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8.3.23

Cinco mulheres falam sobre "problemas" que ainda enfrentam nos dias de hoje


8 de março é Dia Internacional da Mulher e de celebração das suas conquistas. Uma data para refletir, também, acerca do progresso a nível de direitos, assim como honrar a coragem e determinação das mulheres que ajudaram a redefinir a história.

Nascido no virar do século XIX, o Dia Internacional da Mulher começou por estar interligado com os movimentos trabalhistas da Europa e da América do Norte. O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado nos Estados Unidos da América, a 28 de fevereiro de 1909, em honra da greve das trabalhadoras têxteis nova-iorquinas, em 1908. Posteriormente, o movimento das mulheres rapidamente assumiu uma postura global, sendo atualmente celebrado em quase todo o Mundo.

Em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu oficialmente este dia, durante o Ano Internacional da Mulher. Dois anos mais tarde, em 1977, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução que proclamava o Dia das Nações Unidas pelos Direitos das Mulheres e da Paz Internacional.

Foi ainda nos anos 1970, em dezembro de 1979, que nasceu a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, geralmente denominada de CEDAW (sigla em inglês). Este documento, que é comummente conhecido como Carta dos Direitos Humanos das Mulheres, vai para lá da "eliminação da discriminação"— todo ele é bastante explícito no seu objetivo de atingir a igualdade de género entre homens e mulheres. Surgiu ainda a necessidade de criar um Comité sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres, um grupo independente de 23 especialistas em direitos da mulheres de todo o Mundo, e que acompanham a implementação da Convenção.

20 anos mais tarde, em 1995, mais de 17 mil delegados e 30 mil ativistas juntaram-se em Pequim, na China, para a 4.ª Conferência Mundial sobre as Mulheres, da qual resultaram a Declaração e a Plataforma de Ação de Pequim. Ainda hoje, este acordo, que definiu as 12 áreas de ação mais importantes para esta luta e que foi assinado por 189 países, é considerado um dos documentos centrais e mais progressivos para o empoderamento das mulheres e raparigas de todo Mundo.

Apesar de todos os avanços relativos aos direitos das mulheres, nenhum país atingiu a igualdade plena entre homens e mulheres. E é destas dificuldades, aos mais variados níveis, que falam as cinco mulheres com quem a Voz da Planície falou nas ruas de Beja.

Começamos com o depoimento de Inês Manguito, que tem 27 anos de idade e que vive e trabalha em Beja.

Inês Manguito realçou que dia da mulher "é sempre" e que celebra o facto de ser mulher sempre que pode. Quanto a desigualdades diz "não somos só desiguais no trabalho". Explica que na profissão que exerce ganha e faz o mesmo que os colegas homens. Mas deixa outras queixas, referindo que "ainda há profissões «de homens» e tem de se terminar com isto, as mulheres podem e quando lá chegam, muitas vezes, são confrontadas com estigma de que conseguiram por «vender o corpo» ou ser bonitas". Revela que foi vítima de "assédio sexual no trabalho", que fez queixa e que "não deu em nada pois em causa estava um homem". Lamenta o sucedido, mas não o facto de ter feito o que deveria pois, tal como frisou, "estava a trabalhar".

Susana Fernandes também falou com a Voz da Planície. Professora de profissão, e a exercer em Beja, tem 45 anos de idade.

Susana Fernandes frisou que "é bom valorizar esta data, especialmente numa atualidade onde a violência contra as mulheres continua a ser praticada e a aumentar". Relevou que "é preciso estar-se alerta" nesta matéria.

Deixou, igualmente, uma mensagem a todas as mulheres, pediu que continuem a "manifestar-se e a lutar pelos seus direitos. Todos são iguais".

Soraia Tavares, de 28 anos de idade, trabalha em Beja e vive na cidade. E confessou à nossa rádio estar a passar por um "situação pessoal complicada devido a um processo de separação".

Deixou no seu depoimento "as dificuldades que as mulheres ainda hoje sentem quando há separações. No tratar os filhos continua a ideia de que é a mulher que deve ficar em casa com eles e impedida muitas vezes até de sair para tomar um café com as amigas".

Deixou claro que celebra "todos os anos o Dia Internacional da Mulher". E que "os pais têm de estar presentes na vida dos filhos tal como as mulheres. Separam-se mas não deixam de ser pais".

Maria Rodrigues, tem 53 anos de idade e vive em Beja. Trouxe para esta conversa a propósito do Dia Internacional da Mulher, alguns dos "lados fundamentais que muitas vezes não se valorizam como deveriam".

Falou sobre o ser "mãe e tomar conta da família a tempo inteiro", assim como as dificuldades em se conciliar "tudo isto com a vida profissional".

Salientando que "dia das mulheres é todos os dias", fez questão de realçar que "ser mulher tão bonito como complicado".

No final deixou o registo de que "todas as mulheres são guerreiras".

Fernanda Raposo, tem 40 anos e vive, assim como trabalha, na capital de distrito.

Começou por dizer que "aos poucos as mulheres vão conseguindo os seus objetivos, mas há matérias onde ainda estamos longe dos homens, como é o caso dos salários".

"As oportunidades no trabalho também ainda não são iguais para homens e mulheres", frisou, deixando, contudo, o comentário de que "lá chegarão".

No final exortou "todas as mulheres a lutarem pelos seus direitos", recordando que "este, o direto de lutar sempre, assim como outros, ninguém pode tirar".



Marcelo celebra força das mulheres e considera insuficientes passos para igualdade

Por Lusa, in DN

Presidente da República salienta "força inquebrantável das mulheres em todos os domínios da sociedade portuguesa".

O Presidente da República celebra esta quarta-feira a "força inquebrantável das mulheres", no dia internacional que lhes é dedicado, e considera que os passos dados para a igualdade em Portugal são ainda insuficientes.

"Neste Dia Internacional das Mulheres, num momento em que aos desafios da pandemia recente se somam os efeitos da invasão da Ucrânia pela Rússia e o seu impacto no quotidiano de todas e todos, o Presidente da República celebra a força inquebrantável das mulheres em todos os domínios da sociedade portuguesa", afirma o chefe de Estado.

Numa mensagem escrita publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa acrescenta: "Trabalhadoras, cuidadoras, protagonistas da grande e da pequena história - mães, avós, companheiras, amigas - exemplo contínuo, através de gerações, de sabedoria, coragem, cuidado, apesar dos obstáculos com que se deparam, da violência, assédio e discriminação que tantas vezes as vitima até no seio das suas famílias".

"A nossa democracia deu passos decisivos para salvaguardar a igualdade na lei e mitigar a discriminação contra as mulheres na Constituição, na legislação, na família, na revisão do Código Civil, na paridade no emprego, nos salários, nos cargos de direção, na política, nas responsabilidades familiares e domésticas, na proteção contra a violência - grandes passos, mas, ainda, insuficientes na promoção da igualdade de oportunidades", considera.

9.3.18

Quero ser claro: isto não é um favor às mulheres. A igualdade de género é uma questão de direitos humanos

António Guterres, in Público on-line

Neste momento crucial para os direitos das mulheres, é hora de os homens aprenderem com elas.

