apoio à saúde e assistência social, mercados de trabalho, finanças públicas, bem como à segurança, à escala da casa e da cidade, são desafios do conceito Ambientes de Vivência Assistida, do inglês Ambient Assisted Living (AAL).
O conceito AAL tem como objetivo central apoiar o desenvolvimento de soluções tecnológicas que promovam o envelhecimento ativo, tendo sempre em conta as necessidades bio-psico-sociais, recursos humanos e materiais disponíveis. Neste contexto, as tecnologia de informação e comunicação (TIC) assumem protagonismo na criação de produtos, serviços e sistemas para fornecer às pessoas mais vulneráveis num ambiente seguro, que melhore a sua qualidade de vida e reduza os custos de saúde e assistência social associados.
O programa europeu AAL apresenta um conjunto de histórias de sucesso que visam melhorar a qualidade de vida e a autonomia dos mais velhos, através de projetos de natureza inovadora, internacional e multidisciplinar, nomeadamente, gestão da doença crónica, inclusão social, acesso a serviços online, mobilidade, gestão de atividades diárias e apoio por cuidadores informais. A perspetiva é ampla e inclui, diferentes tipos de projetos: AAL em casa (casa de família, casa/apartamentos com abrigo ou apoio, casa de repouso, etc.) e no espaço público (móvel); AAL na comunidade e AAL no trabalho.
Em Portugal, as parcerias estabelecidas no âmbito da investigação, como universidades e centros tecnológicos, através de processos participativos envolvendo os vários setores da sociedade, instituições de saúde públicas e privadas (hospitais, companhias de seguros ou as operadoras de telecomunicações), tem possibilitado codesenhar e disseminar soluções fundamentais para a entrada em novos mercados.
As parcerias e recursos AAL tem, também, uma missão fundamental nas cidades. O projeto Porto4Ageing, com mais 90 organizações – Decisores/Prestadores de Cuidados; Empresas/Indústria; Academia/Investigação e Sociedade Civil/Utilizadores –, é um exemplo na promoção e convergência local para atingir os objetivos propostos para a próxima década. Como afirmam, “o sucesso do uso de ferramentas digitais na área do envelhecimento ativo e saudável depende da contribuição ativa dos ecossistemas de inovação locais e regionais e das suas organizações, incluindo a indústria, a sociedade civil, as universidades e os decisores públicos”.
O conceito Ambientes de Vivência Assistida tem como objetivo central apoiar o desenvolvimento de soluções tecnológicas que promovam o envelhecimento.
A tecnologia conquistou um lugar central no cotidiano de todos nós. O papel desta na promoção de soluções de apoio a um envelhecimento ativo e saudável, tem sido essencial na resposta aos desafios relacionados com o aumento da esperança média de vida da população e dos problemas associados.
Os números do Eurostat são claros, os europeus vivem mais do que nunca, prevendo-se que mais de metade da população da União Europeia terá mais de 65 anos em 2070. Esta evidencia tem implicações profundas, não apenas na sociedade, mas também na tomada de decisão de governos e empresas, bem como no desenho das nossas cidades.
Em 2021, a organização mundial de saúde define, no âmbito do relatório para uma Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030), objetivos interrelacionados que todos os cidadãos sénior devem usufruir: a capacidade de atender às necessidades básicas; continuar a aprender e a tomar decisões; ter mobilidade e acessibilidade aos espaços públicos e assim construir e manter relacionamentos; e contribuir ativamente para a sociedade.
A independência e qualidade de vida dos cidadãos sénior na sociedade através de modelos sustentáveis de apoio à saúde e assistência social, mercados de trabalho, finanças públicas, bem como à segurança, à escala da casa e da cidade, são desafios do conceito Ambientes de Vivência Assistida, do inglês Ambient Assisted Living (AAL).
O conceito AAL tem como objetivo central apoiar o desenvolvimento de soluções tecnológicas que promovam o envelhecimento ativo, tendo sempre em conta as necessidades bio-psico-sociais, recursos humanos e materiais disponíveis. Neste contexto, as tecnologia de informação e comunicação (TIC) assumem protagonismo na criação de produtos, serviços e sistemas para fornecer às pessoas mais vulneráveis num ambiente seguro, que melhore a sua qualidade de vida e reduza os custos de saúde e assistência social associados.
O programa europeu AAL apresenta um conjunto de histórias de sucesso que visam melhorar a qualidade de vida e a autonomia dos mais velhos, através de projetos de natureza inovadora, internacional e multidisciplinar, nomeadamente, gestão da doença crónica, inclusão social, acesso a serviços online, mobilidade, gestão de atividades diárias e apoio por cuidadores informais. A perspetiva é ampla e inclui, diferentes tipos de projetos: AAL em casa (casa de família, casa/apartamentos com abrigo ou apoio, casa de repouso, etc.) e no espaço público (móvel); AAL na comunidade e AAL no trabalho.
Em Portugal, as parcerias estabelecidas no âmbito da investigação, como universidades e centros tecnológicos, através de processos participativos envolvendo os vários setores da sociedade, instituições de saúde públicas e privadas (hospitais, companhias de seguros ou as operadoras de telecomunicações), tem possibilitado codesenhar e disseminar soluções fundamentais para a entrada em novos mercados.
As parcerias e recursos AAL tem, também, uma missão fundamental nas cidades. O projeto Porto4Ageing, com mais 90 organizações – Decisores/Prestadores de Cuidados; Empresas/Indústria; Academia/Investigação e Sociedade Civil/Utilizadores –, é um exemplo na promoção e convergência local para atingir os objetivos propostos para a próxima década. Como afirmam, “o sucesso do uso de ferramentas digitais na área do envelhecimento ativo e saudável depende da contribuição ativa dos ecossistemas de inovação locais e regionais e das suas organizações, incluindo a indústria, a sociedade civil, as universidades e os decisores públicos”.
9.11.20
Como está a economia digital a reproduzir a desigualdade de género?
