por Anabela Góis, in RR
Estudo europeu revela que plano português de cuidados continuados na saúde mental não saiu do papel. Coordenador do estudo revela também o que de positivo aconteceu em Portugal.
“Estava tudo pronto” e nada avançou. Pronto desde 2011, o plano de cuidados continuados de saúde mental continua na gaveta. Muito longe do aceitável estão também os programas de intervenção domiciliária, a colaboração com os cuidados primários e os programas integrados para doentes mentais graves.
“A implementação dos cuidados continuados de saúde mental foi uma falha terrível, porque tudo o que estava planeado para ser feito em termos de residências, centros de dia e equipas domiciliárias não chegou a arrancar. Andámos para trás no sentido de, em vez de desenvolvermos coisas na comunidade, voltarmos a desenvolver coisas em instituições”, critica o psiquiatra Caldas Almeida à Renascença.
As falhas são apontadas num relatório que vai apresentado esta quinta-feira em todos os países da Europa. Ao longo dos últimos dois anos e meio, foi analisada a transição dos modelos institucionais de saúde mental para os modelos baseados na comunidade.
“Voltámos a apostar, sobretudo, em camas e em instituições quando precisamos é de apostar em equipas com pessoas na comunidade, que estejam junto das pessoas, que possam ir a casa das pessoas. E falhámos naquilo que era o elemento básico da política de saúde mental em Portugal, que foi disseminar no país equipas comunitárias no terreno. Temos muito poucas e nos últimos anos nada se fez para se desenvolver esse campo”, aponta ainda o especialista português, que coordenou o estudo ao nível europeu.
Caldas Almeida sublinha que a evidência científica mostra que o futuro da saúde mental passa por substituir grandes hospitais psiquiátricos por serviços próximos da comunidade, equipas domiciliárias e serviços hospitalares, bem integrados com os cuidados primários.
Mas há aspectos da reforma em Portugal que também merecem elogios: mais de 75% da população depende de cuidados prestados por serviços com base em hospitais gerais, que substituíram os hospitais psiquiátricos como elemento central do sistema de saúde mental.
Por exemplo, o mais antigo hospital psiquiátrico do país (Hospital Miguel Bombarda) fechou portas, o que levou à criação de um conjunto de novos serviços de saúde mental em vários hospitais gerais (Barreiro, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, Cascais Amadora, Almada, Setúbal, Évora, Beja) e na comunidade.
O psiquiatra José Miguel Caldas de Almeida destaca ainda a legislação nacional. “Conseguimos desenvolver uma excelente lei de saúde mental, um bom plano de saúde mental; lançámos as bases dos cuidados continuados de saúde mental. Foi um trabalho muito grande do ponto de vista legislativo, de planos, de orçamento. Está feito, agora é só pôr em prática”, afirma.
Contactado pela Renascença, o Ministério da Saúde não faz comentários. O gabinete do secretário de Estado Adjunto do ministro Paulo Macedo diz não conhecer o teor do documento e lamenta que “os investigadores que produziram o relatório da saúde mental” tenham entendido “divulgá-lo à comunicação social antes de ao Ministério da Saúde”.
Os três melhores na saúde mental
O relatório divulgado esta quinta-feira pela União Europeia ("EU Joint Action on Mental Health and Wellbeing") ajuda a compreender a situação actual em cada um dos 28 Estados-membros.
Há três que se destacam pela positiva, que fizeram bastante melhor do que os outros: Reino Unido, Espanha e Itália. "Não são só os países com mais recursos que fazem as coisas bem", conclui Caldas Almeida.
"Em Portugal, tentámos fazer o mesmo que os italianos e os espanhóis, mas não conseguimos, nem pouco mais ou menos, ser tão eficazes", finaliza.
2.7.15
As imagens “inaceitáveis” dos pensionistas gregos desesperados
in Expresso
Cada pensionista grego que não tenha cartão multibanco pode levantar no máximo até 120 euros nas agências bancárias que abriram exclusivamente para o efeito. As filas multiplicam-se, o desespero idem. Tsipras culpa a Europa: “É inaceitável que numa Europa de solidariedade e respeito mútuo existam imagens destas”
Cada pensionista grego que não tenha cartão multibanco pode levantar no máximo até 120 euros nas agências bancárias que abriram exclusivamente para o efeito. As filas multiplicam-se, o desespero idem. Tsipras culpa a Europa: “É inaceitável que numa Europa de solidariedade e respeito mútuo existam imagens destas”
Comissão Europeia diz que chegou "momento de o povo grego escolher o futuro"
in Jornal de Notícias
A Comissão Europeia reiterou, esta quinta-feira, que não haverá mais conversações com Atenas até ao referendo de domingo, indicando que resta esperar pelo desfecho da consulta popular, pois "agora é o momento de o povo grego escolher o seu futuro".
"Não haverá mais conversações antes do referendo. Agora, vamos simplesmente esperar pelo resultado do referendo no domingo, e vamos ter em conta o desfecho do referendo. Agora é o momento de o povo grego escolher o seu futuro", declarou o porta-voz do executivo comunitário, Margaritis Schinas, na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia.
Escusando-se a comentar eventuais cenários em função do resultado do referendo, designadamente se a Comissão está disposta a retomar negociações com o Governo de Alexis Tsipras em caso de vitória do 'não' (à proposta das instituições) na consulta de domingo, o porta-voz respondeu a várias questões insistindo que o presidente da Comissão já expressou claramente o ponto de vista do executivo, remetendo para o discurso da passada segunda-feira de Jean-Claude Juncker.
Na segunda-feira, numa longa intervenção na sala de imprensa da sede da Comissão, Juncker disse que se sentiu "traído" nas negociações com o Governo grego, que acusou de não estar a contar a verdade aos seus cidadãos, e sustentou que "um 'não' significa que a Grécia diz 'não' à Europa".
Sublinhando que a Comissão Europeia não vai tecer mais comentários até ao referendo, pois o executivo comunitário "não está em campanha" para este e que já deixou bem expressa a sua opinião, Margaritis Schinas concluiu a conferência de imprensa referindo que tem que viajar até ao seu país para votar na consulta.
A Comissão Europeia reiterou, esta quinta-feira, que não haverá mais conversações com Atenas até ao referendo de domingo, indicando que resta esperar pelo desfecho da consulta popular, pois "agora é o momento de o povo grego escolher o seu futuro".
"Não haverá mais conversações antes do referendo. Agora, vamos simplesmente esperar pelo resultado do referendo no domingo, e vamos ter em conta o desfecho do referendo. Agora é o momento de o povo grego escolher o seu futuro", declarou o porta-voz do executivo comunitário, Margaritis Schinas, na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia.
Escusando-se a comentar eventuais cenários em função do resultado do referendo, designadamente se a Comissão está disposta a retomar negociações com o Governo de Alexis Tsipras em caso de vitória do 'não' (à proposta das instituições) na consulta de domingo, o porta-voz respondeu a várias questões insistindo que o presidente da Comissão já expressou claramente o ponto de vista do executivo, remetendo para o discurso da passada segunda-feira de Jean-Claude Juncker.
Na segunda-feira, numa longa intervenção na sala de imprensa da sede da Comissão, Juncker disse que se sentiu "traído" nas negociações com o Governo grego, que acusou de não estar a contar a verdade aos seus cidadãos, e sustentou que "um 'não' significa que a Grécia diz 'não' à Europa".
Sublinhando que a Comissão Europeia não vai tecer mais comentários até ao referendo, pois o executivo comunitário "não está em campanha" para este e que já deixou bem expressa a sua opinião, Margaritis Schinas concluiu a conferência de imprensa referindo que tem que viajar até ao seu país para votar na consulta.
Quase 25 mil adquiriram nacionalidade portuguesa em 2013
in Jornal de Notícias
Um total de 24.476 pessoas adquiriram a nacionalidade portuguesa, em 2013, na sua maioria (96%) vindos de fora da União Europeia principalmente do Brasil (20,8%).
Segundo dados divulgados esta quarta-feira pelo Eurostat, depois dos brasileiros foram os ucranianos (16,4%) e cabo-verdianos (15,6%) que mais pediram para adquirir a nacionalidade portuguesa.
Em Portugal, o rácio foi de 2,3 nacionalidades por mil habitantes e 5,9 por cada cem estrangeiros residentes no país.
Já na UE, foram concedidas, em 2013, 984.800 nacionalidades, a maioria das quais (89%) a pessoas oriundas de países terceiros, num rácio de 1,9 nacionalidades por mil habitantes e 2,9 por cada cem estrangeiros.
Segundo o gabinete de estatísticas da UE, Portugal é um dos 12 Estados-membros onde a maioria dos pedidos de conceção de nacionalidade partem de residentes não europeus, com a Estónia à cabeça (100%), seguindo a Letónia e a Roménia (99% cada), Grécia e Lituânia (97% cada), Espanha e Portugal (96% cada), Bulgária (94%), Irlanda e Itália (93% cada), Reino Unido (91%) e Croácia (90%).
Já no Luxemburgo (81%) e na Hungria (80%), a maioria dos pedidos de nacionalidade provêm de cidadãos da UE, sendo que os portugueses são os que mais requereram nacionalidade luxemburguesa em 2013 (38,3%).
Na média da UE, a maioria das nacionalidades são concedidas a marroquinos (8,8%), indianos (4,9%) e turcos (4,7%).
Um total de 24.476 pessoas adquiriram a nacionalidade portuguesa, em 2013, na sua maioria (96%) vindos de fora da União Europeia principalmente do Brasil (20,8%).
Segundo dados divulgados esta quarta-feira pelo Eurostat, depois dos brasileiros foram os ucranianos (16,4%) e cabo-verdianos (15,6%) que mais pediram para adquirir a nacionalidade portuguesa.
Em Portugal, o rácio foi de 2,3 nacionalidades por mil habitantes e 5,9 por cada cem estrangeiros residentes no país.
Já na UE, foram concedidas, em 2013, 984.800 nacionalidades, a maioria das quais (89%) a pessoas oriundas de países terceiros, num rácio de 1,9 nacionalidades por mil habitantes e 2,9 por cada cem estrangeiros.
Segundo o gabinete de estatísticas da UE, Portugal é um dos 12 Estados-membros onde a maioria dos pedidos de conceção de nacionalidade partem de residentes não europeus, com a Estónia à cabeça (100%), seguindo a Letónia e a Roménia (99% cada), Grécia e Lituânia (97% cada), Espanha e Portugal (96% cada), Bulgária (94%), Irlanda e Itália (93% cada), Reino Unido (91%) e Croácia (90%).
Já no Luxemburgo (81%) e na Hungria (80%), a maioria dos pedidos de nacionalidade provêm de cidadãos da UE, sendo que os portugueses são os que mais requereram nacionalidade luxemburguesa em 2013 (38,3%).
Na média da UE, a maioria das nacionalidades são concedidas a marroquinos (8,8%), indianos (4,9%) e turcos (4,7%).
Quase 450 pessoas com deficiência sozinhas e sem dignidade em Portugal
Sandra Salvado com Sara Piteira, in RTP
Estão em situação de vulnerabilidade, sozinhas, sem o mínimo de dignidade humana, sem acesso a serviços sociais básicos e sem verem respeitados direitos de cidadania. São pelo menos 447 as pessoas nesta situação em solo português. Mas estima-se que haja muito mais. Há vítimas de violência doméstica, sexual, negligência e exploração. Os primeiros números foram reunidos em apenas quatro meses pela GNR.
A igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência continua a ser uma batalha.
Os pedidos de ajuda não param de aumentar e uma boa parte vive sozinha, com rendimentos de cerca de 200 euros por mês, segundo a Associação Portuguesa de Deficientes (APD).
As autoridades e algumas instituições de solidariedade social uniram-se e estão a desenvolver no terreno programas de apoio.
“Eu preciso de ajuda para me levantar, para fazer a higiene pessoal, etc., e acho que as pessoas, nesse aspeto, pensam que uma pessoa que está nessa situação (…) não pensa como uma pessoa que faz tudo sozinha (…) Acho que o modo que tratam as pessoas, um bocado imaturas, como crianças e, pronto, e pessoas que só precisam de comer e dormir e mais nada, basicamente. (…) É o rótulo de coitadinho”. (Homem, 29 anos) Fonte: ODDH
"É o rótulo de coitadinho"
A Guarda Nacional Republicana está a desenvolver um Programa de Apoio a Pessoas com Deficiência. Arrancou em dezembro do ano passado e, entre janeiro e abril de 2015, foram identificados 447 deficientes "em situação de vulnerabilidade".
No sentido de prestar uma resposta mais personalizada e adaptada aos problemas concretos da população considerada mais vulnerável, a GNR teve necessidade de implementar um programa para “promoção dos direitos e garantias de condições de vida dignas às pessoas com deficiência, procurando envolver, de forma proativa, a comunidade para atender, compreender, respeitar as necessidades e diferenças de cada um, permitindo a igualdade de oportunidades, e para a prevenção de situações de negligência, violência e maus-tratos a estas pessoas”.
Neste âmbito, entre os meses de janeiro e abril deste ano, a Guarda sensibilizou 3.569 pessoas para questões de cidadania e não discriminação; 737 pessoas com deficiência foram sensibilizadas; 447 foram sinalizadas em situação de vulnerabilidade; 46 foram sinalizadas a outras instituições e 91 pessoas passaram a integrar o Programa Residência Segura, cujo objetivo é prevenir a criminalidade contra as comunidades, maioritariamente estrangeiras, residentes em locais isolados.
GNR no terreno
De acordo com o major Paulo Poiares, da GNR, neste programa há diversos eixos de ação, nomeadamente “sensibilizar as próprias pessoas com deficiência, os familiares ou quem presta cuidados a essas pessoas, de alguns comportamentos mais corretos a nível de sensibilização criminal, sensibilizar os nossos próprios militares para algumas medidas que poderão ser tomadas aquando da abordagem de uma pessoa com deficiência”.“Muitas vezes fazem anos, pronto, fazem programas, é raríssimo convidarem-me para alguma coisa e isso faz-me sentir triste, desanimado, faz-me sentir inferior”. (Homem, 58 anos)
Fonte: ODDH
Segundo este responsável da GNR, existem diversos casos, “desde questões alimentares, a falta de apoio, questões de higiene e também questões financeiras”.
Para Ana Sesudo, da Associação Portuguesa de Deficientes (APD), “a GNR acabou por ter em conta aquilo que eram as nossas indicações e iniciou o programa”.
“Em Portugal não existe um estudo concreto e real sobre o número de pessoas com deficiência que vivem em Portugal, muito menos do número de pessoas com deficiência que vivem em situação de isolamento. Realmente preocupa-nos porque nos parece já um número muito elevado, tendo em conta o período tão curto em que decorre esta sinalização”, disse Ana Sesudo ao site da RTP.
No interior do país, “as pessoas estão realmente cada vez mais isoladas. Surgem cada vez mais casos de pessoas com deficiência que estão, em muitas situações, quase ao abandono”, refere a mesma responsável.
Observatório do ISCSP fez monitorização
“Portugal tem feito avanços no plano legislativo, desde logo com a publicação de alguns diplomas que têm vindo a consagrar, no plano jurídico, os Direitos Humanos que estão previstos também na Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que Portugal assinou e ratificou. Mas depois, na aplicação destes princípios e destas normas, há uma grande distância”, disse ao site da RTP Paula Campos Pinto, coordenadora do ODDH, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa“Eu preciso de ajuda e no futuro se houvesse intérprete era um alívio para nós. Se não houver ninguém para me ajudar, nem pai nem mãe nem família, como é que é? Num hospital, no tribunal, na polícia, na segurança social, num banco, deveriam ter intérprete. É um direito! Os surdos necessitam de intérprete, isso seria bom! (Mulher, 26 anos)
Fonte: ODDH.
O Observatório da Deficiência e Direitos Humanos (ODDH), do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia, fez uma monitorização dos Direitos Humanos das pessoas com deficiência em Portugal, estudo publicado em julho de 2014.
A investigação monitorizou os direitos das pessoas com deficiência em Portugal, a partir da análise de 60 entrevistas aprofundadas a pessoas com deficiência, com idades entre os 12 e os 70 anos, em três regiões do país (Lisboa, Região Norte e Região Sul) e da avaliação das políticas públicas da deficiência em Portugal.
“Na maioria dos casos relatam-nos situações de violação ou negação de direitos humanos, nas diversas áreas, desde a educação onde é visível a falta de meios humanos e materiais nas escolas inclusivas para tornar efetiva essa inclusão; no mercado do trabalho, onde as pessoas continuam a ter muita dificuldade, continuam a ser percepcionadas como incompetentes, inaptas, vistas apenas pelo prisma da incapacidade e não da sua formação, da sua competência; na área da vida independente, onde faltam os apoios ao nível dos transportes, das acessibilidades e do apoio personalizado, para que estas pessoas possam de facto ter as ajudas que necessitam”, salientou a investigadora Paula Campos Pinto.
Prevenção com Significativo Azul da PSP
E nos últimos anos têm sido desenvolvidos alguns programas, como é o caso do Significativo Azul, que está no terreno desde dezembro do ano passado e é uma parceria entre a Polícia de Segurança Pública, a Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social (FENACERCI), o Instituto Nacional de Reabilitação (INR) e a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).
“Chamaram-me e eu fui à entrevista. Entretanto, disseram-me que não e eu fiquei desapontada. Fui-me embora. (…) Porque pensavam que eu não conseguia comunicar, não conseguia trabalhar, que eu era uma ignorante. (…) O patrão pensa que ao nível de capacidade não sabem palavras, que não sabem arrumar as coisas, ou o champô, ou a comida, ou as frutas, ou como é que há-de comunicar, como é que há-de fazer. Pensam isso, disseram que não, pronto.” (Mulher, 26 anos) Fonte: ODDH
O programa pretende contribuir para a melhoria no atendimento e encaminhamento das pessoas com deficiência, por parte dos elementos da PSP e dotar os elementos da autoridade de ferramentas específicas de comunicação, acessíveis à população com deficiência intelectual e/ou multideficiência.
“Quando existem casos de suspeitas de casos de violência e, sobretudo, envolvendo as famílias, ou outro tipo de crimes ainda mais graves, que possam estar a ocorrer e que, até hoje, estavam a passar sem monitorização”, disse ao site da RTP o subintendente Hugo Guinote, coordenador da Divisão de Prevenção Pública e Proximidade.
“O que nós pretendemos é através de uma intervenção preventiva e, tanto quanto possível, pedagógica, irmos detectando estes casos e promovermos depois a agilização”.
A avaliação objetiva a este programa só será feita no final deste ano, por isso não nos foram facultados resultados concretos. No entanto, a PSP referiu que tem conhecimento de “situações de pessoas com deficiência que eram vítimas de maus tratos no seu espaço residencial (quer por familiares diretos quer por cuidadores) e casos de violência sexual”, adiantou o subintendente Hugo Guinote.
Trata-se de sensibilizar e formar as organizações da área da deficiência e reabilitação para uma cultura de prevenção de situações de violência e maus tratos contra pessoas com deficiência intelectual e/ou multideficiência.
“As pessoas com deficiência vivem os mesmos problemas que a generalidade dos grupos com mais vulnerabilidades vivem, como é o caso dos idosos e das crianças. Se pensarmos particularmente nas pessoas com deficiência intelectual e multideficiência, vivem o problema acrescido de muitas vezes não terem capacidade de auto-representação, isto é, de se dirigirem a uma autoridade para apresentarem uma queixa”, disse à RTP Rogério cação, vice-presidente Fenacerci.
“As situações que nos interessa mais prevenir são a negligência, as situações de violência, particularmente, as situações de violência doméstica, as situações de exploração e da violência sexual”.
O presidente da Fenacerci considera ainda que o financiamento é sempre escasso e que “os financiamentos do INR deviam ser mais substanciais para apoiar este tipo de iniciativas que se propõem mudar as coisas. Portanto, aquilo que eu desejaria que acontecesse era que houvesse uma majoração deste tipo de projetos que, eventualmente, podem dar contributos fundamentais para melhorar os sistemas que temos em vigor em Portugal”.
“O meu marido faz-me companhia mas é um bocadinho malcriado. Chega a casa trata-me mal, até com uma faca já me ofereceu, ele trata-me muito mal desde que chego a casa, começa-me a chamar nomes [choro] começa-me tudo e eu sinto-me já cansada de ouvir a voz dele, [choro] manda-me com as coisas para o chão, pisa-me as coisas, e eu… já estou farta! Não tenho ninguém que me ajude!”. (Mulher, 56 anos)
Rogério Cação considera que as coisas estão melhores, mas quer ver cumprida a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência. “Aquilo que nós esperamos do Estado português é que a estratégia para o cumprimento da Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que é uma estratégia nacional para a deficiência, que está definida, seja concretizada na prática.
A RTP contactou o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social para obter esclarecimentos sobre este assunto, mas até ao momento não obteve quaisquer esclarecimentos.
Modo de fazer estatísticas foi alterado
Quanto a dados, em relação aos censos de 2001, do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de pessoas com deficiência recenseadas situou-se em 634.408, das quais 333.911 eram homens e 300.497 eram mulheres, representando 6,1 por cento da população residente (6,7 por cento da população masculina e 5,6 por cento da feminina).
Desagregando por tipos de deficiência, pode verificar-se que a taxa de incidência da deficiência visual era a mais elevada representando 1,6 por cento do total de população, com a mesma proporção entre homens e mulheres.
Os indivíduos com deficiência auditiva registavam uma percentagem mais baixa 0,8 por cento, também com valores relativos muito semelhantes entre os dois sexos: 0,9 por cento de homens e 0,8 por cento de mulheres.
A deficiência motora registou valores mais diferenciados entre os dois sexos, pois, enquanto nas mulheres esta proporção foi de 1,3 por cento, nos homens elevou-se a 1,8 por cento; no conjunto da população a proporção de indivíduos com alguma deficiência deste tipo cifrou-se em 1,5 por cento.
A população com deficiência mental situou-se nos 0,7 por cento, representando 0,8 por cento na população masculina e 0,6 por cento na população feminina.
A paralisia cerebral foi o tipo de deficiência com a menor incidência na população recenseada, ligeiramente superior entre a população masculina.
O conjunto das outras deficiências, que inclui as não consideradas em qualquer dos outros tipos, cifrou-se em 1,4 por cento do total de indivíduos, 1,6 por cento nos homens e 1,2 por cento nas mulheres.
Já a análise segundo a estrutura etária permite evidenciar que a taxa de incidência agrava-se com a idade. No grupo de população mais jovem (menos de 16 anos) aquela era cerca de 1/3 mais baixa que os 6,1 por cento encontrados para o conjunto da população (2,2 por cento), enquanto no grupo dos idosos a taxa era mais do dobro da nacional (12,5 por cento).
