Por Margarida Bon de Sousa, in iOnline
Pedro Mota Soares desvaloriza dados do quarto trimestre
O ministro do Emprego, Pedro Mota Soares, desvalorizou a subida da taxa de desemprego no quarto trimestre, salientando que 2014 encerrou com um nível “bastante abaixo” do registado no início do ano.
“Pela primeira vez temos uma descida do desemprego no final do ano”, disse Pedro Mota Soares. “Podemos dizer que há uma descida consolidada”.
A taxa de desemprego subiu 0,4 pontos percentuais no 4.º trimestre de 2014 face ao anterior, para 13,5%, mas a taxa média anual caiu 2,3 pontos percentuais no ano passado face a 2013, para 13,9%, um valor que ficou aquém das previsões do executivo (14,2%).
O aumento do desemprego em Portugal, segundo dados divulgados hoje de manhã pelo INE, concentrou-se no Algarve, Alentejo e Madeira. A primeira das regiões teve uma subida de 3,7 pontos percentuais face ao trimestre anterior, na Madeira o crescimento foi de 2,1 pontos e no Alentejo de 1,9 pontos. A outra região do país onde o desemprego também aumentou foi o Centro, com uma ligeira variação de 10,5% para 10,7%.
No Norte, o desemprego caiu de 14,3% para 14,2%, nos Açores de 15,7% para 15,5% e em Lisboa estagnou nos 14%.
No quarto trimestre do ano passado, a população desempregada era composta por 50,1% de homens e 49,9% de mulheres, 18% dos quais jovens, entre os 15 e os 24 anos, 22,9% dos 25 aos 34 anos, 23,4% dos 35 aos 44 anos e 35,7% com 45 e mais anos.
Mais de metade da população desempregada (54,9%) tinha, no máximo, completado o terceiro ciclo do ensino básico, 28,1% o ensino secundário e 17% o ensino superior, estando 35,5% dos desempregados à procura de emprego há menos de 12 meses e 64,5% há 12 e mais meses.
4.2.15
Desemprego aumenta 0,4 pontos percentuais no quarto trimestre de 2014
Por Margarida Bon de Sousa, in iOnline
A taxa anual de desemprego no ano passado foi de 13,9%
A taxa de desemprego estimada para o quarto trimestre de 2014 pelo Instituto Nacional de Estatística foi de 13,5%. Este valor é superior em 0,4 pontos percentuais ao do trimestre anterior e inferior em 1,8 pontos percentuais ao do trimestre homólogo de 2013.
A população desempregada, estimada em 698,3 mil pessoas, representou um aumento trimestral de 1,4% e uma diminuição homóloga de 13,6% (mais 9,4 mil pessoas no quarto trimestre relativamente ao terceiro e menos 109,7 mil pessoas relativamente ao quarto trimestre de 2013).
A população empregada foi estimada em 4 491,6 mil pessoas, o que corresponde a um decréscimo trimestral de 1,6% (menos 73,5 mil pessoas) e a um acréscimo homólogo de 0,5% (mais 22,7 mil pessoas).
A taxa de actividade da população em idade activa situou-se em 58,5%, menos 0,7 p.p. do que no trimestre anterior e menos 0,8 p.p. do que no trimestre homólogo.
Em termos de média anual, o desemprego fixou-se em 13,9% em 2014, o que representou uma diminuição de 2,3 pontos percentuais em relação a 2013. O desemprego atingiu 726,0 mil pessoas, tendo diminuído 15,1% em relação ao ano anterior (menos 129,2 mil pessoas). A população empregada, estimada em 4 449,5 mil pessoas, registou um acréscimo anual de 1,6% (mais 70,1 mil pessoas).
A taxa anual de desemprego no ano passado foi de 13,9%
A taxa de desemprego estimada para o quarto trimestre de 2014 pelo Instituto Nacional de Estatística foi de 13,5%. Este valor é superior em 0,4 pontos percentuais ao do trimestre anterior e inferior em 1,8 pontos percentuais ao do trimestre homólogo de 2013.
A população desempregada, estimada em 698,3 mil pessoas, representou um aumento trimestral de 1,4% e uma diminuição homóloga de 13,6% (mais 9,4 mil pessoas no quarto trimestre relativamente ao terceiro e menos 109,7 mil pessoas relativamente ao quarto trimestre de 2013).
A população empregada foi estimada em 4 491,6 mil pessoas, o que corresponde a um decréscimo trimestral de 1,6% (menos 73,5 mil pessoas) e a um acréscimo homólogo de 0,5% (mais 22,7 mil pessoas).
A taxa de actividade da população em idade activa situou-se em 58,5%, menos 0,7 p.p. do que no trimestre anterior e menos 0,8 p.p. do que no trimestre homólogo.
Em termos de média anual, o desemprego fixou-se em 13,9% em 2014, o que representou uma diminuição de 2,3 pontos percentuais em relação a 2013. O desemprego atingiu 726,0 mil pessoas, tendo diminuído 15,1% em relação ao ano anterior (menos 129,2 mil pessoas). A população empregada, estimada em 4 449,5 mil pessoas, registou um acréscimo anual de 1,6% (mais 70,1 mil pessoas).
Criminalidade registou "tendência de redução” em 2014
in iOnline
Anabela Rodrigues ressalvou que estes dados de 2014 são provisórios e dizem respeito às áreas territoriais da PSP e da GNR
A ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, disse hoje, no parlamento, que a criminalidade participada às forças de segurança registou “a tendência de redução” em 2014.
Na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, a ministra adiantou que a criminalidade geral diminuiu seis por cento em 2014 em relação ao ano anterior e que a criminalidade grave e violenta decresceu quatro por cento.
Anabela Rodrigues ressalvou que estes dados de 2014 são provisórios e dizem respeito às áreas territoriais da PSP e da GNR.
Anabela Rodrigues ressalvou que estes dados de 2014 são provisórios e dizem respeito às áreas territoriais da PSP e da GNR
A ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, disse hoje, no parlamento, que a criminalidade participada às forças de segurança registou “a tendência de redução” em 2014.
Na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, a ministra adiantou que a criminalidade geral diminuiu seis por cento em 2014 em relação ao ano anterior e que a criminalidade grave e violenta decresceu quatro por cento.
Anabela Rodrigues ressalvou que estes dados de 2014 são provisórios e dizem respeito às áreas territoriais da PSP e da GNR.
3.2.15
Há mais pobreza, «não sei como Passos desmente isto»
Comentário de Constança Cunha e Sá, in TVI24
Constança Cunha e Sá considera que os números da pobreza em Portugal, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), na sexta-feira, mostram que o país não está melhor, como afirma o primeiro-ministro. Ao nível da pobreza, pelo contrário, está pior a cada ano que passa.
No seu comentário na TVI24, Constança Cunha e Sá diz não compreender como o primeiro-ministro consegue «desmentir» os números do INE, que mostram, claramente, que o nível de pobreza em Portugal é maior agora que há três anos.
«Estamos a falar de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, que vivem com menos de 411 euros por mês. (…) Um em cada quatro jovens ou crianças vive em risco de pobreza, isto afunda um país. (…) Depois temos outro dado grave que é a desigualdade. (…) O relatório do INE diz que a diferença entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres em 2013 foi de 12%, [quando já] tinha sido de 9%. Esse dado esteve sempre a subir, em 2010 era de 9,4, agora é de 12,1%. Passo Coelho pode dizer o que quiser, mas isto são números do INE, não sei como ele desmente isto. A verdade é que temos um índice de desigualdade pior do que há três anos».
Para a comentadora da TVI24, esta é a prova de que Passos Coelho precisa entender que as medidas do Governo não vão resolver os problemas do país num curto espaço de tempo, porque quem está hoje na pobreza dificilmente estará melhor em apenas um ano, até porque as medidas sociais têm sido as mais afetadas pelos cortes.
«O ano seguinte é sempre pior que o anterior. O que os especialistas dizem é que de facto os apoios sociais começam a não ter efeito nas pessoas. (…) Isto é muito grave quando vemos que o Governo tem vindo a cortar nos apoios sociais, portanto temos uma nova geração que é lançada na pobreza, e não é num ano que se consegue tirar esta gente da pobreza. Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso consegue perceber isso: um jovem que não tem dinheiro para estudar, ou que não está empregado, não melhora a sua vida de um ano para o outro», continuou.
Constança Cunha e Sá considera que os números da pobreza em Portugal, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), na sexta-feira, mostram que o país não está melhor, como afirma o primeiro-ministro. Ao nível da pobreza, pelo contrário, está pior a cada ano que passa.
No seu comentário na TVI24, Constança Cunha e Sá diz não compreender como o primeiro-ministro consegue «desmentir» os números do INE, que mostram, claramente, que o nível de pobreza em Portugal é maior agora que há três anos.
«Estamos a falar de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, que vivem com menos de 411 euros por mês. (…) Um em cada quatro jovens ou crianças vive em risco de pobreza, isto afunda um país. (…) Depois temos outro dado grave que é a desigualdade. (…) O relatório do INE diz que a diferença entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres em 2013 foi de 12%, [quando já] tinha sido de 9%. Esse dado esteve sempre a subir, em 2010 era de 9,4, agora é de 12,1%. Passo Coelho pode dizer o que quiser, mas isto são números do INE, não sei como ele desmente isto. A verdade é que temos um índice de desigualdade pior do que há três anos».
Para a comentadora da TVI24, esta é a prova de que Passos Coelho precisa entender que as medidas do Governo não vão resolver os problemas do país num curto espaço de tempo, porque quem está hoje na pobreza dificilmente estará melhor em apenas um ano, até porque as medidas sociais têm sido as mais afetadas pelos cortes.
«O ano seguinte é sempre pior que o anterior. O que os especialistas dizem é que de facto os apoios sociais começam a não ter efeito nas pessoas. (…) Isto é muito grave quando vemos que o Governo tem vindo a cortar nos apoios sociais, portanto temos uma nova geração que é lançada na pobreza, e não é num ano que se consegue tirar esta gente da pobreza. Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso consegue perceber isso: um jovem que não tem dinheiro para estudar, ou que não está empregado, não melhora a sua vida de um ano para o outro», continuou.
Portugal recuou uma década nos níveis de pobreza e exclusão social
in Esquerda.net
Paralelamente, a forte desigualdade na distribuição de rendimentos agravou-se. A “neutralização” das políticas sociais e o aumento exponencial do desemprego registadas nos últimos três anos de governo PSD/CDS-PP justificam o “aumento das fragilidades sociais”, segundo defende o investigador Carlos Farinha Rodrigues.
Em 2013, 19,5% da população auferia rendimentos abaixo da linha de pobreza - definida como 60% do rendimento mediano. No ano anterior, a taxa de pobreza fixava-se em 18,7%. Em 2004, esta taxa era de 19,4%, em 2005 de 18,5%, em 2006 de 18,1%. Em 2011, situava-se nos 17,9%.
Se for tida em conta a linha de pobreza estipulada para 2009, procedendo à sua atualização com base na variação dos preços, a taxa de pobreza atingiu os 25,9% em 2013. Estes dados constam do inquérito às condições de vida e rendimento, publicado no final da semana passada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
É “inequívoco” que se inverteu o ciclo de redução da pobreza
Segundo explica o investigador Carlos Farinha Rodrigues, especialista em desigualdades, exclusão social e políticas públicas, citado pelo jornal Público, com a diminuição dos rendimentos registada nos últimos anos a linha de pobreza também foi reduzida, o que implica que “as pessoas que antes eram pobres, agora, por via da quebra da linha de pobreza, ‘deixam de ser’, embora as suas condições não tenham melhorado ou até possam ter piorado”.
Para o economista e professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), é “inequívoco” que se inverteu o ciclo de redução da pobreza, tendo Portugal recuado “uma década em termos sociais”.
“Quando olhamos para aquilo que aconteceu até 2009, vemos que grande parte da redução da pobreza se deveu às políticas sociais, em particular às que foram dirigidas à pobreza e à exclusão social – o Complemento Solidário para Idosos (CSI), o Rendimento Social de Inserção (RSI), as pensões sociais”, afirmou Carlos Farinha Rodrigues, sublinhando que a “neutralização dessas políticas” nos últimos três anos justificam, a par da subida exponencial do desemprego, o “aumento das fragilidades sociais”.
Se ter emprego “não é uma vacina contra a pobreza”, com um em cada dez trabalhadores em risco de pobreza, certo é que o risco é ainda mais flagrante para os desempregados, que contam com uma taxa de 40,5%, face aos 40,3% registados em 2012 e os 36,0% em 2010.
Mulheres e crianças são as mais atingidas pelo agravamento da pobreza
O agravamento da pobreza atingiu todos os grupos etários, no entanto, foi mais expressivo entre mulheres (20%) e crianças (25,6%). As famílias monoparentais foram aquelas que mais sofreram com a deterioração das condições de vida. Neste tipo de agregado familiar, a taxa de pobreza atingiu os 38,4%.
A par do aumento da taxa de pobreza também se verificou uma intensificação da pobreza, com a percentagem de recursos que faltam para as pessoas pobres deixarem de o ser a subir de forma exponencial, ascendendo a 30,3% em 2013, face aos 27,4% registados no ano anterior e os 23,2% de 2010.
“Não só estamos a agravar fortemente a taxa de pobreza como estamos a [deixar que] os pobres tenham piores condições”, lamentou o investigador Carlos Farinha Rodrigues.
Por outro lado, mais de um quarto da população não tinha acesso, em 2014, a, pelo menos, três de nove itens relacionados com bens e necessidades económicas. No total, 25,7% da população vive em privação material e 10,6% vive “em situação de privação material severa”, registando pelo menos quatro das nove dificuldades.
Paralelamente ao empobrecimento da população, verificou-se um agravamento da “forte desigualdade na distribuição dos rendimentos”. Em 2013, o rendimento dos 10% da população com mais recursos era 11,1 vezes superior ao rendimento dos 10% da população com menos recursos. Um ano antes, a diferença era de 10,7 e em 2010 de 9,4.
Paralelamente, a forte desigualdade na distribuição de rendimentos agravou-se. A “neutralização” das políticas sociais e o aumento exponencial do desemprego registadas nos últimos três anos de governo PSD/CDS-PP justificam o “aumento das fragilidades sociais”, segundo defende o investigador Carlos Farinha Rodrigues.
Em 2013, 19,5% da população auferia rendimentos abaixo da linha de pobreza - definida como 60% do rendimento mediano. No ano anterior, a taxa de pobreza fixava-se em 18,7%. Em 2004, esta taxa era de 19,4%, em 2005 de 18,5%, em 2006 de 18,1%. Em 2011, situava-se nos 17,9%.
Se for tida em conta a linha de pobreza estipulada para 2009, procedendo à sua atualização com base na variação dos preços, a taxa de pobreza atingiu os 25,9% em 2013. Estes dados constam do inquérito às condições de vida e rendimento, publicado no final da semana passada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
É “inequívoco” que se inverteu o ciclo de redução da pobreza
Segundo explica o investigador Carlos Farinha Rodrigues, especialista em desigualdades, exclusão social e políticas públicas, citado pelo jornal Público, com a diminuição dos rendimentos registada nos últimos anos a linha de pobreza também foi reduzida, o que implica que “as pessoas que antes eram pobres, agora, por via da quebra da linha de pobreza, ‘deixam de ser’, embora as suas condições não tenham melhorado ou até possam ter piorado”.
Para o economista e professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), é “inequívoco” que se inverteu o ciclo de redução da pobreza, tendo Portugal recuado “uma década em termos sociais”.
“Quando olhamos para aquilo que aconteceu até 2009, vemos que grande parte da redução da pobreza se deveu às políticas sociais, em particular às que foram dirigidas à pobreza e à exclusão social – o Complemento Solidário para Idosos (CSI), o Rendimento Social de Inserção (RSI), as pensões sociais”, afirmou Carlos Farinha Rodrigues, sublinhando que a “neutralização dessas políticas” nos últimos três anos justificam, a par da subida exponencial do desemprego, o “aumento das fragilidades sociais”.
Se ter emprego “não é uma vacina contra a pobreza”, com um em cada dez trabalhadores em risco de pobreza, certo é que o risco é ainda mais flagrante para os desempregados, que contam com uma taxa de 40,5%, face aos 40,3% registados em 2012 e os 36,0% em 2010.
Mulheres e crianças são as mais atingidas pelo agravamento da pobreza
O agravamento da pobreza atingiu todos os grupos etários, no entanto, foi mais expressivo entre mulheres (20%) e crianças (25,6%). As famílias monoparentais foram aquelas que mais sofreram com a deterioração das condições de vida. Neste tipo de agregado familiar, a taxa de pobreza atingiu os 38,4%.
A par do aumento da taxa de pobreza também se verificou uma intensificação da pobreza, com a percentagem de recursos que faltam para as pessoas pobres deixarem de o ser a subir de forma exponencial, ascendendo a 30,3% em 2013, face aos 27,4% registados no ano anterior e os 23,2% de 2010.
“Não só estamos a agravar fortemente a taxa de pobreza como estamos a [deixar que] os pobres tenham piores condições”, lamentou o investigador Carlos Farinha Rodrigues.
Por outro lado, mais de um quarto da população não tinha acesso, em 2014, a, pelo menos, três de nove itens relacionados com bens e necessidades económicas. No total, 25,7% da população vive em privação material e 10,6% vive “em situação de privação material severa”, registando pelo menos quatro das nove dificuldades.
Paralelamente ao empobrecimento da população, verificou-se um agravamento da “forte desigualdade na distribuição dos rendimentos”. Em 2013, o rendimento dos 10% da população com mais recursos era 11,1 vezes superior ao rendimento dos 10% da população com menos recursos. Um ano antes, a diferença era de 10,7 e em 2010 de 9,4.
Tomar vai acabar com turma de alunos ciganos
in TSF
O caso levantou polémica, quando a escola básica do 1º ciclo dos Templários decidiu juntar alunos de etnia cigana numa única turma. O Alto Comissariado das Migrações prometeu acompanhar o caso. Ao fim de cinco meses de aulas, o organismo salienta que a criação da turma não foi uma boa prática, por isso, vai acabar no final do ano letivo.
O Alto Comissariado para as Migrações regista uma evolução positiva dos alunos ciganos que foram reunidos numa única turma, no início do ano letivo. Os alunos ciganos não têm faltado às aulas, apresentam bons resultados e até estão mais bem comportados.
A turma é constituída por 14 crianças, entre os 7 e 14 anos, de diferentes anos de escolaridade. Quando a decisão foi tomada, o caso levantou dúvidas e críticas de pais, do próprio Alto Comissariado para as Migrações e houve até uma queixa que chegou ao Provedor de Justiça.
A Escola Básica do 1º ciclo dos Templários defendeu sempre a medida explicando que o critério não tinha sido a etnia dos alunos, mas o facto de serem repetentes.
Agora no 2º período letivo, o Alto Comissariado para as Migrações revela à TSF que apesar de não ser uma boa prática, a experiência até está a correr bem. Os alunos «têm vindo a ser gradualmente, integrados noutras turmas da mesma escola», mas no próximo ano letivo, esta turma já «não será mantida».
Na nota enviada à TSF, o Alto Comissariado para as Migrações adianta ainda que «está a ser feita uma aposta na abertura da escola aos encarregados de educação» para «permitir um trabalho mais sistemático e estruturado».
Ideia contrária defende o vereador da Educação da Câmara Municipal de Tomar. Hugo Cristóvão acredita que seria uma boa opção manter a turma exclusiva para alunos de etnia cigana, face aos bons resultados que têm sido obtidos.
A TSF tentou falar com o director da Escola básica do 1º ciclo dos Templários
O caso levantou polémica, quando a escola básica do 1º ciclo dos Templários decidiu juntar alunos de etnia cigana numa única turma. O Alto Comissariado das Migrações prometeu acompanhar o caso. Ao fim de cinco meses de aulas, o organismo salienta que a criação da turma não foi uma boa prática, por isso, vai acabar no final do ano letivo.
O Alto Comissariado para as Migrações regista uma evolução positiva dos alunos ciganos que foram reunidos numa única turma, no início do ano letivo. Os alunos ciganos não têm faltado às aulas, apresentam bons resultados e até estão mais bem comportados.
A turma é constituída por 14 crianças, entre os 7 e 14 anos, de diferentes anos de escolaridade. Quando a decisão foi tomada, o caso levantou dúvidas e críticas de pais, do próprio Alto Comissariado para as Migrações e houve até uma queixa que chegou ao Provedor de Justiça.
A Escola Básica do 1º ciclo dos Templários defendeu sempre a medida explicando que o critério não tinha sido a etnia dos alunos, mas o facto de serem repetentes.
Agora no 2º período letivo, o Alto Comissariado para as Migrações revela à TSF que apesar de não ser uma boa prática, a experiência até está a correr bem. Os alunos «têm vindo a ser gradualmente, integrados noutras turmas da mesma escola», mas no próximo ano letivo, esta turma já «não será mantida».
Na nota enviada à TSF, o Alto Comissariado para as Migrações adianta ainda que «está a ser feita uma aposta na abertura da escola aos encarregados de educação» para «permitir um trabalho mais sistemático e estruturado».
Ideia contrária defende o vereador da Educação da Câmara Municipal de Tomar. Hugo Cristóvão acredita que seria uma boa opção manter a turma exclusiva para alunos de etnia cigana, face aos bons resultados que têm sido obtidos.
A TSF tentou falar com o director da Escola básica do 1º ciclo dos Templários
Portugal vive «excesso de ignorância» e «défice de conhecimento»
in TVI24
No final da convenção «Tempo de avançar», Viriato Soromenho Marques falou da necessidade de inteligência e sentido crítico e lamentou a «degradação da democracia representativa» e a «captura do poder político» pelas instituições financeiras
Portugal vive o tempo de «uma política de legítima defesa», devido a uma crise de «excesso de ignorância» e um «défice de conhecimento», considerou este sábado o filósofo Viriato Soromenho Marques no final da convenção «Tempo de avançar».
A convenção juntou 600 participantes em Lisboa, entre independentes e movimentos como o LIVRE que se juntaram na iniciativa «Tempo de Avançar», que disputará as próximas eleições legislativas.