Estamos num momento crucial para os direitos das mulheres. As desigualdades históricas e estruturais, que permitiram que a opressão e a discriminação florescessem, estão a ser denunciadas como nunca. Da América Latina à Europa ou à Ásia, nas redes sociais, em estúdios de filmagens, em fábricas e nas ruas, as mulheres estão a pedir uma mudança duradoura e tolerância zero para ataques sexuais, assédio e discriminações de todos os tipos.

Alcançar a igualdade de género e o empoderamento das mulheres e das raparigas é um trabalho que temos de terminar e constitui o maior desafio em matéria de direitos humanos do mundo atual.

O ativismo e a defesa de gerações de mulheres estão a dar frutos. Há mais raparigas matriculadas nas escolas do que no passado, mais mulheres têm trabalhos remunerados e exercem cargos superiores no setor privado, na academia, na política e em organizações internacionais, incluindo as Nações Unidas. A igualdade de género está consagrada em inúmeras leis e práticas nocivas como a mutilação genital feminina e o casamento infantil passaram a ser proibidas em muitos países. No entanto, existem ainda sérios obstáculos para resolver desequilíbrios históricos de poder que servem de base para a discriminação e a exploração. Com efeito, mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm proteção legal contra a violência sexual doméstica. A diferença salarial global (entre mulheres e homens) é de 23%, chegando a 40% nas áreas rurais, o trabalho não remunerado feito por muitas mulheres não é reconhecido. A representação das mulheres nos parlamentos nacionais é, em média, menos de 25%, e nos conselhos de administração de empresas este número é ainda mais baixo. Sem uma ação concertada, milhões de raparigas serão submetidas à mutilação genital na próxima década.

As leis existem mas são frequentemente ignoradas e as mulheres que recorrem à justiça são postas em causa, denegridas ou demitidas. Hoje, sabemos que o assédio e o abuso sexuais têm prosperado nos locais de trabalho, nos espaços públicos, nos lares e em países que se orgulham de seu desempenho em matéria de igualdade de género. As Nações Unidas devem dar o exemplo ao mundo. Reconheço que este nem sempre tem sido o caso. Desde o início do meu mandato, no ano passado, comecei a fazer algumas mudanças na sede da ONU, nas missões de manutenção da paz e nos nossos escritórios em todo o mundo.

Acabámos de alcançar a paridade de género, pela primeira vez, na minha equipa sénior de gestão, e estou determinado a levar esta paridade a toda a organização. Estou completamente comprometido com a tolerância zero para assédio sexual e já iniciei planos para melhorar as notificações e a responsabilização. Estamos a cooperar de forma estreita com os países para prevenir e responder a casos de abuso e exploração sexuais cometidos por funcionários de missões de manutenção da paz, bem como para apoiar as vítimas.

Nós, nas Nações Unidas, apoiamos mulheres de todo o mundo que estão a lutar para vencer as injustiças que enfrentam, sejam camponesas que sofrem com discriminação salarial, mulheres na cidade que se mobilizam para a mudança, refugiadas sob risco de exploração e abuso ou mulheres que vivem várias formas de discriminação como viúvas, mulheres indígenas, mulheres com deficiência e aquelas que não se conformam com as normas de género.
O empoderamento das mulheres está no coração da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável significa o progresso de todas as mulheres, em todo o mundo. A iniciativa “Spotlight” lançada conjuntamente com a União Europeia vai direcionar recursos para a eliminação da violência contra mulheres e raparigas, um pré-requisito para a igualdade e o empoderamento.

Quero ser claro: isto não é um favor às mulheres. A igualdade de género é uma questão de direitos humanos, mas também de todos nós: homens e rapazes, mulheres e raparigas. A desigualdade de género e a discriminação contra as mulheres afetam-nos a todos.

Existem provas suficientes de que investir nas mulheres é o caminho mais eficaz de fazer avançar comunidades, empresas e até mesmo países. A participação das mulheres torna os acordos de paz mais fortes, as sociedades mais resilientes e as economias mais vigorosas. Onde as mulheres sofrem discriminação, encontramos, frequentemente, práticas e crenças que são prejudiciais a todos. A licença de paternidade, leis contra a violência doméstica e salários iguais são benéficos para todos.

Neste momento crucial para os direitos das mulheres, é hora de os homens ficarem ao lado das mulheres, ouvirem o que têm a dizer e aprenderem com elas. A transparência e a responsabilização são essenciais para que as mulheres alcancem o seu máximo potencial nas nossas comunidades, sociedades e economias.

Tenho orgulho de fazer parte deste movimento que, desejavelmente, continuará a ser amplificado dentro das Nações Unidas e em todo do mundo.

Dia Internacional da Mulher comemorado hoje com iniciativas em todo o país

in Diário do Minho

As mulheres vão ser homenageadas em várias iniciativas, como lançamento de livros, palestras, conferências, que irão decorrer em todo o país.

O Dia Internacional da Mulher assinala-se hoje com iniciativas por todo o país que destacam o contributo da mulher numa sociedade em que ainda persistem as desigualdades de género a nível salarial e no acesso ao trabalho.
Dados do Eurostat revelam que Portugal foi o país da União Europeia em que o fosso salarial entre homens e mulheres mais cresceu entre 2011 e 2016 (4,6%).

Para assinalar a efeméride, a base de dados estatísticos Pordata destacou treze factos sobre homens e mulheres de Portugal no panorama europeu, entre os quais a escolaridade.

“No âmbito da UE-28, tanto os homens como as mulheres portuguesas ficam mal na fotografia da escolaridade”, referem os dados, sublinhando que, em 2016, 43% de homens e 50,5% de mulheres tinham pelo menos o ensino secundário.

No caso das mulheres, com exceção de Portugal e Malta, em todos os outros países, mais de 60% detém pelo menos o ensino secundário, sublinham os dados.

Nos vários países da UE, a taxa de emprego masculina é sempre superior à feminina. Contudo, há países onde essa diferença é menor, como a Suécia e Finlândia (abaixo de 7 pontos percentuais).

Em sentido oposto, as maiores diferenças são assinaladas em Malta, Itália, Roménia e República Checa (acima de 17 p.p), refere a Pordata, observando que Portugal, com uma diferença da taxa de emprego entre sexos na ordem dos 10 p.p, encontra-se mais próximo do primeiro grupo de países.

Os dados apontam também que, em 2016, Portugal, com 14% de mulheres empregadas a tempo parcial, ocupava o 17º lugar entre os países da UE, “muito distante” de países como a Holanda (77%), Áustria (48%) ou Alemanha (47%).
No caso dos homens, com 10% a trabalhar a tempo parcial, Portugal ocupava o 11º lugar, bem mais próximo dos países que lideram esta lista: Holanda (28%), Dinamarca (19%) e Suécia (15%).

No Estabelecimento Prisional de Tires vai ser lançado o livro “Mãos de esperança”, numa cerimónia promovida pela Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, que conta com a presença da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, e a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal.

