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2.11.22

Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal defende que empresas devem assumir papel social

Jorge Fonseca, da agência Lusa, in RR

Para o padre Jardim Moreira "há uma amálgama que ameaça tornar-se num barril de pólvora".

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal assinalou hoje que o país tem cerca de 2,3 milhões de pobres e deve ser lembrado às empresas o seu papel social, pagando ao funcionários salários que lhes permitam viver em família.

O padre Jardim Moreira descreveu, em entrevista à Lusa, o estado da pobreza em Portugal, recorrendo a números e à experiência de vida, apontando erros como a estratégia assistencialista em detrimento do desenvolvimento do Governo e a segregação das pessoas que passaram a viver em bairros periféricos e se sentem marginalizadas.

Começando pelos números, o responsável da instituição (EAPN na sigla em inglês) revelou que o "número de trabalhadores pobres em Portugal aumentou de 12% para mais de 20% desde a chegada da covid-19". .

Partindo desta realidade, o padre Jardim Moreira sustenta haver "um empobrecimento generalizado em Portugal", agravado com a crise mundial, o aumento do preço dos bens de consumo e da energia.

"Isto tem que ver com as empresas, com a retração das empresas, do emprego precário, mas também com os imigrantes, pois há muita gente a entrar, do Brasil, de África e até mesmo do Médio Oriente", disse, antes de acrescentar que "outro índice não contabilizado é o da discriminação a algumas etnias, pois as empresas não aceitam qualquer pessoa". .

Para o responsável, "há uma amálgama que ameaça tornar-se num barril de pólvora".

A isto juntou ainda "o problema dos idosos, cujo número de pessoas sozinhas aumentou devido à covid-19, ficando sem apoio familiar e económico".

Olhando para o mapa nacional, o padre Jardim Moreira apontou que a "pobreza é muito diversificada e cada região tem problemas específicos", explicando que o "Porto é a zona do país com mais gente a viver do RSI [Rendimento Social de Inserção]".

"Depois há a etnia cigana, que em maior número se encontra no Alentejo, a viver em barracas, sem nenhuma condição de higiene. A isto junta-se o problema agrícola em Odemira, os pobres do Algarve e o Interior com o isolamento das pessoas. Não, a pobreza não é homogénea, de maneira nenhuma", frisou.

Neste sentido, alertou, pensar-se "numa resposta homogénea a isto dá asneira".

Do breve revisitar da sua memória trouxe a informação de que "em 1989 não havia em Portugal dados sobre a pobreza e sobre o desemprego e que os primeiros apareceram em 1995, referente a 1994, indicando que o número de pobres ultrapassava os dois milhões", voltando célere ao presente para lamentar que os números atuais mostrem "2,3 milhões de pobres" em Portugal.

"Sem querer ofender ninguém, temos de pensar que institucionalizamos a pobreza, temos os índices todos, temos o INE [Instituto Nacional de Estatística] a dar números, mas não atingimos as causas que geram a pobreza", insistiu o responsável.

Voltando aos números, citou outro estudo publicado há dois anos em Lisboa que mostrou que "uma pessoa que nasce pobre em Portugal precisa de cinco gerações para sair da pobreza" para depois perguntar se é para "andar cinco gerações a alimentar os pobres". .


POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL NAS CRIANÇAS
Padre Jardim Moreira. "Se as famílias forem pobres, os filhos vão sofrer as consequências"


"Temos investido muito na necessidade de se fazer um diagnóstico o mais correto possível das realidades nacionais e apresentar propostas que atinjam a causa, porque, se não as atingirmos, estaremos sempre a alimentá-la, a reduzi-la e a fazer da pobreza hereditária", voltou a alertar o pároco do Porto.

Apontado para quem decide, pediu "coragem política para intervir nas causas", insistindo que "não é só com dinheiro que se resolve a pobreza, nem com políticas públicas assistencialistas".

"Não podemos passar de um regime social para um regime assistencialista. Falta o acompanhamento e o desenvolvimento", criticou.

"Temos de pensar que, se temos mais de 20% dos trabalhadores pobres, há que lembrar às empresas a sua responsabilidade social, porque também estão a criar pobres ao não lhes pagar o suficiente para viverem em família", defendeu antes de pedir um "desígnio nacional onde todos sejam construtores de uma nova ordem" e não fiquem "apáticos ou indiferentes a dois milhões de portugueses". .

"Se assim não for, significa que a democracia está doente", refletiu. .

Afirmando concordar que se "evite que alguém morra de fome", reclama, contudo, "uma estratégia para que as pessoas saiam da pobreza, onde elas desenhem o seu projeto de desenvolvimento e felicidade", acabando de vez com "erros como o da saída das pessoas do centro das cidades para bairros periféricos onde foram destruídas, marginalizadas, num processo que não só as estigmatizou como criou mais pobreza e exclusão".

8.1.21

2021 vai ser um ano mais feliz, com Mais Ajuda

Ana Marta Domingues, in RR

Em 2021 o Mais Ajuda vai apoiar 10 projetos de inovação social dirigidos aos mais velhos. 333 mil euros é o valor que o programa Mais Ajuda da Renascença e do Lidl tem para distribuir nesta sua segunda edição. As candidaturas já abriram. Se tem um projeto inovador, IPSS ou Startup, capaz de dar novas respostas a um envelhecimento mais ativo, mais digno e mais feliz, concorra já. Descubra como o seu projeto pode ser financiado, orientado e divulgado.

Este Natal a generosidade dos ouvintes da Renascença superou todas as expectativas. Ao escolher comprar artigos Deluxe, os portugueses contribuíram com 333 mil euros para o Programa Mais Ajuda da Renascença e do Lidl.

Juntos vamos agora promover um envelhecimento mais digno e mais feliz em Portugal. Na sua 2ª edição, o Programa Mais Ajuda, o programa de inovação social que junta o Lidl e as rádios do Grupo Renascença, quer promover o envelhecimento digno e feliz e as candidaturas estão já abertas, decorrendo até ao dia 28 de fevereiro, através do site Mais Ajuda.

• O Programa Mais Ajuda:

Segundo previsões do Eurostat, em 2050 seremos o país mais envelhecido da Europa, em que mais de um terço da população serão idosos. Numa sociedade cada vez mais envelhecida, urge encontrar novas respostas para esta faixa da população, enfrentando os seus desafios atuais, nomeadamente o isolamento, a solidão e o distanciamento físico (e da tecnologia), que foram agravados com a pandemia.

O Programa Mais Ajuda visa não só procurar novas respostas ao desafio do envelhecimento feliz, como desafiar o terceiro setor a desenvolver e aprofundar boas práticas, aproximando duas realidades distintas – IPSSs – Instituições Particulares de Solidariedade Social (ou equiparadas) e Startups (ou empresas de empreendedorismo social) que tenham em comum projetos/ serviços de apoio a idosos. Serão igualmente beneficiados na sua avaliação, os projetos com capacidade de geração de emprego, igualmente importante nos dias que correm.

• Júri e Seleção dos Vencedores:

De todos os projetos candidatos, serão selecionados 10 vencedores, em março de 2021 – 5 projetos de IPSSs e 5 projetos de Startups, recebendo cada um deles o valor de 33.300 euros para implementação da sua proposta.

A equipa de júri responsável por esta seleção é composta por Filipe Almeida, presidente da iniciativa Portugal Inovação Social, Isabel Figueiredo, adjunta do presidente do Grupo Renascença Multimédia, Luís de Melo Jerónimo, diretor Social Cohesion Programme da Fundação Calouste Gulbenkian, Pedro Rocha Vieira, CEO e Co-fundador da Beta-i e Vanessa Romeu, diretora de Comunicação Corporativa do Lidl Portugal.

• Programa de aceleração do Mais Ajuda:

Adicionalmente ao apoio monetário, as Startups e IPSSs selecionadas terão acesso ao programa de aceleração do Mais Ajuda, onde, ao longo de seis semanas, poderão participar em sessões de mentoria com especialistas e em workshops, tendo igualmente acesso a outras ferramentas de apoio no desenvolvimento dos seus projetos ou implementação de novas ideias. A capacitação do terceiro setor é algo em que o Lidl tem vindo a apostar, pois acredita que esta é crítica para aumentar o impacto das IPSSs, tornando-as mais sustentáveis.

• Visibilidade do Mais Ajuda:

Para além do valor atribuído e da mentoria, os projetos vencedores terão igualmente acesso a uma maior comunicação e visibilidade nos vários canais de comunicação dos parceiros do Programa, de forma a darem a conhecer o seu trabalho e aumentando a possibilidade de angariarem futuros investidores.