A convenção foi o início desse processo de fazer as listas de candidatos a deputados e aprovou também documentos regimentais e as linhas programáticas (com o título genérico «Avançar agora para recuperar o futuro»).
Aos presentes, o filósofo e professor falou da necessidade de inteligência e sentido crítico e lamentou a «degradação da democracia representativa» e a «captura do poder político» pelas instituições financeiras.
E insurgiu-se contra a «náusea» que causam os casos relacionados com bancos como o BES ou o BPN, contra a «legislação escrita por lobistas», contra as democracias não serem capazes de dar resposta aos «desafios globais da crise» e à «globalização caótica do sistema económico».
«A globalização financeira está a chegar ao ponto de rutura, se a política não tiver capacidade de regular a esfera financeira», avisou, lembrando uma lei norte-americana de 1933 que separou e protegeu os bancos comerciais face aos de investimento, e que foi abolida em 1999.
«Com uma lei assim o caso BES nunca teria acontecido», disse Soromenho Marques à Lusa, acrescentando que o mundo é cada vez mais de desigualdades e mais «sujeito a bolhas financeiras».
No entender do responsável a construção europeia «é talvez a principal vítima da anarquia da globalização financeira», com uma união económica e monetária que «em vez de proteger os cidadãos, os povos e os Estados acabou por os transformar em vítimas dos mercados».
É por isso que, disse, a Europa vive «um momento perigoso», com a Grécia (que elegeu um partido que se assumiu de rutura contra a austeridade) a poder sofrer «momentos dolorosos».
O movimento «Tempo de Avançar» tem uma dinâmica de crescimento enorme e se não vai resolver sozinho os problemas vai dar uma contribuição, disse também à Lusa.
Na convenção aprovou-se as linhas programáticas da candidatura, que perspetivam um orçamento do Estado com «redistribuição mais justa da carga fiscal», a valorização do salário mínimo, e a proteção das famílias que percam a casa por não pagamento de hipotecas.
E um «processo de desprivatização» que inclua a TAP, Águas de Portugal e Caixa Geral de Depósitos, e eventualmente a nacionalização de empresas ou atividades «indevidamente privatizadas ou concessionadas».
No documento preconiza-se mudanças no sistema eleitoral para incluir um círculo nacional, e o direito de voto dos imigrantes que vivam no país há mais de três anos. E quer-se também um novo referendo sobre a regionalização, com a qual concordam.
Nas políticas sociais deve de restringir-se o papel dos privados, deve reorganiza-se o setor da Saúde, e, diz-se no documento, devem limitar-se as «atribuições excessivas de bónus» a quadros superiores.
Nele também se defende a criação de um rendimento básico «atribuído a todos os cidadãos». Mas de criação ponderada. E só se for sustentável.
No final da convenção «Tempo de avançar», Viriato Soromenho Marques falou da necessidade de inteligência e sentido crítico e lamentou a «degradação da democracia representativa» e a «captura do poder político» pelas instituições financeiras
Portugal vive o tempo de «uma política de legítima defesa», devido a uma crise de «excesso de ignorância» e um «défice de conhecimento», considerou este sábado o filósofo Viriato Soromenho Marques no final da convenção «Tempo de avançar».
A convenção juntou 600 participantes em Lisboa, entre independentes e movimentos como o LIVRE que se juntaram na iniciativa «Tempo de Avançar», que disputará as próximas eleições legislativas.
A convenção foi o início desse processo de fazer as listas de candidatos a deputados e aprovou também documentos regimentais e as linhas programáticas (com o título genérico «Avançar agora para recuperar o futuro»).
Aos presentes, o filósofo e professor falou da necessidade de inteligência e sentido crítico e lamentou a «degradação da democracia representativa» e a «captura do poder político» pelas instituições financeiras.
E insurgiu-se contra a «náusea» que causam os casos relacionados com bancos como o BES ou o BPN, contra a «legislação escrita por lobistas», contra as democracias não serem capazes de dar resposta aos «desafios globais da crise» e à «globalização caótica do sistema económico».
«A globalização financeira está a chegar ao ponto de rutura, se a política não tiver capacidade de regular a esfera financeira», avisou, lembrando uma lei norte-americana de 1933 que separou e protegeu os bancos comerciais face aos de investimento, e que foi abolida em 1999.
«Com uma lei assim o caso BES nunca teria acontecido», disse Soromenho Marques à Lusa, acrescentando que o mundo é cada vez mais de desigualdades e mais «sujeito a bolhas financeiras».
No entender do responsável a construção europeia «é talvez a principal vítima da anarquia da globalização financeira», com uma união económica e monetária que «em vez de proteger os cidadãos, os povos e os Estados acabou por os transformar em vítimas dos mercados».
É por isso que, disse, a Europa vive «um momento perigoso», com a Grécia (que elegeu um partido que se assumiu de rutura contra a austeridade) a poder sofrer «momentos dolorosos».
O movimento «Tempo de Avançar» tem uma dinâmica de crescimento enorme e se não vai resolver sozinho os problemas vai dar uma contribuição, disse também à Lusa.
Na convenção aprovou-se as linhas programáticas da candidatura, que perspetivam um orçamento do Estado com «redistribuição mais justa da carga fiscal», a valorização do salário mínimo, e a proteção das famílias que percam a casa por não pagamento de hipotecas.
E um «processo de desprivatização» que inclua a TAP, Águas de Portugal e Caixa Geral de Depósitos, e eventualmente a nacionalização de empresas ou atividades «indevidamente privatizadas ou concessionadas».
No documento preconiza-se mudanças no sistema eleitoral para incluir um círculo nacional, e o direito de voto dos imigrantes que vivam no país há mais de três anos. E quer-se também um novo referendo sobre a regionalização, com a qual concordam.
Nas políticas sociais deve de restringir-se o papel dos privados, deve reorganiza-se o setor da Saúde, e, diz-se no documento, devem limitar-se as «atribuições excessivas de bónus» a quadros superiores.
Nele também se defende a criação de um rendimento básico «atribuído a todos os cidadãos». Mas de criação ponderada. E só se for sustentável.
Só uma em cada dez famílias consegue renegociar dívidas
por Fátima Casanova, in RR
Em 29 mil pedidos de ajuda, só foi possível responder a cerca de 2.800. Para a Deco este é um claro sinal de que a situação financeira das famílias continua a agravar-se.
O número de famílias que ainda reúnem condições para serem ajudadas na restruturação das suas dividas está a diminuir, de acordo com a Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor. Apenas cerca de uma em cada dez consegue renegociar os seus créditos.
De acordo com o boletim estatístico da Deco, a que a Renascença teve acesso, o número de pedidos de ajuda estabilizou nos 29 mil, mas, em dois anos, caiu para metade a abertura de novos processos.
Mantém-se, assim, a tendência de queda do número de famílias que conseguem ter a ajuda da associação. Em 2014, dos 29 mil pedidos de ajuda que chegaram ao gabinete de apoio ao sobreendividado, só 2.768 famílias tinham condições para reestruturar as suas dívidas.
Para a coordenadora do gabinete de apoio ao sobreendividado da Deco, Natália Nunes, este é um sinal de que a situação financeira das famílias tem vindo a agravar-se.
"Já se tinha agravado em 2013, comparativamente com 2012, e continuou a agravar-se ainda mais em 2014. O agravar dessa situação levou a que a maior parte das famílias que nos contactou não tivesse qualquer capacidade para conseguir reestruturar a sua situação financeira", afirma Natália Nunes.
Há outro sinal que indica até que ponto estão a aumentar as dificuldades das famílias, alerta a coordenadora do gabinete de apoio ao sobreendividado: "Tem a ver com o facto de, cada vez mais, termos famílias a pedirem-nos ajuda e que já não estão a residir em Portugal, estão fora do país e tiveram de sair do país porque foram confrontadas com situações de desemprego e pediram-nos ajuda para renegociar as dívidas que têm em Portugal".
Em média, cada família que está a ser acompanhada pela Deco paga, todos os meses, 778 euros de prestações por quatro créditos. Também em média, as famílias que pediram ajuda em 2014 tinham um rendimento mensal na ordem dos mil euros.
Para pôr um travão ao sobreendividamento, a associação aconselha que os encargos com o crédito não ultrapassem 40% do rendimento mensal.
Em 29 mil pedidos de ajuda, só foi possível responder a cerca de 2.800. Para a Deco este é um claro sinal de que a situação financeira das famílias continua a agravar-se.
O número de famílias que ainda reúnem condições para serem ajudadas na restruturação das suas dividas está a diminuir, de acordo com a Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor. Apenas cerca de uma em cada dez consegue renegociar os seus créditos.
De acordo com o boletim estatístico da Deco, a que a Renascença teve acesso, o número de pedidos de ajuda estabilizou nos 29 mil, mas, em dois anos, caiu para metade a abertura de novos processos.
Mantém-se, assim, a tendência de queda do número de famílias que conseguem ter a ajuda da associação. Em 2014, dos 29 mil pedidos de ajuda que chegaram ao gabinete de apoio ao sobreendividado, só 2.768 famílias tinham condições para reestruturar as suas dívidas.
Para a coordenadora do gabinete de apoio ao sobreendividado da Deco, Natália Nunes, este é um sinal de que a situação financeira das famílias tem vindo a agravar-se.
"Já se tinha agravado em 2013, comparativamente com 2012, e continuou a agravar-se ainda mais em 2014. O agravar dessa situação levou a que a maior parte das famílias que nos contactou não tivesse qualquer capacidade para conseguir reestruturar a sua situação financeira", afirma Natália Nunes.
Há outro sinal que indica até que ponto estão a aumentar as dificuldades das famílias, alerta a coordenadora do gabinete de apoio ao sobreendividado: "Tem a ver com o facto de, cada vez mais, termos famílias a pedirem-nos ajuda e que já não estão a residir em Portugal, estão fora do país e tiveram de sair do país porque foram confrontadas com situações de desemprego e pediram-nos ajuda para renegociar as dívidas que têm em Portugal".
Em média, cada família que está a ser acompanhada pela Deco paga, todos os meses, 778 euros de prestações por quatro créditos. Também em média, as famílias que pediram ajuda em 2014 tinham um rendimento mensal na ordem dos mil euros.
Para pôr um travão ao sobreendividamento, a associação aconselha que os encargos com o crédito não ultrapassem 40% do rendimento mensal.
Requalificação da Segurança Social "cria problemas" à protecção de crianças
in iOnline
O antigo juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça que, em 2015, cumpre 10 anos à frente da CPCJ, admitiu que as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens "estão preocupadas"
A requalificação da Segurança Social está a criar problemas às Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), que estão a deixar de ter reforço técnico daquela entidade, admitiu hoje o presidente da comissão nacional.
"Cria alguns problemas, na medida em que há menos gente (…). Mas há um intuito de procurar colmatar esta diferença de meios para garantir às crianças e famílias a concretização dos seus direitos", disse hoje à agência Lusa Armando Leandro, Presidente da Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco (CPCJR).
Fonte ligada ao processo no distrito de Coimbra explicou que a requalificação da Segurança Social retirou técnicos na capital de distrito e nos municípios de Cantanhede e Figueira da Foz, nomeadamente profissionais alocados às equipas das CPCJ que dão assessoria aos tribunais.
O antigo juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça que, em 2015, cumpre 10 anos à frente da CPCJ, admitiu que as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens "estão preocupadas" com a diminuição de meios disponíveis.
"É compreensível, na medida em que já não eram muitos os meios que tinham. São decisões que nos transcendem, mas não vamos desistir de conseguir procurar a boa funcionalidade das comissões", adiantou Armando Leandro.
Em declarações à margem da apresentação pública do Plano Local de Promoção e Protecção das Crianças e Jovens de Montemor-o-Velho, Armando Leandro destacou o "muito empenho, sentimento e competência" das comissões, argumentando que as CPCJ "já demonstraram que não desistem, têm sensibilidade para tratar um problema extremamente complexo que as leva a um trabalho que ultrapassa muito o dever funcional e têm a consciência clara de que se trata de uma prioridade".
"E, por isso, merecem o respeito e a admiração do país", frisou.
Quanto aos planos locais de promoção e prevenção, adiantou que cerca de 100 estão concluídos ou em fase de elaboração e que as CPCJ têm aderido "de forma salutar e progressiva".
"Tenho uma grande esperança que as CPCJ possam contribuir para uma conquista em Portugal, que é uma cultura de prevenção que nós não temos. Os planos vão permitir passar de acções esporádicas, para uma prevenção sistémica e constante. Sem prevenir, nunca conseguiremos reduzir suficientemente os problemas. E se não tivermos qualidade na infância não temos qualidade humana", disse Armando Leandro.
O antigo juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça que, em 2015, cumpre 10 anos à frente da CPCJ, admitiu que as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens "estão preocupadas"
A requalificação da Segurança Social está a criar problemas às Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), que estão a deixar de ter reforço técnico daquela entidade, admitiu hoje o presidente da comissão nacional.
"Cria alguns problemas, na medida em que há menos gente (…). Mas há um intuito de procurar colmatar esta diferença de meios para garantir às crianças e famílias a concretização dos seus direitos", disse hoje à agência Lusa Armando Leandro, Presidente da Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco (CPCJR).
Fonte ligada ao processo no distrito de Coimbra explicou que a requalificação da Segurança Social retirou técnicos na capital de distrito e nos municípios de Cantanhede e Figueira da Foz, nomeadamente profissionais alocados às equipas das CPCJ que dão assessoria aos tribunais.
O antigo juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça que, em 2015, cumpre 10 anos à frente da CPCJ, admitiu que as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens "estão preocupadas" com a diminuição de meios disponíveis.
"É compreensível, na medida em que já não eram muitos os meios que tinham. São decisões que nos transcendem, mas não vamos desistir de conseguir procurar a boa funcionalidade das comissões", adiantou Armando Leandro.
Em declarações à margem da apresentação pública do Plano Local de Promoção e Protecção das Crianças e Jovens de Montemor-o-Velho, Armando Leandro destacou o "muito empenho, sentimento e competência" das comissões, argumentando que as CPCJ "já demonstraram que não desistem, têm sensibilidade para tratar um problema extremamente complexo que as leva a um trabalho que ultrapassa muito o dever funcional e têm a consciência clara de que se trata de uma prioridade".
"E, por isso, merecem o respeito e a admiração do país", frisou.
Quanto aos planos locais de promoção e prevenção, adiantou que cerca de 100 estão concluídos ou em fase de elaboração e que as CPCJ têm aderido "de forma salutar e progressiva".
"Tenho uma grande esperança que as CPCJ possam contribuir para uma conquista em Portugal, que é uma cultura de prevenção que nós não temos. Os planos vão permitir passar de acções esporádicas, para uma prevenção sistémica e constante. Sem prevenir, nunca conseguiremos reduzir suficientemente os problemas. E se não tivermos qualidade na infância não temos qualidade humana", disse Armando Leandro.
Violência doméstica. A homenagem das câmaras
in iOnline
Quatro municípios aceitaram o desafio do i de dar o nome de uma vítima de violência doméstica a uma rua, como forma de homenagem a todas as vítimas de um crime que se repete de norte a sul do país. Da escolha da rua ao envolvimento das associações que trabalham nesta área, autarquias dão os primeiros passos para concretizar a iniciativa
Braga está a fazer o levantamento das ruas disponíveis
Em 2014, Braga registou uma vítima mortal por violência doméstica e duas tentativas de homicídio. Fazendo as contas desde 2004, foram 14 as mulheres mortas por maridos ou namorados. Será uma delas a dar nome a uma rua em Braga. A autarquia está agora em contacto com a APAV para que sejam fornecidos os dados sobre as vítimas, e pedidas as devidas autorizações à família. Também já foi solicitada à divisão de toponímia da cidade a lista de ruas ainda sem nome. “Por questões burocráticas, será mais fácil atribuir o nome a um espaço novo do que mudar o nome actual de uma rua”, explicou ao i Firmino Marques, responsável pelas políticas sociais da câmara de Braga. Entretanto, a cidade vai inaugurar um edifício que vai servir de apoio à reintegração na sociedade de vítimas de violência doméstica.
“A câmara de Braga felicita o i por esta iniciativa. A violência doméstica é um flagelo social que importa erradicar. Além das diversas acções que a autarquia tem levado a cabo, não podemos deixar de nos associar a outras iniciativas – como é o caso desta homenagem”
Ricardo Rio
Presidente da câmara de Braga
Amadora. Um acto simbólico para avançar rapidamente
Prevenir, intervir junto dos agressores, atender e acompanhar as vítimas de violência doméstica: estes são os principais eixos do plano municipal da Amadora contra um crime que, no ano passado, causou uma vítima no concelho, além do registo de duas tentativas de homicídio. Para já, os serviços sociais da autarquia estão a recolher os dados para a homenagem a que Carla Tavares, presidente da edilidade, se associou. O município está também a verificar se há, neste momento, alguma rua disponível para que seja criado um novo topónimo na cidade – uma homenagem simbólica para avançar “o mais rápido possível”, de acordo com fonte oficial da câmara, e que a Amadora pretende juntar ao trabalho efectivo, no terreno, de combate a um fenómeno que o município reconhece como “complexo”.
“O município da Amadora está sensível ao fenómeno crescente da violência doméstica e tem procurado uma intervenção de proximidade com as vítimas. Contudo, por considerar que este apoio, por si só, não diminui este flagelo, estamos empenhados num trabalho de prevenção”
Carla Tavares
Presidente da Câmara da Amadora
Viseu. Envolver as associações que trabalham no terreno
Em Viseu, a câmara iniciou contactos com associações locais que trabalham, no terreno, na prevenção e combate à violência doméstica. O objectivo passa por envolver estas associações na iniciativa, escolhendo em conjunto o nome que irá homenagear, na toponímia da cidade, todas as vítimas deste crime. Almeida Henriques, presidente da autarquia viseense, também já comunicou, em reunião do executivo camarário, a intenção de avançar com esta medida. Viseu será, aliás, já este mês, o palco do julgamento de um crime que, em Abril do ano passado, chocou o país. Depois de ter cortado a pulseira electrónica, Manuel Baltazar – ou Manuel “Palito”, como ficou conhecido – matou a tiro a mãe e a tia da ex-companheira, alvejando também a ex-mulher e a própria filha. O julgamento terá início a 10 de Fevereiro.
“Os testemunhos e os números de vítimas de violência doméstica são um retrato a negro da sociedade portuguesa. Em Viseu aderimos à ideia de homenagear as vítimas na toponímia de uma rua da cidade. Fazemo-lo no contexto de uma intervenção colectiva que nos comprometemos a aprofundar”
Almeida Henriques
Presidente da câmara de Viseu
Cascais disponível para homenagear todas as vítimas
Cascais podia servir de exemplo positivo para o país, tendo em conta que 2014 foi um ano sem mortes por violência doméstica, não havendo também registos em 2011 e 2012. A autarquia está a aguardar que o tribunal liberte o nome de uma vítima anterior a esse ano. Segundo os registos da polícia, em 2010, uma mulher foi morta a tiro pelo marido, que se suicidou de seguida. No entanto, o nome da vítima nunca foi divulgado. O município mostrou abertura para adoptar o caso de outra cidade portuguesa como seu, passando a homenagem do particular para o geral. Assim, em vez de a rua ter o nome de uma vítima em específico, passaria a homenagear “o nome de todas as mulheres vítimas de violência doméstica”, esclareceu fonte oficial da autarquia.
“Juntamente com os nossos parceiros, pusemos no terreno uma série de políticas de prevenção, apoio e sensibilização para que, em Cascais, o medo não tenha hipóteses. Para que, em Cascais, a dignidade vença. Para que, em Cascais, um dos mais cobardes dos crimes não tenha nunca mais lugar, em lugar nenhum”
Carlos Carreiras
Presidente da Câmara de Cascais
Quatro municípios aceitaram o desafio do i de dar o nome de uma vítima de violência doméstica a uma rua, como forma de homenagem a todas as vítimas de um crime que se repete de norte a sul do país. Da escolha da rua ao envolvimento das associações que trabalham nesta área, autarquias dão os primeiros passos para concretizar a iniciativa
Braga está a fazer o levantamento das ruas disponíveis
Em 2014, Braga registou uma vítima mortal por violência doméstica e duas tentativas de homicídio. Fazendo as contas desde 2004, foram 14 as mulheres mortas por maridos ou namorados. Será uma delas a dar nome a uma rua em Braga. A autarquia está agora em contacto com a APAV para que sejam fornecidos os dados sobre as vítimas, e pedidas as devidas autorizações à família. Também já foi solicitada à divisão de toponímia da cidade a lista de ruas ainda sem nome. “Por questões burocráticas, será mais fácil atribuir o nome a um espaço novo do que mudar o nome actual de uma rua”, explicou ao i Firmino Marques, responsável pelas políticas sociais da câmara de Braga. Entretanto, a cidade vai inaugurar um edifício que vai servir de apoio à reintegração na sociedade de vítimas de violência doméstica.
“A câmara de Braga felicita o i por esta iniciativa. A violência doméstica é um flagelo social que importa erradicar. Além das diversas acções que a autarquia tem levado a cabo, não podemos deixar de nos associar a outras iniciativas – como é o caso desta homenagem”
Ricardo Rio
Presidente da câmara de Braga
Amadora. Um acto simbólico para avançar rapidamente
Prevenir, intervir junto dos agressores, atender e acompanhar as vítimas de violência doméstica: estes são os principais eixos do plano municipal da Amadora contra um crime que, no ano passado, causou uma vítima no concelho, além do registo de duas tentativas de homicídio. Para já, os serviços sociais da autarquia estão a recolher os dados para a homenagem a que Carla Tavares, presidente da edilidade, se associou. O município está também a verificar se há, neste momento, alguma rua disponível para que seja criado um novo topónimo na cidade – uma homenagem simbólica para avançar “o mais rápido possível”, de acordo com fonte oficial da câmara, e que a Amadora pretende juntar ao trabalho efectivo, no terreno, de combate a um fenómeno que o município reconhece como “complexo”.
