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1.8.23

O voluntário jovem quer mudar o mundo. Consegue? É o próximo tema do PSuperior

Manuel Carvalho, in Público

Para esta quarta-feira está agendo mais um debate do PSuperior, desta vez sobre o voluntariado jovem e a transformação social, em parceria com a Fundação Eugénio de Almeida.


Uma acção pode melhorar as condições de vida de uma pessoa, de uma família ou de uma comunidade? Nos últimos anos, o voluntariado deu lugar a uma nova forma de intervenção cívica e política com resultados concretos, o que convence cada vez mais pessoas, especialmente jovens, a envolver-se em acções de voluntariado. Tornou-se um agente de solidariedade e mudança. Ainda assim, é preciso fazer muito mais para que os resultados apareçam.


Em Portugal, os jovens entre os 15 e os 24 anos são os que mais fazem voluntariado, representando 11,3% do total dos voluntários portugueses. O problema é que, no geral, o grosso da população permanece distante das novas formas de envolvimento cívico. Se, em 2018, na União Europeia, 19,3% dos cidadãos envolveu-se em programas de voluntariado, em Portugal apenas metade desse valor (7,8% dos portugueses) podia dizer o mesmo.


Por isso, é importante dinamizar as iniciativas de voluntariado. Os destinatários destas acções não são os únicos privilegiados: há estudos internacionais que destacam a importância para os jovens em termos de aquisição de competências pessoais e de integração no mercado de trabalho.


Para facilitar o encontro entre as necessidades e as vontades individuais de participar, o PSuperior, o programa de literacia mediática do PÚBLICO promove um debate sobre o voluntariado jovem e a transformação social em parceria com a Fundação Eugénio de Almeida incluído na série PSuperior Talks. O debate ocorrerá no auditório da fundação, em Évora, esta terça-feira, com início às 15h e será transmitido nas redes sociais e na página Ao Vivo do PÚBLICO.


Participam nesse debate Henrique Sim-Sim, coordenador da área social e de desenvolvimento da Fundação Eugénio de Almeida, Carla Ventura, vice-presidente da CASES (Cooperativa António Sérgio para a Economia Social), Cátia Martins, professora da Universidade do Algarve e Carmen Garcia, enfermeira, autora de "A Mãe Imperfeita" e colunista do PÚBLICO. O debate, de acesso livre, será moderado por Mariana Adam, editora do PÚBLICO.

31.7.23

Falta de casas ameaça execução atempada de grandes projectos do PRR

Victor Ferreira, in Público online

Contratação de pessoal esbarra na falta de oferta imobiliária em regiões de grande investimento nacional. Os calendários apertados do PRR quase que impõem a opção por trabalhadores já experientes.

A falta de habitação é um problema nacional. Fala-se muito em Lisboa e Porto, nas respectivas áreas metropolitanas, mas, noutras geografias, a situação repete-se. Em Évora, por exemplo, há uma cidade universitária e património mundial envolvida na transformação de Portugal num país produtor de aviões, mas a falta de casas para alojar dezenas de profissionais que é preciso contratar põe em risco a capacidade de cumprir este projecto apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) dentro do calendário, que é apertado e tem de ser respeitado.

“É terrível”, resume Miguel Braga, presidente da Empresa de Engenharia Aeronáutica (EEA), que lidera o consórcio Aero.next, de 34 entidades, cujo objectivo é contratar 350 profissionais, muitos deles recrutados no estrangeiro.

“A falta de habitação é, de facto, um drama que nós ainda não temos em Ponte de Sor – talvez tenhamos esse problema mais à frente –, mas já o estamos a ter em Évora. Não há oferta suficiente, os preços são equivalentes aos das grandes cidades. É o nosso maior problema neste momento”, afiança o mesmo responsável.

O consórcio quer dar um passo “ambicioso”: comercializar a partir de Portugal um produto completo. O que, a acontecer, será uma mudança substancial para a economia nacional.

No que diz respeito à aeronáutica, o país participa hoje em dia nas fases de engenharia, nas cadeias de valor de pequenos sistemas e subsistemas, mas “falha na integração”, explica o mesmo responsável. Por outras palavras, não teve até hoje a capacidade de integrar tudo o que desenvolve num sistema de produção que permita que um avião, tripulado ou não, saia completo do país, mas a voar. Isso tem um custo, porque significa que o país “não está nas fases de maior valor e maior intensidade tecnológica”.

“Trabalhamos no início e no fim. Com este consórcio, queremos criar o primeiro integrador final português – que monta e vende o avião”, explica Miguel Braga.

Trata-se de impulsionar a indústria aeronáutica – que está a criar raízes em Ponte de Sor (distrito de Portalegre), mas com ramificações a muitas outras cidades do Norte ao Sul do país –, para patamares onde hoje temos Alemanha, França ou mesmo Espanha. Mas o país não tem os profissionais necessários para cumprir esta ambição, até 2026. Faltam em quantidade e os que há não cobrem todas as disciplinas ou áreas de conhecimento que a produção de aviões exige.

Como tal, a solução é procurar profissionais no mercado mundial. Muitos vêm ou virão do Brasil, mas dado que o prazo é curto, por imposição do PRR, é preciso recrutar pessoas com experiência, seniores na sua actividade, que possam entrar ao serviço de imediato porque não há tempo para períodos de aprendizagem.

