in RTP
As organizações sem fins lucrativos têm maior peso na economia do que as indústrias de construção, finanças, água e electricidade, concluiu um relatório da Universidade Johns Hopkins, hoje divulgado.
Apresentando recentemente durante a 1ª Assembleia Global de Medição da Sociedade Civil e Voluntariado, em Bona, o trabalho, que analisou oito países, revelou que as organizações sem fins lucrativos têm assumido um papel "cada vez mais significativo" na economia.
Segundo concluiu, nos oito países analisados - Austrália, França, Nova Zelândia, Bélgica, Canadá, República Checa Japão e EUA - o sector da sociedade civil contribui tanto para o produto interno bruto (PIB) como as indústrias de construção e finanças e duas vezes mais do que a indústria das `utilities` (água e electricidade).
De acordo com o relatório, o sector da sociedade civil - que abrange hospitais, escolas, instituições de serviço social, grupos ambientais, entre outras organizações sem fins lucrativos - representa cinco por cento do PIB nos países estudados, chegando aos sete por cento nos EUA e no Canadá.
Em contraste, nestes países, a indústria das `utilities` representa apenas 2,3 por cento do PIB, enquanto a indústria de construção assume um peso de 5,1 por cento e a indústria financeira (bancos, companhias de seguros e serviços financeiros) de 5,6 por cento.
Em cinco dos oito países analisados as organizações sem fins lucrativos têm, recentemente, registado o dobro do ritmo de crescimento do PIB (8,1 por cento, face a 4,1 por cento do PIB).
Este relatório da Universidade Johns Hopkins surgiu na sequência do projecto internacional "Comparative Non-Profit Sector Project", no âmbito do qual foi também desenvolvido, em Portugal, um levantamento sobre o sector das organizações sem fins lucrativos locais.
Elaborado entre 2002 e 2005, o projecto contou em Portugal com a colaboração do Instituto Português de Estatística (INE) e da Faculdade de Economia e Gestão (FEG) da Universidade Católica.
No seguimento deste projecto, a Universidade Johns Hopkins desenvolveu, em conjunto com a Divisão Estatística das Nações Unidas, o Manual para a Conta Satélite das Organizações Sem Fins Lucrativos, para que periodicamente se conheça o peso e a importância da sociedade civil organizada na economia mundial.
Segundo adiantou à agência Lusa fonte da FEG, o desenvolvimento da Conta Satélite em Portugal vai ser iniciado "a curto prazo" pelo INE.