“O município da Amadora está sensível ao fenómeno crescente da violência doméstica e tem procurado uma intervenção de proximidade com as vítimas. Contudo, por considerar que este apoio, por si só, não diminui este flagelo, estamos empenhados num trabalho de prevenção”
Carla Tavares
Presidente da Câmara da Amadora
Viseu. Envolver as associações que trabalham no terreno
Em Viseu, a câmara iniciou contactos com associações locais que trabalham, no terreno, na prevenção e combate à violência doméstica. O objectivo passa por envolver estas associações na iniciativa, escolhendo em conjunto o nome que irá homenagear, na toponímia da cidade, todas as vítimas deste crime. Almeida Henriques, presidente da autarquia viseense, também já comunicou, em reunião do executivo camarário, a intenção de avançar com esta medida. Viseu será, aliás, já este mês, o palco do julgamento de um crime que, em Abril do ano passado, chocou o país. Depois de ter cortado a pulseira electrónica, Manuel Baltazar – ou Manuel “Palito”, como ficou conhecido – matou a tiro a mãe e a tia da ex-companheira, alvejando também a ex-mulher e a própria filha. O julgamento terá início a 10 de Fevereiro.
“Os testemunhos e os números de vítimas de violência doméstica são um retrato a negro da sociedade portuguesa. Em Viseu aderimos à ideia de homenagear as vítimas na toponímia de uma rua da cidade. Fazemo-lo no contexto de uma intervenção colectiva que nos comprometemos a aprofundar”
Almeida Henriques
Presidente da câmara de Viseu
Cascais disponível para homenagear todas as vítimas
Cascais podia servir de exemplo positivo para o país, tendo em conta que 2014 foi um ano sem mortes por violência doméstica, não havendo também registos em 2011 e 2012. A autarquia está a aguardar que o tribunal liberte o nome de uma vítima anterior a esse ano. Segundo os registos da polícia, em 2010, uma mulher foi morta a tiro pelo marido, que se suicidou de seguida. No entanto, o nome da vítima nunca foi divulgado. O município mostrou abertura para adoptar o caso de outra cidade portuguesa como seu, passando a homenagem do particular para o geral. Assim, em vez de a rua ter o nome de uma vítima em específico, passaria a homenagear “o nome de todas as mulheres vítimas de violência doméstica”, esclareceu fonte oficial da autarquia.
“Juntamente com os nossos parceiros, pusemos no terreno uma série de políticas de prevenção, apoio e sensibilização para que, em Cascais, o medo não tenha hipóteses. Para que, em Cascais, a dignidade vença. Para que, em Cascais, um dos mais cobardes dos crimes não tenha nunca mais lugar, em lugar nenhum”
Carlos Carreiras
Presidente da Câmara de Cascais
Manuel Lemos. “Em Portugal, só passa fome quem quer”
Marta Cerqueira, in iOnline
Manuel Lemos está há nove anos à frente das Misericórdias. “Ajudamos diariamente 150 mil pessoas, o que é o dobro de há dez anos”
O cargo de presidente da União das Misericórdias chegou-lhe às mãos depois da junção de uma série de factores: estava divorciado e, por isso, com mais disponibilidade, os filhos tinham o percurso encaminhado e reunia experiência na área social, acrescendo ao facto de ser católico. “Existem muitas instituições de solidariedade, mas nenhuma se assemelha às Misericórdias”, diz com o orgulho de quem gere as 400 em território português e ajuda no trabalho das mais 4200 em todo o mundo. Aos 65 anos, os planos começam a ser feitos a curto prazo, sendo a primeira prioridade acabar o mandato actual, já com os olhos postos numa “responsabilidade maior”, a da sucessão.
Em que é que a crise mudou as Misericórdias?
No plano interno houve um movimento de agregação, porque percebemos que nenhuma Misericórdia pode viver por si. No plano externo tivemos de aprender a fazer mais com menos, tendo em conta que a procura aumentou. As pessoas passaram a ter mais consciência das Misericórdias como uma instituição que pode realmente ajudar em alturas de dificuldade.
Ao mesmo tempo, nota que as pessoas ficam mais solidárias em tempos de crise?
Claro que sim. Os portugueses, nessas matérias, são muito emotivos, tomam as dores dos outros com muita facilidade, mas também se esquecem com a mesma facilidade. Temos o exemplo de Timor, que teve uma onda de solidariedade nunca vista, mas que passou rápido. As pessoas têm dificuldade em manter uma solidariedade permanente e habituaram-se a descarregar o que é mau no Estado e nas instituições.
O perfil de quem pede ajuda mudou?
Os que já pediam continuam a pedir, mas passaram a aparecer mais jovens que, normalmente, só numa fase mais avançada da vida é que tomariam consciência da presença das Misericórdias.
Deparam-se com muitos casos de pobreza envergonhada?
Sempre notámos isso. Aliás, as 700 Misericórdias italianas especializaram-se em pobreza envergonhada e temos pedido ajuda para enfrentar o problema em Portugal
Ser pobre é um estigma?
É uma questão de auto-estima, acima de tudo. Já vi casos de pais que estão desempregados mas que todos os dias se vestem como se fossem trabalhar, para os filhos não perceberem. Quando abrimos as cantinas sociais, só o pai ia ao local buscar comida para a família toda, para evitar expor a mulher e os filhos. Acabámos por ter de facilitar e permitir que as pessoas levassem comida para casa.
Mas as necessidades mudaram?
Há um conceito mais alargado de pobreza, de quem teve de mudar os seus padrões de vida. Somos um país pobre da União Europeia, mas a nossa pobreza não é a de há 30 anos. Na célebre manifestação de 15 de Setembro, ouvi uma senhora dizer “quero a minha vida de volta”. Percebi-a, ela pedia a expectativa de vida dela de volta. Estamos a falar da classe média que comprou casa e carro, fazia férias no estrangeiro e, de repente, se viu sem nada disso. Isso entra num plano íntimo das pessoas que se manifesta numa agressividade latente, no ar triste do dia-a-dia, nos insultos ao governo e, agora, até à oposição.
Ainda conseguem dar resposta a todos os pedidos de ajuda?
So far, so good. Mas toda esta situação levou a uma enorme descapitalização das Misericórdias, temos muitas Misericórdias nas lonas.
Quantas pessoas assistem?
Ajudamos diariamente 150 mil pessoas, o que é o dobro de há dez anos. Se a isso juntarmos a assistência hospitalar, esse número cresce exponencialmente.
Quais são os principais problemas sociais do nosso país?
Temos dois gravíssimos: a baixa natalidade e o envelhecimento da população.
O aumento da esperança média de vida arrasta consigo um conjunto de fragilidades do ser humano que se manifesta, por exemplo, nas urgências hospitalares.
O que pode ser feito para inverter a situação?
Do lado do envelhecimento, há muito a fazer e há três actores que precisam de se sentar à mesa sem preconceitos: a Saúde, a Segurança Social e as instituições da sociedade civil. Quanto à natalidade, devíamos termos 2,1 filhos para garantir a renovação das gerações e eu, como tenho dois filhos, já dei a minha contribuição (risos). É preciso criar condições para que as pessoas tenham filhos e, para isso, não basta baixar o IRS ou dar mais tempo às mães para ficarem em casa. Diz-se que os jovens são egoístas e não querem ter filhos, mas eu acho que os jovens se preocupam e muito com o futuro que podem dar aos filhos e, por isso, ser pai passou a ser uma decisão tão ponderada.
Como classifica o comportamento do governo face à solidariedade social?
Face às pessoas, este governo foi uma desilusão, tendo em conta que lhes cortou reformas, subsídios, etc. Em relação às instituições, este governo foi exemplar, porque se sentou a conversar connosco. O governo percebeu que, sem nós, tínhamos tido uma situação muito pior. Quando se diz que somos a almofada social, nós somos a almofada, o travesseiro, o edredão, o colchão com penas.
É um apoiante deste governo?
É comum dizerem isso, mas eu não apoio o governo, apoio as Misericórdias. Se o governo quer conversar comigo sobre isso, claro que me interessa, mas se o governo me vem dizer o que fazer, já não me interessa. Eu sei que é fácil bater em Passos Coelho, mas atendeu-me sempre que eu precisei. Não é muito cool dizer isto, mas é verdade.
Foram obrigados a pedir mais apoio ao Estado nos últimos anos?
Tem sido difícil, porque o Estado não tem dinheiro. Só conseguimos continuar a fazer o nosso trabalho porque houve o esforço de fazer mais com menos.
Mas as Misericórdias também têm sido uma ajuda para o Estado. Veja-se agora o caso das urgências.
A abertura de hospitais da Misericórdia para apoiar os do SNS vai ser inevitável. O nosso objectivo não é ter lucro, é atender as pessoas, e isso vai continuar a acontecer desde que o Estado seja justo e pague, pelo menos, aquilo que lhe custa a ele.
Quais são as vantagens deste aumento de poder das Misericórdias nos hospitais?
Não acho que seja uma questão de poder, mas sim de serviço. O Estado tinha nacionalizado tudo, depois devolveu tudo e só faltava devolver os hospitais. Tivemos uma paciência infinita.
É de esperar alguma mudança significativa?
Queremos aumentar as respostas e é por isso que vamos avançar com um seguro de saúde das Misericórdias. O Estado pode não estar interessado, mas as pessoas sim, e contam com um valor de Misericórdia. A saúde é um factor determinante para a fixação das populações. Havendo um bom serviço de saúde, as pessoas não sentem necessidade de sair do local onde vivem, entrando num processo de renovação local.
A vossa gestão vai ser diferente da que era feita pelo ministério?
Não tenho a prepotência de achar que somos melhores que os gestores públicos, mas a nossa natureza dá-nos uma maior rapidez na resposta do que a que o Estado pode oferecer. Se um provedor diz que quer um ecógrafo, o Estado tem de fazer um concurso público. Nas Misericórdias podemos comprar no próprio dia, e isso muda tudo.
O que é que as Misericórdias ganham com a gestão hospitalar?
O cumprimento da nossa missão. Cuidar dos doentes é uma das obras da Misericórdia e é importante lembrar que, se um hospital fechar porque o provedor quis, ele passa de bestial a besta mais depressa que um treinador de futebol. A população não perdoa que uma coisa que foi criada há 500 anos faça algo contra ela.
E as cantinas sociais, outra das bandeiras das Misericórdias, continuam a ter muita procura?
O número estabilizou e diminuiu em alguns casos.
Mas acha que a fome ainda é um problema em Portugal?
Em algumas zonas urbanas e bairros sociais é um problema, sim. Mas também digo que, em Portugal, só passa fome quem quer. Há quem passe fome por desconhecimento da presença das cantinas sociais e temos também os casos de pobreza envergonhada que preferem não pedir ajuda. Mas não é por falta de resposta.
Os problemas são os mesmos em todo o país?
Não, há uma grande diferença entre o urbano e o rural e, às vezes, basta uma distância de 20 quilómetros para se ver as diferenças. Uma pessoa do interior tem de andar vários quilómetros para chegar ao hospital; em Lisboa, basta uma viagem de metro. No entanto, no meio rural, basta ir ao quintal para se ter animais e legumes para a alimentação, coisa que não acontece na cidade. Há pessoas que acham que Portugal, por ser pequeno, é todo igual, mas as diferenças são enormes.
Mota Soares disse que os portugueses batem mais rapidamente à porta de uma Misericórdia que do Estado. Concorda?
Batem de outra forma, batem com a certeza que são mais bem tratados. É diferente entrar em casa de um amigo ou em casa da nossa família e, ainda que o Estado seja o amigo, a Misericórdia faz parte da família.
A esquerda em Portugal ainda é a ala mais solidária?
O PS tem uma tradição fantástica e única de ligação ao sector social que o PSD e o CDS estão a recuperar. Temos provedores de todos os partidos, temos inclusive muitos do PCP que são pessoas fantásticas e merecem todo o mérito. Mas não ando a perguntar a cada provedor qual é a sua preferência política.
Mas diria que tem mais provedores de esquerda?
Não, tenho muitos simpatizantes com o PSD. Houve uma ideia que uma certa esquerda mais folclórica e liberal criou que as Misericórdias seriam uma coisa do passado, uma coisa de velhinhos, mas já se percebeu que não corresponde à verdade.
Um governo liderado por António Costa seria diferente a nível social?
Ainda não tive oportunidade de falar sobre isso com António Costa mas, em teoria, as preocupações mantêm-se, as formas de actuar é que são diferentes.
O seu nome é apontado como o mais certo para substituir Silva Peneda no Conselho Económico e Social. Como tem sido abordado o tema?
Não me tenho preocupado nada com isso. Fiquei muito surpreendido, mas não entra na minha equação.
Não pensa aceitar o cargo?
Esse cargo é de exclusividade. Não seria compatível com a presidência da União das Misericórdias.
Entre os dois cargos, qual escolheria?
A União das Misericórdias. Uma coisa é fazer uma substituição pontual de um presidente e ficar lá uns meses. Para ajudar, estou sempre disponível, mas para ficar em permanência não.
Quem acha que seria a pessoa ideal?
(risos) Pergunte ao dr. Passos Coelho ou ao dr. António Costa.
Manuel Lemos está há nove anos à frente das Misericórdias. “Ajudamos diariamente 150 mil pessoas, o que é o dobro de há dez anos”
O cargo de presidente da União das Misericórdias chegou-lhe às mãos depois da junção de uma série de factores: estava divorciado e, por isso, com mais disponibilidade, os filhos tinham o percurso encaminhado e reunia experiência na área social, acrescendo ao facto de ser católico. “Existem muitas instituições de solidariedade, mas nenhuma se assemelha às Misericórdias”, diz com o orgulho de quem gere as 400 em território português e ajuda no trabalho das mais 4200 em todo o mundo. Aos 65 anos, os planos começam a ser feitos a curto prazo, sendo a primeira prioridade acabar o mandato actual, já com os olhos postos numa “responsabilidade maior”, a da sucessão.
Em que é que a crise mudou as Misericórdias?
No plano interno houve um movimento de agregação, porque percebemos que nenhuma Misericórdia pode viver por si. No plano externo tivemos de aprender a fazer mais com menos, tendo em conta que a procura aumentou. As pessoas passaram a ter mais consciência das Misericórdias como uma instituição que pode realmente ajudar em alturas de dificuldade.
Ao mesmo tempo, nota que as pessoas ficam mais solidárias em tempos de crise?
Claro que sim. Os portugueses, nessas matérias, são muito emotivos, tomam as dores dos outros com muita facilidade, mas também se esquecem com a mesma facilidade. Temos o exemplo de Timor, que teve uma onda de solidariedade nunca vista, mas que passou rápido. As pessoas têm dificuldade em manter uma solidariedade permanente e habituaram-se a descarregar o que é mau no Estado e nas instituições.
O perfil de quem pede ajuda mudou?
Os que já pediam continuam a pedir, mas passaram a aparecer mais jovens que, normalmente, só numa fase mais avançada da vida é que tomariam consciência da presença das Misericórdias.
Deparam-se com muitos casos de pobreza envergonhada?
Sempre notámos isso. Aliás, as 700 Misericórdias italianas especializaram-se em pobreza envergonhada e temos pedido ajuda para enfrentar o problema em Portugal
Ser pobre é um estigma?
É uma questão de auto-estima, acima de tudo. Já vi casos de pais que estão desempregados mas que todos os dias se vestem como se fossem trabalhar, para os filhos não perceberem. Quando abrimos as cantinas sociais, só o pai ia ao local buscar comida para a família toda, para evitar expor a mulher e os filhos. Acabámos por ter de facilitar e permitir que as pessoas levassem comida para casa.
Mas as necessidades mudaram?
Há um conceito mais alargado de pobreza, de quem teve de mudar os seus padrões de vida. Somos um país pobre da União Europeia, mas a nossa pobreza não é a de há 30 anos. Na célebre manifestação de 15 de Setembro, ouvi uma senhora dizer “quero a minha vida de volta”. Percebi-a, ela pedia a expectativa de vida dela de volta. Estamos a falar da classe média que comprou casa e carro, fazia férias no estrangeiro e, de repente, se viu sem nada disso. Isso entra num plano íntimo das pessoas que se manifesta numa agressividade latente, no ar triste do dia-a-dia, nos insultos ao governo e, agora, até à oposição.
Ainda conseguem dar resposta a todos os pedidos de ajuda?
So far, so good. Mas toda esta situação levou a uma enorme descapitalização das Misericórdias, temos muitas Misericórdias nas lonas.
Quantas pessoas assistem?
Ajudamos diariamente 150 mil pessoas, o que é o dobro de há dez anos. Se a isso juntarmos a assistência hospitalar, esse número cresce exponencialmente.
Quais são os principais problemas sociais do nosso país?
Temos dois gravíssimos: a baixa natalidade e o envelhecimento da população.
O aumento da esperança média de vida arrasta consigo um conjunto de fragilidades do ser humano que se manifesta, por exemplo, nas urgências hospitalares.
O que pode ser feito para inverter a situação?
Do lado do envelhecimento, há muito a fazer e há três actores que precisam de se sentar à mesa sem preconceitos: a Saúde, a Segurança Social e as instituições da sociedade civil. Quanto à natalidade, devíamos termos 2,1 filhos para garantir a renovação das gerações e eu, como tenho dois filhos, já dei a minha contribuição (risos). É preciso criar condições para que as pessoas tenham filhos e, para isso, não basta baixar o IRS ou dar mais tempo às mães para ficarem em casa. Diz-se que os jovens são egoístas e não querem ter filhos, mas eu acho que os jovens se preocupam e muito com o futuro que podem dar aos filhos e, por isso, ser pai passou a ser uma decisão tão ponderada.
Como classifica o comportamento do governo face à solidariedade social?
Face às pessoas, este governo foi uma desilusão, tendo em conta que lhes cortou reformas, subsídios, etc. Em relação às instituições, este governo foi exemplar, porque se sentou a conversar connosco. O governo percebeu que, sem nós, tínhamos tido uma situação muito pior. Quando se diz que somos a almofada social, nós somos a almofada, o travesseiro, o edredão, o colchão com penas.
É um apoiante deste governo?
É comum dizerem isso, mas eu não apoio o governo, apoio as Misericórdias. Se o governo quer conversar comigo sobre isso, claro que me interessa, mas se o governo me vem dizer o que fazer, já não me interessa. Eu sei que é fácil bater em Passos Coelho, mas atendeu-me sempre que eu precisei. Não é muito cool dizer isto, mas é verdade.
Foram obrigados a pedir mais apoio ao Estado nos últimos anos?
Tem sido difícil, porque o Estado não tem dinheiro. Só conseguimos continuar a fazer o nosso trabalho porque houve o esforço de fazer mais com menos.
Mas as Misericórdias também têm sido uma ajuda para o Estado. Veja-se agora o caso das urgências.
A abertura de hospitais da Misericórdia para apoiar os do SNS vai ser inevitável. O nosso objectivo não é ter lucro, é atender as pessoas, e isso vai continuar a acontecer desde que o Estado seja justo e pague, pelo menos, aquilo que lhe custa a ele.
Quais são as vantagens deste aumento de poder das Misericórdias nos hospitais?
Não acho que seja uma questão de poder, mas sim de serviço. O Estado tinha nacionalizado tudo, depois devolveu tudo e só faltava devolver os hospitais. Tivemos uma paciência infinita.
É de esperar alguma mudança significativa?
Queremos aumentar as respostas e é por isso que vamos avançar com um seguro de saúde das Misericórdias. O Estado pode não estar interessado, mas as pessoas sim, e contam com um valor de Misericórdia. A saúde é um factor determinante para a fixação das populações. Havendo um bom serviço de saúde, as pessoas não sentem necessidade de sair do local onde vivem, entrando num processo de renovação local.
A vossa gestão vai ser diferente da que era feita pelo ministério?
Não tenho a prepotência de achar que somos melhores que os gestores públicos, mas a nossa natureza dá-nos uma maior rapidez na resposta do que a que o Estado pode oferecer. Se um provedor diz que quer um ecógrafo, o Estado tem de fazer um concurso público. Nas Misericórdias podemos comprar no próprio dia, e isso muda tudo.
O que é que as Misericórdias ganham com a gestão hospitalar?
O cumprimento da nossa missão. Cuidar dos doentes é uma das obras da Misericórdia e é importante lembrar que, se um hospital fechar porque o provedor quis, ele passa de bestial a besta mais depressa que um treinador de futebol. A população não perdoa que uma coisa que foi criada há 500 anos faça algo contra ela.
E as cantinas sociais, outra das bandeiras das Misericórdias, continuam a ter muita procura?
O número estabilizou e diminuiu em alguns casos.
Mas acha que a fome ainda é um problema em Portugal?
Em algumas zonas urbanas e bairros sociais é um problema, sim. Mas também digo que, em Portugal, só passa fome quem quer. Há quem passe fome por desconhecimento da presença das cantinas sociais e temos também os casos de pobreza envergonhada que preferem não pedir ajuda. Mas não é por falta de resposta.
Os problemas são os mesmos em todo o país?
Não, há uma grande diferença entre o urbano e o rural e, às vezes, basta uma distância de 20 quilómetros para se ver as diferenças. Uma pessoa do interior tem de andar vários quilómetros para chegar ao hospital; em Lisboa, basta uma viagem de metro. No entanto, no meio rural, basta ir ao quintal para se ter animais e legumes para a alimentação, coisa que não acontece na cidade. Há pessoas que acham que Portugal, por ser pequeno, é todo igual, mas as diferenças são enormes.
Mota Soares disse que os portugueses batem mais rapidamente à porta de uma Misericórdia que do Estado. Concorda?
Batem de outra forma, batem com a certeza que são mais bem tratados. É diferente entrar em casa de um amigo ou em casa da nossa família e, ainda que o Estado seja o amigo, a Misericórdia faz parte da família.
A esquerda em Portugal ainda é a ala mais solidária?
O PS tem uma tradição fantástica e única de ligação ao sector social que o PSD e o CDS estão a recuperar. Temos provedores de todos os partidos, temos inclusive muitos do PCP que são pessoas fantásticas e merecem todo o mérito. Mas não ando a perguntar a cada provedor qual é a sua preferência política.
Mas diria que tem mais provedores de esquerda?