Tudo isso esbarra na tal falta de habitação. “Estes projectos são feitos com pessoas altamente qualificadas que muitas vezes nem existem em Portugal; estamos a falar de gente com senioridade e que, se as conseguirmos atrair, virão com as suas famílias. Estamos, portanto, com um problema muito sério, porque não se encontra habitação para estas pessoas. Não quero antecipar-me, mas isto pode ser, desde logo, o primeiro grande constrangimento ao cumprimento na totalidade das actividades em tempo útil”, frisa Miguel Braga.
Planear transportes

Não é o único grande projecto de investimento apoiado pelo PRR a lidar com este problema. Mas o alerta deste consórcio, que vai investir mais de 120 milhões de euros (75 milhões no Alentejo), é o “aviso mais veemente feito até ao momento”, anota o presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento (CNA) do PRR, Pedro Dominguinhos, que prometeu reunir-se com os parceiros deste consórcio e acompanhar o tema junto do poder local e nacional.

“Há muitos municípios com intenções de investimento na área da habitação, até com apoio do PRR, mas estamos a falar de alojamento a custos sociais ou controlados. Como tal, não se destinam a resolver este problema e, mesmo que pudessem, as casas não estariam prontas a tempo”, prossegue o presidente da CNA.

O tempo de execução é a variável crucial. Fazer casas demora o seu tempo, mas tempo é o recurso menos abundante no PRR, que tem de ser concluído até 2026, nalguns casos até antes, dependendo do calendário que foi acertado com a Comissão Europeia. Por isso, esperar que a oferta imobiliária cresça para depois contratar pessoas que os projectos do PRR exigem não é solução.

Pedro Dominguinhos cita medidas que poderiam diminuir as dificuldades, pelo menos no curto prazo. Dá como exemplo a empresa norte-americana que se instalou perto do Montijo e reservou ali toda uma ala de uma unidade hoteleira para os seus trabalhadores, num aluguer de longa duração. A empresa não está envolvida no PRR, mas o seu exemplo pode inspirar outros a seguir-lhe a peugada.

No Algarve, por outro lado, há empresas a construir habitação para trabalhadores, mas essa solução não tem impacto no imediato. Melhor seria, conclui Dominguinhos, que se encontre um plano de mobilidade nos municípios das regiões onde este problema se agudiza.

“As comunidades intermunicipais são autoridades de transporte. Seria interessante que localidades vizinhas das regiões onde esta falta de habitação é um problema para os projectos do PRR pudessem ser alternativas de residência, mas isso implica ter um plano de transporte público. Não só poderia mitigar as dificuldades das entidades envolvidas no PRR, mas também, ao mesmo tempo, poderia contribuir para o repovoamento de alguns destes sítios que estão a ficar sem moradores.”
A “fábrica de patentes” em Elvas

Sines não tem habitação que chegue para residentes habituais e o problema agravou-se com os muitos residentes não-habituais que nesta altura demandaram aquela região por trabalharem para construtoras e outras empresas envolvidas em investimentos na zona industrial de Sines.

A visão do Governo para Sines é enxertar ali um novo pulmão económico. Cada projecto industrial de energia renovável (como o hidrogénio) ou digital (como grandes centros de dados) é um alvéolo para oxigenar a produção nacional de valor ou riqueza.

Mas se o parque habitacional actual já não chega para estas encomendas, o cenário só piora quando se juntam os projectos do PRR que se vão desenvolver naquela região. É preciso contratar mais pessoas na fase de desenvolvimento e manter pessoas depois do investimento, algo que preocupa os autarcas da comunidade intermunicipal e das entidades que em Sines já sentem a pressão de fazer avançar os seus investimentos com o dinheiro do PRR.

Quase às portas de Elvas, o PRR está a financiar o crescimento de um laboratório colaborativo, o InnovPlantProtect (Inpp). Aprovado pela FCT em 2018, constituído juridicamente em 2019, nasceu, na realidade, com a pandemia. E nem por isso perdeu a ambição. Pelo contrário: o PRR deu-lhe um impulso ainda maior, graças ao financiamento europeu acrescido.

Nestes três anos, o Inpp cresceu de zero para 45 trabalhadores. São 16 doutorados, 24 mestres e quatro licenciados. Apenas uma pessoa tem somente o ensino secundário, e presta apoio logístico.

É uma força laboral “altamente qualificada”, frisa Pedro Fevereiro, que preside ao Inpp, e que, tal como sucede no consórcio Aero.next, teve de apostar na contratação de pessoas experientes, porque não há tempo para esperar que aprendam. Ali, no Inpp, o que se vê é laboratórios povoados por homens e mulheres que deixaram para trás cidades maiores em Portugal e no estrangeiro, lugares mais remotos como as Malvinas, para criarem algo de raiz no Alentejo despovoado: um laboratório que aplica ciência e quer produzir tecnologia nova com protecção intelectual.

Será uma espécie de “fábrica de patentes” que conta apresentar o seu primeiro pedido ainda este ano e tem mais duas ou três a caminho, revela Pedro Fevereiro. O Inpp pode receber até quatro milhões de euros do PRR, para 12 linhas de acção de protecção de culturas mediterrânicas contra pestes e doenças, em territórios de baixa densidade.

Um dos “inimigos” que está a tentar combater é a bactéria Xyllela fastidiosa, que ataca mais de 600 espécies de árvores em Itália, França, Espanha e Portugal. Milhares de árvores foram abatidas no país por causa desta doença que se transmite de planta para planta através de insectos.

Para conseguir ser eficaz em tão pouco tempo (o investimento termina em Março de 2026), foi preciso apostar em pessoas experientes. Em termos salariais, pagou-se 20% acima do mercado para ser atractivo trocar Oxford por Elvas, por exemplo, mas depois veio o banho de realidade, com a falta de casas.