A deficiência visual, a motora e as classificadas como outra são as principais responsáveis pelo aumento da taxa de incidência nas idades mais elevadas.
A distribuição percentual do total de pessoas com deficiência segundo o tipo por idades, revela que a importância relativa da paralisia cerebral é bastante superior entre a população jovem e que vai perdendo importância nas idades mais elevadas.
Por exemplo, entre a população deficiente com menos de 16 anos, a importância relativa dos indivíduos com paralisia cerebral era de 17,5 por cento, representando mais 11,4 pontos percentuais que a proporção do total de pessoas com deficiência com a mesma idade (6,1 por cento).
Em contrapartida no grupo dos 65 ou mais anos a mesma diferença era de -6.0 pontos percentuais.
Por outro lado, verifica-se que a importância relativa das deficiências auditivas e motoras aumenta consoante a idade dos indivíduos, bem visível no grupo da população idosa.
Em Portugal mais de metade da população com deficiência não possuía qualquer grau de incapacidade atribuído (53,5 por cento). A proporção da população com deficiência com um grau de incapacidade superior a 80 por cento era de 11,6 por cento.
A nível nacional a principal diferença entre sexos, no que se refere ao grau de incapacidade, dizia respeito ao não atribuído com um valor de 57,3 por cento para as mulheres e 50,1 por cento no caso dos homens.
Se tivermos em conta os últimos Censos, de 2011, cerca de 17,8 por cento (taxa de prevalência) da população com cinco ou mais anos de idade declarou ter muita dificuldade, ou não conseguir realizar, pelo menos, uma das seis atividades diárias (ver, ouvir, andar, memória/concentração, tomar banho/vestir-se, compreender/fazer-se entender). Na população com 65 ou mais anos, este indicador atinge os 50 por cento.
Nas pessoas com cinco ou mais anos e pelo menos uma dificuldade, andar, com 25 por cento das respostas, é a principal limitação manifestada. Cerca de 23 por cento das respostas identificam a dificuldade em ver, mesmo usando óculos ou lentes de contacto, sendo esta a segunda dificuldade mais representada.
Nos últimos dados do INE, nos Censos de 2011, as questões foram alteradas face aos Censos de 2001.
Em 2011, a informação recolhida tem como objetivo retratar as limitações das pessoas face a situações da vida real que, de algum modo, afetem a funcionalidade e a sua participação social.
Substituiu-se, desta forma, a avaliação baseada em diagnósticos de deficiências, por uma autoavaliação que privilegia a funcionalidade e a incapacidade.
Estão em situação de vulnerabilidade, sozinhas, sem o mínimo de dignidade humana, sem acesso a serviços sociais básicos e sem verem respeitados direitos de cidadania. São pelo menos 447 as pessoas nesta situação em solo português. Mas estima-se que haja muito mais. Há vítimas de violência doméstica, sexual, negligência e exploração. Os primeiros números foram reunidos em apenas quatro meses pela GNR.
A igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência continua a ser uma batalha.
Os pedidos de ajuda não param de aumentar e uma boa parte vive sozinha, com rendimentos de cerca de 200 euros por mês, segundo a Associação Portuguesa de Deficientes (APD).
As autoridades e algumas instituições de solidariedade social uniram-se e estão a desenvolver no terreno programas de apoio.
“Eu preciso de ajuda para me levantar, para fazer a higiene pessoal, etc., e acho que as pessoas, nesse aspeto, pensam que uma pessoa que está nessa situação (…) não pensa como uma pessoa que faz tudo sozinha (…) Acho que o modo que tratam as pessoas, um bocado imaturas, como crianças e, pronto, e pessoas que só precisam de comer e dormir e mais nada, basicamente. (…) É o rótulo de coitadinho”. (Homem, 29 anos) Fonte: ODDH
"É o rótulo de coitadinho"
A Guarda Nacional Republicana está a desenvolver um Programa de Apoio a Pessoas com Deficiência. Arrancou em dezembro do ano passado e, entre janeiro e abril de 2015, foram identificados 447 deficientes "em situação de vulnerabilidade".
No sentido de prestar uma resposta mais personalizada e adaptada aos problemas concretos da população considerada mais vulnerável, a GNR teve necessidade de implementar um programa para “promoção dos direitos e garantias de condições de vida dignas às pessoas com deficiência, procurando envolver, de forma proativa, a comunidade para atender, compreender, respeitar as necessidades e diferenças de cada um, permitindo a igualdade de oportunidades, e para a prevenção de situações de negligência, violência e maus-tratos a estas pessoas”.
Neste âmbito, entre os meses de janeiro e abril deste ano, a Guarda sensibilizou 3.569 pessoas para questões de cidadania e não discriminação; 737 pessoas com deficiência foram sensibilizadas; 447 foram sinalizadas em situação de vulnerabilidade; 46 foram sinalizadas a outras instituições e 91 pessoas passaram a integrar o Programa Residência Segura, cujo objetivo é prevenir a criminalidade contra as comunidades, maioritariamente estrangeiras, residentes em locais isolados.
GNR no terreno
De acordo com o major Paulo Poiares, da GNR, neste programa há diversos eixos de ação, nomeadamente “sensibilizar as próprias pessoas com deficiência, os familiares ou quem presta cuidados a essas pessoas, de alguns comportamentos mais corretos a nível de sensibilização criminal, sensibilizar os nossos próprios militares para algumas medidas que poderão ser tomadas aquando da abordagem de uma pessoa com deficiência”.“Muitas vezes fazem anos, pronto, fazem programas, é raríssimo convidarem-me para alguma coisa e isso faz-me sentir triste, desanimado, faz-me sentir inferior”. (Homem, 58 anos)
Fonte: ODDH
Segundo este responsável da GNR, existem diversos casos, “desde questões alimentares, a falta de apoio, questões de higiene e também questões financeiras”.
Para Ana Sesudo, da Associação Portuguesa de Deficientes (APD), “a GNR acabou por ter em conta aquilo que eram as nossas indicações e iniciou o programa”.
“Em Portugal não existe um estudo concreto e real sobre o número de pessoas com deficiência que vivem em Portugal, muito menos do número de pessoas com deficiência que vivem em situação de isolamento. Realmente preocupa-nos porque nos parece já um número muito elevado, tendo em conta o período tão curto em que decorre esta sinalização”, disse Ana Sesudo ao site da RTP.
No interior do país, “as pessoas estão realmente cada vez mais isoladas. Surgem cada vez mais casos de pessoas com deficiência que estão, em muitas situações, quase ao abandono”, refere a mesma responsável.
Observatório do ISCSP fez monitorização
“Portugal tem feito avanços no plano legislativo, desde logo com a publicação de alguns diplomas que têm vindo a consagrar, no plano jurídico, os Direitos Humanos que estão previstos também na Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que Portugal assinou e ratificou. Mas depois, na aplicação destes princípios e destas normas, há uma grande distância”, disse ao site da RTP Paula Campos Pinto, coordenadora do ODDH, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa“Eu preciso de ajuda e no futuro se houvesse intérprete era um alívio para nós. Se não houver ninguém para me ajudar, nem pai nem mãe nem família, como é que é? Num hospital, no tribunal, na polícia, na segurança social, num banco, deveriam ter intérprete. É um direito! Os surdos necessitam de intérprete, isso seria bom! (Mulher, 26 anos)
Fonte: ODDH.
O Observatório da Deficiência e Direitos Humanos (ODDH), do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia, fez uma monitorização dos Direitos Humanos das pessoas com deficiência em Portugal, estudo publicado em julho de 2014.
A investigação monitorizou os direitos das pessoas com deficiência em Portugal, a partir da análise de 60 entrevistas aprofundadas a pessoas com deficiência, com idades entre os 12 e os 70 anos, em três regiões do país (Lisboa, Região Norte e Região Sul) e da avaliação das políticas públicas da deficiência em Portugal.
“Na maioria dos casos relatam-nos situações de violação ou negação de direitos humanos, nas diversas áreas, desde a educação onde é visível a falta de meios humanos e materiais nas escolas inclusivas para tornar efetiva essa inclusão; no mercado do trabalho, onde as pessoas continuam a ter muita dificuldade, continuam a ser percepcionadas como incompetentes, inaptas, vistas apenas pelo prisma da incapacidade e não da sua formação, da sua competência; na área da vida independente, onde faltam os apoios ao nível dos transportes, das acessibilidades e do apoio personalizado, para que estas pessoas possam de facto ter as ajudas que necessitam”, salientou a investigadora Paula Campos Pinto.
Prevenção com Significativo Azul da PSP
E nos últimos anos têm sido desenvolvidos alguns programas, como é o caso do Significativo Azul, que está no terreno desde dezembro do ano passado e é uma parceria entre a Polícia de Segurança Pública, a Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social (FENACERCI), o Instituto Nacional de Reabilitação (INR) e a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).
“Chamaram-me e eu fui à entrevista. Entretanto, disseram-me que não e eu fiquei desapontada. Fui-me embora. (…) Porque pensavam que eu não conseguia comunicar, não conseguia trabalhar, que eu era uma ignorante. (…) O patrão pensa que ao nível de capacidade não sabem palavras, que não sabem arrumar as coisas, ou o champô, ou a comida, ou as frutas, ou como é que há-de comunicar, como é que há-de fazer. Pensam isso, disseram que não, pronto.” (Mulher, 26 anos) Fonte: ODDH
O programa pretende contribuir para a melhoria no atendimento e encaminhamento das pessoas com deficiência, por parte dos elementos da PSP e dotar os elementos da autoridade de ferramentas específicas de comunicação, acessíveis à população com deficiência intelectual e/ou multideficiência.
“Quando existem casos de suspeitas de casos de violência e, sobretudo, envolvendo as famílias, ou outro tipo de crimes ainda mais graves, que possam estar a ocorrer e que, até hoje, estavam a passar sem monitorização”, disse ao site da RTP o subintendente Hugo Guinote, coordenador da Divisão de Prevenção Pública e Proximidade.
“O que nós pretendemos é através de uma intervenção preventiva e, tanto quanto possível, pedagógica, irmos detectando estes casos e promovermos depois a agilização”.
A avaliação objetiva a este programa só será feita no final deste ano, por isso não nos foram facultados resultados concretos. No entanto, a PSP referiu que tem conhecimento de “situações de pessoas com deficiência que eram vítimas de maus tratos no seu espaço residencial (quer por familiares diretos quer por cuidadores) e casos de violência sexual”, adiantou o subintendente Hugo Guinote.
Trata-se de sensibilizar e formar as organizações da área da deficiência e reabilitação para uma cultura de prevenção de situações de violência e maus tratos contra pessoas com deficiência intelectual e/ou multideficiência.
“As pessoas com deficiência vivem os mesmos problemas que a generalidade dos grupos com mais vulnerabilidades vivem, como é o caso dos idosos e das crianças. Se pensarmos particularmente nas pessoas com deficiência intelectual e multideficiência, vivem o problema acrescido de muitas vezes não terem capacidade de auto-representação, isto é, de se dirigirem a uma autoridade para apresentarem uma queixa”, disse à RTP Rogério cação, vice-presidente Fenacerci.
“As situações que nos interessa mais prevenir são a negligência, as situações de violência, particularmente, as situações de violência doméstica, as situações de exploração e da violência sexual”.
O presidente da Fenacerci considera ainda que o financiamento é sempre escasso e que “os financiamentos do INR deviam ser mais substanciais para apoiar este tipo de iniciativas que se propõem mudar as coisas. Portanto, aquilo que eu desejaria que acontecesse era que houvesse uma majoração deste tipo de projetos que, eventualmente, podem dar contributos fundamentais para melhorar os sistemas que temos em vigor em Portugal”.
“O meu marido faz-me companhia mas é um bocadinho malcriado. Chega a casa trata-me mal, até com uma faca já me ofereceu, ele trata-me muito mal desde que chego a casa, começa-me a chamar nomes [choro] começa-me tudo e eu sinto-me já cansada de ouvir a voz dele, [choro] manda-me com as coisas para o chão, pisa-me as coisas, e eu… já estou farta! Não tenho ninguém que me ajude!”. (Mulher, 56 anos)
Rogério Cação considera que as coisas estão melhores, mas quer ver cumprida a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência. “Aquilo que nós esperamos do Estado português é que a estratégia para o cumprimento da Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que é uma estratégia nacional para a deficiência, que está definida, seja concretizada na prática.
A RTP contactou o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social para obter esclarecimentos sobre este assunto, mas até ao momento não obteve quaisquer esclarecimentos.
Modo de fazer estatísticas foi alterado
Quanto a dados, em relação aos censos de 2001, do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de pessoas com deficiência recenseadas situou-se em 634.408, das quais 333.911 eram homens e 300.497 eram mulheres, representando 6,1 por cento da população residente (6,7 por cento da população masculina e 5,6 por cento da feminina).
Desagregando por tipos de deficiência, pode verificar-se que a taxa de incidência da deficiência visual era a mais elevada representando 1,6 por cento do total de população, com a mesma proporção entre homens e mulheres.
Os indivíduos com deficiência auditiva registavam uma percentagem mais baixa 0,8 por cento, também com valores relativos muito semelhantes entre os dois sexos: 0,9 por cento de homens e 0,8 por cento de mulheres.
A deficiência motora registou valores mais diferenciados entre os dois sexos, pois, enquanto nas mulheres esta proporção foi de 1,3 por cento, nos homens elevou-se a 1,8 por cento; no conjunto da população a proporção de indivíduos com alguma deficiência deste tipo cifrou-se em 1,5 por cento.
A população com deficiência mental situou-se nos 0,7 por cento, representando 0,8 por cento na população masculina e 0,6 por cento na população feminina.
A paralisia cerebral foi o tipo de deficiência com a menor incidência na população recenseada, ligeiramente superior entre a população masculina.
O conjunto das outras deficiências, que inclui as não consideradas em qualquer dos outros tipos, cifrou-se em 1,4 por cento do total de indivíduos, 1,6 por cento nos homens e 1,2 por cento nas mulheres.
Já a análise segundo a estrutura etária permite evidenciar que a taxa de incidência agrava-se com a idade. No grupo de população mais jovem (menos de 16 anos) aquela era cerca de 1/3 mais baixa que os 6,1 por cento encontrados para o conjunto da população (2,2 por cento), enquanto no grupo dos idosos a taxa era mais do dobro da nacional (12,5 por cento).
A deficiência visual, a motora e as classificadas como outra são as principais responsáveis pelo aumento da taxa de incidência nas idades mais elevadas.
A distribuição percentual do total de pessoas com deficiência segundo o tipo por idades, revela que a importância relativa da paralisia cerebral é bastante superior entre a população jovem e que vai perdendo importância nas idades mais elevadas.
Por exemplo, entre a população deficiente com menos de 16 anos, a importância relativa dos indivíduos com paralisia cerebral era de 17,5 por cento, representando mais 11,4 pontos percentuais que a proporção do total de pessoas com deficiência com a mesma idade (6,1 por cento).
Em contrapartida no grupo dos 65 ou mais anos a mesma diferença era de -6.0 pontos percentuais.
Por outro lado, verifica-se que a importância relativa das deficiências auditivas e motoras aumenta consoante a idade dos indivíduos, bem visível no grupo da população idosa.
Em Portugal mais de metade da população com deficiência não possuía qualquer grau de incapacidade atribuído (53,5 por cento). A proporção da população com deficiência com um grau de incapacidade superior a 80 por cento era de 11,6 por cento.
A nível nacional a principal diferença entre sexos, no que se refere ao grau de incapacidade, dizia respeito ao não atribuído com um valor de 57,3 por cento para as mulheres e 50,1 por cento no caso dos homens.
Se tivermos em conta os últimos Censos, de 2011, cerca de 17,8 por cento (taxa de prevalência) da população com cinco ou mais anos de idade declarou ter muita dificuldade, ou não conseguir realizar, pelo menos, uma das seis atividades diárias (ver, ouvir, andar, memória/concentração, tomar banho/vestir-se, compreender/fazer-se entender). Na população com 65 ou mais anos, este indicador atinge os 50 por cento.
Nas pessoas com cinco ou mais anos e pelo menos uma dificuldade, andar, com 25 por cento das respostas, é a principal limitação manifestada. Cerca de 23 por cento das respostas identificam a dificuldade em ver, mesmo usando óculos ou lentes de contacto, sendo esta a segunda dificuldade mais representada.
Nos últimos dados do INE, nos Censos de 2011, as questões foram alteradas face aos Censos de 2001.
Em 2011, a informação recolhida tem como objetivo retratar as limitações das pessoas face a situações da vida real que, de algum modo, afetem a funcionalidade e a sua participação social.
Substituiu-se, desta forma, a avaliação baseada em diagnósticos de deficiências, por uma autoavaliação que privilegia a funcionalidade e a incapacidade.
Noam Chomsky lamenta que Portugal não tenha apoiado o Syriza
in RTP
O filósofo e activista político Noam Chomsky considera que foi um erro sério Portugal não ter apoiado o Syriza na questão da dívida grega. Em entrevista exclusiva à RTP, aquele que é um dos mais reconhecidos pensadores mundiais da atualidade diz que se os países não forem solidários uns com os outros são destruídos. Chomsky sugeriu uma nova aliança dos países do Sul.
O filósofo e activista político Noam Chomsky considera que foi um erro sério Portugal não ter apoiado o Syriza na questão da dívida grega. Em entrevista exclusiva à RTP, aquele que é um dos mais reconhecidos pensadores mundiais da atualidade diz que se os países não forem solidários uns com os outros são destruídos. Chomsky sugeriu uma nova aliança dos países do Sul.
Subsídio de desemprego chega a mil trabalhadores independentes
Raquel Martins, in Público on-line
Apoio está no terreno desde Janeiro de 2013, mas não abrange todos os recibos verdes que ficam sem trabalho.
Há actualmente mil trabalhadores independentes que estão a receber subsídio de desemprego. O número foi divulgado nesta quarta-feira pelo ministro do Emprego e da Segurança Social durante uma audição na Assembleia da República, onde adiantou que, além dos ex-recibos verdes a quem está a ser pago subsídio, os serviços estão a analisar mais 175 pedidos.
O subsídio de desemprego para os independentes entrou em vigor em Julho de 2012, mas só começou a ter efeitos em 2013 e não está disponível para todos os trabalhadores a recibos verdes que fiquem desempregados. A prestação está reservada para os que tinham pelo menos 80% do seu rendimento anual assegurado pela mesma entidade (considerados economicamente dependentes) e que descontaram para a Segurança Social num período de 48 meses imediatamente anterior à data da cessação involuntária do contrato de prestação de serviços.
Desde o início deste ano está também em vigor um regime de protecção no desemprego para pequenos empresários que ficaram sem o seu negócio. Mas, neste caso, o ministro não adiantou quaisquer números, justificando que não os tinha disponíveis, nem respondeu às denúncias feitas pelo Partido Socialista (PS).
O deputado socialista Mário Ruivo denunciou que ao longo do primeiro semestre não entrou nenhum requerimento dos comerciantes e dos empresários. “A informação que tenho é que quando estes requerimentos chegam à Segurança Social, são registados e imediatamente anulados. Nenhum pequeno empresário conseguiu receber esse subsídio, apesar de ter pago as suas contribuições", alertou.
Durante a audição parlamentar, o ministro adiantou também que o Fundo de Compensação do Trabalho (FCT), que paga parte das indemnizações por despedimento, já desembolsou 5,7 milhões de euros desde que foi criado em Outubro de 2013.
Este fundo é alimentado pelas empresas, que descontam 0,925% do salário base dos trabalhadores admitidos a partir de Outubro de 2013. Quando o contrato termina, o empregador pede o reembolso do valor para pagar parte da compensação ao trabalhador.
Mota Soares disse ainda que o capital do fundo é de 44 milhões euros e que já registou 1,4 milhões de contratos, correspondentes a 141 mil entidades empregadoras. O volume de contratos não corresponde a trabalhadores, uma vez que cada pessoa pode ter mais do que um contrato.
O ministro também não adiantou quantos destes contratos eram temporários, a termo ou definitivos.
Além do FCT, as empresas têm ainda de descontar 0,075% por cada trabalhador para o Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho (FGCT), que serve para pagar uma parte das compensações não asseguradas pelo FCT e que as empresas também não consigam pagar devido a dificuldades de tesouraria ou insolvência.
O ministro adiantou que está a ser preparada uma aplicação informática para facilitar a articulação entre as empresas e estes fundos.
Apoio está no terreno desde Janeiro de 2013, mas não abrange todos os recibos verdes que ficam sem trabalho.
Há actualmente mil trabalhadores independentes que estão a receber subsídio de desemprego. O número foi divulgado nesta quarta-feira pelo ministro do Emprego e da Segurança Social durante uma audição na Assembleia da República, onde adiantou que, além dos ex-recibos verdes a quem está a ser pago subsídio, os serviços estão a analisar mais 175 pedidos.
O subsídio de desemprego para os independentes entrou em vigor em Julho de 2012, mas só começou a ter efeitos em 2013 e não está disponível para todos os trabalhadores a recibos verdes que fiquem desempregados. A prestação está reservada para os que tinham pelo menos 80% do seu rendimento anual assegurado pela mesma entidade (considerados economicamente dependentes) e que descontaram para a Segurança Social num período de 48 meses imediatamente anterior à data da cessação involuntária do contrato de prestação de serviços.
Desde o início deste ano está também em vigor um regime de protecção no desemprego para pequenos empresários que ficaram sem o seu negócio. Mas, neste caso, o ministro não adiantou quaisquer números, justificando que não os tinha disponíveis, nem respondeu às denúncias feitas pelo Partido Socialista (PS).
O deputado socialista Mário Ruivo denunciou que ao longo do primeiro semestre não entrou nenhum requerimento dos comerciantes e dos empresários. “A informação que tenho é que quando estes requerimentos chegam à Segurança Social, são registados e imediatamente anulados. Nenhum pequeno empresário conseguiu receber esse subsídio, apesar de ter pago as suas contribuições", alertou.
Durante a audição parlamentar, o ministro adiantou também que o Fundo de Compensação do Trabalho (FCT), que paga parte das indemnizações por despedimento, já desembolsou 5,7 milhões de euros desde que foi criado em Outubro de 2013.
Este fundo é alimentado pelas empresas, que descontam 0,925% do salário base dos trabalhadores admitidos a partir de Outubro de 2013. Quando o contrato termina, o empregador pede o reembolso do valor para pagar parte da compensação ao trabalhador.
Mota Soares disse ainda que o capital do fundo é de 44 milhões euros e que já registou 1,4 milhões de contratos, correspondentes a 141 mil entidades empregadoras. O volume de contratos não corresponde a trabalhadores, uma vez que cada pessoa pode ter mais do que um contrato.
O ministro também não adiantou quantos destes contratos eram temporários, a termo ou definitivos.
