11.10.17

ONU procura jovens líderes para impulsionar implementação de objetivos globais

in ONUBR

A ONU recebe até 3 de novembro inscrições para a segunda turma do programa Jovens Líderes para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que visa pessoas engajadas nos esforços de erradicação da pobreza, combate às mudanças climáticas e redução das desigualdades. Podem se inscrever jovens líderes do mundo todo que tenham entre 18 e 30 anos.

As Nações Unidas anunciaram no sábado (7) a abertura das inscrições para a segunda turma do programa Jovens Líderes para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que visa pessoas engajadas nos esforços de erradicação da pobreza, combate às mudanças climáticas e redução das desigualdades.

Liderada pela enviada especial do secretário-geral da ONU para a juventude, Jayathma Wickramanayake, a iniciativa reconhece todos os anos 17 jovens líderes que estão impulsionando ambiciosos esforços para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030. O anúncio foi feito pela enviada da ONU durante a cúpula Um Mundo Jovem (One Young World) realizada na semana passada em Bogotá, na Colômbia.

O programa tem como foco líderes jovens entre 18 e 30 anos do mundo todo que atuem em diferentes questões e que estejam liderando mudanças positivas rumo a um futuro sustentável. Os 17 selecionados trabalharão com a enviada da ONU no sentido de engajar outros jovens na busca pelos ODS.

“Os jovens hoje não são os líderes de amanhã — somos os líderes de hoje”, disse Wickramanayake. “Nunca uma geração esteve tão bem equipada — com o conhecimento, a paixão e a tecnologia — para colocar o planeta e nossas sociedades em um caminho sustentável. Os jovens são a arma secreta para atingir os objetivos globais”.

Atualmente, há 1,8 bilhão de pessoas com idade entre 10 e 24 anos no mundo — são a maior geração de jovens da história. Esse número deve aumentar: até 2030, cerca de 1,9 bilhão de jovens devem completar 15 anos.

“Para alcançar os ODS, precisamos engajar uma geração de jovens que conhecem os objetivos globais, se preocupam com seu sucesso e trabalham ativamente para sua realização”, disse a enviada da ONU.

A primeira turma do programa foi anunciada em setembro de 2016, às vésperas da Assembleia Geral da ONU daquele ano. Com jovens vindos de diferentes regiões, o programa do ano passado trabalhou para mobilizar apoio aos objetivos globais. Clique aqui para saber mais sobre a turma de 2016.

Este ano, as inscrições estarão abertas até 3 de novembro e podem ser feitas pela Internet (clique aqui). Os candidatos precisam ter entre 18 e 30 anos (completados até 31 de dezembro de 2017). Os candidatos bem sucedidos serão escolhidos com base nos seguintes critérios:
• Demonstradas conquistas na promoção e no avanço do desenvolvimento sustentável;
• Capacidade de comandar um público, influenciar e inspirar seus contemporâneos;
• Influência positiva em seu campo e reputação para liderança inovadora e inclusiva;
• Demonstrada integridade, compromisso com os ODS e valores-chave da ONU.
Sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Em 1º de janeiro de 2016, os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 — adotada por líderes mundiais em setembro de 2015 em uma histórica cúpula da ONU — entraram oficialmente em vigor.

Nos próximos 15 anos, com esses objetivos que se aplicam universalmente, os países precisam mobilizar esforços para acabar com todas as formas de pobreza, combater as desigualdades e as mudanças climáticas, enquanto garantimos que ninguém seja deixado para trás.

Sobre a enviada especial da ONU para a juventude
Jayathma Wickramanayake foi nomeada pelo secretário-geral da ONU como enviada especial para a juventude em junho de 2017, aos 26 anos.
Ela trabalha para expandir o engajamento da juventude na ONU por meio de quatro pilares  — desenvolvimento sustentável, direitos humanos, paz e segurança e ação humanitária — e atua como representante e assessora do secretário-geral.

Cáritas lusófonas reunidas em Cabo Verde com fome e desigualdades na agenda

in Diário de Notícias

Representantes das Cáritas lusófonas vão estar reunidos na cidade de Picos, interior da ilha de cabo-verdiana de Santiago, a partir de quarta-feira para abordar o papel destas instituições no combate à fome e desigualdades nestes países.

O encontro, que decorre até 17 de outubro, reúne representantes destas organizações da Igreja Católica de Portugal, Cabo Verde Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e de Timor-Leste.

"Fome e Desigualdades nos Países Lusófonos: O engajamento da Caritas nos processos de Transformação Social e Económica" é o tema do encontro, cuja abertura será presidida pelo chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, e contará com a participação do cardeal cabo-verdiano Arlindo Furtado e do bispo de Bafatá, Guiné-Bissau, Pedro Zilli.

Portugal estará representado no encontro pelo presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio da Fonseca, segundo o programa do evento divulgado pela Cáritas de Cabo Verde.

Durante o encontro, será feito um ponto de situação sobre a realidade de cada um dos países participantes e serão abordados os desafios da Igreja Católica no combate à fome e às desigualdades.

Desenvolvimento sustentável, alterações climáticas e os direitos humanos no contexto das migrações são outros assuntos na agenda da reunião, da qual deverá sair uma proposta de voluntariado e intercâmbio entre os países lusófonos.

A ideia é, segundo a secretária-geral da Cáritas de Cabo Verde, Marina Almeida, "unir esforços no sentido de contribuir para o desenvolvimento dos países-membros, potenciando os recursos com vista à valorização da pessoa e das suas condições de vida, denunciando as injustiças e apontando caminhos".

Os representantes das Cáritas lusófonas, que já estão em Cabo Verde desde sábado, irão ainda realizar também visitas ao terreno para conhecer projetos de agricultura e visitar as comunidades locais.
As Cáritas Lusófonas reúnem-se em fórum de dois em dois anos, tendo o último encontro decorrido no Brasil, em 2015.

10.10.17

Contributo das PME para criação de emprego no mundo estagnou

in RTP

O contributo das pequenas e médias empresas (PME) para a criação de emprego no mundo estagnou, depois de um importante salto dado entre 2003 e 2016, segundo um documento apresentado hoje pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Neste período, a quantidade de trabalhadores em PME formais, isto é, registadas fiscalmente, quase que duplicou e passou a constituir 35% do total.

Mas, em 2015 e 2016, praticamente não houve evolução, segundo o relatório "Perspetivas Sociais e do Emprego no Mundo 2017".
O documento analisa em particular a sustentabilidade das empresas e a relação entre empregadores formais e o trabalho digno, um dos objetivos perseguidos por este organismo técnico da Organização das Nações Unidas.

Ao apresentar a publicação, a OIT confirmou a sua previsão de que o desemprego vai afetar este ano 201 milhões de trabalhadores, mais 3,4 milhões do que em 2016, e 87% do emprego global assenta no setor privado, tanto formal como informal.

O setor privado inclui cerca de três milhões de trabalhadores. Um setor privado sólido é o pilar do crescimento, da criação de emprego e da redução da pobreza", afirmou a autora principal do relatório e perita da OIT, Marva Corley-Coulibaly.

A OIT mostrou a sua preocupação com o desaparecimento do dinamismo evidenciado pelas PME no passado recente, o que afeta diretamente a criação e a qualidade de emprego, em especial nos países em desenvolvimento, onde representam 54% do emprego total.

Na conferência de imprensa, a subdiretora-geral para políticas da OIT, Deborah Greefield, atribuiu a redução do papel das PME às dificuldades que têm no acesso ao crédito e à consequente desaceleração da produtividade.

Vamos viver pior na reforma?

Fernando Ribeiro Mendes, in Público on-line

Muitos na União defendem que um sistema de pensões adequadas deverá ser necessariamente intergeracionalmente equitativo, o que significaria dever salvaguardar-se o rácio de benefício atual para aqueles que irão reformar-se à volta de 2060.

Quando avaliamos o padrão de vida dos pensionistas comparando-o com o rendimento limiar da pobreza definido pelo valor de 60% do rendimento disponível mediano da população de cada país, tal medida de adequação revela-se insatisfatória porque nos remete para a exposição ao risco de pobreza de todo um grupo social de idosos mas deixa na sombra as condições de vida de cada pensionista que a pensão de base contributiva a que formou direito o habilita (como discuti no Público de 21/08/2017).

Quando avaliamos o padrão de vida dos pensionistas comparando-o com o rendimento limiar da pobreza definido pelo valor de 60% do rendimento disponível mediano da população de cada país, tal medida de adequação revela-se insatisfatória porque nos remete para a exposição ao risco de pobreza de todo um grupo social de idosos mas deixa na sombra as condições de vida de cada pensionista que a pensão de base contributiva a que formou direito o habilita (como discuti no Público de 21/08/2017).

Em primeira aproximação, podemos cotejar o rendimento disponível mediano da população idosa (com 65 e mais anos) com o mesmo indicador para a população em idade ativa e jovem (com menos de 65 anos), onde dominará plausivelmente o rendimento do trabalho. Em 2015, as estatísticas oficiais indicam que o rendimento disponível mediano dos idosos em Portugal atingia os 92% do rendimento disponível mediano da população não idosa, colocando-nos razoavelmente alinhados com o panorama geral da União.

Em primeira aproximação, podemos cotejar o rendimento disponível mediano da população idosa (com 65 e mais anos) com o mesmo indicador para a população em idade ativa e jovem (com menos de 65 anos), onde dominará plausivelmente o rendimento do trabalho. Em 2015, as estatísticas oficiais indicam que o rendimento disponível mediano dos idosos em Portugal atingia os 92% do rendimento disponível mediano da população não idosa, colocando-nos razoavelmente alinhados com o panorama geral da União.

Numa segunda e superior aproximação, consideram-se já não os rendimentos disponíveis mas as pensões contributivas recebidas pelos pensionistas e os rendimentos do trabalho que calham à população empregada na mesma janela temporal. É o chamado rácio de benefício, que calcula a relação entre a pensão média paga pelos sistemas públicos e o salário médio da economia de cada país. Apesar dos diferentes perfis remuneratórios das gerações ativas e reformadas, a comparação intertemporal dos valores deste rácio dá informação de maior qualidade sobre a adequação das pensões.

As instâncias comunitárias projetam a evolução de longo prazo do rácio de benefício para os países da União nos seus Relatórios sobre o Envelhecimento (RE). No mais recente, o RE de 2015, projeta-se uma redução do rácio de 9 pontos percentuais, caindo dos 44 para os 34,9%, entre 2013 e 2060, no conjunto dos 28 Estados, Portugal superará largamente esta evolução, projetando-se a descida dos 61,8 para 41,7%, uma redução de 20 pontos percentuais do rácio em apreço.

Este indicador permite ainda uma outra discussão, importantíssima, que é a da adequação das pensões no plano da justiça entre as gerações. Idealmente, tem sido defendido que deverá existir estabilidade neste rácio na perspetiva da equidade intergeracional, como foi proposto por Richard Musgrave, grande especialista de finanças públicas do século XX (admitindo-se que o ponto de partida seja eticamente aceitável).

Muitos na União defendem que um sistema de pensões adequadas deverá ser necessariamente intergeracionalmente equitativo, o que significaria dever salvaguardar-se o rácio de benefício atual para aqueles que irão reformar-se à volta de 2060.

Uma vez mais fica a interrogação sobre até que ponto é eticamente aceitável e, portanto, adequado o rácio de partida até porque, segundo os cálculos dos sucessivos RE, o rácio de benefício subiu de 46 para 62% em Portugal, entre 2007 e 2015, uma vez que a crise terá atingido em menor grau os pensionistas do que a população ativa.

Desemprego de longa duração foi de 59,2% no segundo trimestre

in RTP

Um número muito acima dos 52,9% dos primeiros três meses de 2011, antes da chegada da troika a Portugal. O crescimento da economia não se tem refletido no desemprego de longa duração.