Se tem um projeto inovador dirigido aos mais velhos, está na hora de se candidatar ao programa mais ajuda.

Descubra como o seu projeto pode ser financiado, orientado e divulgado.
Em 2021 estamos juntos por um envelhecimento mais ativo, mais digno e mais feliz em Portugal!

Candidaturas e mais informações no site oficial: www.maisajuda.pt


16.12.20

Responsabilidade Social: Relançar a economia através da capacitação de pessoas

Por Sandra M. Pinto, in Human Resources

A pandemia causada pela COVID-19 levou a Fundação Ageas a lançar três planos de Emergência Social após ter identificado as maiores carências que atingiram a sociedade. Não foi esquecido o desemprego, que apresenta tendência crescente.

Instituída em 1998, a Fundação Ageas assumiu, desde o início, o compromisso de apoiar a comunidade, através do voluntariado corporativo e da solidariedade social, desenvolvendo programas com impacto social na sociedade.

Célia Inácio, presidente da Fundação, sublinha: «Nascemos de uma grande vontade de promover o voluntariado, de humanizar o apoio empresarial às comunidades mais desfavorecidas e vulneráveis, procurando estimular o espírito de cidadania activa do universo do Grupo Ageas Portugal, bem como dos nossos mediadores, parceiros, familiares e amigos. Juntos, somos a força viva que faz mover cada projecto em que estamos envolvidos e inspiramos compromisso e orgulho, de forma humana e calorosa, actuando com solidariedade no sector social, especialmente no momento como aquele que hoje vivemos, onde todas as fragilidades que a pandemia realçou, reforçou a importância daquela que é a nossa missão.»

A intervenção da Fundação Ageas divide-se em três áreas estratégicas:
Voluntariado Corporativo. Através deste primeiro eixo, mobilizam-se voluntários para dar apoio a diversas instituições de solidariedade social, de Norte a Sul do País e Ilhas. As iniciativas neste âmbito consolidam-se num compromisso de cidadania activa, bem como num estreitar de laços entre as várias equipas do Grupo Ageas Portugal. «Levamos aos colaboradores valores como a entreajuda, a colaboração, a escuta e a solidariedade, valores tão importantes a nível pessoal como profissional, sendo que apoiamos uma diversidade de causas, sempre relacionadas com a inclusão, a educação e a saúde», esclarece a responsável.

Empreendedorismo e Inovação Social. Este segundo eixo de actuação conta com um programa próprio com a Escola de Impacto. «Neste âmbito, somos ainda investidores sociais de alguns projectos apoiados pelo Portugal 2020, tais como os projectos de empreendedorismo social e de inclusão, “55+”, “Vila com Vida”, ou ainda “abém:”», enuncia Célia Inácio.

Impacto Social Sustentável. O terceiro eixo apoia «iniciativas que assumem o compromisso de contribuir para um futuro melhor nas áreas da saúde, educação e inclusão, sendo a fundação parceira de projectos como a LINQUE, a Epis e a Fundação do Gil, entre muitos outros».

E agora, a pandemia Como parte do Grupo Ageas Portugal, a Fundação Ageas integrou desde o primeiro momento o plano de contingência do Grupo de resposta à pandeia. A presidente explica que a primeira preocupação, relacionada com o risco de contágio e face às medidas comunicadas pelas autoridades de saúde, consistiu em suspender todas as actividades com voluntários, bem como acções de team building solidários agendados para os meses seguintes. Mas «a responsabilidade de intervir neste quadro de pandemia é totalmente inerente à missão da Fundação Ageas que, enquanto organização corporativa de solidariedade social, desenvolve as suas actividades em parceria com dezenas de instituições de apoio às comunidades mais carenciadas e/ou vulneráveis».

Assim, a Fundação procurou adaptar-se, desenvolvendo novas formas de manter a sua missão solidária activa. «Sentimos, de imediato, a necessidade e a relevância de incentivar e salvaguardar o papel específico das instituições nossas parceiras, aquelas que lidam diariamente com as populações mais vulneráveis e de risco, designadamente pessoas idosas ou com doenças crónicas, famílias carenciadas, sem-abrigo, entre outras», destaca Célia Inácio. Essas instituições foram logo contactadas, para identificar rapidamente as necessidades prioritárias. Foram elas: a fome, o isolamento dos mais idosos, a necessidade de equipamentos de protecção individual (EPI) e de equipamento informático para as aulas à distância.

Neste contexto, a Fundação Ageas reforçou a parceria que já tinha com alguns parceiros, como a AMI – Assistência Médica Internacional, no apoio aos mais carenciados e vulneráveis através do projecto “os AMIgos são para as ocasiões”, com voluntários e angariação de fundos; com a Go Parity e o movimento Tech4Covid19 de angariação de fundos para aquisição e distribuição de EPI para os hospitais; e com o Movimento SOSvizinho, que ajuda pessoas com maior vulnerabilidade, vizinhas e isoladas, através da distribuição de bens essenciais.

Planos de emergência social
A Fundação Ageas criou três Planos de Emergência Social para responder de forma estruturada e adequada às crescentes necessidades de apoio social: 1.º Plano de Emergência Social contra a Fome e o Isolamento, que veio responder ao aumento exponencial das necessidades em bens alimentares dos mais vulneráveis e ao isolamento dos idosos, por via do fecho dos Centros de Dia, devido à COVID-19. «Este plano específico passou por um apoio financeiro e humano: financeiramente, a Fundação Ageas duplicou o montante recebido da consignação fiscal (IRS de 2018) para apoiar sete instituições, cuja missão é ajudar os mais carenciados na luta contra a fome», esclarece Célia Inácio, concretizando: «Através das instituições Porta Solidária e SAOM, no Porto; CASA, Comunidade Vida e Paz, É um Restaurante e SoUma, em Lisboa; e CASA, no Funchal, chegámos a cerca de 1700 pessoas, tendo sido doadas mais de 11 toneladas de alimentos.»

2.º Plano de Emergência Social de Protecção Individual para Lares e Serviços de Apoio ao Domicílio, que consistiu na compra de EPI, oferecidos a 23 instituições, de Norte a Sul do País, impactando mais de 700 técnicos e mais de dois mil beneficiários. «Sentimos que foi um apoio significativo na imensa falta de meios destas instituições e acreditamos que se todos nos co-responsabilizarmos pelo bem comum, por pouco que seja, faremos a diferença nas comunidades», acredita a responsável.

3.º Plano de Emergência Social para a Educação, que visa minimizar o impacto da educação à distância nas crianças e jovens mais vulneráveis sem acesso a computador nem Internet e, assim, facilitar a continuidade da aprendizagem neste contexto de pandemia. «Desde 15 de Setembro que doámos 50 computadores, com o apoio da Dell, e 50 acessos à Internet, oferecidos pela Altice Portugal», destaca Célia Inácio, revelando que no âmbito desta estratégia de minimização dos impactos da COVID-19 na sociedade foram investidos 275 mil euros.

No terreno
Os diferentes planos foram implementados em parceria com organizações sociais parceiras da Fundação Ageas que actuam no terreno e que lidam com as populações mais vulneráveis e de risco. «De destacar também a colaboração de 172 voluntários e 436 doadores», faz questão de sublinhar Célia Inácio, que acrescenta que, em todos estes planos de actuação, a principal preocupação foi incentivar e salvaguardar o papel específico das instituições de solidariedade social.

O apoio financeiro contra a fome beneficiou sete instituições. «Foram cerca de 1700 beneficiários, bem como mais de 26 mil euros doados, um equivalente a 11 toneladas de alimentos», avança, enquanto no programa contra o isolamento, “Chamada Amiga – Adopte um avô”, 60 voluntários “adoptaram” 60 avôs/avós, provenientes de 12 centros de dia e afins, traduzindo-se em mais de 300 horas de conversação via telefone.

No Plano de Emergência Social de Protecção Individual para Lares Serviços ao Domicílio, os voluntários da Fundação Ageas produziram mais de 12 mil máscaras comunitárias, ou de uso social, as quais foram doadas a organizações sociais, a grande maioria lares.

Célia Inácio acredita que «os números falam por si», tal como os testemunhos recebidos das organizações sociais apoiadas, «desde o primeiro instante, todos mostraram a importância e a diferença que os planos de Emergência Social implementados pela Fundação Ageas fizeram naquele preciso momento».

Além dos planos acima referidos, e depois da urgência inicial, foi essencial pensar no futuro e na nova realidade, destacando-se outro grande problema social e económico, o desemprego, que apresenta tendência de crescimento. «O período de confinamento e a consequente paragem da economia fez aumentar drasticamente a percentagem de desempregados em território nacional», constata a responsável.