Além do FCT, as empresas têm ainda de descontar 0,075% por cada trabalhador para o Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho (FGCT), que serve para pagar uma parte das compensações não asseguradas pelo FCT e que as empresas também não consigam pagar devido a dificuldades de tesouraria ou insolvência.
O ministro adiantou que está a ser preparada uma aplicação informática para facilitar a articulação entre as empresas e estes fundos.
E se um “crowdfunding” ajudasse a pagar a dívida da Grécia?
Texto de Amanda Ribeiro, in Público on-line(P3)
Britânico lançou uma popular campanha de "crowdfunding" para conseguir os cerca de 1600 milhões de euros que o país deve ao FMI. Há quem questione a sua credibilidade
Pode uma campanha de "crowdfunding" angariar os quase 1600 milhões de euros que, esta terça-feira, a Grécia deveria deveria reembolsar ao Fundo Monetário Internacional (FMI)? Thom Feeney acredita que sim — e não está sozinho.
O britânico de 29 anos é o impulsionador da campanha "Greek Bailout Fund", lançada esta segunda-feira na plataforma Indiegogo, que apela a todos os europeus que colaborem num fundo de resgate grego. A premissa é simples: se cada uma das 503 milhões de pessoas que vivem na União Europeia contribuir com três euros, facilmente se resolve esta situação e a Grécia "pode voltar ao bom caminho".
Até agora, à hora de publicação deste artigo, mais de 9 mil pessoas doaram mais de 153 mil euros. É uma gota no oceano — o contador ainda não saiu dos 0% — mas os números não param de crescer. E, tal como em todas as campanhas de "crowdfunding", também há recompensas. Quem der três euros, recebe um postal enviado da Grécia (com Alex Tsipras, o primeiro-ministro grego); seis equivalem a uma salada de queijo feta e azeite; dez a uma pequena garrafa de Ouzo; 25 a uma garrafa de vinho grego.
"Todos os produtos serão provenientes da Grécia, feitos na Grécia e enviados da Grécia", garante o criador do projecto. Até porque, diz, os europeus podem ajudar os seus "primos gregos" ao comprar "maravilhosos produtos gregos como feta, azeitonas, vinho e muito mais". "Ou considerando a Grécia como destino de férias. Essa é parte da ideia por detrás de cada uma das recompensas da campanha. O comércio vai ajudar a Grécia e o povo grego na situação actual."
Uma "tentativa real de fazer alguma coisa"
Não é um "statement", é uma "tentativa real de fazer alguma coisa", garante o britânico na página do projecto, onde, atendendo à popularidade crescente da campanha, acrescentou uma lista de perguntas e respostas sobre o projecto e as suas intenções. "Pelo menos, é importante levantar a questão da situação difícil que o povo grego atravessa."
Muitos têm questionado a credibilidade da campanha, não só pelo conceito em si mas também por um certo tom leve e jocoso, mas o jovem assegura que não é uma piada e que "todos os lucros irão para o povo grego", seja através do governo ou por outros meios (ainda que não se saiba bem como é que o governo grego poderá aceitar o montante). Está prometido que se o objectivo não for atingido, todo o dinheiro será devolvido.
Thom Feeney sublinha na página que nunca se envolveu na política grega, nem falou com nenhum dirigente europeu. No entanto, já há um boato a correr: um jornalista contou-lhe que Tsipras queria entrar em contacto com ele. A campanha termina domingo, 5 de Julho, data do referendo na Grécia.
Britânico lançou uma popular campanha de "crowdfunding" para conseguir os cerca de 1600 milhões de euros que o país deve ao FMI. Há quem questione a sua credibilidade
Pode uma campanha de "crowdfunding" angariar os quase 1600 milhões de euros que, esta terça-feira, a Grécia deveria deveria reembolsar ao Fundo Monetário Internacional (FMI)? Thom Feeney acredita que sim — e não está sozinho.
O britânico de 29 anos é o impulsionador da campanha "Greek Bailout Fund", lançada esta segunda-feira na plataforma Indiegogo, que apela a todos os europeus que colaborem num fundo de resgate grego. A premissa é simples: se cada uma das 503 milhões de pessoas que vivem na União Europeia contribuir com três euros, facilmente se resolve esta situação e a Grécia "pode voltar ao bom caminho".
Até agora, à hora de publicação deste artigo, mais de 9 mil pessoas doaram mais de 153 mil euros. É uma gota no oceano — o contador ainda não saiu dos 0% — mas os números não param de crescer. E, tal como em todas as campanhas de "crowdfunding", também há recompensas. Quem der três euros, recebe um postal enviado da Grécia (com Alex Tsipras, o primeiro-ministro grego); seis equivalem a uma salada de queijo feta e azeite; dez a uma pequena garrafa de Ouzo; 25 a uma garrafa de vinho grego.
"Todos os produtos serão provenientes da Grécia, feitos na Grécia e enviados da Grécia", garante o criador do projecto. Até porque, diz, os europeus podem ajudar os seus "primos gregos" ao comprar "maravilhosos produtos gregos como feta, azeitonas, vinho e muito mais". "Ou considerando a Grécia como destino de férias. Essa é parte da ideia por detrás de cada uma das recompensas da campanha. O comércio vai ajudar a Grécia e o povo grego na situação actual."
Uma "tentativa real de fazer alguma coisa"
Não é um "statement", é uma "tentativa real de fazer alguma coisa", garante o britânico na página do projecto, onde, atendendo à popularidade crescente da campanha, acrescentou uma lista de perguntas e respostas sobre o projecto e as suas intenções. "Pelo menos, é importante levantar a questão da situação difícil que o povo grego atravessa."
Muitos têm questionado a credibilidade da campanha, não só pelo conceito em si mas também por um certo tom leve e jocoso, mas o jovem assegura que não é uma piada e que "todos os lucros irão para o povo grego", seja através do governo ou por outros meios (ainda que não se saiba bem como é que o governo grego poderá aceitar o montante). Está prometido que se o objectivo não for atingido, todo o dinheiro será devolvido.
Thom Feeney sublinha na página que nunca se envolveu na política grega, nem falou com nenhum dirigente europeu. No entanto, já há um boato a correr: um jornalista contou-lhe que Tsipras queria entrar em contacto com ele. A campanha termina domingo, 5 de Julho, data do referendo na Grécia.
O fim da União Europeia?
Texto de Raúl Testa, in Público on-line (P3)
A partir de agora podemos deixar de lhe chamar União Europeia. Proponho chamarmos-lhe Sociedade Europeia, já que os estados-membro mais parecem sócios uns dos outros (uns maioritários e outros minoritários, claro)
Estamos a meio da semana e os bancos na Grécia estão fechados. Os cidadãos gregos só podem levantar 60 euros por dia. É a isto que chegámos na União Europeia. Aliás, a partir de agora podemos deixar de lhe chamar União. Proponho chamarmos-lhe Sociedade Europeia, já que os estados-membros mais parecem sócios uns dos outros (uns maioritários e outros minoritários, claro).
Não acreditem naquilo que têm ouvido sobre a Grécia, especialmente se têm por hábito ler os artigos de opinião do "Observador" ou ouvir os comentários do José Gomes Ferreira na "SIC". Não existe a má fé do Governo grego que tanto se tem falado. Na verdade, o Governo até cedeu em grande parte às metas orçamentais que os credores (a antiga troika) impõem.
Simplesmente, o Governo grego quer decidir qual é o caminho para atingir essas metas. Enquanto os credores dizem que tem de ser com cortes na despesa, o Governo grego diz que a única forma é fazer isso através do aumento de impostos, nomeadamente sobre aqueles que ainda têm alguma coisa na Grécia e não sobre os mais desprotegidos.
A troika, perdão, os credores, ironicamente, agora dizem que não podem atingir essas metas com aumentos de impostos porque isso prejudica o crescimento da economia, o que parece uma brincadeira de muito mau gosto. Então, o que é que andámos a fazer nestes últimos quatro anos? Então não andámos a implementar e a apregoar a austeridade que incluía uma dose gigante de aumento de impostos? E, agora, já não pode ser porque o Governo grego entende que só assim consegue atingir as metas propostas sem despedir milhares de funcionários públicos?
As intenções da troika na Grécia são nítidas: acabar com o Governo do Syriza que os desafiou. As intenções da troika na Europa são cada vez mais claras: acabar com o estado de direito e dar início a uma nova era em que o estado social não existe para defender os mais desprotegidos. É a sobrevivência dos mais fortes.
Para justificar isto, todos os argumentos contam: sejam eles o aumento de impostos, corte na dívida ou corte na despesa. Se for preciso usar os argumentos da direita, usam-se, se for preciso usar os da esquerda usam-se também. Vale tudo!
Para esta nova ordem europeia, o que interessa é fazer todos os possíveis para aumentar a desigualdade da distribuição dos rendimentos disponíveis na sociedade. Temos que reagir enquanto podemos.
A partir de agora podemos deixar de lhe chamar União Europeia. Proponho chamarmos-lhe Sociedade Europeia, já que os estados-membro mais parecem sócios uns dos outros (uns maioritários e outros minoritários, claro)
Estamos a meio da semana e os bancos na Grécia estão fechados. Os cidadãos gregos só podem levantar 60 euros por dia. É a isto que chegámos na União Europeia. Aliás, a partir de agora podemos deixar de lhe chamar União. Proponho chamarmos-lhe Sociedade Europeia, já que os estados-membros mais parecem sócios uns dos outros (uns maioritários e outros minoritários, claro).
Não acreditem naquilo que têm ouvido sobre a Grécia, especialmente se têm por hábito ler os artigos de opinião do "Observador" ou ouvir os comentários do José Gomes Ferreira na "SIC". Não existe a má fé do Governo grego que tanto se tem falado. Na verdade, o Governo até cedeu em grande parte às metas orçamentais que os credores (a antiga troika) impõem.
Simplesmente, o Governo grego quer decidir qual é o caminho para atingir essas metas. Enquanto os credores dizem que tem de ser com cortes na despesa, o Governo grego diz que a única forma é fazer isso através do aumento de impostos, nomeadamente sobre aqueles que ainda têm alguma coisa na Grécia e não sobre os mais desprotegidos.
A troika, perdão, os credores, ironicamente, agora dizem que não podem atingir essas metas com aumentos de impostos porque isso prejudica o crescimento da economia, o que parece uma brincadeira de muito mau gosto. Então, o que é que andámos a fazer nestes últimos quatro anos? Então não andámos a implementar e a apregoar a austeridade que incluía uma dose gigante de aumento de impostos? E, agora, já não pode ser porque o Governo grego entende que só assim consegue atingir as metas propostas sem despedir milhares de funcionários públicos?
As intenções da troika na Grécia são nítidas: acabar com o Governo do Syriza que os desafiou. As intenções da troika na Europa são cada vez mais claras: acabar com o estado de direito e dar início a uma nova era em que o estado social não existe para defender os mais desprotegidos. É a sobrevivência dos mais fortes.
Para justificar isto, todos os argumentos contam: sejam eles o aumento de impostos, corte na dívida ou corte na despesa. Se for preciso usar os argumentos da direita, usam-se, se for preciso usar os da esquerda usam-se também. Vale tudo!
Para esta nova ordem europeia, o que interessa é fazer todos os possíveis para aumentar a desigualdade da distribuição dos rendimentos disponíveis na sociedade. Temos que reagir enquanto podemos.
Os actores principais da crise europeia
Teresa de Sousa, in Público on-line
São os actores principais de um dos momentos mais dramáticos da vida da União Europeia. Também lhes cabe, por isso, a maior responsabilidade.
Angela Merkel
Ao fim de dez anos de mandato e cinco de crise europeia, Angela Merkel é um nome familiar para a maioria dos europeus. Pelas boas e pelas más razões. É única entre os homens de fatos escuros que governam o mundo. Não é só a Europa que depende da sua vontade. As decisões que toma têm, muitas vezes, repercussões mundiais. A Grécia é o último exemplo. Chegou ao poder em 2005, destronando o SPD de Gerhard Schroeder, que teve a gentileza de deixar-lhe em herança as reformas necessárias para tornar a economia alemã, de “doente da Europa” (por causa do custo da unificação), numa economia altamente competitiva. O SPD ainda paga a factura. A sua ascensão ao poder é, em si própria, extraordinária: veio do Leste, sem um pingo de carisma ou de currículo, para integrar o primeiro governo da Alemanha unificada, liderado pelo chanceler Helmut Kohl. Em 1999, a forma implacável como ocupou o seu lugar mostra até que ponto esta mulher tranquila e sorridente em que os alemães confiam tem uma vontade de ferro. Coube-lhe a tarefa que pareceria a menos adequada: liderar a transição da Alemanha de “país normal”, como a declarou Schroeder, para a potência hegemónica no centro do velho continente, graças ao peso enorme da sua economia. “Foi a crise que a fez”, pensam os alemães. A razão pela qual gostam dela e a elegerem por três vezes consecutivas está na forma como liderou a crise europeia. A mesma razão por que muitos outros europeus a detestam. Acusam-na de falta de visão e há motivos para isso. Também aprendeu muito. A crise do euro e a desordem internacional ensinaram-lhe que liderar tem custos. Está hoje perante a decisão porventura mais difícil da sua vida política, que ditará o seu papel na História. Não quer o papel de coveira da Europa. Ainda pode ser a chanceler que salvou o erro.
Alexis Tsipras
A sua ascensão meteórica resulta da imprevisibilidade que as grandes crises produzem. Tem 40 anos e um passado comunista. Participou nos movimentos antiglobalização que tornaram, nos anos 90, cada reunião do G8, da NATO ou da União Europeia num festival de confrontos com a polícia e vidros partidos. Nada faria prever que chegaria a primeiro-ministro da Grécia e se sentaria à mesa do Conselho Europeu. O seu carisma e a sua juventude projectaram-no para a ribalta. Ganhou as eleições, menos por mérito próprio do que por demérito alheio. Com quatro anos de austeridade sem fim à vista, a classe média grega, farta do clientelismo e da corrupção dos dois partidos do sistema (Nova Democracia e PASOK), fez o que em tempos normais nunca faria: votou no Syriza. Começa aqui uma contradição aparentemente insanável, que pode estar prestes a ser resolvida: entre a pequena base eleitoral de um partido de protesto anti-sistema e os eleitores que lhe deram o poder. Tsipras prometeu-lhes o fim da austeridade. Esqueceu-se de que a Grécia ainda precisava dos credores. Acreditou que o fantasma do Grexit obrigasse a Europa a vergar no último momento. Corre o risco de atirar os gregos para uma situação infernal. Vai utilizar a tecla do patriotismo heróico para ganhar o referendo. É difícil de acreditar que tenha deixado para trás as suas posições políticas de sempre. Há uma versão soft e uma versão hard do líder grego. Um “bom rapaz” que subestimou os seus parceiros europeus ou “um Che Guevara que não se arrependeu”. A interrogação é do Le Monde.
François Hollande
Ganhou as eleições em 2012 porque conseguiu encarnar o papel de “anti-Sarkozy” e os franceses estavam cansados dos excessos do antigo Presidente. Apresentou-se como um “Presidente normal”, num país onde o Eliseu ainda representa o Rei Sol ou, então, o general De Gaulle. Sem um pingo de carisma, venceu também porque apresentou aos franceses um programa muito pouco austero para recuperar a economia. Três anos depois, não fugiu do itinerário político dos seus antecessores desde a unificação alemã. Entrou em choque com a chanceler, recebendo em troca um tratamento distante. Percebeu a necessidade de reformar a França, depois de 10 anos de perda constante de competitividade da sua economia (em finais dos anos 90, era mais competitiva que a alemã). Percebeu (como os seus antecessores) que a França só podia manter o seu estatuto de liderança europeia se abraçasse a Alemanha. Merkozy e Merkollande não são assim tão diferentes. Tem hoje uma boa relação com a chanceler. O novo eixo Berlim-Paris já não é o mesmo que moldou a construção europeia desde o seu início. É desequilibrado e as suas motivações estão longe de reflectir os interesses dos outros países europeus. Deixou Merkel liderar a crise grega. O seu desfecho precipitado obrigou-o a tentar retomar o papel de mediador. Não irá abandonar a sua relação com Merkel, mas terá de manter um olho em 2017.
Jean-Claude Juncker
É o último dos românticos. Ainda acredita na Europa e nos seus valores matriciais. É de longe a figura que esteve mais anos (quase 30) no centro de decisão europeu, como líder luxemburguês. Uma qualidade que pode ser também um defeito. Prometeu revigorar o papel da Comissão, a grande perdedora na nova repartição de poderes que emergiu com o Tratado de Lisboa, entalada entre o aumento dos poderes do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu. Reconheceu que os programas de ajustamento foram uma “humilhação”. Quer ajudar a vencer a batalha do crescimento. Revolta-se contra a forma como os governos europeus são indiferentes aos valores que a Europa representa: na Grécia como com a vaga de refugiados. Já deixou de ter paciência para a chanceler. É o último herói da velha Comunidade que já foi um modelo para o mundo. Quer, sinceramente, salvar a Grécia. Enfrenta uma nova realidade europeia em que tudo se decide na melhor das hipóteses à mesa do Conselho Europeu e, na pior, na chancelaria de Berlim.
Mario Draghi
Foi uma escolha inesperada e um daqueles momentos raros em que a Europa toma a decisão certa por caminhos errados. Substituiu Jean-Claude Trichet à frente do BCE em Novembro de 2011, um francês que foi um verdadeiro “alemão ortodoxo”. A Alemanha viu a sua aspiração ao lugar vencida pela própria desistência do seu candidato. Tinha um vasto currículo de banqueiro central e de académico. Dirige a única instituição federal da União. Com a Europa dividida, sem estratégia e sem liderança, coube-lhe a missão de salvar o euro, a qual levou a bom porto. Adoptou medidas ditas não convencionais para utilizar até ao limite os estatutos do BCE. Teve uma agradável surpresa, quando, em plena crise grega, viu o Tribunal do Luxemburgo dar-lhe razão contra a queixa do Tribunal de Karlsrhue sobre as OMT, que serviriam para comprar dívida soberana dos países que os mercados resolvessem atacar. Nem sequer precisou de as utilizar. Ao contrário da Reserva Federal, que se rege pelo crescimento e o emprego, o Banco europeu foi decalcado do Bundesbank e carrega consigo o terror dos alemães pela hiperinflação. No ano passado, recorreu ao “Quantitative Easing” injectando liquidez na economia, para travar o risco de deflação. Hoje, ninguém põe em causa o seu papel crucial na salvação do euro.
Democracia
A integração europeia arrasta consigo desde a sua fundação um problema de legitimidade democrática que foi sendo mais ou menos resolvido nas sucessivas revisões dos tratados. A crise voltou a colocá-la em cima da mesa, por boas e por más razões. Enquanto a Europa foi uma construção das elites e a prosperidade crescente legitimava as suas decisões, o chamado défice democrático não era uma preocupação. Tornou-se muito mais evidente depois de Maastricht e com tentativa falhada de dotá-la de uma Constituição. A crise do euro colocou o problema noutro patamar, porque o vasto consenso europeu assente nas duas famílias políticas de centro-esquerda e de centro-direita que fundaram as Comunidades não resistiu aos efeitos devastadores da crise na vida das pessoas. O problema existe, não vale a pena negá-lo. Mas a crise grega está a ser utilizada para alimentar um antagonismo entre Europa e democracia que não existe. Quando aderiram à Comunidade, as democracias abdicaram voluntariamente de parte dos seus poderes soberanos. Desde a sua fundação que a lei europeia se sobrepõe à lei nacional. As Constituições nacionais vão sendo revistas para compatibilizar os dois níveis de legitimidade. O euro levou esta partilha de soberania a um nível federal pela simples razão de que uma união monetária tem uma única moeda e um único banco central. Para os soberanistas, que rejeitam a própria integração europeia, o argumento democrático faz sentido. Para aqueles que querem manter-se no euro mas nas suas próprias condições, o argumento democrático é pura demagogia. O problema não é só grego. A crise alterou a paisagem política europeia, fazendo emergir partidos nacionalistas ou radicais que condicionam cada vez mais as decisões dos governos. Por alguma razão, a vitória do Syriza foi saudada por Marine Le Pen.
Europa
Foi um belíssimo sonho que garantiu a paz na Europa, depois de duas guerras civis devastadoras. Permitiu aos países europeus construir sociedades mais prósperas, mais livres e mais seguras. Enfrentou uma “súbita aceleração da História”, com a queda do Muro de Berlim e a unificação da Alemanha. O euro, que hoje está no centro da sua crise existencial, não foi uma escolha económica mas uma decisão política: o marco em trova da unificação da Alemanha. Até à crise global, a “obra-prima inacabada” de Monnet foi invejada no mundo inteiro como o verdadeiro “fim da História” anunciado por Fukuyama. Era um ideal mobilizador. Os cinco anos que leva de crise foram, porventura, os mais dramáticos da sua vida. A globalização colocou novos desafios às suas economias. O seu modelo social foi posto à prova. A forma como atravessou os anos de crise criou divisões profundas. Perdeu-se a dimensão de ideal. “ A actual crise não é apenas o reflexo do falhanço do Estados grego moderno”, escreve o colunista do Financial Times, Gideon Rachman. “É o fracasso do sonho europeu de unidade, paz e prosperidade”. A Europa que conhecemos acabou. Os sinais de desagregação multiplicam-se. A ideia de comunidade entre povos morreu. Ou quase. A Grécia é apenas mais um sinal. A ironia é que a Europa continua a ser necessária.
São os actores principais de um dos momentos mais dramáticos da vida da União Europeia. Também lhes cabe, por isso, a maior responsabilidade.
Angela Merkel
Ao fim de dez anos de mandato e cinco de crise europeia, Angela Merkel é um nome familiar para a maioria dos europeus. Pelas boas e pelas más razões. É única entre os homens de fatos escuros que governam o mundo. Não é só a Europa que depende da sua vontade. As decisões que toma têm, muitas vezes, repercussões mundiais. A Grécia é o último exemplo. Chegou ao poder em 2005, destronando o SPD de Gerhard Schroeder, que teve a gentileza de deixar-lhe em herança as reformas necessárias para tornar a economia alemã, de “doente da Europa” (por causa do custo da unificação), numa economia altamente competitiva. O SPD ainda paga a factura. A sua ascensão ao poder é, em si própria, extraordinária: veio do Leste, sem um pingo de carisma ou de currículo, para integrar o primeiro governo da Alemanha unificada, liderado pelo chanceler Helmut Kohl. Em 1999, a forma implacável como ocupou o seu lugar mostra até que ponto esta mulher tranquila e sorridente em que os alemães confiam tem uma vontade de ferro. Coube-lhe a tarefa que pareceria a menos adequada: liderar a transição da Alemanha de “país normal”, como a declarou Schroeder, para a potência hegemónica no centro do velho continente, graças ao peso enorme da sua economia. “Foi a crise que a fez”, pensam os alemães. A razão pela qual gostam dela e a elegerem por três vezes consecutivas está na forma como liderou a crise europeia. A mesma razão por que muitos outros europeus a detestam. Acusam-na de falta de visão e há motivos para isso. Também aprendeu muito. A crise do euro e a desordem internacional ensinaram-lhe que liderar tem custos. Está hoje perante a decisão porventura mais difícil da sua vida política, que ditará o seu papel na História. Não quer o papel de coveira da Europa. Ainda pode ser a chanceler que salvou o erro.