Ana Cristina Pereira, in Público on-line
Correm maior risco de perder o emprego com a automação e estão menos presentes no sector das tecnologias de informação e comunicação, onde se ganha melhor e muito se joga. A transição para o digital no trabalho não está a evitar a segregação profissional, nem a diminuir a disparidade salarial ou a sobrecarga com a casa e a família.O risco da automação
Sobe para 166 o número de municípios com plano para a igualdade
O debate sobre o futuro do trabalho tem estado muito centrado no papel crescente das tecnologias numa economia que se quer dinâmica e sustentável. E a transição digital, muitas vezes apresentada como a panaceia para aumentar a produtividade e a competitividade, tem um lado “perturbador”: levará ao desaparecimento de uns empregos e à reformulação de outros.
Não será igual em todos os países, nem em todos os sectores, mas, na União Europeia, as mulheres correm um risco ligeiramente maior de ver o seu emprego suprimido pela robótica e outros avanços tecnológicos. As previsões agora apresentadas pelo EIGE reforçam o que já antes fora anunciado pelo Fundo Monetário Internacional e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
A tradicional segregação de profissões por género dita esse destino, como diz Jakub Caisl, um dos autores do relatório, em entrevista por email. “Em diferentes áreas, as mulheres representam a maior porção de trabalhadores entregues a tarefas rotineiras e repetitivas. Em termos históricos, a perda de empregos para a automação está associada a trabalho administrativo, apoio ao cliente, serviço financeiro, áreas que se tinham aberto às mulheres.”
Como evitar que isso contribua para aumentar a expressiva desigualdade entre homens e mulheres? “Em primeiro lugar, será necessário garantir a igualdade de género em relação às políticas de apoio aos trabalhadores desempregados pela digitalização; historicamente, tais políticas têm sido, de forma inadvertida, contra as mulheres, concentrando-se em sectores industriais dominados por homens, e não no sector dos serviços”, enuncia. “Em segundo lugar, será necessário envolver as mulheres na gestão desta transformação. Finalmente, serão necessários esforços para disponibilizar novas oportunidades de emprego a todos, por exemplo, quebrando estereótipos de género ocupacional e promovendo empregos sustentáveis, que permitam um bom equilíbrio entre vida pessoal e profissional.”
O perito vê algumas “tendências positivas”. “Embora as mulheres enfrentem um risco um pouco maior de automação com base nos padrões de emprego actuais, há sinais de que a estrutura de emprego das mulheres está a mudar. O sucesso educacional das mulheres cresceu rapidamente e muitas lacunas de género na educação já foram eliminadas. As mulheres começaram a assumir grande parte dos novos empregos altamente qualificados que provavelmente não serão automatizados.” Mas muitas dos novos empregos com melhor salário assentam nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla inglesa), em particular nas tecnologias de informação e comunicação (TIC). E aí o ponto de partida de homens e mulheres está muitíssimo longe de ser igualitário.
O desafio das TIC
Não se pode dizer que haja uma diferença significativa no uso diário que cada um faz da Internet. Na população entre os 16 e os 74 anos da União Europeia, mulheres (78%) e homens (80%) até gozam de semelhante acesso — e Portugal não é excepção (64% para 67%). Ficam para trás, sim, nos grupos mais velhos e menos escolarizados. Quando o que está em jogo é o acesso ao mercado de trabalho, porém, mais do que as competências digitais básicas, como utilizar um motor de busca ou aceder a redes sociais, importam as competências avançadas, como a capacidade de resolver problemas. E aí a diferença é de 31% para 36% (em Portugal, 30% para 34%).
Não é o mesmo em todas as fases da vida, nem em todos os níveis de escolaridade. Os jovens, que já nasceram com computador, telemóvel e Internet, têm mais competências. E nessa faixa etária, 16-24, mal se consegue distinguir raparigas (59%) de rapazes (60%). A diferença alarga-se com a idade. E é muito visível no nível de educação formal médio: 64% das mulheres e 74% dos homens têm competências acima do básico (56% para 71% em Portugal).
Os mais optimistas dirão que os jovens estão no bom caminho e que o resto se resolve com a chamada formação ao longo da vida. Não é isso que se depreende do relatório do EIGE. As mulheres (18%) revelam-se menos disponíveis do que os homens (22%) para fazer formação (16% para 22% em Portugal).
Como lembrou a nova directora do EIGE, Carlien Scheele, na conferência de imprensa online de apresentação do relatório, no dia 29 de Outubro, as tarefas relacionadas com a casa e a família deixam milhões de mulheres completa ou parcialmente fora do mercado de trabalho e ainda mais milhões sem tempo livre para melhorar as suas competências.
Não é só a falta de tempo. A pesquisa do EIGE sobre as oportunidades e os riscos da era digital na juventude mostra que os rapazes “expressam consistentemente maior autoconfiança em relação ao uso de tecnologias digitais”. “Os rapazes tendem a sobrestimar o seu desempenho e competências, enquanto as raparigas subestimam ambos”.
O persistente preconceito
“É um problema que começa na educação esta permanente e persistente estereotipia de género na forma como são vistas as aptidões e as competências de homens e mulheres”, comenta a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade de Género, Rosa Monteiro. Em Portugal, apenas 0,2% aspiram a trabalhar nas TIC, uma das médias mais baixas da UE.
O desafio, como disse ao telefone aquela governante, “é comum”. Entre os finalistas de TIC de 2018, a diferença era de 20 raparigas para 80 rapazes (19 para 81 em Portugal). Entre os especialistas a trabalhar na área, a proporção era de 18 mulheres para 82 homens (16 para 84 em Portugal).
No ano passado, todos os Estados-membros se comprometeram a impulsionar a participação das mulheres nas áreas mais qualificadas do sector (WiD). Já este ano, foi lançada a Estratégia Europeia para a Igualdade de Género 2020-2025, que assume a integração da perspectiva de género na transição digital como essencial para alcançar a meta da igualdade. “Muito poucas trabalham na indústria e as que trabalham enfrentam muito preconceito”, sintetizou Helena Dalli, a comissária europeia para a Igualdade, na mesma conferência de imprensa online.
FotoRosa Monteiro lançou no final de Outubro a 4.ª edição do programa Engenheiras por Um Dia, destinado a atrair raparigas para as Engenharias em geral e para as TIC em particular MIGUEL MANSO
As mulheres até deram um contributo sólido à inovação tecnológica como programadoras e cientistas da computação. Só que o seu papel é muitas vezes invisibilizado. Um domínio masculino tão forte, lê-se no relatório, “cria uma falsa e infundada impressão de inferioridade das mulheres”.