«A Fundação Ageas quer ser parte da solução, evitando o desemprego de longa duração e ajudando a relançar a economia, através da capacitação de pessoas, mas também da sua motivação, de forma a voltarem a acreditar que é possível recomeçar.» Isto explica o nome da versão online da Escola de Impacto, “Relança-te”, lançada em parceria com o Impact Hub Lisbon, que terá a seu cargo a sua implementação. «Este programa é destinado a pessoas com mais de 21 anos que perderam o emprego durante esta crise pandémica», explica Célia Inácio. «Consiste num percurso de capacitação e motivação de mais de seis meses que inclui um bootcamp, um programa de aceleração e de incubação, acompanhado por formadores e mentores experientes. Todas as fases prevêem um processo de selecção e só os projectos escolhidos seguem para a fase seguinte.»

Para apoiar a mudança para o empreendedorismo, a Fundação Ageas oferece uma bolsa de 1500 euros a cada um dos 10 projectos seleccionados, para os três meses de Incubação, tendo as candidaturas decorrido até 12 de Outubro.

Nunca baixar os braços
A missão da Fundação Ageas é investir na comunidade, pelo que vai continuar a agir e a adaptar as suas iniciativas à nova realidade. «Na verdade, este período mais conturbado da nossa história só reforçou a importância da nossa missão e de tudo o que temos vindo a fazer», defende Célia Inácio. «Graças aos nossos voluntários e parceiros da economia social, vamos continuar a agir com o coração e a ter um impacto social positivo na sociedade.»

Relativamente a futuras acções, a presidente refere que vão ficar atentos às prioridades e urgências de solidariedade social dos parceiros. Por outro lado, a Fundação vai aumentar, progressivamente, as actividades de voluntariado no terreno, com todos os cuidados de protecção e prevenção que a situação requer, preservando a saúde de todos. «Existem muitas formas de ser voluntário e solidário e, agora mais do que nunca, todo e qualquer apoio que possamos dar à comunidade é essencial.»

Célia Inácio reitera: «Momentos como o que agora vivemos reforçam a importância que entidades corporativas, como a Fundação Ageas, assumem perante a sociedade, não somente num propósito, mas também pela forma como se co-responsabilizam pelo bem comum. Por pouco que seja, faremos a diferença nas nossas comunidades se formos muitos a agir. Não podemos esquecer que haverá um período pós-COVID-19 que evidenciará muito mais dificuldades do que as que tivemos nestes últimos meses e que ainda vamos ter. Por isso, é importante que, após uma solução para o problema de saúde pública que vivemos, as questões sociais não sejam esquecidas.»

Olhando para os próximos meses, a responsável não esconde que serão tempos de grande incerteza. «Pela segunda vaga, mas não só. Será um período em que muitas medidas de apoio acabam e, por isso, a sociedade vai continuar a viver momentos de grande dificuldade.» Não obstante, encara «o futuro com grande esperança». E confia que «a entreajuda e a co-responsabilização se multipliquem e perdurem no tempo, COVID e pós-COVID»

Este artigo foi publicado na edição de Novembro (nº. 119) da Human Resources.

5.2.18

O hotel que aquece as águas com o sol e oferece dormida aos carenciados

Conceição Antunes (textos), José Caria (fotos), in Expresso

O hotel Neya, em Lisboa, separa 70% dos seus lixos para reciclagem, incentiva os hóspedes a usar bicicleta e tem 'quartos solidários' para famílias de baixos recursos com crianças hospitalizadas. Foi o vencedor do Green

Project Award 2017 e vai este ano compensar todas as suas emissões de CO2 com a plantação de árvores no interior do país

É um hotel de quatro estrelas em Lisboa que disponibiliza bicicletas aos hóspedes para conhecerem a cidade sem gerarem 'pegada' em termos de transporte. Mas isto está longe de resumir as metas ambientais do Hotel Neya, onde as águas são na maioria aquecidas com recurso a energia solar, 70% dos lixos são separados para reciclagem e o consumo de água é controlado por redutores de caudal - a par de uma série de iniciativas de caráter social, como dar dormida a famílias carenciadas com crianças hospitalizadas e que vivem fora de Lisboa.

O Hotel Neya foi vencedor do prémio Green Project Award 2017, promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente, a Quercus e uma série de entidades, e com o apoio do Governo português e da Comissão Europeia. É o último prémio a somar-se a uma série de distinções de sustentabilidade já arrecadadas pelo hotel de Lisboa de propriedade 100% portuguesa e que tem este conceito pensado de raíz desde que abriu em 2011.

Com o projeto 'quarto solidário', o Hotel Neya já deu dormida a mais de 30 famílias com crianças internadas em hospitais

Neste hotel no centro de Lisboa, as arrumadoras de quartos têm de dar atenção especial aos lixos, e neste momento 70% de todos os resíduos produzidos são separados para posterior reciclagem. Na 'casa dos lixos' num dos pisos inferiores são depositados todos os desperdícios, desde papel, plástico ou vidro (estando todos os quartos munidos de separadores) até óleos alimentares, rolhas, tampas, pilhas, tonners ou medicamentos fora do prazo, entre muitos outros.

“Apresentamos a mais elevada taxa de separação de resíduos destinados a reciclagem, e que temos vindo sempre a melhorar”, faz notar Pedro Teixeira, responsável pelo departamento de Qualidade, Ambiente e Segurança do Hotel Neya.
Cerca de um terço do volume total de lixo são resíduos orgânicos, que são encaminhados para a Valorsul para a produção de adubos. Uma parte inclui desperdícios alimentares, mas a comida em bom estado de consumo é cuidadosamente separada para ser doada a instituições sociais, com destaque para a Fundação Ronald McDonald.

No cimo do hotel estão instalados os painéis solares que garantem 60% do aquecimento de águas
josé caria
Uma das coroas de glória do hotel é a eficiência energética, visível nos 20 painéis solares e geradores instalados na cúpula do edifício, e que fazem com que “60% da água quente do hotel venha de uma fonte de energia renovável e limpa, que é o sol”, salienta Pedro Teixeira.
Segundo o responsável, apesar de “partir de uma base muito reduzida”, as metas de sustentabilidade no Hotel Neya têm tido sucessivas melhorias: entre 2012 e 2017 os consumos de eletricidade por quarto ocupado diminuíram 35%, os consumos de gás 20% e os consumos de água 7%. Cerca de 90% da iluminação do hotel já é de LED, para garantir consumos mais baixos.


Localizado em frente ao Hospital da Estefânia, o Hotel Neya também se destaca pelas iniciativas de responsabilidade social em particular com o 'quarto solidário', tendo já oferecido 69 dormidas a 30 famílias de baixos recursos com crianças hospitalizadas e que vivem fora de Lisboa.

O Hotel Neya foi escolhido como um exemplo pela câmara de Lisboa no âmbito do projeto Urban Waste que se propõe reduzir os resíduos associados ao turismo em 11 cidades europeias.

E este ano propõe-se dar um salto quântico: todas as emissões de CO2 associadas ao hotel relativas a 2017 (incluindo o transporte de turistas, trabalhadores, etc) vão ser quantificadas e compensadas com o equivalente em plantação de árvores no interior do país.

“Vamos tornar o hotel carbono zero. É como se o hotel não existisse e não fizesse emissões nenhumas”, frisa Pedro Teixeira.

15.12.17

Responsabilidade Social: como uma consciência social pode atrair e reter talento

Marco Barbosa, in o Observador

Estudo revela que 84% dos Millennials admitem que ter um impacto positivo no mundo é mais importante do que o reconhecimento profissional. Mas o que significa isso para as empresas?

Os Millennials superam já qualquer outra geração na força de trabalho e, até 2020, representarão mais de metade do seu total. E, ao contrário de muitos de seus predecessores, os Millennials são mais motivados por melhorar o mundo que os rodeia, do que por cargos de prestígio ou empregos com remuneração elevada.

De acordo com um estudo da Universidade de Bentley, 84% dos Millennials admitem que ter um impacto positivo no mundo é mais importante do que o reconhecimento profissional. Mas o que significa isso para as empresas que tentam atrair e reter os melhores talentos? Se a recompensa monetária e o reconhecimento profissional não funcionam como incentivos, o que funcionará?

A resposta: responsabilidade social e ambiental
A ideia de que conseguimos mudar o sistema de dentro para fora parece ter morrido juntamente com a crise financeira, mas os Millennials entendem que conseguem usar o seu poder de influência para encorajar as empresas a contribuirem positivamente para o mundo que as rodeia. O Millennial Impact Report descobriu que mais de metade dos Millennials são motivados em trabalhar em empresas cuja missão é transformar o mundo.