Alexis Tsipras
A sua ascensão meteórica resulta da imprevisibilidade que as grandes crises produzem. Tem 40 anos e um passado comunista. Participou nos movimentos antiglobalização que tornaram, nos anos 90, cada reunião do G8, da NATO ou da União Europeia num festival de confrontos com a polícia e vidros partidos. Nada faria prever que chegaria a primeiro-ministro da Grécia e se sentaria à mesa do Conselho Europeu. O seu carisma e a sua juventude projectaram-no para a ribalta. Ganhou as eleições, menos por mérito próprio do que por demérito alheio. Com quatro anos de austeridade sem fim à vista, a classe média grega, farta do clientelismo e da corrupção dos dois partidos do sistema (Nova Democracia e PASOK), fez o que em tempos normais nunca faria: votou no Syriza. Começa aqui uma contradição aparentemente insanável, que pode estar prestes a ser resolvida: entre a pequena base eleitoral de um partido de protesto anti-sistema e os eleitores que lhe deram o poder. Tsipras prometeu-lhes o fim da austeridade. Esqueceu-se de que a Grécia ainda precisava dos credores. Acreditou que o fantasma do Grexit obrigasse a Europa a vergar no último momento. Corre o risco de atirar os gregos para uma situação infernal. Vai utilizar a tecla do patriotismo heróico para ganhar o referendo. É difícil de acreditar que tenha deixado para trás as suas posições políticas de sempre. Há uma versão soft e uma versão hard do líder grego. Um “bom rapaz” que subestimou os seus parceiros europeus ou “um Che Guevara que não se arrependeu”. A interrogação é do Le Monde.
François Hollande
Ganhou as eleições em 2012 porque conseguiu encarnar o papel de “anti-Sarkozy” e os franceses estavam cansados dos excessos do antigo Presidente. Apresentou-se como um “Presidente normal”, num país onde o Eliseu ainda representa o Rei Sol ou, então, o general De Gaulle. Sem um pingo de carisma, venceu também porque apresentou aos franceses um programa muito pouco austero para recuperar a economia. Três anos depois, não fugiu do itinerário político dos seus antecessores desde a unificação alemã. Entrou em choque com a chanceler, recebendo em troca um tratamento distante. Percebeu a necessidade de reformar a França, depois de 10 anos de perda constante de competitividade da sua economia (em finais dos anos 90, era mais competitiva que a alemã). Percebeu (como os seus antecessores) que a França só podia manter o seu estatuto de liderança europeia se abraçasse a Alemanha. Merkozy e Merkollande não são assim tão diferentes. Tem hoje uma boa relação com a chanceler. O novo eixo Berlim-Paris já não é o mesmo que moldou a construção europeia desde o seu início. É desequilibrado e as suas motivações estão longe de reflectir os interesses dos outros países europeus. Deixou Merkel liderar a crise grega. O seu desfecho precipitado obrigou-o a tentar retomar o papel de mediador. Não irá abandonar a sua relação com Merkel, mas terá de manter um olho em 2017.
Jean-Claude Juncker
É o último dos românticos. Ainda acredita na Europa e nos seus valores matriciais. É de longe a figura que esteve mais anos (quase 30) no centro de decisão europeu, como líder luxemburguês. Uma qualidade que pode ser também um defeito. Prometeu revigorar o papel da Comissão, a grande perdedora na nova repartição de poderes que emergiu com o Tratado de Lisboa, entalada entre o aumento dos poderes do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu. Reconheceu que os programas de ajustamento foram uma “humilhação”. Quer ajudar a vencer a batalha do crescimento. Revolta-se contra a forma como os governos europeus são indiferentes aos valores que a Europa representa: na Grécia como com a vaga de refugiados. Já deixou de ter paciência para a chanceler. É o último herói da velha Comunidade que já foi um modelo para o mundo. Quer, sinceramente, salvar a Grécia. Enfrenta uma nova realidade europeia em que tudo se decide na melhor das hipóteses à mesa do Conselho Europeu e, na pior, na chancelaria de Berlim.
Mario Draghi
Foi uma escolha inesperada e um daqueles momentos raros em que a Europa toma a decisão certa por caminhos errados. Substituiu Jean-Claude Trichet à frente do BCE em Novembro de 2011, um francês que foi um verdadeiro “alemão ortodoxo”. A Alemanha viu a sua aspiração ao lugar vencida pela própria desistência do seu candidato. Tinha um vasto currículo de banqueiro central e de académico. Dirige a única instituição federal da União. Com a Europa dividida, sem estratégia e sem liderança, coube-lhe a missão de salvar o euro, a qual levou a bom porto. Adoptou medidas ditas não convencionais para utilizar até ao limite os estatutos do BCE. Teve uma agradável surpresa, quando, em plena crise grega, viu o Tribunal do Luxemburgo dar-lhe razão contra a queixa do Tribunal de Karlsrhue sobre as OMT, que serviriam para comprar dívida soberana dos países que os mercados resolvessem atacar. Nem sequer precisou de as utilizar. Ao contrário da Reserva Federal, que se rege pelo crescimento e o emprego, o Banco europeu foi decalcado do Bundesbank e carrega consigo o terror dos alemães pela hiperinflação. No ano passado, recorreu ao “Quantitative Easing” injectando liquidez na economia, para travar o risco de deflação. Hoje, ninguém põe em causa o seu papel crucial na salvação do euro.
Democracia
A integração europeia arrasta consigo desde a sua fundação um problema de legitimidade democrática que foi sendo mais ou menos resolvido nas sucessivas revisões dos tratados. A crise voltou a colocá-la em cima da mesa, por boas e por más razões. Enquanto a Europa foi uma construção das elites e a prosperidade crescente legitimava as suas decisões, o chamado défice democrático não era uma preocupação. Tornou-se muito mais evidente depois de Maastricht e com tentativa falhada de dotá-la de uma Constituição. A crise do euro colocou o problema noutro patamar, porque o vasto consenso europeu assente nas duas famílias políticas de centro-esquerda e de centro-direita que fundaram as Comunidades não resistiu aos efeitos devastadores da crise na vida das pessoas. O problema existe, não vale a pena negá-lo. Mas a crise grega está a ser utilizada para alimentar um antagonismo entre Europa e democracia que não existe. Quando aderiram à Comunidade, as democracias abdicaram voluntariamente de parte dos seus poderes soberanos. Desde a sua fundação que a lei europeia se sobrepõe à lei nacional. As Constituições nacionais vão sendo revistas para compatibilizar os dois níveis de legitimidade. O euro levou esta partilha de soberania a um nível federal pela simples razão de que uma união monetária tem uma única moeda e um único banco central. Para os soberanistas, que rejeitam a própria integração europeia, o argumento democrático faz sentido. Para aqueles que querem manter-se no euro mas nas suas próprias condições, o argumento democrático é pura demagogia. O problema não é só grego. A crise alterou a paisagem política europeia, fazendo emergir partidos nacionalistas ou radicais que condicionam cada vez mais as decisões dos governos. Por alguma razão, a vitória do Syriza foi saudada por Marine Le Pen.
Europa
Foi um belíssimo sonho que garantiu a paz na Europa, depois de duas guerras civis devastadoras. Permitiu aos países europeus construir sociedades mais prósperas, mais livres e mais seguras. Enfrentou uma “súbita aceleração da História”, com a queda do Muro de Berlim e a unificação da Alemanha. O euro, que hoje está no centro da sua crise existencial, não foi uma escolha económica mas uma decisão política: o marco em trova da unificação da Alemanha. Até à crise global, a “obra-prima inacabada” de Monnet foi invejada no mundo inteiro como o verdadeiro “fim da História” anunciado por Fukuyama. Era um ideal mobilizador. Os cinco anos que leva de crise foram, porventura, os mais dramáticos da sua vida. A globalização colocou novos desafios às suas economias. O seu modelo social foi posto à prova. A forma como atravessou os anos de crise criou divisões profundas. Perdeu-se a dimensão de ideal. “ A actual crise não é apenas o reflexo do falhanço do Estados grego moderno”, escreve o colunista do Financial Times, Gideon Rachman. “É o fracasso do sonho europeu de unidade, paz e prosperidade”. A Europa que conhecemos acabou. Os sinais de desagregação multiplicam-se. A ideia de comunidade entre povos morreu. Ou quase. A Grécia é apenas mais um sinal. A ironia é que a Europa continua a ser necessária.
1.7.15
Pobreza mata seis milhões de crianças todos os anos
por André Rodrigues, in RR
O número consta do relatório da UNICEF sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Em 2030, podem ser mais de 70 milhões as crianças menores de cinco anos a morrer de causas evitáveis.
Seis milhões de crianças com menos de cinco anos morrem anualmente por causa da pobreza extrema. O alerta vem no relatório da UNICEF sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, divulgado esta terça-feira.
O documento indica que, apesar dos progressos feitos nos últimos anos, a desigualdade de oportunidades continua a deixar milhões de crianças na pobreza. Todos os anos morrem 289 mil mulheres durante o parto; 58 milhões de crianças nem sequer chegam a ir à escola.
Quanto aos avanços, o relatório refere o que se conseguiu na protecção à infância desde 1990: a mortalidade nas crianças abaixo de cinco anos caiu mais de metade e a mortalidade materna caiu 45%.
Nos últimos 25 anos, mais de dois milhões e meio de pessoas passaram a ter acesso a água potável e a subnutrição crónica entre as crianças diminuiu mais de 40%.
Sudeste asiático, América Latina e Caraíbas são as três regiões desfavorecidas com melhor desempenho naqueles parâmetros de avaliação da UNICEF. Já a África subsaariana continua a ser a região do mundo onde as desigualdades são mais evidentes.
Um fenómeno que para a vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança tem sido potenciado pelo surgimento de vários conflitos. “É uma situação que nós não estamos a ver um fim à vista. Estamos confrontados com situações gravíssimas em países como a Síria, Iémen e Iraque. Vemos situações em que as pessoas fogem em barcaças, que muitas vezes não chegam ao destino. Correm riscos porque nos seus países há perigo de vida, fome e miséria”, explicou à Renascença Dulce Rocha.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância lembra, contudo, que os próximos 15 anos são cruciais. A manterem-se as actuais taxas de progresso, e tendo em conta a projecção do crescimento demográfico, estima-se que em 2030 mais 68 milhões de crianças menores de cinco anos morram de causas evitáveis. A má nutrição crónica deverá afectar 119 milhões.
O número consta do relatório da UNICEF sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Em 2030, podem ser mais de 70 milhões as crianças menores de cinco anos a morrer de causas evitáveis.
Seis milhões de crianças com menos de cinco anos morrem anualmente por causa da pobreza extrema. O alerta vem no relatório da UNICEF sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, divulgado esta terça-feira.
O documento indica que, apesar dos progressos feitos nos últimos anos, a desigualdade de oportunidades continua a deixar milhões de crianças na pobreza. Todos os anos morrem 289 mil mulheres durante o parto; 58 milhões de crianças nem sequer chegam a ir à escola.
Quanto aos avanços, o relatório refere o que se conseguiu na protecção à infância desde 1990: a mortalidade nas crianças abaixo de cinco anos caiu mais de metade e a mortalidade materna caiu 45%.
Nos últimos 25 anos, mais de dois milhões e meio de pessoas passaram a ter acesso a água potável e a subnutrição crónica entre as crianças diminuiu mais de 40%.
Sudeste asiático, América Latina e Caraíbas são as três regiões desfavorecidas com melhor desempenho naqueles parâmetros de avaliação da UNICEF. Já a África subsaariana continua a ser a região do mundo onde as desigualdades são mais evidentes.
Um fenómeno que para a vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança tem sido potenciado pelo surgimento de vários conflitos. “É uma situação que nós não estamos a ver um fim à vista. Estamos confrontados com situações gravíssimas em países como a Síria, Iémen e Iraque. Vemos situações em que as pessoas fogem em barcaças, que muitas vezes não chegam ao destino. Correm riscos porque nos seus países há perigo de vida, fome e miséria”, explicou à Renascença Dulce Rocha.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância lembra, contudo, que os próximos 15 anos são cruciais. A manterem-se as actuais taxas de progresso, e tendo em conta a projecção do crescimento demográfico, estima-se que em 2030 mais 68 milhões de crianças menores de cinco anos morram de causas evitáveis. A má nutrição crónica deverá afectar 119 milhões.
Taxa moderadora pode desviar mulheres para aborto clandestino
in Jornal de Notícias
A Sociedade Portuguesa da Contraceção avisou, esta quarta-feira, que aplicar taxas moderadoras à Interrupção Voluntária da Gravidez poderá levar a um desvio de mulheres para o aborto clandestino e não seguro.
A propósito do debate parlamentar sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) que se realiza na sexta-feira, a Sociedade Portuguesa da Contraceção lembra, em comunicado, que o grande objetivo da despenalização do aborto foi a diminuição da mortalidade materna, uma meta atingida.
Citando dois relatórios da Direção-geral da Saúde, aquela sociedade científica refere que entre 2002 e 2007 houve 14 mortes maternas notificadas relacionadas com o aborto clandestino, enquanto em 2011 e 2012 não se registou nenhum caso.
No debate parlamentar de sexta-feira vão ser analisadas as propostas da iniciativa de cidadãos "Pelo Direito a Nascer", entre as quais o fim da equiparação entre IVG e maternidade para efeitos de prestações sociais e a aplicação de taxas moderadoras.
Relativamente às taxas, a Sociedade de Contraceção considera que a sua aplicação levanta problemas de concretização e teme um desvio de mulheres "novamente para o aborto clandestino".
Lembrando que toda a atividade no âmbito da saúde sexual e reprodutiva está isenta de taxa moderadora, o comunicado refere ainda que, se as mulheres optarem pelo aborto clandestino, se perde a oportunidade de intervir no aconselhamento contracetivo.
"Em Portugal a interrupção da gravidez é também uma oportunidade de aconselhamento contracetivo. A maioria das mulheres está motivada e aceita o aconselhamento", dizem estes especialistas, indicando que atualmente 90% das mulheres após um aborto escolhe um método contracetivo e que um terço opta por um método de longa duração.
A Sociedade de Contraceção afirma que Portugal é reconhecido internacionalmente como um exemplo na acessibilidade, na segurança da IVG e na promoção da contraceção.
"Contraceção não significa limitar a natalidade mas sim dar a oportunidade às famílias e às mulheres de planearem gravidez. A interrupção da gravidez não é um método contracetivo e não é entendido como tal pela grande maioria das utentes", indica a associação científica, que tem como objetivo a formação, difusão de informação, promoção e estudo científico no âmbito da saúde sexual e reprodutiva.
É também lembrado que entre 2008 e 2013 houve um decréscimo de 1,6% no número de abortos por opção da mulher e que em 2014 se manteve a tendência decrescente - menos 9,5% em relação ao ano anterior.
No debate parlamentar de sexta-feira vão ser analisadas as propostas do movimento "Pelo Direito a Nascer", que propõe que, no âmbito do consentimento informado para realizar um aborto, seja mostrada à mulher a ecografia necessária para confirmação das semanas de gravidez, devendo a grávida assinar essa ecografia.
Sobre esta proposta, a Sociedade de Contraceção refere que, durante a realização da ecografia para a datação da gravidez, é perguntado à mulher se deseja ou não ver a imagem no ecrã ecográfico.
"A obrigatoriedade de ver o ecrã ou assinar a imagem ecográfica constitui um atentado ao princípio ético da autonomia: o doente tem o direito de saber tudo o que quiser e de tomar livremente uma decisão. Também tem direito a não querer ser informado", indicam os especialistas.
A iniciativa legislativa de cidadãos do movimento "Pelo Direito a Nascer" recolheu cerca de 50 mil assinaturas, 38 mil das quais reconhecidas.
A Sociedade Portuguesa da Contraceção avisou, esta quarta-feira, que aplicar taxas moderadoras à Interrupção Voluntária da Gravidez poderá levar a um desvio de mulheres para o aborto clandestino e não seguro.
A propósito do debate parlamentar sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) que se realiza na sexta-feira, a Sociedade Portuguesa da Contraceção lembra, em comunicado, que o grande objetivo da despenalização do aborto foi a diminuição da mortalidade materna, uma meta atingida.
Citando dois relatórios da Direção-geral da Saúde, aquela sociedade científica refere que entre 2002 e 2007 houve 14 mortes maternas notificadas relacionadas com o aborto clandestino, enquanto em 2011 e 2012 não se registou nenhum caso.
No debate parlamentar de sexta-feira vão ser analisadas as propostas da iniciativa de cidadãos "Pelo Direito a Nascer", entre as quais o fim da equiparação entre IVG e maternidade para efeitos de prestações sociais e a aplicação de taxas moderadoras.
Relativamente às taxas, a Sociedade de Contraceção considera que a sua aplicação levanta problemas de concretização e teme um desvio de mulheres "novamente para o aborto clandestino".
Lembrando que toda a atividade no âmbito da saúde sexual e reprodutiva está isenta de taxa moderadora, o comunicado refere ainda que, se as mulheres optarem pelo aborto clandestino, se perde a oportunidade de intervir no aconselhamento contracetivo.
"Em Portugal a interrupção da gravidez é também uma oportunidade de aconselhamento contracetivo. A maioria das mulheres está motivada e aceita o aconselhamento", dizem estes especialistas, indicando que atualmente 90% das mulheres após um aborto escolhe um método contracetivo e que um terço opta por um método de longa duração.
A Sociedade de Contraceção afirma que Portugal é reconhecido internacionalmente como um exemplo na acessibilidade, na segurança da IVG e na promoção da contraceção.
"Contraceção não significa limitar a natalidade mas sim dar a oportunidade às famílias e às mulheres de planearem gravidez. A interrupção da gravidez não é um método contracetivo e não é entendido como tal pela grande maioria das utentes", indica a associação científica, que tem como objetivo a formação, difusão de informação, promoção e estudo científico no âmbito da saúde sexual e reprodutiva.
É também lembrado que entre 2008 e 2013 houve um decréscimo de 1,6% no número de abortos por opção da mulher e que em 2014 se manteve a tendência decrescente - menos 9,5% em relação ao ano anterior.
No debate parlamentar de sexta-feira vão ser analisadas as propostas do movimento "Pelo Direito a Nascer", que propõe que, no âmbito do consentimento informado para realizar um aborto, seja mostrada à mulher a ecografia necessária para confirmação das semanas de gravidez, devendo a grávida assinar essa ecografia.
Sobre esta proposta, a Sociedade de Contraceção refere que, durante a realização da ecografia para a datação da gravidez, é perguntado à mulher se deseja ou não ver a imagem no ecrã ecográfico.
"A obrigatoriedade de ver o ecrã ou assinar a imagem ecográfica constitui um atentado ao princípio ético da autonomia: o doente tem o direito de saber tudo o que quiser e de tomar livremente uma decisão. Também tem direito a não querer ser informado", indicam os especialistas.
A iniciativa legislativa de cidadãos do movimento "Pelo Direito a Nascer" recolheu cerca de 50 mil assinaturas, 38 mil das quais reconhecidas.
"O voluntariado (tem) em vista colmatar problemas da sociedade que não estão satisfatoriamente acautelados por outras vias."
Joaquim Silva Gomes, in Indústria e Ambiente
O voluntariado é uma atividade inerente ao exercício de cidadania que se traduz na participação cívica e comunitária exercida de forma livre, responsável e organizada, tendo em vista colmatar problemas da sociedade que não estão satisfatoriamente acautelados por outras vias. Ao completar o seu quarto ano de atividade, a EpDAH - Engenharia para o Desenvolvimento e Assistência Humanitária (Associação para a Cooperação) obteve o reconhecimento como organização não governamental para o desenvolvimento (ONGD), refletindo assim a credibilidade e solidez das suas iniciativas, projetos e capacidade de estabelecer parcerias estratégicas e ações no âmbito do voluntariado e da formação.
Infelizmente, são muito poucos os apoios que a EpDAH tem conseguido para os seus projetos, para além do trabalho dos seus voluntários. A Associação ainda não dispõe dum secretariado permanente que permita, de uma forma sistemática e organizada, angariar fundos que possam suportar as suas atividades.
A EpDAH está organizada em núcleos locais (Porto, Aveiro, Coimbra e Lisboa), com alguma autonomia na organização de ações pontuais que permitem angariar uma parte substancial das receitas para suporte das ações em que estão envolvidos. Nos últimos anos tem-se tentado, a nível central, algumas candidaturas a programas de apoio a ONGD mas, infelizmente, sem qualquer sucesso…
Projeto Autarkheia
O Projeto Autarkeia - Desenvolvimento Rural, aldeia de Malonguete (Moçambique) é um dos projetos emblemáticos da EpDAH, incidindo na criação e promoção de novos ciclos de desenvolvimento em comunidades de pequena dimensão. Este projeto requer a concretização integrada de diversas ações de Engenharia enquadrada numa visão holística de desenvolvimento rural das comunidades objeto de intervenção, com a colaboração de voluntários da EpDAH.
Projetos na calha
1 › Changing the Game
Trata-se de um projeto nacional educativo, virado para o problema da sustentabilidade energética, que consiste numa atividade desenvolvida em grupo através de um jogo com peças de LEGO, sobre o sistema energético de quatro regiões europeias (http://www.changing- the-game.org).
2 › RecicUL - Reciclagem de Óleo Alimentar
Usado Este projeto baseia-se na ideia da reciclagem de óleos alimentares usados (OAU) recolhidos nas cantinas universitárias da Universidade de Lisboa para a produção de sabão líquido destinado às casas de banho da própria universidade.
3 › Ação de Sensibilização e Educação Ambiental – A Minha Pegada Ecológica
O Núcleo de Lisboa está também a desenvolver uma atividade de sensibilização e educação ambiental – A Minha Pegada Ecológica, dirigida às camadas mais jovens, crianças em idade escolar e pré-escolar (dos 5 aos 12 anos de idade). É desenvolvido nos ATL das escolas da região de Lisboa que se disponibilizem para a realização desta atividade.
