João Paulo Madeira, in Jornal de Notícias
Ministro entende que a economia está numa fase de ajustamento
O ministro do Trabalho e da Solidariedade Social garantiu, ontem, que o desemprego em Portugal está controlado. Face à discrepância entre os dados do Eurostat, mais altos do que os indicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), Vieira da Silva foi taxativo, à margem da Conferência "Emprego na Europa", que decorreu em Lisboa - os únicos valores oficiais são os do organismo português.
Segundo o Eurostat, a entidade responsável pelas estatísticas europeias, Portugal registou uma taxa de desemprego de 8,3%, em Agosto, face aos 7,5% que se verificavam no mesmo mês do ano passado. Já o INE aponta para uma taxa de 7,9%, no segundo trimestre do ano, o que representa uma desaceleração de 0,5% face ao primeiro trimestre do ano. Vieira da Silva entende que os dados do INE "são os únicos que podem ser comparados", classificando-os como "oficiais". "Os do Eurostat por vezes estão acima, outras vezes abaixo", afirmou.
Vieira da Silva sublinhou também que mesmo os números do Eurostat apontam para a estabilização da taxa de desemprego entre Fevereiro e Agosto deste ano, com oscilações decimais pouco significativas. Contudo, o ministro não deixa de encarar o desemprego em Portugal com preocupação. Vieira da Silva lembra que motivos ligados ao "ciclo" que o país atravessa explicam esta evolução.
"Estamos numa fase de mudança económica, diferente da que acontece na Europa", afirmou, lembrando que há novos sectores de actividade a ganhar importância e outros em queda, o que gera a perda de emprego. O ministro mostrou-se convicto, contudo, de que com maior crescimento económico o problema será ultrapassado. Na conferência, e tendo o emprego na Europa como tema de discussão, o governante já havia referido "factores de incerteza no mercado de trabalho" do espaço comunitário. Na intervenção, o ministro lembrou que o crescimento económico "é essencial", embora tenha de ser complementado com políticas sociais adequadas. Enquanto o ministro falava, cerca de 30 manifestantes da CGTP protestavam, junto ao local da conferência, contra o fecho recente de fábricas em Portugal.