Isso levou a uma mudança incremental na forma como as empresas se apresentam e a uma redução em atividades geradoras de desperdício, tais como o excesso de impressão em papel. Mas as empresas precisam de ter uma visão mais abrangente do que apenas poupanças na eficiência – é necessário que demonstrem um compromisso com a promoção de mudança no mundo. Isto trará a solidariedade social para o primeiro plano tornando-a um aspeto-chave para todas as empresas nos próximos anos.

O relatório Global CEO Survey da PwC mostra que 64% das empresas consideram que as suas políticas de solidariedade social são um aspeto fundamental do seu negócio. No entanto, apenas 29% das empresas se focam na responsabilidade social como estratégia para atrair e reter os melhores talentos na sua força de trabalho.
As empresas que demonstrem compromisso a longo prazo, implementando bons processos e plataformas para gerir as suas políticas de responsabilidade social, superarão outras em termos de aquisição e retenção de talentos, produtividade e vendas.

Atrair os melhores talentos
De acordo com o relatório Project ROI, 76% dos americanos não aceitariam um emprego numa empresa com má reputação, ainda que estivessem desempregados, e 45% dos Millennials declararam que aceitariam um corte salarial optando por trabalhar para uma empresa que tenha um impacto social ou ambiental positivo. Ao mesmo tempo, 78% dos Millennials dizem que a responsabilidade social influencia diretamente se eles trabalhariam em determinada empresa, 90% dizem que querem usar as suas competências para o bem, 75% dos colaboradores querem participar dos programas de filantropia e voluntariado da sua empresa e 93% dos colaboradores que se voluntariam estão felizes com o seu empregador. Estes dados reforçam a importância inequívoca de uma boa reputação em termos de responsabilidade social.

Segundo a Harvard Business Review, não é necessariamente oferecendo mais dinheiro que se conseguem atrair e reter os recursos humanos que “vestem a camisola” e acreditam na empresa. As empresas precisam de demonstrar que estão empenhadas em ter um impacto positivo, que os colaboradores são envolvidos nesse processo e que isso é um aspeto fundamental na sua operação.

O mesmo relatório descobriu ainda que responsabilidade social reduziu a taxa de rotatividade do pessoal em 25-50% – o mesmo efeito que um aumento salarial de 3.700 dólares por ano. Isto permite uma poupança nos custos de recrutamento de 90-200% do salário anual de um colaborador. Assim, a responsabilidade social não só ajuda a atrair os melhores talentos, mas contribui também para os reter.

Melhorar a produtividade
Segundo a Gallup, 17,2% dos colaboradores são “tóxicos” e cada um tem um custo de cerca de 12.000 dólares por ano em baixa produtividade. Simon Sinek defende que a motivação das pessoas assenta na razão pela qual as empresas fazem o que fazem, mais do que a forma como o fazem. Isso é útil de uma perspetiva de gestão de marca, mas também se transfere para o funcionamento diário do negócio.

Apesar do receio de que as políticas de responsabilidade social ocupem o tempo dos colaboradores com tarefas não diretamente imputáveis ao seu cargo, os programas de solidariedade social têm demonstrado ser capazes de melhorar a produtividade em cerca de 13%, de acordo com o Project ROI.

O grande desafio para os empregadores é encontrar uma forma de gerir eficientemente estas políticas. Dedicar demasiado tempo e atenção pode ser uma distração e anular os ganhos de produtividade, mas dedicar pouco tempo acarreta o risco de o compromisso social se perder. Algumas grandes empresas estão mesmo a recrutar diretores de responsabilidade social (muitas vezes em colaboração com diretores de RH e Marketing) para gerirem o seu impacto, donativos, e programas de voluntariado. No entanto, para empresas mais pequenas, tal poderá não ser necessário ou viável.

Habilitar o programa de responsabilidade social com tecnologia traduz-se numa gestão manual mínima, e é geralmente a melhor e mais fácil forma de envolver todos os colaboradores, possibilitar novas funcionalidade e analisar o impacto. Os colaboradores têm então o poder de decisão e as ferramentas para se envolverem, ou não, com as ações de voluntariado, ou angariação de fundos para causas pessoais ou sociais com as quais se identificam.

Aumentar as vendas
As políticas de solidariedade social são uma excelente forma para atrair, reter e inspirar os melhores talentos. Mas o impacto não se fica por aí: também os clientes são inspirados pelas políticas de responsabilidade social.

Nos Estados Unidos, 83% dos consumidores dizem querer consumir mais produtos e serviços de empresas que contribuem para uma causa social, e 62% dizem-se motivados a mudar de marca na ausência de um propósito social claro.
Como tal, as empresas com uma boa reputação social veem as suas vendas aumentar em até 20%, de acordo com o relatório Project ROI, e por cada dólar em contribuições filantrópicas podem gerar 6 dólares de receita (dentro da razoabilidade).

É claro que as vendas não aumentarão se os clientes não conhecerem o trabalho que a empresa realiza, por isso a divulgação é um aspeto crítico. Isso geralmente é mais fácil de dizer do que de fazer, mas um gestor de responsabilidade social ou plataforma tecnológica deve poder registar e analisar os donativos, horas de voluntariado, causas apoiadas, medir o impacto nos colaboradores, etc.. Esses factos ajudam a comparar o seu negócio com outros e demonstrar o seu compromisso, proporcionando um excelente material de marketing.

Marco Barbosa é empreendedor social e foi selecionado pela ‘Forbes 30 under 30’ na categoria de Empreendedorismo Social em 2016. O seu atual projeto é a eSolidar, uma plataforma tecnológica que liga empresas a instituições de solidariedade social, com o objetivo de promover o desenvolvimento de programas de responsabilidade social, filantropia e voluntariado

10.10.17

Sobre a ciência do lucro e a responsabilidade social

João Cotter Salvado, in o Observador

Portugal é um caso de sucesso a nível mundial na área da inovação social, sendo um dos sete países no mundo que conseguiu nota máxima na política nacional neste campo. Como fazer ainda melhor?

Se há pouco tempo o "social" e o "corporativo" pareciam distantes, hoje é difícil vê-los separadamente. A resolução dos grandes desafios da atualidade, como o envelhecimento da população, o desemprego jovem ou as alterações climáticas, parece requerer a colaboração de todos os setores da sociedade. As empresas são cada vez mais chamadas a intervir e a ter um papel ativo na procura de solução para estes problemas.

Parece evidente que o envolvimento das empresas é benéfico para resolver estes desafios, mas o impacto que pode ter nas empresas propriamente ditas é menos claro. Fará bem às empresas fazer o bem? Fará sentido serem responsáveis?

A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) é um conceito abrangente, mas pode ser considerada como a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais por parte das empresas nas suas atividades. Esta definição tenta, de forma simplificada, captar o essencial de um conceito que pode ser entendido de, pelo menos, 37 formas diferentes. Na prática, a RSC abrange um conjunto diverso de práticas, como é o caso de contribuições financeiras para uma associação local, a promoção de um ambiente de trabalho digno e livre de discriminações ou a redução de poluição ou desperdício nos processos produtivos.

A definição de RSC procura também abranger práticas mais integradas na estratégia da empresa associadas, por exemplo, a conceitos recentes como o de valor partilhado, as empresas B ou a inovação social (vale a pena reler o artigo do também Global Shaper António Miguel com alguns dos melhores exemplos nacionais nesta área).

Em Portugal, a RSC é parte integrante da vida das grandes empresas. De acordo com dados de um relatório da KPMG, mais de 80 das 100 maiores empresas portuguesas reportam iniciativas de RSC (um número que tem vindo a crescer ao longo dos anos). Além disso, Portugal é um caso de sucesso a nível mundial na área da inovação social, sendo considerado um dos sete países no mundo que conseguiu nota máxima em termos de política nacional de estímulo à inovação social. Estes são dados publicados num estudo recente elaborado pela The Economist. Para este sucesso muito contribuíram organizações da sociedade civil, como o Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial (GRACE) ou a Social Business School (IES). Foram incansáveis na construção de um ecossistema favorável à proliferação destas práticas.

A comunidade científica tem estado atenta e curiosa em relação ao desenvolvimento recente da prática da RSC. Neste artigo, vou fazer uma breve viagem pela investigação recente em RSC com o objetivo principal de informar. Inevitavelmente, todos interagimos com muitas empresas, quer seja através do trabalho, da compra de um produto ou mesmo de um investimento. Acredito que o conhecimento pode ser poderoso e se soubermos bem analisar o bem que a RSC faz às empresas, conseguiremos ser mais eficazes ao inspirar as empresas a melhorar as suas práticas nesta área.