“A oferta é muito reduzida, a linha de caminho-de-ferro que está a ser construída ainda aumenta mais a procura por alojamento e o sistema de transportes não ajuda. Não tem sido fácil, temos conseguido gerir a questão, que consideraria que é uma dificuldade nesta altura, não um problema. Pelo menos não há ninguém a viver no vão de escada”, sintetiza Pedro Fevereiro.


25.5.23

A Escola da Coesão da Região Alentejo

António Covas, opinião, in JN


No passado dia 9 de maio, dia da Europa, teve lugar, nas instalações da CCDR-Alentejo, o lançamento de um projeto ambicioso, digno de registo, denominado Escola da Coesão. Enquanto orador convidado, ficam aqui umas brevíssimas reflexões a propósito da intervenção que então proferi.


A década extraordinária (2030), o contexto

A Escola da Coesão é lançada num contexto único e irrepetível que poderíamos caracterizar e sintetizar em quatro aspetos:


- As grandes transições desta década, os efeitos imponderáveis, os impactos assimétricos, em curso, talvez, mesmo, uma mudança paradigmática de grande alcance (1);

- Um complexo único de programas, instrumentos e meios financeiros como nunca tinha acontecido num lapso de tempo tão curto (2);

- Um acontecimento singular, Évora, Capital Europeia da Cultura, 2027, tem um valor simbólico e emblemático extraordinário para toda a região Alentejo (3);

- A evolução das CCDR para a condição de instituto público, com maior autonomia e uma nova responsabilidade pública, anuncia uma mudança na paisagem jurídico-administrativa com um impacto particular sobre a inteligência coletiva da região (4).

A Escola da Coesão do Alentejo, as suas versões e dimensões

No que diz respeito às várias versões e dimensões da Escola de Coesão talvez possamos alinhá-las do seguinte modo:


- Uma versão curta, restritiva, reduzida à formação de jovens, ativos e empresários, com um enfoque especial nos técnicos ligados à gestão dos fundos europeus,

- Uma versão extensiva, programática, abrangendo as quatro dimensões da política de coesão: sociocultural, socioambiental, socioeconómica e socioterritorial,

- Uma versão mais instrumental ligada à criação de um observatório regional dos programas e projetos com mais impacto na região,

- Uma versão mais eclética utilizada como instrumento de pedagogia política devidamente programada no tempo.

No que diz respeito às quatro dimensões da política de coesão, deixo aqui alguns tópicos para reflexão ulterior.

- Coesão sociocultural: formação de ativos, estímulos para talentos criativos, CEC 2027, cluster de indústrias culturais e criativas (ICC), área de residências artísticas, culturais e científicas, preparar Évora para Cidade Criativa da Unesco, mais e melhor inovação social no plano da gestão associativa dos bens comuns (1);

- Coesão socioambiental: as grandes transições, transição energética, transição ecológica, plano verde, parque agroecológico municipal, 2ª ruralidade (solos, coberto vegetal, biodiversidade, recursos hídricos, ecossistemas e serviços de ecossistema) (2);

- Coesão socioeconómica: um programa geral de literacia digital, a formação de uma nova geração de jovens empresários, a fixação dos nativos digitais e a atração de jovens talentos, qualificação de ativos e formação ao longo da vida, uma escola de negócios (3);

- Coesão socioterritorial: cidades e regiões inteligentes, formação de plataformas colaborativas locais, programas de envelhecimento ativo, uma rede de cuidadores, bancos de solos, redes urbanas e mobilidade acessível, melhores serviços ambulatórios (4).

CCDR.IP, um novo regime de coordenação e desenvolvimento

No que diz respeito à nova paisagem jurídico-administrativa, em especial, com a evolução das CCDR para Institutos Públicos e um novo regime de coordenação e desenvolvimento mais autónomo, fica uma referência às várias versões em aberto:

- Uma versão minimalista, mais funcionalista e conservadora, de simples coordenação técnico-burocrática (1);

- Uma versão mais programática e contratualista, com contratos programas com as CIM, as Câmaras Municipais, os Núcleos Empresariais Regionais, as Instituições de Ensino Superior, sob a forma de plataformas colaborativas e delegação de poderes e competências (2);

- Uma versão mais política e federativa, mais regionalista, porventura, capaz de promover proactivamente a liberdade criativa da sociedade política local e regional e novas formas de inteligência territorial, sobretudo entre os jovens empresários e os jovens talentos que não deixarão de explorar as oportunidades oferecidas pelas grandes transições em curso.

Nota Final

A Escola de Coesão da Região Alentejo é um projeto ambicioso que nasce num momento crucial para o desenvolvimento socio-estrutural da região e do país. Esta é uma década extraordinária com muitos meios e recursos disponíveis, mas, também, com um grau de incerteza muito elevado. Estamos verdadeiramente a meio da ponte, precisamos, urgentemente, de mobilizar todo o conhecimento e sabedoria e realizar com os alentejanos um genuíno contrato de sociedade que nos liberte, enfim, dos nossos défices acumulados de longa data.

*Professor Catedrático da Universidade do Algarve

13.7.22

Arquidiocese de Évora afasta pároco por omissão de alegados abusos sexuais cometidos por catequista

in Público

Em causa estão alegados abusos sexuais a menores cometidos por um leigo, catequista e responsável pelos acólitos na paróquia de Samora Correia, mais do que uma vez.A Arquidiocese de Évora informou, esta segunda-feira, que afastou preventivamente de todas as funções o padre de Samora Correia, em Benavente (Santarém), “até à conclusão dos procedimentos canónicos”. De acordo com o comunicado daquela entidade, publicado no site, a Arquidiocese abriu “uma averiguação interna ao sucedido para procurar que uma situação semelhante não se repita”.