“Está ao nível do sector militar”, corrobora Ana Sofia Fernandes, presidente da Plataforma Portuguesa dos Direitos das Mulheres e vice-presidente do Lobby Europeu das Mulheres. Alguns estudos indicam essa cultura organizacional masculina, a ausência de modelos/exemplos que sirvam de inspiração, a falta de práticas de conciliação. Outros destacam o assédio sexual, que pode desencorajar as mulheres de entrar no sector ou incentivar a sua saída.
Ter mais mulheres no sector pode fazer toda a diferença em matéria de igualdade. São empregos bem pagos que oferecem alguma flexibilidade para organizar o tempo de trabalho: “83% das mulheres e 80% dos homens nas TIC acham muito fácil ou razoavelmente fácil arranjar uma ou duas horas durante o horário de trabalho para cuidar de assuntos pessoais ou familiares”.
Ao mesmo tempo, a disparidade salarial entre homens e mulheres, apesar de ser uma das mais baixas, resiste. É, esclarece Jakub Caisl, uma consequência das diferenças de género na jornada média de trabalho, nas posições que ocupam no sector de TIC e na remuneração que auferem por hora. Quer isto dizer que, como noutros sectores, a carreira deles progride mais ou mais depressa.
As consequências de tal ausência são mais amplas do que pode parecer. A falta de mulheres nas STEM, em particular nas TIC, explica Jakub Caisl, pode fazer com que preconceitos de género sejam incorporados nos novos serviços e produtos digitais. Dá o exemplo das diferenças de género no enjoo face à exposição à realidade virtual: “Um estudo recente demonstrou que a distância interpupilar contribui para o enjoo entre as mulheres, porque os headsets de realidade virtual não foram projectados para a fisiologia feminina.”
“É importante que as raparigas e as mulheres sejam não só utilizadoras, mas também criadoras”, concorda Ana Sofia Fernandes. “Os algoritmos são criados por pessoas. Se essas pessoas são todas do sexo masculino, é a sua concepção da realidade que, consciente ou inconscientemente, vai ser transmitida através dos algoritmos.”
Não é só uma questão de igualdade. A inclusão de mulheres é necessária para responder à procura de especialistas em TIC e tornar a UE mais competitiva. O EIGE estima que atrair mais mulheres para os sectores das STEM e das TIC levaria a um crescimento económico na UE com mais empregos (um aumento de até 1,2 milhões até 2050) e um maior PIB a longo prazo (até 820 biliões de euros em 2050).
Jakub Caisl cita números do Eurostat reveladores do que se passa no mercado de trabalho: “Entre 2008 e 2018, o crescimento do emprego de especialistas em TIC foi mais de 12 vezes superior ao crescimento médio do emprego na UE.” Só não foi maior pelo desencontro entre a alta procura e a oferta relativamente baixa de especialistas no mercado de trabalho da União Europeia. “A maioria dos Estados-membros da UE refere dificuldades em encontrar um número suficiente de profissionais da ciência, engenharia e TIC.”
Como evitar a continuação da prática de segregação profissional? Como atrair mais mulheres para estas áreas? “Ajuda se escolas puserem este tópico na sua agenda, se tiverem isto em conta no que fazem”, responde Carlien Scheele. A ligação às empresas também lhe parece fundamental para combater os preconceitos. Mas nada disso chega, avisa. Importa, também, fazer mudanças dentro das empresas do sector, torná-las mais amigáveis.
Em Portugal, Rosa Monteiro acaba de lançar a 4.ª edição do programa Engenheiras por Um Dia, destinado a atrair raparigas para as Engenharias em geral e para as TIC em particular. E convidou uma gestora de topo, Luísa Ribeiro Lopes, para coordenar o Eixo da Inclusão da Iniciativa Nacional Competências Digitais, uma das três do Plano de Recuperação e Resiliência, atribuindo-lhe a tarefa de assegurar que nas várias dimensões são definidas metas e acções concretas que contribuam para a inclusão das mulheres no digital. Já nessa lógica, houve uma campanha específica para angariar mulheres para o Upskill, um programa nacional que une o Instituto de Emprego e Formação Profissional, o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos e a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações num esforço para requalificar profissionais desempregados ou numa situação de subemprego em áreas como programação ou gestão de plataformas tecnológicas. Neste primeira edição, as mulheres representam 40% dos participantes.
O progresso está a ser monitorizado em todos os Estados-membros. Só que integração da igualdade de género na era digital é mais abrangente. E os políticos têm dito muito pouco, por exemplo, sobre as novas oportunidades de trabalho nas plataformas digitais.
As novas plataformas
Um breve retrato sobre as plataformas de trabalho feito pelo EIGE: há serviços que exigem presença física no local, mas a maioria é desempenhada online. Alguns serviços são bem pagos, mas a maior parte não. O baixo rendimento pode não ser problemático para quem usa a plataforma como um extra, mas “há uma parcela não-desprezível da população adulta da UE (cerca de 2%) que tem o trabalho de plataforma como principal actividade”. Um em cada três trabalhadores é do género feminino.
A falsa igualdade no acesso ao ensino superior em 2020
Há todo um debate sobre até que ponto as plataformas capacitam ou exploram quem trabalha através delas. Parte desse debate está a acontecer em vários países no seio dos tribunais de Trabalho. Por um lado, ouve-se um discurso sobre autonomia na escolha do horário e do local de trabalho, o que, em teoria, facilita a conciliação entre vida profissional e pessoal. Por outro, queixas sobre certos serviços adoptam práticas que limitam a autonomia. E “uma parte substancial dos trabalhadores tem pouco ou nenhum acesso a protecção social”.
De fora do debate público em torno desta nova forma de organização parece ficar a dimensão de género. Na sua substância, salienta Jakub Caisl, o trabalho realizado através de plataformas digitais reproduz a velha segregação profissional por sexos: os homens predominam nos trabalhos relacionados com desenvolvimento de software e transporte, por exemplo, e as mulheres nos trabalhos de tradução e serviços domésticos, por exemplo. E a falta de acesso à protecção social associada ao parto e à parentalidade “tem uma dimensão de género particularmente forte”.
