6.5.11

Prestação da casa vai aumentar ainda mais

por Helder Robalo, com Reuters, in Diário de Notícias

"Valores estão aos níveis de 2009", defende António de Sousa. BCE manteve taxa de juro de referência em 1,25%.

António de Sousa acredita que a prestação do crédito à habitação vai continuar a subir. Isto apesar de ontem, após a reunião mensal, os governadores do Banco Central Europeu (BCE) terem mantido, como esperado, a taxa de juro de referência para a Zona Euro nos 1,25%.

"A prestação da casa está ainda a níveis de 2009", pelo que "vai aumentar mais", garantiu ontem o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), num almoço na Associação Comercial de Lisboa. "Não é normal" a taxa directora da Zona Euro estar fixada nos 1,25%, frisou este responsável.

Para António de Sousa, apesar de a habitação ser um "activo importante" das famílias, o crédito à compra de casa ultrapassou em Portugal o "nível do aceitável", pelo que se mostrou satisfeito com a aposta no mercado de arrendamento indicada no acordo entre o Governo e a troika de negociadores do pacote de ajuda externa.

O presidente da APB referiu que as rendibilidades dos bancos são "quase todas negativas no mercado do retalho em Portugal", o que se deve em grande parte ao crédito à habitação, devido aos crescentes custos de financiamento. A "maior parte [do crédito à habitação] dá prejuízo" aos bancos actualmente, na ordem de "3% a 4%", acrescentou.

Certo é que ontem, ao contrário do que esperava a maioria dos analistas, o presidente do BCE não deu indicações de nova subida da taxa de juro no próximo mês. Aos jornalistas, Jean-Claude Trichet referiu que o BCE "monitoriza muito de perto" todos os "desenvolvimentos no que diz respeito a um aumento dos riscos para a estabilidade dos preços". Ao não usar a expressão de "forte vigilância", os analistas acreditam que só em Julho deverá haver novo aumento da taxa de referência.

O certo é que a pressão inflacionista tem vindo a aumentar nos últimos tempos, com o preço das matérias-primas a subir 11% desde o início do ano e 31% desde Outubro passado, segundo um estudo do Instituto de Economia Internacional de Hamburgo. "Continuamos a assistir ao aumento da pressão sobre a inflação global, sobretudo devido aos preços da energia e matérias-primas", salientou Trichet, cujo mandato no BCE termina em Outubro.

"As expectativas de inflação devem permanecer firmemente ancoradas ao nosso objectivo de manter o nível abaixo dos 2% a médio prazo", acrescentou. Para Trichet, é importante que a inflação não origine efeitos secundários, "como um impacto sobre os salários, aumentando os temores de uma espiral inflacionista". Para os analistas é de esperar novo aumento da taxa de juro em Julho, até porque em Abril a inflação na Zona Euro subiu para os 2,8%, superando pelo quinto mês consecutivo a meta de 2% traçada pelo BCE. Trichet salientou a impor-tância de os países da Zona Euro realizarem "reformas estruturais urgentes" para aumentarem o seu potencial de crescimento e a sua competitividade, em especial "aqueles com um défice orçamental elevado". Sem mencionar os destinatários da mensagem, Trichet frisou que "a mensagem de estabilidade é dirigida a todos os Estados membros".