4 › Projeto Tectus
O projeto Tectus é uma parceria EpDAH / Paróquia de Vilar de Andorinho (Gaia) que visa a reconstrução de seis habitações unifamiliares para acolhimento temporário de famílias necessitadas. São habitações construídas na década de 1960 com o fim de proporcionar acolhimento a famílias vítimas de situações pontuais que conduzem à necessidade de apoio imediato exterior ao âmbito familiar.
5 › Projeto Tellus – Produção Alimentar no Centro Juvenil de Campanhã - Porto Resulta de uma proposta para o Centro Juvenil de Campanhã da Fundação Porto Social, tendo esta instituição apontado como desejável uma parceria entre a Fundação de Serralves e a EpDAH para desenvolver e/ou recuperar as infraestruturas e espaços necessários ao desenvolvimento de iniciativas que visem a educação para a sustentabilidade e a aquisição de novas competências por parte de crianças e jovens muitas vezes em situações sociais desfavorecidas.
6 › Projeto CAIS Recicla
A oficina criativa CAIS Recicla da Associação CAIS, incluída no Programa de Capacitação Profissional (CAHO), desenvolve produtos de ecodesign social através de materiais de desperdício cedidos por diversas empresas. Este projeto da CAIS visa a capacitação e respetiva integração socioprofissional de pessoas que se encontram em situação de pobreza e/ou exclusão social. Procura-se, através da produção e comercialização dos seus produtos, criar postos de trabalho e formas de sustentabilidade da oficina, atuando em três dimensões: criação / produção / venda de peças da marca CAIS Recicla, serviço de mão-de-obra para produção e merchandising.
7 › Projeto Formativo da Casa de Juventude, Uíge, Angola
O Núcleo de Coimbra iniciou durante o ano de 2012 a sua intervenção internacional, e num país no qual a EpDAH não tinha até então atuado (Angola), através da preparação de uma proposta, em parceria com a associação Rosto Solidário, de um programa formativo para a Casa de Juventude do Uíge. Este projeto visa reforçar o papel do Centro Cultural da Santa Cruz (CCSC) na formação profissional. Pretende formar-se futuros formadores do próprio centro e assim contribuir para que o CCSC se afirme progressivamente como um espaço de formação profissional de excelência, especialmente dos jovens, através de recursos humanos qualificados capazes de cumprir tal missão.
8 › Infraestruturação informática da Casa de Juventude do Uíge (Angola)
O projeto de Infraestruturação informática da Casa de Juventude do Uíge (Angola) resulta de uma iniciativa conjunta da EpDAH e da Associação Rosto Solidário, que visa angariar e disponibilizar o material identificado como mais prioritário pelos responsáveis desta Casa de Juventude.
9 › Iniciativa ”Um Livro por Timor”
Esta iniciativa resulta de uma parceria no âmbito do Projeto “Recital Mais Brasil: da Amazónia para o Mundo”, que teve como objetivo o fortalecimento da língua portuguesa e dos laços entre três países lusófonos de diferentes continentes: Portugal, Brasil e Timor- Leste. O projeto visa a realização de uma campanha de angariação de livros de língua portuguesa para Timor-Leste. Este primeiro contacto com Timor-Leste poderá ser um vínculo estratégico para futuros projetos da EpDAH nesse país com uma ligação tão forte a Portugal.
10 › Projeto Reabilitação do Internato Feminino de Vila da Macia, Moçambique
Este projeto tem como base de atuação três preexistências edificadas, três projetos, três conceitos: Residir, Ensinar, Implementar, verbos que conceptualizam e comprometem o agir num reabilitar/construir ao serviço do bem-estar comunitário da Vila da Macia, em Moçambique, designadamente: (i)-Residir: acolherá em regime interno 40 crianças do sexo feminino e a equipa monitora de dez Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora (parceiro local do projeto e que ficará responsável pela gestão e acompanhamento das atividades educativas e formativas do Internato); (ii)-Ensinar: proporcionará cursos técnicoprofissionais, serviço de Infantário e Pré- Primária; (iii)-Implementar: conferirá condições para a aplicação dos conhecimentos e das valências adquiridas durante os cursos profissionais nas diversas funcionalidades do Internato.
O voluntariado é uma atividade inerente ao exercício de cidadania que se traduz na participação cívica e comunitária exercida de forma livre, responsável e organizada, tendo em vista colmatar problemas da sociedade que não estão satisfatoriamente acautelados por outras vias. Ao completar o seu quarto ano de atividade, a EpDAH - Engenharia para o Desenvolvimento e Assistência Humanitária (Associação para a Cooperação) obteve o reconhecimento como organização não governamental para o desenvolvimento (ONGD), refletindo assim a credibilidade e solidez das suas iniciativas, projetos e capacidade de estabelecer parcerias estratégicas e ações no âmbito do voluntariado e da formação.
Infelizmente, são muito poucos os apoios que a EpDAH tem conseguido para os seus projetos, para além do trabalho dos seus voluntários. A Associação ainda não dispõe dum secretariado permanente que permita, de uma forma sistemática e organizada, angariar fundos que possam suportar as suas atividades.
A EpDAH está organizada em núcleos locais (Porto, Aveiro, Coimbra e Lisboa), com alguma autonomia na organização de ações pontuais que permitem angariar uma parte substancial das receitas para suporte das ações em que estão envolvidos. Nos últimos anos tem-se tentado, a nível central, algumas candidaturas a programas de apoio a ONGD mas, infelizmente, sem qualquer sucesso…
Projeto Autarkheia
O Projeto Autarkeia - Desenvolvimento Rural, aldeia de Malonguete (Moçambique) é um dos projetos emblemáticos da EpDAH, incidindo na criação e promoção de novos ciclos de desenvolvimento em comunidades de pequena dimensão. Este projeto requer a concretização integrada de diversas ações de Engenharia enquadrada numa visão holística de desenvolvimento rural das comunidades objeto de intervenção, com a colaboração de voluntários da EpDAH.
Projetos na calha
1 › Changing the Game
Trata-se de um projeto nacional educativo, virado para o problema da sustentabilidade energética, que consiste numa atividade desenvolvida em grupo através de um jogo com peças de LEGO, sobre o sistema energético de quatro regiões europeias (http://www.changing- the-game.org).
2 › RecicUL - Reciclagem de Óleo Alimentar
Usado Este projeto baseia-se na ideia da reciclagem de óleos alimentares usados (OAU) recolhidos nas cantinas universitárias da Universidade de Lisboa para a produção de sabão líquido destinado às casas de banho da própria universidade.
3 › Ação de Sensibilização e Educação Ambiental – A Minha Pegada Ecológica
O Núcleo de Lisboa está também a desenvolver uma atividade de sensibilização e educação ambiental – A Minha Pegada Ecológica, dirigida às camadas mais jovens, crianças em idade escolar e pré-escolar (dos 5 aos 12 anos de idade). É desenvolvido nos ATL das escolas da região de Lisboa que se disponibilizem para a realização desta atividade.
4 › Projeto Tectus
O projeto Tectus é uma parceria EpDAH / Paróquia de Vilar de Andorinho (Gaia) que visa a reconstrução de seis habitações unifamiliares para acolhimento temporário de famílias necessitadas. São habitações construídas na década de 1960 com o fim de proporcionar acolhimento a famílias vítimas de situações pontuais que conduzem à necessidade de apoio imediato exterior ao âmbito familiar.
5 › Projeto Tellus – Produção Alimentar no Centro Juvenil de Campanhã - Porto Resulta de uma proposta para o Centro Juvenil de Campanhã da Fundação Porto Social, tendo esta instituição apontado como desejável uma parceria entre a Fundação de Serralves e a EpDAH para desenvolver e/ou recuperar as infraestruturas e espaços necessários ao desenvolvimento de iniciativas que visem a educação para a sustentabilidade e a aquisição de novas competências por parte de crianças e jovens muitas vezes em situações sociais desfavorecidas.
6 › Projeto CAIS Recicla
A oficina criativa CAIS Recicla da Associação CAIS, incluída no Programa de Capacitação Profissional (CAHO), desenvolve produtos de ecodesign social através de materiais de desperdício cedidos por diversas empresas. Este projeto da CAIS visa a capacitação e respetiva integração socioprofissional de pessoas que se encontram em situação de pobreza e/ou exclusão social. Procura-se, através da produção e comercialização dos seus produtos, criar postos de trabalho e formas de sustentabilidade da oficina, atuando em três dimensões: criação / produção / venda de peças da marca CAIS Recicla, serviço de mão-de-obra para produção e merchandising.
7 › Projeto Formativo da Casa de Juventude, Uíge, Angola
O Núcleo de Coimbra iniciou durante o ano de 2012 a sua intervenção internacional, e num país no qual a EpDAH não tinha até então atuado (Angola), através da preparação de uma proposta, em parceria com a associação Rosto Solidário, de um programa formativo para a Casa de Juventude do Uíge. Este projeto visa reforçar o papel do Centro Cultural da Santa Cruz (CCSC) na formação profissional. Pretende formar-se futuros formadores do próprio centro e assim contribuir para que o CCSC se afirme progressivamente como um espaço de formação profissional de excelência, especialmente dos jovens, através de recursos humanos qualificados capazes de cumprir tal missão.
8 › Infraestruturação informática da Casa de Juventude do Uíge (Angola)
O projeto de Infraestruturação informática da Casa de Juventude do Uíge (Angola) resulta de uma iniciativa conjunta da EpDAH e da Associação Rosto Solidário, que visa angariar e disponibilizar o material identificado como mais prioritário pelos responsáveis desta Casa de Juventude.
9 › Iniciativa ”Um Livro por Timor”
Esta iniciativa resulta de uma parceria no âmbito do Projeto “Recital Mais Brasil: da Amazónia para o Mundo”, que teve como objetivo o fortalecimento da língua portuguesa e dos laços entre três países lusófonos de diferentes continentes: Portugal, Brasil e Timor- Leste. O projeto visa a realização de uma campanha de angariação de livros de língua portuguesa para Timor-Leste. Este primeiro contacto com Timor-Leste poderá ser um vínculo estratégico para futuros projetos da EpDAH nesse país com uma ligação tão forte a Portugal.
10 › Projeto Reabilitação do Internato Feminino de Vila da Macia, Moçambique
Este projeto tem como base de atuação três preexistências edificadas, três projetos, três conceitos: Residir, Ensinar, Implementar, verbos que conceptualizam e comprometem o agir num reabilitar/construir ao serviço do bem-estar comunitário da Vila da Macia, em Moçambique, designadamente: (i)-Residir: acolherá em regime interno 40 crianças do sexo feminino e a equipa monitora de dez Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora (parceiro local do projeto e que ficará responsável pela gestão e acompanhamento das atividades educativas e formativas do Internato); (ii)-Ensinar: proporcionará cursos técnicoprofissionais, serviço de Infantário e Pré- Primária; (iii)-Implementar: conferirá condições para a aplicação dos conhecimentos e das valências adquiridas durante os cursos profissionais nas diversas funcionalidades do Internato.
Grécia. Papa pede responsabilidade da Europa e atenção à dignidade humana
in RR
Preocupação do Papa foi expressa através de um comunicado emitido pelos serviços de comunicação do Vaticano.
O Papa está preocupado com as notícias sobre a situação económica e social da Grécia e pede responsabilidade à Europa.
"A dignidade da pessoa humana deve permanecer no centro de qualquer debate político e técnico, assim como na tomada de decisões responsáveis", lê-se num comunicado emitido pelos serviços de comunicação do Vaticano.
A mesma nota acrescenta que “o Santo Padre está próximo do povo grego, tendo presente sobretudo as famílias gravemente atingidas por uma crise humana e social, tão complexa como dura”.
“O Papa Francisco convida todos os fiéis a rezar pelo bem do amado povo grego”, conclui a nota.
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, vai dirigir-se esta quarta-feira à nação numa mensagem transmitida pela televisão, depois de Atenas ter apresentado uma contraproposta para tentar alcançar um acordo com os credores.
D. Nicolau Printezis, arcebispo de Naxos-Tinos-Mícono-Andros e metropolita do Egeu, publicou uma carta aberta aos dirigentes do país, apelando ao “diálogo” entre a Grécia e os credores para encontrar uma “solução menos dolorosa”.
“O tempo que resta é curto e deve ser usado corretamente e de forma sensata”, apela o prelado, para quem é necessário procurar uma “solução nacional” e não partidária.
O prelado desafia Governo e oposição a travar a actual situação de “pobreza” e de “futuro incerto para crianças, adolescentes e jovens”.
Preocupação do Papa foi expressa através de um comunicado emitido pelos serviços de comunicação do Vaticano.
O Papa está preocupado com as notícias sobre a situação económica e social da Grécia e pede responsabilidade à Europa.
"A dignidade da pessoa humana deve permanecer no centro de qualquer debate político e técnico, assim como na tomada de decisões responsáveis", lê-se num comunicado emitido pelos serviços de comunicação do Vaticano.
A mesma nota acrescenta que “o Santo Padre está próximo do povo grego, tendo presente sobretudo as famílias gravemente atingidas por uma crise humana e social, tão complexa como dura”.
“O Papa Francisco convida todos os fiéis a rezar pelo bem do amado povo grego”, conclui a nota.
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, vai dirigir-se esta quarta-feira à nação numa mensagem transmitida pela televisão, depois de Atenas ter apresentado uma contraproposta para tentar alcançar um acordo com os credores.
D. Nicolau Printezis, arcebispo de Naxos-Tinos-Mícono-Andros e metropolita do Egeu, publicou uma carta aberta aos dirigentes do país, apelando ao “diálogo” entre a Grécia e os credores para encontrar uma “solução menos dolorosa”.
“O tempo que resta é curto e deve ser usado corretamente e de forma sensata”, apela o prelado, para quem é necessário procurar uma “solução nacional” e não partidária.
O prelado desafia Governo e oposição a travar a actual situação de “pobreza” e de “futuro incerto para crianças, adolescentes e jovens”.
Recorde de migrantes: 137 mil atravessaram o Mediterrâneo desde Janeiro
in RR
Fogem da guerra, de conflitos e perseguições. Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados fala num aumento de 83% face aos primeiros seis meses do ano passado.
"A Europa depara-se com uma crise de refugiados que chegam por via marítima, de proporções históricas", alerta o Alto Comissariado para os Refugiados da ONU (ACNUR). O organismo revela esta quarta-feira que um recorde de 137 mil pessoas atravessou o Mediterrâneo no primeiro semestre do ano.
O valor traduz um aumento de 83% face ao mesmo período de 2014. A situação deve agudizar-se no Verão, altura em que as viagens clandestinas no Mediterrâneo se tornam mais frequentes. No ano passado, o número de migrantes passou de 75 mil no final de Junho para 219 mil em Dezembro, indica o ACNUR.
A maior parte das pessoas foge de guerras e perseguições, colocando-se à mercê das redes de tráfico numa tentativa de encontrar melhores condições de vida e segurança. Aceitam, por isso, fazer uma perigosa travessia em barcos e condições precárias.
"Pessoas desesperadas recorrem a medidas desesperadas, infelizmente. Os números devem continuar a subir", afirma o porta-voz do ACNUR, Brian Hansford à agência Reuters.
Um terço dos homens, mulheres e crianças que alcançaram as costas da Grécia ou de Itália desde o início do ano é oriundo da Síria, palco de uma guerra civil desde 2011.
As pessoas que fogem da violência contínua no Afeganistão e do repressivo regime da Eritreia representam 12% do total, segundo o relatório do ACNUR. Somália, Nigéria, Iraque e Sudão são outras das principais proveniências dos migrantes.
"A maior parte dos que chegam por via marítima à Europa é refugiada e procura protecção contra a guerra e as perseguições", realça em comunicado, o alto-comissário da agência da ONU, António Guterres.
Na lista negra ficam 1.867 pessoas, que morreram a tentar cruzar o Mediterrâneo desde Janeiro, das quais 1.308 só no mês de Abril.
No final da semana passada, em resposta à crise, os chefes de Estado e de Governo dos 28 países da União Europeia aprovaram repartir entre si 60 mil refugiados nos próximos dois anos. No entanto, os 28 não aceitaram definir quotas, sendo o acolhimento feito com base de modo voluntário. Foi, assim, rejeitada a proposta da Comissão Juncker de quotas obrigatórias, com o número de pessoas a acolher definido à partida.
O método de repartição dos migrantes vai ser discutido e decidido neste mês de Julho.
“Com uma boa política, apoiada por uma resposta operacional efectiva, é possível salvar mais vidas no mar”, observa o alto comissário para os refugiados, António Guterres.
Fogem da guerra, de conflitos e perseguições. Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados fala num aumento de 83% face aos primeiros seis meses do ano passado.
"A Europa depara-se com uma crise de refugiados que chegam por via marítima, de proporções históricas", alerta o Alto Comissariado para os Refugiados da ONU (ACNUR). O organismo revela esta quarta-feira que um recorde de 137 mil pessoas atravessou o Mediterrâneo no primeiro semestre do ano.
O valor traduz um aumento de 83% face ao mesmo período de 2014. A situação deve agudizar-se no Verão, altura em que as viagens clandestinas no Mediterrâneo se tornam mais frequentes. No ano passado, o número de migrantes passou de 75 mil no final de Junho para 219 mil em Dezembro, indica o ACNUR.
A maior parte das pessoas foge de guerras e perseguições, colocando-se à mercê das redes de tráfico numa tentativa de encontrar melhores condições de vida e segurança. Aceitam, por isso, fazer uma perigosa travessia em barcos e condições precárias.
"Pessoas desesperadas recorrem a medidas desesperadas, infelizmente. Os números devem continuar a subir", afirma o porta-voz do ACNUR, Brian Hansford à agência Reuters.
Um terço dos homens, mulheres e crianças que alcançaram as costas da Grécia ou de Itália desde o início do ano é oriundo da Síria, palco de uma guerra civil desde 2011.
As pessoas que fogem da violência contínua no Afeganistão e do repressivo regime da Eritreia representam 12% do total, segundo o relatório do ACNUR. Somália, Nigéria, Iraque e Sudão são outras das principais proveniências dos migrantes.
"A maior parte dos que chegam por via marítima à Europa é refugiada e procura protecção contra a guerra e as perseguições", realça em comunicado, o alto-comissário da agência da ONU, António Guterres.
Na lista negra ficam 1.867 pessoas, que morreram a tentar cruzar o Mediterrâneo desde Janeiro, das quais 1.308 só no mês de Abril.
No final da semana passada, em resposta à crise, os chefes de Estado e de Governo dos 28 países da União Europeia aprovaram repartir entre si 60 mil refugiados nos próximos dois anos. No entanto, os 28 não aceitaram definir quotas, sendo o acolhimento feito com base de modo voluntário. Foi, assim, rejeitada a proposta da Comissão Juncker de quotas obrigatórias, com o número de pessoas a acolher definido à partida.
O método de repartição dos migrantes vai ser discutido e decidido neste mês de Julho.
“Com uma boa política, apoiada por uma resposta operacional efectiva, é possível salvar mais vidas no mar”, observa o alto comissário para os refugiados, António Guterres.
Estado perdeu mais de 14 mil funcionários
in RR
Média das remunerações dos trabalhadores a tempo completo da administração pública situava-se, em Janeiro de 2015, nos 1.407,4 euros por mês.
O Estado perdeu mais de 14 mil funcionários nos primeiros três meses do ano, uma quebra de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado, indica a Direcção Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP).
Segundo a Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP), divulgada pela DGAEP, a 31 de Março de 2015, o emprego na administração pública situava-se em 656.750 postos de trabalho, revelando uma quebra global de 9,7% face a 31 de Dezembro de 2011 (menos 70.544 postos de trabalho).
No entanto, e numa comparação com o final do trimestre anterior, o emprego nas administrações públicas cresceu 930 postos de trabalho (0,1%), em resultado do aumento do número de trabalhadores da administração central (mais 1.920 correspondente a um crescimento de 0,4%).
Esta subida resulta, de acordo com a SIEP, do aumento do número de trabalhadores nos estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e estabelecimentos de ensino básico e secundário do Ministério da Educação e Ciência (MEC), durante o primeiro trimestre do ano.
O saldo positivo de emprego na administração central, no primeiro trimestre do ano, resultou numa ligeira subida do peso deste subsector no emprego nas administrações públicas, situando-se agora nos 76%, face aos 75,8% no trimestre anterior, destaca o documento.
Com um peso na população total de 6,3%, o emprego no sector das administrações públicas representava, a 31 de Março de 2015, cerca de 12,7% da população activa e de 14,7% da população empregada.
Quanto ao valor médio mensal das remunerações dos trabalhadores a tempo completo da administração pública este situava-se, em Janeiro de 2015, nos 1.407,4 euros, correspondendo a um acréscimo global médio de cerca de 1,2% face a Outubro de 2014.
Média das remunerações dos trabalhadores a tempo completo da administração pública situava-se, em Janeiro de 2015, nos 1.407,4 euros por mês.
O Estado perdeu mais de 14 mil funcionários nos primeiros três meses do ano, uma quebra de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado, indica a Direcção Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP).
Segundo a Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP), divulgada pela DGAEP, a 31 de Março de 2015, o emprego na administração pública situava-se em 656.750 postos de trabalho, revelando uma quebra global de 9,7% face a 31 de Dezembro de 2011 (menos 70.544 postos de trabalho).
No entanto, e numa comparação com o final do trimestre anterior, o emprego nas administrações públicas cresceu 930 postos de trabalho (0,1%), em resultado do aumento do número de trabalhadores da administração central (mais 1.920 correspondente a um crescimento de 0,4%).
Esta subida resulta, de acordo com a SIEP, do aumento do número de trabalhadores nos estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e estabelecimentos de ensino básico e secundário do Ministério da Educação e Ciência (MEC), durante o primeiro trimestre do ano.
O saldo positivo de emprego na administração central, no primeiro trimestre do ano, resultou numa ligeira subida do peso deste subsector no emprego nas administrações públicas, situando-se agora nos 76%, face aos 75,8% no trimestre anterior, destaca o documento.
Com um peso na população total de 6,3%, o emprego no sector das administrações públicas representava, a 31 de Março de 2015, cerca de 12,7% da população activa e de 14,7% da população empregada.
Quanto ao valor médio mensal das remunerações dos trabalhadores a tempo completo da administração pública este situava-se, em Janeiro de 2015, nos 1.407,4 euros, correspondendo a um acréscimo global médio de cerca de 1,2% face a Outubro de 2014.
Contribuições à Segurança Social atingem valores máximos em dez anos
in RR
Até Junho foram registados mais 255 milhões de euros em contribuições.
Pela primeira vez desde 2005, as contribuições para a Segurança Social vão ultrapassar os 14 mil milhões de euros no final do semestre. Os números são do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
Segundo Mota Soares, ouvido esta quarta-feira no Parlamento, nem recuando a 2005 há memória de um primeiro semestre tão positivo".