O livro “Mãos de Esperança” é um projeto fotográfico da mestre Rosa Reis, que congrega 65 fotografias, os anos de vida da cadeia de Tires, que procuram retratar o quotidiano das reclusas através das “suas mãos, de gestos e de ambientes”.
Cinco investigadoras portuguesas e cinco deputados da comissão de Educação e Ciência vão estar à conversa com estudantes do Ensino Secundário dos Liceus Pedro Nunes e Passos Manuel na Academia das Ciências de Lisboa.
Promovida pela Ciência Viva e a Academia das Ciências de Lisboa, a iniciativa pretende homenagear as mulheres cientistas, que representam 45% do total de investigadores em Portugal.

No âmbito das comemorações do 8 de março e dos seus 50 anos, o Movimento Democrático de Mulheres lança o “Vida e Obra de Maria Lamas – atualizar o pensamento, abalar a indiferença”.

Em 1975, as Nações Unidas promoveram o Ano Internacional da Mulher e em 1977 proclamaram o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher

"Já é tempo de acabar com o rosto feminino da pobreza” – Jorge Carlos Fonseca

Por Sara Almeida, in ExpressodasIlhas

Dia Internacional da Mulher

Presidente da República apela a um maior direccionamento das políticas públicas para combater o “rosto feminino da pobreza”. Na sua mensagem alusiva ao Dia Internacional da Mulher, Jorge Carlos Fonseca elogia ainda o trabalho de várias instituições que trabalham pela equidade de género e exorta os homens a um maior envolvimento nesta causa.

Já é tempo de acabar com o rosto feminino da pobreza, de as mulheres serem as maiores vítimas da violência no mundo, de não poderem escolher livremente o seu modo de vida e seu destino, e de carregarem as famílias, por vezes até o país, às costas”.

Relembrando que, em Cabo Verde, a pobreza continua a afectar maioritariamente as mulheres, principalmente no meio rural (onde persiste a vulnerabilidade aos maus anos agrícolas, como o que se vive no momento), o Presidente da República põe a tónica do seu discurso na erradicação da pobreza.

É nesse sentido, juntamente com a eliminação das desigualdades de género, que devem ser direccionadas as políticas públicas, defende, “suprimindo os obstáculos que impedem que mulheres e meninas respondam aos desafios e aproveitem oportunidades de mudança”.

Assim, essa políticas “devem privilegiar as mulheres desprotegidas, sem rendimento, com emprego precário, em actividades informais, no trabalho doméstico, grande maioria das quais não desfruta dos sistemas de protecção social”, aponta Jorge Carlos Fonseca.

“As mulheres cabo-verdianas não podem ser ignoradas, nem devem ser negligenciadas, sendo uma força motora do desenvolvimento do país”, sublinhou, lembrando os diversos contributos das mesmas para o país mesmo antes da luta pela independência, em áreas tão diversas como a ciência, a arte ou o “âmbito doméstico e familiar”. “Destacam-se também as mulheres emigrantes e as imigrantes no país que têm dado contributos valiosos para o nosso desenvolvimento”, acrescentou.

No que toca a Cabo Verde, o Presidente da República congratula-se com “iniciativas governamentais e da sociedade civil para a inclusão social e a promoção das mulheres em diversas áreas, apoiadas por organismos internacionais como a ONU Mulheres, entre outros, de que se destacam a recente criação de um programa nacional de cuidados, as acções do ICIEG (Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade do Género), da Rede de Mulheres Parlamentares de Cabo Verde e de estruturas universitárias como o CIGEF (Centro de Investigação em Género e Família), o projecto Inspired+ da Associação Cabo-verdiana da Luta Contra a VBG, os projectos da Associação Cabo-verdiana de Promoção e Inclusão das Mulheres com Deficiência, da OMCV, da Morabi, da Verdefam e da Rede Laço Branco, os movimentos cívicos como a “Womenise it” ou “Divas”, e as associações profissionais e de mulheres”.

Prestando deste modo uma homenagem a essas várias entidades que trabalham essa promoção, Jorge Carlos Fonseca sublinha a necessidade de “um maior envolvimento dos rapazes e homens nesta causa de forma a criar uma maior solidariedade e inter-ajuda”.

Na sua mensagem alusiva ao 8 de Março, o chefe de Estado expõe a lamentável situação da mulher no mundo e destaca as linhas que vêm orientando a causa da promoção dos direitos da mulher e seu alinhamento com os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, com vista a um mundo mais justo, equitativo e melhor para mulheres e homens.

8.3.18

Mais de 50 países mobilizados para atenuar o #WikiGap

Catarina Lamelas Moura, Victor Ferreira, Bárbara Wong e Joana Amaral Cardoso, in Público on-line

No ano dos movimentos #metoo e Time's Up, o Dia Internacional da Mulher suscita um debate global sobre as mudanças que ainda são urgentes e o fim da linha das agendas sexistas.

Irlanda poderá ter referendo sobre aborto
O Governo irlandês aprovou esta quinta-feita o projecto-lei de um possível referendo sobre o aborto, que, a confirmar-se, poderá sobrepôr-se a uma emenda constitucional criada em 1983, que dá aos fetos e às mulheres o mesmo direito à vida, avança o The Guardian. O mais provável é que o referendo se concretize.


Se o país votar a favor de tirar a emenda da Constituição, o Governo irá introduzir legislação que permite o aborto até às 12 semanas, sendo que actualmente apenas é permitido caso a vida da mãe esteja em risco. O projecto-lei será debatido nas próximas 24 horas e um relatório esperado para sexta-feira. No final de Março será divulgado um relatório mais completo e, caso avance, o referendo deverá ser agendado para 25 de Maio.

O primeiro-ministro, Leo Varadkar, notou que o referendo vai pedir aos cidadãos que deixem as mulheres tomar as suas próprias decisões. É de referir que cerca de 78,3% da população irlandesa é católica.

Momento-chave
Mais de 50 países com eventos para atenuar o #WikiGap
Com base no termo normalmente utilizado em inglês para definir a desigualdade de salário (pay gap), #WikiGap descreve a desigualdade de género na enciclopédia online, que funciona com o contributo de milhares de voluntários, a Wikipédia. Neste Dia da Mulher, o evento com o mesmo nome, organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suécia e várias embaixadas do mesmo país, em mais de 50 estados, junta pessoas para uma maratona de edição. Ou, como descreve a ONU num tweet, edit-a-thons.

O objectivo é simples: acrescentar mais conteúdo na Wikipédia – uma das grandes fontes de informação digital – sobre figuras femininas, especialistas e exemplos em várias áreas. De acordo com o site do evento, "há quatro vezes mais artigos sobre homens do que mulheres" e "9 em cada 10 editores [pessoas que acrescentam conteúdo na Wikipédia] são homens".

Berlim, Brasília, Moscovo, Maputo, Nova Iorque, Paris e Cidade do México são apenas alguns dos locais que organizam este evento.

Portuguesas com mais de 65 anos ganham menos 43,4% do que os homens

Natália Faria, in Público on-line

Por cada euro pago aos homens em 2016, as mulheres portuguesas receberam apenas 82,5 cêntimos, aponta o Eurostat. Mas as desigualdades de género em Portugal também se revelam no facto de, entre os 18 métodos contraceptivos existentes, apenas um ser totalmente masculino.