Os vários estudos apontam para disparidades salariais que variam entre 4% e 20%. Um quadro misto emergiu de um estudo feito pela Organização Internacional de Trabalho em cinco plataformas em 2017: as mulheres tinham uma taxa de remuneração por hora mais alta numa plataforma (Microworkers) e quase igual noutra (Clickworker), mas menos 5% a 18% noutras três plataformas (AMT, Crowdflower, Prolific).
O que explica esta disparidade? Para além da segregação profissional por sexo e da desequilibrada partilha de trabalho doméstico, o perito refere características específicas do trabalho das plataformas. Ocorre-lhe o exemplo de um estudo que analisa mais de um milhão de motoristas da Uber nos EUA e se depara com uma disparidade salarial de 7%. Essa “pode ser atribuída a três factores: experiência na plataforma (os homens tendem a trabalhar para a Uber mais tempo e de forma mais intensa), preferências sobre locais de trabalho (relacionada com a área de residência dos motoristas e, em menor medida, com segurança), e preferências por velocidade (os homens tendem a conduzir mais depressa)”.
A pressão da pandemia
A pandemia de covid-19 acelerou a mudança, forçando o recurso ao teletrabalho sempre que possível. “Parte da nossa vida transferiu-se para o online”, como disse Helena Dalli. As TIC emergiram como “uma forma de salvação”. De repente, revelaram a única possibilidade de muitas pessoas se manterem ligadas umas às outras e de continuarem a aprender e/ou a trabalhar. Para Carlien Scheele, a pandemia veio aumentar a pressão sobre as mulheres, sobrecarregando-as com ainda mais tarefas relacionadas com a casa e a prestação de cuidados. E é “evidente que o teletrabalho não pode ser visto como uma solução de longo prazo”.
Antes da pandemia, já havia mais mulheres do que homens a fazer teletrabalho para melhor conciliar a vida profissional com a vida familiar. Diversos estudos citados no relatório indicam que a flexibilidade acaba por expandir a esfera de trabalho. Os funcionários tendem a trabalhar ainda mais horas. E as mulheres, que usam o teletrabalho como estratégia para encaixar as tarefas domésticas e a prestação de cuidados, correm maior risco de acabar por ficar esgotadas.
7.4.20
“Somos Todos Digitais”: uma linha de apoio para pôr idosos online e em segurança
Karla Pequenino, in Público on-line
O objectivo da iniciativa “Somos Todos Digitais” é aumentar a literacia digital em Portugal e permitir que mais pessoas possam manter contacto à distância.
A partir desta terça-feira, quem estiver interessado em aprender a utilizar as redes sociais e serviços de mensagens online, em segurança, vai ter um site e uma linha de apoio para onde ligar, todos os dias, entre o meio-dia e as 20h00.
O objectivo da plataforma Somos Todos Digitais é conectar a população com menos literacia digital (frequentemente, os mais idosos), ao mundo online. Trata-se de um projecto no âmbito da Iniciativa Nacional Competências Digitais, Portugal INCoDe.2030.
“Sabemos que há conjunto de barreiras, como pessoas sem acesso a smartphones, computadores, ou Internet, mas o que temos percebido é que também há um conjunto crescente de pessoas que já têm acesso aos equipamentos, mas que não os sabem utilizar”, explica ao PÚBLICO Nuno Rodrigues, coordenador geral da INCoDe.2030. “Hoje em dia, o preço já não é um factor de limitação tão grande. Há pacotes de dados muito acessíveis, e smartphones a preços razoáveis. Mas é preciso saber usá-los, e muitas vezes a população mais idosa não tem esse apoio.”
Segundo dados de 2019 da Anacom, a taxa de penetração de internet móvel é de 78,8 por cada 100 habitantes (mais 5,1 pontos percentuais do que em 2018). A ideia de criar uma linha de apoio por telefone deverá permitir que as pessoas com dúvidas telefonem através de um número fixo, mantendo as mãos livres para seguir as instruções no telemóvel.
O atendimento estará ao cargo de cerca de 35 estudantes do ensino superior, de cursos ligados à informática e sistemas de informação, em regime de voluntariado. Numa primeira fase, o foco será ajudar todos os que precisem de apoio na utilização das principais plataformas de comunicação (Facebook, Instagram, Messenger, WhatsApp e Skype). A equipa quer ensinar como fazer videochamadas com a família, criar contas nas redes sociais e partilhar fotografias com os amigos.
PÚBLICO -Foto
O site Somos todos Digitais inclui também tutoriais em vídeo
Existirá também um site com vários tutoriais em formato de vídeo. “Eventualmente queremos ter mais voluntários e ajudar as pessoas a utilizarem plataformas de comércio online, mas o primeiro passo é perceber se a linha resulta”, diz Nuno Rodrigues, notando que a cibersegurança não foi esquecida, com os voluntários a receber formação sobre como falar com as pessoas acerca dos cuidados a ter na Internet e os perigos a que estão sujeitos.
Nos últimos tempos vários especialistas na área da cibersegurança tem alertado para o aumento de ataques de engenharia social, em que os atacantes se fazem passar por entidades oficiais (como a Organização Mundial da Saúde, a Unicef, ou governos de vários países) para levar as pessoas a descarregar vírus ou a partilharem as suas credenciais em sites falsos.
“Queremos ser uma ‘porta de entrada’ segura para o mundo digital, podemos reduzir a sensação de isolamento e permitir que os mais idosos vejam a família que está ao longe”, acrescenta Rodrigues.
O objectivo da iniciativa “Somos Todos Digitais” é aumentar a literacia digital em Portugal e permitir que mais pessoas possam manter contacto à distância.
A partir desta terça-feira, quem estiver interessado em aprender a utilizar as redes sociais e serviços de mensagens online, em segurança, vai ter um site e uma linha de apoio para onde ligar, todos os dias, entre o meio-dia e as 20h00.