Dove pede desculpa por anúncio "racista" no Facebook

in Diário de Notícias

Campanha destinada às redes sociais mostrava uma mulher negra a transformar-se em branca depois de usar produtos da Dove

A campanha era destinada às redes sociais: a Dove usava uma série de três imagens, que mostravam inicialmente uma mulher negra a tirar a t-shirt, para revelar depois uma mulher branca, que volta a despir a parte de cima e transforma-se numa asiática.

Segundo a BBC, as imagens, de promoção a um gel de banho da marca, foram entretanto retiradas do Facebook, mas alguns utilizadores ainda as encontraram na página inicial e divulgaram-nas, o que fez acender o debate: a Dove foi acusada de racismo e de falta de sensibilidade, ainda que houvesse outros a apontar que a marca queria apenas sublinhar que pode ser usada por mulheres de todas as raças e etnias.

Porém, nada se perde na internet, pelo que muitos internautas foram rápidos a recordar que não é a primeira vez que a marca cai no erro de se promover com imagens controversas: em 2011, a Dove já fora acusada de racismo por apresentar um anúncio em que colocava três mulheres, a primeira com a pele mais escura e a última com uma cor de pele mais clara, em que parecia sugerir que a mulher branca era o resultado final da boa utilização do gel de banho da marca.

E, em 2015, a Dove chegou a pôr no mercado um creme de verão para nutrir e fazer brilhar a pele, para usar das peles "normais às mais escuras".

A BBC contactou a Dove, que entretanto pediu desculpa através do Twitter por ter falhado ao representar as mulheres de cor, mas não obteve qualquer resposta da marca.

Desemprego de longa duração pesa mais do que no tempo da troika

Pedro Araújo, in Diário de Notícias

A economia está a crescer, mas mostra-se ainda incapaz de diminuir o volume relativo daqueles que não conseguem reintegrar-se rapidamente. Empresas preferem contratar a prazo e não investem na formação

O crescimento da economia e a rápida queda do desemprego têm surpreendido tudo e todos. Mas a retoma parece, em grande parte, passar ao lado de quem não tem trabalho há mais de um ano: o peso do desemprego de longa duração (mais de 12 meses) no total de desempregados ultrapassou 59,2% no segundo trimestre deste ano, bem acima dos 52,9% dos primeiros três meses de 2011, pouco antes da chegada da troika a Portugal. Na zona euro, em 2016, pior só na Grécia, na Eslováquia e em Itália. A média da OCDE era de 30,5%.A falta de investimento em formação, quer pelas empresas quer pelos próprios trabalhadores, é uma das razões para o elevado desemprego de longa duração.

A taxa de desemprego caiu para 8,9%, depois de ter atingido um recorde de 17,5% no início de 2013. Ao todo, no segundo trimestre deste ano, havia 461,4 mil desempregados, dos quais 273,2 mil (59,2%) estavam sem trabalho há mais de um ano. Pior, segundo o INE, 70% destes últimos estavam sem trabalho há mais de 24 meses (muito longa duração); eram 55,6% há seis anos.

"Um dos elementos mais gravosos da evolução do mercado de trabalho português nos últimos anos tem sido o nível elevado de desemprego de longa duração, que origina uma depreciação acentuada do capital humano, com efeitos adversos no crescimento potencial da economia", alerta o Banco de Portugal.

O banco liderado por Carlos Costa prevê que a economia portuguesa cresça 2,5% neste ano. É mais otimista que o próprio executivo de António Costa, que só apontava para 1,8%. Mas o Banco de Portugal alerta precisamente para o perigo de o desemprego de longa duração ser um travão, entre outros, ao crescimento do PIB. "O nível do PIB em 2017 é 1,5% inferior ao de 2008", sublinha o banco central, acrescentando que o PIB deve crescer menos na segunda metade do ano (2%), contra 2,9 no primeiro semestre.

Para Américo Azevedo, professor da Faculdade de Engenharia do Porto e especialista em questões ligadas ao desenvolvimento da indústria, há duas explicações fundamentais para o grande peso do desemprego de longa duração: o crescimento no passado de setores como a construção civil, que criaram empregos insustentáveis, e, por outro lado, a aposta das empresas em contratar preferencialmente a termo, descurando por esse motivo o investimento na formação dos trabalhadores. O peso dos contratos sem termo passou de 78,7%, no terceiro trimestre de 2013 já sem troika para 77,9%, no segundo trimestre deste ano, enquanto os vínculos a prazo aumentaram de 17,49% para 18,51%.

"Tivemos um crédito fácil, nos anos 1990, e houve incentivos à produção de bens não transacionáveis, criando-se aí emprego que depois não foi mantido. O aumento do desemprego estrutural [de longa duração] é o resultado. Por outro lado, a maior parte das empresas prefere funcionários temporários, não investindo neles. Mas não se investe no capital humano também porque o endividamento das empresas é grande", refere.

"No fundo, há dois grandes problemas que impedem maior criação de emprego: a escassa autonomia financeira das empresas, que deriva do alto endividamento, e a fraca qualidade da gestão. É claro que parte da responsabilidade recai sobre o próprio trabalhador, que não assume como natural a aprendizagem ao longo da vida. Vê-se no desemprego sem ter tido a preocupação de ir adquirindo novas competências. A reintegração no mercado de trabalho pode ser muito difícil para quem não apostou na formação", conclui Américo Azevedo

Sobre a ciência do lucro e a responsabilidade social

João Cotter Salvado, in o Observador

Portugal é um caso de sucesso a nível mundial na área da inovação social, sendo um dos sete países no mundo que conseguiu nota máxima na política nacional neste campo. Como fazer ainda melhor?

Se há pouco tempo o "social" e o "corporativo" pareciam distantes, hoje é difícil vê-los separadamente. A resolução dos grandes desafios da atualidade, como o envelhecimento da população, o desemprego jovem ou as alterações climáticas, parece requerer a colaboração de todos os setores da sociedade. As empresas são cada vez mais chamadas a intervir e a ter um papel ativo na procura de solução para estes problemas.

Parece evidente que o envolvimento das empresas é benéfico para resolver estes desafios, mas o impacto que pode ter nas empresas propriamente ditas é menos claro. Fará bem às empresas fazer o bem? Fará sentido serem responsáveis?

A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) é um conceito abrangente, mas pode ser considerada como a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais por parte das empresas nas suas atividades. Esta definição tenta, de forma simplificada, captar o essencial de um conceito que pode ser entendido de, pelo menos, 37 formas diferentes. Na prática, a RSC abrange um conjunto diverso de práticas, como é o caso de contribuições financeiras para uma associação local, a promoção de um ambiente de trabalho digno e livre de discriminações ou a redução de poluição ou desperdício nos processos produtivos.

A definição de RSC procura também abranger práticas mais integradas na estratégia da empresa associadas, por exemplo, a conceitos recentes como o de valor partilhado, as empresas B ou a inovação social (vale a pena reler o artigo do também Global Shaper António Miguel com alguns dos melhores exemplos nacionais nesta área).

Em Portugal, a RSC é parte integrante da vida das grandes empresas. De acordo com dados de um relatório da KPMG, mais de 80 das 100 maiores empresas portuguesas reportam iniciativas de RSC (um número que tem vindo a crescer ao longo dos anos). Além disso, Portugal é um caso de sucesso a nível mundial na área da inovação social, sendo considerado um dos sete países no mundo que conseguiu nota máxima em termos de política nacional de estímulo à inovação social. Estes são dados publicados num estudo recente elaborado pela The Economist. Para este sucesso muito contribuíram organizações da sociedade civil, como o Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial (GRACE) ou a Social Business School (IES). Foram incansáveis na construção de um ecossistema favorável à proliferação destas práticas.

A comunidade científica tem estado atenta e curiosa em relação ao desenvolvimento recente da prática da RSC. Neste artigo, vou fazer uma breve viagem pela investigação recente em RSC com o objetivo principal de informar. Inevitavelmente, todos interagimos com muitas empresas, quer seja através do trabalho, da compra de um produto ou mesmo de um investimento. Acredito que o conhecimento pode ser poderoso e se soubermos bem analisar o bem que a RSC faz às empresas, conseguiremos ser mais eficazes ao inspirar as empresas a melhorar as suas práticas nesta área.

Começando a viagem: mas faz mesmo bem às empresas serem responsáveis?

A evidência empírica não é totalmente esclarecedora. Por exemplo, numa análise de mais de 27 mil observações durante um período superior a 20 anos, este artigo conclui que não há uma relação causal entre RSC e a performance financeira das empresas. Estes autores concluem que há, no entanto, uma relação no sentido inverso: as empresas bem sucedidas financeiramente num determinado ano tendem a investir mais em RSC nos anos seguintes. Um outro trabalho, que analisa esta relação para empresas recentemente criadas conclui que a relação entre RSC e a performance financeira da empresa é, em média, negativa. O mesmo resultado foi também encontrado neste artigo para o conjunto das empresas mais importantes do Gana. Níveis mais altos de RSC parecem estar sistematicamente associados a menor sucesso financeiro neste contexto.

Apesar destes estudos, parece haver um consenso relativamente alargado de que a responsabilidade social faz bem às empresas. Na mais completa revisão literária nesta área, onde são examinados 251 estudos sobre a ligação entre RSC e os resultados financeiros das empresas, conclui-se que o efeito é, em média, positivo - mas reduzido.

Parte da razão para o efeito ser reduzido (e por vezes até negativo) pode ter a ver com o facto de os efeitos da RSC só se conseguirem sentir passado algum tempo. Por exemplo, esta avaliação também não encontra qualquer efeito imediato no lucro da empresa, mas concluiu que o conjunto das empresas mais responsáveis tem melhores resultados financeiros e maiores hipóteses de sobreviver a longo prazo, quando comparado com um conjunto similar de empresas menos responsáveis.

Mas então o que muda nas empresas quando estas se tornam mais responsáveis?

Uma grande parte da investigação em Gestão tem-se focado em tentar perceber os diferentes caminhos através dos quais a RSC pode melhorar a performance financeira futura. Continuarei a viagem abordando exatamente isto e focando-me no que, para mim, é o essencial: os efeitos que a RSC tem nas relações importantes que a empresa tem de estabelecer para funcionar bem. Nomeadamente, as relações com colaboradores, clientes e investidores.

Começando pelos primeiros, a RSC permite criar ligações fortes entre os colaboradores e a empresa. Este artigo publicado há poucos meses demonstra que a RSC influencia positivamente a forma como os trabalhadores se identificam com a organização. Esta identificação com a empresa aumenta o empenho e a motivação dos colaboradores. Um trabalho recente conclui que as empresas lançam muitas vezes ações de RSC precisamente para responder ao fraco envolvimento dos seus trabalhadores e prevenir os seus comportamentos adversos (como o absentismo). Aqui demonstra-se, através de dados individuais de mais de 10 mil colaboradores de uma empresa, que a sua participação numa iniciativa corporativa de cariz social aumenta significativamente a retenção desses mesmos colaboradores. E este artigo conclui que a responsabilidade social causa um acréscimo da inovação da empresa por encorajar mais experimentação e aumentar a capacidade inovadora dos seus colaboradores.

No exterior da empresa, a RSC parece ajudar na relação com os clientes. Um artigo que analisa um conjunto de empresas ao longo de um intervalo de dez anos conclui que, quando uma empresa aumenta as doações para causas sociais, as suas receitas crescem em períodos subsequentes. Este efeito tem a ver com a satisfação do cliente e é particularmente significativo no caso de empresas que produzem bens ou serviços diretamente para o consumidor (por exemplo, roupa ou comida). Outro artigo mais recente mostra que os produtos introduzidos no mesmo mês em que uma empresa apoiou um evento de caridade têm maior sucesso (conseguindo serem vendidos por períodos mais longos) quando comparados com produtos similares introduzidos noutros meses.

