Almeida Cardoso, in Correio da Manhã
Condições de habitabilidade são absolutamente inexistentes
"Isto é pior do que um palheiro.” É assim que Manuel Covas define a sua casa, na aldeia de Capeludos, Vila Pouca de Aguiar, junto ao rio Tâmega.
Trata-se de um velho moinho em ruínas, sem casa de banho, praticamente desprovido de divisórias, ao ponto de seis pessoas (pai, mãe e quatro filhos com idades entre os 9 e os 18 anos) dormirem todas no mesmo quarto.
“Já vivo aqui desde pequenino. Isto era do meu bisavô, mas bem precisava de uma casinha melhor “ diz ao CM Manuel Covas, de 60 anos.
No quarto escuro e defumado pela lareira próxima, o soalho abana e já faltam tábuas. Casa de banho e água canalizada são ‘luxos’ que es-ta casa não tem.
A mãe dos quatro jovens, Carminda Fontes, de 45 anos, “também gostava de ter outra casa para viver”.
É um caso de absoluta miséria. Vivem do trabalho no campo, à jorna, mas isso, segundo Manuel Covas, é coisa pouca.
A pobreza da família não passa despercebida na aldeia. O conselho directivo de Baldios ofereceu-lhes um terreno para construir uma casa, mas falta dinheiro para isso.
Também a Comissão de Protecção Municipal de Crianças e Jovens em Risco foi obrigada a intervir e colocou os dois filhos mais novos, gémeos, numa família de acolhimento em Pedras Salgadas. Fonte da Câmara de Vila Pouca disse ao CM que “a família em questão recebe o Rendimento Social de Inserção e que os gémeos têm alimentação, livros e transportes gratuitos”. Em relação à casa, asseguram que “foram tentadas várias formas de nela intervir, esbarrando todas no facto de a mesma não pertencer à família”. Quanto a ajudas financeiras à família, garantem as assistentes sociais que “é tudo gasto em vinho”.