O objectivo da plataforma Somos Todos Digitais é conectar a população com menos literacia digital (frequentemente, os mais idosos), ao mundo online. Trata-se de um projecto no âmbito da Iniciativa Nacional Competências Digitais, Portugal INCoDe.2030.
“Sabemos que há conjunto de barreiras, como pessoas sem acesso a smartphones, computadores, ou Internet, mas o que temos percebido é que também há um conjunto crescente de pessoas que já têm acesso aos equipamentos, mas que não os sabem utilizar”, explica ao PÚBLICO Nuno Rodrigues, coordenador geral da INCoDe.2030. “Hoje em dia, o preço já não é um factor de limitação tão grande. Há pacotes de dados muito acessíveis, e smartphones a preços razoáveis. Mas é preciso saber usá-los, e muitas vezes a população mais idosa não tem esse apoio.”
Segundo dados de 2019 da Anacom, a taxa de penetração de internet móvel é de 78,8 por cada 100 habitantes (mais 5,1 pontos percentuais do que em 2018). A ideia de criar uma linha de apoio por telefone deverá permitir que as pessoas com dúvidas telefonem através de um número fixo, mantendo as mãos livres para seguir as instruções no telemóvel.
O atendimento estará ao cargo de cerca de 35 estudantes do ensino superior, de cursos ligados à informática e sistemas de informação, em regime de voluntariado. Numa primeira fase, o foco será ajudar todos os que precisem de apoio na utilização das principais plataformas de comunicação (Facebook, Instagram, Messenger, WhatsApp e Skype). A equipa quer ensinar como fazer videochamadas com a família, criar contas nas redes sociais e partilhar fotografias com os amigos.
PÚBLICO -Foto
O site Somos todos Digitais inclui também tutoriais em vídeo
Existirá também um site com vários tutoriais em formato de vídeo. “Eventualmente queremos ter mais voluntários e ajudar as pessoas a utilizarem plataformas de comércio online, mas o primeiro passo é perceber se a linha resulta”, diz Nuno Rodrigues, notando que a cibersegurança não foi esquecida, com os voluntários a receber formação sobre como falar com as pessoas acerca dos cuidados a ter na Internet e os perigos a que estão sujeitos.
Nos últimos tempos vários especialistas na área da cibersegurança tem alertado para o aumento de ataques de engenharia social, em que os atacantes se fazem passar por entidades oficiais (como a Organização Mundial da Saúde, a Unicef, ou governos de vários países) para levar as pessoas a descarregar vírus ou a partilharem as suas credenciais em sites falsos.
“Queremos ser uma ‘porta de entrada’ segura para o mundo digital, podemos reduzir a sensação de isolamento e permitir que os mais idosos vejam a família que está ao longe”, acrescenta Rodrigues.
11.12.17
Um terço dos jovens não está ligado à internet
Maria Augusta Casaca, in TSF
Um relatório da UNICEF aponta que é preciso tornar o mundo digital mais seguro e acessível a todas as crianças.
Milhões de crianças no planeta estão a ficar para trás no que diz respeito às tecnologias digitais. O relatório "Crianças num Mundo Digital", divulgado esta segunda-feira pela UNICEF, revela que um terço dos jovens no mundo, 346 milhões, não estão online.
A jornalista Maria Augusta Casaca falou com Francisca Magano, coordenadora do estudo em Portugal
Francisca Magano, coordenadora do estudo em Portugal, sublinha que esta situação vem agravar as desigualdades e reduzir a capacidade de participação desses jovens numa economia cada vez mais digital.
"Sabemos que os jovens africanos são os menos conectados - 3 em cada 5 jovens do Continente Africano estão offline, em comparação com 3 em cada 75 dos jovens na Europa", e as condições de pobreza, mas também de conflito ou catástrofes naturais são determinantes para que situações dessas aconteçam.
Se há benefícios no mundo que se abre com a internet, ela pode também trazer perigos para as crianças que a utilizam. Nomeadamente, levar ao ciberbullying ou à colocação indevida de informações pessoais on line.
As redes digitais, sublinha o relatório, são facilitadoras das piores formas de exploração e abuso, incluindo o tráfico e o abuso sexual infantil.
Por esse motivo, o relatório desafia os estados mas também as empresas a tomar medidas "que garantam a confidencialidade da criança, e que os dados são protegidos contra utilizações indevidas".
Dos Estados espera-se que invistam na educação para a literacia digital, para que as crianças aprendam a pesquisar, adquiram conhecimentos técnicos e a gerir a informação online, percebendo se ela é verdadeira ou falsa.
Neste relatório o diretor executivo da UNICEF, Anthony Lake, sublinha que a internet foi projetada para adultos mas afeta cada vez mais as vidas e o futuro das crianças.
Um relatório da UNICEF aponta que é preciso tornar o mundo digital mais seguro e acessível a todas as crianças.
Milhões de crianças no planeta estão a ficar para trás no que diz respeito às tecnologias digitais. O relatório "Crianças num Mundo Digital", divulgado esta segunda-feira pela UNICEF, revela que um terço dos jovens no mundo, 346 milhões, não estão online.
A jornalista Maria Augusta Casaca falou com Francisca Magano, coordenadora do estudo em Portugal
Francisca Magano, coordenadora do estudo em Portugal, sublinha que esta situação vem agravar as desigualdades e reduzir a capacidade de participação desses jovens numa economia cada vez mais digital.
"Sabemos que os jovens africanos são os menos conectados - 3 em cada 5 jovens do Continente Africano estão offline, em comparação com 3 em cada 75 dos jovens na Europa", e as condições de pobreza, mas também de conflito ou catástrofes naturais são determinantes para que situações dessas aconteçam.
Se há benefícios no mundo que se abre com a internet, ela pode também trazer perigos para as crianças que a utilizam. Nomeadamente, levar ao ciberbullying ou à colocação indevida de informações pessoais on line.
As redes digitais, sublinha o relatório, são facilitadoras das piores formas de exploração e abuso, incluindo o tráfico e o abuso sexual infantil.
Por esse motivo, o relatório desafia os estados mas também as empresas a tomar medidas "que garantam a confidencialidade da criança, e que os dados são protegidos contra utilizações indevidas".