Em causa estão alegados abusos sexuais a menores cometidos por um leigo, catequista e responsável pelos acólitos naquela paróquia, mais do que uma vez. A notícia é avançada esta terça-feira pelo Correio da Manhã (CM). “A Arquidiocese de Évora tomou conhecimento no passado dia 22 de Junho de 2022 da prática, por um colaborador leigo da Paróquia de Nossa Senhora da Oliveira, Samora Correia, de dois actos enquadráveis como possíveis abusos sexuais sobre dois menores, um ocorrido em 2020 e outro em 2021”, refere o comunicado.

Afirmando deplorar “esses factos gravíssimos” e expressando “aos menores, às famílias e às comunidades” a “sua dor profunda”, aquela entidade sublinha que “os factos estão já a ser objecto de apreciação judicial, que permitirá conhecer a totalidade do que aconteceu”. “A Arquidiocese colaborará com as autoridades civis em tudo o que for conveniente e respeitará as decisões da Justiça”, assegura.

No mesmo documento, a arquidiocese garante que “o pároco, que foi em ambos os casos imediatamente alertado por familiares de uma das vítimas, limitou as tarefas do suspeito mas sem êxito tornando, infelizmente, possível a reincidência”.

A nota de imprensa dá ainda conta de que “a Arquidiocese renova o compromisso de continuar este duro caminho de reconhecer a verdade, acompanhar as vítimas, colaborar com as autoridades, reforçar a prevenção. Tem consciência da responsabilidade que tem diante de Deus, diante dos menores, diante das famílias, diante das comunidades”.

De acordo com o CM, os casos de alegados abusos sexuais foram investigados pela Polícia Judiciária e o suspeito está actualmente em prisão preventiva. Contudo, a acusação do Ministério Público, que ficou concluída no mês passado, recai também sobre o pároco uma vez que terá sabido do sucedido e não comunicou os casos às autoridades. No entender do Ministério Público (MP), as acções do padre podem corresponder a um crime por omissão. O PÚBLICO pediu uma cópia da acusação ao MP mas ainda não a obteve.

Quando a Arquidiocese de Évora tomou conhecimento da prática dos supostos crimes, notificou “de imediato” a Comissão Diocesana para Protecção de Menores de forma a ultimar os encontros com os pais dos menores em causa, “os escutar, e oferecer-se para ajudar em tudo o que seja necessário”.

Na semana passada, um outro padre também foi suspenso de actividades pastorais pelo Patriarcado de Lisboa por troca de mensagens inapropriadas com jovens. O clérigo desempenhava funções de capelão no Colégio S. Tomás, da Quinta das Conchas, em Lisboa, o que não voltará a acontecer.

A Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja já validou 352 testemunhos desde que foi criada, há seis meses, de acordo com o balanço divulgado no domingo. Dos testemunhos validados, 17 casos foram encaminhados para o Ministério Público, todos relativos a padres que ainda estavam em funções até à data do envio, confirmou Pedro Strecht, pedopsiquiatra e coordenador da comissão, em entrevista ao PÚBLICO.

15.6.22

Tribunal de Évora diz que acariciar as partes íntimas de menores não é abuso sexual

in Notícias Online

O Tribunal da Relação de Évora reduziu e suspendeu a pena de prisão efetiva aplicada pelo Tribunal de Setúbal a um professor de inglês por entender que as carícias que o homem fez a alunas menores não constituem crime de abuso de sexual.

O professor tinha sido condenado a oito anos e meio de cadeia por 20 crimes de abuso sexual pelo Tribunal de Primeira Instância de Setúbal. Mas, no último dia 24, os juízes desembargadores Ana Bacelar (relatora), Renato Barroso e Gilberto Cunha decidiram que estão em causa antes e apenas 11 crimes de importunação sexual, que decidiram punir com uma pena de prisão de quatro anos e sete meses, suspensa na sua execução - o arguido ficou proibido de lecionar durante 5 anos.

No dia 24 de maio os juízes desembargadores Ana Bacelar (relatado), Renato Barroso e Gilberto Cunha decidiram que afinal foram cometidos apenas 11 crimes de importunação sexual, punida com quatro anos e sete meses, escreve o JornaL de Notícias na edição desta segunda-feira.

Os juízes desembargadores de Évora consideraram que "o comportamento do arguido com as suas alunas, que envolveu a introdução de uma das suas mãos por dentro da roupa das menores e, em contacto com a pele destas, o toque, a carícia, a massagem no pescoço, peito/tronco, mamilos e barriga, é absolutamente desajustado em ambiente escolar, entre professor e aluna". "E tem cariz sexual, pelas zonas que o arguido escolheu para tal "contacto" e pela forma como o estabeleceu - com a pele das crianças, por baixo da roupa que envergavam", acrescentou, reconhecendo ali uma "busca de intimidade".

"Neste contexto, entendemos que tais comportamentos do arguido não entravam de forma significativa a livre determinação sexual das vítimas", concluíram os desembargadores.

17.5.22

Europa paga mais de mil milhões de euros a Portugal

Ana E. de Freitas, in Rádio Voz da Planície

O anuncio foi feito nas comemorações do Dia da Europa, realizadas ontem em Évora. O pagamento é feito ao abrigo do Mecanismo de Recuperação e Resiliência e depende da execução dos investimentos e reformas descritos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) português

O montante a pagar é para suportar 38 objetivos intermédios e metas, ou seja reformas e investimentos nos domínios da saúde, habitação social, serviços sociais, investimento e inovação, qualificações e competências, silvicultura, economia azul, bioeconomia, gases renováveis (incluindo o hidrogénio), finanças públicas e administração pública, segundo comunicado da tutela.