"Permitam-me que vos transmita em primeira mão os dados da execução de tesouraria de Junho de 2015. Ainda não estão publicados, mas já conseguimos ver que face ao ano passado registámos até Junho cerca de mais 255 milhões de euros em contribuições", revelou o ministro, no parlamento.
Mota Soares salientou que "nem recuando a 2005 há memória de um primeiro semestre tão positivo em termos de contribuições, o que marca a recuperação do emprego e dos rendimentos".
Até Junho foram registados mais 255 milhões de euros em contribuições.
Pela primeira vez desde 2005, as contribuições para a Segurança Social vão ultrapassar os 14 mil milhões de euros no final do semestre. Os números são do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
Segundo Mota Soares, ouvido esta quarta-feira no Parlamento, nem recuando a 2005 há memória de um primeiro semestre tão positivo".
"Permitam-me que vos transmita em primeira mão os dados da execução de tesouraria de Junho de 2015. Ainda não estão publicados, mas já conseguimos ver que face ao ano passado registámos até Junho cerca de mais 255 milhões de euros em contribuições", revelou o ministro, no parlamento.
Mota Soares salientou que "nem recuando a 2005 há memória de um primeiro semestre tão positivo em termos de contribuições, o que marca a recuperação do emprego e dos rendimentos".
Gregos começam a perder a esperança. “Nós já não estamos no euro”
por Catarina Fernandes Martins, em Atenas, RR
País já entrou em incumprimento perante os credores e os cidadãos de Atenas não conseguem prever as consequências do referendo de domingo, vença o “sim” ou o “não”.
Os gregos já não conseguem levantar os 60 euros permitidos por dia. As notas nas caixas de levantamento de dinheiro (ATM) começam a rarear e a população receia, cada vez mais, o regresso ao dracma.
A Grécia entrou formalmente em incumprimento perante o Fundo Monetário Internacional (FMI) na noite de terça-feira. Esta quarta-feira, em Atenas, já se sente a preocupação nas ruas.
Perto da Praça Syntagma, cerca de 10, 15 pessoas fazem fila num ATM. Um olhar mais aproximado revela o seu desespero. "Nós já não estamos no euro", diz-se.
A incerteza é grande: os gregos não sabem o que vai acontecer, repetem, "Votar para quê? Nós não sabemos qual é a consequência do 'sim', qual é a consequência do 'não'".
Os cidadãos da capital grega não conseguem prever o que vai acontecer em qualquer um dos cenários que saia do referendo de domingo, que quer decidir se o país aceita as propostas feitas na semana passada pelos credores internacionais e o governo de Alexis Tsipras rejeitou.
O Governo encerrou os bancos e impôs um controlo de capitais desde segunda-feira e durante uma semana, permitindo um levantamento diário máximo de 60 euros para a população. Só no passado fim-de-semana foram retirados dos bancos gregos 1,3 mil milhões de euros na sequência do aprofundamento da crise política.
Os turistas não são afectados pela medida e podem levantar com os seus cartões, emitidos no estrangeiro, somas mais elevadas. Em comunicado, o Ministério do Turismo, responsável por uma indústria decisiva para a entrada de divisas e que dá emprego a muitos gregos, garantiu que o fornecimento de combustível está assegurado, à semelhança de todos os produtos e serviços "para que as férias dos turistas não sejam perturbadas em qualquer região do país, nas ilhas ou na Grécia continental".
Em paralelo, foi anunciado que todos os transportes públicos, incluindo o metro, serão gratuitos enquanto forem aplicadas estas medidas de excepção.
Algumas agências seleccionadas abriram portas esta quarta-feira para permitir aos reformados levantar parte das pensões, cerca de 100 euros e não muito mais.
A Grécia falhou o pagamento de 1, 6 mil milhões de euros ao FMI na terça-feira e entrou em incumprimento. Pede agora mais tempo aos credores. Esta quarta-feira está marcada mais uma reunião que pode ser decisiva para uma solução que permita manter o país na Zona Euro.
País já entrou em incumprimento perante os credores e os cidadãos de Atenas não conseguem prever as consequências do referendo de domingo, vença o “sim” ou o “não”.
Os gregos já não conseguem levantar os 60 euros permitidos por dia. As notas nas caixas de levantamento de dinheiro (ATM) começam a rarear e a população receia, cada vez mais, o regresso ao dracma.
A Grécia entrou formalmente em incumprimento perante o Fundo Monetário Internacional (FMI) na noite de terça-feira. Esta quarta-feira, em Atenas, já se sente a preocupação nas ruas.
Perto da Praça Syntagma, cerca de 10, 15 pessoas fazem fila num ATM. Um olhar mais aproximado revela o seu desespero. "Nós já não estamos no euro", diz-se.
A incerteza é grande: os gregos não sabem o que vai acontecer, repetem, "Votar para quê? Nós não sabemos qual é a consequência do 'sim', qual é a consequência do 'não'".
Os cidadãos da capital grega não conseguem prever o que vai acontecer em qualquer um dos cenários que saia do referendo de domingo, que quer decidir se o país aceita as propostas feitas na semana passada pelos credores internacionais e o governo de Alexis Tsipras rejeitou.
O Governo encerrou os bancos e impôs um controlo de capitais desde segunda-feira e durante uma semana, permitindo um levantamento diário máximo de 60 euros para a população. Só no passado fim-de-semana foram retirados dos bancos gregos 1,3 mil milhões de euros na sequência do aprofundamento da crise política.
Os turistas não são afectados pela medida e podem levantar com os seus cartões, emitidos no estrangeiro, somas mais elevadas. Em comunicado, o Ministério do Turismo, responsável por uma indústria decisiva para a entrada de divisas e que dá emprego a muitos gregos, garantiu que o fornecimento de combustível está assegurado, à semelhança de todos os produtos e serviços "para que as férias dos turistas não sejam perturbadas em qualquer região do país, nas ilhas ou na Grécia continental".
Em paralelo, foi anunciado que todos os transportes públicos, incluindo o metro, serão gratuitos enquanto forem aplicadas estas medidas de excepção.
Algumas agências seleccionadas abriram portas esta quarta-feira para permitir aos reformados levantar parte das pensões, cerca de 100 euros e não muito mais.
A Grécia falhou o pagamento de 1, 6 mil milhões de euros ao FMI na terça-feira e entrou em incumprimento. Pede agora mais tempo aos credores. Esta quarta-feira está marcada mais uma reunião que pode ser decisiva para uma solução que permita manter o país na Zona Euro.
A teoria de Krugman e Stiglitz. Os gregos devem votar "não" no referendo
in Diário de Notícias
A teoria de Krugman e Stiglitz. Os gregos devem votar "não" no referendo
Os economistas Paul Krugman e Joseph Stiglitz, ambos distinguidos com o prémio Nobel, consideram que só sem mais medidas de austeridade os gregos podem ter esperança no futuro.
No artigo de opinião de hoje no The New York Times, Paul Krugman escreve que "a Grécia deve votar 'não' e o Governo grego deve estar preparado, se necessário, para sair do euro", argumentando que é verdade que o executivo grego "estava a gastar acima das suas possibilidades no final dos anos 2000" mas que "desde então cortou repetidamente a despesa e aumentou impostos".
"O emprego público caiu mais de 25% e as pensões (que eram de facto demasiado generosas) têm sido cortadas abruptamente. Se a isto se somarem todas as medidas de austeridade, fizeram mais do que o suficiente para eliminar o défice e passarem a ter um amplo excedente", nota Krugman.
A explicação para que a correção não se tenha verificado na Grécia é que "a economia grega colapsou, muito devido às muitas medidas de austeridade, que afundaram as receitas" do Estado, defende o economista norte-americano, acrescentando que este colapso "esteve muito ligado ao euro, que amarrou a Grécia num colete-de-forças económico".
Krugman aponta três razões para que os gregos votem "não" no referendo: "após cinco anos [de duras medidas de austeridade], a Grécia está pior do que nunca", "o tão temido caos gerado por um 'Grexit' [saída da Grécia da zona euro] já aconteceu", ou seja, os bancos estão fechados e foram impostos controlos de capital e, finalmente, "ceder ao ultimato da 'troika' iria representar o abandono final de qualquer pretensão de independência grega".
O Nobel da Economia de 2008 deixa mesmo um apelo aos gregos: "Não se deixem levar pelos que dizem que os oficiais da 'troika' são só tecnocratas a explicar aos gregos ignorantes o que tem de ser feito. Estes pretensos tecnocratas são, de facto, fantasistas, que desconsideraram tudo o que sabemos sobre macroeconomia e estiveram sempre errados. Isto não é sobre análise, é sobre poder - o poder dos credores para dispararem sobre a economia grega, que vai persistir enquanto a saída do euro for considerada impensável".
Para Krugman, "é tempo de pôr fim" a esta visão de que sair do euro é impensável ou então "a Grécia vai confrontar-se com uma austeridade interminável e com uma depressão sem solução e sem fim".
Também Joseph Stiglitz, que foi distinguido com o Prémio Nobel da Economia em 2001, assina hoje um artigo de opinião no jornal britânico The Guardian, intitulado "Como eu votaria no referendo grego".
Stiglitz reconhece que "nenhuma alternativa - aprovação ou rejeição dos termos da 'troika' - vai ser fácil e ambas implicam riscos" e sublinha que, se ganhar o "sim", isso vai significar "uma depressão quase sem fim".
"Talvez um país empobrecido - que vendeu todos os seus ativos e cujos jovens brilhantes emigraram - possa finalmente conseguir um perdão da dívida. Talvez transformando-se numa economia de rendimentos médios, a Grécia possa finalmente aceder à assistência do Banco Mundial. Tudo isto pode acontecer na próxima década ou talvez na década a seguir a essa", resume o economista ao retratar o futuro da Grécia, caso os gregos aceitem as condições que os credores internacionais estão a pedir.
Já num cenário em que os gregos votam "não" no referendo de 05 de julho, Stiglitz considera que isso "pelo menos ia abrir a possibilidade de a Grécia, com a sua forte tradição democrática, ter a oportunidade de decidir o seu destino por si".
"Os gregos podem ganhar a oportunidade de desenhar um futuro que, ainda que não seja tão próspero como no passado, é de longe mais esperançoso do que a tortura sem consciência do presente", reitera o economista.
A crise que opõe o Governo grego aos credores internacionais (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) assumiu um rumo inédito depois de o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, ter anunciado na sexta-feira à noite a convocação de um referendo sobre o programa apresentado pelos credores para desbloquear ajuda financeira ao país.
No sábado, o Eurogrupo recusou-se a prolongar o programa de assistência financeira à Grécia que termina terça-feira, dia 30.
A Grécia, que enfrenta problemas de liquidez, arrisca-se a entrar em incumprimento, tendo de pagar até terça-feira à noite mais de 1,5 mil milhões de euros ao FMI.
A teoria de Krugman e Stiglitz. Os gregos devem votar "não" no referendo
Os economistas Paul Krugman e Joseph Stiglitz, ambos distinguidos com o prémio Nobel, consideram que só sem mais medidas de austeridade os gregos podem ter esperança no futuro.
No artigo de opinião de hoje no The New York Times, Paul Krugman escreve que "a Grécia deve votar 'não' e o Governo grego deve estar preparado, se necessário, para sair do euro", argumentando que é verdade que o executivo grego "estava a gastar acima das suas possibilidades no final dos anos 2000" mas que "desde então cortou repetidamente a despesa e aumentou impostos".
"O emprego público caiu mais de 25% e as pensões (que eram de facto demasiado generosas) têm sido cortadas abruptamente. Se a isto se somarem todas as medidas de austeridade, fizeram mais do que o suficiente para eliminar o défice e passarem a ter um amplo excedente", nota Krugman.
A explicação para que a correção não se tenha verificado na Grécia é que "a economia grega colapsou, muito devido às muitas medidas de austeridade, que afundaram as receitas" do Estado, defende o economista norte-americano, acrescentando que este colapso "esteve muito ligado ao euro, que amarrou a Grécia num colete-de-forças económico".
Krugman aponta três razões para que os gregos votem "não" no referendo: "após cinco anos [de duras medidas de austeridade], a Grécia está pior do que nunca", "o tão temido caos gerado por um 'Grexit' [saída da Grécia da zona euro] já aconteceu", ou seja, os bancos estão fechados e foram impostos controlos de capital e, finalmente, "ceder ao ultimato da 'troika' iria representar o abandono final de qualquer pretensão de independência grega".
O Nobel da Economia de 2008 deixa mesmo um apelo aos gregos: "Não se deixem levar pelos que dizem que os oficiais da 'troika' são só tecnocratas a explicar aos gregos ignorantes o que tem de ser feito. Estes pretensos tecnocratas são, de facto, fantasistas, que desconsideraram tudo o que sabemos sobre macroeconomia e estiveram sempre errados. Isto não é sobre análise, é sobre poder - o poder dos credores para dispararem sobre a economia grega, que vai persistir enquanto a saída do euro for considerada impensável".
Para Krugman, "é tempo de pôr fim" a esta visão de que sair do euro é impensável ou então "a Grécia vai confrontar-se com uma austeridade interminável e com uma depressão sem solução e sem fim".
Também Joseph Stiglitz, que foi distinguido com o Prémio Nobel da Economia em 2001, assina hoje um artigo de opinião no jornal britânico The Guardian, intitulado "Como eu votaria no referendo grego".
Stiglitz reconhece que "nenhuma alternativa - aprovação ou rejeição dos termos da 'troika' - vai ser fácil e ambas implicam riscos" e sublinha que, se ganhar o "sim", isso vai significar "uma depressão quase sem fim".
"Talvez um país empobrecido - que vendeu todos os seus ativos e cujos jovens brilhantes emigraram - possa finalmente conseguir um perdão da dívida. Talvez transformando-se numa economia de rendimentos médios, a Grécia possa finalmente aceder à assistência do Banco Mundial. Tudo isto pode acontecer na próxima década ou talvez na década a seguir a essa", resume o economista ao retratar o futuro da Grécia, caso os gregos aceitem as condições que os credores internacionais estão a pedir.
Já num cenário em que os gregos votam "não" no referendo de 05 de julho, Stiglitz considera que isso "pelo menos ia abrir a possibilidade de a Grécia, com a sua forte tradição democrática, ter a oportunidade de decidir o seu destino por si".
"Os gregos podem ganhar a oportunidade de desenhar um futuro que, ainda que não seja tão próspero como no passado, é de longe mais esperançoso do que a tortura sem consciência do presente", reitera o economista.
A crise que opõe o Governo grego aos credores internacionais (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) assumiu um rumo inédito depois de o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, ter anunciado na sexta-feira à noite a convocação de um referendo sobre o programa apresentado pelos credores para desbloquear ajuda financeira ao país.
No sábado, o Eurogrupo recusou-se a prolongar o programa de assistência financeira à Grécia que termina terça-feira, dia 30.
A Grécia, que enfrenta problemas de liquidez, arrisca-se a entrar em incumprimento, tendo de pagar até terça-feira à noite mais de 1,5 mil milhões de euros ao FMI.
Crianças que trabalham para sobreviver
autoria Md Shahnewaz Khan, in Público online (P3)
O fotógrafo bangladeshiano MD Shahnewaz Khan desenvolve, há quatro anos, o projecto "Fallen Stars", que se debruça sobre o tema do trabalho infantil no Bangladesh. O tópico é, para si, tudo menos uma novidade. "Tive contacto com o trabalho infantil desde muito cedo, em casa. As crianças da minha família trabalhavam. Brincava com crianças-trabalhadoras que eram da minha idade, familiares e amigos. Isso foi determinante para dar início ao projecto", admitiu Shahnewaz em entrevista ao P3, via email. O título "Fallen Stars" ("Estrelas Cadentes", tradução livre) é uma referência ao que considera "crianças desafortunadas". "Estão impedidas de usufruir dos seus direitos fundamentais. Se tivessem acesso à educação, seriam verdadeiras estrelas, como outras crianças, e não estrelas cadentes. Poderiam mostrar verdadeiro talento." O fotógrafo dedica-se, em exclusivo, a temas relacionados com os Direitos Humanos. Diz-se um apaixonado pelas pessoas, pelas suas histórias de vida, pela sua cultura e pela forma como cada um luta pela sobrevivência. "O trabalho infantil é muito comum no Bangladesh devido à pobreza e às dinâmicas familiares. Existem organizações não governamentais que tentam intervir, mas são muito poucas. São milhões as crianças que trabalham, demasiadas para tão poucas ONG. O Governo considera esta práctica ilegal, mas nada faz além disso. Do meu ponto de vista, não consigo ser contra o trabalho infantil, neste contexto, por um motivo simples: as crianças têm de comer e a família não consegue alimentá-las. Elas têm de sobreviver." No Bangladesh, não existe outra opção. MD Shahnewaz Kahn acompanhou diversas crianças em três contextos de trabalho distintos: uma aterro de resíduos domésticos, uma fábrica de tijolos e uma de alumínio. Segundo dados da UNICEF de Janeiro de 2014, 5,6 milhões de um total de 26 milhões de crianças do Bangladesh não frequentam a escola. Trabalham sem condições de segurança, estão vulneráveis a maus tratos, violência e malnutrição. "O Popy trabalha numa lixeira e ganha 25 dólares por mês, menos de um dólar por dia. O Shafik trabalha numa fábrica de tijolos. O seu pai aceitou receber 80 dólares por seis meses do seu trabalho, menos de meio dólar por dia. O Shakil, que está coberto de pó perigoso na fábrica de alumínio, ganha seis dólares por semana. Quase um dólar por dia. Poli trabalha numa casa como empregada doméstica e ganha 15 dólares, meio dólar por dia." O objectivo do fotógrafo é realizar trabalho fotográfico sobre o tema do trabalho infantil em zonas de guerra, nomeadamente no Afeganistão, no Iraque e na Palestina, em zonas onde vigoram sistemas totalitários e outros onde o fenómeno é especialmente predominante. "Quero reunir todo o trabalho infantil num único livro, retratando crianças trabalhadoras que vivem em diferentes partes do mundo. Quero trabalhar por todo o mundo, este é o meu objectivo a longo-prazo." Em paralelo, Shahnewaz desenvolve o projecto "Yeah I'm alive", que retrata as dificuldades por que passam as pessoas idosas que vivem sem qualquer apoio familiar. O autor viu o seu trabalho publicado recentemente na CNN. Ana Maia
O fotógrafo bangladeshiano MD Shahnewaz Khan desenvolve, há quatro anos, o projecto "Fallen Stars", que se debruça sobre o tema do trabalho infantil no Bangladesh. O tópico é, para si, tudo menos uma novidade. "Tive contacto com o trabalho infantil desde muito cedo, em casa. As crianças da minha família trabalhavam. Brincava com crianças-trabalhadoras que eram da minha idade, familiares e amigos. Isso foi determinante para dar início ao projecto", admitiu Shahnewaz em entrevista ao P3, via email. O título "Fallen Stars" ("Estrelas Cadentes", tradução livre) é uma referência ao que considera "crianças desafortunadas". "Estão impedidas de usufruir dos seus direitos fundamentais. Se tivessem acesso à educação, seriam verdadeiras estrelas, como outras crianças, e não estrelas cadentes. Poderiam mostrar verdadeiro talento." O fotógrafo dedica-se, em exclusivo, a temas relacionados com os Direitos Humanos. Diz-se um apaixonado pelas pessoas, pelas suas histórias de vida, pela sua cultura e pela forma como cada um luta pela sobrevivência. "O trabalho infantil é muito comum no Bangladesh devido à pobreza e às dinâmicas familiares. Existem organizações não governamentais que tentam intervir, mas são muito poucas. São milhões as crianças que trabalham, demasiadas para tão poucas ONG. O Governo considera esta práctica ilegal, mas nada faz além disso. Do meu ponto de vista, não consigo ser contra o trabalho infantil, neste contexto, por um motivo simples: as crianças têm de comer e a família não consegue alimentá-las. Elas têm de sobreviver." No Bangladesh, não existe outra opção. MD Shahnewaz Kahn acompanhou diversas crianças em três contextos de trabalho distintos: uma aterro de resíduos domésticos, uma fábrica de tijolos e uma de alumínio. Segundo dados da UNICEF de Janeiro de 2014, 5,6 milhões de um total de 26 milhões de crianças do Bangladesh não frequentam a escola. Trabalham sem condições de segurança, estão vulneráveis a maus tratos, violência e malnutrição. "O Popy trabalha numa lixeira e ganha 25 dólares por mês, menos de um dólar por dia. O Shafik trabalha numa fábrica de tijolos. O seu pai aceitou receber 80 dólares por seis meses do seu trabalho, menos de meio dólar por dia. O Shakil, que está coberto de pó perigoso na fábrica de alumínio, ganha seis dólares por semana. Quase um dólar por dia. Poli trabalha numa casa como empregada doméstica e ganha 15 dólares, meio dólar por dia." O objectivo do fotógrafo é realizar trabalho fotográfico sobre o tema do trabalho infantil em zonas de guerra, nomeadamente no Afeganistão, no Iraque e na Palestina, em zonas onde vigoram sistemas totalitários e outros onde o fenómeno é especialmente predominante. "Quero reunir todo o trabalho infantil num único livro, retratando crianças trabalhadoras que vivem em diferentes partes do mundo. Quero trabalhar por todo o mundo, este é o meu objectivo a longo-prazo." Em paralelo, Shahnewaz desenvolve o projecto "Yeah I'm alive", que retrata as dificuldades por que passam as pessoas idosas que vivem sem qualquer apoio familiar. O autor viu o seu trabalho publicado recentemente na CNN. Ana Maia
Alemanha ganha 41 mil milhões em juros com crise na zona euro
in iOnline
"A Alemanha está a ganhar qualquer coisa como 41 mil milhões de euros com a crise europeia graças à redução dos juros que lhe são cobrados." As conclusões são da revista alemã "Der Spiegel", que ontem fez eco de uma resposta do Ministério das Finanças alemão aos deputados locais, onde a real ideia de solidariedade de Berlim fica evidente: entre 2010 e 2014, com a sucessiva queda dos países europeus sob alçada da troika, os juros cobrados ao governo alemão caíram a pique, fazendo com que todas as previsões tenham saído furadas - mas neste caso os alemães até agradeceram.
Segundo a resposta dos responsáveis das finanças alemãs, Berlim vai poupar 40,9 mil milhões de euros (equivalente grosso modo a 25% do PIB português) em juros entre a despesa que tinha projectado de 2010 a 2014 e aquela em que realmente está a incorrer. Como exemplo veja-se que este ano os alemães projectavam um gasto de 40,6 mil milhões em juros e empréstimos, que afinal vão ficar-se pelos 31,6 mil milhões.
