Por Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas, in Jornal Público
Governo grego pode estar a preparar mais aumentos do IVA, de impostos sobre o tabaco e combustíveis e cortes adicionais nos salários da função pública
A Comissão Europeia acentuou ontem a pressão sobre a Grécia para adoptar novas medidas de austeridade destinadas a credibilizar os seus esforços de saneamento das finanças públicas, o que reforçou a especulação sobre uma eventual ajuda da eurolândia para o refinanciamento da dívida grega.
Olli Rehn, comissário europeu responsável pela Economia e Finanças, deixou ontem claro em Atenas que os países da zona euro e os mercados financeiros só ficarão convencidos sobre a determinação do Governo de George Papandreou em cortar este ano o défice orçamental em quatro pontos percentuais (de 12,7 por cento do PIB para 8,7 por cento), se a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) garantirem que o plano de austeridade grego permitirá atingir este objectivo.
As três instituições estão a planear realizar brevemente uma nova deslocação à Grécia, depois de uma primeira visita realizada na semana passada, no quadro do processo de monitorização das contas públicas nacionais desacreditadas por vários anos de manipulação das estatísticas oficiais, e de uma derrapagem do défice do ano passado para o dobro do valor previsto três meses antes.
Esta vigilância resulta, por seu lado, da decisão europeia de meados de Fevereiro de colocar a economia grega sob tutela ao abrigo do pacto de estabilidade e crescimento para impedir que o descontrolo grego desestabilize a totalidade da zona euro.
De acordo com a imprensa grega, a pressão europeia levou o Governo a ponderar novos aumentos dos impostos sobre os combustíveis, tabaco e possivelmente o IVA, a par de cortes adicionais dos salários da função pública. "O Governo fará tudo, incluindo através de novas medidas, para concretizar a redução do défice público em 4 pontos percentuais em 2010", reiterou George Papaconstantinou, ministro grego das Finanças.
Rehn, que se encontrou com Papandreou e vários ministros, não se pronunciou sobre os rumores persistentes na imprensa financeira sobre a preparação de um plano entre a França e a Alemanha para ajudar Atenas a emitir títulos de dívida sem a penalização dos mercados a que está actualmente sujeita. "A zona euro está pronta para assumir uma acção determinada e coordenada para assegurar a estabilidade da zona euro", limitou-se a afirmar, retomando os termos expressos há duas semanas pelos líderes da UE.
Angela Merkel, chanceler federal da Alemanha, que se encontrará com Papandreou na sexta-feira em Berlim, negou no domingo qualquer plano deste tipo, insistindo em contrapartida em que a Grécia tem de "cumprir os seus deveres".


