11.10.07

Tratar os doentes mentais em casa

Teresa Cardoso, in Jornal de Notícias

Correia de Campos quer acabar com a segregação dos doentes


O Plano Nacional de Saúde Mental (PNSM) aprovado no início deste mês, em Conselho de Ministros, "é uma prioridade do Governo". Uma prioridade que se propõe alterar, até 2016, "o paradigma asilar" que ainda subsiste, particularmente no litoral, no tratamento da doença mental. A garantia foi deixada, ontem, em Viseu, pelo ministro Correia de Campos.

O titular da pasta da Saúde defendeu que a política em matéria de doença mental deve evitar a "segregação" dos doentes em grandes estabelecimentos e apostar no tratamento dos pacientes, sempre que tal for possível, no seu ambiente familiar e comunitário.

Não foi por acaso que Correia de Campos decidiu aceitar o convite do Departamento de Psiquiatria do Hospital de S. Teotónio, em Viseu, para celebrar o Dia Mundial da Saúde Mental. "Estamos também a celebrar os 30 anos de funcionamento do serviço comunitário deste departamento, um projecto âncora de grandes teóricos nacionais sobre esta matéria e, seguramente, do PNSM que estamos a implementar", reconheceu Correia de Campos.

O Departamento de Psiquiatria do Hospital de S. Teotónio, como reconheceu o ex-director Joaquim Fidalgo de Freitas, iniciou, há 30 anos, um trabalho comunitário pioneiro no país e na Europa baseado na deslocação de equipas a casa dos pacientes.

"Começámos esse trabalho devido à falta de recursos humanos e técnicos e atendendo às condições económicas de cidadãos, doentes mentais, que não podiam deslocar-se centenas de quilómetros para tomar uma injecção. Fico satisfeito por constatar que estávamos no caminho certo", declarou.

O PNSM será coordenado por António Leuschener.