9.10.07

Vieira da Silva diz que contas do desemprego se fazem no fim

in Jornal de Público

José Sócrates anunciou que Portugal vai propor a adopção pela União Europeia de um programa inspirado no Novas Oportunidades


O ministro do Trabalho e da Solidariedade escusou-se ontem a comentar a possibilidade de a taxa de desemprego ultrapassar os 7,5 por cento previstos no Orçamento do Estado para 2007.

"Os balanços são feitos no final do ano", disse Vieira da Silva à margem da Conferência Emprego na Europa - Perspectivas e Prioridades, integrada na presidência portuguesa da União Europeia (UE) e que hoje chega ao fim em Lisboa.

A conferência foi aproveitada pelo primeiro-ministro, José Sócrates, para anunciar que Portugal vai propor a adopção pela UE de um programa para a qualificação e emprego inspirado no Novas Oportunidades. Esse programa deverá validar as competências adquiridas ao longo da vida profissional e identificar as qualificações em falta.

Sobre o nível do desemprego, Vieira da Silva disse que o país já começou a inverter a tendência de crescimento e apontou como exemplo a recuperação do investimento privado em bens e equipamentos.

O ministro referiu também alguns indicadores, como estimativas recentes do Eurostat, que apontam para uma estabilidade do desemprego desde Fevereiro, a diminuição do número de inscritos nos centros de emprego [desemprego registado] e a redução das despesas com os subsídios.

"É uma situação desfavorável [taxa de desemprego] que temos que ultrapassar, mas é uma situação de estabilidade e não aquela situação de crescimento acelerado do desemprego que tínhamos entre 2000 e 2002", disse. A solução para reduzir o desemprego passa pelo investimento, pelo aumento das qualificações dos portugueses e por um enquadramento macroeconómico equilibrado, sublinhou.

Os últimos dados do Eurostat indicam que Portugal registou uma taxa de desemprego de 8,3 por cento em Agosto, face aos 7,5 por cento do mesmo mês de 2006. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, a taxa de desemprego situou-se nos 7,9 por cento no segundo trimestre do ano, o que traduz uma desaceleração de 0,5 pontos percentuais face ao primeiro trimestre. Quando comparado com o mesmo período do ano passado, a taxa subiu 0,6 pontos percentuais.

Já os números do desemprego registado revelam uma tendência diferente, sendo que o número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego caiu 10,2 por cento em Agosto, face ao período homólogo, mantendo a trajectória descendente pelo 18.º mês consecutivo.

As despesas com o subsídio de desemprego, subsídio social de desemprego e apoios ao emprego continuam a decrescer, tendo diminuído 5,2 por cento nos primeiros sete meses do ano, para mil milhões de euros, segundo a execução orçamental.
Igualmente à margem da conferência, o secretário de Estado do Emprego, Fernando Medina, disse que há sectores de actividade com grandes possibilidades de criação de postos de trabalho e apontou como exemplo a aquacultura e os serviços pessoais, como a assistência aos idosos e às crianças.