Finalmente, a RSC parece ajudar a forma como os investidores se relacionam com a empresa. O envolvimento da empresa em RSC é uma forma de sinalizar aos investidores que a empresa está comprometida em criar valor a longo prazo e, por isso, quando as empresas anunciam uma nova ação e RSC, os investidores tendem a responder positivamente. Além deste efeito, a RSC parece funcionar como um género de paraquedas, protegendo a empresa quando algo negativo acontece. Como este artigo conclui, quando as coisas não estão a correr bem (por exemplo, quando a empresa é alvo de uma sanção legal), o envolvimento em RSC ajuda a aliviar a má reação dos investidores. A evidência neste estudo mostra que o efeito paraquedas tem uma duração relativamente curta, sendo importante um investimento contínuo para que ele continue a funcionar.

No geral, este efeito positivo da RSC no fortalecimento de relações importantes com colaboradores, clientes e investidores, estimula o desenvolvimento de aspetos menos tangíveis do negócio (como, por exemplo, a capacidade de a empresa se diferenciar e inovar, a sua reputação ou a sua cultura) que vão permitir à empresa ter melhores resultados financeiros no futuro. Estas relações de confiança vão ajudar as empresas com boa performance financeira a conseguir sustentá-las com maior facilidade e ajudar as empresas com má performance financeira a conseguir melhorá-las.

Como referi, o meu objetivo era partilhar algum do conhecimento académico recente sobre esta ligação, por vezes difícil de compreender, entre a RSC e o lucro. Os desafios que enfrentamos são grandes e tenho a convicção de que temos de garantir que as nossas empresas continuam cada vez mais empenhadas em participar ativamente na sua resolução. Estando mais informados sobre este assunto, podemos aproveitar melhor as nossas interações com as empresas para convencê-las do bem que faz fazer o bem.

João Cotter Salvado é Doutorando em Estratégia e Empreendedorismo na London Business School. É casado, tem 33 anos, e 3 filhos. Juntou-se ao Global Shapers Lisbon Hub em 2013.

O Observador associa-se aos Global Shapers Lisbon, comunidade do Fórum Económico Mundial para, semanalmente, discutir um tópico relevante da política nacional visto pelos olhos de um destes jovens líderes da sociedade portuguesa. Ao longo dos próximos meses, partilharão com os leitores a visão para o futuro do país, com base nas respetivas áreas de especialidade, como aconteceu com este artigo sobre os impactos para a empresa da responsabilidade social corporativa. O artigo representa, portanto, a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da Comunidade dos Global Shapers, ainda que de forma não vinculativa.

Governo cada vez mais perto de acabar com corte no subsídio de desemprego

Maria João Lopes, in Público on-line

BE e executivo só vão fechar temas fulcrais do orçamento na véspera de o entregar no Parlamento

No fim das cerca de três horas de reunião entre o Bloco de Esquerda e o ministro das Finanças, Mário Centeno, muito se conversou sobre o próximo Orçamento do Estado, mas pouco se fechou. Entre as várias questões abordadas, aquela que mais perto ficou de estar resolvida foi o fim do corte de 10% aplicado ao subsídio de desemprego a partir do sétimo mês de atribuição.

De resto, aspectos essenciais do próximo orçamento só deverão ficar totalmente definidos praticamente na véspera da entrega do documento na Assembleia da República, o que acontecerá na sexta-feira. O encontro que aconteceu nesta segunda-feira terá de se repetir até ao fim da semana para afinar ainda vários pontos da versão do orçamento que já circula entre os partidos da chamada “geringonça”.
E esses pontos passam pelo aumento da derrama estadual, por questões relativas ao descongelamento das carreiras e ao IRS, e pelo novo patamar do mínimo de existência (montante até ao qual haverá isenção de IRS). Nenhum está completamente fechado.

Ainda assim, o Governo terá dado sinais de que vai aceitar a exigência de acabar com o corte de 10% no subsídio de desemprego, a partir do sétimo mês. O Bloco de Esquerda quer ainda que o executivo garanta que os trabalhadores da Função Pública que tiverem entretanto as carreiras descongeladas tenham a respectiva actualização salarial até ao fim de 2019.

Governo cede à esquerda: haverá dois novos escalões de IRS sem faseamento
Quanto ao IRS, apesar de já se saber que haverá dois novos escalões e que o alívio fiscal será concentrado nos escalões até aos 40 mil euros, falta definir, por exemplo, a forma de não fazer isso repercutir-se nos patamares seguintes, para quem tem rendimentos mais elevados.

Em que pontos parece estar a haver mais resistência? Na questão do aumento da derrama estadual, por exemplo. O Bloco de Esquerda não se tem cansado de insistir na subida da derrama estadual do IRC para empresas com maiores lucros, mas o Governo tem resistido. Apesar de os bloquistas continuarem confiantes de que conseguirão levar a reivindicação a bom porto, ainda não houve o sim final do executivo. Esta medida seria, segundo o partido coordenado por Catarina Martins, uma forma de obter receita e financiar as alterações no IRS.


Recibos verdes: as mudanças que ficam para mais tarde

Raquel Martins, in Público on-line

Tudo o que fica pendente, a começar pelo subsídio de desemprego para trabalhadores independentes


Mudanças no subsídio de desemprego dos recibos verdes só mais tarde

As contribuições dos trabalhadores a recibo verde para a Segurança Social passam a incidir sobre o último trimestre e cria-se um desconto mínimo de 20 euros, para evitar interrupções na carreira contributiva. Mas na proposta do Governo, a revisão do conceito de entidade contratante e o reforço da protecção no desemprego são adiadas para mais tarde. BE não aceita e quer alternativas.

Entidades contratantes sem alterações
A autorização legislativa dada ao Governo no Orçamento do Estado para 2017 prevê a revisão do regime das entidades contratantes. Mas na proposta que enviou ao BE, continua a manter-se a definição actual. Assim, são consideradas contratantes as entidades que no mesmo ano civil beneficiem de pelo menos 80% do valor total da actividade do trabalhador a recibo verde. Desta forma, continuam a ficar de fora empresas que recorrem esporadicamente a recibos verdes, ao contrário do eu defende o BE.

A contribuição parece que irá manter-se nos 5%, destinando-se à protecção no desemprego destes trabalhadores, algo de que o BE também discorda.

Mudanças na protecção no desemprego só depois de 2019
No regime em vigor, os trabalhadores a recibo verde só em situações muito particulares têm direito a subsídio de desemprego. O BE defende que devem mudar as regras para abranger mais pessoas, mas o Governo remete essas mudanças para “uma fase imediatamente a seguir à revisão do regime contributivo dos trabalhadores independentes”. Ora, tendo em conta que o novo regime é para entrar em vigor em 2019, só depois disso haverá novidades. Até lá mantém-se tudo como está.

Isenção de contribuições mantém-se
Na autorização legislativa dada pelo Parlamento, há o compromisso de “consagrar novas regras de isenção” de contribuições no regime contributivo dos trabalhadores independentes. Mas na proposta que enviou ao BE, o Ministério do Trabalho continua a prever isenção contributiva num conjunto de situações, em particular quando os trabalhadores por conta de outrem acumulam trabalho independente. O BE defende que é preciso ir mais longe e que, nestes casos, a isenção deve depender do rendimento auferido com peso do rendimento do trabalho a recibos verdes no salário por conta de outrrem e deve ser reservada apenas a quem tem menos rendimentos.

Descontos passam a ter como referência o trimestre anterior
A contribuição a pagar pelos trabalhadores a recibo verde passará a incidir sobre os rendimentos auferidos no trimestre anterior (agora tem por base o rendimento dos últimos 12 meses). A proposta do Governo, que está a ser negociada com o BE, prevê ainda que o trabalhador, quando faz a declaração trimestral, possa optar por diminuir ou aumentar até 20% o valor total da prestação de serviços ou de vendas nos últimos três meses.

Todos os trimestres, os trabalhadores independentes têm de declarar à Segurança Social o montante mensal de prestação de serviços e de vendas relativo aos últimos três meses. Nesse momento, o trabalhador é informado do montante mensal de contribuições a pagar nos três meses seguintes, tendo por base o rendimento relevante apurado. Na ausência de declaração, o sistema gera uma declaração oficiosa correspondente à contribuição mínima.

A proposta do Governo é que o novo regime só entre em vigor a 1 de Janeiro de 2019. Este será o mês em que será feira a primeira declaração trimestral, tendo por base o rendimento do quarto trimestre de 2018.
Se o trabalhador não pagar dentro do prazo continuam a ser-lhe aplicadas contra-ordenações leves ou graves.

Taxa mantém-se nos 29,6%
A taxa contributiva a aplicar sobre este rendimento continuará a ser de 29,6% (acima dos 11% exigido aos trabalhadores por conta de outrem), excluindo a eventualidade do desemprego. O BE defende que a taxa deve baixar para 16%, pondo as entidades contratantes a pagar outros 16%.

Contribuição mínima de 20 euros
Actualmente, quando tem uma actividade intermitente, o trabalhador ou cessa actividade ou pede para descontar menos (algo que envolve um processo burocrático). A proposta do Governo, em linha com o que foi acordado com o BE, é que os trabalhadores nesta situação possam manter-se no sistema pagando uma contribuição mínima de 20 euros. O objectivo é assegurar estabilidade na carreira contributiva e revenir situações de ausência de prazo de garantia na atribuição de prestações sociais.
A proposta prevê ainda a existência de um máximo de contribuições correspondente à taxa contributiva a multiplicar por 12 Indexantes de Apoio Sociais (que este ano é de 421,32 euros).

Subsídio de desemprego sobe entre 7 e 17 euros em 2018

Lucília Tiago, in Diário de Notícias

Atualização do indexante de apoios sociais vai impulsionar uma das maiores subidas das prestações de apoio a desempregados. IAS é referência também para as pensões

É uma cascata de boleias. Por causa do desempenho da economia e de a inflação estar neste ano mais alta do que em 2016, o indexante de apoios sociais (IAS) terá em 2018 uma das maiores subidas desde que foi criado, e à boleia do IAS aumenta também o subsídio de desemprego, cujos valores máximo e mínimo terão no próximo ano acréscimos a rondar os 7 e os 17 euros, respetivamente.

Desde 2012 que o subsídio de desemprego está balizado entre 1 e 2,5 IAS - valor máximo que um desempregado tem direito depois de aplicada a fórmula de cálculo desta prestação social. Como o indexante de apoios sociais esteve congelado entre 2010 e 2016, os beneficiários do subsídio de desemprego que atravessaram aquele período nunca tiveram qualquer atualização.

Neste ano, o governo decidiu acabar com o congelamento da fórmula de atualização do IAS e o mesmo se perspetiva para 2018. A grande diferença é que desta vez a inflação é mais alta e a economia está a crescer a um ritmo que permitirá que o IAS aumente de forma mais expressiva.

O IAS é atualizado em linha com a inflação (sem habitação) medida no final do ano, a que se soma 0,5% quando a economia cresce entre 2% e 3%. Se a taxa de inflação média se mantiver próxima do valor registado em agosto (1,1%), o IAS será atualizado em 1,6%, ou seja, dos 421,3 euros atuais passará para os 428 euros.

Desta forma, a subida do valor mínimo do subsídio desemprego avançará também na mesma proporção. E o valor mais alto que pode ser atribuído a um desempregado sobe dos atuais 1053,25 euros para 1070 euros, o que dá um acréscimo de quase 17 euros.

A atualização do IAS irá ter efeito noutras prestações sociais, já que este indexante serve igualmente de referência para o cálculo do subsídio social de desemprego, para aferir os utentes do serviço nacional de saúde com direito a isenção de taxas moderadoras ou ainda, entre outras, para o cálculo das bolsas de estudo dos alunos do ensino superior.

