13.10.07

Optimismo em Lisboa e em Varsóvia para a cimeira do Tratado Reformador

Teresa de Sousa, in Jornal Público

Solução para o problema polaco parece estar ao alcance da mão mas pode ainda haver um "problema italiano" no caminho para a aprovação do tratado


Na segunda-feira passada, Lech Kaczynski estava optimista quanto à possibilidade de um acordo político sobre o Tratado Reformador em Lisboa. Ontem, em Berlim, declarou-se "profundamente convencido" de que a cimeira de líderes europeus no final da próxima semana vai correr bem.

"Há ainda alguns detalhes a discutir mas estou profundamente convencido de que a cimeira será um sucesso", disse o Presidente polaco à chegada à chancelaria de Berlim para um encontro com Angela Merkel. A chanceler, que fez saber que o encontro se realizava por solicitação polaca, tratou de acrescentar que "todos os países estão em contacto com a presidência portuguesa" para acompanhar esta fase final das negociações. Quatro dias antes, em Paris, depois de um encontro semelhante com o Presidente francês, a mensagem foi mais no sentido de realçar os bons ofícios de Nicolas Sarkozy para desenrolar o novelo criado pela intransigência polaca em aceitar um novo sistema de votos no Conselho.

Ontem também, em Lisboa, havia um clima de relativo optimismo quanto a uma solução para o problema polaco, previsivelmente o maior obstáculo no caminho de um acordo sobre o novo tratado europeu na cimeira informal dos próximos dias 18 e 19 a que José Sócrates presidirá.

A visita do primeiro-ministro português a Varsóvia, há duas semanas, terá permitido divisar uma hipótese de compromisso que tem estado a ser negociada nos últimos dias. A presidência reconhece que é preciso garantir que ninguém saia de Lisboa como derrotado e, por maioria de razões, os gémeos Kaczynski (Lech, o Presidente e Jaroslaw, o primeiro-ministro), que vão enfrentar eleições dois dias após a cimeira. Aparentemente, já terá encontrado a "fórmula mágica" para resolver o imbróglio. Mas, advertem fontes diplomáticas em Lisboa, será preciso que os outros parceiros europeus aceitem esse eventual compromisso, pelo que não convém deitar foguetes antes de tempo. O problema só ficará resolvido quando os chefes de Estado e de governo se encontrarem em Lisboa.

Já o aparente endurecimento do primeiro-ministro britânico, que quinta-feira voltou a brandir a ameaça de veto caso não sejam inteiramente contempladas as "linhas vermelhas" que o seu país elegeu como condição para dar luz verde ao tratado não está a causar demasiada preocupação em Lisboa. As declarações de Gordon Brown são vistas como sendo apenas para consumo interno e a presidência está completamente segura da aprovação definitiva de Londres à redacção do projecto de tratado, aliás depois de longas negociações para acomodar as exigências britânicas quanto à sua relação com o espaço Schengen.

Em contrapartida, como o PÚBLICO noticiava ontem, a repartição do número de deputados do Parlamento Europeus ainda pode vir a causar algum calafrio. A proposta aprovada no PE que será apresentada à cimeira não satisfaz a Itália. Romano Prodi já disse que não está em situação de aceitar esse acordo.