Ana Cristina Pereira, in Jornal Público
Sete instituições com trabalho feito na Área Metropolitana firmam hoje uma parceria para encontrar novas formas de intervenção social
Há muito que o padre José Maia, presidente da Fundação Filos, remoía esta ideia: constituir uma plataforma de combate à pobreza na Área Metropolitana do Porto. Hoje de manhã, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza (ver Destaque nas pág. 2 a 4), a carta de princípios é lançada com a assinatura de sete instituições.
"A natureza multifacetada e complexa dos fenómenos que configuram dimensões de exclusão social torna imperativa a procura de novas formas de intervenção, designadamente as que se traduzem numa lógica de parceria e de partilha de recursos e saberes, em que a ideia de território de cooperação alargado se afirma em detrimento da abordagem local", refere o documento, a que o PÚBLICO teve acesso. Os subscritores da declaração "reconhecem que a integração de estratégias e o desenvolvimento de dispositivos de incidência municipal podem contribuir para a construção de uma nova geração de respostas sociais".
Nesta fase, segundo adiantou José Maia, a plataforma engloba a Fundação Filos, a Agência Piaget para o Desenvolvimento, a Benéfica Previdente, a Norte Vida, a Santa Casa da Misericórdia da Trofa, a Associação para o Desenvolvimento Integrado de Matosinhos e a Associação Ermesinde Cidade Aberta. Outras entidades que actuam na Área Metropolitana do Porto serão convidadas como "parceiras privilegiadas" (administrações regionais, autarquias, instituições de ensino e investigação).
Os destinatários preferenciais deste "compromisso com a inclusão" serão aqueles que se encontram em particular situação de vulnerabilidade social. Há "milhares de idosos a viver em condições de habitabilidade degradantes", retrata o prelado, indignado com a quantidade de prédios devolutos, sobretudo, no concelho do Porto. E cerca de "dois mil toxicodependentes que cruzam a Área Metropolitana, 420 dos quais sem-abrigo", refere ainda. Faltam inovadoras soluções habitacionais, considera.
Não por acaso, a plataforma é apresentada durante o colóquio O Terceiro Incluído (ver caixa), que decorre hoje e amanhã na antiga Central Hidroeléctrica do Porto, actual CACE Cultural (na Rua do Freixo) -, que pretende ser uma "reflexão entre os discursos das ciências sociais sobre o fenómeno da exclusão social e as formações discursiva da arquitectura e do desenho urbano". A ordem é para abordar o território (a cidade, a grande cidade) enquanto espaço de cidadania.
A plataforma poderá avançar para residências partilhadas; centros de acolhimento e de abrigo para toxicodependentes em "fim de linha". Ambiciona também explorar o conceito da "habitação de interesse social" e questionar o primeiro-ministro sobre a hipótese de incluir a reabilitação de casas degradadas nos chamados PIN (projectos de interesse nacional).