8.1.21

União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Évora alerta para «dificuldade em captar recursos humanos»

in Agência Ecclesia

Tiago Abalroado fala em profissionais «no limite»

Vila Viçosa, 07 jan 2021 (Ecclesia) – O presidente União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Évora (UDIPSS-Évora) disse hoje à Agência ECCLESIA que existe “dificuldade em captar recursos humanos” para reforçar as equipas na resposta à pandemia.

“Verificamos nas instituições que não conseguimos captar voluntários, nem outros profissionais, que possam reforçar as equipas, não sei se por receio, se também por escassez de recursos humanos. As instituições estão com grande dificuldade em captar recursos humanos”, explicou Tiago Abalroado.

O responsável realça que se esperava um reforço das equipas para “responder de outra maneira” à pandemia de Covid-19, mas tem sido impossível captar profissionais mais operacionais, ajudantes de ação direta, auxiliares de ação médica, nem enfermeiros e profissionais qualificados, ou seja, “todo o tipo de profissões, de tarefas, que é necessário desenvolver” nas instituições.

“Verificamos que os profissionais do serviço público de saúde estão no limite, não esticam, e não conseguem fazer muito mais,; os funcionários das IPSS igualmente, estão no limite, têm-se desdobrado, voluntariado para fazer mais horas, ficar dentro das instituições vários dias, tem havido um esforço significativo”, salientou.

O presidente União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Évora exemplificou que a Cruz Vermelha, “nestas regiões do interior, está também a ter muita dificuldade” na constituição das equipas de apoio.

A vacinação contra a Covid-19 nos lares de idosos em Portugal continental começou esta segunda-feira e Tiago Abalroado salientou que estão a trabalhar “na implementação ao nível do território alentejano para todos os utentes e colaboradores das IPSS”.

“Houve um contacto prévio da Administração Regional de Saúde no final do ano passado para as IPSS identificarem as listagens dos colaboradores e dos utentes a vacinar e, neste momento já se iniciaram no terreno e existem vários utentes e colaboradores no primeiro passo”, apontou.

O responsável adiantou que têm “procurado manter uma articulação muito estreita com as IPSS da região” e, em particular do Distrito de Évora, onde “existe um número muito acentuado de surtos ativos”.

“É muito complicado responder celeremente a todas as necessidades das instituições e das comunidades, os surtos estão por todos os concelhos e numa fatia muito considerável dos lares de idosos, apesar de termos as visitas suspensas os colaboradores continuam a entrar e sair diariamente. É natural que quando existe uma grande preponderância de infeção nas comunidades possa ser transmitida para os lares apesar de todas as medidas de proteção e segurança”, indicou o também representante da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) no Alentejo.

Tiago Abalroado, também presidente da IPSS UNITATE – Associação de Desenvolvimento da Economia Social, revela que até agora registaram “um caso” numa estrutura residencial, na localidade da Vendinha.

“Procuramos diariamente ter as trancas à porta ao máximo, garantir todas as medidas de segurança e proteção do plano de contingência, temos um forte envolvimento do trabalhadores, e tem sido isso que tem permitido que não houvesse uma expansão deste caso e termos resistido à entrada do vírus nas nossas estruturas e respostas sociais”, concluiu.


22.4.20

Évora. Monte alentejano transformado em centro de acolhimento para sem-abrigo

Rosário Silva, in RR

Habituado a utilizações variadas, mais no âmbito da cultura, o equipamento municipal volta a abrigar pessoas vulneráveis. Depois de ter sido resguardo para o tempo frio, o Monte Alentejano é agora resposta para os sem-abrigo por causa da covid-19.

Construído para ser estrutura provisória para a Feira de São João de 1970, o conhecido Monte Alentejano, no Rossio de S. Brás, em Évora, está agora transformado, temporariamente, em Centro de Acolhimento para Sem-Abrigo.

Trata-se de “uma resposta concreta e especializada para apoiar os sem-abrigo”, no âmbito do Plano de Contingência de Évora para a Covid-19, explica a câmara de Évora, em comunicado enviado Renascença e onde anuncia a “instalação dos primeiros utentes.”

Este equipamento municipal, com inúmeras utilizações, seja por parte da autarquia, seja de particulares e agentes do concelho, foi alterado para poder constituir-se em apoio social nesta fase excecional.

“Esta estrutura serve, essencialmente, para minimizar os efeitos do vírus do ponto de vista social, uma vez que o centro é uma possibilidade para eles (sem-abrigo), não é uma obrigação”, esclarece a vereadora do município eborense, com o pelouro da ação social, Sara Dimas Fernandes.

Para além da Câmara, são entidades parceiras na Unidade de Rede dos Sem-Abrigo do Conselho Local de Ação Social de Évora, a Administração Regional de Saúde do Alentejo, o Centro de Respostas Integradas do Alentejo Central, Unidade de Cuidados na Comunidade, o Centro Distrital do Instituto de Segurança Social, o Centro Humanitário de Évora da Cruz Vermelha Portuguesa e a Santa Casa da Misericórdia local.

O Monte Alentejano já tinha, de resto, funcionado como local de acolhimento para estas pessoas, no âmbito de outro plano de contingência, no caso, para o tempo frio.