Não, tenho muitos simpatizantes com o PSD. Houve uma ideia que uma certa esquerda mais folclórica e liberal criou que as Misericórdias seriam uma coisa do passado, uma coisa de velhinhos, mas já se percebeu que não corresponde à verdade.
Um governo liderado por António Costa seria diferente a nível social?
Ainda não tive oportunidade de falar sobre isso com António Costa mas, em teoria, as preocupações mantêm-se, as formas de actuar é que são diferentes.
O seu nome é apontado como o mais certo para substituir Silva Peneda no Conselho Económico e Social. Como tem sido abordado o tema?
Não me tenho preocupado nada com isso. Fiquei muito surpreendido, mas não entra na minha equação.
Não pensa aceitar o cargo?
Esse cargo é de exclusividade. Não seria compatível com a presidência da União das Misericórdias.
Entre os dois cargos, qual escolheria?
A União das Misericórdias. Uma coisa é fazer uma substituição pontual de um presidente e ficar lá uns meses. Para ajudar, estou sempre disponível, mas para ficar em permanência não.
Quem acha que seria a pessoa ideal?
(risos) Pergunte ao dr. Passos Coelho ou ao dr. António Costa.
Projecto nacional pretende dar a conhecer técnicas de envelhecimento activo
in iOnline
A Associação Portuguesa Conversas de Psicologia (APCP) pretende dar a conhecer técnicas para estimular o envelhecimento activo, através de acções de formação a técnicos e estudantes da área da gerontologia.
As acções de formação são a materialização dos estudos de doutoramento e pós-doutoramento de Ricardo Pocinho, que, nas suas investigações, observou que as actividades "de envelhecimento activo são receitadas a quem já é activo", considerando ser necessário promover ferramentas e actividades junto de outra parte da população idosa.
A iniciativa pretende dotar "os formandos com ferramentas que possam utilizar nos seus locais de trabalho", sem serem necessários muitos recursos, e que podem ser aplicadas quer em lares ou centros de dia, quer em projectos de voluntariado, disse à agência Lusa Ricardo Pocinho.
Na formação, serão ensinados "jogos de motricidade, pequenos movimentos que podem ser ministrados a pessoas com dificuldade de mobilidade, plataformas electrónicas e informáticas para estímulo cognitivo", entre outras actividades.
"As pessoas que já fazem alguma actividade são as que têm mobilidade, recursos financeiros e vivem em centros mais urbanos e esquecemo-nos dos outros, que não têm acesso" a actividades de envelhecimento activo, sublinhou o investigador especializado na área da gerontologia.
Com o curso, pretende-se preencher esse vazio, explanou.
A formação, de oito horas, tem como público-alvo os técnicos "a trabalhar na área do envelhecimento, estudantes de cursos técnico-profissionais e de licenciaturas de áreas como a psicologia ou serviço social", avançou Vitor Anjos, Presidente da APCP.
"Não existe, a nível nacional, formação [deste tipo] às populações", frisou.
Segundo Vitor Anjos, a formação está já marcada para Lousã, Coimbra, Góis, Vila Nova da Barquinha, Aveiro e Covilhã, podendo haver mais cidades presentes no projecto como Viseu, Barcelos, Amarante ou Albufeira.
O projecto vai decorrer até ao final deste ano civil, sendo que depois poderá ser lançado um segundo módulo, com uma formação mais extensa, informou.
A Associação Portuguesa Conversas de Psicologia (APCP) pretende dar a conhecer técnicas para estimular o envelhecimento activo, através de acções de formação a técnicos e estudantes da área da gerontologia.
As acções de formação são a materialização dos estudos de doutoramento e pós-doutoramento de Ricardo Pocinho, que, nas suas investigações, observou que as actividades "de envelhecimento activo são receitadas a quem já é activo", considerando ser necessário promover ferramentas e actividades junto de outra parte da população idosa.
A iniciativa pretende dotar "os formandos com ferramentas que possam utilizar nos seus locais de trabalho", sem serem necessários muitos recursos, e que podem ser aplicadas quer em lares ou centros de dia, quer em projectos de voluntariado, disse à agência Lusa Ricardo Pocinho.
Na formação, serão ensinados "jogos de motricidade, pequenos movimentos que podem ser ministrados a pessoas com dificuldade de mobilidade, plataformas electrónicas e informáticas para estímulo cognitivo", entre outras actividades.
"As pessoas que já fazem alguma actividade são as que têm mobilidade, recursos financeiros e vivem em centros mais urbanos e esquecemo-nos dos outros, que não têm acesso" a actividades de envelhecimento activo, sublinhou o investigador especializado na área da gerontologia.
Com o curso, pretende-se preencher esse vazio, explanou.
A formação, de oito horas, tem como público-alvo os técnicos "a trabalhar na área do envelhecimento, estudantes de cursos técnico-profissionais e de licenciaturas de áreas como a psicologia ou serviço social", avançou Vitor Anjos, Presidente da APCP.
"Não existe, a nível nacional, formação [deste tipo] às populações", frisou.
Segundo Vitor Anjos, a formação está já marcada para Lousã, Coimbra, Góis, Vila Nova da Barquinha, Aveiro e Covilhã, podendo haver mais cidades presentes no projecto como Viseu, Barcelos, Amarante ou Albufeira.
O projecto vai decorrer até ao final deste ano civil, sendo que depois poderá ser lançado um segundo módulo, com uma formação mais extensa, informou.
Mulher em estado grave depois de esfaqueada pelo companheiro, em Cuba, Alentejo
in iOnline
Mulher tem 29 anos
Uma mulher foi hoje à noite hospitalizada em estado grave, depois de esfaqueada alegadamente pelo companheiro, que se pôs em fuga, em Cuba, no distrito de Beja, disse à Lusa fonte da GNR.
A fonte da força de segurança adiantou à agência Lusa que a mulher, de 29 anos, foi transportada para o hospital de Beja, onde ficou internada.
Segundo a mesma fonte, a GNR está a efetuar diligências no sentido de localizar o suspeito, com idade próxima dos 40 anos.
De acordo com fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja, a ocorrência foi registada no Monte do Acácio, próximo de Cuba, tendo o alerta sido dado às 21:19.
Para o local foram mobilizados meios e operacionais dos Bombeiros Voluntários de Cuba, uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Beja e militares da GNR.
Mulher tem 29 anos
Uma mulher foi hoje à noite hospitalizada em estado grave, depois de esfaqueada alegadamente pelo companheiro, que se pôs em fuga, em Cuba, no distrito de Beja, disse à Lusa fonte da GNR.
A fonte da força de segurança adiantou à agência Lusa que a mulher, de 29 anos, foi transportada para o hospital de Beja, onde ficou internada.
Segundo a mesma fonte, a GNR está a efetuar diligências no sentido de localizar o suspeito, com idade próxima dos 40 anos.
De acordo com fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja, a ocorrência foi registada no Monte do Acácio, próximo de Cuba, tendo o alerta sido dado às 21:19.
Para o local foram mobilizados meios e operacionais dos Bombeiros Voluntários de Cuba, uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Beja e militares da GNR.
Casos de famílias em dificuldades caem pela primeira vez desde 2011
Raquel Almeida Correia, in Público on-line
Processos abertos pela Deco caíram 31% porque há cada vez mais famílias sem margem para recuperar. Degradação das condições de trabalho ultrapassa desemprego como causa do sobreendividamento.
Pela primeira vez desde 2011, os pedidos de ajuda de famílias em dificuldades financeiras caíram. No ano passado, 29.006 famílias contactaram a Deco para lidarem com situações de sobreendividamento, o que significou uma queda, embora ligeira, face a 2013. Já o número de processos abertos pela associação de apoio aos consumidores fixou-se em 2768, menos 31% do que no ano anterior. Uma redução que se explica com o facto de haver cada vez mais casos em que já há pouca margem para recuperar
Desde que a Deco abriu o gabinete de apoio ao sobreendividado, no ano 2000, os pedidos de ajuda não pararam de aumentar. Dados cedidos ao PÚBLICO pela associação mostram que, logo em 2009, os contactos quase duplicaram. No ano seguinte abrandaram, mas voltaram a disparar a partir de 2011. No ano passado, porém, registaram a primeira queda dos últimos quatro anos, embora com um recuo ténue de 208 casos.
A maioria dos pedidos de auxílio não tem seguimento, visto que a Deco não acompanha situações em que já não haja recuperação possível ou que tenham resultado em acções judiciais, como as insolvências. E, por isso, dos mais de 29 mil contactos registados em 2014 foram abertos apenas 2768 processos de acompanhamento, o que significa uma redução de 31% face a 2013. Já nesse ano o número de tinha caído 25% em relação ao 2012 – período em que os processos abertos atingiram um pico de 5407.
A coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS), Natália Nunes, explica que este recuo está relacionado com o facto de haver “um agravamento tão acentuado nas dificuldades que há cada vez mais quem não consiga reestruturar o orçamento familiar” e encontrar uma solução para os seus problemas financeiros. “De ano para ano, as dificuldades das famílias são cada vez mais graves. Há uns anos socorriam-se das poupanças ou da ajuda de amigos e familiares, mas essas saídas já não existem”, refere a responsável.
Uma das diferenças que se tem feito sentir desde 2008 é o número de créditos associados a cada processo que a Deco acompanha. Se, naquele ano, a média era haver sete empréstimos, em 2014 a fasquia desceu para quatro. Natália Nunes esclarece que esta tendência não se deve apenas a uma maior restrição na concessão de crédito, mas sobretudo ao facto de “as pessoas estarem muito mais responsáveis e com receio do futuro, o que as leva a decisões mais ponderadas”. Uma atitude que também é visível na taxa média de esforço das famílias, que desceu de 90% em 2013 para 73% no ano passado.
No ano passado, a maioria das situações de sobreendividamento (52%) foi resolvida com a renegociação de todos os créditos. Outros 29% foram arquivados depois de reestruturada uma parte dos empréstimos. E, por fim, em 19% dos casos não se conseguiu alcançar qualquer tipo de renegociação. Em média, os processos são concluídos em três meses e envolvem diversos contactos com as entidades credoras, como a banca.
Piores condições de trabalho
A coordenadora do GAS destaca ainda o facto de a degradação das condições de trabalho, que vinham escalando no ranking das causas para o sobreendividamento nos últimos anos, ter ultrapassado pela primeira vez o desemprego, ao representar 33% dos motivos pelos quais a Deco abre novos processos. Natália Nunes exemplifica que o rendimento médio das famílias que pedem ajuda à associação tem vindo a cair substancialmente – de cerca de 1500 euros em 2010 para pouco mais de 1060 euros em 2014.
Ao mesmo tempo, as causas relacionadas com as penhoras também subiram de 6% para 9% no período de um ano, estando por vezes associadas “a dívidas de terceiros, de que os sobreendividados se tornaram fiadores”, explica.
A maioria dos pedidos de ajuda chegou das grandes cidades, com Lisboa e Porto a representarem quase 57% do total. A capital lidera, com uma percentagem de 30,3%. Seguem-se na lista Setúbal (12,3%), Aveiro (6,7%) e Santarém (4,1%). As regiões do país com menos incidência de casos de sobreendividamento em contacto com a Deco são Guarda, Bragança (ambas com 0,5%) e Vila Real (0,4%).
É na faixa etária entre os 40 e os 54 anos que os pedidos de ajuda são mais usuais, com uma taxa de 39%, embora os casos entre os 25 e os 39 anos surjam logo a seguir, com 33%. Mas os crescimentos mais significativos têm abrangido a franja da população com mais de 55 anos, que passou a representar 26%, quando em 2012 o peso era de 21%.
Também são mais os casados que recorrem à Deco (46%), embora haja cada vez mais solteiros a fazê-lo (26%, que comparam com os 22% de 2012). De acordo com dados da associação, a maioria dos sobreendividados tem o segundo/terceiro ciclo (33%) ou o ensino secundário (36%). E trabalha no sector privado (35%) ou está desempregado (30%). O número de casos de funcionários públicos tem vindo a diminuir, ao contrário do que acontece com os reformados, que em 2012 tinham um peso de 13% e no ano passado chegaram aos 15%.
Natália Nunes acredita que o número de pedidos de ajuda “possa não aumentar muito mais” em 2015, mas também “não se espera uma grande redução”. Para a coordenadora do GAS, não se antevê “uma melhoria significativa nas condições financeiras das famílias”.
Processos abertos pela Deco caíram 31% porque há cada vez mais famílias sem margem para recuperar. Degradação das condições de trabalho ultrapassa desemprego como causa do sobreendividamento.
Pela primeira vez desde 2011, os pedidos de ajuda de famílias em dificuldades financeiras caíram. No ano passado, 29.006 famílias contactaram a Deco para lidarem com situações de sobreendividamento, o que significou uma queda, embora ligeira, face a 2013. Já o número de processos abertos pela associação de apoio aos consumidores fixou-se em 2768, menos 31% do que no ano anterior. Uma redução que se explica com o facto de haver cada vez mais casos em que já há pouca margem para recuperar
Desde que a Deco abriu o gabinete de apoio ao sobreendividado, no ano 2000, os pedidos de ajuda não pararam de aumentar. Dados cedidos ao PÚBLICO pela associação mostram que, logo em 2009, os contactos quase duplicaram. No ano seguinte abrandaram, mas voltaram a disparar a partir de 2011. No ano passado, porém, registaram a primeira queda dos últimos quatro anos, embora com um recuo ténue de 208 casos.
A maioria dos pedidos de auxílio não tem seguimento, visto que a Deco não acompanha situações em que já não haja recuperação possível ou que tenham resultado em acções judiciais, como as insolvências. E, por isso, dos mais de 29 mil contactos registados em 2014 foram abertos apenas 2768 processos de acompanhamento, o que significa uma redução de 31% face a 2013. Já nesse ano o número de tinha caído 25% em relação ao 2012 – período em que os processos abertos atingiram um pico de 5407.
A coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS), Natália Nunes, explica que este recuo está relacionado com o facto de haver “um agravamento tão acentuado nas dificuldades que há cada vez mais quem não consiga reestruturar o orçamento familiar” e encontrar uma solução para os seus problemas financeiros. “De ano para ano, as dificuldades das famílias são cada vez mais graves. Há uns anos socorriam-se das poupanças ou da ajuda de amigos e familiares, mas essas saídas já não existem”, refere a responsável.
Uma das diferenças que se tem feito sentir desde 2008 é o número de créditos associados a cada processo que a Deco acompanha. Se, naquele ano, a média era haver sete empréstimos, em 2014 a fasquia desceu para quatro. Natália Nunes esclarece que esta tendência não se deve apenas a uma maior restrição na concessão de crédito, mas sobretudo ao facto de “as pessoas estarem muito mais responsáveis e com receio do futuro, o que as leva a decisões mais ponderadas”. Uma atitude que também é visível na taxa média de esforço das famílias, que desceu de 90% em 2013 para 73% no ano passado.
No ano passado, a maioria das situações de sobreendividamento (52%) foi resolvida com a renegociação de todos os créditos. Outros 29% foram arquivados depois de reestruturada uma parte dos empréstimos. E, por fim, em 19% dos casos não se conseguiu alcançar qualquer tipo de renegociação. Em média, os processos são concluídos em três meses e envolvem diversos contactos com as entidades credoras, como a banca.
Piores condições de trabalho
A coordenadora do GAS destaca ainda o facto de a degradação das condições de trabalho, que vinham escalando no ranking das causas para o sobreendividamento nos últimos anos, ter ultrapassado pela primeira vez o desemprego, ao representar 33% dos motivos pelos quais a Deco abre novos processos. Natália Nunes exemplifica que o rendimento médio das famílias que pedem ajuda à associação tem vindo a cair substancialmente – de cerca de 1500 euros em 2010 para pouco mais de 1060 euros em 2014.
Ao mesmo tempo, as causas relacionadas com as penhoras também subiram de 6% para 9% no período de um ano, estando por vezes associadas “a dívidas de terceiros, de que os sobreendividados se tornaram fiadores”, explica.
A maioria dos pedidos de ajuda chegou das grandes cidades, com Lisboa e Porto a representarem quase 57% do total. A capital lidera, com uma percentagem de 30,3%. Seguem-se na lista Setúbal (12,3%), Aveiro (6,7%) e Santarém (4,1%). As regiões do país com menos incidência de casos de sobreendividamento em contacto com a Deco são Guarda, Bragança (ambas com 0,5%) e Vila Real (0,4%).
É na faixa etária entre os 40 e os 54 anos que os pedidos de ajuda são mais usuais, com uma taxa de 39%, embora os casos entre os 25 e os 39 anos surjam logo a seguir, com 33%. Mas os crescimentos mais significativos têm abrangido a franja da população com mais de 55 anos, que passou a representar 26%, quando em 2012 o peso era de 21%.
Também são mais os casados que recorrem à Deco (46%), embora haja cada vez mais solteiros a fazê-lo (26%, que comparam com os 22% de 2012). De acordo com dados da associação, a maioria dos sobreendividados tem o segundo/terceiro ciclo (33%) ou o ensino secundário (36%). E trabalha no sector privado (35%) ou está desempregado (30%). O número de casos de funcionários públicos tem vindo a diminuir, ao contrário do que acontece com os reformados, que em 2012 tinham um peso de 13% e no ano passado chegaram aos 15%.
Natália Nunes acredita que o número de pedidos de ajuda “possa não aumentar muito mais” em 2015, mas também “não se espera uma grande redução”. Para a coordenadora do GAS, não se antevê “uma melhoria significativa nas condições financeiras das famílias”.
Mandato de António Guterres no ACNUR prolongado até final de 2015
in Diário de Notícias
A decisão tomada pela Assembleia-Geral da ONU de prolongamento do mandato até ao final de 2015 foi recomendada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
A Assembleia-Geral das Nações Unidas prolongou hoje até ao final deste ano o mandato do antigo primeiro-ministro português António Guterres como Alto-comissário da ONU para os Refugiados.
António Guterres foi eleito para o cargo de Alto-comissário da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) em junho de 2005 e foi reeleito cinco anos depois para um segundo mandato, que termina em junho deste ano.
A decisão tomada pela Assembleia-Geral da ONU de prolongamento do mandato até ao final de 2015 foi recomendada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Portugal, Turquia e Coreia do Sul foram alguns dos países que aplaudiram a decisão, sublinhando os problemas dos refugiados que se vive hoje em dia no mundo e a necessidade de que o ACNUR funcione sem interrupções.
Conflitos como a Síria, Iraque, Ucrânia, Líbia, Nigéria e Sudão do Sul fizeram disparar o número de pessoas refugiadas nos últimos meses.
No início do ano, o jornal Sol noticiava que um eventual prolongamento do mandato de Guterres no ACNUR até ao final do ano o colocaria fora da corrida a Belém, notícia que foi desmentida pelo próprio em declarações ao Expresso. António Guterres sublinhou que, independentemente da decisão da ONU, seria "sempre livre de decidir" a sua vida.
Na prática, o antigo governante deixou implícito que, mesmo que a ONU decidisse não prescindir dele no cargo até ao final de 2015, nada o impediria de se candidatar às presidenciais de 2016, se assim o quisesse.
A decisão tomada pela Assembleia-Geral da ONU de prolongamento do mandato até ao final de 2015 foi recomendada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
A Assembleia-Geral das Nações Unidas prolongou hoje até ao final deste ano o mandato do antigo primeiro-ministro português António Guterres como Alto-comissário da ONU para os Refugiados.
António Guterres foi eleito para o cargo de Alto-comissário da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) em junho de 2005 e foi reeleito cinco anos depois para um segundo mandato, que termina em junho deste ano.
A decisão tomada pela Assembleia-Geral da ONU de prolongamento do mandato até ao final de 2015 foi recomendada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Portugal, Turquia e Coreia do Sul foram alguns dos países que aplaudiram a decisão, sublinhando os problemas dos refugiados que se vive hoje em dia no mundo e a necessidade de que o ACNUR funcione sem interrupções.
Conflitos como a Síria, Iraque, Ucrânia, Líbia, Nigéria e Sudão do Sul fizeram disparar o número de pessoas refugiadas nos últimos meses.
No início do ano, o jornal Sol noticiava que um eventual prolongamento do mandato de Guterres no ACNUR até ao final do ano o colocaria fora da corrida a Belém, notícia que foi desmentida pelo próprio em declarações ao Expresso. António Guterres sublinhou que, independentemente da decisão da ONU, seria "sempre livre de decidir" a sua vida.
Na prática, o antigo governante deixou implícito que, mesmo que a ONU decidisse não prescindir dele no cargo até ao final de 2015, nada o impediria de se candidatar às presidenciais de 2016, se assim o quisesse.
"Em Portugal, só passa fome quem quer"
Por Notícias Ao Minuto
Numa altura em que as dificuldades económicas e a pobreza continuam a ser tema recorrente em Portugal, o presidente da União de Misericórdias, Manuel Lemos, revela, em entrevista ao jornal i, que, embora o número de pedidos de ajuda seja o dobro de há dez anos, “em Portugal só passa fome quem quer”.
O presidente da União de Misericórdias, Manuel Lemos, esclarece que "em Portugal só passa fome quem quer”. Em entrevista ao jornal i, o dirigente reconhece que o número de pessoas apoiadas é o dobro daquele que se verificava há dez anos – atualmente são 150 mil todos os dias –, mas que muitos casos de pobreza atuais devem-se a “desconhecimento” e “vergonha”.
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“Em algumas zonas urbanas e bairros sociais [a fome] é um problema, sim. Mas também digo que, em Portugal, só passa fome quem quer. Há quem passe fome por desconhecimento da presença de cantinas sociais e temos também os casos de pobreza envergonhada que preferem não pedir ajuda. Mas não é por falta de resposta”, diz, reconhecendo, porém, que nos últimos anos se verificou “um conceito mais alargado de pobreza, de quem teve de mudar os seus padrões de vida”.
Em declarações ao jornal i, Manuel Lemos defende que ser pobre “é uma questão de autoestima, acima de tudo”, dando exemplos de pais desempregados que continuam a vestir-se como se fossem para o trabalho só para que os filhos não notarem diferenças ou aqueles que vão a cantinas sociais e evitam e exposição da família.