As mulheres portuguesas com mais de 65 anos ganham menos 43,4% do que os homens. É a terceira diferença salarial mais elevada da Europa, a seguir ao Chipe e à Espanha, como sublinham as investigadoras Sandra Palma Saleiro e Catarina Sales de Oliveira, num capítulo sobre desigualdades de género inserido no livro Desigualdades Sociais – Portugal e a Europa, lançado ontem para assinalar os dez anos do Observatório das Desigualdades.

Conclusão imediata: “A participação das mulheres no mercado de trabalho, que equipara Portugal aos países europeus mais igualitários em termos de género, não se reflectiu equitativamente nas condições económicas” das portuguesas que continuam arredadas das esferas de liderança e de poder. E as estatísticas divulgadas ontem pelo Eurostat, para todas as faixas etárias, reforçam este tese ao mostrarem que as trabalhadoras portuguesas ganham em média 82,5 cêntimos por cada euro que um homem ganha por hora. É uma diferença de 17,5 cêntimos, acima dos 16 cêntimos pagos a menos às mulheres na média europeia.
Pior: apesar de Portugal não estar entre os piores no ranking europeu do chamado gender pay gap, destaca-se por ter sido o país em que esta desigualdade salarial mais se agravou. Entre 2011 e 2016, aumentou 4,6 pontos percentuais, contra uma média europeia de desagravamento em 0,6 pontos percentuais no mesmo arco temporal.

Voltando ao estudo, as investigadoras do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do Instituto Universitário de Lisboa levaram a análise das desigualdades persistentes entre homens e mulheres muito além das diferenças salariais. Começando pela escola, as investigadoras recuperam estatísticas de 2016 para lembrar que 20,4% das mulheres tinham o nível superior face a apenas 14,9% dos homens. Entre 2003 e 2015, o número de mulheres a fazer doutoramento aumentou 15%. Não surpreende assim que Portugal se destaque positivamente, ao somar uma elevada percentagem de investigadoras (44%), superior à média mundial de apenas 28,4%. Esta é uma nota positiva. A negativa é que são ainda as mulheres “quem permanece em maior número na população analfabeta, num claro efeito geracional” que remete para um passado “em que o privilégio da educação era concedido aos rapazes”. Por outro lado, insistem, “o forte aumento das habilitações das mulheres ainda não corresponde a uma melhoria equitativa das suas condições de vida, nomeadamente na esfera laboral”.

O forte aumento das habilitações das mulheres ainda não corresponde a uma melhoria equitativa das suas condições de vida, nomeadamente na esfera laboral

Sandra Saleiro e Catarina Oliveira
Num mercado de trabalho em que 67,4% das mulheres trabalham a tempo inteiro face a 74,2% dos homens, há assimetrias claras nas áreas vocacionais: as mulheres fazem-se representar mais nas profissões ligadas ao cuidado e ao trabalho com pessoas dependentes, como o serviço social, a educação e a saúde, os homens dominam nas áreas tecnológicas, da construção ou dos transportes, áreas com remunerações mais elevadas e com mais procura. Mudar esta visão dicotómica entre homens e mulheres beneficiaria ambos, segundo as investigadoras. Isto porque estes estereótipos de género afastam os homens de profissões socialmente representadas como femininas: em 2016, não chegavam a 1% os homens a trabalhar como educadores no ensino pré-escolar.

Pilula também traduz desigualdade
Quanto aos tectos que impedem as mulheres de ascender a cargos de chefia, o estudo percorre alguns dos passos dados para os derrubar: em 2006 foi aprovada a lei da paridade ao nível político que ajudou a que, em 2016, as mulheres representassem já 34,8% do Parlamento nacional (79 deputadas eleitas em 2016) e a que existam hoje dois entre os cinco partidos mais votados liderados por mulheres. Ainda assim, apenas 7,5% dos municípios têm uma liderança feminina. Mais recentemente, em Junho de 2017, foi aprovada a lei da paridade nos cargos de direcção para as empresas cotadas em bolsa, empresas do sector público e administração directa e indirecta do Estado.

A lente do género é hoje uma lupa sobre o mundo
Visíveis são também as diferenças na esfera doméstica e no uso do tempo pessoal, com diferentes estudos a concluírem que elas despendem em média o dobro do tempo dos homens na gestão da casa e no cuidado a dependentes. Ou seja, “os homens não passaram a participar na esfera familiar na mesma proporção que as mulheres na esfera profissional”.

Menos óbvias são as desigualdades que se escondem por detrás da “representação estereotipada dos corpos masculinos e femininos” que contribui para naturalizar as diferenças de papéis entre homens e mulheres na forma como são construídas a sexualidade e a reprodução. “A feminização do planeamento familiar é explícita quando verificámos que dos 18 métodos contraceptivos existentes apenas um é totalmente masculino — o preservativo”, notam Sandra Saleiro e Catarina Oliveira, para acrescentar: “O contraceptivo mais utilizado no nosso país é o de toma oral, ou seja, a pílula feminina, recaindo sobretudo sobre as mulheres a responsabilidade do planeamento familiar e sobre o seu corpo a contracepção, por vezes com consequências graves, sendo que o método mais usado não as protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.” A própria despenalização do aborto, “marco simbólico dos direitos das mulheres”, é “igualmente reveladora das resistências à autonomia das mulheres em Portugal”, já que foi conquistado mais de 30 anos volvidos sobre o advento da democracia e Portugal foi “um dos últimos países europeus a fazê-lo”. O mesmo se poderá dizer da Procriação Medicamente Assistida, já que até à entrada em vigor da lei, em 2016, as mulheres só eram elegíveis quando casadas ou em união de facto, o que excluía, ou empurrava para outros países, mulheres solteiras e casais de lésbicas.
tp.ocilbup@airafn

13.3.17

Centenas manifestam-se no Rossio pelos direitos das mulheres

in Jornal de Notícias
Algumas centenas de pessoas concentraram-se esta quarta-feira no Rossio para reivindicar igualdade entre homens e mulheres, entre as quais Rosa, que ali se dirigiu depois de sair do emprego, e onde recordou que a sua mãe nunca teve esse direito.

"É preciso contrariar toda uma cultura instalada. Eu trabalho fora de casa, a minha mãe nunca trabalhou, porque nunca a deixaram", contou à Lusa, ao lado de centenas de manifestantes, maioritariamente jovens e mulheres, que esta tarde se concentraram na praça do Rossio em Lisboa, num protesto inserido nas celebrações do Dia Internacional da Mulher.

Como muitas mulheres da sua geração, a mãe de Rosa passou grande parte da vida dedicada a cuidar dos filhos e do marido.

"Deu-me imenso jeito, cuidou muito bem de mim, mas não foi bom para ela", disse Rosa, quando a organização do protesto incitava aos microfones os manifestantes a repetir "Onde é que é o lugar da mulher? Onde ela quiser!".

Na frente da manifestação, que tinha como lema "Não me calo!" sucederam-se as palavras de ordem, que a dado momento foram "retiradas" dos cartazes que os participantes empunhavam para serem lidas pela organização, ao microfone, e em várias línguas.

