12.10.07

Encapuzados disparam contra ciganos

Liliana Rodrigues, in Jornal de Notícias

Em Barqueiros os moradores dizem ter medo dos ataques


A comunidade cigana continua em estado de alerta. Uma semana depois de o JN ter noticiado a onda de assaltos ou ataques registados em diversos acampamentos do norte e centro do país, o alegado grupo que anda desde há um mês a semear o pânico terá voltado a entrar em acção. Desta vez, o acampamento instalado na freguesia de Barqueiros, Barcelos, foi surpreendido na madrugada de ontem.

A GNR lançou de imediato uma operação de busca, com diversas patrulhas, alertando também a PSP, mas sem sucesso apesar das investigações que se terão prolongado durante o dia de ontem. Oficialmente, continua a não haver queixas.

"Eles começaram a espreitar-nos de longe, às dez horas da noite", contou ao JN uma jovem com uma criança ao colo, ainda amedrontada com a situação vivida durante a noite. "Às três da madrugada tentaram entrar pela parte de trás, junto ao campo. Chegaram a disparar dois tiros de caçadeira. Foi aí que chamamos a GNR", explicou Manuel Monteiro, o único do morador do acampamento que acedeu a revelar a sua identidade. "Eram 5 ou 6, todos vestidos de preto. Só se viam os olhos por isso não conseguimos saber quem eles são. Há quem diga que são ciganos, outros dizem que são ucranianos. Não sabemos e por isso estamos muito atentos de noite. Desta vez não vinham num forgão branco, mas um citroen cinzento", sublinhou. Opinião diferente vociferou, de imediato, outro patriarca, mas da comunidade de S. Pedro Rates, na Póvoa de Varzim "Não podem ser ciganos porque entre nós não fazemos mal", explicou antes de contar que uma furgoneta branca andou a rondar o acampamento onde vive há cerca de duas semanas."Não fez nada, mas ficamos logo em alerta", admitiu.

"Eles querem dinheiro ou ouro, mas a nós não levaram nada. Também contam que violam as mulheres e fazem mal às crianças. É por isso que estamos com medo", disse Manuel Monteiro.

Igual situação terá sido registada em Aveiro. O patriarca daquela comunidade - que ontem estava em Barqueiros a preparar o casamento do filho - explicou ao JN que também já recebeu a visita do grupo. "Como já tinha ouvido falar do caso e como durmo de caçadeira, nem os deixei ganhar ideias. Dei vários tiros para o ar, só para os assustar", afirmou.