Na entrevista, o presidente da União das Misericórdias elogiou ainda a solidariedade dos portugueses, classificando-os como “muito emotivos”, e do Governo, mas só em relação às instituições.
“Face às pessoas, este Governo foi uma desilusão, tendo em conta que lhes cortou reformas", remata Manuel Lemos.
Numa altura em que as dificuldades económicas e a pobreza continuam a ser tema recorrente em Portugal, o presidente da União de Misericórdias, Manuel Lemos, revela, em entrevista ao jornal i, que, embora o número de pedidos de ajuda seja o dobro de há dez anos, “em Portugal só passa fome quem quer”.
O presidente da União de Misericórdias, Manuel Lemos, esclarece que "em Portugal só passa fome quem quer”. Em entrevista ao jornal i, o dirigente reconhece que o número de pessoas apoiadas é o dobro daquele que se verificava há dez anos – atualmente são 150 mil todos os dias –, mas que muitos casos de pobreza atuais devem-se a “desconhecimento” e “vergonha”.
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“Em algumas zonas urbanas e bairros sociais [a fome] é um problema, sim. Mas também digo que, em Portugal, só passa fome quem quer. Há quem passe fome por desconhecimento da presença de cantinas sociais e temos também os casos de pobreza envergonhada que preferem não pedir ajuda. Mas não é por falta de resposta”, diz, reconhecendo, porém, que nos últimos anos se verificou “um conceito mais alargado de pobreza, de quem teve de mudar os seus padrões de vida”.
Em declarações ao jornal i, Manuel Lemos defende que ser pobre “é uma questão de autoestima, acima de tudo”, dando exemplos de pais desempregados que continuam a vestir-se como se fossem para o trabalho só para que os filhos não notarem diferenças ou aqueles que vão a cantinas sociais e evitam e exposição da família.
Na entrevista, o presidente da União das Misericórdias elogiou ainda a solidariedade dos portugueses, classificando-os como “muito emotivos”, e do Governo, mas só em relação às instituições.
“Face às pessoas, este Governo foi uma desilusão, tendo em conta que lhes cortou reformas", remata Manuel Lemos.
2.2.15
Presidente da CNIS diz que pior não passou e risco de pobreza mantém-se
in TSF
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), padre Lino Maia, disse hoje em Fátima, distrito de Santarém, não sentir que o pior já passou, considerando que o risco de pobreza se mantém.
À margem de um almoço dos órgãos sociais da CNIS com o primeiro-ministro, no qual Passos Coelho afirmou que a «fase mais difícil» foi ultrapassada, Lino Maia declarou não ter «ainda sentido isso».
«O que noto é uma esperança maior no povo português, uma maior confiança», afirmou Lino Maia, candidato único à liderança da CNIS, cujo ato eleitoral decorre hoje.
Segundo o responsável, os portugueses «conformaram-se a expiar culpas passadas».
«Sentia-se que a situação em que estávamos no país era muito má, porque nós tínhamos sido muito maus e tínhamos usado aquilo que não era nosso», observou o sacerdote, para quem, «neste momento, parece respirar-se um outro ambiente e que é possível um futuro menos mau».
Questionado se o risco de pobreza se mantém, o presidente da CNIS respondeu afirmativamente, referindo que, nesta matéria, «há dois elementos que são muito importantes».
«Temos uma população jovem que emigrou ou não tem vez em Portugal e uma população idosa cada vez mais numerosa, porque há uma esperança de vida maior e, portanto, uma natalidade menor», observou.
Para o responsável, «esta desarmonização intergeracional provoca necessidade de mais apoio e temos menos agentes para responder».
«Não estou muito confiante que agora, com uma varinha mágica, vamos chegar a um momento melhor, agora estou confiante nisto, não vamos andar permanentemente a expiar culpas passadas, até porque o povo não tinha essa culpa. Se houve de facto problemas não foi propriamente o povo trabalhador o culpado», sublinhou.
O risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afetando já quase dois milhões de portugueses, de acordo com os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento divulgados pelo INE.
Lusa
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), padre Lino Maia, disse hoje em Fátima, distrito de Santarém, não sentir que o pior já passou, considerando que o risco de pobreza se mantém.
À margem de um almoço dos órgãos sociais da CNIS com o primeiro-ministro, no qual Passos Coelho afirmou que a «fase mais difícil» foi ultrapassada, Lino Maia declarou não ter «ainda sentido isso».
«O que noto é uma esperança maior no povo português, uma maior confiança», afirmou Lino Maia, candidato único à liderança da CNIS, cujo ato eleitoral decorre hoje.
Segundo o responsável, os portugueses «conformaram-se a expiar culpas passadas».
«Sentia-se que a situação em que estávamos no país era muito má, porque nós tínhamos sido muito maus e tínhamos usado aquilo que não era nosso», observou o sacerdote, para quem, «neste momento, parece respirar-se um outro ambiente e que é possível um futuro menos mau».
Questionado se o risco de pobreza se mantém, o presidente da CNIS respondeu afirmativamente, referindo que, nesta matéria, «há dois elementos que são muito importantes».
«Temos uma população jovem que emigrou ou não tem vez em Portugal e uma população idosa cada vez mais numerosa, porque há uma esperança de vida maior e, portanto, uma natalidade menor», observou.
Para o responsável, «esta desarmonização intergeracional provoca necessidade de mais apoio e temos menos agentes para responder».
«Não estou muito confiante que agora, com uma varinha mágica, vamos chegar a um momento melhor, agora estou confiante nisto, não vamos andar permanentemente a expiar culpas passadas, até porque o povo não tinha essa culpa. Se houve de facto problemas não foi propriamente o povo trabalhador o culpado», sublinhou.
O risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afetando já quase dois milhões de portugueses, de acordo com os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento divulgados pelo INE.
Lusa
Governo promete nova lei para a cooperação com instituições de solidariedade
por Paula Costa Dias com Lusa, in RR
A lei vem clarificar o trabalho das instituições, pretendendo-se que esteja pronta até ao final da presente legislatura, promete Passos Coelho. Padre Lino Maia discorda da leitura que Passos Coelho faz dos dados do INE sobre pobreza.
O Primeiro-ministro anunciou em Fatima que o Governo está a preparar uma lei de bases da cooperação do sector solidário.
Discursando no almoço de tomada de posse dos novos órgãos sociais da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), Passos Coelho disse que a lei vem clarificar o trabalho das instituições, pretendendo-se que esteja pronta até ao final da presente legislatura.
O objectivo, explica o primeiro-ministro, passa por: “Oferecer a todas as instituições um enquadramento de uma lei de bases da cooperação que possa ajudar a clarificar melhor a forma como os próprios membros das instituições nelas possam participar e como o Estado possa distinguir essa cooperação.”
Destacando a importância que o sector solidário tem tido nestes anos de crise junto da população mais carenciada, Passos Coelho disse que o pior já passou e que os números da pobreza ontem divulgados pelo INE são eco, não do presente mas do passado.
Opinião contrária foi manifestada pelo padre Lino Maia, presidente reempossado do CNIS, para quem os riscos de pobreza se mantêm.
“O que noto é uma esperança maior no povo português, uma maior confiança”, afirmou o sacerdote. Segundo o responsável, os portugueses "conformaram-se a expiar culpas passadas".
“Sentia-se que a situação em que estávamos no país era muito má, porque nós tínhamos sido muito maus e tínhamos usado aquilo que não era nosso”, observou o padre Lino Maia, para quem, "neste momento, parece respirar-se um outro ambiente e que é possível um futuro menos mau".
Questionado se o risco de pobreza se mantém, o presidente da CNIS respondeu afirmativamente, referindo que, nesta matéria, "há dois elementos que são muito importantes".
"Temos uma população jovem que emigrou ou não tem vez em Portugal e uma população idosa cada vez mais numerosa, porque há uma esperança de vida maior e, portanto, uma natalidade menor", observou.
Para o responsável, "esta desarmonização inter-geracional provoca necessidade de mais apoio e temos menos agentes para responder".
"Não estou muito confiante que agora, com uma varinha mágica, vamos chegar a um momento melhor, agora estou confiante nisto, não vamos andar permanentemente a expiar culpas passadas, até porque o povo não tinha essa culpa. Se houve de facto problemas não foi propriamente o povo trabalhador o culpado", sublinhou.
A lei vem clarificar o trabalho das instituições, pretendendo-se que esteja pronta até ao final da presente legislatura, promete Passos Coelho. Padre Lino Maia discorda da leitura que Passos Coelho faz dos dados do INE sobre pobreza.
O Primeiro-ministro anunciou em Fatima que o Governo está a preparar uma lei de bases da cooperação do sector solidário.
Discursando no almoço de tomada de posse dos novos órgãos sociais da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), Passos Coelho disse que a lei vem clarificar o trabalho das instituições, pretendendo-se que esteja pronta até ao final da presente legislatura.
O objectivo, explica o primeiro-ministro, passa por: “Oferecer a todas as instituições um enquadramento de uma lei de bases da cooperação que possa ajudar a clarificar melhor a forma como os próprios membros das instituições nelas possam participar e como o Estado possa distinguir essa cooperação.”
Destacando a importância que o sector solidário tem tido nestes anos de crise junto da população mais carenciada, Passos Coelho disse que o pior já passou e que os números da pobreza ontem divulgados pelo INE são eco, não do presente mas do passado.
Opinião contrária foi manifestada pelo padre Lino Maia, presidente reempossado do CNIS, para quem os riscos de pobreza se mantêm.
“O que noto é uma esperança maior no povo português, uma maior confiança”, afirmou o sacerdote. Segundo o responsável, os portugueses "conformaram-se a expiar culpas passadas".
“Sentia-se que a situação em que estávamos no país era muito má, porque nós tínhamos sido muito maus e tínhamos usado aquilo que não era nosso”, observou o padre Lino Maia, para quem, "neste momento, parece respirar-se um outro ambiente e que é possível um futuro menos mau".
Questionado se o risco de pobreza se mantém, o presidente da CNIS respondeu afirmativamente, referindo que, nesta matéria, "há dois elementos que são muito importantes".
"Temos uma população jovem que emigrou ou não tem vez em Portugal e uma população idosa cada vez mais numerosa, porque há uma esperança de vida maior e, portanto, uma natalidade menor", observou.
Para o responsável, "esta desarmonização inter-geracional provoca necessidade de mais apoio e temos menos agentes para responder".
"Não estou muito confiante que agora, com uma varinha mágica, vamos chegar a um momento melhor, agora estou confiante nisto, não vamos andar permanentemente a expiar culpas passadas, até porque o povo não tinha essa culpa. Se houve de facto problemas não foi propriamente o povo trabalhador o culpado", sublinhou.
Escolas de ensino artístico abrem portas mesmo sem dinheiro
in RR
Associação tem reunião marcada com o Ministério da Educação no fim da semana, na qual espera que lhe seja comunicada uma solução para o problema. O Estado deve três milhões de euros a 15 estabelecimentos.
Apesar de ainda não terem recebido o que o Estado lhes deve, as escolas profissionais e artísticas abriram portas esta segunda-feira, na expectativa de uma resposta do Governo no final da semana.
“Ainda não recebemos a quantia em dívida. Todas as escolas de ensino artístico, neste momento, já esgotaram os seus ‘plafonds’. No entanto. vão abrir portas e receber os alunos normalmente. Essa é sempre a nossa primeira prioridade: procurar manter os alunos e funcionar com os alunos”, adianta o presidente da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Educativo, Rodrigo Queirós e Melo.
A associação tem reunião marcada para sexta-feira com o secretário de Estado da tutela, na qual espera que lhe seja comunicada uma solução para o problema.
“Esperamos que esta semana possa haver evoluções. Temos já agendada uma reunião com o senhor secretário de Estado para o final da semana e esperamos, nessa altura, termos já a solução para esta situação e a preparação do próximo ano lectivo”, adianta.
Em causa está uma dívida de três milhões de euros a 15 estabelecimentos de ensino.
Associação tem reunião marcada com o Ministério da Educação no fim da semana, na qual espera que lhe seja comunicada uma solução para o problema. O Estado deve três milhões de euros a 15 estabelecimentos.
Apesar de ainda não terem recebido o que o Estado lhes deve, as escolas profissionais e artísticas abriram portas esta segunda-feira, na expectativa de uma resposta do Governo no final da semana.
“Ainda não recebemos a quantia em dívida. Todas as escolas de ensino artístico, neste momento, já esgotaram os seus ‘plafonds’. No entanto. vão abrir portas e receber os alunos normalmente. Essa é sempre a nossa primeira prioridade: procurar manter os alunos e funcionar com os alunos”, adianta o presidente da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Educativo, Rodrigo Queirós e Melo.
A associação tem reunião marcada para sexta-feira com o secretário de Estado da tutela, na qual espera que lhe seja comunicada uma solução para o problema.
“Esperamos que esta semana possa haver evoluções. Temos já agendada uma reunião com o senhor secretário de Estado para o final da semana e esperamos, nessa altura, termos já a solução para esta situação e a preparação do próximo ano lectivo”, adianta.
Em causa está uma dívida de três milhões de euros a 15 estabelecimentos de ensino.
Fosso diminuiu, mas mulheres ainda recebem menos 20% do que os homens
por Ana Margarida Pinheiro, in Dinheiro Vivo
Em 2011, o salário das mulheres representava 77,6% o dos homens. No ano passado, representava já 79,6%
Portugal tem merecido os alertas de Bruxelas por causa da diferença entre o que recebem os homens e as mulheres. Para trabalhos idênticos, qualificações semelhantes e funções da mesma responsabilidade, as mulheres portuguesas são as que recebem valores mais pequenos em relação aos homens.
O salário das mulheres é ainda, de acordo com os dados do Gabinete Estratégico e Estudos do Ministério da Economia (GEE), 20,4% inferior ao recebido pelos homens. Quer isto dizer que, por exemplo, se um homem receber mensalmente 700 euros, a mulher deverá ter um salário de apenas 557,2 euros.
A diferença ainda é notória ao fim do mês. No entanto desde 2011, este fosso tornou-se mais pequeno e permitiu alguma recuperação salarial para as mulheres portuguesas, também pela via de uma queda do que agora é pago aos homens. Em 2011, a mulher recebia, em média, 77,6% do salário do homem e no ano passado este valor passou para 79,6%.
Se a repartição tivesse revertido apenas para o lado das mulheres, isto significaria que para um salário de 700 euros pago a um homem, a mulher teria recuperado em média de 14 euros mensais nos últimos três anos.
Mas não foi isto que aconteceu: o fosso diminuiu também pela diminuição da remuneração paga aos homens. O GEE mostra que a remuneração base média mensal era, em 2011, de 1051,9 euros para os homens e de 842 euros para as mulheres. Em 2014, o salário pago a um homem caiu para 1026,2 euros, enquanto o da mulher avançou quatro euros para 846,5 euros.
Em 2011, o salário das mulheres representava 77,6% o dos homens. No ano passado, representava já 79,6%
Portugal tem merecido os alertas de Bruxelas por causa da diferença entre o que recebem os homens e as mulheres. Para trabalhos idênticos, qualificações semelhantes e funções da mesma responsabilidade, as mulheres portuguesas são as que recebem valores mais pequenos em relação aos homens.
O salário das mulheres é ainda, de acordo com os dados do Gabinete Estratégico e Estudos do Ministério da Economia (GEE), 20,4% inferior ao recebido pelos homens. Quer isto dizer que, por exemplo, se um homem receber mensalmente 700 euros, a mulher deverá ter um salário de apenas 557,2 euros.
A diferença ainda é notória ao fim do mês. No entanto desde 2011, este fosso tornou-se mais pequeno e permitiu alguma recuperação salarial para as mulheres portuguesas, também pela via de uma queda do que agora é pago aos homens. Em 2011, a mulher recebia, em média, 77,6% do salário do homem e no ano passado este valor passou para 79,6%.
Se a repartição tivesse revertido apenas para o lado das mulheres, isto significaria que para um salário de 700 euros pago a um homem, a mulher teria recuperado em média de 14 euros mensais nos últimos três anos.
Mas não foi isto que aconteceu: o fosso diminuiu também pela diminuição da remuneração paga aos homens. O GEE mostra que a remuneração base média mensal era, em 2011, de 1051,9 euros para os homens e de 842 euros para as mulheres. Em 2014, o salário pago a um homem caiu para 1026,2 euros, enquanto o da mulher avançou quatro euros para 846,5 euros.
Pobreza: O pior ainda não passou, avisam instituições
in TSF
A Cáritas e o Banco Alimentar Contra a Fome deixam o aviso. A pobreza, em Portugal, não é um problema do passado. No Fórum TSF, os responsáveis destas duas entidades manifestaram pouca esperança nos efeitos imediatos do crescimento da economia.
São várias vozes que contrariam as palavras do primeiro-ministro.
O economista Carlos Farinha Rodrigues defende, por isso, que um plano de emergência contra a pobreza é um imperativo nacional. O economista lamenta não poder concordar com Pedro Passos Coelho quando o primeiro-ministro diz que os dados da pobreza de 2013 são um eco do passado e avisa que a recuperação vai levar muito tempo.
Também convencido de que o pior ainda não passou está o presidente da Cáritas, Eugénio da Fonseca: «Em termos de macroeconomia as coisas estão a alterar-se, sem dúvida. Mas o reflexo na vida económica familiar ainda não se nota. Há gente que está a perder o subsídio de desemprego».
Para o padre Jardim Moreira, que lidera a delegação portuguesa da rede europeia anti pobreza, falta independência e objetividade à leitura feita pelo primeiro-ministro.
«A leitura independente e objetiva dá-nos uma leitura mais pessimista. O problema grave em Portugal é que a pobreza já não é notícia para muita gente e principalmente para os responsáveis. Nós sabemos que a pobreza só se pode resolver quando houver uma estratégia e uma política», defende.
Já Isabel Jonet que lidera a Federação dos Bancos Alimentares defende a aposta na qualificação dos jovens como um caminho de combate à pobreza. De resto, também ela não partilha da opinião de Passos Coelho.
«Penso que no caso da pobreza estrutural o pior não passou e cada vez que se aumentam impostos, por exemplo, como o IVA, as pessoas que têm muito baixos rendimentos são afetadas. A menos que a economia se ponha em marcha, o pior não passou», considera. Para Isabel Jonet só quando houver criação efetiva de emprego, a pobreza poderá começar a descer.
A Cáritas e o Banco Alimentar Contra a Fome deixam o aviso. A pobreza, em Portugal, não é um problema do passado. No Fórum TSF, os responsáveis destas duas entidades manifestaram pouca esperança nos efeitos imediatos do crescimento da economia.
São várias vozes que contrariam as palavras do primeiro-ministro.
O economista Carlos Farinha Rodrigues defende, por isso, que um plano de emergência contra a pobreza é um imperativo nacional. O economista lamenta não poder concordar com Pedro Passos Coelho quando o primeiro-ministro diz que os dados da pobreza de 2013 são um eco do passado e avisa que a recuperação vai levar muito tempo.
Também convencido de que o pior ainda não passou está o presidente da Cáritas, Eugénio da Fonseca: «Em termos de macroeconomia as coisas estão a alterar-se, sem dúvida. Mas o reflexo na vida económica familiar ainda não se nota. Há gente que está a perder o subsídio de desemprego».
Para o padre Jardim Moreira, que lidera a delegação portuguesa da rede europeia anti pobreza, falta independência e objetividade à leitura feita pelo primeiro-ministro.
«A leitura independente e objetiva dá-nos uma leitura mais pessimista. O problema grave em Portugal é que a pobreza já não é notícia para muita gente e principalmente para os responsáveis. Nós sabemos que a pobreza só se pode resolver quando houver uma estratégia e uma política», defende.
Já Isabel Jonet que lidera a Federação dos Bancos Alimentares defende a aposta na qualificação dos jovens como um caminho de combate à pobreza. De resto, também ela não partilha da opinião de Passos Coelho.
«Penso que no caso da pobreza estrutural o pior não passou e cada vez que se aumentam impostos, por exemplo, como o IVA, as pessoas que têm muito baixos rendimentos são afetadas. A menos que a economia se ponha em marcha, o pior não passou», considera. Para Isabel Jonet só quando houver criação efetiva de emprego, a pobreza poderá começar a descer.
Padre Lino Maia não sente que o pior tenha passado
in Jornal de Notícias
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social, padre Lino Maia, disse este sábado em Fátima, distrito de Santarém, não sentir que o pior já passou, considerando que o risco de pobreza se mantém.
À margem de um almoço dos órgãos sociais da CNIS com o primeiro-ministro, no qual Passos Coelho afirmou que a "fase mais difícil" foi ultrapassada, Lino Maia declarou não ter "ainda sentido isso".
"O que noto é uma esperança maior no povo português, uma maior confiança", afirmou Lino Maia, candidato único à liderança da CNIS, cujo ato eleitoral decorre este sábado.
Segundo o responsável, os portugueses "conformaram-se a expiar culpas passadas".
"Sentia-se que a situação em que estávamos no país era muito má, porque nós tínhamos sido muito maus e tínhamos usado aquilo que não era nosso", observou o sacerdote, para quem, "neste momento, parece respirar-se um outro ambiente e que é possível um futuro menos mau".
Questionado se o risco de pobreza se mantém, o presidente da CNIS respondeu afirmativamente, referindo que, nesta matéria, "há dois elementos que são muito importantes".
"Temos uma população jovem que emigrou ou não tem vez em Portugal e uma população idosa cada vez mais numerosa, porque há uma esperança de vida maior e, portanto, uma natalidade menor", observou.
Para o responsável, "esta desarmonização intergeracional provoca necessidade de mais apoio e temos menos agentes para responder".
"Não estou muito confiante que agora, com uma varinha mágica, vamos chegar a um momento melhor, agora estou confiante nisto, não vamos andar permanentemente a expiar culpas passadas, até porque o povo não tinha essa culpa. Se houve de facto problemas não foi propriamente o povo trabalhador o culpado", sublinhou.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o risco de pobreza são um "eco" do que o país passou, mas não a situação atual.