Ana, espanhola, não levou cartaz, mas levou um amigo, aquele que a alertou para a existência da iniciativa hoje em Lisboa. Quis marcar presença "para trazer consciência à sociedade em relação aos problemas das mulheres" e para juntar a voz a uma causa que também é sua: "Também sou mulher".

Ana diz nunca ter sido diretamente vítima de machismo, mas também "pode ser que nunca tenha dado conta". Rosa diz que o machismo existe no seu dia-a-dia, até no seu núcleo familiar, em pequenos gestos e hábitos que vai tentando contrariar.

Para Rosa, o machismo não se combate com pequenas coisas, mas com mudanças efetivas, referindo que em Portugal, "aparentemente, parece tudo arrumado, mas não está", dando o exemplo da desigualdade salarial, aquilo que começaria por mudar, se pudesse.

Cláudio, um dos homens presentes na iniciativa, defende mudanças legislativas, porque alterar mentalidades é demorado e tem poucos efeitos práticos.

Quis estar presente naquela que foi a sua primeira participação numa manifestação do Dia da Mulher, porque é "contra todas as formas de discriminação" e para assinalar a luta pela liberdade da mulher, a sua definição de feminismo.

É, então, Cláudio, um feminista? "Não, nunca. Um homem nunca pode ser feminista. Pode assumir-se como libertário, nunca como feminista".

Juliana Inácio, feminista, membro da Assembleia Feminista, que integra a Rede 8 de Março -- a qual organizou a concentração de hoje -- disse à Lusa que a luta pelo feminismo "é uma luta diária" que não se faz sem os homens.

"A nossa luta não é ganha sem os homens. Instalou-se a ideia de que o feminismo odeia os homens e não é verdade. Precisamos de homens no nosso lado da barricada, até porque eles têm mães, mulheres, filhas...", disse Juliana Inácio, que acrescentou que não há mais homens a lutar pelos direitos das mulheres, porque "lhes dá jeito que continuem assim, oprimidas".

Porque "não vivemos num oásis, e a violência sobre as mulheres existe" também em Portugal, sobretudo no que diz respeito a violência doméstica, Juliana Inácio diz que faz falta ao país um movimento feminista "institucionalmente comprometido" e que junte "todas as mulheres, de todas as classes".

A concentração de hoje, organizada pela Rede 8 de Março, associa-se ao movimento internacional 'Paralisação Internacional de Mulheres', que surge depois de no ano passado na Polónia se ter proposto a criminalização do aborto, o que motivou uma greve de mulheres, e de, semanas depois, uma jovem mulher ter morrido de forma violenta.

Este movimento internacional insurge-se também contra as políticas do novo presidente norte-americano, Donald Trump, que motivou manifestações de mulheres em todo o mundo.





6.3.17

Belas e poderosas. Esta é a mensagem do IPO de Lisboa para o dia da mulher

Marta F. Reis, in iOnline

Quarta-feira vai ser instalado um estúdio de maquilhagem no pavilhão central da instituição

O IPO de Lisboa vai assinalar o Dia Internacional da Mulher com um workshop de beleza e sessões de maquilhagem, flores e ofertas surpresa. A data celebra-se todos os anos a 8 de março e desta vez a instituição preparou uma iniciativa diferente, com o apoio das empresas Lancôme e Florineve.

O workshop, marcado para as 12h00, no anfiteatro, tem a duração de uma hora e pode ser participado por profissionais da casa e utentes, informa a instituição.

No dia, as consultoras de beleza da marca vão ensinar técnicas para aplicação dos produtos e truques que permitirão realçar os melhores traços de cada rosto. A hidratação da pele, a escolha da base, a iluminação do rosto, o contorno dos olhos e dos lábios, os pincéis e as cores são alguns dos temas a tratar numa sessão em que também serão oferecidas flores e pequenos presentes a todas as participantes.

Além do workshop, será montado um estúdio de maquilhagem profissional, também da Lancôme, no átrio do pavilhão central, no Piso 1. As sessões de maquilhagem, que se destinam a todas as mulheres IPO – profissionais, doentes ou acompanhantes - começam por volta das 10h00 e estendem-se pelo período da tarde, até às 16h30.

“Mulheres IPO são belas e poderosas”, diz o IPO de Lisboa. “No Dia Internacional da Mulher e sempre!”

10.3.16

Estes são os melhores e os piores países para se nascer mulher

In "Notícias ao Minuto"

‘A Pobreza é Sexista’, defende este estudo. Os piores países para se nascer mulher são também os mais pobres.

Para assinalar o Dia Internacional da Mulher, a ONE, uma organização contra a pobreza em África, publicou esta semana um estudo anual intitulado ‘A Pobreza é Sexista’.

A investigação analisa legislação discriminatória, a proporção de mulheres em trabalhos renumerados face à proporção de homens, o PIB per capita, a frequência de escolas, o acesso a contas bancárias a probabilidade de morte durante o parto, a prevalência de anemia e a representação política das mulheres de 166 países.

Conclui-se que os piores países para se nascer rapariga estão entre os mais pobres (18 deles são considerados “os países menos desenvolvidos” pelas Nações Unidas).

Segundo este estudo, os piores países para se nascer mulher são:

1. Nigéria

2. Somália

3. Mali

4. República Central Africana

5. Iémen

6. República Democrática do Congo

7. Afeganistão

8. Costa do Marfim

9. Chade

10. União das Comores

E os melhores países para se nascer mulher são:

1. Noruega

2. Suécia

3. Dinamarca

4. Islândia

5. Finlândia

6.Países Baixos

7. Austrália

8. Nova Zelândia

9. Suíça

10. Bélgica

Desigualdade de género ainda muito presente na sociedade açoriana

Alexandra Narciso, in "Diário dos Açores"

Assinala-se hoje o Dia Internacional da Mulher. A propósito da data, a presidente da UMAR nos Açores revela, ao Diário dos Açores, que o número de chamadas a serem realizadas para o serviço telefónico de apoio tem vindo a diminuir. Não por existirem menos mulheres a sofrer, mas por haver cada vez mais entidades a prestar apoio a casos de violência doméstica e conjugal. Maria José Raposo lamenta que as desigualdades de género e os estereótipos estejam ainda “muito presentes” na sociedade açoriana, salientando haver ainda um longo caminho a percorrer para mudar mentalidades.