Começando a viagem: mas faz mesmo bem às empresas serem responsáveis?

A evidência empírica não é totalmente esclarecedora. Por exemplo, numa análise de mais de 27 mil observações durante um período superior a 20 anos, este artigo conclui que não há uma relação causal entre RSC e a performance financeira das empresas. Estes autores concluem que há, no entanto, uma relação no sentido inverso: as empresas bem sucedidas financeiramente num determinado ano tendem a investir mais em RSC nos anos seguintes. Um outro trabalho, que analisa esta relação para empresas recentemente criadas conclui que a relação entre RSC e a performance financeira da empresa é, em média, negativa. O mesmo resultado foi também encontrado neste artigo para o conjunto das empresas mais importantes do Gana. Níveis mais altos de RSC parecem estar sistematicamente associados a menor sucesso financeiro neste contexto.

Apesar destes estudos, parece haver um consenso relativamente alargado de que a responsabilidade social faz bem às empresas. Na mais completa revisão literária nesta área, onde são examinados 251 estudos sobre a ligação entre RSC e os resultados financeiros das empresas, conclui-se que o efeito é, em média, positivo - mas reduzido.

Parte da razão para o efeito ser reduzido (e por vezes até negativo) pode ter a ver com o facto de os efeitos da RSC só se conseguirem sentir passado algum tempo. Por exemplo, esta avaliação também não encontra qualquer efeito imediato no lucro da empresa, mas concluiu que o conjunto das empresas mais responsáveis tem melhores resultados financeiros e maiores hipóteses de sobreviver a longo prazo, quando comparado com um conjunto similar de empresas menos responsáveis.

Mas então o que muda nas empresas quando estas se tornam mais responsáveis?

Uma grande parte da investigação em Gestão tem-se focado em tentar perceber os diferentes caminhos através dos quais a RSC pode melhorar a performance financeira futura. Continuarei a viagem abordando exatamente isto e focando-me no que, para mim, é o essencial: os efeitos que a RSC tem nas relações importantes que a empresa tem de estabelecer para funcionar bem. Nomeadamente, as relações com colaboradores, clientes e investidores.

Começando pelos primeiros, a RSC permite criar ligações fortes entre os colaboradores e a empresa. Este artigo publicado há poucos meses demonstra que a RSC influencia positivamente a forma como os trabalhadores se identificam com a organização. Esta identificação com a empresa aumenta o empenho e a motivação dos colaboradores. Um trabalho recente conclui que as empresas lançam muitas vezes ações de RSC precisamente para responder ao fraco envolvimento dos seus trabalhadores e prevenir os seus comportamentos adversos (como o absentismo). Aqui demonstra-se, através de dados individuais de mais de 10 mil colaboradores de uma empresa, que a sua participação numa iniciativa corporativa de cariz social aumenta significativamente a retenção desses mesmos colaboradores. E este artigo conclui que a responsabilidade social causa um acréscimo da inovação da empresa por encorajar mais experimentação e aumentar a capacidade inovadora dos seus colaboradores.

No exterior da empresa, a RSC parece ajudar na relação com os clientes. Um artigo que analisa um conjunto de empresas ao longo de um intervalo de dez anos conclui que, quando uma empresa aumenta as doações para causas sociais, as suas receitas crescem em períodos subsequentes. Este efeito tem a ver com a satisfação do cliente e é particularmente significativo no caso de empresas que produzem bens ou serviços diretamente para o consumidor (por exemplo, roupa ou comida). Outro artigo mais recente mostra que os produtos introduzidos no mesmo mês em que uma empresa apoiou um evento de caridade têm maior sucesso (conseguindo serem vendidos por períodos mais longos) quando comparados com produtos similares introduzidos noutros meses.

Finalmente, a RSC parece ajudar a forma como os investidores se relacionam com a empresa. O envolvimento da empresa em RSC é uma forma de sinalizar aos investidores que a empresa está comprometida em criar valor a longo prazo e, por isso, quando as empresas anunciam uma nova ação e RSC, os investidores tendem a responder positivamente. Além deste efeito, a RSC parece funcionar como um género de paraquedas, protegendo a empresa quando algo negativo acontece. Como este artigo conclui, quando as coisas não estão a correr bem (por exemplo, quando a empresa é alvo de uma sanção legal), o envolvimento em RSC ajuda a aliviar a má reação dos investidores. A evidência neste estudo mostra que o efeito paraquedas tem uma duração relativamente curta, sendo importante um investimento contínuo para que ele continue a funcionar.

No geral, este efeito positivo da RSC no fortalecimento de relações importantes com colaboradores, clientes e investidores, estimula o desenvolvimento de aspetos menos tangíveis do negócio (como, por exemplo, a capacidade de a empresa se diferenciar e inovar, a sua reputação ou a sua cultura) que vão permitir à empresa ter melhores resultados financeiros no futuro. Estas relações de confiança vão ajudar as empresas com boa performance financeira a conseguir sustentá-las com maior facilidade e ajudar as empresas com má performance financeira a conseguir melhorá-las.

Como referi, o meu objetivo era partilhar algum do conhecimento académico recente sobre esta ligação, por vezes difícil de compreender, entre a RSC e o lucro. Os desafios que enfrentamos são grandes e tenho a convicção de que temos de garantir que as nossas empresas continuam cada vez mais empenhadas em participar ativamente na sua resolução. Estando mais informados sobre este assunto, podemos aproveitar melhor as nossas interações com as empresas para convencê-las do bem que faz fazer o bem.

João Cotter Salvado é Doutorando em Estratégia e Empreendedorismo na London Business School. É casado, tem 33 anos, e 3 filhos. Juntou-se ao Global Shapers Lisbon Hub em 2013.

O Observador associa-se aos Global Shapers Lisbon, comunidade do Fórum Económico Mundial para, semanalmente, discutir um tópico relevante da política nacional visto pelos olhos de um destes jovens líderes da sociedade portuguesa. Ao longo dos próximos meses, partilharão com os leitores a visão para o futuro do país, com base nas respetivas áreas de especialidade, como aconteceu com este artigo sobre os impactos para a empresa da responsabilidade social corporativa. O artigo representa, portanto, a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da Comunidade dos Global Shapers, ainda que de forma não vinculativa.

29.9.17

Políticos não estão interessados em acabar com a pobreza

in Diário do Minho


A denúncia foi feita ontem pelo presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza. «Não quero estar a dizer mal dos partidos, mas a verdade é que a ideologia [política] não está muito preocupada com o combate à pobreza.

31.8.17

'eSolidar para empresas': Uma nova plataforma de responsabilidade social

in Notícias ao Minuto

A 'Business eSolidar', lançada pela startup de Braga com presença internacional eSolidar, trata-se uma ferramenta que e permite aos funcionários de uma empresa maximizar e analisar o impacto social, pois permite que possam partilhar e até sugerir ideias para apoios sociais.

Através da plataforma, a empresa pode compensar os funcionários com cartões presente para usarem em causas sociais em que acreditem, podem criar leilões solidários, campanhas de crowdfunding ou uma ‘bolsa de necessidades’ para fazer donativos, angariação de bens ou que permita aos funcionários inscreverem-se para voluntariado em instituições de caridade locais.

A empresa só precisa de se registar no site, convidar os funcionários para integrarem a plataforma e fica assim com uma solução de ajuda social.

1.8.17

Braga: Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal debate «responsabilidade social e desenvolvimento comunitário»

in Agência Ecclesia

Partilhar conhecimentos e “experiências bem-sucedidas de desenvolvimento social e comunitário”, assentes em formas de investimento social, e divulgar estratégias de intervenção e metodologias criativas para “a inovação e sustentabilidade” dos projetos comunitários são os outros objetivos deste evento.

Segundo o programa na sessão de abertura, a partir das 14h30, vai estar presente o presidente da EAPN Portugal, o padre Jardim Moreira, e a vice-presidente da Cáritas Arquidiocesana de Braga, Eva Ferreira, com o vice-presidente do município, Firmino Marques.

Segundo a Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, 15 minutos depois realiza-se o primeiro painel, sobre responsabilidade e inovação social, seguido de debate, a partir das 16h00, havendo lugar a mais um, desta vez sobre boas práticas, a partir das 16h30.

Com o tema ‘Responsabilidade social e desenvolvimento comunitário’ o encontro no dia 26 do próximo mês tem como destinatários entidades da Economia Social, associações empresariais e comerciais e tecido empresarial.