"A notícia como eu referi que veio ontem (sexta-feira) divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística é um eco daquilo por que passámos, não é a situação que vivemos hoje, reporta àquilo que foi a circunstância que vivemos, nomeadamente em 2013 que foi, talvez, o ano mais difícil em que o reflexo de medidas muito duras tomadas ao longo do ano de 2012 acabaram por ter por consequência", afirmou Pedro Passos Coelho.
O risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afetando já quase dois milhões de portugueses, de acordo com os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento divulgados pelo INE.
Para o chefe do Executivo, apesar de a "fase mais difícil" ter ficado ultrapassada, "ainda há riscos" que precisam de ser olhados "com muita atenção".
"O facto de o pior ter passado não quer dizer que não haja pessoas que estejam hoje ainda muito carenciadas, famílias que passam por grande vulnerabilidade", reconheceu Passos Coelho, apontando a "taxa de desemprego demasiado elevada" ou "pessoas que vivem em bolsas de pobreza que precisam da ação do Estado e da ação das instituições sociais".
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social, padre Lino Maia, disse este sábado em Fátima, distrito de Santarém, não sentir que o pior já passou, considerando que o risco de pobreza se mantém.
À margem de um almoço dos órgãos sociais da CNIS com o primeiro-ministro, no qual Passos Coelho afirmou que a "fase mais difícil" foi ultrapassada, Lino Maia declarou não ter "ainda sentido isso".
"O que noto é uma esperança maior no povo português, uma maior confiança", afirmou Lino Maia, candidato único à liderança da CNIS, cujo ato eleitoral decorre este sábado.
Segundo o responsável, os portugueses "conformaram-se a expiar culpas passadas".
"Sentia-se que a situação em que estávamos no país era muito má, porque nós tínhamos sido muito maus e tínhamos usado aquilo que não era nosso", observou o sacerdote, para quem, "neste momento, parece respirar-se um outro ambiente e que é possível um futuro menos mau".
Questionado se o risco de pobreza se mantém, o presidente da CNIS respondeu afirmativamente, referindo que, nesta matéria, "há dois elementos que são muito importantes".
"Temos uma população jovem que emigrou ou não tem vez em Portugal e uma população idosa cada vez mais numerosa, porque há uma esperança de vida maior e, portanto, uma natalidade menor", observou.
Para o responsável, "esta desarmonização intergeracional provoca necessidade de mais apoio e temos menos agentes para responder".
"Não estou muito confiante que agora, com uma varinha mágica, vamos chegar a um momento melhor, agora estou confiante nisto, não vamos andar permanentemente a expiar culpas passadas, até porque o povo não tinha essa culpa. Se houve de facto problemas não foi propriamente o povo trabalhador o culpado", sublinhou.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o risco de pobreza são um "eco" do que o país passou, mas não a situação atual.
"A notícia como eu referi que veio ontem (sexta-feira) divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística é um eco daquilo por que passámos, não é a situação que vivemos hoje, reporta àquilo que foi a circunstância que vivemos, nomeadamente em 2013 que foi, talvez, o ano mais difícil em que o reflexo de medidas muito duras tomadas ao longo do ano de 2012 acabaram por ter por consequência", afirmou Pedro Passos Coelho.
O risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afetando já quase dois milhões de portugueses, de acordo com os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento divulgados pelo INE.
Para o chefe do Executivo, apesar de a "fase mais difícil" ter ficado ultrapassada, "ainda há riscos" que precisam de ser olhados "com muita atenção".
"O facto de o pior ter passado não quer dizer que não haja pessoas que estejam hoje ainda muito carenciadas, famílias que passam por grande vulnerabilidade", reconheceu Passos Coelho, apontando a "taxa de desemprego demasiado elevada" ou "pessoas que vivem em bolsas de pobreza que precisam da ação do Estado e da ação das instituições sociais".
"Subsídio de desemprego devia ter duração variável"
Pedro Araújo, Jornal de Notícias
Mário Centeno, do grupo de estudos de políticas económicas do PS, avança ao JN ideias para o futuro, do subsídio de desemprego ao salário mínimo.
"O subsídio de desemprego é demasiado elitista. Chega apenas a um terço daqueles que não têm trabalho e tem uma duração que não se adapta ao ciclo económico. Devia ser mais longo em época de crise, como aconteceu nos EUA, sendo mais curto e generoso em tempos de prosperidade". A ideia é defendida por Mário Centeno, em declarações ao JN. Ele é um dos estrategas de políticas económicas que estão já a assessorar António Costa na pretendida ascensão do PS à chefia do Governo.
São 11 os conselheiros da liderança do PS em termos de políticas económicas. O grupo funciona há pouco mais de um mês e estará em estreita ligação com o gabinete de estudos, criado na última quinta-feira, durante uma reunião da Comissão Política. O coordenador do grupo de estudos de políticas económicas é, precisamente, Mário Centeno, um alto quadro do Banco de Portugal. É professor no ISEG e tem um doutoramento em Economia do Trabalho, obtido na Universidade Harvard, nos EUA.
Embora se conheçam escritos seus sobre várias áreas, o mercado laboral é o seu terreno preferido, tanto assim que escreveu um livro "O trabalho. Uma visão de mercado", editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. É para essa obra que remete várias das ideias que expressou em declarações ao JN, preferindo não comprometer o PS.
As políticas fiscais e estruturais têm de estar sintonizada, não devendo as primeiras puxar em determinado sentido e as segundas noutro. Exemplos não faltam. "O salário mínimo deve ser aumentado? Essa questão tem de ser vista no contexto de outras políticas. Uma coisa é certa: as empresas não gostam de baixar salários e desincentivar os trabalhadores. Aliás, os salários na sociedade portuguesa já contêm um prémio de risco, uma vez que são baixos e garantem, simultaneamente, segurança no posto de trabalho [trabalhadores do quadro]. A escolha é simples: temos de parar de proteger o emprego para proteger o rendimento. Se conseguirmos criar novas relações laborais, o sistema torna-se mais flexível". Ou seja, para que os salários aumentem, é necessário tornar mais flexível o mercado laboral. No Estado, "a requalificação deve ser alargada, mas não pode ser estigmatizada".
Mário Centeno, do grupo de estudos de políticas económicas do PS, avança ao JN ideias para o futuro, do subsídio de desemprego ao salário mínimo.
"O subsídio de desemprego é demasiado elitista. Chega apenas a um terço daqueles que não têm trabalho e tem uma duração que não se adapta ao ciclo económico. Devia ser mais longo em época de crise, como aconteceu nos EUA, sendo mais curto e generoso em tempos de prosperidade". A ideia é defendida por Mário Centeno, em declarações ao JN. Ele é um dos estrategas de políticas económicas que estão já a assessorar António Costa na pretendida ascensão do PS à chefia do Governo.
São 11 os conselheiros da liderança do PS em termos de políticas económicas. O grupo funciona há pouco mais de um mês e estará em estreita ligação com o gabinete de estudos, criado na última quinta-feira, durante uma reunião da Comissão Política. O coordenador do grupo de estudos de políticas económicas é, precisamente, Mário Centeno, um alto quadro do Banco de Portugal. É professor no ISEG e tem um doutoramento em Economia do Trabalho, obtido na Universidade Harvard, nos EUA.
Embora se conheçam escritos seus sobre várias áreas, o mercado laboral é o seu terreno preferido, tanto assim que escreveu um livro "O trabalho. Uma visão de mercado", editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. É para essa obra que remete várias das ideias que expressou em declarações ao JN, preferindo não comprometer o PS.
As políticas fiscais e estruturais têm de estar sintonizada, não devendo as primeiras puxar em determinado sentido e as segundas noutro. Exemplos não faltam. "O salário mínimo deve ser aumentado? Essa questão tem de ser vista no contexto de outras políticas. Uma coisa é certa: as empresas não gostam de baixar salários e desincentivar os trabalhadores. Aliás, os salários na sociedade portuguesa já contêm um prémio de risco, uma vez que são baixos e garantem, simultaneamente, segurança no posto de trabalho [trabalhadores do quadro]. A escolha é simples: temos de parar de proteger o emprego para proteger o rendimento. Se conseguirmos criar novas relações laborais, o sistema torna-se mais flexível". Ou seja, para que os salários aumentem, é necessário tornar mais flexível o mercado laboral. No Estado, "a requalificação deve ser alargada, mas não pode ser estigmatizada".
"Está a criar-se uma nova geração de pobres"
Pedro Crisóstomo, in Público on-line
"Se há quem ache que o país está melhor", os números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) nesta sexta-feira esclarecem: "Está a criar-se uma nova geração de pobres." Quem o diz é Sérgio Aires, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza - Europa. Segundo o INE, o aumento do risco de pobreza abrangeu todos os grupos etários, mas foi mais elevado no caso dos menores de 18 anos - passou de 24,4%, em 2012, para 25,6%, em 2013. Mais: "Os agregados com filhos são os mais pobres", nota Sérgio Aires, que também é presidente do Observatório de Luta Contra a Pobreza na cidade de Lisboa. Mais alguns números: 38,4% das famílias monoparentais (definidas como "um adulto com pelo menos uma criança") vivem com rendimentos abaixo do limiar de pobreza, de acordo com o INE. Um aumento, num só ano, de 5,3 pontos percentuais. Estes foram, de resto, os agregados mais atingidos. Os dados retratam a situação do país em 2013. "Lendo estes dados com os números mais recentes do desemprego, que mostram um aumento do desemprego dos jovens, e sabendo-se que o emprego que está a ser criado é mal pago" e que, à conta "destes estágios que são criados para jovens", se "acabam com postos de trabalho", serão precisos, na opinião de Sérgio Aires, "uns 30 anos para voltar a repor os mínimos". Para além do desemprego, a redução do número de beneficiários de prestações sociais a que se tem assistido nos últimos anos ajudará a explicar o aumento da taxa de risco de pobreza. "E estamos só a olhar para o que piora.
Mas entre os idosos, o cenário continua a ser mau" - 15,1% no grupo de 65 ou mais anos. Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) ainda não analisou os novos dados do INE. Mas vai dizendo: "Infelizmente correspondem à sensação que temos." Dá um exemplo: nas creches e jardins de infância do sector solidário, muitos pais têm retirado os filhos, preferindo ficar com eles em casa, "embora as instituições particulares de solidariedade social façam preços adequados às situações e ninguém mande crianças embora quando as famílias não podem pagar". Contudo, "os pais estão desempregados, não têm perspectivas de melhoria, acham que podem em casa dar uma boa educação aos filhos." Para Lino Maia, "estas crianças ficam de facto mais pobres", são "estigmatizadas". A pobreza infantil não é uma preocupação nova no país. "Mesmo nos períodos de redução da pobreza em Portugal, há um sector onde os resultados são praticamente nulos: a pobreza nas crianças e jovens. Se durante o período de queda das desigualdades os resultados se mantiveram quase iguais, neste período oposto têm aumentado imenso", diz o especialista em desigualdades, exclusão social e políticas públicas, Carlos Farinha Rodrigues. "A taxa de pobreza das crianças já vai nos 25,6%. Este, para mim, é um dos factores de preocupação: hoje, as crianças e os jovens são dos sectores em maior fragilidade social, temos um quarto das nossas crianças e jovens em situação de pobreza."
Os novos números da pobreza do INE preocupam especialistas e instituições sociais. Mais de um quarto das crianças em Portugal estão em situação de pobreza
"Se há quem ache que o país está melhor", os números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) nesta sexta-feira esclarecem: "Está a criar-se uma nova geração de pobres." Quem o diz é Sérgio Aires, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza - Europa. Segundo o INE, o aumento do risco de pobreza abrangeu todos os grupos etários, mas foi mais elevado no caso dos menores de 18 anos - passou de 24,4%, em 2012, para 25,6%, em 2013. Mais: "Os agregados com filhos são os mais pobres", nota Sérgio Aires, que também é presidente do Observatório de Luta Contra a Pobreza na cidade de Lisboa. Mais alguns números: 38,4% das famílias monoparentais (definidas como "um adulto com pelo menos uma criança") vivem com rendimentos abaixo do limiar de pobreza, de acordo com o INE. Um aumento, num só ano, de 5,3 pontos percentuais. Estes foram, de resto, os agregados mais atingidos. Os dados retratam a situação do país em 2013. "Lendo estes dados com os números mais recentes do desemprego, que mostram um aumento do desemprego dos jovens, e sabendo-se que o emprego que está a ser criado é mal pago" e que, à conta "destes estágios que são criados para jovens", se "acabam com postos de trabalho", serão precisos, na opinião de Sérgio Aires, "uns 30 anos para voltar a repor os mínimos". Para além do desemprego, a redução do número de beneficiários de prestações sociais a que se tem assistido nos últimos anos ajudará a explicar o aumento da taxa de risco de pobreza. "E estamos só a olhar para o que piora.
Mas entre os idosos, o cenário continua a ser mau" - 15,1% no grupo de 65 ou mais anos. Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) ainda não analisou os novos dados do INE. Mas vai dizendo: "Infelizmente correspondem à sensação que temos." Dá um exemplo: nas creches e jardins de infância do sector solidário, muitos pais têm retirado os filhos, preferindo ficar com eles em casa, "embora as instituições particulares de solidariedade social façam preços adequados às situações e ninguém mande crianças embora quando as famílias não podem pagar". Contudo, "os pais estão desempregados, não têm perspectivas de melhoria, acham que podem em casa dar uma boa educação aos filhos." Para Lino Maia, "estas crianças ficam de facto mais pobres", são "estigmatizadas". A pobreza infantil não é uma preocupação nova no país. "Mesmo nos períodos de redução da pobreza em Portugal, há um sector onde os resultados são praticamente nulos: a pobreza nas crianças e jovens. Se durante o período de queda das desigualdades os resultados se mantiveram quase iguais, neste período oposto têm aumentado imenso", diz o especialista em desigualdades, exclusão social e políticas públicas, Carlos Farinha Rodrigues. "A taxa de pobreza das crianças já vai nos 25,6%. Este, para mim, é um dos factores de preocupação: hoje, as crianças e os jovens são dos sectores em maior fragilidade social, temos um quarto das nossas crianças e jovens em situação de pobreza."
Os novos números da pobreza do INE preocupam especialistas e instituições sociais. Mais de um quarto das crianças em Portugal estão em situação de pobreza
Aumentou o risco de pobreza em Portugal
in RTP
Voltou a aumentar o risco de pobreza em Portugal. Segundo o INE, em 2013 um em cada 5 portugueses tinha rendimentos abaixo da linha de pobreza: 411 euros. A situação torna-se mais visível no grupo etário das crianças e dos jovens e nas famílias com filhos. Declarações do padre Jardim Moreira, Rede Europeia Anti-Pobreza.
Voltou a aumentar o risco de pobreza em Portugal. Segundo o INE, em 2013 um em cada 5 portugueses tinha rendimentos abaixo da linha de pobreza: 411 euros. A situação torna-se mais visível no grupo etário das crianças e dos jovens e nas famílias com filhos. Declarações do padre Jardim Moreira, Rede Europeia Anti-Pobreza.
Cáritas reitera necessidade de plano estratégico de luta contra a pobreza
in iOnline
O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, insistiu hoje na necessidade de um plano estratégico de luta contra a pobreza no país, defendendo o envolvimento de vários ministérios na sua concretização.
“É urgente fazer-se alguma coisa e não é com medidas paliativas. É urgente um plano estratégico de luta contra a pobreza em Portugal que não pode estar só na praça de Londres [sede do ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social]”, disse aos jornalistas Eugénio Fonseca, em Fátima, distrito de Santarém.
Eugénio Fonseca comentava os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) que na sexta-feira revelavam que o risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afectando já quase dois milhões de portugueses.
Para o responsável, não é apenas o ministério tutelado por Pedro Mota Soares que “tem a responsabilidade da luta contra a pobreza”, mas também a Economia, a Educação, a Justiça e as Finanças.
“Portanto, todo este plano estratégico devia ser coordenado ao mais alto nível pelo gabinete do próprio senhor primeiro-ministro”, adiantou o presidente da Cáritas Portuguesa, defendendo neste processo “uma ligação de grande co-responsabilidade da sociedade civil”.
Segundo os dados do INE, 19,5% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2013 face aos 18,7% do ano anterior, apesar de ter existido um aumento dos apoios sociais às situações de doença e incapacidade, família ou desemprego.
Para o presidente da Cáritas Portuguesa, “é verdade que há crescimento económico em Portugal, mas é para a macroeconomia, não é para as economias familiares que continuam empobrecidas”.
“E era preciso efectivamente que essa esperança tão apregoada nos últimos tempos que não fosse contradita por esses números que, como sempre, não são reais”, declarou, observando que se reportam a 2013 e “não é possível” estar a “medir-se a pobreza com quase dois anos de distância”.
A este propósito, Eugénio Fonseca recordou que no relatório da Cáritas Europa “já se apontava o ano passado para cerca de dois milhões e 750 mil portugueses em risco de pobreza”.
O presidente da Cáritas Portuguesa considerou que “não há melhor forma de lutar contra a pobreza senão por via da educação e por via da autonomia financeira e económica”.
“Isso faz-se criando mais postos de trabalho, mas com dignidade, com salários dignos, porque há pessoas que não estão desempregadas mas estão empobrecidas porque os salários não chegam para satisfazer os encargos para a sua digna subsistência”, defendeu.
O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, insistiu hoje na necessidade de um plano estratégico de luta contra a pobreza no país, defendendo o envolvimento de vários ministérios na sua concretização.
“É urgente fazer-se alguma coisa e não é com medidas paliativas. É urgente um plano estratégico de luta contra a pobreza em Portugal que não pode estar só na praça de Londres [sede do ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social]”, disse aos jornalistas Eugénio Fonseca, em Fátima, distrito de Santarém.
Eugénio Fonseca comentava os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) que na sexta-feira revelavam que o risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afectando já quase dois milhões de portugueses.
Para o responsável, não é apenas o ministério tutelado por Pedro Mota Soares que “tem a responsabilidade da luta contra a pobreza”, mas também a Economia, a Educação, a Justiça e as Finanças.
“Portanto, todo este plano estratégico devia ser coordenado ao mais alto nível pelo gabinete do próprio senhor primeiro-ministro”, adiantou o presidente da Cáritas Portuguesa, defendendo neste processo “uma ligação de grande co-responsabilidade da sociedade civil”.
Segundo os dados do INE, 19,5% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2013 face aos 18,7% do ano anterior, apesar de ter existido um aumento dos apoios sociais às situações de doença e incapacidade, família ou desemprego.
Para o presidente da Cáritas Portuguesa, “é verdade que há crescimento económico em Portugal, mas é para a macroeconomia, não é para as economias familiares que continuam empobrecidas”.
“E era preciso efectivamente que essa esperança tão apregoada nos últimos tempos que não fosse contradita por esses números que, como sempre, não são reais”, declarou, observando que se reportam a 2013 e “não é possível” estar a “medir-se a pobreza com quase dois anos de distância”.
A este propósito, Eugénio Fonseca recordou que no relatório da Cáritas Europa “já se apontava o ano passado para cerca de dois milhões e 750 mil portugueses em risco de pobreza”.
O presidente da Cáritas Portuguesa considerou que “não há melhor forma de lutar contra a pobreza senão por via da educação e por via da autonomia financeira e económica”.
“Isso faz-se criando mais postos de trabalho, mas com dignidade, com salários dignos, porque há pessoas que não estão desempregadas mas estão empobrecidas porque os salários não chegam para satisfazer os encargos para a sua digna subsistência”, defendeu.
"População empregada está também em risco de pobreza"
in Notícias ao Minuto
António Costa atirou algumas críticas ao atual Governo, na intervenção de abertura da reunião da Comissão Nacional do PS, em Setúbal, que decorre este sábado, na sequência da revelação dos últimos dados do INE, que denotam um aumento da pobreza em Portugal.
Na primeira Comissão Nacional do PS desde o congresso em que António Costa foi nomeado secretário-geral do partido, o socialista comentou os últimos dados revelados pelo INE relativamente à pobreza em Portugal.
“Ao aumento da pobreza, o governo conseguiu acompanhar a asfixia fiscal da classe média e nunca tantos tiveram tanta dificuldade em viver”, afirmou António Costa, acrescentando que “os dados do INE sobre as desigualdades demostram que, ao longo de todos estes anos, as desigualdades têm vindo a aumentar”.
“Mais de 10% da população empregada, da população que tem emprego, está também em risco de pobreza. Isto significa que, apesar da brutalidade do aumento da carga fiscal, o Governo não foi capaz de evitar que esta crise se traduzisse num aumento de muita pobreza”, continuou o secretário-geral.
Para António Costa, “a tese que o governo quis apresentar, que neste programa de ajustamento tinha havido justiça social e que aqueles que mais tinham, tinham suportado mais e aqueles que menos tinham, tinham suportado menos, é uma ideia que é falsa”.
“Pelo contrário, este programa de ajustamento traduziu-se num drama social não só na emigração, não só no desemprego mas no aumento significativo da pobreza e das desigualdades”, rematou o líder socialista.
António Costa atirou algumas críticas ao atual Governo, na intervenção de abertura da reunião da Comissão Nacional do PS, em Setúbal, que decorre este sábado, na sequência da revelação dos últimos dados do INE, que denotam um aumento da pobreza em Portugal.
Na primeira Comissão Nacional do PS desde o congresso em que António Costa foi nomeado secretário-geral do partido, o socialista comentou os últimos dados revelados pelo INE relativamente à pobreza em Portugal.
“Ao aumento da pobreza, o governo conseguiu acompanhar a asfixia fiscal da classe média e nunca tantos tiveram tanta dificuldade em viver”, afirmou António Costa, acrescentando que “os dados do INE sobre as desigualdades demostram que, ao longo de todos estes anos, as desigualdades têm vindo a aumentar”.
“Mais de 10% da população empregada, da população que tem emprego, está também em risco de pobreza. Isto significa que, apesar da brutalidade do aumento da carga fiscal, o Governo não foi capaz de evitar que esta crise se traduzisse num aumento de muita pobreza”, continuou o secretário-geral.