“Estamos a falar de utentes com características especiais, muitos dos quais não aceitam acolhimento num determinado local”, recorda a vereadora, por isso “este espaço está pronto para receber apenas os que aceitarem, uma vez que, desde março, todos os sem-abrigo do Concelho estão a ser acompanhados semanalmente por uma equipa da Unidade de Rede que lhes presta a informação e o apoio necessário nos locais onde pernoitam.”

Sara Dimas Fernandes lembra que a principal mensagem, amplamente divulgada, para a população é “fiquem em casa, sendo que os sem-abrigo nem um teto têm”, daí que este apoio vise “garantir dignidade aos sem-abrigo”, baseando-se “numa parceria muito sólida entre as diversas entidades envolvidas

11.9.19

Programa de apoio leva cabazes de alimentos a todo o distrito de Évora

in oDigital

O Distrito de Évora é um dos territórios nacionais totalmente preenchido pelo Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC), agora que já estão submetidas com sucesso as 4 candidaturas na 2ª fase do concurso.

Segundo a informação que nos chegou, “o programa tem como principal objectivo apoiar a distribuição de géneros alimentares às pessoas mais carenciadas, por organizações parceiras, públicas ou privadas, bem como o desenvolvimento de medidas de acompanhamento com vista à inclusão social daqueles que são os destinatários do Programa.”

Nesta fase estão submetidas com sucesso as candidaturas ao Território da Zona dos Mármores envolvendo mais de 200 pessoas, com a colaboração directa da Cruz Vermelha de Estremoz, Cantinho Amigo, SC Misericórdia de Borba e SCM de Vila Viçosa. Igualmente com sucesso está submetida a candidatura ao Território Oeste, envolvendo a SC Misericórdia de Montemor o Novo e a Casa do Povo de Vendas Novas, território onde estão incluídas mais de 180 pessoas mais carenciadas.

No Território Leste (Portel, Reguengos de Monsaraz, Redondo e Mourão) a coordenação das ações de distribuição de alimentos está a cargo da ADA (Portel) e envolve igualmente a UNITATE, a ADEREM e a SC Misericórdia de Reguengos de Monsaraz.

Mais de 170 cidadãos carenciados serão beneficiados com esta importante ajuda. Finalmente no Território Norte / SUL (Évora, Arraiolos, Mora e Viana do Alentejo) serão abrangidos cerca de 450 carenciados, envolvendo a Cáritas Diocesana, a SCM de Arraiolos, a SCM de Mora a Associação Terra Mãe.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho, foram entregues “mais de 13.500 toneladas de bens desde Novembro de 2017” a cerca de 80 mil pessoas, entre mais de 30 mil agregados familiares. Ainda segundo a mesma fonte, cerca de 80 mil pessoas receberam cabazes de alimentos, o que permitiu a muitas delas pagar despesas como água, luz ou medicamentos. No Distrito de Évora, cabe ao Centro Distrital de Segurança Social, o acompanhamento das acções de distribuição dos alimentos, bem como a implementação e funcionamento da rede de instituições coordenadoras e executoras.

Os resultados obtidos provam que o programa, a par de outras medidas de política social, tem sido um instrumento de sucesso no combate à pobreza e à exclusão social, fenómenos a que se encontram expostos os cidadãos mais desfavorecidos e em situação de carência económica.

4.7.18

Évora. Bolsa de Voluntariado "pioneira" chega aos cuidados continuados

Rosário Silva, in RR

Dez voluntários vão trabalhar com a Equipa de Cuidados Continuados Integrados 24, um projeto-piloto no concelho de Évora que junta as dimensões relacional e afetiva à dimensão técnica.

Cristina e Daniela são duas das voluntárias que vão apoiar utentes ao domicílio. Foto: Rosário Silva/RR
Educadora de infância, no desemprego, Cristina Malarranha é uma das voluntárias que passa a integrar uma bolsa de voluntariado criada para amparar o projeto piloto, de âmbito nacional, a funcionar no concelho de Évora, denominado Equipa de Cuidados Continuados Integrados 24 (ECCI24).

“Como não estou a desempenhar a minha profissão, achei que podia ser útil e prestar um serviço à comunidade”, explica à Renascença esta voluntária de 45 anos.

A Fundação Eugénio de Almeida (FEA) e a Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARS Alentejo), uniram-se e assinaram um protocolo de colaboração para a constituição da denominada Bolsa Dedicada de Voluntariado para prestação de apoio aos utentes, familiares e cuidadores da ECCI24.

“Gosto de trabalhar com idosos e estou muito motivada para abraçar este projeto para o qual recebemos formação. É um desafio”, refere Cristina Malarranha, já com outras experiências de voluntariado.

A FEA, compôs o programa de formação que foi concluído por 10 voluntários. Daniela Carrasco terminou a licenciatura em Sociologia, e decidiu inscrever-se.

“Queria sustentar as minhas bases na intervenção social, além de que sempre me interessei pelas questões da sociedade e por ajudar o próximo”, conta-nos a jovem de 21 anos.

“Estou muito motivada, é um enorme desafio para mim”, diz-nos Daniela Carrasco. “Vamos dar apoio emocional ao doente, não intervimos a nível da saúde e dos tratamentos”, esclarece a voluntária.

Para a secretária geral da FEA, Maria do Céu Ramos, esta é “uma resposta de inovação social para uma problemática de fundo” ao qual a instituição se associa “com trabalho de voluntariado”, contribuindo com “o seu know how e certificação de excelência no campo da formação dos voluntários”.