Este ganho não advém apenas da quebra dos juros cobrados às emissões de dívida da Alemanha - assustados pelo risco de outras economias europeias, os investidores passaram a emprestar dinheiro a um preço muito mais baixo aos alemães -, o ganho surge também devido à queda das próprias necessidades de financiamento alemãs. Ao contrário do que acontece na maior parte da zona euro, as contas públicas alemãs têm ganho durante a crise da Europa, já que o emprego, a indústria e as exportações estão a ganhar terreno no mercado europeu, aumentando as receitas fiscais do país.
A entrada de dinheiro nos cofres alemães cresceu em tal ordem que só entre 2010 e 2012 o governo local acabou por emitir menos 73 mil milhões de nova dívida do que esperava (valor que equivale a mais de 34% da dívida do Estado português).
Os valores avançados pelo governo de Angela Merkel ainda referem que a exposição de Berlim à dívida de curto prazo (mais cara que a de longo prazo) caiu neste período de 71% do total, para apenas 51%, com os alemães a aproveitarem o seu boom económico para mudar substancialmente o perfil da sua dívida.
Apesar de todos estes ganhos, nos números citados pela revista "Spiegel" não estão incluídos, por exemplo, os lucros da Alemanha com os empréstimos feitos à Grécia ou a Portugal, por exemplo. Ainda assim, diz o documento do ministério de Wolfgang Schaüble, até ao momento a crise europeia custou aos alemães 599 milhões de euros - isto quando Portugal vai pagar um total de 34,4 mil milhões de euros só em juros pelo empréstimo solidário da troika, ou seja, os 78 mil milhões da "ajuda" internacional vão custar 112,4 mil milhões aos contribuintes residentes em Portugal.
A economia alemã cresceu 0,7% no segundo trimestre deste ano, tendo alguns dos seus ganhos económicos ajudado parcialmente a conter a dimensão da crise nos outros países europeus, com o aumento das importações do país.
"A Alemanha está a ganhar qualquer coisa como 41 mil milhões de euros com a crise europeia graças à redução dos juros que lhe são cobrados." As conclusões são da revista alemã "Der Spiegel", que ontem fez eco de uma resposta do Ministério das Finanças alemão aos deputados locais, onde a real ideia de solidariedade de Berlim fica evidente: entre 2010 e 2014, com a sucessiva queda dos países europeus sob alçada da troika, os juros cobrados ao governo alemão caíram a pique, fazendo com que todas as previsões tenham saído furadas - mas neste caso os alemães até agradeceram.
Segundo a resposta dos responsáveis das finanças alemãs, Berlim vai poupar 40,9 mil milhões de euros (equivalente grosso modo a 25% do PIB português) em juros entre a despesa que tinha projectado de 2010 a 2014 e aquela em que realmente está a incorrer. Como exemplo veja-se que este ano os alemães projectavam um gasto de 40,6 mil milhões em juros e empréstimos, que afinal vão ficar-se pelos 31,6 mil milhões.
Este ganho não advém apenas da quebra dos juros cobrados às emissões de dívida da Alemanha - assustados pelo risco de outras economias europeias, os investidores passaram a emprestar dinheiro a um preço muito mais baixo aos alemães -, o ganho surge também devido à queda das próprias necessidades de financiamento alemãs. Ao contrário do que acontece na maior parte da zona euro, as contas públicas alemãs têm ganho durante a crise da Europa, já que o emprego, a indústria e as exportações estão a ganhar terreno no mercado europeu, aumentando as receitas fiscais do país.
A entrada de dinheiro nos cofres alemães cresceu em tal ordem que só entre 2010 e 2012 o governo local acabou por emitir menos 73 mil milhões de nova dívida do que esperava (valor que equivale a mais de 34% da dívida do Estado português).
Os valores avançados pelo governo de Angela Merkel ainda referem que a exposição de Berlim à dívida de curto prazo (mais cara que a de longo prazo) caiu neste período de 71% do total, para apenas 51%, com os alemães a aproveitarem o seu boom económico para mudar substancialmente o perfil da sua dívida.
Apesar de todos estes ganhos, nos números citados pela revista "Spiegel" não estão incluídos, por exemplo, os lucros da Alemanha com os empréstimos feitos à Grécia ou a Portugal, por exemplo. Ainda assim, diz o documento do ministério de Wolfgang Schaüble, até ao momento a crise europeia custou aos alemães 599 milhões de euros - isto quando Portugal vai pagar um total de 34,4 mil milhões de euros só em juros pelo empréstimo solidário da troika, ou seja, os 78 mil milhões da "ajuda" internacional vão custar 112,4 mil milhões aos contribuintes residentes em Portugal.
A economia alemã cresceu 0,7% no segundo trimestre deste ano, tendo alguns dos seus ganhos económicos ajudado parcialmente a conter a dimensão da crise nos outros países europeus, com o aumento das importações do país.
Projecto da Cáritas para combater desemprego "excedeu expectativas"
in Público on-line
O projecto Cria(c)tividade promovido pela Cáritas Portuguesa para ajudar a combater o problema do desemprego "excedeu as expectativas", conseguindo criar 24 microempresas e 48 postos de trabalho, avançou o presidente da instituição.
Preocupada com a questão do desemprego em Portugal, uma das principais causas de empobrecimento da população nos últimos seis anos, a Cáritas lançou este projecto, que termina na terça-feira, para apoiar "a autonomização financeira de pessoas que, em situação de desemprego ou de vulnerabilidade, pretendessem criar o seu próprio negócio".
Este apoio traduziu-se no aconselhamento e acompanhamento técnico das propostas apresentadas para a criação de novas empresas, mas também para ajudar pequenos negócios a ultrapassar situações económicas difíceis.
Ao longo dos 18 meses do projecto "Cria©tividade: O Franchising Social potenciado pelo Marketing Social" foram recebidas mais de um milhar de contactos/candidaturas.
Para o presidente da Cáritas Portuguesa, a iniciativa "excedeu as expectativas que estavam consignadas" ao criar mais empresas e empregos dos que estavam previstos.
Estava prevista a formação de dez negócios e foram criados 24, sustentou Eugénio Fonseca, comentando o número de empregos previstos (18) também foi largamente superado, atingindo os 48.
"Foi um projecto que não continha financiamento para a criação dos postos de trabalho, mas apenas para preparar os candidatos a empreendedores" na criação do seu próprio negócio, explicou, sublinhando que "algumas empresas conseguiram criar mais do que um posto de trabalho".
Mas os resultados podiam ser ainda melhores se os projectos que foram considerados válidos e estão prontos para arrancar conseguissem financiamento dos bancos através do microcrédito ou do crowfunding (financiamento colaborativo).
"As pessoas candidataram-se e ainda não conseguiram obter essas verbas para a criação dos postos de trabalho", lamentou Eugénio Fonseca, adiantando que o objectivo imediato é "resolver o problema destas 14 empresas que ainda estão para nascer e dos 32 postos de trabalho que podem surgir".
Entre os vários negócios em criação está uma empresa de venda de pastéis de nata de figo da índia em Idanha-a-Nova, uma loja de produtos gourmet em Portimão, uma empresa de serviços de limpeza e reparações em Lisboa e uma empresa de consultadoria em previsões meteorológicas para apoio à agricultura e às pescas em Serpa.
Para dinamizar estes negócios que "têm de ter nichos de mercado bem definidos", Eugénio Fonseca defendeu a criação de uma plataforma de comercialização que os tornasse competitivos nos mercados internacionais.
"Desejava muito que o próximo governo" criasse uma plataforma que agregasse estes micro-negócios e os tornasse "competitivas com outros mercados emergentes que colocam determinados produtos a preços muito mais baixos", acrescentou.
Os resultados do projecto, que teve o apoio da IPI Consulting Network e foi co-financiado pelo Programa Operacional de Assistência Técnica, vão ser apresentados na terça-feira numa cerimónia em Lisboa.
O projecto Cria(c)tividade promovido pela Cáritas Portuguesa para ajudar a combater o problema do desemprego "excedeu as expectativas", conseguindo criar 24 microempresas e 48 postos de trabalho, avançou o presidente da instituição.
Preocupada com a questão do desemprego em Portugal, uma das principais causas de empobrecimento da população nos últimos seis anos, a Cáritas lançou este projecto, que termina na terça-feira, para apoiar "a autonomização financeira de pessoas que, em situação de desemprego ou de vulnerabilidade, pretendessem criar o seu próprio negócio".
Este apoio traduziu-se no aconselhamento e acompanhamento técnico das propostas apresentadas para a criação de novas empresas, mas também para ajudar pequenos negócios a ultrapassar situações económicas difíceis.
Ao longo dos 18 meses do projecto "Cria©tividade: O Franchising Social potenciado pelo Marketing Social" foram recebidas mais de um milhar de contactos/candidaturas.
Para o presidente da Cáritas Portuguesa, a iniciativa "excedeu as expectativas que estavam consignadas" ao criar mais empresas e empregos dos que estavam previstos.
Estava prevista a formação de dez negócios e foram criados 24, sustentou Eugénio Fonseca, comentando o número de empregos previstos (18) também foi largamente superado, atingindo os 48.
"Foi um projecto que não continha financiamento para a criação dos postos de trabalho, mas apenas para preparar os candidatos a empreendedores" na criação do seu próprio negócio, explicou, sublinhando que "algumas empresas conseguiram criar mais do que um posto de trabalho".
Mas os resultados podiam ser ainda melhores se os projectos que foram considerados válidos e estão prontos para arrancar conseguissem financiamento dos bancos através do microcrédito ou do crowfunding (financiamento colaborativo).
"As pessoas candidataram-se e ainda não conseguiram obter essas verbas para a criação dos postos de trabalho", lamentou Eugénio Fonseca, adiantando que o objectivo imediato é "resolver o problema destas 14 empresas que ainda estão para nascer e dos 32 postos de trabalho que podem surgir".
Entre os vários negócios em criação está uma empresa de venda de pastéis de nata de figo da índia em Idanha-a-Nova, uma loja de produtos gourmet em Portimão, uma empresa de serviços de limpeza e reparações em Lisboa e uma empresa de consultadoria em previsões meteorológicas para apoio à agricultura e às pescas em Serpa.
Para dinamizar estes negócios que "têm de ter nichos de mercado bem definidos", Eugénio Fonseca defendeu a criação de uma plataforma de comercialização que os tornasse competitivos nos mercados internacionais.
"Desejava muito que o próximo governo" criasse uma plataforma que agregasse estes micro-negócios e os tornasse "competitivas com outros mercados emergentes que colocam determinados produtos a preços muito mais baixos", acrescentou.
Os resultados do projecto, que teve o apoio da IPI Consulting Network e foi co-financiado pelo Programa Operacional de Assistência Técnica, vão ser apresentados na terça-feira numa cerimónia em Lisboa.
Desemprego volta a subir em maio
in Expresso
A taxa de desemprego em Portugal recuou para 13,2% em maio, em termos homólogos, mas subiu 0,4 pontos percentuais face à estimativa definitiva para abril, fixando-se em 12,8%, segundo a estimativa mensal hoje divulgada pelo INE.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a estimativa provisória da população desempregada para maio é de 676,8 mil pessoas, um aumento de 2,9% face ao valor definitivo obtido para abril (mais 19,1 mil pessoas).
Já a estimativa provisória da população empregada é 4.444,0 mil pessoas, menos 0,5% do que no mês anterior (menos 22,7 mil pessoas).
Nestas estimativas foi considerada a população dos 15 aos 74 anos e os valores foram previamente ajustados de sazonalidade.
A taxa de desemprego em Portugal recuou para 13,2% em maio, em termos homólogos, mas subiu 0,4 pontos percentuais face à estimativa definitiva para abril, fixando-se em 12,8%, segundo a estimativa mensal hoje divulgada pelo INE.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a estimativa provisória da população desempregada para maio é de 676,8 mil pessoas, um aumento de 2,9% face ao valor definitivo obtido para abril (mais 19,1 mil pessoas).
Já a estimativa provisória da população empregada é 4.444,0 mil pessoas, menos 0,5% do que no mês anterior (menos 22,7 mil pessoas).
Nestas estimativas foi considerada a população dos 15 aos 74 anos e os valores foram previamente ajustados de sazonalidade.
Morto por comentários racistas sobre ciganos
Alexandra Panda, in Jornal de Notícias
Sem pronunciar uma única palavra, voltou ao café onde tinha passado a noite e esfaqueou um reformado sentado numa mesa com amigos.
O homem, de etnia cigana, esteve fugido várias semanas até ser detido pela PJ, a quem confessou o crime e alegou ter atuado por causa de comentários ofensivos à sua etnia. Vai hoje a julgamento.
Foi na noite de 12 para 13 de setembro do ano passado que Mariano N., de 32 anos, foi à Academia de Bilhar Bola3, na Rua da Preciosa, no Porto. Manteve-se a ver partidas de matraquilhos e a beber cerveja até sair do estabelecimento pelas 1.30 horas.
Sem pronunciar uma única palavra, voltou ao café onde tinha passado a noite e esfaqueou um reformado sentado numa mesa com amigos.
O homem, de etnia cigana, esteve fugido várias semanas até ser detido pela PJ, a quem confessou o crime e alegou ter atuado por causa de comentários ofensivos à sua etnia. Vai hoje a julgamento.
Foi na noite de 12 para 13 de setembro do ano passado que Mariano N., de 32 anos, foi à Academia de Bilhar Bola3, na Rua da Preciosa, no Porto. Manteve-se a ver partidas de matraquilhos e a beber cerveja até sair do estabelecimento pelas 1.30 horas.
Criança que estuda na rua comove o Mundo
C.L., in Jornal de Notícias
É mais uma imagem a dar a volta ao planeta pelas redes sociais. Um menino que não tem eletricidade em casa, aproveita a da rua para estudar. Um exemplo de força quando não se tem quase nada.
Daniel aproveita a luz da rua para estudar, porque não tem eletricidade em casa
A imagem foi publicada na página de Facebook de Joyce Gilos, que disse sentir-se inspirada pelo menino, que se chama Daniel. A partir daí, sucederam-se as partilhas e o caso chegou à Imprensa.
Daniel foi fotografado numa rua de Cebú, nas Filipinas, um país onde 17% da população não tem acesso à rede de eletricidade, segundo dados de 2010 do Banco Mundial.
Ao jornal "El Comercio", Joyce Gilos disse que "como estudante, ele foi uma inspiração para trabalhar mais. Tenho a sorte de os meus pais me terem podido mandar para a escola. Eu vou estudar para cafés. Este menino mexeu comigo".
É mais uma imagem a dar a volta ao planeta pelas redes sociais. Um menino que não tem eletricidade em casa, aproveita a da rua para estudar. Um exemplo de força quando não se tem quase nada.
Daniel aproveita a luz da rua para estudar, porque não tem eletricidade em casa
A imagem foi publicada na página de Facebook de Joyce Gilos, que disse sentir-se inspirada pelo menino, que se chama Daniel. A partir daí, sucederam-se as partilhas e o caso chegou à Imprensa.
Daniel foi fotografado numa rua de Cebú, nas Filipinas, um país onde 17% da população não tem acesso à rede de eletricidade, segundo dados de 2010 do Banco Mundial.
Ao jornal "El Comercio", Joyce Gilos disse que "como estudante, ele foi uma inspiração para trabalhar mais. Tenho a sorte de os meus pais me terem podido mandar para a escola. Eu vou estudar para cafés. Este menino mexeu comigo".
Por um crescimento socialmente justo
Glória Rebelo, in Público on-line
O que se verifica é que em países como, por exemplo, Portugal a economia está a tornar-se profundamente desigual.
No passado dia 13 de junho, em Nova Iorque, Hillary Clinton - a candidata democrata à eleição presidencial norte-americana de 2016 - realizou o seu primeiro grande discurso, onde considerou indispensável uma resposta ao problema crescente das desigualdades sociais.
Lembrando que "a prosperidade verdadeira e duradoura deve ser construída por todos e partilhada por todos", e que o êxito colectivo dos americanos depende do sucesso de cada cidadão, enfatizou que é necessário reafirmar que "todos precisam de uma oportunidade." E recordou que se as empresas fazem lucros recordes, remunerando generosamente os seus CEOs, a maioria dos trabalhadores vê-se forçada a assegurar vários empregos para sobreviver.
Apelando a uma sociedade mais coesa, Hillary insistiu que é necessário pugnar por “uma economia com e para todos”, de modo a que ninguém fique excluído.
E, colocando como central na sua campanha as preocupações sociais, realçou ainda que a prosperidade deve beneficiar todos e que o seu objetivo político prioritário é fazer crescer a economia norte-americana mas tornando-a mais justa, sendo isso será possível mediante um estímulo ao investimento em infraestruturas e em investigação, assim como um aumento do salário mínimo.
Ora porque na Europa talvez o problema maior seja convencer os europeus que a União Europeia ainda serve todos e não apenas alguns, preocupando-se com a dimensão social, não deixa de ser inquietante atentar nos efeitos sociais mais visíveis das medidas de austeridade adoptadas em países como a Grécia, Portugal e Espanha e o aumento das situações de risco de pobreza ou exclusão social que resultam – tal como o reconhece o relatório “Proteção Social no Mundo 2014/2015” da OIT – não apenas da “recessão global” mas também do desemprego persistente, dos salários baixos e dos impostos mais altos.
O que se verifica é que em países como, por exemplo, Portugal a economia está a tornar-se profundamente desigual. Recorde-se que o nosso país está entre os países mais desiguais e com maiores níveis de pobreza consolidada da OCDE e o aumento de riqueza não segue acompanhado de equidade, assistindo-se ao empobrecimento de grande parte da população e ao enfraquecimento do Estado Social, pilar fundamental de protecção dos mais desfavorecidos. E quando vemos a trajectória circular em que se encontra a economia portuguesa e a tendência para baixar salários, assim como o aumento da segmentação do mercado de trabalho, das desigualdades e da pobreza, similarmente no nosso país a questão que se coloca será a de pugnar com premência por mais justiça social, sabendo-se que não existe desequilíbrio mais grave e ameaçador para a sociedade do que níveis de desigualdade elevados.
Professora universitária e investigadora
O que se verifica é que em países como, por exemplo, Portugal a economia está a tornar-se profundamente desigual.
No passado dia 13 de junho, em Nova Iorque, Hillary Clinton - a candidata democrata à eleição presidencial norte-americana de 2016 - realizou o seu primeiro grande discurso, onde considerou indispensável uma resposta ao problema crescente das desigualdades sociais.
Lembrando que "a prosperidade verdadeira e duradoura deve ser construída por todos e partilhada por todos", e que o êxito colectivo dos americanos depende do sucesso de cada cidadão, enfatizou que é necessário reafirmar que "todos precisam de uma oportunidade." E recordou que se as empresas fazem lucros recordes, remunerando generosamente os seus CEOs, a maioria dos trabalhadores vê-se forçada a assegurar vários empregos para sobreviver.
Apelando a uma sociedade mais coesa, Hillary insistiu que é necessário pugnar por “uma economia com e para todos”, de modo a que ninguém fique excluído.
E, colocando como central na sua campanha as preocupações sociais, realçou ainda que a prosperidade deve beneficiar todos e que o seu objetivo político prioritário é fazer crescer a economia norte-americana mas tornando-a mais justa, sendo isso será possível mediante um estímulo ao investimento em infraestruturas e em investigação, assim como um aumento do salário mínimo.
Ora porque na Europa talvez o problema maior seja convencer os europeus que a União Europeia ainda serve todos e não apenas alguns, preocupando-se com a dimensão social, não deixa de ser inquietante atentar nos efeitos sociais mais visíveis das medidas de austeridade adoptadas em países como a Grécia, Portugal e Espanha e o aumento das situações de risco de pobreza ou exclusão social que resultam – tal como o reconhece o relatório “Proteção Social no Mundo 2014/2015” da OIT – não apenas da “recessão global” mas também do desemprego persistente, dos salários baixos e dos impostos mais altos.
O que se verifica é que em países como, por exemplo, Portugal a economia está a tornar-se profundamente desigual. Recorde-se que o nosso país está entre os países mais desiguais e com maiores níveis de pobreza consolidada da OCDE e o aumento de riqueza não segue acompanhado de equidade, assistindo-se ao empobrecimento de grande parte da população e ao enfraquecimento do Estado Social, pilar fundamental de protecção dos mais desfavorecidos. E quando vemos a trajectória circular em que se encontra a economia portuguesa e a tendência para baixar salários, assim como o aumento da segmentação do mercado de trabalho, das desigualdades e da pobreza, similarmente no nosso país a questão que se coloca será a de pugnar com premência por mais justiça social, sabendo-se que não existe desequilíbrio mais grave e ameaçador para a sociedade do que níveis de desigualdade elevados.
Professora universitária e investigadora
Cuba torna-se o primeiro país a eliminar transmissão do VIH de mãe para filho
in SicNotícias
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou hoje oficialmente Cuba o primeiro país do mundo a eliminar a transmissão do vírus da sida (VIH) e da sífilis de mãe para filho.
"Eliminar a transmissão de um vírus é um dos maiores feitos em matéria de saúde pública", afirmou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, num comunicado.
"É uma grande vitória na nossa longa luta contra o vírus de imunodeficiência humana (VIH) e as infeções transmitidas sexualmente, assim como um passo importante para conseguirmos uma geração sem sida", acrescentou.
O êxito alcançado por Cuba "mostra que um acesso universal a cuidados médicos é possível e é, na verdade, a chave do êxito contra desafios tão grandes como a sida", destacou por seu lado a diretora da Organização Pan-americana de Saúde (OPS), Carissa Etiènne, em conferência de imprensa.
A eliminação da transmissão do VIH de mãe para filho "prova que é possível pôr fim à pandemia da sida e esperamos que Cuba seja, entre vários outros países, o primeiro a conseguir eliminar esta epidemia entre as crianças", disse o diretor-geral da ONU sida, Michel Sidibé.
Segundo a OMS, em todo o mundo, cerca de 1,4 milhões de mulheres infetadas com o VIH engravidam a cada ano, na maioria em países em desenvolvimento, especialmente na África subsaariana.
Sem tratamentos antirretrovirais, há um risco de 15% a 45% de transmitirem o vírus ao bebé durante a gravidez, o parto ou a amamentação.
Em contrapartida, esse risco é praticamente eliminado, caindo para um pouco mais de 1%, se a mãe for tratada com antirretrovirais durante a gravidez e o bebé receber o mesmo tipo de tratamento a partir do nascimento.
O número de bebés que nascem seropositivos no mundo baixou para metade entre 2009 e 2013, passando de 400.000 para 240.000 por ano.
Os Estados membros da OMS comprometeram-se em 2010 a eliminar a transmissão do VIH de mãe para filho até 2020.
No caso da sífilis, quase um milhão de mulheres grávidas são infetadas em cada ano, o que pode causar morte fetal, morte perinatal ou infeções neonatais graves.