Para António Costa, “a tese que o governo quis apresentar, que neste programa de ajustamento tinha havido justiça social e que aqueles que mais tinham, tinham suportado mais e aqueles que menos tinham, tinham suportado menos, é uma ideia que é falsa”.
“Pelo contrário, este programa de ajustamento traduziu-se num drama social não só na emigração, não só no desemprego mas no aumento significativo da pobreza e das desigualdades”, rematou o líder socialista.
Risco de pobreza subiu em 2013. Maior risco entre os mais novos
in O Observador
O risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afetando quase dois milhões de portugueses, de acordo com os dados do INE.
O risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afetando já quase dois milhões de portugueses, de acordo com os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Segundo os dados do INE, 19,5 por cento das pessoas estavam em risco de pobreza em 2013 face aos 18,7 por cento do ano anterior, apesar de ter existido um aumento dos apoios sociais às situações de doença e incapacidade, família ou desemprego.
As estatísticas do INE assinalam ainda que, apesar de o aumento do risco de pobreza ter abrangido todos os grupos etários, foi maior nos casos dos menores de 18 anos, tendo o risco de pobreza passado de 24,4 por cento em 2012 para 25,6 por cento em 2013.
“A presença das crianças num agregado familiar está associada ao aumento do risco de pobreza, sendo de 23,0 por cento para as famílias com crianças dependentes e de 15,8 por cento para as famílias sem crianças dependentes”, adianta o INE.
O risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afetando quase dois milhões de portugueses, de acordo com os dados do INE.
O risco de pobreza continuou a aumentar em Portugal em 2013, afetando já quase dois milhões de portugueses, de acordo com os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Segundo os dados do INE, 19,5 por cento das pessoas estavam em risco de pobreza em 2013 face aos 18,7 por cento do ano anterior, apesar de ter existido um aumento dos apoios sociais às situações de doença e incapacidade, família ou desemprego.
As estatísticas do INE assinalam ainda que, apesar de o aumento do risco de pobreza ter abrangido todos os grupos etários, foi maior nos casos dos menores de 18 anos, tendo o risco de pobreza passado de 24,4 por cento em 2012 para 25,6 por cento em 2013.
“A presença das crianças num agregado familiar está associada ao aumento do risco de pobreza, sendo de 23,0 por cento para as famílias com crianças dependentes e de 15,8 por cento para as famílias sem crianças dependentes”, adianta o INE.
“Não há um plano estruturado de luta contra a pobreza em Portugal”
in RR
Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que um em cada cinco portugueses estava em risco de pobreza em 2013.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza considera que não há um plano estruturado de luta contra a pobreza em Portugal e não estranha o aumento do risco de pobreza no nosso país.
Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que um em cada cinco portugueses estava em risco de pobreza em 2013. De 2012 para 2013 regista-se uma subida de risco de pobreza de quase 1%; de 18,7 para os 19,5%.
O padre Jardim Moreira diz que as respostas ao problema têm sido pontuais. “Não há um plano estruturado de luta contra a pobreza em Portugal. Tem havido dificuldade política em enveredar por esse caminho, e tem-se estado a responder com respostas pontuais, superficiais ou de fim de linha. As causas geradoras e provocadoras da pobreza não estão a ser tidas em conta e atacadas”, diz.
O mesmo responsável manifestou ainda o desejo de uma utilização adequada dos fundos comunitários dedicados ao combate à pobreza.
De acordo com o inquérito do INE, realizado anualmente junto das famílias residentes em Portugal, o risco de pobreza não só aumentou como abrangeu todos os grupos etários, embora seja mais elevado no caso dos menores. Entre as crianças e jovens com menos de 18 anos, o risco de cair na pobreza aumentou 1,2% e ultrapassa agora os 25%.
Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que um em cada cinco portugueses estava em risco de pobreza em 2013.
O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza considera que não há um plano estruturado de luta contra a pobreza em Portugal e não estranha o aumento do risco de pobreza no nosso país.
Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que um em cada cinco portugueses estava em risco de pobreza em 2013. De 2012 para 2013 regista-se uma subida de risco de pobreza de quase 1%; de 18,7 para os 19,5%.
O padre Jardim Moreira diz que as respostas ao problema têm sido pontuais. “Não há um plano estruturado de luta contra a pobreza em Portugal. Tem havido dificuldade política em enveredar por esse caminho, e tem-se estado a responder com respostas pontuais, superficiais ou de fim de linha. As causas geradoras e provocadoras da pobreza não estão a ser tidas em conta e atacadas”, diz.
O mesmo responsável manifestou ainda o desejo de uma utilização adequada dos fundos comunitários dedicados ao combate à pobreza.
De acordo com o inquérito do INE, realizado anualmente junto das famílias residentes em Portugal, o risco de pobreza não só aumentou como abrangeu todos os grupos etários, embora seja mais elevado no caso dos menores. Entre as crianças e jovens com menos de 18 anos, o risco de cair na pobreza aumentou 1,2% e ultrapassa agora os 25%.
Os números do INE e as propostas do FMI
in Público on-line
Entre a realidade e a intrusão política até se percebe a ministra das Finanças.
Entre as várias estatísticas divulgadas pelo INE e o relatório do FMI para avaliar o desempenho do país pós-troika, a semana foi pródiga em números e recados mais ou menos inesperados. O Governo ouviu boas e más notícias e, como sempre acontece nestas ocasiões, tratou de falar do que lhe convém e de omitir tudo o que é revelador da fragilidade das suas políticas. É verdade que o défice está melhor, que o indicador de confiança dos consumidores recuperou para o valor mais elevado desde Maio de 2002 e que o indicador de clima económico também subiu “ligeiramente”, interrompendo um ciclo negativo iniciado em Setembro do ano passado. O desemprego também já teve piores dias, situando-se agora numa taxa de 13,4%, e até daria para Passos Coelho respirar de alívio face aos preocupantes aumentos verificados em Outubro e Novembro de ano passado, não fora a tendência crescente do desemprego jovem, que atinge agora uns astronómicos 34,5% na população entre os 15 e os 24 anos.
Infelizmente, as más notícias não se ficam por aqui. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, o número de pessoas em risco de pobreza aumentou em 2013 em todos os grupos etários e já atinge 19,5% da população, contra 18,7% em 2012. Os grupos mais atingidos são os menores de 18 anos e os desempregados, estes apresentando um risco de 40,5%. Como se estes números não fossem já altamente perturbadores, as estatísticas revelam ainda que se agravou a desigualdade na distribuição de rendimentos.
É neste quadro que surge nesta sexta-feira o relatório divulgado pelo FMI para avaliar o desempenho do país após a saída da troika. Não é um texto tecnocrata, como seria próprio de funcionários de uma instituição deste tipo, é antes e sobretudo um documento político dirigido não só ao Governo, mas também ao principal partido da oposição. O que diz então o FMI? Que a economia vai crescer pouco nos próximos anos, o que não dará para travar a estagnação do mercado de trabalho. Assim sendo, Portugal corre o risco de ver partir os quadros mais bem preparados para a emigração, perdendo com isso qualificações que seriam cruciais para o crescimento. E o que propõe então o FMI para contrariar isto? Manter o factor trabalho sob pressão, revertendo os cortes salariais e o fim da contribuição extraordinária de solidariedade. Apressar os despedimentos na função pública e cortar mais nas despesas sociais. Enfim, o Fundo propõe tudo o que faz fugir a mão-de-obra qualificada para o estrangeiro: baixos salários e fraca protecção social.
Depois de há dois dias o governador do Banco de Inglaterra ter arrasado a política de austeridade da zona euro e de ainda hoje se ter sabido que foi o consumo a grande alavanca de crescimento do PIB dos EUA, o FMI não hesita em criticar o Governo pelo aumento do nosso salário mínimo. E, de caminho, avisar o PS que “o processo de reformas em Portugal tem de ser feito durante muitos anos, independentemente de quem estiver no governo”. Percebe-se que a ministra das Finanças os queira ver pelas costas.
Entre a realidade e a intrusão política até se percebe a ministra das Finanças.
Entre as várias estatísticas divulgadas pelo INE e o relatório do FMI para avaliar o desempenho do país pós-troika, a semana foi pródiga em números e recados mais ou menos inesperados. O Governo ouviu boas e más notícias e, como sempre acontece nestas ocasiões, tratou de falar do que lhe convém e de omitir tudo o que é revelador da fragilidade das suas políticas. É verdade que o défice está melhor, que o indicador de confiança dos consumidores recuperou para o valor mais elevado desde Maio de 2002 e que o indicador de clima económico também subiu “ligeiramente”, interrompendo um ciclo negativo iniciado em Setembro do ano passado. O desemprego também já teve piores dias, situando-se agora numa taxa de 13,4%, e até daria para Passos Coelho respirar de alívio face aos preocupantes aumentos verificados em Outubro e Novembro de ano passado, não fora a tendência crescente do desemprego jovem, que atinge agora uns astronómicos 34,5% na população entre os 15 e os 24 anos.
Infelizmente, as más notícias não se ficam por aqui. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, o número de pessoas em risco de pobreza aumentou em 2013 em todos os grupos etários e já atinge 19,5% da população, contra 18,7% em 2012. Os grupos mais atingidos são os menores de 18 anos e os desempregados, estes apresentando um risco de 40,5%. Como se estes números não fossem já altamente perturbadores, as estatísticas revelam ainda que se agravou a desigualdade na distribuição de rendimentos.
É neste quadro que surge nesta sexta-feira o relatório divulgado pelo FMI para avaliar o desempenho do país após a saída da troika. Não é um texto tecnocrata, como seria próprio de funcionários de uma instituição deste tipo, é antes e sobretudo um documento político dirigido não só ao Governo, mas também ao principal partido da oposição. O que diz então o FMI? Que a economia vai crescer pouco nos próximos anos, o que não dará para travar a estagnação do mercado de trabalho. Assim sendo, Portugal corre o risco de ver partir os quadros mais bem preparados para a emigração, perdendo com isso qualificações que seriam cruciais para o crescimento. E o que propõe então o FMI para contrariar isto? Manter o factor trabalho sob pressão, revertendo os cortes salariais e o fim da contribuição extraordinária de solidariedade. Apressar os despedimentos na função pública e cortar mais nas despesas sociais. Enfim, o Fundo propõe tudo o que faz fugir a mão-de-obra qualificada para o estrangeiro: baixos salários e fraca protecção social.
Depois de há dois dias o governador do Banco de Inglaterra ter arrasado a política de austeridade da zona euro e de ainda hoje se ter sabido que foi o consumo a grande alavanca de crescimento do PIB dos EUA, o FMI não hesita em criticar o Governo pelo aumento do nosso salário mínimo. E, de caminho, avisar o PS que “o processo de reformas em Portugal tem de ser feito durante muitos anos, independentemente de quem estiver no governo”. Percebe-se que a ministra das Finanças os queira ver pelas costas.
Pobreza afeta mais de dois milhões de pessoas em Portugal
Frederico Pinheiro, in Antena 1
Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que o risco de pobreza continuou a aumentar em 2013.
Os números do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento mostram que a pobreza afeta quase dois milhões de pessoas em Portugal.
O diretor do Observatório de Luta contra a Pobreza na cidade de Lisboa, Sérgio Aires, afirma à Antena 1 que o país vive uma situação de emergência.
(com Sandra Henriques)
Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que o risco de pobreza continuou a aumentar em 2013.
Os números do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento mostram que a pobreza afeta quase dois milhões de pessoas em Portugal.
O diretor do Observatório de Luta contra a Pobreza na cidade de Lisboa, Sérgio Aires, afirma à Antena 1 que o país vive uma situação de emergência.
(com Sandra Henriques)
"Ter emprego não é uma vacina contra a pobreza"
Pedro Crisóstomo, in Público on-line
Carlos Farinha Rodrigues, investigador na área das desigualdades, diz que Portugal recuou uma década em termos sociais.
É com um grito de alerta que o economista e investigador Carlos Farinha Rodrigues, especialista em desigualdades, exclusão social e políticas públicas, olha para os números da pobreza que o Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou nesta sexta-feira — uma taxa de 19,5% de população pobre.
Se no início da crise já havia sinais de que as desigualdades e a exclusão estavam a aumentar, hoje, à luz de vários anos, é inequívoco que o ciclo de redução da pobreza se inverteu, diz Farinha Rodrigues. “Hoje estamos ao nível dos indicadores de 2003-2004, recuámos uma década em termos sociais”. Os ganhos obtidos na diminuição da taxa da pobreza até 2009 “já estão revertidos”. E não só aumentou a incidência da pobreza como os pobres estão mais longe de deixarem de o ser.
Carlos Farinha Rodrigues é consultor do INE nas áreas de distribuição do rendimento e das estatísticas das famílias. Ao PÚBLICO falou na qualidade de professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
Como nos últimos anos o rendimento baixou e, com isso, o limiar da pobreza tende a baixar, haverá muitas pessoas de baixos rendimentos que deixam de ser consideradas pobres. É possível ter uma ideia da dimensão que este fenómeno assume?
Os indicadores oficiais de Portugal e da União Europeia foram pensados essencialmente para um contexto de crescimento normal, em que a evolução das condições de vida das famílias era tida em conta com a definição de uma linha de pobreza anual que reflectia as condições de vida nesse ano. O que acontece num período de forte estagnação ou retrocesso económico é que, na prática, os rendimentos baixam (em particular em torno da média e da mediana), o que leva a linha de pobreza para baixo e faz com que pessoas que antes eram pobres, agora, por via da quebra da linha de pobreza, ‘deixam de ser’ pobres, embora as suas condições não tenham melhorado ou até possam ter piorado.
A resposta encontrada foi construir um indicador alternativo que neutralizasse este efeito e mantivesse a linha de pobreza fixa, actualizada em exclusivo com a taxa de inflação — o que o Eurostat designa por linha de pobreza ancorada a determinado ano. O INE escolheu 2009, na minha opinião bem, porque ainda foi um ano de relativo crescimento dos rendimentos reais das famílias — corresponde ao encerramento de um ciclo que vinha desde o início do século, caracterizado pela redução das desigualdades.
A partir de 2010 tudo isso se inverte e há um sucessivo acréscimo de pobreza e de desigualdade. O que é que estes dados têm de relevante? Se considerarmos as estatísticas oficiais, eles são particularmente ilustrativos da tendência que vem desde 2010: há um aumento significativo de todos os indicadores de pobreza. Os dados hoje publicados pelo INE têm essa clareza. Em praticamente todos os sectores sociais e escalões etários, a taxa de pobreza aumenta. Olhando de 2009 até ao presente, é inequívoco que passámos de um ciclo de descida para um ciclo de aumento da pobreza e das desigualdades.
Hoje estamos ao nível dos indicadores de 2003-2004, recuámos uma década em termos sociais. E isto é um aspecto particularmente relevante, na medida em que grande parte dos ganhos obtidos até 2009, em termos de redução da pobreza e da exclusão social, já estão revertidos neste momento. Outro aspecto que os dados mostram é que, mesmo nos períodos de redução da pobreza em Portugal, há um sector onde os resultados são praticamente nulos: a pobreza nas crianças e jovens. Se durante o período de queda das desigualdades os resultados se mantiveram quase iguais, neste período oposto tem aumentado imenso. A taxa de pobreza das crianças já vai nos 25,6%. Este, para mim, é um dos factores de preocupação — hoje, as crianças e os jovens são dos sectores em maior fragilidade social, temos um quarto das nossas crianças e jovens em situação de pobreza.
Há ainda outro aspecto relevante, embora muitas vezes os media não lhe confiram muita importância, que é o indicador de intensidade da pobreza — no fundo, uma medida de quanto pobres são os pobres, que nos diz qual é a percentagem de recursos que faltam aos pobres para deixarem de ser pobres. Pela primeira vez este ano, ultrapassámos os 30%. É o valor mais elevado desde que esta série do INE existe. O que é que isto significa? Que não só estamos a agravar fortemente a taxa de pobreza — a incidência de pobreza da população —, como estamos a [deixar que] os pobres tenham piores condições. Toda esta análise baseia-se nas estatísticas oficiais. Se sobre isto considerar, como seria mais correcto, a linha de pobreza, a taxa de pobreza passa para 25,9% e a das crianças é superior a 30%.
Carlos Farinha Rodrigues, investigador na área das desigualdades, diz que Portugal recuou uma década em termos sociais.
É com um grito de alerta que o economista e investigador Carlos Farinha Rodrigues, especialista em desigualdades, exclusão social e políticas públicas, olha para os números da pobreza que o Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou nesta sexta-feira — uma taxa de 19,5% de população pobre.
Se no início da crise já havia sinais de que as desigualdades e a exclusão estavam a aumentar, hoje, à luz de vários anos, é inequívoco que o ciclo de redução da pobreza se inverteu, diz Farinha Rodrigues. “Hoje estamos ao nível dos indicadores de 2003-2004, recuámos uma década em termos sociais”. Os ganhos obtidos na diminuição da taxa da pobreza até 2009 “já estão revertidos”. E não só aumentou a incidência da pobreza como os pobres estão mais longe de deixarem de o ser.
Carlos Farinha Rodrigues é consultor do INE nas áreas de distribuição do rendimento e das estatísticas das famílias. Ao PÚBLICO falou na qualidade de professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
Como nos últimos anos o rendimento baixou e, com isso, o limiar da pobreza tende a baixar, haverá muitas pessoas de baixos rendimentos que deixam de ser consideradas pobres. É possível ter uma ideia da dimensão que este fenómeno assume?
Os indicadores oficiais de Portugal e da União Europeia foram pensados essencialmente para um contexto de crescimento normal, em que a evolução das condições de vida das famílias era tida em conta com a definição de uma linha de pobreza anual que reflectia as condições de vida nesse ano. O que acontece num período de forte estagnação ou retrocesso económico é que, na prática, os rendimentos baixam (em particular em torno da média e da mediana), o que leva a linha de pobreza para baixo e faz com que pessoas que antes eram pobres, agora, por via da quebra da linha de pobreza, ‘deixam de ser’ pobres, embora as suas condições não tenham melhorado ou até possam ter piorado.
A resposta encontrada foi construir um indicador alternativo que neutralizasse este efeito e mantivesse a linha de pobreza fixa, actualizada em exclusivo com a taxa de inflação — o que o Eurostat designa por linha de pobreza ancorada a determinado ano. O INE escolheu 2009, na minha opinião bem, porque ainda foi um ano de relativo crescimento dos rendimentos reais das famílias — corresponde ao encerramento de um ciclo que vinha desde o início do século, caracterizado pela redução das desigualdades.
A partir de 2010 tudo isso se inverte e há um sucessivo acréscimo de pobreza e de desigualdade. O que é que estes dados têm de relevante? Se considerarmos as estatísticas oficiais, eles são particularmente ilustrativos da tendência que vem desde 2010: há um aumento significativo de todos os indicadores de pobreza. Os dados hoje publicados pelo INE têm essa clareza. Em praticamente todos os sectores sociais e escalões etários, a taxa de pobreza aumenta. Olhando de 2009 até ao presente, é inequívoco que passámos de um ciclo de descida para um ciclo de aumento da pobreza e das desigualdades.
Hoje estamos ao nível dos indicadores de 2003-2004, recuámos uma década em termos sociais. E isto é um aspecto particularmente relevante, na medida em que grande parte dos ganhos obtidos até 2009, em termos de redução da pobreza e da exclusão social, já estão revertidos neste momento. Outro aspecto que os dados mostram é que, mesmo nos períodos de redução da pobreza em Portugal, há um sector onde os resultados são praticamente nulos: a pobreza nas crianças e jovens. Se durante o período de queda das desigualdades os resultados se mantiveram quase iguais, neste período oposto tem aumentado imenso. A taxa de pobreza das crianças já vai nos 25,6%. Este, para mim, é um dos factores de preocupação — hoje, as crianças e os jovens são dos sectores em maior fragilidade social, temos um quarto das nossas crianças e jovens em situação de pobreza.
Há ainda outro aspecto relevante, embora muitas vezes os media não lhe confiram muita importância, que é o indicador de intensidade da pobreza — no fundo, uma medida de quanto pobres são os pobres, que nos diz qual é a percentagem de recursos que faltam aos pobres para deixarem de ser pobres. Pela primeira vez este ano, ultrapassámos os 30%. É o valor mais elevado desde que esta série do INE existe. O que é que isto significa? Que não só estamos a agravar fortemente a taxa de pobreza — a incidência de pobreza da população —, como estamos a [deixar que] os pobres tenham piores condições. Toda esta análise baseia-se nas estatísticas oficiais. Se sobre isto considerar, como seria mais correcto, a linha de pobreza, a taxa de pobreza passa para 25,9% e a das crianças é superior a 30%.
Em 2013 foram condenados 35 menores por crimes sexuais
Ana Cristina Pereira, in Público on-line
Investigador diz que 10% dos condenados por abusos sexuais de menores e 12% dos condenados por violações em 2013 tinham mais de 12 e menos de 18 anos.
Ricardo Barroso, professor auxiliar da Universidade de Trás-os-Montes, concluiu que 60% das violações cometidas tinham sido cometidas em grupo Daniel Rocha
Apesar de minoritária, é expressiva a percentagem de menores de 18 anos no universo das pessoas que respondem por crimes de natureza sexual. Múltiplos estudos feitos em diversos países apontam para 20% de menores entre protagonistas de agressões sexuais e Portugal não é excepção. Ricardo Barroso, professor auxiliar da Universidade de Trás-os-Montes, que fez doutoramento sobre as características e as especificidades dos jovens agressores sexuais, tem as contas feitas: 10% dos condenados por abusos sexuais de menores e 12% dos condenados por violações em 2013 tinham mais de 12 e menos de 18 anos.
O especialista em psicologia, debruçou-se sobre as estatísticas da Direcção Geral de Políticas de Justiça (DGPJ). Pegou nos condenados pelos tribunais judiciais de 1.ª instância com idades compreendidas 16 e 17 anos e juntou-lhes os maiores de 12 internados em centros educativos pelos crimes de violação e abuso sexual de menores.