A este acréscimo do subsídio de desemprego poderá somar-se o fim do corte dos 10% que atualmente é aplicado a todos os desempregados ao fim dos primeiros seis meses de aplicação. Esta é uma medida reclamada pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda, mas a eliminação deste corte está dependente da evolução das negociações em torno do Orçamento do Estado, já que custará cerca de 40 milhões de euros. Além disso, a simples atualização do IAS terá impacto orçamental e um dos mais relevantes será justamente a nível do subsídio de desemprego. É que, apesar de o desemprego estar a diminuir, esta é uma das prestações sociais que mais pesam no Orçamento da Segurança Social, ultrapassando os mil milhões de euros.

Dia Mundial da Saúde Mental. Vamos cuidar da nossa?

in Notícias ao Minuto

Mudar alguns dos comportamentos mais comuns dp dia a dia pode ser a forma mais eficaz e segura de reduzir o risco de demência.

Celebra-se esta terça-feira o Dia Mundial da Saúde Mental, uma data que pretende captar a atenção de todos para a necessidade de cuidar da mente o mais cedo possível... e todos os dias.

Para assinalar a data - que ganha cada vez mais destaque um pouco por todo o mundo -, a Alzheimer Portugal lança um alerta: tudo aquilo que fazemos tem um impacto mais ou menos direto na saúde da nossa mente. E prova disso são os hábitos diários mais rotineiros, que tanto podem funcionar para o bem como para o mal da saúde mental.

Num comunicado enviado às redações, o organismo destaca alguns dados publicados recentemente na revista científica The Lancet e que defendem que é possível evitar um em cada três casos de demência. Como? Basta travar os principais fatores de risco que resultam dos maus hábitos, como é o caso da obesidade, da diabetes, da hipertensão e do sedentarismo. Mas não só. Estes são os potenciais responsáveis pela má saúde mental que se irá verificar num futuro um tanto ou quanto próximo.

"Infelizmente, os grandes fatores de risco para a demência - a idade e os genes - não são possíveis de controlar. Por isso mesmo, é importante fazer o que está ao nosso alcance: adotar um estilo de vida saudável e alterar os nossos hábitos", destaca José Carreira, presidente da Alzheimer Portugal.

E como a prevenção da demência depende em grande parte de nós, a Alzheimer Portugal dá a conhecer aqueles que são os sete passos a ter em conta para cuidar da saúde mental todos os dias:

1 - Lembre-se do seu cérebro, mantendo-o ativo;

2 - Lembre-se da sua alimentação, optando por escolhas saudáveis. E estes são os melhores alimentos para o cérebro;

3 - Lembre-se da sua saúde, praticando exercício físico;

5 - Lembre-se da sua vida social, participando em atividades conjuntas;

6 - Lembre-se dos seus hábitos, abdicando do tabaco, das bebidas alcoólicas e da má qualidade de sono;

Presépio de Priscos deu trabalho a 18 reclusos durante três anos

in Correio do Minho

Já lá vão três anos desde que a Paróquia de Priscos dá trabalho a reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga, o que decorre de um protocolo assinado, no âmbito do Presépio ao Vivo de Priscos, com a Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP).

Neste período de três anos foram 18 os detidos envolvidos na construção do Presépio Vivo de Priscos. São pessoas que encontram neste gesto um passo importante para “uma segunda oportunidade de reintegração social a pessoas que, por vezes, não tiveram sequer uma primeira oportunidade”, refere o padre João Torres, pároco de Priscos.

“Já passaram por aqui, ao longo destes três anos cerca de 18 reclusos. Cumprindo a sua pena de reclusão entraram também num processo de humanização, porque acredito que estas pessoas se possam reintegrar na sociedade e não há melhor forma de integração do que o trabalho”, afirmou.

O pároco considera que a situação da reclusão é “uma das áreas onde se evidenciam grandes índices de pobreza e de exclusão social extrema”. O sacerdote assume o princípio de que “enquanto cidadãos podemos e devemos ser capazes de apoiar na redução da reincidência”, e por outro lado, “no aumento dos casos de integração de sucesso na comunidade”, e isso levou-o a reflectir e a propor uma ideia de intervenção, no Presépio ao Vivo de Priscos.
Os dividendos tirados da solidariedade dos visitantes do Presépio ao Vivo de Priscos e a ajuda do Município de Braga, através do Orçamento Participativo suportam o pagamento aos reclusos, para “compensar o trabalho prestado por cada um, na proporção do esforço despendido e em função do número de dias de trabalho”.

A remuneração é de 419,22 euros, a que acresce uma percentagem de 10% que reverte para os Serviços Prisionais. Esta espécie de salário é depositado na conta individual dos reclusos, mas só pode ser utilizada pelos beneficiários uma parte do valor, a outra só após cumprida a pena. Trata-se de um incentivo após a liberdade.

Os reclusos cumprem um horário de trabalho entre as 8.30 e as 17 horas, com intervalo de 60 minutos para almoço, entre as 12 e as 13 horas. São acompanhados por um guarda prisional. “Ao longo destes três anos o guarda Ribeiro foi muito mais que um vigia, foi conselheiro, psicólogo e técnico de reinserção social”, refere o abade de Priscos.

A selecção dos reclusos fica a cargo do estabelecimento prisional de Braga, que selecciona os reclusos com competências para a realização das tarefas propostas e têm de respeitar vários critérios, nomeadamente terem cumprido uma parte substancial da pena ou já terem realizado sem quaisquer problemas saídas precárias, entre outras condições.

“Este tipo de trabalho no exterior é inquestionavelmente, um elemento positivo e primordial no tratamento penitenciário, pela utilidade social que se reveste e pela valorização que proporciona ao indivíduo, sendo também, um elemento de coesão social, na medida em que permite estabelecer e consolidar relações sociais. Através do exercício de uma actividade laboral estruturada e continuada, os reclusos desenvolvem competências pessoais e sociais, nomeadamente ao nível da aquisição de hábitos de trabalho, cumprimento de horários e regras e gestão das relações laborais”, acrescenta.

Há menos desempregados face a 2008 mas as taxas são iguais. Saiba porquê

Pedro Araújo, in Dinheiro Vivo

Taxa de desemprego atual iguala novembro de 2008, mas há agora menos 17,7 mil sem trabalho.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu, na última sexta-feira, em baixa de 0,2 pontos percentuais a taxa de desemprego de julho para 8,9%, o valor mais baixo desde novembro de 2008, estimando para agosto a manutenção do mesmo valor. Apesar de a taxa ser igual à verificada em novembro de 2008, os 8,9% agora apurados equivalem a menos 17,7 mil desempregados comparativamente aos números de há nove anos. Recuando a novembro de 2008, o número de desempregados era 479,1 mil, sendo que o valor estimado para agosto é de 461,4 mil, isto é, menos 17,7 mil para a mesma taxa apurada no espaço de quase uma década. A explicação reside no conceito de taxa: trata-se da relação entre o número de desempregados e a população ativa. Ora, esta última diminuiu em cerca de 355 mil pessoas entre 2008 e a atualidade, tornando possível que a um diferente número de pessoas sem trabalho corresponda a mesma taxa de desemprego.

A estimativa provisória da população desempregada representa um aumento de 0,4% (1,8 mil) em relação ao mês anterior (julho de 2017) e diminuído 2,6% (12,4 mil) face ao observado três meses antes (maio de 2017). Quanto ao valor apurado para julho, este representa uma descida em 0,2 pontos percentuais face ao mês anterior e menos 0,6 pontos percentuais em relação a três meses antes, sinaliza o INE. Já a estimativa provisória da população empregada foi de 4,697,8 milhões de pessoas, tendo diminuído 0,1% (5,1 mil) face ao mês anterior (julho de 2017) e aumentado 0,5% (25,4 mil) em relação a três meses antes (maio de 2017), sinaliza o INE. De acordo com o INE, em agosto, a taxa de desemprego das mulheres (9,4%) excedeu a dos homens (8,5%) em 0,9 pontos percentuais, tendo-se a primeira mantido inalterada face ao mês anterior e a segunda aumentado 0,1 pontos percentuais. A taxa de desemprego dos jovens situou-se em 24,6% e aumentou 1,6 pontos percentuais em relação ao mês precedente. Já a taxa de desemprego dos adultos foi de 7,7% e diminuiu 0,1 pontos percentuais em relação àquele mês. O bom desempenho de Portugal no combate ao desemprego é confirmado pelos números, mesmo quando é feita uma comparação europeia. O desemprego em Portugal atingiu o seu pico em 2013, com um total de 855 mil desempregados. Usando aquele ano como ponto de partida, constata-se que em 2016 já havia menos 284 mil pessoas sem trabalho. Uma queda de 33%, marca só superada pela Irlanda (-39%) e acima de Espanha (-26%) e Grécia (-15%). A média da Zona Euro foi de menos 16%.

Tecnologias inovadoras de apoio a idosos apresentadas em Coimbra

in i9 Magazine

O Active and Assisted Living Forum 2017 é um dos maiores eventos europeus no âmbito do envelhecimento ativo e saudável aliado à utilização de novas tecnologias e sistemas inteligentes. Realiza-se em Coimbra de 2 a 4 de outubro.

Em conjunto com o Ageing@Coimbra, Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável, o AAL Forum vai promover o envolvimento dos utilizadores finais (idosos) na comunidade que desenvolve produtos e serviços para este mercado. Numa iniciativa inédita para a edição deste ano, está a ser organizado o “Stand Award” – distinção qualitativa outorgada pelo Ageing@Coimbra – para o stand com melhor avaliação feita pelos idosos que visitam o evento.

CogniWin ajuda idosos a continuarem ativos e produtivos no local de trabalho
O projeto CogniWin, desenvolvido no Laboratório de Automática e Sistemas do Instituto Pedro Nunes, é uma das tecnologias que marca presença no AAL Forum. Trata-se de um sistema inovador e personalizado para motivar os idosos a continuarem ativos e produtivos no seu ambiente laboral, melhorando a sua eficiência através de diversos componentes de software (assistente de tarefas, assistente de bem-estar) e dispositivos (rato inteligente com sensores, sistema de seguimento do olhar).

O CogniWin ajuda os idosos a superar eventuais dificuldades relacionadas com a diminuição gradual da memória e das capacidades cognitivas, ao mesmo tempo que contribui para aumentar as suas potencialidades de aprendizagem, resultando numa melhor aceitação da mudança organizacional e da infraestrutura. Este projeto funciona em consórcio na Universidade de Geneva (CH), Microsoft (PT), Orbis (NL), AIT (AT), ArgYou (CH), Ingenieria y Soluciones Informaticas (ES) e Citard (CY).

Robot melhora qualidade de vida de idosos que vivem sozinhos
O Grow Me Up é um robot inteligente equipado com um software que auxilia idosos em tarefas quotidianas e dá o alerta em caso de urgência. Permite avisar as pessoas de que têm de tomar a medicação, lembrá-las das tarefas que têm programadas para aquele dia ou detetar quedas. Este é um projeto liderado pelo Instituto de Sistemas e Robótica da Universidade de Coimbra e que envolve parceiros de outros países europeus.
O Grow Me Up, que está a ser testado na Cáritas Diocesana de Coimbra, permite ainda uma interação com o idoso, analisando o seu comportamento e detetando as suas preferências. Se, por exemplo, o utilizador não cumprir a rotina que tem planeada ou que costuma normalmente cumprir, o robot vai questionar o idoso e avisar o cuidador do que se está a passar. Esta tecnologia permite um acompanhamento permanente ao idoso que, em situação de perigo, pode contactar com o exterior.

Ministra defende que envelhecimento ativo e saudável requer políticas transversais

in Diário de Notícias

A ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, sublinhou hoje que o envelhecimento ativo e saudável requer políticas transversais, sendo necessário um trabalho conjunto com os diferentes agentes.

"Como é que melhoramos a qualidade de vida as pessoas? As respostas tradicionais já não são suficientes para lidar com o problema" do envelhecimento, notou Maria Manuel Leitão Marques, que falava durante a abertura oficial do Active and Assisted Living Forum, evento focado nas tecnologias em torno de envelhecimento ativo e que decorre este ano em Coimbra.