Dos Estados espera-se que invistam na educação para a literacia digital, para que as crianças aprendam a pesquisar, adquiram conhecimentos técnicos e a gerir a informação online, percebendo se ela é verdadeira ou falsa.
Neste relatório o diretor executivo da UNICEF, Anthony Lake, sublinha que a internet foi projetada para adultos mas afeta cada vez mais as vidas e o futuro das crianças.
6.1.15
TIC em Portugal precisam de mais de oito mil pessoas já em 2015
Joana Moura, in Económico
Em 2020, Portugal vai precisar de 15 mil profissionais de TIC. Os próximos cinco anos revelarão um potencial de 110 mil empregos na área.
As projecções do Consórcio Maior Empregabilidade realizadas para Portugal apontam para cerca de 15 mil potenciais empregos, não preenchidos por falta de mão-de-obra em 2020, cerca de cinco vezes mais do que a falta de profissionais em TIC em 2012. Já em 2015, serão necessários 8100 profissionais em TIC e os dados revelam que, em 2020, haverá um nível de potencial de 110 mil postos de trabalho nesta área.
As Tecnologias de Informação são a área com maior potencial de emprego no futuro devido à falta de profissionais da área, como explica o relatório: "numa situação de elevado desemprego na Europa e em Portugal e de elevadíssimo desemprego de jovens, é quase paradoxal como, em determinados segmentos profissionais, como este, a procura, em crescimento contínuo, de mão-de-obra especializada permaneça sem resposta. E muitas destas vagas manter-se-ão por preencher a não se que seja feito um maior esforço para atrair jovens para a educação em TIC e para reconverter pessoas desempregadas. A mobilidade internacional é, também, outro mecanismo possível para dar resposta a este problema.
Uma das razões para esta falta de mão-de-obra especializada é um insuficiente fluxo de graduados nos domínios nucleares da profissão, como as ciências da computação. A fuga dos alunos da matemática e outras 'hard sciences' são apontadas como as grandes responsáveis para esta falta de procura nos cursos desta área. Mas não só. Outra das razões é o facto de este ser um domínio profissional que tem vindo a ser alimentado tipicamente por profissionais vindos de fora e de jovens graduados, não em TIC, mas em áreas relacionadas com as ciências, engenharias e matemáticas. O que, ao mesmo tempo, abre novas hipótese a novas possibilidades, quer para um sector que carece de mão-de-obra, quer para pessoas e jovens acabados de sair dos estudos à procura de um novo emprego.
E a prova de que não é opção desistir é que, nos últimos anos, Portugal tem vindo a afirmar-se como um destino atractivo para os investimentos de multinacionais do sector que se instalam no país: centros de I&D, centros de competências e contact centers.
Os dados sugerem que as profissões qualificadas dedicadas à gestão, arquitectura e análise de negócio, do ponto de vista dos sistemas de informação e comunicação, serão as que mais crescerão mais (44% até 2020), enquanto ao nível dos especialistas, o crescimento do emprego estimado para o mesmo período é de 15,9%.
Ainda assim, os desafios são muitos e o relatório aponta alguns: "a necessidade constante de adaptação ao avanço da tecnologia, das suas aplicações e dos novos serviços e produtos daí decorrentes; a crescente importância das competências de I&D, design e gestão, arquitectura, análise de negócios e integração de sistemas de informação e comunicação; desenvolver melhor negócios a partir das TIC e da internet; necessidade de explorar a emergência de novas aplicações digitais para criar negócios e start-ups com potencial de crescimento; capacidades de comunicação, gestão de projectos, resolução de problemas, e outras "soft skills".
Em 2020, Portugal vai precisar de 15 mil profissionais de TIC. Os próximos cinco anos revelarão um potencial de 110 mil empregos na área.
As projecções do Consórcio Maior Empregabilidade realizadas para Portugal apontam para cerca de 15 mil potenciais empregos, não preenchidos por falta de mão-de-obra em 2020, cerca de cinco vezes mais do que a falta de profissionais em TIC em 2012. Já em 2015, serão necessários 8100 profissionais em TIC e os dados revelam que, em 2020, haverá um nível de potencial de 110 mil postos de trabalho nesta área.
As Tecnologias de Informação são a área com maior potencial de emprego no futuro devido à falta de profissionais da área, como explica o relatório: "numa situação de elevado desemprego na Europa e em Portugal e de elevadíssimo desemprego de jovens, é quase paradoxal como, em determinados segmentos profissionais, como este, a procura, em crescimento contínuo, de mão-de-obra especializada permaneça sem resposta. E muitas destas vagas manter-se-ão por preencher a não se que seja feito um maior esforço para atrair jovens para a educação em TIC e para reconverter pessoas desempregadas. A mobilidade internacional é, também, outro mecanismo possível para dar resposta a este problema.
Uma das razões para esta falta de mão-de-obra especializada é um insuficiente fluxo de graduados nos domínios nucleares da profissão, como as ciências da computação. A fuga dos alunos da matemática e outras 'hard sciences' são apontadas como as grandes responsáveis para esta falta de procura nos cursos desta área. Mas não só. Outra das razões é o facto de este ser um domínio profissional que tem vindo a ser alimentado tipicamente por profissionais vindos de fora e de jovens graduados, não em TIC, mas em áreas relacionadas com as ciências, engenharias e matemáticas. O que, ao mesmo tempo, abre novas hipótese a novas possibilidades, quer para um sector que carece de mão-de-obra, quer para pessoas e jovens acabados de sair dos estudos à procura de um novo emprego.
E a prova de que não é opção desistir é que, nos últimos anos, Portugal tem vindo a afirmar-se como um destino atractivo para os investimentos de multinacionais do sector que se instalam no país: centros de I&D, centros de competências e contact centers.
Os dados sugerem que as profissões qualificadas dedicadas à gestão, arquitectura e análise de negócio, do ponto de vista dos sistemas de informação e comunicação, serão as que mais crescerão mais (44% até 2020), enquanto ao nível dos especialistas, o crescimento do emprego estimado para o mesmo período é de 15,9%.