Para o evitar, basta que a grávida seja diagnosticada e tratada com penicilina.
Para o reconhecimento oficial da OMS, o número de nascimentos de bebés infetados com o VIH tem de ser inferior a 2 por cada 100 bebés nascidos de mães seropositivas e, no caso da sífilis, igual a 1 caso para cada 2.000 nascimentos.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou hoje oficialmente Cuba o primeiro país do mundo a eliminar a transmissão do vírus da sida (VIH) e da sífilis de mãe para filho.
"Eliminar a transmissão de um vírus é um dos maiores feitos em matéria de saúde pública", afirmou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, num comunicado.
"É uma grande vitória na nossa longa luta contra o vírus de imunodeficiência humana (VIH) e as infeções transmitidas sexualmente, assim como um passo importante para conseguirmos uma geração sem sida", acrescentou.
O êxito alcançado por Cuba "mostra que um acesso universal a cuidados médicos é possível e é, na verdade, a chave do êxito contra desafios tão grandes como a sida", destacou por seu lado a diretora da Organização Pan-americana de Saúde (OPS), Carissa Etiènne, em conferência de imprensa.
A eliminação da transmissão do VIH de mãe para filho "prova que é possível pôr fim à pandemia da sida e esperamos que Cuba seja, entre vários outros países, o primeiro a conseguir eliminar esta epidemia entre as crianças", disse o diretor-geral da ONU sida, Michel Sidibé.
Segundo a OMS, em todo o mundo, cerca de 1,4 milhões de mulheres infetadas com o VIH engravidam a cada ano, na maioria em países em desenvolvimento, especialmente na África subsaariana.
Sem tratamentos antirretrovirais, há um risco de 15% a 45% de transmitirem o vírus ao bebé durante a gravidez, o parto ou a amamentação.
Em contrapartida, esse risco é praticamente eliminado, caindo para um pouco mais de 1%, se a mãe for tratada com antirretrovirais durante a gravidez e o bebé receber o mesmo tipo de tratamento a partir do nascimento.
O número de bebés que nascem seropositivos no mundo baixou para metade entre 2009 e 2013, passando de 400.000 para 240.000 por ano.
Os Estados membros da OMS comprometeram-se em 2010 a eliminar a transmissão do VIH de mãe para filho até 2020.
No caso da sífilis, quase um milhão de mulheres grávidas são infetadas em cada ano, o que pode causar morte fetal, morte perinatal ou infeções neonatais graves.
Para o evitar, basta que a grávida seja diagnosticada e tratada com penicilina.
Para o reconhecimento oficial da OMS, o número de nascimentos de bebés infetados com o VIH tem de ser inferior a 2 por cada 100 bebés nascidos de mães seropositivas e, no caso da sífilis, igual a 1 caso para cada 2.000 nascimentos.
Grande percentagem de ciganos trabalha e não depende de prestações sociais
in RR
Primeiro estudo nacional sobre as comunidades ciganas conclui que o casamento precoce ainda é prática habitual e a venda ambulante é a principal actividade económica.
É falsa a ideia de que os ciganos sobrevivem à conta de prestações sociais, defende Manuela Mendes, coordenadora do primeiro estudo nacional sobre as comunidades ciganas.
O documento foi encomendado pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM) e registou os dados de 1.599 pessoas ciganas, dispersas por todo o território nacional, durante o ano de 2014.
Manuela Mendes esclarece que "uma percentagem grande trabalha", só que muitas vezes não se trata de trabalho no mercado formal, com um contrato ou um salário. Ainda assim, muitos estão desempregados, bastantes recebem o Rendimento Social de Inserção e mais de metade admite que já passou fome.
O estudo concluiu também que os ciganos portugueses têm baixos níveis de escolaridade, casam cedo, fazem da venda ambulante a principal actividade económica.
Em declarações à Lusa, a coordenadora do estudo disse que uma das coisas que ressaltam são os padrões regionais, destacando haver "aspectos singulares" que variam consoante as regiões do país e que contribuem para a heterogeneidade entre os ciganos portugueses, tendo sido possível detectar três grandes grupos.
Um primeiro grupo é constituído por jovens até aos 34 anos de idade, com níveis de escolaridade muito heterogéneos entre si, com uma grande percentagem de pessoas que nunca trabalhou ou que não se consideram trabalhadores, havendo muitos que vivem na dependência de familiares.
"Estas pessoas predominam em zonas como Estarreja, Ovar, [Santa Maria da] Feira e Barreiro e este é um grupo que se distingue", apontou Manuela Mendes.
Um outro grupo concentra pessoas mais velhas, com 45 ou mais anos de idade, que vivem em "condições mais deficientes ou com maior índice de vulnerabilidade". Mais de metade não trabalha e "uma percentagem significativa" recebe o Rendimento Social de Inserção (RSI) ou outro tipo de prestações sociais.
"Encontramos aqui reformados, domésticas, viúvos, e há uma maior incidência deste perfil em zonas do país como Castelo Branco, Santarém, Campo Maior e também no Algarve, em Lagoa. São pessoas que vivem em maior precariedade, com piores condições em termos habitacionais e de acesso a serviços e equipamentos", disse a investigadora.
O terceiro grupo é constituído por pessoas em idade activa e com família constituída ou estabilizada, com idades entre os 25 e os 34 anos de idade, muitos com o primeiro ciclo. Tem um maior número de trabalhadores, sobretudo pessoas que andam em vendas ambulantes ou trabalhadores por conta de outrem.
"São pessoas mais abertas a amizades com pessoas não ciganas, têm redes de relações menos fechadas e são pessoas que, grosso modo, se concentram sobretudo em Almada, Guarda, mas também no concelho de Espinho e Vila do Conde", adiantou.
Metade já passou fome
A investigação mostra também que, no que diz respeito à alimentação, quase metade (48%) admitiu ter passado fome, dos quais 18,6% disseram que foi entre uma a duas vezes por ano e 13,7% entre uma a duas vezes por mês.
Muitos (58,6%) afirmaram ter-se sentido discriminados por serem ciganos, tanto em contexto de trabalho, serviços, quer públicos ou privados, ou na escola, mas também é apontado que quando as comunidades ciganas "coabitam com outros grupos étnico-culturais" tem havido "alguns problemas de relacionamento, sobretudo com pessoas de origem africana".
Por outro lado, os percursos escolares dos ciganos "são geralmente muito curtos, principalmente no caso das raparigas", os casamentos acontecem em idades muito precoces (entre os 13 e os 15 anos) e parece dominar o culto evangélico, ligado sobretudo à Igreja de Filadélfia.
Ao nível das recomendações, o estudo sugere, entre outros, o reforço de alguns projectos, como o Programa Escolhas ou os mediadores culturais, e a capacitação das mulheres ciganas, principalmente através da aquisição de competências profissionais.
A 24 de Junho assinala-se o Dia Nacional do Povo Cigano.
Primeiro estudo nacional sobre as comunidades ciganas conclui que o casamento precoce ainda é prática habitual e a venda ambulante é a principal actividade económica.
É falsa a ideia de que os ciganos sobrevivem à conta de prestações sociais, defende Manuela Mendes, coordenadora do primeiro estudo nacional sobre as comunidades ciganas.
O documento foi encomendado pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM) e registou os dados de 1.599 pessoas ciganas, dispersas por todo o território nacional, durante o ano de 2014.
Manuela Mendes esclarece que "uma percentagem grande trabalha", só que muitas vezes não se trata de trabalho no mercado formal, com um contrato ou um salário. Ainda assim, muitos estão desempregados, bastantes recebem o Rendimento Social de Inserção e mais de metade admite que já passou fome.
O estudo concluiu também que os ciganos portugueses têm baixos níveis de escolaridade, casam cedo, fazem da venda ambulante a principal actividade económica.
Em declarações à Lusa, a coordenadora do estudo disse que uma das coisas que ressaltam são os padrões regionais, destacando haver "aspectos singulares" que variam consoante as regiões do país e que contribuem para a heterogeneidade entre os ciganos portugueses, tendo sido possível detectar três grandes grupos.
Um primeiro grupo é constituído por jovens até aos 34 anos de idade, com níveis de escolaridade muito heterogéneos entre si, com uma grande percentagem de pessoas que nunca trabalhou ou que não se consideram trabalhadores, havendo muitos que vivem na dependência de familiares.
"Estas pessoas predominam em zonas como Estarreja, Ovar, [Santa Maria da] Feira e Barreiro e este é um grupo que se distingue", apontou Manuela Mendes.
Um outro grupo concentra pessoas mais velhas, com 45 ou mais anos de idade, que vivem em "condições mais deficientes ou com maior índice de vulnerabilidade". Mais de metade não trabalha e "uma percentagem significativa" recebe o Rendimento Social de Inserção (RSI) ou outro tipo de prestações sociais.
"Encontramos aqui reformados, domésticas, viúvos, e há uma maior incidência deste perfil em zonas do país como Castelo Branco, Santarém, Campo Maior e também no Algarve, em Lagoa. São pessoas que vivem em maior precariedade, com piores condições em termos habitacionais e de acesso a serviços e equipamentos", disse a investigadora.
O terceiro grupo é constituído por pessoas em idade activa e com família constituída ou estabilizada, com idades entre os 25 e os 34 anos de idade, muitos com o primeiro ciclo. Tem um maior número de trabalhadores, sobretudo pessoas que andam em vendas ambulantes ou trabalhadores por conta de outrem.
"São pessoas mais abertas a amizades com pessoas não ciganas, têm redes de relações menos fechadas e são pessoas que, grosso modo, se concentram sobretudo em Almada, Guarda, mas também no concelho de Espinho e Vila do Conde", adiantou.
Metade já passou fome
A investigação mostra também que, no que diz respeito à alimentação, quase metade (48%) admitiu ter passado fome, dos quais 18,6% disseram que foi entre uma a duas vezes por ano e 13,7% entre uma a duas vezes por mês.
Muitos (58,6%) afirmaram ter-se sentido discriminados por serem ciganos, tanto em contexto de trabalho, serviços, quer públicos ou privados, ou na escola, mas também é apontado que quando as comunidades ciganas "coabitam com outros grupos étnico-culturais" tem havido "alguns problemas de relacionamento, sobretudo com pessoas de origem africana".
Por outro lado, os percursos escolares dos ciganos "são geralmente muito curtos, principalmente no caso das raparigas", os casamentos acontecem em idades muito precoces (entre os 13 e os 15 anos) e parece dominar o culto evangélico, ligado sobretudo à Igreja de Filadélfia.
Ao nível das recomendações, o estudo sugere, entre outros, o reforço de alguns projectos, como o Programa Escolhas ou os mediadores culturais, e a capacitação das mulheres ciganas, principalmente através da aquisição de competências profissionais.
A 24 de Junho assinala-se o Dia Nacional do Povo Cigano.
Uma estranha forma de solidariedade
José Cabrita Saraiva, in iOnline
Hoje em dia, quando penso nos gregos, não me lembro de Homero, Péricles ou Platão, mas sim de uma viagem que fiz em 2011. Foram 15 dias fantásticos passados em Atenas, Delfos, Corinto, Epidauro e algumas ilhas. Tudo correu lindamente, tirando dois ou três contratempos: quando nos cobraram seis euros por um iogurte; quando fomos enganados acerca da hora de chegada de um barco e nos vimos, às cinco da manhã, com um bebé num local desconhecido; ou quando pagámos 50 euros por uma pescada num restaurante manhoso. A Grécia é um país belíssimo, mas fiquei com a impressão de que muitos gregos são machistas, brutamontes e exploradores.
Ainda assim, é preciso dizer que nenhum povo merece passar por aquilo que os gregos terão de passar caso se concretize a saída do país do euro. Compreendo, por isso, perfeitamente a enorme onda de solidariedade que se tem gerado um pouco por toda a Europa. Um jovem britânico bem-intencionado chegou a lançar uma campanha de crowdfunding para pagar a dívida grega...
Mas o que significa exactamente a palavra solidariedade? Em português é um belo conceito que, à custa de tanto ser repetido, começa a perder conteúdo. Significa entreajuda, sacrificar-se pelo outro, cumprir o velho lema dos mosqueteiros: “Um por todos e todos por um.” Ou seja, implica uma ideia de reciprocidade.
Porém, talvez em grego a palavra queira dizer outra coisa qualquer. Por um lado, parece ser um eufemismo para “financiem o nosso modo de vida” – ou seja, uma solidariedade de sentido único. Por outro lado, Alexis Tsipras já deixou bem claro: “Fiquem a saber que, se cairmos no abismo, tudo faremos para vos arrastarmos connosco.” Ao mesmo tempo que ameaçava isto, o primeiro-ministro grego ia negociando com a Rússia, para assustar (chantagear) a Europa. É uma estranha ideia de solidariedade, convenhamos.
Continuemos a falar desta palavra tão cara aos que tomam o partido dos gregos. Em 1985, a Grécia vetou a entrada de Portugal e da Espanha na CEE. Para aceitar a inclusão dos países ibéricos, exigiu um valor astronómico. Qual solidariedade, qual carapuça. E, só para aqueles que são mesmo muito esquecidos, recordemos que em 2011 os credores perdoaram à Grécia cerca de metade da sua dívida, no valor de 200 mil milhões de euros.
Há quem traga para o debate o legado dos filósofos, a invenção da democracia ou as atrocidades nazis para mostrar que a Europa é que está em dívida para com a Grécia, não o contrário. Ora, se se lembram tão bem do que aconteceu há 70 e até há 2500 anos, porque insistem em ignorar o que aconteceu em 1985 e em 2011? A memória, às vezes, prega-nos destas partidas.
Hoje em dia, quando penso nos gregos, não me lembro de Homero, Péricles ou Platão, mas sim de uma viagem que fiz em 2011. Foram 15 dias fantásticos passados em Atenas, Delfos, Corinto, Epidauro e algumas ilhas. Tudo correu lindamente, tirando dois ou três contratempos: quando nos cobraram seis euros por um iogurte; quando fomos enganados acerca da hora de chegada de um barco e nos vimos, às cinco da manhã, com um bebé num local desconhecido; ou quando pagámos 50 euros por uma pescada num restaurante manhoso. A Grécia é um país belíssimo, mas fiquei com a impressão de que muitos gregos são machistas, brutamontes e exploradores.
Ainda assim, é preciso dizer que nenhum povo merece passar por aquilo que os gregos terão de passar caso se concretize a saída do país do euro. Compreendo, por isso, perfeitamente a enorme onda de solidariedade que se tem gerado um pouco por toda a Europa. Um jovem britânico bem-intencionado chegou a lançar uma campanha de crowdfunding para pagar a dívida grega...
Mas o que significa exactamente a palavra solidariedade? Em português é um belo conceito que, à custa de tanto ser repetido, começa a perder conteúdo. Significa entreajuda, sacrificar-se pelo outro, cumprir o velho lema dos mosqueteiros: “Um por todos e todos por um.” Ou seja, implica uma ideia de reciprocidade.
Porém, talvez em grego a palavra queira dizer outra coisa qualquer. Por um lado, parece ser um eufemismo para “financiem o nosso modo de vida” – ou seja, uma solidariedade de sentido único. Por outro lado, Alexis Tsipras já deixou bem claro: “Fiquem a saber que, se cairmos no abismo, tudo faremos para vos arrastarmos connosco.” Ao mesmo tempo que ameaçava isto, o primeiro-ministro grego ia negociando com a Rússia, para assustar (chantagear) a Europa. É uma estranha ideia de solidariedade, convenhamos.
Continuemos a falar desta palavra tão cara aos que tomam o partido dos gregos. Em 1985, a Grécia vetou a entrada de Portugal e da Espanha na CEE. Para aceitar a inclusão dos países ibéricos, exigiu um valor astronómico. Qual solidariedade, qual carapuça. E, só para aqueles que são mesmo muito esquecidos, recordemos que em 2011 os credores perdoaram à Grécia cerca de metade da sua dívida, no valor de 200 mil milhões de euros.
Há quem traga para o debate o legado dos filósofos, a invenção da democracia ou as atrocidades nazis para mostrar que a Europa é que está em dívida para com a Grécia, não o contrário. Ora, se se lembram tão bem do que aconteceu há 70 e até há 2500 anos, porque insistem em ignorar o que aconteceu em 1985 e em 2011? A memória, às vezes, prega-nos destas partidas.
Nada será como dantes
Rui Bebiano, in o Observatório da Grécia
Foram grandes as expectativas criadas em Portugal com a vitória do Syriza nas eleições do passado Janeiro. A direita no governo, apoiada por uma maioria dos órgãos de comunicação transformada em caixa-de-ressonância, rapidamente desenhou os piores cenários, considerando-a um erro de avaliação da parte dos gregos – obviamente entendidos como crianças grandes, politicamente menorizadas –, e antevendo, como consequência, o incumprimento do pagamento da dívida, tal como a saída da Grécia do euro ou mesmo da União Europeia. Ao mesmo tempo, um sobressalto transversal foi partilhado pela quase totalidade da esquerda e do centro-esquerda, traduzido numa visível simpatia pelo novo governo de Atenas e por alguns dos seus protagonistas, bem como num apoio expresso ou tácito às suas escolhas.
Foi assim que alguns militantes e dirigentes do Partido Socialista, bem como muitos dos seus simpatizantes e presumíveis votantes, exultaram publicamente com aquela vitória, embora, como era de esperar, desde o início outros a temessem ou rejeitassem de forma liminar. Foi assim que o PCP, sem apoiar expressamente o Syriza, se eximiu de o criticar, ao contrário daquilo que, como é sabido, tem feito o KKE, o Partido Comunista da Grécia, que o combate por lhe atribuir um papel de mera «muleta do capitalismo». Foi assim também que a nossa «esquerda da esquerda» apoiou incondicionalmente a experiência grega, assumindo como suas as suas escolhas, por muito que algumas delas, em particular aquelas que têm privilegiado os fatores de unidade e de moderação, sejam estranhas às suas opções políticas internas.
Aquilo que ninguém nesta área política fez foi, porém, prever a forte possibilidade da experiência grega falhar, suscitando uma onda de choque capaz de mergulhar no desânimo e de deixar sem um vislumbre de saída otimista, quem, por um exercício de vontade, numa primeira fase participou dessa exaltação quase unanimista. À hora a que escrevo ninguém poderá, é um facto, salvo se enveredar por um inútil exercício de adivinhação, traçar o desfecho desta etapa dramática da história da Grécia. Mas uma coisa é certa: todos, cá e lá, estamos a experimentar um banho de realismo, uma vez que poucas coisas aconteceram como o previsto. Um banho cujos efeitos na nossa perceção da coisa pública – e da relação da esquerda com a conquista e o exercício do poder na Europa de hoje – se encontra ainda por avaliar.
A dimensão do recuo do Syriza, tal como a das fraturas que por esse motivo este irá inevitavelmente conhecer, é ainda desconhecida. Como o é a capacidade do povo grego para conservar nas circunstâncias presentes o seu capital de esperança. Mas uma coisa é segura: uma vez mais está a ficar provado que não é possível moldar o curso da história apenas por um exercício de vontade ou com recurso a gestos de bravura. O que força sempre a procurar novas vias para reduzir os danos e evitar o pior, agregando forças de forma aberta e criativa com base no que é prioritário para a vida das pessoas e dos Estados. Governar a direito, essencialmente a régua e esquadro e na rejeição da democracia, tentaram-no Hitler ou Estaline, com os resultados que se conhecem. Só ao estabelecer consensos, unindo o que houver a unir, se poderá conhecer o modo de evitá-lo. Neste domínio o Syriza tem sido exemplar. Pelo menos até agora.
Foram grandes as expectativas criadas em Portugal com a vitória do Syriza nas eleições do passado Janeiro. A direita no governo, apoiada por uma maioria dos órgãos de comunicação transformada em caixa-de-ressonância, rapidamente desenhou os piores cenários, considerando-a um erro de avaliação da parte dos gregos – obviamente entendidos como crianças grandes, politicamente menorizadas –, e antevendo, como consequência, o incumprimento do pagamento da dívida, tal como a saída da Grécia do euro ou mesmo da União Europeia. Ao mesmo tempo, um sobressalto transversal foi partilhado pela quase totalidade da esquerda e do centro-esquerda, traduzido numa visível simpatia pelo novo governo de Atenas e por alguns dos seus protagonistas, bem como num apoio expresso ou tácito às suas escolhas.
Foi assim que alguns militantes e dirigentes do Partido Socialista, bem como muitos dos seus simpatizantes e presumíveis votantes, exultaram publicamente com aquela vitória, embora, como era de esperar, desde o início outros a temessem ou rejeitassem de forma liminar. Foi assim que o PCP, sem apoiar expressamente o Syriza, se eximiu de o criticar, ao contrário daquilo que, como é sabido, tem feito o KKE, o Partido Comunista da Grécia, que o combate por lhe atribuir um papel de mera «muleta do capitalismo». Foi assim também que a nossa «esquerda da esquerda» apoiou incondicionalmente a experiência grega, assumindo como suas as suas escolhas, por muito que algumas delas, em particular aquelas que têm privilegiado os fatores de unidade e de moderação, sejam estranhas às suas opções políticas internas.
Aquilo que ninguém nesta área política fez foi, porém, prever a forte possibilidade da experiência grega falhar, suscitando uma onda de choque capaz de mergulhar no desânimo e de deixar sem um vislumbre de saída otimista, quem, por um exercício de vontade, numa primeira fase participou dessa exaltação quase unanimista. À hora a que escrevo ninguém poderá, é um facto, salvo se enveredar por um inútil exercício de adivinhação, traçar o desfecho desta etapa dramática da história da Grécia. Mas uma coisa é certa: todos, cá e lá, estamos a experimentar um banho de realismo, uma vez que poucas coisas aconteceram como o previsto. Um banho cujos efeitos na nossa perceção da coisa pública – e da relação da esquerda com a conquista e o exercício do poder na Europa de hoje – se encontra ainda por avaliar.
A dimensão do recuo do Syriza, tal como a das fraturas que por esse motivo este irá inevitavelmente conhecer, é ainda desconhecida. Como o é a capacidade do povo grego para conservar nas circunstâncias presentes o seu capital de esperança. Mas uma coisa é segura: uma vez mais está a ficar provado que não é possível moldar o curso da história apenas por um exercício de vontade ou com recurso a gestos de bravura. O que força sempre a procurar novas vias para reduzir os danos e evitar o pior, agregando forças de forma aberta e criativa com base no que é prioritário para a vida das pessoas e dos Estados. Governar a direito, essencialmente a régua e esquadro e na rejeição da democracia, tentaram-no Hitler ou Estaline, com os resultados que se conhecem. Só ao estabelecer consensos, unindo o que houver a unir, se poderá conhecer o modo de evitá-lo. Neste domínio o Syriza tem sido exemplar. Pelo menos até agora.
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