Para a ministra, as mudanças demográficas que ocorreram em Portugal nas últimas décadas representam "um enorme desafio para Portugal", para a sua administração, mas também para as universidades, empresas e organizações do setor social.
Segundo a membro do Governo, os agentes - públicos e privados - têm de ser "inovadores e procurar novas respostas", cuja inovação não precisa de ser apenas tecnológica, mas também "social".

"Temos que lidar com o problema através de uma resposta multidisciplinar, combinando diferentes capacidades e também diferentes políticas públicas, da ciência à cultura, da saúde à educação", defendeu Maria Manuel Leitão Marques, que fez o seu discurso em inglês.

De acordo com a ministra, é preciso os diferentes níveis da administração pública trabalharem "juntos e cooperarem muito mais", bem como garantir um envolvimento dos agentes privados e sociais para garantir uma mudança.

O fórum realiza-se no Convento São Francisco, onde vão ser apresentadas tecnologias que estão a ser desenvolvidas para o mercado do envelhecimento ativo e saudável.

São esperados cerca de 750 participantes, a maioria estrangeiros, e serão apresentadas mais de 20 tecnologias em torno do envelhecimento ativo.
A edição do fórum em Coimbra é organizada pelo Instituto Pedro Nunes, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Município de Coimbra, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e Universidade de Coimbra.

Eurostat: Desemprego recua na zona euro e na União Europeia em agosto

in Sapo Notícias

A taxa de desemprego baixou, em agosto e na comparação homóloga, para os 9,1% na zona euro e para os 7,6% na União Europeia (UE), sendo nesta o valor mais baixo desde novembro de 2008, divulga o Eurostat.

Na zona euro, a taxa de desemprego manteve-se estável face ao mês anterior, mas recuou 0,8 pontos na comparação com agosto de 2016.

De acordo com o gabinete oficial de estatísticas da UE, no conjunto dos 28 Estados-membros, a taxa de desemprego recuou 0,1 pontos em cadeia e 0,8 em termos homólogos (era 7,7% em agosto de 2016).

Entre os Estados-membros, as taxas de desemprego mais baixas foram registadas na República Checa (2,9%), na Alemanha (3,6%) e em Malta (4,2%) e as mais altas na Grécia (21,2% em junho) e em Espanha (17,1%).

Em Portugal, a taxa de desemprego manteve-se estável nos 8,9% face a julho, mas recuou na comparação com os 10,9% homólogos.

Em termos homólogos, o desemprego recuou em todos os Estados-membros exceto a Finlândia, onde se manteve estável.

VILA DE REI - “Semana do Envelhecimento Ativo” com várias atividades

in Rádio Condestável

Vai ter lugar em Vila de Rei, entre os dias 30 de outubro e 4 de novembro, nova edição da semana do envelhecimento ativo. Trata-se de uma parceria entre o Município Vilarregense e a Comissão de Proteção do Idoso em Risco de Vila de Rei (CPIRVR), CLDS 3G e Centro de Saúde de Vila de Rei.
O programa da iniciativa inclui a realização de diversas ações e atividades de prevenção e de sensibilização em áreas como a saúde, cultura, desporto e educação, com destaque para a realização de rastreios de saúde, ação de sensabilização com a GNR, palestra sobre nutrição, atividades desportivas diversas e uma visita à Feira Nacional do Cavalo, na Golegã.

A iniciativa tem como destinatários os Vilarregenses com idade igual ou superior a 50 anos, não sendo necessária qualquer inscrição.
Ricardo Aires, presidente da câmara adianta em nota enviada à comunicação social que “a Semana do Envelhecimento Ativo pretende desenvolver um conjunto de iniciativas que promovem a autonomia e independência da nossa população sénior, promovendo a sua participação ativa a nível social, cultural e cívico, contribuindo assim para o seu bem-estar físico, psíquico e social.”

De acordo com o programa, dia 30 de outubro, entre as 10:00 e as 12:00 decorrerá uma aula de hidroginástica e jogos tradicionais, na piscina e no polidesportivo. Entre as 14:00 e as 16:00 terá lugar uma aula aberta de artes decorativas da Universidade Sénior na biblioteca. Dia 31, decorrerão rastreios de saúde abertos a toda a comunidade, durante a manhã, no edifício do Mercado Municipal. À tarde destaque para a ação de sensibilização sobre burlas, com a GNR, na biblioteca. Dia 2 de novembro, pela manhã, nova sessão de rastreios de saúde e à tarde a biblioteca recebe uma palestra sobre nutrição. Na sexta-feira, dia 3, terão lugar jogos de tabuleiro na biblioteca e À tarde decorrerá uma visita à destilaria e lagar municipal com direito a lanche convívio. Esta semana termina dia 4 com uma visita à Feira do Cavalo, na Golegã, sendo que as inscrições continuam abertas e podem ser feitas até dia 31 de outubro.



Rendimento Básico Incondicional. O subsídio que promete liberdade para trabalhar

Sara de Melo Rocha, in TSF

Phillipe Van Parijs, um dos maiores defensores do Rendimento Básico Incondicional, esteve em Lisboa para falar sobre desigualdades no 7.º encontro anual da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Para falarmos de Rendimento Básico Incondicional (RBI) temos de recuar até ao século XVI. Em "Utopia", Thomas More defendeu um rendimento básico para os pobres. Mais tarde, Milton Friedman voltou a abordar o tema no livro "Capitalismo e Liberdade" mas o tema está a ganhar força ultimamente, sobretudo desde que a Finlândia decidiu testar a teoria.

Durante dois anos, dois mil finlandeses desempregados vão receber um rendimento de 560 euros mensais em troca de nada. Esta é a base do RBI. Cada cidadão tem direito a um subsídio, simplesmente por existir.

O belga Philippe Van Parijs, especialista em filosofia política e económica e um dos defensores contemporâneos mais acérrimos do RBI, explica que o conceito assenta em três características fundamentais. É individual, universal e incondicional.

Sara de Melo Rocha conversou com o filósofo Philipe Van Parijs.

Primeiro, "é estritamente individual. Não é necessário saber com quem vive para determinar se tem direito ou não a recebê-lo. Segundo, é universal no sentido em que é dado tanto aos pobres como aos ricos. Não é necessário saber quanto ganha para determinar se tem direito ou não a recebê-lo. E terceiro, é incondicional no sentido que é livre de obrigações. É-lhe dado mesmo que possa trabalhar mas tenha decidido criar os seus filhos ou tenha parado para estudar ou tenha decidido fazer uma pausa no trabalho", explicou.

Philippe Van Parijs admite que a ideia possa causar um revirar de olhos entre muitos mas garante que é possível financiar este rendimento. O filósofo defende a eliminação de todos os subsídios abaixo do valor do rendimento básico incondicional e a substituição da isenção de impostos das camadas mais baixas pelo rendimento básico de forma a financiar o RBI.

Cada português receberia cerca de 300 euros
O montante do RBI difere de país para país e é determinado através do PIB nacional. "Os níveis que temos em mente para uma implementação imediata rondariam os 15% do PIB per capita. Os 560 euros da Finlândia estão um pouco acima disso mas, a começar com valores mais modestos, em Portugal poderia ser algo à volta dos 300 euros".

Van Parijs deixa claro que o RBI não substitui todos os elementos do Estado Social como o subsídio de desemprego, as pensões por invalidez e reforma. "Se alguém receber 700 ou 800 euros de subsídio de desemprego, essa pessoa receberia 300 ou 400 euros de rendimento básico de forma incondicional e depois haveria um complemento que seria condicional e estaria dependente da disponibilidade para trabalhar porque faz parte de um subsídio de desemprego", exemplificou.

O RBI surge como combate à pobreza mas Van Parijs garante que se trata sobretudo de um instrumento de liberdade que vai para além do modo de vida que temos hoje.

"O rendimento básico é algo que te dá a liberdade de dizer 'sim' a certas atividades, incluindo trabalho mal pago porque liberta as pessoas da armadilha do desemprego". O filósofo explicou que, nas atuais circunstâncias, um desempregado que aceite um emprego em part-time, perde o subsídio de desemprego. "Já o rendimento básico ajudaria as pessoas a encontrar trabalho em vez de os aprisionar a uma situação de desemprego", defendeu. Van Parijs argumentou que o RBI concederia também "mais liberdade para dizer 'não' a alguns empregos".

A ameaça do trabalho automatizado
Mas se todos fazem um trabalho que gostam, quem faz afinal os trabalhos que ninguém quer? Van Parijs prevê que muitos trabalhos passem a ser automatizados e substituídos por robots. Relativamente ao trabalho impossível de automatizar, o filósofo acredita que os empregadores terão de "melhorar a qualidade desse emprego", através de melhores condições e salários mais elevados.

Philippe Van Parijs explica que o direito ao trabalho vai deixar de ser uma imposição, direcionando os cidadãos para fazerem aquilo que querem mesmo fazer. Mas como evitar que as pessoas deixem simplesmente de trabalhar?

"Creio que há um medo de que as pessoas deixem de trabalhar, um medo provavelmente criado por pessoas que têm receio de ter de começar a contribuir para o rendimento básico. Mas o direito e o dever de trabalhar não será abolido com a introdução do rendimento básico", argumentou.

Mas afinal todos recebem?
Um dos problemas do RBI é poder motivar uma corrida oportunista ao subsídio por parte de estrangeiros. Philippe Van Parijs explica que para proteger o sistema o rendimento teria de ser barrado a estrangeiros, mas numa Europa de Schengen como controlar? Van Parijs explica que a solução chama-se eurodividendo. "Não está restrito a cidadãos europeus mas sim a residentes fiscais na União Europeia ou nos países membros da zona euro. Seria financiado pelo IVA a nível europeu e estaria protegido contra migração interna porque para onde quer que você fosse, receberia".

O filósofo belga defende que o eurodividendo teria um papel importante em termos de estabilizador macroeconómico para a sustentabilidade do euro. "Seria também também um estabilizador demográfico, de forma a reduzir a imigração de países mais pobres como a Roménia e a Bulgária e ajudaria a dar legitimidade à União Europeia", acrescentou.

Philippe Van Parijs defende que agora é tempo para pensar sobre a ideia, criar coligações entre visionários, impulsionadores de mudanças e políticos.
O filósofo belga admite que é um trabalho difícil mas defende que um dia o RBI será dado como adquirido. "Um dia nos perguntaremos como é que vivemos tanto tempo sem o benefício universal, da mesma forma que nos questionamos hoje como foi possível viver tanto tempo sem o sufrágio universal", rematou.

Taxa de desemprego da região Norte baixa no último trimestre do ano

in Porto Canal

O desemprego baixou na região Norte no último trimestre deste ano. Os dados indicam que foi na sub-região do Alto Minho onde se verificou a maior descida. Também no Tâmega e Sousa o emprego aumentou graças ao setor do têxtil.

Anulações do subsídio de desemprego caem para metade no 1.º semestre

in Diário de Notícias

O número de pessoas com subsídio de desemprego anulado por incumprimento das obrigações perante os centros de emprego caiu 47% para 991 no primeiro semestre face ao período homólogo, segundo um relatório a que a Lusa teve hoje acesso.
Os dados constam do relatório de atividades referente ao primeiro semestre de 2017 da Comissão de Recursos do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

A redução para quase metade das anulações "ocorre num quadro geral de descida do desemprego e do número de desempregados subsidiados", lê-se no documento.
Para a redução das anulações do subsídio de desemprego no primeiro semestre contribuiu a diminuição verificada na região de Lisboa e Vale do Tejo, dado o peso significativo que esta tem no total das regiões (660 anulações, ou seja, 67% do total).
De acordo com o relatório, 87 pessoas apresentaram recurso a contestar a anulação da prestação e 28 viram devolvidos os seus subsídios de desemprego.
Apesar de o relatório semestral não avançar quais os motivos para as anulações, uma das principais razões apontadas nos balanços anuais é habitualmente a falta de comparência obrigatória à convocatória do serviço de emprego.

