12.10.07

Só um terço encontrou emprego

Alexandra Figueira, in Jornal de Notícias

Novas tecnologias ajudaram na criação de emprego na Região Centro


No espaço de dois anos, desde que o Governo tomou posse, só um terço das pessoas que entraram no mercado laboral - imigrantes ou ex-estudantes, por exemplo - encontrou emprego. Das quase 64 mil novas pessoas que entraram no bolo da população activa, só 22 600 encontraram trabalho; as restantes 41 mil juntaram-se à cada vez maior lista de desempregados. A meio da legislatura, parece, pois, cada vez mais difícil a criação dos 150 mil postos de trabalho prometidos por José Sócrates até 2009, mas as perspectivas inscritas no Orçamento de Estado para 2008, a revelar hoje, ajudarão a perceber se o Executivo ainda pensa ser possível atingir a meta.

As estatísticas do INE dos segundos trimestres de 2005 e de 2007 indicam que, no espaço de dois anos, mais de dois terços dos novos empregos foram criados no Centro, graças a três factores elencados por João Cotta, presidente da Associação Industrial de Viseu e vice-presidente do Conselho Empresarial do Centro. "O tecido empresarial regenerou-se, com novas empresas tecnológicas e gestão competente, mais ligadas às universidades que estão mais abertas à economia". E um outro factor, acrescentou "A atitude das novas gerações é muito diferente. Estão menos acomodadas e procuram activamente empresas de referência".

Também o Algarve e as ilhas viram crescer o número de empregos, mas, no Norte, Lisboa e Alentejo, eles "desapareceram". O caso mais grave é o da capital, que em dois anos "ganhou" 14 mil novos trabalhadores e não conseguiu criar novos empregos; pelo contrário, perdeu mais de mil postos de trabalho. O Norte perdeu mais de quatro mil, enquanto que o Alentejo viu desaparecerem 2,7 mil empregos.

Mais qualidade no emprego

Se a criação de empregos é uma boa notícia, o tipo de trabalho que mais tem surgido é ainda melhor. O número de pessoas a trabalhar e que não passava do primeiro ciclo (a antiga quarta classe) diminuiu drasticamente - havia, em Junho, menos 121 mil destes trabalhadores. A saída do mercado das pessoas com menos qualificações está a ser acompanhada pelo reforço por quem estudou mais. Apesar de a economia não criar postos de trabalho para pessoas com cursos superiores ao mesmo ritmo a que estas saem das universidades (levando a um aumento do desemprego entre os licenciados), o certo é que é entre as pessoas com estudos superiores que o emprego mais tem aumentado. Sobretudo no Centro, que deu emprego a 30 mil dos 45 mil novos licenciados que começaram a trabalhar nos últimos dois anos.