Ainda assim, os desafios são muitos e o relatório aponta alguns: "a necessidade constante de adaptação ao avanço da tecnologia, das suas aplicações e dos novos serviços e produtos daí decorrentes; a crescente importância das competências de I&D, design e gestão, arquitectura, análise de negócios e integração de sistemas de informação e comunicação; desenvolver melhor negócios a partir das TIC e da internet; necessidade de explorar a emergência de novas aplicações digitais para criar negócios e start-ups com potencial de crescimento; capacidades de comunicação, gestão de projectos, resolução de problemas, e outras "soft skills".
18.3.14
A tecnologia é demasiado importante para ficar entregue aos homens
Texto de Ana Bárbara Matos/JPN, in Público on-line (P3)
O mundo da tecnologia é geralmente visto como terreno do universo masculino, mas a Comissão Europeia quer contrariar esta tendência
Um recente estudo da Comissão Europeia indica que o sector da tecnologia é liderado por homens e que entre estes as mulheres são uma minoria.
O estudo revela que apenas 9% das aplicações para dispositivos móveis (apps) são desenvolvidas por mulheres. Também apenas 19% dos gestores de tecnologias da informação e da comunicação são do sexo feminino, enquanto nos outros sectores a proporção é de 45%. Também o número de mulheres com um grau académico em informática está em queda: 3% das mulheres com grau académico, face a 10% no caso dos homens. A estes números soma-se a agravante de haver mais mulheres do que homens a deixar o sector a meio da carreira.
Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia, quer mudar esta realidade: "As TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) deixaram de ser território de um pequeno número de iniciados. É um sector entusiasmante e constitui o futuro. Vamos lá! Experimentem a programação e vejam como pode ser divertido", alicia. Assim, lançou a campanha "A tecnologia é demasiado importante para ficar entregue aos homens" para incentivar jovens mulheres a estudarem e seguirem carreira nesta área, bem como às actuais profissionais a não abandonarem.
O objectivo da campanha não passa apenas pela promoção de igualdades de oportunidades, mas também pelo crescimento económico: segundo um estudo da comissão, se a percentagem de mulheres em empregos digitais fosse igual à dos homens, o PIB da União Europeia poderia crescer para nove mil milhões de euros por ano.
Actualizar o "software" das mulheres
Mónica Graça recebeu o seu primeiro computador aos nove anos e nunca mais largou o rato e as teclas. Hoje em dia é engenheira de software na empresa Wit Software. Quer ao longo dos estudos quer na vida profissional foi sempre uma minoria, mas nunca desintegrada: "Nunca senti de forma alguma que ser mulher influenciava em alguma coisa o meu percurso académico", garante. No primeiro ano do curso em Engenharia Informática, na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, entrou com mais cinco raparigas, mas quatro desistiram. No entanto, Mónica considera que esta tendência está a mudar e isso serve-lhe de alento: "Temos que nos manter actualizadas e mostrar que também somos capazes de fazes coisas únicas e para o mundo inteiro".
Também para Diogo Velho, responsável pela comunicação da empresa de software Blip, os dados avançados pelo estudo da Comissão Europeia não são uma novidade, mas sim um desafio. A Blip procura um equilíbrio entre o número de mulheres e homens a trabalhar na empresa por considerar que é positivo para o local de trabalho "quebrar o ambiente masculino que existe entre as empresas de tecnologias". Em associação com a organização Portugal Girl Geek Dinner, a empresa procura promover o uso e o gosto pela tecnologia nas raparigas.
O objectivo não é mudar nada a curto prazo mas sim a longo prazo, através de campanhas apropriadas para crianças e jovens do sexo feminino.
"Geek" no feminino
São cada vez mais as empresas e as organizações que procuram levar a tecnologia ao universo feminino (e vice-versa). Inês Silva é co-embaixadora de uma destas plataformas: Portugal Geekettes. Mesmo não tendo formação de base na área, Inês tem estudado as TIC além-fronteiras e faz delas as suas ferramentas de trabalho diário. Na sua opinião, o desinteresse das mulheres europeias pelas tecnologias advém de convenções sociais e culturais.
Este desinteresse, aliado à falta de empreendedorismo, justifica o facto de as mulheres serem uma excepção nas empresas de tecnologia e, mais ainda, na sua chefia. Mas estas não são características das Portugal Geekettes, uma "rede de mulheres que gostam de tecnologia e que querem ser empreendedoras e aprender umas com as outras". As "geeks" portuguesas querem ter a companhia de mais mulheres nesta jornada pela tecnologia.
O mundo da tecnologia é geralmente visto como terreno do universo masculino, mas a Comissão Europeia quer contrariar esta tendência
Um recente estudo da Comissão Europeia indica que o sector da tecnologia é liderado por homens e que entre estes as mulheres são uma minoria.
O estudo revela que apenas 9% das aplicações para dispositivos móveis (apps) são desenvolvidas por mulheres. Também apenas 19% dos gestores de tecnologias da informação e da comunicação são do sexo feminino, enquanto nos outros sectores a proporção é de 45%. Também o número de mulheres com um grau académico em informática está em queda: 3% das mulheres com grau académico, face a 10% no caso dos homens. A estes números soma-se a agravante de haver mais mulheres do que homens a deixar o sector a meio da carreira.
Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia, quer mudar esta realidade: "As TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) deixaram de ser território de um pequeno número de iniciados. É um sector entusiasmante e constitui o futuro. Vamos lá! Experimentem a programação e vejam como pode ser divertido", alicia. Assim, lançou a campanha "A tecnologia é demasiado importante para ficar entregue aos homens" para incentivar jovens mulheres a estudarem e seguirem carreira nesta área, bem como às actuais profissionais a não abandonarem.
O objectivo da campanha não passa apenas pela promoção de igualdades de oportunidades, mas também pelo crescimento económico: segundo um estudo da comissão, se a percentagem de mulheres em empregos digitais fosse igual à dos homens, o PIB da União Europeia poderia crescer para nove mil milhões de euros por ano.