Prémio BPI Seniores para instituições do Baixo Alentejo

JS, in Diário do Alentejo

No âmbito da cerimónia da 5ª edição do Prémio BPI Seniores, realizada no passado dia 2, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, foram entregues 700 mil euros a 27 instituições de solidariedade, para apoiar projetos que promovam a inclusão social e o envelhecimento ativo de pessoas com mais de 65 anos.

Duas instituições do Baixo Alentejo, o Centro de Apoio a Idosos de Moreanes (CAIM), Mértola, e a Santa Casa da Misericórdia de Aljustrel (SCMA), estão entre as instituições distinguidas, tendo sido premiadas com menções honrosas. 
Miguel Bento, presidente do CAIM, em declarações ao “Diário do Alentejo”, considera que este prémio é importante, “pois simboliza o reconhecimento do nosso trabalho que, para além do apoio social que presta aos seus utentes, é também uma das maiores entidades empregadoras do concelho”. 
A menção honrosa, com um valor pecuniário de 37 304 euros, a ser utilizado no prazo de um ano, distinguiu o projeto candidatado Ajuda no Cuidar, que se “destina a dar resposta a um segmento da população idosa, os doentes de Alzheimer, assim como aos cuidadores, quer sejam informais (familiares, vizinhos, amigos) ou formais. O projeto, que iremos desenvolver já a partir deste mês, prevê basicamente a formação dos referidos cuidadores, tendo em vista o reforço das suas competências para o ato de cuidar, acompanhamento psicossocial, assistência jurídica e cedência de algumas ajudas técnicas. Este projeto tem ainda uma dimensão experimental, na perspetiva de que possa vir a ser replicado noutros territórios e por outras organizações”, refere Miguel Bento. 

Também Manuel Joaquim Frederico, provedor da SCMA, atribui a este prémio, de 13 953 euros, que distinguiu o projeto Banco de Ajudas Técnicas Comunitário, candidatado por esta instituição, “uma extrema importância, uma vez que vai permitir realizar um serviço de reabilitação física, disponibilizando materiais e equipamentos adaptados à recuperação de pessoas idosas, como sejam: cadeiras de rodas, andarilhos, bengalas, canadianas, colchões anti escaras, entre outros”. E consiste ainda, adianta o provedor, “no aconselhamento, orientação e acompanhamento técnico especializado, gratuito, de cuidadores e familiares”.
Segundo Manuel Joaquim Frederico, este projeto “surge como uma resposta inovadora, adequada e específica que permitirá a melhoria da qualidade de vida e o envelhecimento ativo das pessoas com mobilidade condicionada no seu domicílio”.

4.10.17

CINTESIS quer pôr tecnologias ao serviço das pessoas mais velhas

Olga Estrela Magalhães, in UP

CINTESIS quer pôr tecnologias ao serviço das pessoas mais velhas

Professora no ICBAS, Constança Paúl lidera um grupo de investigação sobre envelhecimento no CINTESIS

Sabia que há dispositivos tecnológicos que ajudam a prevenir as quedas das pessoas mais idosas? E que há app’s que facilitam a gestão dos indicadores de saúde dos mais velhos? Está familiarizado com os sistemas de prevenção e deteção de fogos? Ou com o uso das tecnologias para apoiar os pacientes que sofrem de demência?

É para dar a conhecer estas e outras soluções que uma equipa de investigadores e empresários está a desenvolver o ActiveAdvice – um projeto, financiado em 1,3 milhões de euros, que disponibilizará uma plataforma europeia onde as pessoas mais velhas e os seus familiares ou outros cuidadores poderão encontrar produtos e serviços especialmente desenhados para responder às suas necessidades e obterem aconselhamento acerca das soluções mais adequadas à situação que vivem.

Os investigadores portugueses, sob a coordenação de Constança Paúl, pertencem ao CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e defendem que a utilização das “tecnologias pode ter um propósito preventivo (ajudando, por exemplo, a evitar quedas), ou de compensação e assistência em casos de perda de funcionalidade (por exemplo, softwares para reabilitação física ou cognitiva)”.

“Sabemos que a maioria das pessoas mais velhas prefere permanecer na sua casa, na sua comunidade – desde que seja capaz de manter um nível desejado de autonomia e de bem-estar”, explica Constança Paúl, que acredita que “o uso dos dispositivos de comunicação e as tecnologias podem contribuir em larga medida para aumentar o bem-estar dos idosos”.

De acordo com os censos de 2011, a população idosa portuguesa aumentou 19% na última década. Aumenta assim a necessidade perceber, explicar e intervir no processo de envelhecimento, que se traduz na necessidade de se prestar cuidados a um número crescente de pessoas com idade avançada, que apresentam maior probabilidade de sofrerem problemas de saúde, perda de funcionalidade e, consequentemente de passarem pela experiência de institucionalização e/ou institucionalização.

Ainda que seja verdade que a utilização das tecnologias seja menor entre pessoas mais velhas – a reduzida literacia informática é ainda um desafio considerável nesta faixa etária – “dados europeus de 2016 demonstram que 57% das pessoas com idades entre os 55 e os 74 anos utilizavam a Internet pelo menos uma vez por semana, o que representa um aumento significativo face a 2004, ano em que apenas 7% das pessoas deste grupo etário utilizavam a Internet”, explica Soraia Teles, investigadora do CINTESIS envolvida no projeto.

Também em Portugal o Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias de 2016 (INE) reporta uma taxa de utilização da Internet de 47% para a faixa etária dos 55 aos 64 anos e de 28% para a faixa etária dos 65 aos 74 anos. Atividades como consultar notícias ou pesquisar por informação relacionada com a saúde são as mais desempenhadas online por este grupo etário. Falta agora que esse potencial seja usado para responder de forma mais eficiente aos problemas específicos da população mais idosa.

“Uma maior adesão a estas tecnologias depende da sua adequação às necessidades e requisitos das pessoas mais velhas e dos seus cuidadores. É fundamental que se consciencialize o público em geral para a existência destas soluções e para os seus potenciais efeitos positivos”, salienta Soraia Teles.

Este projeto não é responsável pelo desenvolvimento de soluções para os problemas e limitações que afetam os mais idosos. Na verdade, existem já muitas e boas soluções, desenvolvidas e comercializadas na União Europeia. “O que falta é que essas soluções sejam do conhecimento público e passem a ser usadas pelo grupo da população que precisa delas e pode beneficiar com o seu uso”, esclarece Constança Paúl, investigadora do CINTESIS e professora no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).

As informações para idosos e cuidadores do projeto ActiveAdvice (http://activeadvice.eu/) estão em fase de desenvolvimento, encontrando-se, neste momento, disponíveis em inglês. Em breve, estarão acessíveis mais conteúdos, em diferentes línguas europeias, incluindo o português.

Programa Aconchego volta a promover o encontro entre estudantes e seniores

in Porto.

Estão abertas as candidaturas para os estudantes e cidadãos seniores que desejam participar no Programa Aconchego. "Quem estuda tem casa; quem tem casa tem companhia" é o conceito de uma iniciativa que aproxima gerações.

Criado pela Câmara do Porto em parceria com a Federação Académica do Porto, o programa promove o alojamento de estudantes universitários em casa de seniores residentes na cidade.

O projeto proporciona aos aderentes a troca de experiências entre gerações, a companhia para o sénior e a redução das despesas de alojamento para o estudante. Os estudantes contribuem simbolicamente em géneros, que podem ser alimentares, para comparticipar no acréscimo de despesas como água, luz e gás.

A partir de duas dificuldades detetadas, os constrangimentos económicos que as famílias demonstram em ter um filho a estudar fora do local de origem e o sentimento solidão que os seniores por vezes afirmam sentir, aliado à preocupação que muitos dos filhos sentem por os pais viverem sozinhos, obteve-se assim uma dupla solução.

As candidaturas ao programa estão abertas todo o ano.

+info: Departamento Municipal de Desenvolvimento Social da Câmara do Porto | email otiliaoliveira@cm-porto.pt | telefone 22 589 92 60

Recorde o conceito Aconchego e testemunhos de participantes em vídeo-reportagem realizada em fevereiro deste ano.

Eurostat: Desemprego recua na zona euro e na União Europeia em agosto

in SapoNotícias

A taxa de desemprego baixou, em agosto e na comparação homóloga, para os 9,1% na zona euro e para os 7,6% na União Europeia (UE), sendo nesta o valor mais baixo desde novembro de 2008, divulga o Eurostat.

Na zona euro, a taxa de desemprego manteve-se estável face ao mês anterior, mas recuou 0,8 pontos na comparação com agosto de 2016.

De acordo com o gabinete oficial de estatísticas da UE, no conjunto dos 28 Estados-membros, a taxa de desemprego recuou 0,1 pontos em cadeia e 0,8 em termos homólogos (era 7,7% em agosto de 2016).

Entre os Estados-membros, as taxas de desemprego mais baixas foram registadas na República Checa (2,9%), na Alemanha (3,6%) e em Malta (4,2%) e as mais altas na Grécia (21,2% em junho) e em Espanha (17,1%).

Em Portugal, a taxa de desemprego manteve-se estável nos 8,9% face a julho, mas recuou na comparação com os 10,9% homólogos.

Em termos homólogos, o desemprego recuou em todos os Estados-membros exceto a Finlândia, onde se manteve estável.

Pôr os olhos" nele e baixá-los de vergonha

Ferreira Fernandes, in Diário de Notícias

Antes de entrar em Apelação, estranha palavra jurídica, o bairro da Quinta da Fonte, blocos de seis andares, com empenas aproveitadas para murais algo insólitos: Nelson Mandela, Bob Marley, Salgueiro Maia...

Recentemente foram encontrados dois miliários em Loures, marcos de pedra a indicar uma via romana entre Olisipo (Lisboa) e Bracara (Braga). Talvez tenha sido isso a pôr a conversar cinco homens ociosos, ontem, em Loures, em duas mesas quase juntas, oito cadeiras, num largo da cidade, o 4 de Outubro. O mobiliário urbano era duro de sentar, mas melhor para sueca e para a convivência do que os três bancos de madeira corridos que havia ali, voltados os três para o cruzeiro.

Os bancos foram trocados, vítimas da necessidade de mudar que dá aos políticos por alturas das autárquicas, e ainda bem. A conversa pôde ser mais bem ouvida entre todos. Um homem de cabelos brancos, como os seus companheiros, disse: "O meu pai já vinha para aqui nos anos 1950, a ver passar os carros de Lisboa para o Porto."

Custa pensar que aquela rua estreita, a Rua da República, tão estreita que hoje é de uma só direção, já tenha ligado as duas grandes capitais. Mas deve ser uma vocação de Loures, ser importante nó rodoviário. Há quase um quarto de século, para chegar ali - ao edifício da câmara que fica a dois passos daquela conversa de ontem - um jovem político demonstrou que um burro subia mais depressa a Calçada de Carriche do que um Ferrari vermelho. Sorte a dele, o burro ganhou a corrida, mas ele perdeu a de Loures. E talvez por isso António Costa, no domingo, tenha ganho a glória. Atenção aos destinos que Loures tece.

Aquele largo chama-se 4 de Outubro e a rua chama-se da República, que aconteceu a 5. Um vizinho prédio azul explica a aparente contradição com uma lápide na frontaria: daquela velha casa, partiram "a 4 de 10 de 1910" oito cidadãos de Loures, "a Junta Revolucionária do Concelho", para irem fazer a república a Lisboa. E ela foi feita, o que não impediu que agora, no largo, uma recente Ervanária El-Rei D. Dinis Lda se apregoe com larga tabuleta. É um bom exemplo de generosidade.

