10.10.07

Asiáticas já chegaram a Portugal

Ana Cristina Pereira, in Jornal Público

Prostituição invisível no centro de Aveiro e da Guarda, mas bem à mostra no centro de Lisboa. Pela garantia de anonimato


Na Guarda só de quando em quando aparecem africanas ou europeias de Leste entre as brasileiras que se dedicam ao trabalho sexual. Ali, as poucas portuguesas tendem a estar em fim de carreira. Aveiro oferece maior diversidade, talvez por ser um local de passagem. Lisboa é a explosão, até asiáticas oferece.

Decididos a apurar especificidades sociais e geográficas, os autores do relatório Tráfico de mulheres em Portugal para fins de exploração sexual seleccionaram três distritos: o da capital, um transfronteiriço, um que configura o perfil de centro urbano de média dimensão. Fizeram entrevistas, observaram casas de alterne, analisaram anúncios na imprensa.

Na Guarda, o trabalho sexual parece pouco por ser mais periférico, "sobretudo no que diz respeito às "casas de alterne" e à prostituição de rua", notam. A oferta diminuiu (quer na cidade, quer no distrito), mas tal não significa que os habitantes da Guarda estejam menos interessados nestes serviços. Com a abolição de fronteiras, os camionistas deixaram de ali estar dois e três dias à espera do despacho aduaneiro para passar. Como eles, os egitanienses num instante atravessam a fronteira.
Desde 2000, cada vez mais, "o mercado da prostituição concentra-se do outro lado da fronteira". Por a garantia de anonimato ser maior em Espanha, por ser mais difícil abrir um espaço destes em Portugal e haver mais fiscalização. Ainda assim os investigadores visitaram sete casas na Guarda: umas dirigidas a classes baixas e outras a classes médias-altas.

Em Aveiro, a prostituição de rua também é pouco visível. A prostituição faz-se, principalmente, em apartamentos. Aqui, também é nas zonas circundantes à cidade que vingam estabelecimentos, espaços com maior qualidade do que os da Guarda - "têm mais a forma de bares, é mais difícil encontrar aquelas casas com anexos ou com um primeiro andar com quartos".

O distrito de Lisboa concentra maior diversidade - por ser capital, por acolher mais imigrantes. Ao contrário da Guarda e de Aveiro, em Lisboa "a prostituição de rua tem uma visibilidade significativa no próprio centro da cidade". Aqui as brasileiras também dominam, mas abundam mulheres da Europa Central e de Leste (mais romenas). E, "fenómeno novo", há mulheres asiáticas, em particular chinesas. Só o Correio da Manhã publica, em média, por dia, cerca de 700 anúncios da Grande Lisboa (1200 a nível nacional).