O encontro vai realizar-se no Auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, e a organização informa que a participação é gratuita mas de inscrição obrigatória, até 26 de setembro.

A EAPN - Rede Europeia Anti Pobreza/Portugal é uma instituição de solidariedade social de âmbito nacional, constituída par mais de 1000 instituições e pessoas em nome individual, e integra o European Anti-Poverty Network, uma organização europeia composta por 31 sedes nacionais e 18 organizações europeias.

Em 2010, a organização foi distinguida pelo seu trabalho pela Assembleia da República com o Prémio dos Direitos Humanos.

25.7.17

Voluntariado: Fundação católica quer empresas a reconhecer «competências humanas»

in Agência Ecclesia
ais de mil portugueses dedicam tempo a projetos missionários em Portugal e no mundo, este ano

Lisboa, 21 jul 2017 (Ecclesia) - A Fundação Fé e Cooperação (FEC), da Igreja Católica em Portugal, quer ver reconhecidas as “competências humanas” que os voluntários adquirem, quando estes regressam ao mercado de trabalho.

“A FEC está a trabalhar nos últimos anos em projetos europeus que visam reconhecer as competências dos voluntários”, refere à Agência ECCLESIA a coordenadora da Plataforma do Voluntariado Missionário da fundação, Catarina António.

1403 portugueses vão dedicar-se a ações de voluntariado missionário em 2017: 389 jovens e adultos realizam projetos de voluntariado missionário em países em vias de desenvolvimento e 1014 desenvolve atividades de voluntariado/missão em Portugal.

Catarina António assinala que algumas empresas estão a perceber que” mais do que as competências técnicas, que são essenciais para algumas funções, são necessárias competências humanas”.

“Estes voluntários trazem essas competências humanas. Regressam com novas formas de ser e de estar, muitos deles até continuam a apoiar os projetos a partir de Portugal”, sustenta.

Catarina António, que já foi missionária em Moçambique, Timor-Leste e Brasil, fala na entrevista publicada na mais recente edição do Semanário ECCLESIA das centenas de voluntários portugueses que partem em missão para vários destinos, sobretudo no espaço lusófono.

“Quando falamos de missão, pensamos só na missão ad gentes, para fora, mas nós não contabilizamos só as 389 pessoas que vão para fora. Estamos a falar também de pessoas que se envolvem em voluntariado missionário aqui mesmo no seu país”, precisa.

A responsável da FEC recorda que “ninguém parte de um dia para o outro”.

“É preciso um compromisso, uma preparação, em norma com a duração de um ano”, acrescenta.

A coordenadora da Plataforma do Voluntariado Missionário da FEC observa que, muitas vezes, esta experiência muda “a simples forma de ver as coisas e de estar”.

A experiência de missão de voluntários católicos está no centro da mais recente edição do Semanário ECCLESIA.

12.4.16

Responsabilidade Social Empresarial na Europa

Marta Lopes, in "Oje"

A Responsabilidade Social Empresarial (RSE) nasceu e popularizou-se nos EUA com grandes empresas e magnatas a realizarem contributos para causas sociais. A Europa adotou esta prática muito mais tarde e com maior discrição. São, por isso, evidentes as diferenças entre os dois lados do Atlântico, nomeadamente em termos de linguagem, de orçamentos alocados à RSE e de maturidade empresarial. Apesar disso, nos últimos anos, o velho continente tem vindo a apostar no desenvolvimento e implementação de políticas de RSE recuperando o tempo perdido.
A Comissão Europeia (CE) tem sido a grande impulsionadora da RSE na Europa, sendo a sua iniciativa mais importante a publicação do Livro Verde “Promover um Quadro Europeu para a Responsabilidade Social das Empresas”, que reforça a base voluntária e alerta para a necessidade destas contribuírem para a promoção de uma sociedade mais justa e um ambiente mais limpo.

Neste Livro Verde distinguem-se duas dimensões de RSE: a interna e a externa.

No plano interno, destacam-se as práticas relacionadas com os trabalhadores - foco no investimento, no capital humano, na gestão de recursos humanos, na saúde, na segurança e na gestão da mudança - e nas práticas ambientalmente responsáveis - atividades relacionadas com a gestão dos recursos naturais e impacto ambiental. No plano externo, realça-se o envolvimento de todos os stakeholders com relevo para a temática das preocupações ambientais globais e o respeito pelos direitos humanos.

Em 2011, a CE reviu o seu conceito de RSE para uma visão mais simples e abrangente: “responsabilidade das empresas pelo seu impacto na sociedade”. Esta nova interpretação aproxima a Europa dos princípios reconhecidos internacionalmente para o âmbito da RSE, do conceito da OCDE, da ISO 26.000 e dos Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos das Nações Unidas. Um detalhe que passaria despercebido não fosse a primeira vez, em 10 anos, que a Comissão altera a sua definição, com o intuito de se adaptar às novas realidades, apelando às empresas para incorporarem a responsabilidade social nas suas estratégias de negócios, elaborando uma nova proposta legislativa relativa à comunicação e criando um prémio europeu.

Na vertente mais académica, a investigação tem mostrado diferenças acentuadas entre regiões fruto da legislação e da pressão dos stakeholders não existindo “um” modelo social na Europa mas diversos - anglo-saxónico, mediterrânico, central-europeu, escandinavo, nórdico, etc. É ainda evidente que os esforços para o desenvolvimento da RSE refletem as características estruturais e político-económicas, quer a nível nacional, quer internacional, e são afetados pelos sistemas e agendas nacionais dos diferentes países.

A investigação sugere que em Portugal as empresas têm uma forte preocupação externa da componente de RSE enquanto na Holanda o tema que dominante é a sustentabilidade. Na Finlândia o destaque vai para a importância da iniciativa por parte dos gestores de topo e na Alemanha as empresas assumem uma postura ambivalente no que diz respeito às iniciativas de RSE, devido às consequências das normas rígidas de regulamentação implantadas no país. No Reino Unido, os investidores que estão orientados para as questões de RSE são mais sensíveis às práticas explicitas e às políticas adotadas pelas empresas. No que diz respeito aos países nórdicos, a existência de um estado social forte é uma vantagem para o desempenho de RSE resultando numa alta integração corporativista.

Apesar de todos os esforços (meritórios), os dados mostram que a RSE está diretamente ligada ao desenvolvimento económico de um país, ou seja, quanto mais desenvolvido, maior a incidência de políticas na área de RSE.

Esta evidência também é realçada na Europa em que os países com índices de desenvolvimento superior são os que apresentam práticas mais consistentes e, essencialmente, são os que estão menos dependentes da pressão legislativa.

5.4.16

Caixagest lança primeiro fundo de responsabilidade social

Patrícia Abreu, in "Negócios"

A gestora da CGD deverá começar a comercializar o primeiro fundo em Portugal que privilegia a aposta em empresas sustentáveis. O objectivo é atingir os 30 milhões de euros de activos sob gestão no final do ano.

Está a chegar ao mercado o primeiro fundo de responsabilidade social português. A Caixagest vai começar a comercializar um fundo com empresas "sustentáveis" do ponto de vista social, ambiental e de governo de sociedade. E a maior gestora portuguesa está confiante de que o produto vai ter uma boa aceitação junto de clientes que num contexto de taxas baixas procuram alternativas mais atractivas.
Aliar retorno e um investimento responsável é o principal objectivo do fundo da gestora do banco público, que realiza esta segunda-feira uma conferência sobre o tema. O fundo irá investir em acções e obrigações europeias que seguem um conjunto de critérios ambientais, de boas práticas de governo e sociais.
"O interessante é apresentar aos clientes um produto que rentabiliza os investimentos e, ao mesmo tempo, está a contribuir para as gerações vindouras, para um planeta mais sustentável e uma vida mais equilibrada quer social, quer economicamente", explicou Filomena Oliveira. A presidente da Caixagest prevê alcançar 30 milhões de activos sob gestão até ao final do ano.
A estratégia de investimento privilegiada pela Caixagest prevê a selecção de títulos de dívida e de acções a partir de dois índices, que incluem apenas companhias consideradas sustentáveis. No universo nacional, há poucas empresas cotadas nestes índices. A EDP é uma das empresas que integra estes "rankings".
De fora ficam, por exemplo, tabaqueiras, empresas que produzem bebidas alcoólicas ou armamento, ou companhias envolvidas em casos mais controversos. A presidente da Caixagest realça que o objectivo desta aposta é "promover a poupança, mas de forma equilibrada, tendo nós a convicção de que a prazo as empresas responsáveis são as que são sustentáveis do ponto de vista da sua própria rentabilidade".