Cerca de 200 chamadas foram realizadas em 2015 para a Linha S.O.S. Mulher na região, segundo avançou a presidente da UMAR Açores. Um número inferior ao verificado em anos anteriores, quando a quantidade de chamadas atendidas chegou a passar das 400.
“Nos últimos anos nós tivemos um decréscimo muito grande no número de pessoas a ligar para nós, a partir do momento que passou a existir a linha 144 [Linha Nacional de Emergência], propagada por todo o país”, revela Maria José Raposo, acrescentando, por outro lado, a existência de “cada vez mais serviços de apoio às mulheres que passam por situações problemáticas”. “As pessoas já estão mais informadas, recorrem a estes serviços e ligam menos para nós”, frisa. Além disso, a presidente da instituição aponta que as mulheres têm também recorrido à UMAR através da rede social Facebook ou por email.
Desde 1997 que o serviço telefónico existe nos Açores com o objectivo de prestar apoio gratuito, anónimo e confidencial a mulheres vítimas de violência doméstica e conjugal. Em Janeiro, a linha passou a ter um novo número - 296 629 757. Está já activo, mas ainda em fase de divulgação.
“Trata-se de uma linha de esclarecimento e orientação”, refere José Maria Raposo, cuja finalidade passa também por encaminhar as vítimas para serviços mais adequados às necessidades apresentadas e à sua área de residência. Além do encaminhamento e apoio emocional, o serviço presta informação de natureza jurídica no âmbito da violência doméstica.
O atendimento é assegurado todos os dias, das 7 às 24 horas. Durante os dias úteis, entre as 9h e as 17h30, a linha é atendida pela equipa técnica da UMAR-Açores, enquanto que, no período pós-laboral e durante os finsde- semana e feriados, a linha é encaminhada para um grupo de atendedoras voluntárias que ficam escalonadas ao longo do mês.
As chamadas são efectuadas pelas próprias mulheres vítimas de violência doméstica, mas também por familiares ou pessoas próximas. “Temos recebido chamadas de familiares ou vizinhos a denunciar casos de violência, havendo ainda situações em que a pessoa começa por nos dizer que tem uma amiga que está a passar por um mau bocado. Nós acabamos por perceber que não há amiga nenhuma. É ela própria”, conta Maria José Raposo, sublinhando que a vergonha é um problema sempre presente.
“Apesar dos apoios que existem, há ainda muita vergonha e receio em admitir que se é vítima de violência doméstica e eu entendo que isto aconteça”, refere a presidente da associação. “Colocandonos no lugar destas mulheres, elas pensam: como é que eu vou dizer que sou vítima de violência conjugal deste homem, se eu é que o escolhi para a minha vida e eu é que me apaixonei por ele? Como vou fazer isso se ele, fora de casa, é uma pessoa exemplar?”, salienta.
Segundo Maria José Raposo, a ostracização destas mulheres é ainda “muito frequente” na nossa sociedade, pelo que “é preciso coragem” para assumir o que se passa perante a família e a comunidade. “Isto tem a ver com a nossa educação, com a nossa mentalidade. Nós ainda educamos as nossas filhas para obedecer aos homens”, refere.

Cada vez mais novas e com mais idade
As mulheres que recorrem à UMAR Açores são “cada vez mais novas e cada vez com mais idade”. Quando a instituição surgiu inicialmente, o cenário era diferente. “Tinham entre 30 e 40 e poucos anos. Agora, estamos a receber pedidos de ajuda de jovens de 19 e 20 anos, e de mulheres com 50 e 60 anos de idade”, indica.
Maria José Raposo aponta que as mulheres que chegam à associação são também cada vez mais qualificadas e autossuficientes. “Procuram-nos pessoas de classes mais desfavorecidas e temos também utentes com bons ordenados e, neste último caso, a vergonha é maior e o sigilo é muito mais procurado”, afirma.
Quanto ao estado civil, são na sua maioria casadas, “apesar de muitas viverem em união de facto”. “Estou a falar de casamentos longos, não de um ou dois anos de duração”, frisa.

Desigualdade de género
De acordo com a responsável, as desigualdades de género e os estereótipos estão ainda muito presentes na sociedade, incluindo nos Açores, e dá como exemplo a diferença salarial entre homens e mulheres. “Nós verificamos que, em determinadas profissões e carreiras, as mulheres não chegam ao topo. Porquê? Porque não temos as mesmas capacidades do que os homens?”, questiona. Maria José Raposo recorda que existem mais mulheres do que homens a estudar nas universidades e “que apresentam melhores notas do que eles”. “Onde é que estão estas mulheres? Dificilmente as vemos em cargos de chefia”, lamenta.
Outra problemática que aponta são as situações de assédio sexual sobre as mulheres, “É nitidamente uma violência de género”, considera. “Quando vamos na rua e somos provocadas porque temos uma roupa mais decotada ou mais curta, isto é assédio sexual”, considera.

O Dia Internacional da Mulher em São Miguel
O Dia Internacional da Mulher assinala-se hoje, 8 de Março, em vários países, de forma a reconhecer a importância e contributo da mulher na sociedade e a recordar as conquistas das mulheres e a luta contra o preconceito racial, sexual, político, cultural, linguístico ou económico.
Nos Açores, as comemorações tiveram ontem início com a colocação de uma coroa de flores junto à placa existente de Homenagem às Mulheres Vítimas de Violência Doméstica, no Parque Urbano. O objectivo passou por lembrar as mulheres assassinadas por violência doméstica e de género nos Açores. Segundo o Observatório das Mulheres Assassinadas (OMA), observatório da UMAR lançado em 2004, foram, desde então, 12 as mulheres mortas pelos companheiros e ex-companheiros na região.
Já hoje, no concelho do Nordeste, decorre esta tarde uma iniciativa da Rede de Apoio Integrado às Mulheres, da qual fazem parte diferentes IPSS e ONG que trabalham na área da igualdade e da violência doméstica e de género.
Em Ponta Delgada, acontece hoje, às 15 horas, no Centro Comercial Solmar uma “Conversa de Mulheres”, com organização da AIPA, Cresaçor e UMAR Açores.
“Podemos não concordar com o Dia Internacional da Mulher e achar que as aspirações que levaram ao surgimento desta data já estão ultrapassadas e conquistadas, mas, ao olharmos à nossa volta, vemos que ainda precisamos de muitos dias internacionais da mulher, para podermos falar de todos estes problemas”, conclui Maria José Raposo.

Participação das mulheres valoriza a cidadania activa

A deputada do PSD/Açores, Judite Parreira, considera que a participação das “mulheres valoriza a cidadania activa. Isso acontece com o papel interventivo que têm na sociedade local, desempenhado nas direcções de colectividades anteriormente totalmente dominadas pelo homem”, referiu.
A social-democrata falava após reunir ontem com um grupo de mulheres representantes de direcções das várias instituições e colectividades da vila das Lajes, “nomeadamente das Sociedades, no Espírito Santo e até no clube Juventude Lajense”, naquele que foi o primeiro de uma série de encontros que a deputada vai realizar com mulheres das freguesias da Terceira, num projecto intitulado “Política com elas”, que pretende “sensibilizar as mulheres para a importância do exercício da cidadania activa”, explicou.
A primeira reunião abordou “a importância de uma maior participação da mulher, também na vida política, usando a igualdade de oportunidades e dos direitos conquistados. Num interessante debate, foi possível compreender a visão destas mulheres sobre a situação política actual que se vive na região, no país e no mundo”, disse Judite Parreira.
A deputada realçou também “os constrangimentos que foram apontados, como a falta de formação política nas escolas, a desmotivação gerada pelo mau exemplo dos governos, ou o descrédito público em políticos e em políticas levadas a cabo por vários governos. Que se tornam razões para uma fraca participação feminina, quer na política activa, quer mesmo nos actos eleitorais”, alertou.
Do encontro resultou “um apelo público à união na luta contra a abstenção, tendo sido traçadas estratégias de combate a esta preocupante situação. Esperamos que estas reuniões nos possam fazer chegar a mais resultados”, concluiu.