Também José Robalo, presidente da ARS Alentejo destaca a importância dos voluntários neste projeto pioneiro a nível nacional que leva os cuidados continuados a casa das pessoas, em permanência.
“Os voluntários são pessoas que tem uma diferenciação grande em termos de critérios humanos, de proximidade, de afeto, mas também tem formação especifica para o efeito e é uma mais-valia para a nossa equipa técnica e, sobretudo para a população mais vulnerável”, acentua o responsável.

Cuidados Continuados ao domicílio com atendimento 24 horas
O projeto da Equipa de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) foi lançado no final de 2016. Uma equipa alargada, com profissionais de diferentes áreas, começou a funcionar no concelho de Évora, numa experiência-piloto no país para prestação de serviços domiciliários, com atendimento 24 horas, a doentes referenciados.

Mais de uma dezena de profissionais, desde médicos a enfermeiros, passando por psicólogos e técnicos de saúde em diversas áreas, prestam cuidados a cerca de 20 doentes e garantem o funcionamento da ECCI, todos os dias do ano, em horário presencial das 8 às 20 horas e em regime de chamada/prevenção das 20 às 8 horas.

O objetivo é prestar serviços domiciliários, decorrentes da avaliação integral, de cuidados médicos, de enfermagem, de reabilitação e de apoio social, entre outros, a pessoas em dependência funcional, doença terminal ou em processo de convalescença, com rede de suporte social, cuja situação não requer internamento, mas que não se podem deslocar de forma autónoma.

A Bolsa Dedicada de Voluntariado é acolhida com muita satisfação pela ECCI24. “Estes voluntários chegam com algo que nós temos pouco, o tempo e esse é um tempo para estar de uma forma disponível e descomprometida com a execução de tarefas técnicas o que, acreditamos, vai dar qualidade de vida ao utente e ao próprio cuidador que tem um trabalho a tempo inteiro muito desgastante”, revela à Renascença, Ana Carla Coelho, enfermeira responsável pela equipa de saúde.

Os voluntários que integram esta área surgem, ainda, como um complemento à resposta técnica que é dada pelos profissionais de saúde.

“Nós temos um utente que está a iniciar um treino de marcha e, para além da visita da nossa fisioterapeuta, nós precisamos que ele execute, fora destas visitas, um passeio até ao jardim”, exemplifica Ana Carla Coelho, para concluir que “o voluntário pode completar a resposta de tratamento, sempre sob a orientação do técnico, com pequenas tarefas que concorrem para o resultado terapêutico da nossa intervenção”.
Um exemplo entre muitos outros que podem ir desde o “voltar a ler o jornal, conversar ou analisar um programa de televisão”, alude.

Uma dimensão relacional que acaba por ser um complemento à dimensão técnica. “Não é uma ida só porque sim, é uma ida integrando um plano de tratamento dos nossos doentes e cuidadores”, menciona, ainda, a enfermeira responsável da ECCI24.

“É preciso investir mais nos cuidados continuados”
Em declarações à Renascença, o coordenador da reforma dos Cuidados Continuados Integrados, Manuel Lopes, sublinha a importância deste projeto de voluntariado que, pelas suas características, é “inédito e pioneiro” no país.

“Neste caso, o grupo de voluntários não assume o papel dos profissionais, mas têm uma função que é supletiva à família no sentido de proporcionar aos utentes alguns momentos de alivio, e ajudando a que estas pessoas possam permanecer nas suas casas o maior tempo possível e com qualidade”, destaca Manuel Lopes.
A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) foi criada em 2006 para dar resposta a um número crescente de pessoas em situação de dependência decorrente de doença ou simplesmente do processo de envelhecimento. O aumento do número de pessoas a necessitarem destes cuidados levou a que, dez anos depois, o Governo nomeasse um coordenador nacional para a reforma dos cuidados continuados. Um cargo que Manuel Lopes assume desde 2016.

“Sinto que tenho o apoio politico, mas não estou satisfeito enquanto houver uma pessoa que precise e não tenha resposta”, diz este responsável, admitindo que “precisamos de trabalhar muito mais, inovando nas respostas e na introdução de tecnologia que, infelizmente, ainda é muito pouca nos cuidados em casa”.
Em termos do número de camas, o coordenador para a reforma da RNCCI revela que “estamos muito longe dos objetivos, pois era suposto nesta altura termos à volta de 15 mil camas”, existindo apenas “8.500, aproximadamente”. Situação que muda de figura quando se adiciona a resposta que já é dada no domicílio, onde “existem cerca de seis mil camas”.
“Estamos em processo”, adianta Manuel Lopes, mas “é preciso investir muito mais para que a primeira opção seja a resposta em casa, e só depois se optará por respostas de internamento”.

6.2.18

Câmara de Évora oferece teto e refeições quentes aos sem-abrigo devido ao frio

in SicNotícias

A Câmara Municipal de Évora ativou hoje o plano de contingência para apoio e proteção de emergência aos sem-abrigo do concelho, devido ao tempo frio, disponibilizando um centro de acolhimento e refeições quentes.
"As equipas de apoio já estão no terreno a falar com as pessoas identificadas no plano e outras que não estão identificadas", afirmou à agência Lusa o vice-presidente da autarquia, João Rodrigues. As equipas de rua, compostas por técnicos de várias entidades, vão sensibilizar os sem-abrigo para proteção contra o frio, dar indicações da abertura do centro de acolhimento de emergência e verificar necessidades de alimentação, vestuário, agasalhos ou cuidados de saúde.