Alternativas com retorno
O lançamento deste novo fundo, que vem preencher um vazio na indústria nacional de gestão de activos , estes fundos são há muito uma realidade no estrangeiro ,, coincide com um período de baixos retornos nas poupanças. E os fundos de investimento podem ser uma alternativa interessante para os aforradores.
Num momento em que se antecipa um período longo de juros muito baixos, Filomena Oliveira argumenta que é necessário "dar alternativas com algum retorno, alternativas aos depósitos, no sentimento de reter a poupança e recompensar o aforro".
Para a mesma responsável, os fundos são uma boa opção de rentabilidade não apenas para os investidores, mas também para o sector financeiro. "A estratégia da CGD aposta fortemente na comercialização dos fundos", remata.


Tome nota
Os três critérios na escolha das empresas

Os fundos de responsabilidade social procuram investir em companhias que cumprem vários critérios de sustentabilidade. Questões ambientais, sociais e de governo são a prioridade.

Companhias ambientalmente sustentáveis
Um dos critérios para medir a sustentabilidade das empresas tem que ver com questões ambientais. Ou seja, é tido em consideração o impacto que a actividade das empresas pode ter em termos ambientais, bem como as práticas implementadas pelas companhias para preservar o ambiente e limitar eventuais efeitos negativos.
Reduzir a emissão de gases poluentes, privilegiar energias limpas e linhas de produção mais sustentáveis são alguns exemplos que podem aumentar o seu "rating".

Boas práticas de governo dão pontos
Boas práticas de governo são outro dos critérios analisados no âmbito da responsabilidade social. São privilegiadas as companhias com boas práticas, que mantêm uma política transparente e que cumprem as regras de mercado.
Políticas de comunicação eficiente, independência ao nível da gestão e a ausência de conflitos de interesse são alguns dos aspectos que integram o código de boas práticas do governo das sociedades. No mercado nacional, o IPCG irá substituir a CMVM na avaliação do governo das sociedades.

Políticas sociais responsáveis na mira
Além das políticas ambientais e das práticas de governo das sociedades, são ainda considerados aspectos sociais para determinar o "rating" de sustentabilidade das companhias.
A forma como as empresas tratam os seus funcionários, se têm projectos no domínio social ou se mantêm políticas de apoio a uma ou mais causas humanitárias são alguns dos aspectos que poderão ser tidos em consideração. Já um processo de despedimentos pode diminuir a avaliação da empresa ou, até, afastá-la mesmo de um índice sustentável.


Retornos sustentáveis nos fundos responsáveis

Empresas do sector farmacêutico, mas também companhias ligadas ao consumo destacam-se entre as principais apostas.

Os fundos com uma estratégia de responsabilidade social são uma novidade entre as gestoras nacionais, mas não no estrangeiro. Há mais de uma dezena de produtos com estas características comercializados no mercado nacional. E, ainda que não escapem às quedas no último ano, os retornos são elevados a médio e longo prazo.
Os fundos que investem em acções de empresas sustentáveis não têm escapado ao mau comportamento dos mercados accionistas, mas apresentam retornos de dois dígitos a cinco anos. O fundo da Candriam, o Equities Sustainable World, regista uma valorização de 9,64%, seguido pelo Pictet-European Sustainable Equities, que rende 9,56%. O índice de sustentabilidade da Ethibel, por seu lado, ganha quase 35%, mais do dobro do MSCI para a Europa.
Estes fundos têm vindo a ganhar maior popularidade junto dos investidores, à medida que aumentam as preocupações em torno da necessidade de políticas responsáveis por parte das empresas. Esta é aliás uma das preocupações da chamada geração Milénio, que está mais atenta a estes factores e coloca muitas vezes estas motivações à frente das suas decisões de investimento.
Entre as principais apostas destes fundos sustentáveis estão sobretudo empresas do sector farmacêutico. Empresas como a Roche, a Novo Nordisk, GlaxoSmithKline, ou AstraZeneca lideram o "top 5" das carteiras. Mas, há mais. Danone, Nestlé, Unilever, ou Allianz são outras das cotadas que se destacam entre as principais participações.


De exemplo, a Volkswagen intoxicou as carteiras

A fabricante automóvel era considerada uma das empresas com melhor avaliação em termos de sustentabilidade.

"Em 2014, a Volkswagen foi novamente avaliada num nível muito elevado nos rankings internacionais mais importantes, obtendo uma posição de liderança no seu sector." Era assim que a fabricante alemã comunicava como era considerada um exemplo nos índices de sustentabilidade.
Mas, tudo ruiu em Setembro de 2015. O escândalo da manipulação de gases tirou a empresa da lista das mais sustentáveis e colocou-a na "lista negra".
Era considerada um exemplo, com as emissões mais baixas de um sector que continua a ser responsável por grandes níveis de poluição. Mas, afinal, as emissões não eram tão baixas como se pensava. Um escândalo que abalou a confiança na companhia e no sector e que ditou a exclusão do grupo de empresas consideradas sustentáveis. Índices de renome, como o Dow Jones ou o Ethibel, excluíram a fabricante devido a não cumprir os critérios de responsabilidade social.
Mas, a Volkswagen não é caso único. Há muitas outras que driblaram os critérios sustentáveis e acabaram por manchar os "rankings" sustentáveis. Outro caso mediático é o da BP. Um exemplo no seu sector, até a explosão de uma plataforma no Golfo do México ter originado um dos maiores desastres ambientais de sempre.

Maus exemplos
E, tal como no estrangeiro, também em Portugal houve vários casos que apanharam os investidores de surpresa. Os escândalos do Grupo BES, que acabaram por ter consequências com implicações muito sérias na Portugal Telecom, são um exemplo de empresas que eram consideradas "exemplares" do ponto de vista social, ambiental e do governo das sociedades e que revelaram práticas bastante contraditórias.
Quer o banco, quer a antiga operadora de telecomunicações integraram o índice de sustentabilidade do Dow Jones, tendo entretanto protagonizado um dos maiores escândalos nacionais. Enquanto o BES teve de ser resgatado pelo Fundo de Resolução, a PT foi obrigada a ceder às exigências da Oi na fusão e deixar cair a sua posição de controlo no negócio.

18.3.16

Esposende Ambiente partilha projetos de Responsabilidade Social Empresarial

In "Esposende"

A empresa municipal Esposende Ambiente foi convidada a partilhar os seus projetos de Responsabilidade Social Empresarial na “III Edição de Responsabilidade Social Empresarial de Sucesso”, promovida pelo GRACE - Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial, em parceria com a Fundação Manuel António da Mota.

O evento, que decorreu no passado dia 11 de março no Porto, teve como objetivo dar a conhecer a atividade de responsabilidade social das empresas portuguesas, promovendo a aproximação dos cidadãos às práticas de Responsabilidade Social Empresarial.

Subscritora do Pacto Global das Nações Unidas desde 2010, membro do GRACE desde 2013, e certificada em Responsabilidade Social desde 2014, a Esposende Ambiente tem vindo a implementar um conjunto de iniciativas de cariz social que visam a promoção de um clima organizacional saudável, com uma aposta clara no bem-estar e na motivação dos seus colaboradores, cujos resultados se refletem naturalmente na prestação de um melhor serviço a toda a população.

13.11.15

Missão: Ajudar

Teresa Dias Mendes, in TSF

A escola de Economia da Universidade Nova de Lisboa lança um desafio aos estudantes: apresentar projetos para ajudar a resolver a crise dos refugiados. As ideias devem ser apresentadas este sábado.

A Nova School of Business and Economics (Nova SBE) desafiou os alunos estudantes do programa CEMS MIM, um dos melhores mestrados de Gestão do mundo - está em quarto lugar no ranking do jornal britânico Financial Times - a desenharem uma solução que ajude a resolver a atual crise. Não basta pensar em números. É preciso responsabilidade social.

A ideia partiu dos próprios estudantes. Os professores apoiaram. A Universidade agarrou o desafio

Será a crise dos refugiados um problema ou uma oportunidade para a Europa? Como conciliar o impacto social e o retorno financeiro?

Agora é esperar pelos projetos e escolher um vencedor.

6.10.15

As "Josefinas" portuguesas estão a ajudar mulheres em risco no Ruanda

Cecília Malheiro, Lusa, in RR

As mil e uma noites, o ballet russo ou a Alice no País das Maravilhas servem de mote para a arquitecta Filipa Júlio, 32 anos, criar no seu escritório de Vila Nova de Gaia as Josefinas, a marca portuguesa de sabrinas que entrou no mercado mundial em 2013 e já ganhou recomendações de revistas de moda consagradas como a Vogue, Elle ou a Grazia.