Actualizar o "software" das mulheres
Mónica Graça recebeu o seu primeiro computador aos nove anos e nunca mais largou o rato e as teclas. Hoje em dia é engenheira de software na empresa Wit Software. Quer ao longo dos estudos quer na vida profissional foi sempre uma minoria, mas nunca desintegrada: "Nunca senti de forma alguma que ser mulher influenciava em alguma coisa o meu percurso académico", garante. No primeiro ano do curso em Engenharia Informática, na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, entrou com mais cinco raparigas, mas quatro desistiram. No entanto, Mónica considera que esta tendência está a mudar e isso serve-lhe de alento: "Temos que nos manter actualizadas e mostrar que também somos capazes de fazes coisas únicas e para o mundo inteiro".
Também para Diogo Velho, responsável pela comunicação da empresa de software Blip, os dados avançados pelo estudo da Comissão Europeia não são uma novidade, mas sim um desafio. A Blip procura um equilíbrio entre o número de mulheres e homens a trabalhar na empresa por considerar que é positivo para o local de trabalho "quebrar o ambiente masculino que existe entre as empresas de tecnologias". Em associação com a organização Portugal Girl Geek Dinner, a empresa procura promover o uso e o gosto pela tecnologia nas raparigas.
O objectivo não é mudar nada a curto prazo mas sim a longo prazo, através de campanhas apropriadas para crianças e jovens do sexo feminino.
"Geek" no feminino
São cada vez mais as empresas e as organizações que procuram levar a tecnologia ao universo feminino (e vice-versa). Inês Silva é co-embaixadora de uma destas plataformas: Portugal Geekettes. Mesmo não tendo formação de base na área, Inês tem estudado as TIC além-fronteiras e faz delas as suas ferramentas de trabalho diário. Na sua opinião, o desinteresse das mulheres europeias pelas tecnologias advém de convenções sociais e culturais.
Este desinteresse, aliado à falta de empreendedorismo, justifica o facto de as mulheres serem uma excepção nas empresas de tecnologia e, mais ainda, na sua chefia. Mas estas não são características das Portugal Geekettes, uma "rede de mulheres que gostam de tecnologia e que querem ser empreendedoras e aprender umas com as outras". As "geeks" portuguesas querem ter a companhia de mais mulheres nesta jornada pela tecnologia.
30.7.12
Bragança: Facebook leva mensagens a idosos
in Agência Ecclesia
Fundação Betânia lançou desafio através da rede social para assinalar dia dos avós
A Fundação Betânia, em Bragança, vai proporcionar, hoje, dia dos avós, a “leitura de mensagens” vinda de familiares e pessoas próximas aos utentes da instituição, sendo uma delas do bispo da diocese, D. José Cordeiro.
Esta tarde, naquela Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) os responsáveis vão “ler as mensagens” vindas do exterior, depois do pedido feito através da rede social Facebook, onde se apelava à participação nesta iniciativa, revela à Agência ECCLESIA Paula Pimental, diretora de serviços da fundação.
D. José Cordeiro já publicou na sua página pessoal no Facebook a mensagem que vai ser lida: “No dia de São Joaquim e Santa Ana (pais de Nossa Senhora) e dia nacional dos avós, associo-me à iniciativa da Fundação Betânia, em Bragança, e a partir de Fátima, endereço a todas(os) os utentes e respetivas famílias, uma calorosa saudação em Cristo”.
Com cerca de 60 idosos na instituição e 30 no serviço de apoio domiciliário, Paula Pimentel sublinha que os utentes “têm um contacto permanente com a sociedade e conseguem acompanhar a evolução dos tempos”.
As pessoas da comunidade interagem com a instituição, “visitam os idosos, diariamente, e participam também nas atividades”, salienta a responsável.
É frequente, as visitas a locais do exterior e, a partir do momento que entram na instituição, “não ficam isolados”, acrescenta.
Em pleno Ano Europeu do Envelhecimento Ativo, a responsável da Fundação Betânia relata que a instituição tem várias propostas e destaca o “treino cognitivo, onde são desenvolvidas técnicas que ajudam a reativar a memória”.
Uma forma de colocar os idosos “mais ativos mentalmente”, onde não faltam “clubes e oficinas de trabalho: culinária, trabalhos manuais e reciclagem”, afirma.
A intenção é dar uma “vida nova” à terceira idade e de os motivar para “outras realidades”, conclui a responsável da instituição fundada por dois padres da Diocese de Bragança-Miranda.
LFS/OC
Fundação Betânia lançou desafio através da rede social para assinalar dia dos avós
A Fundação Betânia, em Bragança, vai proporcionar, hoje, dia dos avós, a “leitura de mensagens” vinda de familiares e pessoas próximas aos utentes da instituição, sendo uma delas do bispo da diocese, D. José Cordeiro.
Esta tarde, naquela Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) os responsáveis vão “ler as mensagens” vindas do exterior, depois do pedido feito através da rede social Facebook, onde se apelava à participação nesta iniciativa, revela à Agência ECCLESIA Paula Pimental, diretora de serviços da fundação.
D. José Cordeiro já publicou na sua página pessoal no Facebook a mensagem que vai ser lida: “No dia de São Joaquim e Santa Ana (pais de Nossa Senhora) e dia nacional dos avós, associo-me à iniciativa da Fundação Betânia, em Bragança, e a partir de Fátima, endereço a todas(os) os utentes e respetivas famílias, uma calorosa saudação em Cristo”.
Com cerca de 60 idosos na instituição e 30 no serviço de apoio domiciliário, Paula Pimentel sublinha que os utentes “têm um contacto permanente com a sociedade e conseguem acompanhar a evolução dos tempos”.
As pessoas da comunidade interagem com a instituição, “visitam os idosos, diariamente, e participam também nas atividades”, salienta a responsável.
É frequente, as visitas a locais do exterior e, a partir do momento que entram na instituição, “não ficam isolados”, acrescenta.
Em pleno Ano Europeu do Envelhecimento Ativo, a responsável da Fundação Betânia relata que a instituição tem várias propostas e destaca o “treino cognitivo, onde são desenvolvidas técnicas que ajudam a reativar a memória”.
Uma forma de colocar os idosos “mais ativos mentalmente”, onde não faltam “clubes e oficinas de trabalho: culinária, trabalhos manuais e reciclagem”, afirma.
A intenção é dar uma “vida nova” à terceira idade e de os motivar para “outras realidades”, conclui a responsável da instituição fundada por dois padres da Diocese de Bragança-Miranda.
LFS/OC
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