Quando daquela evocação feita ao trânsito de há 60 anos, o cabo-verdiano Dino fez contas e revelou: "Eu sou ainda mais velho do que esse tempo, nasci em 1947, ano de fome." Ingenuamente, acrescentou: "Mas não me lembro desse ano." Há coisas como os marcos miliários, que marcam e parecem desaparecidos até voltarem a surgir. Dino é de Assomada, da ilha de Santiago que tem um poema intitulado "Fómi 47". Um cabo-verdiano para se lembrar do ano de uma fome, é porque ela foi terrível.

Às vezes a memória vai fixar-se àquele sítio verdadeiro e não consciente que determina as ações humanas - por exemplo, as mulheres desatarem a fazer filhos depois das guerras. Dino, aos 25 anos, depois de um ciclo seguido de cinco anos de fome, reagiu, fugindo. Já não podia, como na morna Fómi 47, "desanimado com a minha vida/ procurei assinar para São Tomé" - as roças de cacau já não aceitavam trabalhadores. Veio para Lisboa, porque a capital do Império já aceitava imigrantes das ilhas africanas por causa dos tantos emigrados que lhe fugiam a salto.

"Lisboa, ahh...", disse um companheiro branco, sugerindo o gosto dos recém-chegados pelas delícias da cidade. O mulato, os companheiros julgavam-no negro, abanou o bigode: "Não. Fui logo para o Alentejo, para as pedreiras de Évora." Outro branco disse: "Há lá mármores muito bonitos." O cabo-verdiano voltou a emendar: "Isso é Estremoz, fui para Évora, pedreiras de brita, trabalho de pobre..." Com a cabeça faziam agora todos que sim, conversa de conterrâneos. Dino não lhes disse que os três filhos tinham abalado para França e Suíça, não calhou, conterrâneos não se contam banalidades. Falam da rua estreita que já levou ao Porto ou do ano em que se nasceu ser de fome, disso sim, mas emigrar não é conversa entre portugueses.

Não fosse a rua ser de sentido único, virava-se para Lisboa, seguia-se até uma das muitas rotundas, deixava-se a várzea de Loures e começava-se a subir uma das colinas que a tapam do Tejo. Deixa-se uma antiga e pobre cidade e entra-se pela Estrada Nacional 250 acima, por Frielas. As colinas são suaves e o toque dos homens, desastrado. Antes de entrar em Apelação, estranha palavra jurídica, o bairro da Quinta da Fonte, blocos de seis andares, com empenas aproveitadas para murais algo insólitos: Mandela, Bob Marley, Salgueiro Maia...

Em 2008, negros e ciganos envolveram-se, ali, à tareia e com tiroteio. A palavra apelação quer também dizer "expediente para explorar a boa-fé ou os sentimentos dos outros para obter alguma vantagem": por exemplo, o candidato André Ventura a dizer ao conselho nacional do seu partido, PSD, para hoje "pôr os olhos" na sua campanha de Loures. Como se ela fosse exemplo: o essencial da campanha dele foi instigar desprezo pelos ciganos.

Em Loures, os polícias dos Contratos Locais de Segurança baixaram de forma abrupta as taxas dos crimes "violentos graves", graças a um combate difícil e paciente, inclusive, quando trabalharam com um vereador do PSD com o pelouro de segurança. No próximo fim de semana, africanos e ciganos vão fazer uma procissão, um jogo de futebol e uma festa na Quinta da Fonte, juntos. Nem todos são santinhos, mas dar uma olhada àquilo era bem mais saudável do que ouvir um oportunista desgraçado.

Outubro em Silves dedicado aos mais idosos

in Diário on-line

De 3 a 31 de outubro, a Câmara Municipal de Silves (CMS), através do seu setor de Ação Social, irá dinamizar a atividade “Outubro: mês sénior, mês dos maiores”. A iniciativa, promovida no âmbito da Rede Social, contempla a realização de um leque de atividades tendo em vista o fomento do envelhecimento ativo.

Passeios, atividades desportivas, ações de sensibilização (envelhecer com saúde, mobilidade do idoso e violência doméstica contra o idoso), poesia, cinema, teatro e música são algumas das propostas da programação especial “Outubro: mês sénior, mês dos maiores”.

As comemorações encerrarão no dia 31 de outubro com a palestra “Envelhecimento Ativo” e a apresentação do livro “Felicidade 100 idade”, na Biblioteca Municipal de Silves.

Tal como referido, as atividades são promovidas pela Câmara Municipal de Silves, no âmbito da Rede Social e do programa “Mais Próximos no apoio à 3.ª idade”, numa parceira com a Santa Casa da Misericórdia de Alcantarilha e do Centro Cultural e Social João de Deus.

Mais informações deverão ser recolhidas junto do sector de Ação Social da CMS, através do telefone 282 440 800 ou do endereço de correio eletrónico sasocial@cm-silves.pt.

Inovar para envelhecer de forma ativa e saudável

Cátia Vicente, in Diário das Beiras on-line

Superar o fosso entre tecnologia e envelhecimento ativo é o desafio do Active and Assisted Living (AAL) Forum 2017 que começou ontem, no Convento São Francisco, em Coimbra e que, até amanhã, conta com a participação de 750 pessoas.

Sublinhando que Portugal é o quarto país mais envelhecido da Europa, a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, que discursou na cerimónia de abertura, defendeu uma abordagem transversal ao problema.

“A pergunta que se coloca é: como melhorar a qualidade de vida das pessoas mais velhas? As respostas tradicionais já não são suficientes”, referiu. “Temos de ser mais inovadores, encontrar novas respostas que dependem da inovação não só tecnológica, mas também social”, sustentou.

Graça recebe festival LisBoa Idade na sexta e sábado, com iniciativas para todas as idades

in Diário de Notícias

A zona da Graça vai receber na sexta e no sábado o festival LisBoa Idade, com atividades para todas as idades, mas dirigido especialmente para o envelhecimento ativo, anunciou hoje o vereador dos Direitos Sociais da Câmara de Lisboa.

Para os dias 06 e 07 de outubro está prevista uma programação que se estende ao Jardim Augusto Gil, ao Jardim da Cerca, ao claustro e igreja do Convento da Graça, assim como à Escola Básica e Secundária Gil Vicente.

Entre as atividades gratuitas incluem-se concertos, tertúlias, exposições, ou 'workshops' sobre os mais variados temas: saúde, emergência, atividade física, comunidade, segurança ou alimentação.

As iniciativas arrancam na sexta-feira, às 14:30, na Escola Básica e Secundária Gil Vicente, com os 'workshops': "Velhas bonitonas, como ser uma delas?", organizado pela Associação Cabelos Brancos e Maria Seruya, e "Uma comunidade mais segura", a cabo da Polícia Municipal.

O festival LisBoa Idade foi hoje apresentado numa conferência de imprensa que decorreu no coreto do Largo da Graça, e que contou com a presença do vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, da porta-voz e embaixadora Cláudia Semedo e do 'chef' Hélio Loureiro, parceiro do festival.

À semelhança da primeira edição, o apresentador Júlio Isidro será o anfitrião.

Na ocasião, o vereador aproveitou para assinalar que esta é uma iniciativa "para todas as idades", que pretende assinalar o Dia Internacional do Idoso, comemorado a 01 de outubro.

Dadas as eleições autárquicas, a Câmara de Lisboa "achou adequado adiar uma semana" e organizar um festival "mais concentrado" em dois dias, ao invés dos quatro dias no ano passado.

Apontando que a primeira edição, que decorreu no Jardim da Estrela, contou com cerca de quatro mil participantes, o vereador não quis fazer previsões de quantas pessoas poderão participar no festival este ano, frisando a importância de passar a palavra.

"Esperamos sempre mais pessoas, claro, mas esperamos também que essas pessoas possam transmitir [os ensinamentos] a outras que não estiveram lá", frisou João Afonso.

A mudança de espaço foi justificada com o facto de querer alargar o festival a outras zonas da cidade.

"No ano passado fizemos o festival num belo jardim, este ano é numa bela praça", assinalou o autarca.

Questionado sobre outras políticas municipais dirigidas aos mais velhos, João Afonso assinalou que é necessário "pensar o envelhecimento de forma organizada" e que as pessoas "têm de se preparar para envelhecer".

Assim, é necessária também uma adequação dos serviços, do espaço público e dos transportes, através de iniciativas da Câmara.

Para isso, foram implementadas as carreiras de bairro da rodoviária Carris, os passeios foram rebaixados, e está prevista a abertura do balcão do idoso na Loja do Cidadão do Mercado 31 de Janeiro no segundo trimestre de 2018.

A Câmara está a preparar também um serviço de teleassistência para toda a cidade, um "serviço universal" que o município espera ter operacional no "final de 2018, início de 2019", e que deverá chegar a 20 mil pessoas numa primeira fase.

Até lá, explicou o vereador, será lançado um concurso internacional.

"A China vai dos pobres mais pobres aos bilionários da Forbes"

Helena Tecedeiro, in Diário de Notícias

Em Lisboa para participar na conferência Em Que Pé Está a Igualdade?, organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, no Teatro Nacional de São Carlos, Branko Milanovic falou da China e da Índia. O economista sérvio-americano desvalorizou impacto de Donald Trump no sistema americano e explicou que Emmanuel Macron está a tentar combater o populismo causado pelo neoliberalismo com mais neoliberalismo.

A China está a abrandar. Podemos esperar que continue a ser a locomotiva da economia mundial?

A taxa de crescimento da China costumava andar nos dois dígitos, depois passou para 8% e agora anda nos 6,5%. Mesmo assim é um nível de crescimento muito elevado. Sobretudo quando os países ricos baixam as expectativas, considerando taxas de crescimento de 1,5% ou 2% satisfatórias. A longo prazo, à medida que se aproxima da fronteira tecnológica, a China vai deixar de crescer ao ritmo a que cresce agora. Mas não estou preocupado. E mesmo que a China já não seja uma locomotiva tão boa, temos países como Índia, Indonésia, Vietname, até a Birmânia mais recentemente, e países em África, como a Etiópia, que estão a crescer muito rapidamente.

A China é uma sociedade capitalista com um regime comunista. Esta contradição pode ser um problema?

Devíamos esquecer a forma como os partidos se chamam. O que temos na China é uma economia capitalista com um sistema de partido único. Nesse sentido, a China representa um potencial parceiro para as sociedades ocidentais - democracias liberais e multipartidárias - por serem ambas capitalistas. E se olharmos para a percentagem do produto interno bruto (PIB) produzida pelo setor privado ou para a percentagem de empregos privados, é de 60% ou 70%.

O aprofundar das desigualdades é o maior desafio para o governo chinês?

É um desafio por várias razões. Em primeiro lugar, a China é geograficamente muito desigual. Tem as províncias costeiras com as grandes cidades, como Xangai ou Pequim, que se estão a dar muito bem. E tem as áreas rurais. Se olharmos para a distribuição de riqueza na China em termos globais, há pessoas nas zonas rurais que estão no fundo da tabela. A China, um pouco como o Brasil, cobre a totalidade da distribuição de riqueza - dos mais pobres que vivem no que o Banco Mundial define como pobreza absoluta aos bilionários na lista da Forbes. Deixando de parte chamar-se comunista, o partido no poder tem preocupações de justiça social. A campanha anticorrupção que lançaram está ligada à conclusão de que as desigualdades e a corrupção podem minar a legitimidade do partido.

Falava da Índia. Uma população mais jovem será segredo para o seu sucesso?

A Índia está a crescer em termos populacionais mais rapidamente do que a China. Irá ultrapassá-la dentro de dez anos, talvez menos. Estou bastante otimista em relação à Índia, até porque tem um número crescente de jovens educados. Também tem a vantagem da língua inglesa, que não sendo falada por todos é falada por uns 200 milhões de pessoas. E é uma democracia. Está permanentemente num alto nível de instabilidade, mas, graças à democracia, é uma instabilidade que tem sido gerida desde a sua fundação, há 70 anos. O perigo agora é que a coabitação entre hindus e muçulmanos se deteriore.