Um negócio de sabrinas feitas à mão por costureiras e sapateiros do Norte de Portugal está a ser um sucesso em todo o mundo e parte da receita ajuda mulheres em perigo no Ruanda, através de uma organização internacional.

É numa minúscula fábrica de calçado, junto a um campo verdejante em Nadais, perto de S. João da Madeira, no norte do distrito de Aveiro, que o amor e o "know-how" dos sapateiros e costureiras, com anos de vida a criar o que de melhor se faz no mundo dos sapatos, concebem os milhares de sabrinas Josefinas, de modelos variados como Black Lisboa, Paris, Safari, Rainha de Copas, Moscovo, Opium ou Summer Beije, e cujos preços rondam os 100 a 200 euros.

As mil e uma noites, o ballet russo ou o lendário conto de Lewis Carol, Alice no País das Maravilhas, servem de mote para a arquitecta Filipa Júlio, 32 anos, criar no seu escritório de Vila Nova de Gaia as Josefinas, a marca portuguesa de sabrinas que entrou no mercado mundial em 2013 e já ganhou recomendações de revistas de moda consagradas como a Vogue, Elle ou Grazia, e por bloggers que arrastam milhares de seguidores nas redes sociais.

A marca portuguesa utiliza apenas a Internet para exportar os sapatos que viajam para todo o mundo, via correio normal, em originais caixas de cartão com carimbo "Josefinas Portugal".

Os EUA são o principal destino das Josefinas, país que absorve 35% da produção, mas há muitas outras mulheres que querem as sabrinas "made in Portugal". As encomendas daquele calçado inspirado no mundo das bailarinas 'chovem' no sítio da Internet das Josefinas, com pedidos de Angola, Polónia, Espanha, Inglaterra, França, Irlanda, Bélgica, Brasil, China, Macau, Japão ou Austrália, conta a fundadora da marca.

Os testemunhos internacionais de clientes satisfeitas com o produto nacional são às dezenas, como a de Heather Chester, de São Francisco (EUA), que diz que os sapatos são "lindos". "Deviam estar muito orgulhosas do trabalho que estão a desenvolver. Todos os sapatos deviam ser e calçar assim. Maravilhoso", diz Heather.

"Quase duplicámos as vendas desde 2013 a esta parte. O volume de vendas diário é simpático e estamos a crescer", conta à Lusa a fundadora das sabrinas, que apostam em modelos clássicos, de uma só cor e com um lacinho ajustável a cada pé, assumindo que o negócio é sustentável.

O próximo sonho é abrir uma loja em Portugal que coabite com a loja virtual.

A costureira de sapatos Maria da Conceição Magalhães, os irmãos sapateiros Jorge e Carlos Magalhães e o colega de profissão António Ribeiro são alguns dos artesãos responsáveis pelo fabrico das Josefinas e todos estão orgulhosos da marca que criou a "sabrina mais cara do mundo" - que custa 3.379 euros segundo se lê na loja virtual - e que é adornada com uma joia, criada à mão, a partir de ouro e topázio azul.

As Josefinas, em homenagem à mulher e avó de nome Josefina, que acompanhava Filipa Júlio nos passeios que dava pelas ruas da cidade do Porto, também estão a ajudar a mudar a vida de mulheres em situação de risco, oriundas de países em guerra, através do "Women for Women International (WfWI)".

A WFWI é uma organização humanitária internacional que dá o apoio necessário às mulheres para abrirem um negócio próprio ou para terem formação e aprenderem uma profissão.

Filipa Júlio conta que a edição "Women for Women" das Josefinas está a ajudar actualmente quatro mulheres da República do Ruanda - Emilienne Muragijimana, Devothe Niyigena, Providence Uwamariya e Cecile Nyirasabwa - cujo genocídio em 1994 matou 800 mil pessoas em 100 dias. .

"Por cada dez edições vendidas, ajudamos mais uma mulher", informa, explicando que na caixa de cartão há dois pares de sabrinas de pontas cravadas com cristais. .

Neste momento faltam vender sete edições da Women for Women" para ajudar mais uma mulher em risco, lê-se no sítio da Internet das Josefinas.

17.6.13

Responsabilidade é também criar empregos

Erika Nunes, in Jornal de Notícias

Uns estavam desempregados há anos, outros nunca chegaram a entrar no mercado de trabalho.

No Centro Empresarial da lionesa, criam o próprio emprego e têm aquilo que faltava: apoio e "mimo".

[Leia aqui o artigo na íntegra]

13.5.13

Paula Guimarães: "No futuro podemos estar a falar do limite do lucro"

por Ana Torres Pereira, in Negócios on-line

Presidente da associação que une as empresas com uma estratégia de responsabilidade social acredita que os bancos podem ir mais longe nesta área.


E se a análise de risco de um banco incluísse uma variável ambiental? E se fosse traçado um limite ao lucro? Estas ainda são apenas teorizações, mas o papel das instituições financeiras ...

[leia aqui o artigo na integra]

26.11.12

Milhões solidários

João Paulo Vieira, in Visão

Um estudo da consultora Sair da Casca mostra que a crise e os resultados negativos não comprometeram investimentos na comunidade

As 22 empresas analisadas pela Sair da Casca, consultora em desenvolvimento sustentável e responsabilidade social, investiram 52 milhões de euros na comunidade, durante 2011.

O dinheiro foi aplicado, sobretudo, em ações de solidariedade, educação e cultura. O universo deste estudo é composto por empresas portuguesas e multinacionais, ligadas a nove setores de atividade diferentes (telecomunicações, energia, banca, indústria, construção e outros).

O relatório da Sair da Casca mostra, ainda, que a crise e a queda dos lucros não afetaram, na mesma proporção, o investimento solidário. Assim, em média, os resultados antes de impostos caíram 15%, entre 2009 e 2011, enquanto a redução do investimento na comunidade se ficou pelos 12%, no mesmo período.

"Investimento na comunidade" é uma designação vasta, na qual pode incluir-se quase toda a atividade da empresa. A Sair da Casca faz notar que algumas empresas incluem nos seus relatórios de sustentabilidade a construção de infraestruturas, outras referem, naquele documento, a criação de produtos mais acessíveis, patrocínios comerciais e cedência de instalações e, por fim, existem as que colocam debaixo do chapéu "comunidade" apenas os projetos sociais apoiados.

O Dado

86%
Percentagem das empresas inquiridas que desenvolvem, atualmente, ações de voluntariado

20.2.12

Governo quer apoiar projecto da Bolsa de Valores Sociais

Marta Reis com Lusa, in Económico

O Governo manifestou hoje disponibilidade para colaborar com a Bolsa de Valores Sociais (BVS), no sentido de alargar esta iniciativa de empreendedorismo social, tendo já ficado marcada uma primeira reunião.

Existe por parte do Governo "disponibilidade total e absoluta para nos sentarmos convosco e trabalharmos num alargamento mais aprofundado desta experiência", afirmou o secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Marco António Costa, no encerramento da segunda assembleia geral da BVS. À margem do evento adiantou aos jornalistas que o objectivo do Governo não é intervir ou estatizar, mas antes ser parceiro e "auxiliar o desenvolvimento do conceito".

O secretário de Estado acrescentou que ficou marcada uma reunião para a próxima semana com os responsáveis da BVS, com o objectivo de perceber de que forma o Governo pode ajudar este projecto.

A BVS tem previsto para Maio o lançamento de ‘social bonds', uma parceria com o Deutsche Bank em que também está envolvida a CGD - banco oficial da BVS -, o que, referiu o presidente da Bolsa de Valores Sociais, Celso Grecco, permitirá "reciclar o dinheiro", esperando "que seja capaz de atrair mais investidores".

No final de 2011, este projecto - que tem como co-fundadores a NYSE Euronext, a Fundação EDP e a Fundação Calouste Gulbenkian -, contava com 1.600 investidores individuais e 10 empresas, e um montante total angariado de 1,2 milhões de euros. Até agora há quatro projectos cotados financiados a 100%.

Durante a AG foram ainda conhecidos exemplos de empreendedorismo social no mundo, através de casos referidos durante o debate "Um Negócio pode ser Social?", pelos oradores convidados Malcom Hayday, CEO do Charity Bank (Reino Unido); Valdinei Valério, CEO da Renapsi (Brasil); e Filipe Santos, professor associado e director da Escola de Negócios Sociais do INSEAD.