A DGPJ indica 15 condenados de 16 e 17 anos em 2011, 19 em 2012, nove em 2013, sendo que os dados para este último ano são parciais. Quanto a internados em centros educativos, menciona 23 em 2011 e 18 em 2012. Ricardo Barroso tem notícia de mais rapazes internados: 28 em 2011, 35 em 2012 e 11 em 2013, “o ano com menor número de casos nos últimos 6 anos”.
Há uma explicação para aquela diferença: a estatística oficial é feita com base no crime principal, basta que os menores tenham tido comportamentos de maior gravidade para deixarem de contar como agressores sexuais. Ora, o investigador recorreu a fontes alternativas.
Somando todos os condenados por crimes sexuais com mais de 12 e menos de 18 anos, Ricardo Barroso contou 31 em 2009, 30 em 2010, 43 em 2011, 54 em 2012, 35 em 2013. E, para lá da prevalência, inquieta-se com os seus efeitos na vida das vítimas e dos agressores.
Haverá uma tendência para desvalorizar o abuso entre pares, para os encarar como brincadeiras. “Tenho conhecido casais que são amigos, frequentam as casas uns dos outros, têm miúdos que brincam juntos e um dia encontram-nos na casa de banho. É um embaraço enorme fazer queixa”, diz.
A fronteira nem sempre será fácil de traçar numa idade de tantas mudanças. Importa, porém, distinguir o experimentalismo, a brincadeira, da agressão, do abuso, salienta o investigador. Os actos sexuais abusivos são os praticados sem consentimento do outro, contra a sua vontade, de uma forma agressiva, manipuladora ou ameaçadora.
Divide os jovens agressores sexuais em dois tipos: violadores e abusadores de crianças. No estudo que fez, cerca de 60% das violações cometidas tinham sido cometidas em grupo. “É raro isso acontecer entre adultos”, comenta. “É a pressão do grupo de pares em contexto de comportamentos exploratórios."
As primeiras experiências sexuais podem criar padrões de interesse que se podem vir a revelar sistemáticos. Não é uma inevitabilidade, como se vê pela baixa taxa de reincidência. “Quando se fala de adolescentes, fala-se de padrões sexuais não definitivos, em desenvolvimento”, explica.
O país não tem um programa específico para jovens agressores sexuais, lamenta. Os tribunais, por vezes, optam por ordenar tratamento, mas os técnicos que acompanham as medidas afligem-se para encontrar resposta. A Universidade do Porto recebe alguns, a Universidade do Minho outros, exemplifica.
Investigador diz que 10% dos condenados por abusos sexuais de menores e 12% dos condenados por violações em 2013 tinham mais de 12 e menos de 18 anos.
Ricardo Barroso, professor auxiliar da Universidade de Trás-os-Montes, concluiu que 60% das violações cometidas tinham sido cometidas em grupo Daniel Rocha
Apesar de minoritária, é expressiva a percentagem de menores de 18 anos no universo das pessoas que respondem por crimes de natureza sexual. Múltiplos estudos feitos em diversos países apontam para 20% de menores entre protagonistas de agressões sexuais e Portugal não é excepção. Ricardo Barroso, professor auxiliar da Universidade de Trás-os-Montes, que fez doutoramento sobre as características e as especificidades dos jovens agressores sexuais, tem as contas feitas: 10% dos condenados por abusos sexuais de menores e 12% dos condenados por violações em 2013 tinham mais de 12 e menos de 18 anos.
O especialista em psicologia, debruçou-se sobre as estatísticas da Direcção Geral de Políticas de Justiça (DGPJ). Pegou nos condenados pelos tribunais judiciais de 1.ª instância com idades compreendidas 16 e 17 anos e juntou-lhes os maiores de 12 internados em centros educativos pelos crimes de violação e abuso sexual de menores.
A DGPJ indica 15 condenados de 16 e 17 anos em 2011, 19 em 2012, nove em 2013, sendo que os dados para este último ano são parciais. Quanto a internados em centros educativos, menciona 23 em 2011 e 18 em 2012. Ricardo Barroso tem notícia de mais rapazes internados: 28 em 2011, 35 em 2012 e 11 em 2013, “o ano com menor número de casos nos últimos 6 anos”.
Há uma explicação para aquela diferença: a estatística oficial é feita com base no crime principal, basta que os menores tenham tido comportamentos de maior gravidade para deixarem de contar como agressores sexuais. Ora, o investigador recorreu a fontes alternativas.
Somando todos os condenados por crimes sexuais com mais de 12 e menos de 18 anos, Ricardo Barroso contou 31 em 2009, 30 em 2010, 43 em 2011, 54 em 2012, 35 em 2013. E, para lá da prevalência, inquieta-se com os seus efeitos na vida das vítimas e dos agressores.
Haverá uma tendência para desvalorizar o abuso entre pares, para os encarar como brincadeiras. “Tenho conhecido casais que são amigos, frequentam as casas uns dos outros, têm miúdos que brincam juntos e um dia encontram-nos na casa de banho. É um embaraço enorme fazer queixa”, diz.
A fronteira nem sempre será fácil de traçar numa idade de tantas mudanças. Importa, porém, distinguir o experimentalismo, a brincadeira, da agressão, do abuso, salienta o investigador. Os actos sexuais abusivos são os praticados sem consentimento do outro, contra a sua vontade, de uma forma agressiva, manipuladora ou ameaçadora.
Divide os jovens agressores sexuais em dois tipos: violadores e abusadores de crianças. No estudo que fez, cerca de 60% das violações cometidas tinham sido cometidas em grupo. “É raro isso acontecer entre adultos”, comenta. “É a pressão do grupo de pares em contexto de comportamentos exploratórios."
As primeiras experiências sexuais podem criar padrões de interesse que se podem vir a revelar sistemáticos. Não é uma inevitabilidade, como se vê pela baixa taxa de reincidência. “Quando se fala de adolescentes, fala-se de padrões sexuais não definitivos, em desenvolvimento”, explica.
O país não tem um programa específico para jovens agressores sexuais, lamenta. Os tribunais, por vezes, optam por ordenar tratamento, mas os técnicos que acompanham as medidas afligem-se para encontrar resposta. A Universidade do Porto recebe alguns, a Universidade do Minho outros, exemplifica.
Cuidados paliativos devem ser aplicados em fases mais precoces
in Notícias ao Minuto
O Núcleo de Estudos de Medicina Paliativa (NEMPAL) recomendou hoje a introdução dos cuidados paliativos numa fase mais precoce da doença, advertindo que cerca de 18.000 doentes oncológicos poderão necessitar anualmente destes cuidados.
Cuidados paliativos devem ser aplicados em fases mais precoces Cuidados paliativos devem ser aplicados em fases mais precoces
"Os cuidados paliativos introduzidos numa fase mais precoce da doença, a par dos tratamentos dirigidos à cura, melhoram a qualidade de vida e aumentam a sobrevida dos doentes", refere o núcleo de estudos num comunicado que assinala o Dia Mundial do Cancro (04 de fevereiro).
"Habitualmente ligam-se estes cuidados só quando os doentes estão a morrer e nessa altura ajudamos, mas muito pouco. Temos de começar mais cedo para ajudarmos muito mais", disse à agência Lusa a coordenadora do núcleo de estudos, Elga Freire.
A especialista em Medicina Interna reconhece que em Portugal ainda falta cobrir grande parte das necessidades de cuidados paliativos, seja internamento ou domicílio.
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos calcula que cerca de 90 por cento dos portugueses que precisam de cuidados paliativos não os recebe, uma situação que Elga Freire atribui ao facto de não haver respostas adequadas.
"Nós estamos a tentar e todos os dias temos melhorado, agora é verdade que as necessidades são imensas e que o nosso país se atrasou muito", disse à Lusa
Para a médica, a resposta deve passar pela mudança dos cuidados prestados aos doentes crónicos e terminais, o que implica a formação e treino em cuidados paliativos de todos os profissionais de saúde que tratam estes doentes e a criação de estruturas em número suficiente para poder responder às reais necessidades da população.
"É urgente haver um maior empenho das políticas de saúde e sociais para que se implementem as várias estruturas já definidas, nomeadamente os cuidados paliativos domiciliários", defendeu.
De acordo com os estudos mais recentes, 60% dos doentes falecidos necessitariam de cuidados paliativos, repartindo-se equitativamente por diferentes níveis de complexidade".
Segundo as recomendações da OMS, calcula-se que cerca de 80% dos doentes oncológicos que virão a falecer podem necessitar de cuidados paliativos diferenciados.
Baseando-se nos dados da mortalidade em Portugal, o NEMPAL estima que cerca de 18.000 doentes com cancro podem necessitar, anualmente, destes cuidados.
"A necessidade de cuidados paliativos na doença oncológica não diminui, pelo contrário, aumenta se quisermos melhorar a qualidade da assistência prestada a estes doentes", explicou Elga Freire.
O núcleo de estudo estima que são necessárias 133 equipas de cuidados paliativos domiciliários, 102 equipas intra-hospitalares de suporte em cuidados paliativos (uma em cada instituição hospitalar), 28 unidades de internamento em hospitais de agudos e 46 unidades vocacionadas para doentes crónicos.
O Núcleo de Estudos de Medicina Paliativa (NEMPAL) recomendou hoje a introdução dos cuidados paliativos numa fase mais precoce da doença, advertindo que cerca de 18.000 doentes oncológicos poderão necessitar anualmente destes cuidados.
Cuidados paliativos devem ser aplicados em fases mais precoces Cuidados paliativos devem ser aplicados em fases mais precoces
"Os cuidados paliativos introduzidos numa fase mais precoce da doença, a par dos tratamentos dirigidos à cura, melhoram a qualidade de vida e aumentam a sobrevida dos doentes", refere o núcleo de estudos num comunicado que assinala o Dia Mundial do Cancro (04 de fevereiro).
"Habitualmente ligam-se estes cuidados só quando os doentes estão a morrer e nessa altura ajudamos, mas muito pouco. Temos de começar mais cedo para ajudarmos muito mais", disse à agência Lusa a coordenadora do núcleo de estudos, Elga Freire.
A especialista em Medicina Interna reconhece que em Portugal ainda falta cobrir grande parte das necessidades de cuidados paliativos, seja internamento ou domicílio.
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos calcula que cerca de 90 por cento dos portugueses que precisam de cuidados paliativos não os recebe, uma situação que Elga Freire atribui ao facto de não haver respostas adequadas.
"Nós estamos a tentar e todos os dias temos melhorado, agora é verdade que as necessidades são imensas e que o nosso país se atrasou muito", disse à Lusa
Para a médica, a resposta deve passar pela mudança dos cuidados prestados aos doentes crónicos e terminais, o que implica a formação e treino em cuidados paliativos de todos os profissionais de saúde que tratam estes doentes e a criação de estruturas em número suficiente para poder responder às reais necessidades da população.
"É urgente haver um maior empenho das políticas de saúde e sociais para que se implementem as várias estruturas já definidas, nomeadamente os cuidados paliativos domiciliários", defendeu.
De acordo com os estudos mais recentes, 60% dos doentes falecidos necessitariam de cuidados paliativos, repartindo-se equitativamente por diferentes níveis de complexidade".
Segundo as recomendações da OMS, calcula-se que cerca de 80% dos doentes oncológicos que virão a falecer podem necessitar de cuidados paliativos diferenciados.
Baseando-se nos dados da mortalidade em Portugal, o NEMPAL estima que cerca de 18.000 doentes com cancro podem necessitar, anualmente, destes cuidados.
"A necessidade de cuidados paliativos na doença oncológica não diminui, pelo contrário, aumenta se quisermos melhorar a qualidade da assistência prestada a estes doentes", explicou Elga Freire.
O núcleo de estudo estima que são necessárias 133 equipas de cuidados paliativos domiciliários, 102 equipas intra-hospitalares de suporte em cuidados paliativos (uma em cada instituição hospitalar), 28 unidades de internamento em hospitais de agudos e 46 unidades vocacionadas para doentes crónicos.
Turma de ciganos continua a dividir opiniões. Mas projecto é para acabar
Andreia Sanches, in Público on-line
Foi numa escola de Tomar: em Setembro estalou a polémica e houve acusações de segregação. Agora, ainda há pais que continuam a falar de “racismo”. O Alto Comissariado para as Migrações diz que não há absentismo, mas não reconhece a turma como “boa prática”. Escola diz que tudo corre “acima das expectativas”.
Etelvina, cabelos apanhados num carrapito, saia comprida, chega apressada, perto das 12h30, à Escola Básica do 1.º ciclo dos Templários, em Tomar. Há mais mães à espera à porta que as suas crianças saiam para o almoço. Mais nenhuma é de etnia cigana, para além dela. Às 12h30 o portão abre-se para vários alunos, incluindo Amélia Alexandre, Orquídea Rosa, mais umas quantas raparigas e um rapaz de cabelos cor de cenoura, todos muito alegres, entre os 8 e os 12 anos. Rodeiam Etelvina. É ela que vai “quase sempre” buscá-los, para os levar a todos para o acampamento ali perto, onde vivem.
Como estão as crianças a adaptar-se à turma só de meninos ciganos que no início deste ano foi criada nesta escola e tanta polémica deu? Etelvina responde de forma evasiva. “Estou cheia de pressa. Se quiser venha comigo.” E seguimos Etelvina e as crianças, todos em passo apressado, rua fora, até ao acampamento.
Orquídea Rosa, 12 anos, diz ofegante, enquanto caminha, que não gosta desta turma “só de ciganos” — quer dizer, agora já não é só de ciganos, porque há tempos deu entrada um rapaz que não é cigano, conta. Orquídea, que com a idade que tem devia estar no 2.º ciclo do ensino básico mas ainda não passou do 1.º, diz que continua a ter problemas “em ler, em escrever... e no Português”.
Preferia estar num grupo com mais “senhores”, diz — “senhores” é o nome que muitos ciganos dão aos não ciganos. Amélia, também com 12 anos, diz o mesmo. “Tudo junto, todos ciganos, é uma confusão.” Conta que tem mais dificuldade agora em acompanhar a aula do que dantes, quando estava com mais “senhores”. Mas porquê? Etelvina resume, despachada: “Todos juntos não prestam atenção a nada.”
O acampamento onde vivem é composto por uma série de barracas, feitas de materiais vários — madeira, zinco, plástico... Há estendais com roupa a esvoaçar e água a correr por carreiros estreitos, que rasgam a terra batida.
Joana Encarnação, 72 anos, diz que não sabe dizer se a neta Amélia se está a dar bem ou não com a nova turma, se aprende mais agora do que dantes. Diz que já não tem “muita cabeça” para pensar nestas coisas, apesar de às vezes ir à escola falar com a professora. Amélia sorri enquanto devora, com uma colher de sopa, arroz branco de uma tigela.
José Mendes, pai de Orlanda, uma menina de 8 anos, também aluna da “turma dos ciganos”, tem mais opinião: “A professora é boa”, começa por dizer. “Mas juntar uma turma só de ciganos não faz sentido. Vocês não sabem o que acontece quando se juntam só ciganos? Nada de bom.”
E continua: “Não estão a aprender nada. Já pensei em tirar de lá as minhas filhas.” Para as levar para onde? “Ficavam aqui no acampamento”, responde revoltado. Não é meigo nas palavras: vê nesta turma que junta crianças de diferentes idades e de diferentes anos de escolaridade um acto de “racismo”.
Turma vai acabar
Mas José Mendes não tirou as filhas da escola. “Não se registam situações de absentismo escolar neste momento”, informa, de resto, o Alto Comissariado para as Migrações (ACM), numa nota enviada em resposta a uma série de questões colocadas pelo PÚBLICO sobre como corre a turma “especial” de Tomar.
“Os alunos que inicialmente integravam a referida turma têm vindo a ser, gradualmente, integrados noutras turmas da mesma escola; a referida turma não será mantida, prevendo-se que no início do próximo ano lectivo não exista”, faz saber ainda o ACM.
Em suma: por um lado, o Alto Comissariado não reconhece a constituição da turma de alunos de etnia cigana de Tomar “como uma boa prática”. Por outro, explica que “as crianças abrangidas têm registado bons resultados e têm melhorado o seu comportamento em contexto de sala de aula”. Mais: “Está a ser feita uma aposta na abertura da escola aos encarregados de educação por forma a permitir um trabalho mais sistemático e estruturado.”
Regresse-se por momentos a Setembro, arranque de ano lectivo. A escola constituiu uma turma com 14 meninos e meninas, de etnia cigana, entre os 7 e os 14 anos, de diferentes anos de escolaridade. E as famílias revoltaram-se. O caso foi noticiado pelo PÚBLICO: “Juntarem estes miúdos todos só porque são ciganos é encostá-los a uma parede para não aprenderem nada”, indignou-se na altura José António Pascoal, pai de uma das crianças.
Ao PÚBLICO, o director do agrupamento, Carlos Ribeiro, disse então que não havia intenção de segregar: “Criámos uma turma mais pequena com meninos que são repetentes.” O objectivo era que eles progredissem em vez de ficarem a marcar passo — como acontecia havia muito. Outros alunos ciganos, mas com menos problemas de sucesso escolar, estavam normalmente integrados nas diferentes turmas da escola, explicou.
Foi numa escola de Tomar: em Setembro estalou a polémica e houve acusações de segregação. Agora, ainda há pais que continuam a falar de “racismo”. O Alto Comissariado para as Migrações diz que não há absentismo, mas não reconhece a turma como “boa prática”. Escola diz que tudo corre “acima das expectativas”.
Etelvina, cabelos apanhados num carrapito, saia comprida, chega apressada, perto das 12h30, à Escola Básica do 1.º ciclo dos Templários, em Tomar. Há mais mães à espera à porta que as suas crianças saiam para o almoço. Mais nenhuma é de etnia cigana, para além dela. Às 12h30 o portão abre-se para vários alunos, incluindo Amélia Alexandre, Orquídea Rosa, mais umas quantas raparigas e um rapaz de cabelos cor de cenoura, todos muito alegres, entre os 8 e os 12 anos. Rodeiam Etelvina. É ela que vai “quase sempre” buscá-los, para os levar a todos para o acampamento ali perto, onde vivem.
Como estão as crianças a adaptar-se à turma só de meninos ciganos que no início deste ano foi criada nesta escola e tanta polémica deu? Etelvina responde de forma evasiva. “Estou cheia de pressa. Se quiser venha comigo.” E seguimos Etelvina e as crianças, todos em passo apressado, rua fora, até ao acampamento.
Orquídea Rosa, 12 anos, diz ofegante, enquanto caminha, que não gosta desta turma “só de ciganos” — quer dizer, agora já não é só de ciganos, porque há tempos deu entrada um rapaz que não é cigano, conta. Orquídea, que com a idade que tem devia estar no 2.º ciclo do ensino básico mas ainda não passou do 1.º, diz que continua a ter problemas “em ler, em escrever... e no Português”.
Preferia estar num grupo com mais “senhores”, diz — “senhores” é o nome que muitos ciganos dão aos não ciganos. Amélia, também com 12 anos, diz o mesmo. “Tudo junto, todos ciganos, é uma confusão.” Conta que tem mais dificuldade agora em acompanhar a aula do que dantes, quando estava com mais “senhores”. Mas porquê? Etelvina resume, despachada: “Todos juntos não prestam atenção a nada.”
O acampamento onde vivem é composto por uma série de barracas, feitas de materiais vários — madeira, zinco, plástico... Há estendais com roupa a esvoaçar e água a correr por carreiros estreitos, que rasgam a terra batida.
Joana Encarnação, 72 anos, diz que não sabe dizer se a neta Amélia se está a dar bem ou não com a nova turma, se aprende mais agora do que dantes. Diz que já não tem “muita cabeça” para pensar nestas coisas, apesar de às vezes ir à escola falar com a professora. Amélia sorri enquanto devora, com uma colher de sopa, arroz branco de uma tigela.
José Mendes, pai de Orlanda, uma menina de 8 anos, também aluna da “turma dos ciganos”, tem mais opinião: “A professora é boa”, começa por dizer. “Mas juntar uma turma só de ciganos não faz sentido. Vocês não sabem o que acontece quando se juntam só ciganos? Nada de bom.”
E continua: “Não estão a aprender nada. Já pensei em tirar de lá as minhas filhas.” Para as levar para onde? “Ficavam aqui no acampamento”, responde revoltado. Não é meigo nas palavras: vê nesta turma que junta crianças de diferentes idades e de diferentes anos de escolaridade um acto de “racismo”.
Turma vai acabar
Mas José Mendes não tirou as filhas da escola. “Não se registam situações de absentismo escolar neste momento”, informa, de resto, o Alto Comissariado para as Migrações (ACM), numa nota enviada em resposta a uma série de questões colocadas pelo PÚBLICO sobre como corre a turma “especial” de Tomar.
“Os alunos que inicialmente integravam a referida turma têm vindo a ser, gradualmente, integrados noutras turmas da mesma escola; a referida turma não será mantida, prevendo-se que no início do próximo ano lectivo não exista”, faz saber ainda o ACM.
Em suma: por um lado, o Alto Comissariado não reconhece a constituição da turma de alunos de etnia cigana de Tomar “como uma boa prática”. Por outro, explica que “as crianças abrangidas têm registado bons resultados e têm melhorado o seu comportamento em contexto de sala de aula”. Mais: “Está a ser feita uma aposta na abertura da escola aos encarregados de educação por forma a permitir um trabalho mais sistemático e estruturado.”
Regresse-se por momentos a Setembro, arranque de ano lectivo. A escola constituiu uma turma com 14 meninos e meninas, de etnia cigana, entre os 7 e os 14 anos, de diferentes anos de escolaridade. E as famílias revoltaram-se. O caso foi noticiado pelo PÚBLICO: “Juntarem estes miúdos todos só porque são ciganos é encostá-los a uma parede para não aprenderem nada”, indignou-se na altura José António Pascoal, pai de uma das crianças.
Ao PÚBLICO, o director do agrupamento, Carlos Ribeiro, disse então que não havia intenção de segregar: “Criámos uma turma mais pequena com meninos que são repetentes.” O objectivo era que eles progredissem em vez de ficarem a marcar passo — como acontecia havia muito. Outros alunos ciganos, mas com menos problemas de sucesso escolar, estavam normalmente integrados nas diferentes turmas da escola, explicou.
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