Livro “Encruzilhas na Construção da Identidade das Mulheres” lançado hoje

O livro “Encruzilhas na Construção da Identidade das Mulheres”, da autoria de Piedade Lalanda, é apresentado hoje na Biblioteca e Arquivo de Ponta Delgada, Açores.
A obra, editada pela Imprensa de Ciências Sociais, será apresentada por Karin Wall, professora e investigadora do Instituto de Ciências Sociais. “Esta é uma obra que mergulha no mundo familiar, em dois universos de pesquisa, Ponta Delgada e Lisboa, através do discurso de um grupo de mulheres entrevistadas de forma compreensiva”, informa a autora.
Piedade Lalanda é actualmente professora coordenadora na Universidade dos Açores.

9.3.16

Quero que todas as mulheres se sintam seguras!

Vera Jourová, in "Público"

As vítimas de violência sexual precisam de algo mais do que de simples palavras de consolo.

Os acontecimentos registados na véspera do Ano Novo em Colónia sensibilizaram as pessoas para o sofrimento de milhões de mulheres em toda a Europa: o assédio sexual é um fenómeno diário, que afecta uma em cada duas mulheres europeias. Entre as mulheres com mais de 15 anos, uma em cada 20 já foi violada. Em Portugal, 24% das mulheres já sofreram de violência física ou sexual por um parceiro ou não parceiro (sendo que a média europeia são 33%).

No entanto, contrariamente às mulheres alemãs que tiveram a coragem de apresentar queixa na polícia e de falar à imprensa, muitas mulheres (uma em cada quatro), optam pelo silêncio. Não querem que as outras pessoas saibam, sentem vergonha ou estão convencidas de que a polícia não pode – ou pior, não as quer – ajudar.

Sei como é difícil ser vítima de violência, mas deixem que vos diga: para as vítimas, as palavras de consolo não são suficientes.

Na próxima semana, na reunião dos ministros da justiça da União Europeia, apelarei a que sejam tomadas medidas fortes para lutar contra a violência sexual.

Cada Estado-Membro da União dispõe da sua própria legislação penal, o que significa que os actos de violência, como a violação, são definidos e julgados de forma diferente consoante o país. Por outras palavras, a probabilidade de a vítima ver o agressor ser julgado em tribunal depende do país de residência. Esta situação é intolerável, pelo que estou a fazer todos os possíveis para assegurar que as vítimas tenham acesso idêntico à justiça independentemente do país em que vivam.

Na mesma linha, apresentarei igualmente aos ministros uma proposta de adesão da União Europeia à Convenção de Istambul.

Esta convenção é o primeiro tratado europeu que regula especificamente a violência contra as mulheres e a violência doméstica.

Trata-se de um poderoso instrumento na medida em que todos os países que o ratificarem ficam legalmente obrigados a proteger e apoiar as mulheres vítimas de violência, criando diferentes tipos de serviços (linhas telefónicas directas, refúgios, serviços médicos, ajuda psicológica e assistência jurídica).

Por exemplo, se uma mulher for vítima de maus-tratos por parte do marido, a polícia poderá afastá-lo do domicílio conjugal, mesmo se este for proprietário da casa.

Se uma mulher temer pela vida, terá acesso a um número telefónico nacional gratuito, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, através do qual beneficia imediatamente do conselho de peritos.

As mulheres vítimas de violação podem dirigir-se a centros de ajuda especializada, que lhe prestarão de imediato serviços de aconselhamento e assistência médica, bem como serviços de medicina legal.

A Convenção prevê igualmente a prevenção. Combater os estereótipos sexistas e fazer evoluir as mentalidades e os comportamentos em relação às mulheres e às jovens na sociedade pode contribuir para salvar vidas e reduzir o sofrimento humano.

Por esta razão, os países vinculados pela convenção devem igualmente sensibilizar o grande público – em especial homens e rapazes – e formar profissionais para intervir junto das mulheres vítimas de violência ou expostas ao risco de violência e que trabalharão em estreita cooperação com ONG especializadas.

Não podemos continuar a fechar os olhos ao assédio sexual e às violências sexuais. Exorto todas as mulheres vítimas deste tipo de actos a terem a coragem de os denunciar à polícia. Está na hora de a nossa sociedade tomar consciência da dimensão deste flagelo e de os nossos sistemas de justiça penal trabalharem em conjunto para garantir a segurança das mulheres na rua, em casa e no local de trabalho. Ao aderir à Convenção de Istambul e ao alinhar as nossas políticas, poderemos responder com mais força à violência de género e ajudar todas as mulheres europeias a sentir-se seguras em casa, no local de trabalho e na rua.

Dia Internacional da Mulher. Ainda vivemos num mundo desigual

Daniela Soares Ferreira, in "I"

Ainda vivemos num mundo desigual O dia Internacional da Mulher é, mais do que um dia de celebração, um dia de reflexão.
Apesar de haver cada vez mais avanço no que toca ao papel das mulheres na sociedade, a desigualdade de género ainda existe e ainda hoje o sexo feminino luta para conseguir direitos iguais. Acontece aqui, em Portugal e no resto do mundo .Celebra-se hoje o dia Internacional da Mulher. Esta data, apesar de atualmente estar bastante ligado ao comércio, celebra muitas conquistas femininas ao longo de vários anos e serve como alerta sobre os graves problemas na desigualdade de género no mundo inteiro.
Estamos em 2016 e várias mulheres um pouco por todo o mundo ainda lutam pelos seus direitos. Fazem-no hoje e faziam-no em 1857.
Nesse mesmo ano, uni grupo de 130 mulheres fez uma greve na fábrica textil onde trabalhava, em Nova Iorque, para exigir melhores condições de trabalho. Estas mesmas mulheres trabalhavam em condições miseráveis: 16 horas de trabalho diário a receber o terço do que recebia um homem. Reivindicavam então o aumento salarial, a redução do horário de trabalho e um melhor tratamento no local de trabalho.

Contudo, a greve não foi bem vista e não correu bem. Essas mulheres foram trancadas dentro da fábrica onde trabalhavam. que depois foi incendiada.

Morreram carbonizadas.

Mulheres reivindicaram os seus direitos pela primeira vez em 1857 num fábrica cm Nova .Iorque Apenas em 1975 a Organização das Nações Unidas oficializou o Dia Internacional da Mulher Apesar deste grave acontecimento, só no ano de 1911, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às mulheres que morreram no incêndio. A data só foi oficializada em 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU), através de um decreto.

Muito antes de a ONU institucionalizar a data, foram váras as manifestações femininas para obter melhores condições de trabalho.
Um dos protestos que mais se destaca foi a marcha que, em 1908 reuniu cerca de 15 mil mulheres em Nova Iorque que exigiam a redução horária no trabalho, bem como o aumento do salário e o direito de voto.