Perante os emergentes, Trump terá de lutar para tornar a América grande outra vez ou basta gerir a vantagem?

Ninguém sabe o que ele vai fazer. Acho que nem ele sabe. Além disso, temos de ver se ele e a administração chegam ao fim do mandato... pode haver um impeachment. O que é mais interessante é o tipo de sistema que permitiu a Trump chegar ao poder. Ele aparece devido a uma grande insatisfação entre os americanos - com os níveis de rendimento, a falta de emprego, a falta de oportunidades, o sentimento de que tinham sido abandonados pelos políticos de ambos os partidos. É mais interessante perceber quais as forças que o trouxeram ao poder do que o que ele vai fazer. Não acredito que ele tenha efeito a longo prazo no sistema americano.

Podemos dizer que foi um falhanço da administração anterior que trouxe Trump ao poder?

Não é só um resultado da última administração, mas sim das últimas administrações. Foram 20 e tal anos de políticas neoliberais. E enquanto a percentagem de pessoas insatisfeitas era relativamente pequena, as elites liberais não lhes prestaram atenção.

O protecionismo defendido por Trump pode prejudicar a economia americana e reforçar desigualdades?

Sim, mas não acredito que vá acontecer. O NAFTA [acordo de comércio livre entre EUA, México e Canadá] está a ser renegociado, mas o sistema construído nos últimos 70 anos não será refeito. E como se viu com a NATO, Trump diz uma coisa e faz outra. Vai ser um presidente populista que na verdade é um plutocrata.

A insatisfação, as desigualdades também existem na Europa e estão a alimentar movimentos populistas. Os líderes europeus têm de lidar com isto?

Na Europa a perceção desse fenómeno é bastante forte. Primeiro foi o brexit, depois [Marine] Le Pen e agora a AfD na Alemanha. Se olharmos para a alternativa proposta por Macron, tem logo problemas a nível interno em França - há uma enorme oposição às suas políticas, de facto, neoliberais. É interessante que este problema tenha sido originado pelo neoliberalismo e que agora Macron se proponha salvar a França do populismo com mais neoliberalismo. Esse neoliberalismo seria equilibrado por uma UE mais forte. Mas isso parece pouco provável depois das eleições alemãs. Todos sabem que é um problema, não sei se há muito a fazer. Olhemos para os grandes países: a Alemanha tem a extrema-direita pela primeira vez no Parlamento na história recente; a França tem um problema com a mudança das leis laborais; o Reino Unido está ocupado com o brexit; a Polónia tem um governo nacionalista/populista e a Espanha está ocupada com a Catalunha. Não vamos resolver os problemas da UE quando os países têm os seus próprios problemas.

Portugal sofreu muito com a crise financeira. O que acha da opção da Europa pela austeridade?

Não sou macroeconomista, mas quando olhamos para a Grécia, era uma questão de matemática. O rácio de dívida em relação ao PIB é mais alto do que no início da crise e vai ficar ainda mais alto. É claro que, a menos que a dívida fosse perdoada ou tornada mais leve através de uma restruturação extravagante, a Grécia não ia conseguir sair do buraco onde estava. E de onde ainda não saiu. Para a Grécia, estas políticas foram claramente erradas. Mas para outros países funcionou. Portugal é muitas vezes dado como bom exemplo por ter aplicado medidas de austeridade e agora estar a sair dela. A Espanha também. Em certos casos, estas políticas de austeridade funcionaram. Mas há casos extremos, como o da Grécia, em que é difícil ver como poderiam ter resultado.

Precários a tempo parcial serão incluídos

Por Diana Ramos, in Correio da Manhã

Recibos verdes do setor empresarial do Estado integrados até 31 de maio de 2018 .

O Parlamento deu ontem dois grandes passos no dossiê da precariedade ao aprovar a inclusão dos precários a tempo parcial no grupo de funcionários do Estado que terão a situação regularizada, e ao fixar em 31 de maio a data para a integração dos trabalhadores das empresas públicas. O Governo queria apenas regularizar os funcionários em situação precária a tempo completo.

"O critério do tempo deixou de ser um fator de exclusão na integração e isso é muito relevante", diz ao CM o deputado bloquista José Soeiro, adiantando que a medida incluirá "cerca de 1500 assistentes operacionais nas escolas e centenas de formadores". Por fechar está o modelo em que estes trabalhadores serão integrados e a forma como os tempos parciais serão contabilizados, tema que será hoje discutido no Parlamento.

Quanto aos contratos a prazo e recibos verdes do setor empresarial do Estado, a proposta aprovada determinou que "a regularização dos vínculos precários nas entidades abrangidas pelo Código do Trabalho termina a 31 de maio de 2018". Os deputados aprovaram a publicitação dos dados do programa de integração, no site do PREVPAP, com detalhes relativos a candidatos excluídos e motivos associados.

Setor empresarial No caso dos trabalhadores das empresas públicas, a integração é automática e não está dependente da realização de um concurso público, ao contrário dos restantes trabalhadores visados no programa. Concursos A data limite de 31 de maio é também o prazo indicativo para o lançamento dos concursos para os restantes candidatos. Universidades Os precários dos organismos e fundos autónomos estão incluídos na regularização, tal como as universidades-fundação.

Mais de 2 milhões de pessoas deixaram seus países em 2017, alerta agência da ONU para refugiados

in ONU

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Ao final do ano passado, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estimou em 65,6 milhões o número de vítimas de deslocamento forçado. O índice, que já era um recorde, tende a se agravar. Conjuntura foi tema de pronunciamento do chefe do organismo internacional, Filippo Grandi, em Genebra, na segunda-feira (2).

Durante a reunião anual do Comitê Executivo da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o chefe do organismo internacional, Filippo Grandi, informou na segunda-feira (2) que mais de 2 milhões de pessoas deixaram seus países de origem em 2017. Esse contingente cruzou fronteiras na condição de vítimas de deslocamento forçado. Para o dirigente, comunidade internacional “está falhando” com os refugiados e requerentes de asilo.

“Sem que haja um senso comum de propósito, necessário para prevenir, conter e resolver conflitos, o mundo continuará enfrentando novos fluxos de refugiados, por esse motivo é necessário reforçar sua capacidade de resposta”, defendeu Grandi.

Ao final do ano passado, o ACNUR estimou em 65,6 milhões o volume de pessoas internamente deslocadas, solicitantes de refúgio e refugiados. O índice — um recorde — tende a se agravar.

“Em 2017, até o momento, mais de 2 milhões de pessoas foram forçadas a deixar seus países como refugiados. Eles geralmente chegam doentes, traumatizados, famintos, em regiões fronteiriças remotas, em comunidades assoladas pela pobreza e pelo subdesenvolvimento”, acrescentou o alto-comissário.

Grandi lembrou sua visita a Bangladesh, na semana passada, quando pôde ver em primeira mão uma das mais sérias emergências humanitárias. “Em apenas cinco semanas, meio milhão de refugiados Rohingya foram forçados a fugir de atos terríveis de violência em Mianmar.”

O chefe do ACNUR acrescentou que “é ainda mais angustiante imaginar que, enquanto isso estava acontecendo, outros 50 mil refugiados foram forçados a fugir do Sudão do Sul, onde os sonhos que acompanharam a independência foram dilacerados, e outras 18 mil pessoas tentaram escapar dos recentes conflitos na República Centro-Africana”.

Cobrando mais esforços para o gerenciamento dos fluxos de deslocamento forçado, o dirigente afirmou que “essa não é apenas uma questão de princípios e valores, mas também de construir uma estabilidade regional e global”. “A proteção e a segurança de pessoas refugiadas são objetivos complementares e devem ser buscados conjuntamente”, disse.

Grandi elogiou o que descreveu como uma onda de solidariedade com os refugiados, que está arraigada na sociedade civil. Movimentos para acolher e ajudar populações deslocadas também receberam apoio de prefeitos, lideranças empresariais e outras figuras públicas. Atitudes de compaixão e hospitalidade, coletivas e individuais, equilibraram um cenário marcado por “medidas generalizadas de detenção e exclusão”.

“O caráter internacional da proteção de refugiados tomou novas formas – por meio de redes em cidades, organizações da sociedade civil, associações do setor privado, entidades esportivas e outras formas de colaboração que se estendem além das fronteiras”, avaliou o alto-comissário, que enfatizou a necessidade de países compartilharem responsabilidades para enfrentar a atual crise migratória.

3.10.17

Quem está hoje no mercado de trabalho estará em maior risco na reforma

Clara Viana, in Público on-line

Cerca de 40% das pessoas em idade activa consideram que quando chegarem à idade de reforma não conseguirão desempenhar as tarefas que actualmente têm a cargo.
21 de Setembro de 2017, 17:22

Quando chegar à reforma, a população que está actualmente em idade de trabalho vai enfrentar uma situação de “maior desigualdade” face à geração precedente, alertou, nesta quinta-feira, o director do Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Stefano Scarpetta.

“O mercado de trabalho está a mudar, as carreiras são mais intermitentes e por isso não permitem níveis de contribuição que seriam desejáveis”, justificou Stefano Scarpetta, durante a Conferência Ministerial sobre o Envelhecimento, que está a decorrer em Lisboa, e que é promovida pela Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE). Participam os ministros responsáveis pela área do envelhecimento dos 49 estados, além de outras entidades relevantes, como as Nações Unidas, a Comissão Europeia e a Organização Internacional do Trabalho.

“Temos de tornar mais atractivo" que reformados possam dar formação

No painel dedicado à presença das pessoas mais idosas no mercado de trabalho, Stefano Scarpetta referiu que a partir dos 60 anos o acesso ao mercado de trabalho “é muito difícil”, nomeadamente entre as pessoas que têm “competências intermédias”, sendo que o acesso à formação “é ainda muito reduzido entre os idosos”.

Uma constatação: “A aprendizagem ao longo da vida ainda está muito longe de se tornar uma realidade." Uma situação que terá de se inverter com o objectivo de fornecer “competências digitais mínimas às pessoas mais idosas”, disse Scarpetta, que apontou este objectivo como um “desafio”.

Será a forma de diminuir as diferenças, no domínio das novas tecnologias, entre os mais velhos e os mais novos. Uma diferença que é maior do que aquela que separa os países neste domínio, frisou.
Na mesma sessão Montserrat Roca, secretária da Confederação Europeia de Sindicatos, lembrou estatísticas recentes europeias dando conta que “40% das pessoas em idade activa consideram que quando chegarem à idade de reforma não conseguirão desempenhar as tarefas que actualmente têm a cargo”.

Já a boa notícia veio da Noruega: em 10 anos, entre 2005 e 2015, registou-se um aumento de 60% no emprego de pessoas entre os 60 e os 64 anos, revelou Bjorn Halvorsen, conselheiro especial do Ministério do Trabalho e dos Assuntos Sociais. Apresentando-se a si próprio como exemplo, já que está neste posto apesar de ser reformado, Halvorsen revelou que na Noruega “não existem estratégias específicas para a população idosa, mas sim abordagens universais, que passam por garantir a todos o acesso aos serviços de educação e saúde”. “A igualdade e confiança são amigas do emprego”, disse.


Aumento da esperança de vida tem de ser acompanhado pela "qualidade de anos de vida"
De Portugal, como exemplo de boas práticas na gestão das idades, foi apresentado o caso do Grupo Nabeiro, onde a média de idades dos trabalhadores ronda os 42 anos, indicou o director dos Recursos Humanos, Jorge Figueiredo. “A idade não é um factor de exclusão”, frisou, adiantando que 20% dos trabalhadores do grupo (cerca de 650 pessoas) têm mais de 50 anos e 4% (mais de 130 trabalhadores) têm mais de 60.

“A mudança fundamental tem a ver com a alteração do modo como lidamos com os idosos”, frisou, por seu lado, o director do Departamento de Qualidade de Vida e do Envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS), John Beard. Por exemplo, disse, “não é aceitável que os idosos sejam tratados nos lares como se fossem crianças”.