O autarca indicou que o Monte Alentejano, espaço municipal localizado próximo do centro histórico da cidade, "vai estar aberto hoje e amanhã à noite", entre as 18:00 e as 08:00, para oferecer um teto e refeições quentes a quem necessitar. "Depois, vamos ver se será necessário mais algum espaço e durante mais alguns dias", assinalou, realçando que "tudo vai depender da informação" prestada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A decisão do município alentejano foi tomada hoje numa reunião do Centro de Coordenação do Plano de Contingência para Pessoas Sem Abrigo, na sequência da emissão do aviso amarelo do IPMA. Em comunicado, a autarquia explica que foi "decidida a ativação do plano no nível 2 -- nível amarelo", uma vez que "se prevê para os próximos dois dias, no mínimo, temperaturas iguais ou inferiores a 1.º Celsius".
De acordo com as previsões do IPMA, as temperaturas mínimas no Alentejo deverão variar entre 0 a cinco graus celsius. "Uma vasta região anticiclónica localizada na região dos Açores e uma depressão sobre a Península Ibérica vão continuar a dar origem ao transporte de uma massa de ar muito frio sobre o território do continente ao longo desta semana", justifica o IPMA, num comunicado colocado na sua página na Internet.
Com Lusa

25.5.16

Re-food chega a Évora

Margarida Piçarra Navalhinhas, in "Diário do Sul"

Realizou-se no passado dia 18 de Maio de 2016 às 21h em Évora, no auditório da DREA, a reunião sementeira do movimento Refood, um dos primeiros passos para trazer o Refood para Évora.

Este movimento existe há 5 anos e foi fundado por Hunter Halder, americano que reside em Portugal há mais de 20 anos e que acredita que "É possível encontrar novas respostas para antigos problemas" como é o caso da fome e do desperdício alimentar, as duas lutas principais do movimento que fundou.

No fundo, o projetoRe-food faz uma coisa muito simples: resgata, no final de cada dia, a comida preparada e não servida, nos restaurantes, cafés e pastelarias e entrega-a a quem precisa.

O RE-FOOD é um projeto eco humanitário 100% baseado em trabalho de voluntariado que se espalhou por todo o País tendo atualmente 32 núcleos a funcionar, 900 parceiros envolvidos, 3000 beneficiários, 4.500 voluntários e que serve por mês 54.000 refeições.

Sabe-se que 1/3 da comida produzida no nosso planeta vai para lixo. Toneladas e toneladas de comida, em perfeitas condições, vão para o lixo, todos os dias, e também aqui em Évora - mas nós temos o poder de parar com esse desperdício e, ao mesmo tempo, alimentar quem precisa! É esse o objetivo principal do movimento, que assenta em 3 pilares: 1 - Resgatar 100% do excedente alimentar preparado e não vendido, dentro de uma área de atuação micro local.

2 - Proporcionar alimento a 100% das pessoas com carências alimentares, dentro desta mesma área.

3 Procurar envolver 100% da comunidade no desenvolvimento, operacionalização e apoio a este projeto.

Segundo Hunter, só é possível formar um núcleo que funcione e alimente quem precisa se se envolver toda a comunidade local. Refood é um movimento comunitário que necessita do esforço de toda a comunidade para um bem-comum: luta contra a fome e contra o desperdício alimentar.

A economia vivida nesta associação sem fins lucrativos é uma economia de boa-vontade em que tudo é dado com base na boa-vontade e em que o essencial são as pessoas doarem o seu tempo e a sua vontade com espirito de equipa e de união num bem maior.
"Trabalharias 2 horas por semana para alimentar 10 pessoas?" é a questão que o Refood nos coloca. Seriamos capazes de dar o nosso bem mais precioso, o tempo, para ajudar esta causa? O Refood vai trabalhar para iniciar um núcleo em Évora, "Juntos podemos mudar o Mundo", começando na nossa cidade. É esta a proposta do Refood e do seu fundador! Juntemo-nos por esta causa!

Re-food chega a Évora E Este movimento existe há 5 anos e foi fundado por Hunter Halder, americano que reside em Portugal há mais de 20 anos e que acredita que "É possível encontrar novas respostas para antigos problemas" como é o caso da fome e do desperdício alimentar, as duas lutas principais do movimento que fundou.

23.9.15

Arcebispo de Évora disponibiliza recursos da arquidiocese para refugiados

In Diário do Sul

O arcebispo de Évora, José Alves, manifestou disponibilidade para o acolhimento de refugiados em imóveis devolutos da arquidiocese, afirmando estar convencido que muitas pessoas das paróquias vão colaborar como voluntárias nas estruturas de receção.
“Quando formos solicitados, estamos abertos a poder colaborar
com edifícios que tenhamos eventualmente devolutos para albergar as pessoas que não tenham alojamento”, afirmou o prelado.

O arcebispo mostrou-se “convencido” de que “muita gente das paróquias e das instituições” da Arquidiocese de Évora “vai colaborar como voluntária” naquilo que considerou uma “ação humanitária”.

José Alves realçou que “muitas congregações religiosas e instituições ligadas à igreja” já integram uma plataforma, que foi constituída por entidades privadas para dar uma resposta aos refugiados que chegam ao país.

A situação dos refugiados “é tremendamente aflitiva” para o mundo e, em particular, para a Europa, disse o arcebispo, assinalando que “dezenas e centenas de milhares de pessoas ficam sem casa, sem trabalho, sem recursos e sem pátria”.

“Todos nós nos temos de sentir comprometidos para ajudar a minorar os efeitos perniciosos desta tragédia humana”, referiu.

Em Portugal, quase uma centena de autarquias já se disponibilizou para receber refugiados, mas os municípios afirmam esperar indicações do Governo e do Conselho Português para os Refugiados (CPR), enquanto grupos de cidadãos e instituições civis se têm desdobrado em iniciativas.
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