PELO MUNDO A história difícil da libertação das mulheres na região do Médio Oriente remonta à reforma otomana do Direito da Família em 1917 A partir de então, cm muitos países do Médio Oriente e do norte africano, as mulheres alcançaram conquistas importantes no campo dos direitos civis.

Ainda assim, a igualdade de género no Médio Oriente ainda está longe de
Cronologia Ao longo de décadas as mulheres têm lutado pelos seus direitos. E, em muitos casos, têm-no conseguido.

Surgiu a primeira lei sobre a educação das mulheres, permitindo que pudessem frequentar escolas elementares. Nesta altura ainda era proibido que frequentassem instituições de ensino mais adiantado. Essa autorização só foi dada em 1879.

1859 Surge na Rússia, em São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.
18E' As mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.

1893 Mulheres têm direito ao voto pela primeira vez na Nova Zelândia.

As mulheres passam a ter acesso ao curso de Medicina em França.

1945 Depois da Segunda Guerra Mundial, a igualdade entre homens e mulheres é reconhecida a nível internacional através da Carta das Nações Unidas.

1951 Aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade de remuneração entre homens e mulheres para a mesma função.
ONU oficializa o dia Internacional da Mulher.

Foi criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher com o objetivo de eliminar a discriminação, oferecendo-lhes mais liberdade e igualdade de direitos.

Angela Merkel foi eleita chanceler na Alemanha.

É a primeira mulher a ocupar o cargo na história do pais.

Mulheres podem votar pela primeira vez na Arábia Saudita.

ser alcançada. Ao longo dos anos, são várias as gerações de mulheres que estão a lutar pela liberdade: mulheres palestinianas lutam contra a ocupação militar, mulheres turcas lutam contra a homofobia do presidente Erdogan, mulheres sírias e iraquianas lutam contra a violência, violações e raptos por parte do Estado Islâmico.

Ironicamente, o mundo não desenvolve para todos. Há 30 anos as mulheres sírias e iraquianas tinham muito mais liberdade e direitos. Depois de muitos anos de guerras e conflitos, as mulheres viram o seu estatuto social.

civil e político erodir.

Contudo, ainda há países menos desenvolvidos onde o dia Internacional da Mulher é celebrado.

Em muitos países, o dia é tão importante que se tornou feriado público.

Nesse dia, nem o comércio funciona.

A parte estranha é que fazem parte desta lista países como o Cazaquistão e Burkina Faso. locais onde as mulheres são totalmente discriminadas. No Burkina Faso, por exemplo, a mulher não pode, de modo algum, receber o título de "chefe de família".

Em países como a Rússia, por exemMulheres do Médio Oriente ainda têm direitos muito diferentes das mulheres do ocidente tili171-111tSIOCK No Burkina Faso e Cazaquistão o dia é feriado. Mas Os direitos das mulheres ainda são poucos Amnistia Internacional e ONU lutam constantemente pela igualdade de género pio, ainda é vedado às mulheres o acesso a algumas profissões. Países como a Arábia Saudita - onde as mulheres puderam votar pela primeira vez no ano passado - o sexo feminino está impedido de tomar decisões importantes ou fazer coisas tão simples como conduzir.
EUROPA É verdade que na Europa as mulheres são cada vez mais iguais aos homens no que aos direitos diz respeito. Mas também é verdade que este é um continente com uma variedade cultural enorme.

No continente europeu, as mulheres mais prejudicadas continuam a ser as muçulmanas que ainda hoje tem dificuldade em arranjar empregoe são obrigadas pela família a usarem roupas tradicionais ou o habitual véu islâmico.

Há ainda, portanto, uma grande discrepância em relação aos direitos das mulheres na Europa. Em muitos casos, a religião é a principal causa desta desigualdade.

A Amnistia Internacional e a ONU consideram esta dia muito importante e prometem continuar a lutar para que a desigualdade de género acabe de vez.

8.3.13

Dia Internacional da Mulher assinalado de norte a sul do país

in Jornal de Notícias

O Dia Internacional da Mulher assinala-se, esta sexta-feira, com iniciativas nacionais e locais em defesa dos direitos das mulheres, lembrando que as portuguesas ganham em média menos 18% do que os homens, e estão pouco representadas nos conselhos de administração.

Logo pelas 9 horas, o sino toca na Bolsa de Lisboa e dá o arranque à conferência "E2E: inspirar, apoiar, arriscar", organizada pela NYSE Euronext Lisbon, com abertura a cargo da secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais.

Pelas 10 horas, o gabinete do Parlamento Europeu em Portugal organiza um debate sobre "O impacto da crise na vida das mulheres. Que respostas?", ao mesmo tempo que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e a representação da Organização Internacional do Trabalho promovem a sessão "Empreendedorismo Feminino".

Também durante a manhã, logo a partir das 10 horas, a sessão plenária no Parlamento vai discutir e votar vários projetos de resolução do PCP, Bloco de Esquerda, PS e Partido Ecologista "Os Verdes" em prol dos direitos das mulheres.

O Partido Comunista vai pedir o combate ao empobrecimento das mulheres e às discriminações salariais, além de ir pedir a valorização efetiva dos direitos das mulheres no mundo do trabalho, enquanto "Os Verdes" pedem a não-discriminação laboral das mulheres.

O Partido Socialista vai pedir que seja aprovado o regime jurídico das organizações não-governamentais para a Igualdade de Género, enquanto o Bloco de Esquerda quer a não discriminação laboral das mulheres, a majoração do subsídio de desemprego e do subsídio social de desemprego para as famílias monoparentais, para lá de recomendar ao Governo que alargue a proteção da parentalidade.

Também de manhã, a Confederação geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-In) assinala o Dia Internacional da Mulher com ações nos locais de trabalho e nas ruas, estando previsto que o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) promova plenários e realize uma tribuna pública, na qual vai denunciar casos de discriminação laboral de mulheres.

Mais à tarde, pelas 15 horas, a secretária de Estado Teresa Morais promove um colóquio para assinalar o Dia Internacional da Mulher, sob o tema "Decidir em igualdade: paridade na tomada de decisão económica".

As iniciativas multiplicam-se um pouco por todo o país, como, por exemplo, em Braga, com uma tertúlia sobre "Género, minorias e multiculturalismos", organizada pela associação cabo-verdiana, em Coimbra, com uma concentração organizada pela União de Mulheres Alternativa e Resposta, ou no Porto, com um jantar tertúlia do "Ciclo Feminino", com a presença das escritoras Isabel Alçada e Luísa Castel-Branco, entre outras iniciativas.

Neste dia, será lembrada a presença residual de mulheres nos conselhos de administração das maiores empresas portuguesas, representando apenas 6% do total, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), que refere existirem 162 mil empresárias, em Portugal.

Apesar de estarem em clara minoria nos conselhos de administração, em 2011, havia 162 mil mulheres que eram empregadoras (35% do total nacional). Com uma idade média de 43,1 anos, uma em cada quatro empresárias possui um curso superior.

Dados da Comissão Europeia revelam que as mulheres portuguesas têm de trabalhar mais 65 dias do que os homens, para terem o mesmo ordenado, já que ganham em média menos 18%.