in O Primeiro de Janeiro
População idosa vai aumentar
Portugal deve assistir nos próximos anos a um aumento considerável do número de idosos, que em 1990 eram 2,2 milhões, mas que em 2030 devem atingir os 3,4 milhões. São números para explorar hoje, numa conferência internacional a realizar na cidade do Porto.
O número de pessoas com mais de 75 anos de idade deve aumentar cerca de 44 por cento entre 2001 e 2030, revelou Maria de Lurdes Quaresma, investigadora em Gerontologia Social que hoje apresenta, na cidade do Porto, o retrato social dos idosos em Portugal e na Europa, no decorrer da conferência internacional «Pensar pragmático – Agir positivo». Segundo aquela especialista o nosso país vai assistir a um aumento do número de pessoas a viver sozinhas, em especial as muito idosas, sendo a viuvez a situação mais representada. Maria de Lurdes Quaresma cedeu à Agência Lusa alguns dos dados que hoje divulga publicamente, à luz dos quais a população portuguesa evoluirá de modo a contar, em 2030, cerca de 3,4 milhões de pensionistas, quando em 1990 havia apenas 2,2 milhões. Em relação à população activa, que naquele ano rondava os 4,1 milhões, em 2030 deve atingir os 4,8. A investigadora defende que as pessoas com idade superior a 50 anos representam “uma reserva de recursos em capacidade e potencialidade” que obrigam à criação de “novas oportunidades de desempenho de actividades socialmente úteis”. Lurdes Quaresma apontou exemplos como o Japão, o Norte da Europa e a América, onde o trabalho em part-time e o auto-emprego assume, entre os homens dos 60 aos 64 anos, uma “expressão significativa”. «Empreendorismo sénior – o potencial económico das pessoas idosas» será um dos temas a abordar na conferência de hoje por Laurie South, responsável por uma instituição inglesa que funciona como uma espécie de instituto de emprego, mas destinada a maiores de 50 anos.
O tema será também abordado pelo director-geral da Sénior Agency, primeira rede mundial de marketing e publicidade especializada em pessoas de mais de 45 anos. Benoît Goblot defenderá que “ignorar o poder de compra dos seniores é um erro que pode sair caro às empresas”, e que, “muitas vezes, é por desconhecerem as necessidades e a cultura das pessoas idosas que os profissionais preferem dirigir-se aos jovens ou às famílias”. A conferência integra-se na Semana Internacional de Intercâmbio Geração 50+, que inclui ainda um concurso de arte e uma reunião interactiva para apresentação de trabalhos académicos, projectos, iniciativas e bens ou serviços inovadores para idosos, que é organizada pela Associação Vida, pela Associação Saber Viver e pela Rede Europeia Anti-Pobreza do Porto.

